terça-feira, 6 de outubro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Cuba sintetiza o anseio de soberania da América Latina
A hostilidade econômica e as sabotagens armadas não fizeram os cubanos se curvarem, ou repensarem seu vigor latino-americanista.
Darío Pignotti, enviado especial a Havana/Carta Maior
Quando Francisco, um papa que toma mate e fala sobre o “Che”, visitou Fidel Castro há duas semanas, e conversou com o único líder que protagonizou vários dos momentos mais intensos da região durante a segunda metade do Século XX, a América Latina viveu um desses acontecimentos destinados a entrar para a História. O encontro de Fidel com o papa Jorge Bergoglio, no contexto da reaproximação entre Havana e Washington, foi um episódio comparável com a Cúpula das Américas de 2005, quando Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez e Néstor Kirchner acabaram com a utopia regressiva da ALCA, a proposta de George W. Bush e seus capangas, o mexicano Vicente Fox e o colombiano Álvaro Uribe.
Ambos os acontecimentos indicam o fracasso das políticas hemisféricas da Casa Branca e mostram, na prática, o potencial político de uma região com os anseios se soberania não alcançados. Épica e complexa, a Revolução Cubana pode ser vista por diferentes ângulos, como o da construção de um sistema político original, e imperfeito, baseado no poder popular. Ou desde a perspectiva das mudanças estruturais, como a nacionalização dos bens de produção ou as políticas que garantiram direitos educativos e sanitários para toda a população.
Mas o aspecto mais interessantes para a análise é o de compreender a Revolução a partir de sua identidade nacional e latino-americana.
América Latina
Desde os Anos 60, a soberania intransigente da ilha foi castigada pelos Estados Unidos, inclusive antes de o bloqueio ser formalizado, durante o governo de John Kennedy, em 1962.
Um memorando de 1960, desclassificado nos Anos 90, indica a estratégia de atacar a população para minar a adesão ao governo.
“A maioria dos cubanos apoia Castro, não existe oposição política efetiva, a única forma de reunir o apoio necessário é através do desencanto surgido das dificuldades econômicas da população, para conseguir esse objetivo, deve-se usar qualquer meio”, recomenda o texto apresentado por Dwigth Eisenhower.
Desde então, a estratégia de “contenção do comunismo” e a luta dentro das “fronteiras ideológicas”, ditada por Washington contra o hemisfério foi justificada pelo argumento de evitar que surgissem outras Cubas na América Latina. Esse fantasma foi invocado pelos generais que derrubaram João Goulart no Brasil em 1964, e Salvador Allende, em 1973, um ano depois que de Fidel se hospedar no país durante quase um mês.
Cuba, o modelo de socialismo tipicamente latino-americano, como definiu o herói Ramón Labañino Salazar em entrevista à Carta Maior, foi um tema onipresente no debate latino-americano dos Anos 60 e 70.
O pretexto da Guerra Fria e o combate ideológico caíram junto com o Muro de Berlim, em 1989. Mas, em vez disso atenuar o bloqueio, o tornou mais feroz, através das leis Torricelli, de 1992, no governo republicano de George Bush, e a lei Helms Burton, de 1996, promulgada pelo democrata Bill Clinton. A hostilidade norte-americana era uma política de Estado, independente do partido que governava.
Washington e (principalmente) a ultradireita de Miami estavam eufóricos, imaginando que o colapso da Revolução era iminente, assim como a restauração de um regime neocolonial, no mesmo estilo do que imperava durante a ditadura de Fulgêncio Batista, época em que os mafiosos ítalo-americanos controlavam hotéis e cabarés na capital cubana.
Posteriormente, nos Anos 90 os ataques terroristas e a guerra desinformativa, orquestradas na Flórida com o aparato de propaganda centrado no Miami Herald, se fizeram mais agressivas.
Um jornalista desse diário, Andres Hoppenheimer, chegou a publicar, com ar profético, um livro que se transformou em um grande “faz me rir”, devido ao título “A última hora de Castro”. Em setembro deste ano, o mesmo colunista do Herald e da CNN criticou Francisco por ter cumprimentado Fidel.
A hostilidade econômica e as sabotagens armadas não fizeram os cubanos se curvarem, ou repensarem seu vigor latino-americanista.
Em 1990, Fidel e Lula criaram o Foro de São Paulo para rebater os cantos da sereia sobre o fim das ideologias e da esquerda.
Visionário, Fidel Castro foi pessoalmente até o aeroporto da capital cubana, em dezembro de 1994, para receber o então ainda coronel Hugo Chávez, recém saído da prisão após liderar um levante contra o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez, o presidente venezuelano que protagonizou a ofensiva privatizadora em seu país, assim como Fernando Henrique Cardoso no Brasil, Carlos Menem na Argentina e Carlos Salinas no México.
