ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65
CAMPANHA MOVIMENTO 65

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ministro da Educação quer a volta das aulas de Educação Moral e Cívica nas escolas

A proposta de reforma do ensino médio (saiba mais aqui) do ministro golpista da Educação José Mendonça Bezerra Filho visa “acabar com qualquer possibilidade de o país manter uma educação contemporânea, voltada para o avanço do país na era do conhecimento”, diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da CTB-BA.
Em concordância com ela, Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), “acabar com aulas de Filosofia, Sociologia, História e Geografia, entre outras da área das ciências humanas é retroagir para a época da ditadura, implantada de 1964”. Para ela, "os estudantes querem alimento para o corpo, mas para a alma também, por isso querem estudar essas matérias que são importantes para o diálogo e para a nossa formação".
Para ela, o Ministério da Educação, do governo golpista, pretende “implantar o projeto Escola sem Partido (veja mais aqui) em conta-gotas, já que o projeto como um todo não passa em lugar nenhum. Justamente porque visa acabar com a luta da juventude por uma educação pública de qualidade e para todos”.
Os argumentos do ministro baseiam-se nos mais recentes dados divulgados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb, leia mais aqui). Em entrevista ao Diário de Pernambuco, neste fim de semana, Mendonça Filho defendeu a recriação de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira (OSPB), “duas matérias muito utilizadas pela ditadura para doutrinar estudantes”, defende Betros.
Ela conta que “os docentes vêm lutando há anos por uma educação que faça os alunos pensarem. Porque entendemos a escola como um espaço para refletir e com isso formarmos cidadãos e cidadãs com capacidade de construir um futuro onde superemos os preconceitos e o autoritarismo”, complementa.
Já para Lanes, “eles querem acabar com todas as conquistas que tivemos nos governos Lula e Dilma, rumando para uma educação formadora de consciências livres para um país sem uma educação voltada para os interesses do desenvolvimento nacional autônomo”.
Enquanto os defensores da proposta do ministro afirmam que há necessidade da volta dessas disciplinas para recuperar alguns valores de cidadania e pela importância de fazer com que os jovens entendam mais sobre si mesmos e, com isso, compreender a conjuntura política e social do país”.
Foi a Lei 869 de 12 de setembro de 1969 que estabeleceu, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a Educação Moral e Cívica em todos os sistemas de ensino no Brasil, já que a matéria já existia desde a década de 1930, mas em caráter facultativo.
Para justificar o fim do ensino de História, Mendonça Filho afirmou que “é uma questão de coerência extirpar o ensino de história das escolas. Nosso slogan é ‘ordem e progresso’ e temos que olhar para frente! Aprendi mais história lendo a Turma da Mônica do que nos livros e com professores petistas! Filosofia e Sociologia ninguém entende nada, é inútil e um zoológico de professores excêntricos”.
Inconformada, Betros também acredita que essa estratégia do MEC faz parte de um entendimento deturpado. “Nós defendemos uma educação que leve em conta o desenvolvimento das cognitivo e emocional das crianças e jovens. Não de matérias que ditem regras estapafúrdias e fora da realidade”.
Ela lembra que “nenhuma reforma educacional pode ocorrer sem a participação da sociedade e das entidades ligadas à educação”. Para a sindicalista, “educação tem que formar para o exercício pleno da cidadania, possibilitando aos alunos formular pensamento original sobre todas as questões da vida”.
Na realidade, reforça Lanes, “os projetos golpistas querem acabar com a educação pública, privatizando o ensino médio e superior, voltando à educação para poucos. Ainda mais se a gente notar que menos de 30% das prefeituras e estados pagam o Piso Nacional do Magistério”.
Mas ela garante que haverá resistência da juventude que se acostumou com a democracia. “Iremos ocupar as escolas contra o desgoverno Temer. Já ocupamos contra privatização, pela punição de ladrões da merenda e se pensam que desistiremos da educação pública de qualidade estão muito enganados”.
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

sábado, 17 de setembro de 2016

Especial Jovens na Política: a voz de quem representa as demandas estudantis nas Eleições 2016

