ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Fiocruz ainda aguarda assinatura do governo Bolsonaro para começar a produzir vacina de Oxford

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Reuters | Sara Price/Pixabay)
O anúncio da cooperação foi feito há 25 dias, mas até agora ainda não foram assinados, pelo Ministério da Saúde, o termo de transferência de tecnologia e o certificado de recebimento de doses para a primeira remessa de produção.

247 - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou nesta quarta-feira (22) que ainda não recebeu autorização do governo Jair Bolsonaro, por meio do Ministério da Saúde, para produzir no Brasil vacinas desenvolvidas pela Universidade de Oxford contra o coronavírus.

O ministério diz que dialoga com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca com o objetivo de encontrar um modelo de contratação do desenvolvimento da vacina que seja “viável“. A parceria entre Brasil e AstraZeneca para a produção do medicamento foi divulgada no dia 27 de junho, mas o acordo segue sem assinatura.
Para que o combinado seja formalizado, é preciso a assinatura de documentos que tratam da encomenda de tecnologia, transferência de tecnologia e do recebimento de doses para a primeira remessa da produção local. 
Somente após a assinatura desses tratados e a autorização da Anvisa, o Brasil passará a produzir as vacinas.
Leia a nota do Ministério da Saúde:
“O Ministério da Saúde, por intermédio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segue discutindo os termos do acordo com a empresa AstraZeneca, para viabilizar o melhor modelo de contratação do desenvolvimento da vacina, de sua tecnologia de produção e adequando os termos da encomenda tecnológica. Mais detalhes sobre o acordo serão disponibilizados tão logo seja firmado.
O estudo no Brasil está na fase 3 da etapa clínica de desenvolvimento em humanos, que testará a eficácia em 5000 participantes de pesquisa brasileiros, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Este estudo iniciou a inclusão de participantes de pesquisa em 23 de junho e não possui ainda dados preliminares.
Com relação ao registro e incorporação da vacina, informa-se que seguirão os ritos previstos em legislação específica. O Ministério da Saúde segue acompanhando os resultados de estudos de vacinas para Covid-19 à medida que forem disponibilizados.”
Fonte: BRASIL 247

Hoje é Dia Nacional em #Defesa da #Caixa. O banco da #habitação, do #saneamento, do #BolsaFamília, do #Auxílio emergencial e de inúmeros outros programas.

"Neste momento, a Caixa Econômica Federal demonstra a sua importância na condução de ações e execução de políticas públicas em favor do povo brasileiro.A mobilização é contra a agenda privatista do governo federal, deflagrada em plena pandemia do novo coronavírus. Precisamos defender esse importante mecanismo que contribui fortemente para o desenvolvimento do nosso país."

Daniel Almeida, deputado federal (PCdoB-BA)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

CELIMAR QUEIROZ - PCDOB DE PAU DOS FERROS/RN:- "CARTA ABERTA À POPULAÇÃO"