CELAC
Na primeira década do Século XXI, a diplomacia subserviente acabou, graças à guinada dada pelo Mercosul reinventado por Lula e Kirchner, e também pela criação da Unasul. Para os governos progressistas, acabar com o isolamento cubano e revogar a expulsão do país – medida adotada nos Anos 60 – foi uma das prioridades.
Um passo decisivo para isso dado por Lula, em 2008, quando organizou um encontro de presidentes latino-americanos, com a presença de Raúl Castro, numa cúpula na qual foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC), uma espécie de OEA, mas sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
A construção do Porto de Mariel, com financiamento do BNDES e inaugurado em 2014 pela presidenta Dilma, foi outro movimento brasileiro contra o isolamento de Cuba. Certamente, Washington não aprovou a aproximação concreta entre Brasília e Havana.
Um ano depois, Dilma e vários colegas latino-americanos anunciaram que não participariam novamente da Cúpula das Américas se os Estados Unidos deixassem de fora o líder cubano Raúl Castro – encontro que finalmente aconteceu na cúpula de abril deste ano, no Panamá.
Batinas e carros cor-de-rosa
Neste especial da Carta Maior, reunimos artigos sobre Cuba, o acolhimento dado por esse país ao papa, durante uma turnê de 5 dias, cuja repercussão derivarão, possivelmente, em mudanças nos rumos do continente.
Essa seleção de artigos traz crônicas, como a que descreve a luta cotidiana contra o bloqueio contada pelo taxista David Hernández, dono de um Ford Victoria, ano 1953, oito cilindros, pintado de um rosa radical, com o qual nos leva desde o Hotel Nacional até o bairro da Havana Velha.
Também mostramos a entrevista com o ex-agente Ramón Albañino Salazar enviado à Flórida para desarticular os grupos terroristas que atacavam Cuba, preso pelo FBI em 1998, após ser condenado por uma juíza de Miami, ele permaneceu preso durante 16 anos nas cadeias norte-americanas, até ser liberado, no dia 17 de dezembro de 2014, quando Raúl e Obama anunciaram o restabelecimento das relações.
Também publicamos uma análise sobre a terceira viagem de um chefe de Estado do Vaticano em Cuba.
Francisco celebrou uma missa na Praça da Revolução, conversou reservadamente com Raúl e foi até a casa do próprio, defender a ideia de uma “reconciliação” e da “amizade” entre os cubanos.
Bergoglio não repetiu o comportamento de João Paulo II, em 1998, com suas lições incendiárias, resultado de um equívoco essencial.
O papa polaco Karol Wojtyla confundiu Cuba com o leste europeu, e acreditou que a Revolução Cubana poderia implodir no início dos Anos 90 … como aconteceu com a União Soviética e seus países satélites no final os Anos 80.
Tradução: Victor Farinelli
Créditos da foto: reprodução
| Texto: / Postado em 04/10/2015 ás 21:10 |
Não é Lula que é caçado, é o símbolo maior da esquerda brasileira
Outro fim de semana e outra onda de matérias na grande imprensa acusando Lula com base em uma estratégia extremamente esperta: setores partidarizados do MP abrem investigação contra o ex-presidente – o que qualquer procurador pode fazer devido à liberdade que a Constituição dá à instituição – e a mídia antipetista faz disso um “escândalo.
Recentemente, o MP de Brasília pediu ao Procurador Geral da República que pedisse ao STF permissão para inquirir Lula. Acuado pelas acusações da mídia e da oposição de ser “petista”, o PGR, Rodrigo Janot, temeu recusar, apesar da absoluta falta de uma única evidência concreta contra o ex-presidente, e pediu ao Supremo que autorizasse a oitiva do ex-presidente.
Mais uma vez, a intimidação da mídia funciona e o ministro do STF encarregado de deliberar sobre o tema, Teori Zavascki, preocupado com a pecha de ser “petista”, autoriza que Lula seja ouvido. Porém, não como testemunha ou acusado, mas como “informante”. Foi uma saída para não recusar a ordem da direita midiática e, ao mesmo tempo, não acusar um inocente – até prova em contrário.
No mesmo fim de semana, uma das revistas semanais antipetistas acusa Lula de ter tido pago pela empreiteira OAS as obras de um apartamento “tríplex” de “sua propriedade”, apesar de o apartamento não ser propriedade dele coisa alguma (Lula tem, apenas, opção de compra do imóvel) e de as obras no imóvel terem sido feitas pela empreiteira porque foi ela que construiu o prédio e, assim, é ela que tem que fazer as obras, pois o apartamento é seu.
A despeito disso, nas redes sociais, nas ruas, já se comenta que Lula será “interrogado pela polícia”, já que, hoje, não é necessário o amparo de fatos para acusar petistas ou o governo Dilma.
Vale, neste ponto, fazer uma digressão para relatar um fato ocorrido em um grupo de discussão na rede social Wats App do qual este blogueiro participa. O fato revela bem a insensatez do momento político.