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou dados que indicam o perfil dos candidatos a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Segundo dados do TSE, 496.846 candidatos concorrem nas eleições que irão acontecer no próximo dia 2 de outubro. Do número total, os jovens entre 18 e 29 anos representam apenas 9,8% dos concorrentes.
As estatísticas mostram ainda que há uma predominância de homens (68%), brancos (51%) e mais da metade (55%) tem idade entre 40 e os 59 anos. É nesse contexto que jovens de todo Brasil buscam espaço nas Eleições 2016. Muitos deles, vindos do movimento estudantil, trazem novas propostas e podem significar a reformulação da realidade política brasileira.
FONTE: TSE
Diante desse cenário, como entidade defensora dos interesses estudantis, a UBES lança o Especial Juventude na Política, que tem como objetivo principal, oferecer espaço e voz aos candidatos cujas propostas coincidem com demandas do movimento estudantil.
Diretora da UBES, Jéssica Lawane, relembra a necessidade da representatividade juvenil na política. “Estamos passando por um momento de crise de representação. Precisamos desconstruir esse velho modo de fazer política! São sempre os mesmos, filhos dos mesmos e esse jeito de levar a política não representa a juventude ou mesmo o povo brasileiro. Precisamos da juventude negra, LGBT e das mulheres para que possamos reconstruir nosso modo de fazer política”, explicou.

Perfil dos candidatos x Representatividade popular

No ano de 2013, as ruas pautaram uma reforma política, reivindicando dentre outras coisas, uma democratização no sistema político brasileiro, ou seja, uma maior diversidade de grupos que compõem a sociedade deveria estar diretamente inserida na política.
Os números do TSE, entretanto, apontam que o oposto vem acontecendo. Dentre os que pretendem representar a população brasileira, uma fatia de aproximadamente 26% corresponde a agricultores, servidores públicos municipais, comerciantes e empresários.
Para a representatividade feminina, os dados seguem desanimadores.  A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada pelo IBGE em 2013, demonstra que existem 103,5 milhões de mulheres no Brasil, o equivalente a um pouco mais da metade da população brasileira (51%). Nessas eleições, entretanto, elas representam apenas 32% das candidaturas.
Quanto aos partidos que mais conseguiram protocolar candidaturas, dois deles seguem linhas mais conservadoras e estão pautados no neoliberalismo. São eles: o PSD, com 5,92% e o PP com 5,64%. O PSDB ficou em segunda posição, registrando 7,19% das candidaturas, atrás apenas do partido do atual presidente ilegítimo, Michel Temer, o PMDB, que alcançou 8,95% dos registros.
Para saber mais sobre o seu candidato, acesse o DivulgaCandContas. Com novas funções, a plataforma agora oferece um sistema completo de informações a respeito de todos os 5.568 municípios do país nos quais as eleições acontecerão em outubro.
Fonte: UBES