Parlamentares do PCdoB na Câmara comemoram aprovação do Fundeb

 
Deputadas Professora Marcivânia e Perpétua Almeida no plenário da Câmara
Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (21) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 15/15, que torna permanente o Fundo de Desenvolvimento e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e aumenta a participação da União no financiamento da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio.
O texto, que recebeu 499 votos a favor e apenas 7 contra no primeiro turno de votação, também foi aprovado em segundo turno na sessão desta terça-feira (21). A matéria vai ao Senado.
Segundo o substitutivo da relatora, deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), a complementação da União para o Fundo crescerá de forma gradativa ao longo de seis anos, de 2021 a 2026, passando dos atuais 10% do total para 23%. Pelo menos metade do dinheiro extra deverá ser destinado à educação básica, conforme negociado com o governo.
“Nós podemos dizer, hoje, que se inicia aqui a grande vitória da educação no Brasil, que irá colocar na Constituição o Fundeb, um fundo que financia mais de 60% da educação brasileira que vai da creche ao ensino médio”, afirmou a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), durante a discussão da matéria.
A parlamentar afirmou que foi preciso muito diálogo para conseguir a votação do texto. Ela também ressaltou a importância da mobilização de amplos setores da sociedade para a aprovação da proposta, destacando o peso da organização dos trabalhadores, a unidade das categorias da educação e o apoio de 20 governadores que publicaram nota em apoio ao relatório da Professora Dorinha. “Uma das melhores partes deste relatório é o fato de conseguirmos garantir os 70% de pagamento dos trabalhadores em educação, é óbvio, valorizando o magistério”, acrescentou Perpétua.
O texto propõe piso de 70% para o pagamento de salário de profissionais da educação, sem teto. O governo defendia que o percentual fosse o limite máximo para pagar a folha de pessoal. O parecer também incluiu a vinculação de 5% para a área da primeira infância (creches e pré-escolas para crianças de 0 a 5 anos). Em caso de falta de vagas em creches na rede pública, o dinheiro poderá ser destinado a instituições sem fins lucrativos.
A deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP), que encaminhou o voto favorável do partido, assinalou que a aprovação da PEC 15/15faz justiça aos professores e professoras brasileiros, que “são grandes heróis e heroínas”. “Nós vimos muito desrespeito ontem aos professores, quando foi dito que o professor está interessado em salário. Eu sou professora, há 25 anos, e o que eu vejo, dos meus colegas, é professor tirando dinheiro do bolso para ter instrumento para dar uma aula melhor para o seu aluno, tirando dinheiro do bolso para reproduzir material didático para dar uma aula melhor”.
Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), foi um dia histórico para a educação brasileira. “Conseguimos derrotar Bolsonaro e seu projeto de destruição da educação pública brasileira. Aprovar o Fundeb é garantir o futuro do Brasil. Conseguimos construir um texto em consenso e com avanços. A luta continua para que o Senado aprove o texto integral”, afirmou.
“A votação de hoje marca a história do Parlamento brasileiro, pois a aprovação do Fundeb é uma vitória fundamenta nessa política estratégica e cidadã para crianças e jovens que precisam de uma educação estruturada e sustentável”, destacou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Segundo o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), o resultado da votação foi uma conquista de quem se mobilizou em defesa do Fundeb. “Os estudantes, professores, trabalhadores da educação, além de prefeitos, governadores e a sociedade civil. É um passo adiante para a educação brasileira. Não era possível que o Brasil permitisse que o Fundeb se esgotasse no final do ano sem uma solução. E essa solução é criativa, que atualiza os métodos para distribuir recursos e eleva o valor para que a educação receba o tratamento que merece”, disse.
O deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA) usou suas redes sociais para comemorar a aprovação da proposta. “Bolsonaro mais uma vez se posicionou contra a educação, mas teve que recuar. Grande vitória!”, escreveu. Pelo Twitter, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) ressaltou que a aprovação do Fundeb permanente é uma conquista de professores, estudantes e da cidadania. “Vitória histórica da educação!”, enfatizou.
O Fundeb é um dos principais mecanismos de financiamento do ensino básico e corresponde a 63% dos recursos que são destinados ao setor. A vigência do modelo atual termina em dezembro.
“Vence a Educação! Perde a Ignorância!”, tuitou o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE).
Fonte: PCdoB na Câmara

José Carlos Ruy: Florestan Fernandes, um intelectual do povo. "Florestan Fernandes!" - Eduardo Vasconcelos*

