Marina Silva
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Por Davis Sena Filho |
Marina Silva pensa que engana as
pessoas ou que todo mundo nasceu ontem. Contudo, ela, ao que parece, deixou de
ser “sonhática”, apesar de sonhar com um golpe contra uma presidente legalmente
e democraticamente eleita. Manipuladora e camaleônica, Marina disfarça suas
intenção golpista e conspira... com Aécio Neves, a quem ela apoiou no segundo
turno contra Dilma Rousseff, do PT, que o derrotou nas eleições de outubro de
2014.
Marina Silva agora se autodefine como
“sustentabilista progressista”, o que, definitivamente, não se sabe o que
significa estas duas palavras juntas e o que ela quis dizer com isto, como
sempre. Marina é a rainha do blábláblá sem conteúdo, fato este que não
surpreende ninguém, nem mesmo a direita, cuja preocupação ideológica e política
se resume a encher seus bolsos e explorar ao máximo os trabalhadores, razões
principais de sua riqueza e de seu poder financeiro e armado em todas as épocas
da humanidade.
A verdade é que Marina é um redemoinho
cognitivo, porque fala muito e não diz nada com coisa nenhuma. Realmente, não
se compreende, por exemplo, quando a política, que foi filiada ao PT, ao PV e
ao PSB abre a boca para dizer que é “sonhática”, quando, na verdade, Marina foi
cooptada pela direita, alia-se aos conservadores, bem como os apoia, não
somente no discurso, mas de forma prática, como ocorreu quando firmou parceria
com Aécio Neves, no segundo turno, quando Marina, definitivamente abandonou a esquerda
e adentrou o campo da direita e neste espectro continua e, certamente, não
sairá mais.
A diva do Itaú, da Natura e dos
coxinhas de direita, que se consideram “diferentes” e “descolados”, como se
tivessem “grife” e, com efeito, “chiques”, por apoiarem e votarem em Marina,
aquela que na Rio + 20 e na COP-21 foi superada, porque o Governo Dilma cumpriu
as metas estabelecidas pela comunidade internacional, no que concerne à
preservação da biodiversidade, ao combate à poluição, à preservação das florestas,
matas e rios, bem como sacramentou acordos com produtores rurais, os donos do
agronegócio, no sentido de eles preservarem os ecossistemas de suas fazendas,
as nascentes de rios e lagos, além das matas ciliares.
O Brasil é reconhecido e Marina jamais
pensou que suas propostas seriam superadas, até porque quando ministra do Meio
Ambiente do presidente Lula sua administração foi um fracasso retumbante, pois
dedicado a atender às ONGs com as quais Marina se relaciona e tem influência,
bem como sua atuação se dedicou à retórica ao invés de ser prática, fato que
não ocorreu com seu sucessor, o deputado Carlos Minc, que em um pouco mais de
um ano à frente do MMA obteve resultados mais expressivos do que Marina em seis
anos. São números, índices, fatos e realidades.
Marina se associa ao golpe e, junto a
Aécio, considera mais viável que o golpismo aconteça pelo TSE e não mais pelo
Congresso, que, certamente, na Casa de Leis sua morte está sacramentada. E
Marina sabe disso, como todo mundo. Para o bem da verdade, quem vai ser
destituído do poder e depois processado vai ser o atual presidente da Câmara,
deputado Eduardo Cunha, acusado de sonegação, dentre outros crimes. Deve-se
deixar claro que Cunhateve e tem ainda o apoio da grande mídia de negócios
privados e de lideranças políticas do PSDB, DEM, SDD e PPS, além de outros
partidos que se comportam como vagões do trem do golpe.
Marina sabe que o golpe vai ser
derrotado, mas seu inconformismo e rancores políticos e pessoais contra Dilma
Rousseff a transformam em uma política de estatura anã, o que a leva a se
juntar ao coro dos golpistas derrotados no ano eleitoral de 2014. A verde que
não é verde se transforma em uma loba de matilha prestes a perder seu
território, que é o território do murmurinho, da fofoca, da política mal
engendrada em maledicência e falta de juízo quanto aos interesses do Brasil, do
seu povo, sem se importar ainda com a estabilidade institucional e democrática.
O impeachment nos termos apresentados
pela oposição de direita é golpe, sim! E a oposição conservadora, sendo que
setores dela chegam a ser fascistas, sabe que está a lutar por um golpe contra
uma presidente democraticamente e legalmente constituída. A direita golpista é
tão irresponsável que sabe, compreende e não se importa, porque, na verdade,
nunca se importou com o Brasil, mas, sim, com seus interesses pecuniários,
monetários, financeiros e econômicos, ou seja, com seu próprio bolso. Esta
realidade acontece desde 1500, quando Pedro Álvares Cabral aportou na Bahia.
Marina pulou o muro e apoia o golpe.
Ela corre para os braços da direita, deslumbra-se, e, equivocadamente, pensa
que a casa grande, que sempre abriu suas portas à escravidão, está a recebê-la.
Enganos dos enganos, a burguesia, aquele que “fede e quer ficar rica”, conforme
a música de Cazuza, apenas se aproveita de situações, como ter em sua bancada
pessoas ideologicamente e politicamente fracas, a exemplo de Marina Silva,
Marta Suplicy e Roberto Freire, este um ex-comunista que se transformou em uma
pantomima de si mesmo.