Cunha é Temer, Temer é Cunha – Por Musa Ramalho

Cunha é Temer, Temer é Cunha e ambos são o pacote de maldades neoliberais preparadas para retrocedermos nos direitos democratizantes conquistados com muito suor e muita luta. Nossas vozes pelo “Fora, Temer e Cunha na Cadeia” precisam estar atreladas a reconstrução da democracia brasileira. Se não pensarmos e agirmos de forma mais aprofundada, vamos somente trocar os donos das canetas sem alterar o conteúdo da narrativa. “Diretas já” são fundamentais para reorganizar a política nacional. Não eleger golpista nas disputas municipais é imprescindível para construirmos uma política melhor.
Essa segunda (12), foi um dia vitorioso, ainda que tardiamente. A cassação de Cunha nos revela mais uma prova do golpe. Cunha caiu porque ele próprio era insustentável, a representação de tudo o que há de mais atrasado e que essa geração rejeita. Mas óbvio que não rejeita de forma abstrata e desconectada com a luta por um mundo novo.
Cunha é fruto de um sistema político desconectado com a realidade do povo brasileiro. Foi útil e hábil para fazer o trabalho sujo na política representando os interesses do mercado e deixando escorrer por entre os dentes os venenos do fundamentalismo religioso, também articulado com o capital. Cunha foi também o representante político do capital financeiro e do industrial, o próprio agente do “jeitinho” gringo de impor sua agenda conservadora. Mas agora, com a esquerda fora do governo e com a imagem do ex-presidente da Câmara completamente desgastada, seus podres revelados, revirados, repetidos, rebatidos, já cansados e abatidos depois de um ano de processo, ele serve mais pra que? A direita quer moralizar o golpe, mas não vai conseguir.
Como dizem, a política é dialética, e quem esteve ao lado de Cunha para derrubar Dilma, hoje, vota contra Cunha sem ninguém ter mudado de lado. Isso porque a aliança da direita que se estabelece num sistema político distorcido como é o brasileiro, nessa ex democracia, é meramente com o poder e o que ele pode proporcionar. Os interesses das elites deslizam entre um campo político e outro, entre as figuras mais convenientes de cada momento em busca da manutenção de privilégios. Assim é a política brasileira. E Cunha só não serve mais por que nós fomos às ruas denunciar! As ruas venceram e seguem o campo principal de batalha.
O pacote de maldades está vindo pelas mãos covardes de Temer, mas que também é uma figura insustentável. Ele é o presidente que mesmo se escondendo do povo consegue ser vaiado três vezes ao dia. Basta ir a um protesto de rua que é possível ouvir aquela linda ópera de Mozart “ai! ai ai ai ai ai ai ai! Empurra o Temer que ele cai!”, ou o consagrado canto gregoriano “Foooora! Teeemeeer!”. Com Cunha era o mesmo. Temer vai cair, porque nós não vamos dar sossego, como não demos pro recém caído. O que não podemos fazer é uma luta para deixar espaços vazios (e que, obviamente, não ficam vazios).
Meu “Fora, Temer” vem acompanhado de “Eleições Diretas, Já!” Por que Temer foi eleito indiretamente com o voto do lobby político das grandes corporações do petróleo interessadas no pré-Sal, da FIESP, dos grandes proprietários de terras, do Clube Militar, dos centros políticos “cristãos”, das empresas da educação, da comunicação de massa, dentre outros. Os deputados que se aliaram a Cunha no golpe, e ele próprio, são meras representações e é também por isso que estou convicta de que ele não vai delatar ninguém. Repito, ninguém mudou de lado.
Acredito em novas eleições. É urgente reorganizar os campos políticos e colocar em disputa um projeto avançado, de esquerda, mudancista e capaz de fato de melhorar o cenário econômico e aprofundar mais no social. Esse que está aí sem voto e com índices estratosféricos de rejeição não se sustenta. Quero ver a direita perder pela quinta vez. O pacote de maldades não vence eleição.
Por Musa Ramalho
Fonte: UJS Nacional

Mídia faz campanha para forçar juízes a condenar, diz ministro do STJ


TSE
 
 

Segundo ele, as “manchetes de jornal que aniquilam histórias de vida” devem ser punidas com indenizações rigorosas. Ele citou como exemplo a recente capa da revista Veja que “colocou uma foto do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, acusando-o de envolvimento com empreiteiras, mas na reportagem descreveu condutas que não são ilegais, nem sequer antiéticas”.

O ministro salientou ainda que essa prática de coação tem a imprensa como carro-chefe, mas conta, ainda que em menor grau, com a atuação de setores da polícia, Ministério Público, Conselho Nacional de Justiça e as corregedorias, que fazem intensa pressão para magistrados mandarem prender, condenarem e proferirem decisões contra o Estado.

O ministro reconheceu a conduta fascista desses setores contra os magistrados que fazem a defesa da legalidade. Segundo ele, quem concede a ordem em pedido de Habeas Corpus ou dá razão a uma pessoa ou empresa em causa contra a Administração Pública logo é tachado de “corrupto” ou “vendido”.

Ele lembrou o caso do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal que, durante o julgamento da ação penal 470, sofre com a agressão estimulada pelas manchetes dos jornais, por conta da posição do ministro no processo.

“Fiquei indignado quando vi Lewandowski ser hostilizado no avião, no restaurante. Que país é esse que juiz não pode manifestar seu entendimento? Quem perde é o povo. O jovem de hoje não sabe o que foi a ditadura militar. Mas nem esta foi tão cruel quanto a mídia tem sido com os magistrados”, lembrou.