Florestan Fernandes, cujo centenário se comemora hoje, 22 de julho (ele nasceu em (22/07/1920), foi um intelectual raro – de origem muito humilde, chegou aos mais altos postos na universidade, e foi reconhecido como cientista social renovador no Brasil e no exterior.
Por José Carlos Ruy*
Certa vez ele escreveu que “nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado”, sem “as duras lições da vida”. Ele tem razão, sobretudo quando disse que seu aprendizado “sociológico” começou aos seis anos de idade, “quando precisei ganhar a vida como se fosse um adulto”. Ele tinha razão – filho de uma empregada doméstica, mãe solteira, logo cedo foi forçado a tomar contato com as dificuldades da vida. Uma experiência que o marcou para sempre e, certamente, foi decisiva nas escolhas intelectuais que fez quando adulto – sempre tentando compreender as complexidades da  vida do povo. Foi professor que, armado com sua ciência, nunca abandonou o esforço de entender o Brasil, suas complexidades e as condições da existência da democracia em nosso país.
Estudante de mente aberta e leitor voraz, chamou a atenção do professor Roger Bastide – o francês fundador dos estudos sociais na Universidade de São Paulo, intrigado com aquele rapaz que sempre viajava, no bonde, com a cara enfiada num livro. Bastide aproximou-se dele, e o incentivou a entrar na universidade, o que ocorreu em 1941, quando Florestan ingressou na USP.
Foi o começo de uma carreira marcada pelo olhar renovador a uma série de questões – estudou a função da guerra entre os tupinambá e, principalmente, as condições da escravidão no Brasil, a luta pela abolição, as condições do trabalho livre no Brasil, atividade em que ajudou a desmascarar o mito da democracia racial no Brasil; renovou o conjunto da história, como se deu a Independência e como ela se ligou à dinâmica das classes sociais no Brasil. Estudou também, em profundidade, a dominação externa – dos EUA, particularmente – no Brasil e na América Latina. E, ultimamente, a situação da revolução democrática no Brasil e o papel da classe operária como sua protagonista principal.
Intelectual, Florestan foi um homem de luta. Na década de 1950 foi participante ativo da Campanha de Defesa da Escola Pública, em defesa do ensino público, laico e gratuito como direito fundamental do cidadão. Nos anos 60, professor de sociologia na USP, favoreceu o estudo da obra de Karl Marx, como um clássico do pensamento social ao lado de Max Weber e Emile Durkheim. No regime dos generais de 1964, foi aposentado compulsoriamente, em 1969, com base no AI5, juntamente com um conjunto de professores progressistas e avançados. Teve início então sua carreira, exitosa, de professor de ciências sociais, nas universidades de Columbia e Yale (nos EUA) e Universidade de Toronto (no Canadá). Voltou ao Basil em 1979, depois da lei de Anistia, lecionando então na PUC/SP.
Ao longo de sua carreira, e principalmente depois de ter sido cassado pelo AI-5 e afastado da universidade pela violência da ditadura de 1964, Florestan Fernandes uniu de forma crescente, e cada vez mais coerente, militância política e atividade científica, afastando-se da tradição de neutralidade científica típica da ciência social dominante – e da qual se tornou crítico severo. As marcas de seu compromisso com a luta popular se manifestaram então com força em sua produção intelectual e teórica. Deputado federal pelo PT, eleito em 1986, defendeu o maior protagonismo dos trabalhadores na luta política – trabalhadores que, crescentemente, encarou como  força decisiva  na luta pelo progresso social. Em seus últimos escritos defendeu, com clareza, a conquista do socialismo como alternativa avançada para a crise contemporânea do capitalismo.
Era o menino pobre falando pela voz do intelectual conhecido e influente.
*Jornalista, escritor, estudioso de história e do pensamento marxista
Fonte: pcdob.org.br
* Eduardo Vasconcelos: Radialista: Blogueiro, Ativista: Presidente do CPC/RN (Centro Potiguar de Cultura); Agente de Cultura e Vice Presidente do PCdoB - Nova Cruz/RN.