Marina apaga fogo com gasolina ao
afirmar ao conservador jornal de índole golpista, Folha de S. Paulo, que “há evidências fortes
de que o dinheiro de toda essa corrupção generalizada, institucionalizada,
continuada, alimentou a campanha do PT”. Se isso fica comprovado, eu repito,
comprovado, a chapa deve ser cassada. No meu entendimento, o processo no TSE
deve ser agilizado”.
Não é uma graça a Marina? Só o PT? E o
ex-partido dela, o PSB, outra agremiação que se bandeou para a direita? Até
hoje o PSB não explicou a quem pertence o avião que caiu em São Paulo e matou o
candidato do partido, Eduardo Campos (Alô, Polícia Federal e MP!). Além disso,
como um avião de milhões de dólares não tem dono? Marina voava nele, bem como
sabemos que o PSB ainda não explicou de forma incontestável de onde vinha o
dinheiro para sua campanha milionária.
Além disso, todo mundo sabe, inclusive os
coxinhas analfabetos políticos vestidos, ridiculamente, com camisas de Seleção
Brasileira, que leem a Folha, a Veja e são espectadores passivos do Jornal
Nacional e da Globo News, que o PSDB, o DEM, o PPS o SDD, dentre outras siglas
partidárias, receberam dinheiro das mesmas empresas (não somente as
construtoras) que financiaram o PT, sendo que, conforme o TSE, o PSDB dos
tucanos derrotados e por isto transformados em golpistas receberam mais
dinheiro para financiar suas campanhas do que os petistas.
Então vamos às duas perguntas que
teimam em não se calar: Por que Marina Silva, em seu eterno e confuso
blábláblá, não questiona o PSB e “seu” avião de luxo, sem dono, no qual ela
voava lépida e fagueira? Por que a proba Marina não questiona as campanhas
milionárias do PSDB, de seu aliado Aécio Neves e do DEM, o pior partido do
mundo, filhote da ditadura militar e da UDN?
Não. De jeito nenhum. Seu alvo é o PT,
partido onde Marina teve todas as oportunidades para ocupar cargos de expressão
estadual e nacional. Todavia, neste momento, Marina Silva se torna
hipocritamente e cinicamente seletiva, ao tempo que também parece sofrer de uma
forte amnésia quando se trata de observar os erros e talvez os crimes
eleitorais da oposição de direita da qual ela faz parte com muito orgulho, além
de ser tutelada pelas ONGs internacionais e fazer parcerias com a Natura e o
Itaú, financiadores de sua rica campanha eleitoral.
Marina trabalha contra o Brasil e seu
poderoso agronegócio, um dos cinco mais importantes e fortes do mundo. O Brasil
não é a sétima economia à toa, e não se reduz apenas à produção rural
diversificada e gigantesca. O Brasil é o País poderoso que é porque se fez
assim em quase todos os segmentos da economia. É por isto que a direita está
desesperada e temos políticos cooptados como a Marina Silva, que no Acre, sua
terra, perdeu as eleições para Dilma Rousseff e Aécio Neves. “Quem a conhece
não a compra” — como diz apropriadamente o ditado popular.
Marina, que tem alma tucana, até agora
não abriu o bico para falar da Samarco (a Vale privatizada), que transformou um
rio inteiro, o Rio Doce, em um mar de lama. O maior desastre ambiental da
história do Brasil. A “Sonhática” viu agora, de forma real, o pesadelo das
privatizações e como empresários gananciosos e sem quaisquer compromissos com
os interesses da sociedade se comportam e se conduzem para se locupletarem em
nome de seus bolsos e cofres cheios de dinheiro.
Ah, se a Samarco (Vale) fosse empresa
pública! Coitada da Dilma, do Governo do PT e até do Lula, que não está no
poder. A imprensa corporativa e alienígena transformaria sua vida em um inferno
ainda mais abrasador do que já é, além de vociferar para privatizar o que
restou do patrimônio público brasileiro, porque o negócio é manter o Brasil
como eterno País subalterno e subserviente aos ditames dos países ricos.
É desse jeitinho tosco e tacanho que
funciona a cabeça colonizada, complexada e provinciana das “elites”
tupiniquins. Ou seja, sempre na rabeira do que elas consideram serem suas
cortes, e, consequentemente, a se beneficiarem com as migalhas “doadas” pela
plutocracia internacional ao preço do subdesenvolvimento do Brasil e da pobreza
do povo brasileiro.
Enquanto isso a Rede Sustentabilidade
de Marina, o partido que não conseguiu se regulamentar junto ao TSE na época
das eleições por incompetência, começa a agir em prol do golpe contra uma
mandatária que não cometeu crimes de responsabilidade e que até agora não
conseguiu governar em paz, porque a oposição há mais de um ano se recusa a
descer do palanque. Trata-se do terceiro turno, que não existe. Surreal!
Marina disse à Folha
que Dilma e Temer são a mesma face da moeda, o que não é a verdade. A
ex-Sonhática e agora “Sustentabilista Progressista” mostra os dois lados de sua
própria face: a traição à democracia, o golpe e sua cooptação total pela
direita. A verdade é a seguinte: Marina
Silva é golpista. Foi o que lhe restou para agradar a casa grande e quiçá, um
dia, ser sua candidata a presidente. É isso aí.
Fonte: ContrapontoPIG