Noronha reforçou ainda que essa situação cria outra consequência: a impunidade da imprensa. Segundo ele, essa pressão inibe os juízes, que fixam baixas reparações em casos de abuso da liberdade de imprensa.
 


Do Portal Vermelho, com informações do Conjur

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sustentabilidade Meio Ambiente Vamos falar mais sobre o aquecimento global?

Estados Unidos, China e Brasil ratificam o Acordo de Paris, mas sociedade segue ignorando os efeitos e consequências mundiais das mudanças climáticas

Realizada no mesmo dia da cassação de Cunha, ratificação do Acordo de Paris por Michel Temer perdeu espaço nos noticiários

O presidente Michel Temer assinou na terça-feira 12 o documento que ratifica o Acordo de Paris, responsável por estabelecer as metas de redução das emissões dos chamados gases de efeito estufa (GEEs) que o país se comprometeu a atingir.
A chancela brasileira ocorreu semanas depois que os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores responsáveis pelo agravamento do aquecimento global no planeta, também assinassem seus compromissos.
Tratam-se de sinais positivos que deverão redundar em ações concretas para reduzirmos o galopante aumento na temperatura do planeta? Talvez sim, mas com algumas ressalvas.
Ao participar da cerimônia de assinatura do Brasil, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, afirmou que o ato representou um primeiro e importante passo. Por outro lado, alertou que é necessária uma ação efetiva, capaz de mudar os rumos das políticas públicas brasileiras em relação à agenda do clima.
É neste ponto que residem os maiores desafios não só para o Brasil, mas em qualquer outra parte do mundo, para que todos participem efetivamente desses esforços, já que as consequências das alterações climáticas afetam a todos, indistintamente.
Se na COP 21 havia de seus participantes (majoritariamente representantes de governos, empresas, cientistas e ONGs) uma unânime compreensão sobre os malefícios do aquecimento global, não é menos verdade que, para os cidadãos residentes em todos esses países e continentes, o tema ainda é visto quase como ficção científica.
Não que as pessoas deixem de sentir seus efeitos no dia a dia. Muitos até afirmam em suas redes de relacionamento que secas, enchentes e ondas de calor, entre outros, tenham em sua origem as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global.
Mas de fato, o que as pessoas estão dispostas a fazer, apoiar, interagir a esse respeito? Em geral o que se vê é: absolutamente nada.
Ainda que, por um lado, falte exatamente clareza sobre como atuar numa questão tão complexa e universal, não é menos verdade a ausência ensurdecedora de informações mais palatáveis que envolvam definitivamente as pessoas para a importância e consequências do aquecimento global.
Parte da responsabilidade é de nós, jornalistas, ao não “chamar” as pessoas para uma maior discussão sobre o tema. Infelizmente, no mesmo dia que Temer assinou o compromisso brasileiro, a principal notícia foi a cassação do deputado Eduardo Cunha. Não há o que dizer sobre o destaque desse fato, mas, ao mesmo tempo, será possível que não exista espaço para também enfatizar a importância do ato climático?
O processo eleitoral ao longo do tempo e a indigência de seus candidatos tem representado outro fator de distanciamento dos cidadãos para estabelecer um debate construtivo com a sociedade. Seria importante que tivéssemos mais autoridades públicas no âmbito municipal, por exemplo, capazes de enxergar um pouco mais além do que asfaltamento de ruas ou a construção de um posto de saúde.
Bom lembrar que as previsões sobre o aquecimento do planeta tem superado as expectativas até dos mais pessimistas. Recentemente, foi divulgado que julho foi o mês mais quente já registrado desde que esse tipo de análise começou a ser feita, há 137 anos. Trata-se da décima quinta alta consecutiva de aumento constante da temperatura média global.
Com frequência, somos brindados com informações de pesquisadores e cientistas sobre os efeitos danosos do aquecimento para a agricultura, as florestas e a biodiversidade – e suas perdas catastróficas e irreversíveis.