sábado, 11 de julho de 2020

Professores repudiam pressão de Trump por reabrir escolas com Covid-19

Trump irritado com resistência de infectologistas, pediatras e professores
Foto Getty Images
Pediatras, professores e administradores escolares rechaçaram na sexta-feira (10) a pressão do presidente Trump para reabrir completamente as escolas dos EUA em plena escalada de casos de coronavírus, afirmando que a ciência, não a política, deve guiar essa decisão. Trump chegou a ameaçar cortar o financiamento federal das escolas.
“As agências de Saúde Pública devem fazer recomendações com base nas evidências, não na política”, assinalaram a Academia Americana de Pediatras (AAP), dois sindicatos nacionais de professores e uma entidade de superintendentes de escolas.
“Devemos deixar que os experts em saúde nos digam que hora é a melhor para reabrir os prédios escolares, e ouvir de nossos educadores e administradores como fazer isso, disseram em uma declaração conjunta a AAP, a Federação Americana dos Professores, a Associação Nacional da Educação e a Associação de Superintendentes escolares.
Esta semana, o total de infectados pela Covid  nos EUA superou a marca dos 3 milhões e a pandemia está fora de controle em muitos estados, inclusive alguns dos mais populosos.
A conclamação deles foi ecoada por duas entidades médicas – a Sociedade de Doenças Infecciosas da América e a Associação da Medicina em HIV. Normalmente, o ano letivo nos EUA tem início em setembro.
As entidades de pediatras, professores e administradores de escolas convocaram o Congresso a prover mais recursos para que as escolas possam reabrir com segurança, e classificaram a ideia de corte de verbas como um “enfoque equivocado”.
Durante a semana, jornais dos EUA revelaram que Trump, para tentar impor a reabertura das escolas de qualquer jeito, havia entrado em confronto com os infectologistas acionados pela Casa Branca contra a pandemia.
Ele havia ficado possesso com as recomendações apresentadas pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) sobre a reabertura e mandou que fossem refeitas, por estarem supostamente rígidas demais.
O Dr. Anthony Fauci, principal especialista dos EUA na questão, disse que o país “estava com os joelhos enfiados na primeira onda” da pandemia.
De acordo com as postagens de Trump, é tudo uma conspiração dos democratas para manter as escolas e a economia fechadas, e atrapalhar suas chances de reeleição.
A ameaça no Twitter às escolas repete o tom fascista das últimas declarações de Trump.
Ele asseverou que “demasiadas universidades e sistemas escolares são sobre doutrinação da Esquerda Radical, não educação”.
A quem não se submeter, como ele esclarece na postagem, a ordem que deu ao Departamento do Tesouro é “reexaminar o status de isenção de impostos e/ou financiamento das escolas, que devem ser tirados se esta Propaganda ou Ato Contra a Política Pública continuar”. Nossas crianças devem ser Educadas, não Doutrinadas!”.
Sabe como é: repúdio ao racismo é doutrinação; exaltação de bandeira de escravagista é “educação”. Só que o repúdio ao racismo está grassando no país inteiro, não só nas escolas.
Em outra medida para forçar a reabertura das escolas mesmo com os EUA há quatro meses consecutivos recordista mundial de infectados e mortos, e contágios em alta na maioria dos estados, Trump decretou a deportação de estudantes estrangeiros se suas universidades não oferecerem aulas presenciais.
Duas das mais prestigiosas universidades norte-americanas, Harvard e Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), já acionaram o governo nos tribunais, contra a chantagem.
Não ficou claro como, legalmente, o Tesouro poderia restringir o financiamento às escolas. Como registrou a Reuters, a maioria do financiamento das escolas primárias e secundárias é local.
Algumas universidades anunciaram planos de aulas apenas online, enquanto outras podem mudar seus calendários. A cidade de Nova York, que é o maior distrito escolar dos EUA, anunciou um plano híbrido, que mistura aulas presenciais e aulas à distância.
Os democratas esclarecem que são a favor da reabertura das escolas, desde que as aulas presenciais sejam seguras para as crianças e para os professores. O pré-candidato Joe Biden tem dito que, provavelmente, as aulas online precisarão ser mantidas por mais algum tempo.
Mesmo nas hostes republicanas, há contestação à obtusa linha de Trump para as escolas. “Não vamos ser intimidados ou ameaçados pelo presidente”, retrucou o presidente da Associação Nacional dos Governadores, de Maryland, Larry Hogan. Outro governador republicano, Mike De Wine, de Ohio, disse que caberia aos administradores locais decidirem o melhor plano para as escolas em seu estado, e que muito iria depender se as pessoas adotassem máscaras faciais e outras medidas de prevenção.
Fonte: pcdob.org.br