Mesmo que Brasil, Estados Unidos e China tenham dado esse importante sinal para a humanidade, sem o envolvimento de todos dificilmente iremos alcançar os resultados almejados. Então, fica aí o convite: vamos falar mais sobre o clima?
Fonte: Carta Capital

Especial Eleições 2016: Entrevista com Manuela D’Ávila

Por  Natasha Ramos.
A UNE conversou com Manuela D’Ávila que falou sobre sua trajetória do movimento estudantil à vida partidária e a necessidade de se renovar a política
Os anos de Movimento Estudantil foram transformadores para a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB). Sua militância se iniciou em 1999. No mesmo ano, ela se aproximou e se filiou à União da Juventude Socialista (UJS), o que contribuiu muito para o seu crescimento e amadurecimento político. Foi conselheira do Conselho Universitário da UFRGS e coordenadora do Centro de Estudantes de Ciências Sociais. Em 2003, no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Goiânia, foi eleita vice-presidente regional da entidade. Manuela foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita em 2004 aos 23 anos. Se tornou deputada federal em 2006 e foi reeleita em 2010. Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano. O site da UNE entrevistou a parlamentar para oEspecial Eleições 2016 sobre sua trajetória e sobre a renovação da política a partir da candidatura de jovens do movimento estudantil. Confira:
UNE: Como o ME contribuiu para sua formação política?
Manuela D’Ávila: Contribuiu muito. Os anos de Movimento Estudantil foram de aprendizado e fortalecimento de meus ideias. Quando militava na UNE sabia que as causas pelas quais lutávamos eram mais do que questões estudantis, lutávamos por um projeto de país. Quando entendemos o funcionamento das instituições e movimentos sociais, compreendemos a dimensão da micropolítica, isso facilitou o meu entendimento da complexidade da macropolítica. Conhecimentos que levo até hoje comigo.

UNE: Como você vê essa renovação da política a partir da candidatura de jovens do movimento estudantil?
Manuela D’Ávila: Os jovens são atores estratégicos na luta pela superação dos problemas da velha política. São eles que ousam frente aos problemas que nos castigam há anos. O movimento estudantil mostra aos jovens militantes a necessidade da organização e da democracia. Não existe país desenvolvido sem amplo investimento na juventude. É a juventude que questiona o sistema político e faz isso com razão. O sistema político atual, com os partidos dirigidos por homens velhos e conservadores, que não dão espaços para as mulheres e para os jovens, realmente não nos representam. Mas mais do que criticar, é preciso ocupar a política, por isso, as candidaturas dos jovens são tão importantes para gente.

UNE: Quais foram as dificuldades que você enfrentou por ser uma candidata jovem em um ambiente de pessoas mais velhas?
Manuela D’Ávila: Além de jovem, fui uma jovem mulher, temos aí dois preconceitos cruzados, o geracional e o de gênero. Sabemos das dificuldades que as mulheres encontram para ocupar os espaços de poder e, quando ocupam, a dificuldade de se manter neles é uma luta constante. Ainda é difícil para os jovens conquistar credibilidade em espaços dominados por pessoas mais velhas e, por vezes, conservadoras. Sempre tive que ter pulso firme nas minhas decisões e ignorar alguns comentários. Para enfrentar esse preconceito contra os jovens e a fala de “falta de experiência” é preciso estudar, ler e se informar o máximo possível.

UNE: Como rebater a pergunta de que o movimento estudantil é um simples trampolim político?
Manuela D’Ávila: Normalmente quem fala isso é quem questiona a própria existência do movimento estudantil. O movimento estudantil é um espaço político e de aprendizado. É natural que muitos militantes continuem atuando na política, afinal, deixamos de ser estudantes e precisamos nos organizar em outros espaços. O que precisamos diferenciar, são aqueles militantes oportunistas que usam esses movimentos para se promover, sem ideologia alguma. Quando me elegi vereadora, acabei deixando a UNE. Mas não há mal nenhum em um jovem ser de uma entidade e depois concorrer. Mal há em ele não concorrer e deixar a política tomada por àqueles que não tem comprometimento com as necessidades da população.