Com Bolsonaro acuado, frente ampla ganhará força, diz Luciana Santos

A presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, avalia que o quadro nacional teve mudanças significativas nos últimos meses – o que alterou, também, a correlação forças. Além do dramático avanço da pandemia do novo coronavírus – e de seus impactos socioeconômicos –, assistimos a um crescente isolamento do governo Jair Bolsonaro.
“Pela primeira vez em meses, o ambiente político tem sido menos tensionado”, declarou Luciana, nesta sexta-feira (10), no informe que abriu a reunião do Comitê Central do PCdoB. Segundo ela, o presidente se viu obrigado a fazer um “recuo tático” para conter a pressão de diversos setores da sociedade – sobretudo de instituições dos Poderes Judiciário e Legislativo. Pesaram também os escândalos que cercam o presidente, como a prisão de Fabrício Queiroz na casa de um advogado da família Bolsonaro.
“Este segundo semestre será marcado pela disputa eleitoral e pelo agravamento do quadro econômico e social. Estará em evidência até onde Bolsonaro conseguirá conduzir o armistício político que foi levado a fazer – ou quando deixará transpor a natureza de seu projeto autoritário”, afirma a dirigente comunista. “Em nosso campo, o desafio permanece sendo a construção de uma frente ampla, que contribua na abertura de caminhos para o fim do governo Bolsonaro.”
Conjuntura internacional
Nesta sexta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou um recorde global de 228.102 casos confirmados de Covid-19 em apenas 24 horas. O Brasil é o segundo país com mais confirmação de infecções diárias. Com a pandemia, o mundo vive – conforme as palavras de Luciana – “o maior acontecimento político e econômico e humanitário desde a 2ª Guerra Mundial”.
Em contrapartida, houve “formas distintas de enfrentar” a crise do coronavírus. “Os países socialistas – com destaque para China, Cuba e Vietnã – vencerem o enfrentamento à Covid-19, salvando vidas e preservando suas economias. Vimos a ciência atuar e produzir conhecimento como poucas vezes visto. Vimos cenas de solidariedade e de defesa da vida.”
Além disso, na disputa pela liderança da economia mundial, a resposta chinesa à pandemia deixou o país asiático mais fortalecido no embate contra os Estados Unidos. “É uma disputa na mudança de padrões tecnológicos e de produção, na reversão relativa de cadeias globais de valor e de suprimentos – e até mesmo na busca por uma vacina para a Covid-19”, resume Luciana. “É dentro dessa chave que devemos analisar a disputa que se dá hoje no Brasil em torno do domínio e desenvolvimento do 5G.”
O coronavírus também agravou a crise do capitalismo, em curso desde 2007. Organismos internacionais chegam a projetar um tombo superior a 6% no PIB global – e ainda maior no Brasil. “Diante da incapacidade dos EUA e da União Europeia de enfrentarem a pandemia, a China ganha visibilidade por ter tanto salvado vidas quanto começado a recuperar a sua atividade econômica”, diz a dirigente do PCdoB.
A crise no Brasil
Tudo indica que o Brasil terá, neste ano, a pior recessão de sua história. Sem um desempenho econômico razoável desde 2013 – quando cresceu 3% –, o País sofrerá, consequentemente, com o agravamento de suas desigualdades sociais. Segundo Luciana, a pandemia fragilizou especialmente a população pobre e periférica. “As mortes têm geolocalização, CEP, cor e classe social.”
As medidas econômicas, além de insuficientes, são marcadas pela letargia. Muitos beneficiários – seja pessoa física, seja pessoa jurídica – não conseguem ter acesso aos auxílios e incentivos a cargo do governo federal. “Com a pressão econômica provocada pela atitude de sabotagem do governo, o isolamento perdeu força. O Brasil precisa de uma política coordenada pelo Ministério da Saúde, que estabeleça uma orientação única, uma apolítica de testagem e rastreamento”, disse a presidenta do PCdoB.