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Especial Eleições 2016: Jovens candidatos e os desafios de renovar a política. "Acho que o desinteresse dos jovens se devem a uma CONSCIENTIZAÇÃO Democrática e Participava!" - EDUARDO VASCONCELOS

Por Natasha Ramos.
Dados sobre as candidaturas das eleições 2016 apontam para o desafio de se renovar a política no Brasil por meio de uma maior participação dos jovens, mulheres e negros de forma direta com candidaturas às Prefeituras e Câmaras Municipais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou as estatísticas sobre o perfil das candidaturas para as eleições municipais 2016. Segundo dados atualizados em 8 de setembro, há um total de 494.177 mil pessoas concorrendo aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador.
Neste ano, a quantidade de mulheres aumentou 1% em relação às eleições de 2014, ficando em 32% do total de candidaturas (lembrando que esse número pode ser maior se considerarmos as candidatas trans, que não são contabilizadas oficialmente como mulheres). Os dados do TSE indicam também que os brancos ainda representam a maioria das candidaturas (51%), enquanto pardos e outros, somam 48%.
Apesar de as mulheres comporem mais da metade da população brasileira e mais de 50% dos brasileiros se autodenominarem negros, os dados das candidaturas mostram que ainda estamos distantes de atingir uma adequada representatividade de setores sociais importantes no país.
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Essa sub-representação das mulheres e dos negros na política se reflete também no setor jovem da população. Do total de candidatos e candidatas às eleições neste ano, 99.789 têm até 35 anos, representando cerca de 20% da parcela jovem das candidaturas.
“O número de candidatos jovens é muito pequeno e, em geral, eles têm pouca chance eleitoral em um sistema dominado até há pouco tempo por financiamento privado e emendas individuais de deputados”, comenta o cientista político Leonardo Avritzer, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).
Para o cientista político Cláudio Couto, professor na Fundação Getúlio Vargas, há uma clara sub-representação dos mais jovens entre os candidatos.
“Os jovens entre 18 e 35 anos são cerca de 27% da população brasileira, o que dá aproximadamente 35% da população adulta que poderia concorrer em eleições. Olhando esses números, poderíamos entender que há uma sub-representação dos mais jovens entre os candidatos”, afirma.
Nas eleições de 2014, para presidente, governador, senador e deputados estadual e federal, os jovens entre 18 e 34 anos representavam uma parcela ainda menor das candidaturas, cerca de 15%. É possível afirmar, portanto, que houve uma renovação de cerca de 5% nas candidaturas, com a presença de mais jovens concorrendo às eleições de 2016.
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No entanto, Couto lembra que a política, como qualquer outra atividade profissional, tem uma lógica de carreira a lhe organizar. A disputa de eleições no nível municipal seria, então, o primeiro estágio numa carreira política, o que faria com que houvesse nesse plano mais jovens do que nos níveis estadual e federal.
“É de se esperar que um candidato a um cargo eletivo no poder legislativo ou executivo seja algo possível aos que já percorreram certo caminho na política e, portanto, já não são tão jovens assim. Isso pode ser a razão para essa aparente sub-representação dos mais jovens entre os candidatos”, pondera o professor da FGV.

POR MAIS JOVENS NA POLÍTICA

No âmbito municipal, atualmente, apenas 4 das 26 capitais brasileiras têm suas prefeituras administradas por jovens com menos de 40 anos. Quatro prefeitos estão na faixa dos 40 anos e a grande maioria tem mais de 50 anos. A representação feminina no comando das capitais também está muito aquém: apenas uma prefeitura, de Boa Vista (RR), é liderada por uma mulher.
Na câmara de São Paulo, cidade mais populosa do Brasil, esse déficit de representatividade de jovens e mulheres é ainda maior: apenas 4 dos 55 vereadores têm menos de 40 anos. Mulheres são apenas 6 vereadoras.
Esses números refletem o que acontece no restante do país. Com o atual Congresso Nacional, o mais conservador desde a ditadura militar, os candidatos jovens do Brasil, sobretudo aqueles provenientes do movimento estudantil, enfrentam o desafio de renovar a política no país, trazendo novas e mais progressistas ideias para oxigenar o modo como a política vem sendo conduzida.
Resultado das eleições municipais de 2012:
prefeituras
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OCUPAR A POLÍTICA