Luciana cita o caso do Maranhão, onde a liderança do governador Flávio Dino ajudou a “segurar” o crescimento da pandemia. A taxa de letalidade por Covid-19 (número de mortes no total de casos confirmados) é de 3,94% em todo o Brasil e chega a 4,9% em São Paulo. No Maranhão, porém, o índice hoje é de apenas 2,37%. “Dino, que já se destacava como grande líder político – e um dos principais articuladores nacionais da frente ampla – voltou a despontar também como competente gestor.”
Para Luciana, Bolsonaro perdeu, em contrapartida, a oportunidade de se firmar como “líder de uma união nacional num momento de emergência”. Ao “minimizar a pandemia”, acentuou ainda mais o caráter autoritário e extremista do governo. “Não há como enfrentar a pandemia sem governar – e Bolsonaro não quer nem tem condições de governar, muito menos de governar para todos”, denuncia Luciana.
Os longos períodos sem nomeação de ministros de áreas como Saúde e Educação ilustram a inépcia da gestão. “Para combater a pandemia é necessário reorganizar o sistema, o colocar o Estado para funcionar. Mas o presidente governa apenas para um terço do eleitorado, com destaque para os 15% que compõem seu ‘núcleo duro’”, agrega a presidenta do PCdoB.
Em meio a isso, houve ataques do presidente, de membros do governo e de apoiadores ao Estado Democrático de Direito e às suas instituições, como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso Nacional. Mas a reação desses Poderes, somada à união de governadores e prefeitos na luta contra o coronavírus, ajudaram a conter e a isolar Bolsonaro.
No Congresso, além do papel do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobressaiu o empenho dos partidos de oposição – mas também de parlamentares de legendas do centro e da direita. “Neste período de grandes desafios e embates, cabe destacar a atuação de parlamentares na linha de frente, como nossa líder, Perpétua Almeida (PCdoB-AC)”, disse a dirigente comunista. “A Câmara de Deputados cumpriu a missão de enfrentar a pandemia à altura, com a rápida aprovação do estado de calamidade e da renda emergencial.”
Luciana frisa o novo protagonismo assumido pelo STF, já que seus ministros vinham, até poucos meses atrás, “adotando uma postura discreta com respeito ao ambiente político”. Após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e o avanço da crise sanitária, emergiu “um quadro de grande convergência interna contra os abusos do bolsonarismo”.
“O STF não se intimidou e reagiu às manobras com as quais Bolsonaro tentou instrumentalizar a Polícia Federal. Reagiu também aos ataques constantes à Corte e a seus ministros”, afirma. As ações decretadas no âmbito do inquérito das fake news – que levou até à prisão de aliados do governo – começam a “desmontar o gabinete do ódio e impactar o coração da dinâmica bolsonarista”.
Caso Queiroz
Outro elemento-chave para entender o isolamento do presidente e de seu grupo é o caso Queiroz. A prisão do ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, alarmou o Planalto. “Esse caso tem potencial de desmontar um importante pilar da narrativa do bolsonarismo – o do combate à corrupção. O ar de honestidade e retidão do bolsonarismo é avaliado, conforme indicam pesquisas recentes.”
Conforme Luciana, “Queiroz é o fio desencapado de alta voltagem, dado seu forte vínculo com o submundo do crime. Os desdobramentos podem dar novos tons à crise política vivida e esfriar até a relação de Bolsonaro com os militares”. Ciente de que as chances de um impeachment cresceram, o presidente se rendeu a “pagar preço do valor de uma base de apoio no Congresso”.
Não se sabe até onde vai o “armistício político” levado a cabo por Bolsonaro, que manda emissários constantemente ao Judiciário e entrega cargos a parlamentares. “Ainda não dá para concluir se essas mudanças são estruturais ou pontuais. Talvez Bolsonaro queira apenas ganhar tempo, sem perder seus apoiadores mais fiéis”, avalia Luciana.
Há outra razão – segundo a dirigente comunista – para a consolidação da frente ampla em defesa da vida e da democracia. Além dos Três Poderes, há mobilização também na sociedade. “A frente ampla ganhou, aderência, dinâmica e forma”, diz Luciana, citando os panelaços,  os protestos deflagrados por torcidas , os manifestos, o 1º de Maio Unificado e movimentos como Direitos Já, Juntos e Somos 70%.
“É natural que, nos picos da crise, haja mais coesão na frente ampla. É importante acompanhar as movimentações e ajustar taticamente as bandeiras da frente, em busca de mais forças pelo fim do governo Bolsonaro”, afirma Luciana. “Temos de encontrar formas de maior aderência à bandeira democrática.”
Além do mais, é fundamental acompanhar os acontecimentos do segundo semestre, quando a pandemia estará mais controlada e a população deixará de receber benefícios como o auxílio emergencial. “A retomada da atividade econômica não estará garantida.  Sem a adoção de medidas adicionais, entraremos em uma brutal depressão, com efeitos sociais imponderáveis.” O Banco Mundial, por exemplo, estima um desemprego de 18,7% no Brasil ao fim de 2020.
Para Luciana, a crise pós-pandemia forçará Bolsonaro a recuar do ultraliberalismo de Paulo Guedes, sob o risco de piorar ainda mais as condições de vida dos brasileiros. “Precisamos cobrar uma política de renda e o fim do teto de gastos. Cabe ao PCdoB propor um programa de emergência para defender a vida, a renda e a democracia e a retomada do crescimento”, diz. “Esse programa incluirá demandas de obras públicas, apoio às pequenas e médias empresas e um vasto pacote de medidas sociais, como a aprovação de um programa de renda básica. Se necessário, vamos emitir moedas, conforme expresso no artigo 164 da Constituição.”
Eleições 2020
Essas propostas para a recuperação do Brasil devem ser igualmente pauta das eleições municipais de 2020. “As cidades também são palco do projeto de barrar o bolsonarismo. Para haver cidades com maior qualidade de vida, é preciso viabilizar as saídas para as crises do País”, analisa Luciana. A seu ver, “a pandemia, a recessão e a crise social apontam tendências de grandes insatisfações populares. O sentimento – mais do que a razão – há de ser o fator definidor do voto”.
Ao mesmo tempo, cresce o risco do uso das “máquinas” e do poder econômico nas disputas eleitorais. “Além de ampliarmos a divulgação das pré-candidaturas do PCdoB, temos de aprofundar a ‘amarração’ de apoios. Com o fim das coligações, o número geral de candidatos deve crescer, enquanto as votações individuais tendem a cair.”
A favor dos comunistas há pré-candidatura de “lideranças competitivas” às prefeituras de capitais. É o caso da ex-deputada Manuela D’Ávila, que concorreu a vice-presidenta nas eleições 2018 e é pre-candidata a prefeita de Porto Alegre, liderando as pesquisas de intenções de voto. Em disputas majoritárias, o Partido também lançará nomes como Olívia Santana (Salvador), Rubens Junior (São Luís), Brizola Neto (Rio de Janeiro), Orlando Silva (São Paulo) e Wadson Ribeiro (Belo Horizonte).
A eleição será um momento decisivo para enfraquecer e derrotar a extrema-direita. Um bom desempenho do PCdoB e da oposição no pleito fortalecerá a democracia brasileira e podem ajudar a reverter a “tragédia” que se anuncia. “O difícil caminho de retomada de um projeto de desenvolvimento social e econômico passa pela saída de Bolsonaro e Guedes do comando do País. Essa é a única possibilidade de superação dos obstáculos que enfrentamos atualmente.”