“A renovação da política a partir de uma maior participação dos jovens se faz necessária para mudar a política da maneira como ela vem sendo exercida até hoje”, diz Manuela D’Ávila, jornalista e deputada estadual no Rio Grande do Sul.
A parlamentar gaúcha, que começou sua carreira política no movimento estudantil, foi diretora da UNE, e depois ingressou na política partidária, acrescenta:
“Os jovens são atores estratégicos na luta pela superação dos problemas da chamada velha política. São eles que ousam frente aos problemas que nos castigam há anos”.
Manuela foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita em 2004 aos 23 anos. Se tornou deputada federal em 2006 e foi reeleita em 2010. Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano.
“O movimento estudantil mostra aos jovens militantes a necessidade da organização e da democracia. Não existe país desenvolvido sem amplo investimento na juventude. É a juventude que questiona o sistema político e faz isso com razão. O sistema político atual, com os partidos dirigidos por homens velhos e conservadores, que não dão espaços para as mulheres e para os jovens, realmente não nos representam. Mas, mais do que criticar, é preciso ocupar a política, por isso, as candidaturas dos jovens são tão importantes para gente”, opina Manuela.
Para o deputado federal Orlando Silva, que também começou sua trajetória política no movimento estudantil – primeiro no DCE de sua universidade, a Universidade Católica de Salvador, depois na União Nacional dos Estudantes, onde foi tesoureiro, diretor de comunicação e presidente da entidade: “É fundamental que as lideranças políticas formadas no Movimento Estudantil possam ocupar espaço na cena política”.
“Há hoje uma clara crise de representatividade. É preciso que essas lideranças políticas construam uma identidade da juventude. Muitos jovens estão fora da política. A inclusão de candidatos mais novos pode ajudar no aumento do interesse dos jovens”, diz o deputado.
O senador Lindbergh Farias, que também começou sua trajetória política no movimento estudantil, eleito presidente da UNE em 1992, diz que esse ambiente foi uma grande escola. “É no ‘ME’ que muitos jovens travam o primeiro contato direto com a organização coletiva para reivindicar melhorias nas questões que os afetam diretamente: as condições de ensino, a mobilidade urbana, o acesso à cultura e arte. É um espaço de debates riquíssimos e de experimentação, de liberdade, radicalização da democracia”.
Para ele, é preciso mais candidaturas de jovens para renovar a política brasileira.
“Eu acho que a política brasileira só tem a ganhar com o surgimento de figuras arejadas, incorporando novas pautas, rompendo com estruturas viciadas e trazendo a juventude para a participação política também no plano institucional”.
Na busca por ocupar esse vácuo de jovens e mulheres representantes, a presidenta da UNE, Carina Vitral, com apenas 28 anos, mas um currículo cheio de lutas no movimento estudantil, resolveu disputar a prefeitura de Santos, sua cidade natal.
“Há ainda quem acredite que o jovem não está pronto para um desafio como esse, mas a verdade é que enfrentamos desafios iguais ou até maiores nas lutas cotidianas. A nossa geração, que ocupou as ruas do país em Junho 2013 está querendo participar em todos os espaços, com a certeza de ter a sensibilidade, a rebeldia e a ousadia necessárias para fazer diferente do que está aí. Não há como esperar que o atual modelo da nossa política se transforme sozinho, sem a nossa participação, sem a nossa presença nos lugares que pertenceram, historicamente, somente aos homens velhos e conservadores”, afirmou.

LEIA TAMBÉM: SITE DA UNE MAPEIA JOVENS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES 2016

Durante o mês de agosto, a equipe do site da UNE realizou um levantamento em todo o país para tentar identificar concorrentes ao pleito 2016 que ainda fazem parte ou já passaram pelo movimento estudantil recentemente.
Engajados em grêmios, DCEs, CAs, Atléticas, entidades municipais e estaduais, coletivos, ONGs e partidos políticos, estes candidatos descobriram a partir da organização estudantil uma vocação para representar a juventude na administração de suas cidades.
Confira o perfil dos 30 candidatos os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereadores que responderam à reportagem da UNE.
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Clique na imagem e confira os perfis dos jovens candidatos nas eleições 2016 provenientes do movimento estudantil
Fonte: UNE