Esse grupo de discussão é composto por pessoas de esquerda. Abriga juristas, políticos, jornalistas, blogueiros… O grupo discutia a questão do regime de exploração do pré-sal e eis que um jurista põe em pauta “informação” que disse ter recebido de “um professor” que afirmou que seria melhor que o pré-sal fosse explorado em regime de concessão porque a Petrobrás não terá capacidade de explorar essas reservas petrolíferas.
Como exemplo dessa “incapacidade” da Petrobrás de explorar o pré-sal, o tal professor afirmou que o campo de Libra (a maior reserva petrolífera do país) teria sido concedida à iniciativa privada por valor inferior ao apurado na concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.
Veja bem o absurdo, leitor: o maior campo petrolífero do país – que ao ser concedido já estava começando a produzir e que, assim, não representa risco algum a quem o explorar – teria sido concedido por valor inferior ao de um imóvel com pistas de pouso, ou seja, um aeroporto – grande, mas, ainda assim, um aeroporto.
Segundo essa versão maluca, o Galeão teria sido concedido à iniciativa privada por R$ 19 bilhões e o campo de Libra, por US$ 15 bilhões.
Que loucura! Os R$ 15 bilhões pagos pelo consórcio vencedor do campo de Libra foram a título de bônus de assinatura do contrato. É óbvio que não representam o valor total da concessão, o qual reside no percentual de repasse à União do petróleo extraído, que é de 41,65%.
Esse percentual é líquido. O consórcio vencedor da concessão do campo de Libra – que inclui a Shell e petroleiras chinesas – terá que entregar à União centenas de bilhões de dólares em petróleo que vier a extrair, arcando sozinho com os custos de extração.
Ou seja: as pessoas dizem o que querem, hoje, pois ninguém vai checar nada em um momento em que a mídia, valendo-se dos problemas conjunturais da economia, conseguiu colocar a população contra o governo, contra o PT e, em bem menor parcela, contra o próprio Lula.
A artilharia contra o ex-presidente, porém, baseia-se no medo que a mídia tem, pois até a última sondagem cerca de um terço do eleitorado se dizia disposto a votar nele caso volte a se candidatar ao cargo que exerceu entre 2003 e 2010.
O pior é que para setores da esquerda pouco importa essas artimanhas contra Lula. Esses setores são os que fazem oposição ao governo Dilma, ao PT e até ao próprio Lula.
O único partido de oposição de esquerda com representação parlamentar é o PSOL, mas há vários outros partidos sem representação, como o PSTU. Esses grupos políticos querem mais é que Lula, Dilma e o PT se danem. Na verdade, gostariam de vê-lo desmoralizado e, se possível, até preso.
Esse é o erro mais fatal que a esquerda brasileira está cometendo. Desse erro, pode advir uma desmoralização dela inteirinha – PT, PSOL, PSTU e todos os movimentos sociais do entorno.
Se forem perguntar a um militante médio de partidos como PSOL (há exceções, nesse partido, como o lúcido Jean Wyllys) se Lula é de esquerda, tal militante dirá que não – ao mesmo passo que a mídia e a oposição de direita o consideram “comunista”. Porém, o fato é que Lula sempre foi e ainda é o grande símbolo da esquerda e do trabalhismo brasileiros.
Os grupos de ultradireita que perseguem Dilma, Lula e o PT não poupam os partidos de oposição de esquerda. Luciana Genro, por exemplo, a liderança mais radicalmente antipetista do PSOL e ex-candidata a presidente, é colocada pela ultradireita midiática no mesmo saco que os petistas.
O grosso do eleitorado brasileiro não faz essa separação entre esquerda governista e esquerda oposicionista. É tudo esquerda.
E é o conceito, o ideário, a imagem dessa ideologia política o grande alvo da oposição e da mídia conservadoras, bem como dos setores partidarizados e ideologizados do MP e da Polícia Federal que trabalham diuturnamente para destruir a esquerda brasileira.
Lula, porém, ainda é muito forte. Por ter sido ex-presidente, dezenas de milhões de brasileiros têm memória dos benefícios que colheram sob seu governo. Por isso essa campanha massacrante contra ele, com denúncias semanais mesmo quando não há fato novo algum.
Não sou a pessoa indicada para fazer apelos à oposição de esquerda, pois a venho criticando há anos. Este post, portanto, é um apelo aos setores da esquerda que mantém interlocução com o PT e que são contra o golpismo e o linchamento do partido, de Lula e de Dilma.
Esses setores têm que acordar o resto da esquerda, pois a caça a Lula não terá fim até 2018 e a direita não vai sossegar até arranjar um meio de produzir a imagem que tanto almeja: de Lula algemado ou preso.
Pode até não conseguir – não será tão fácil quanto pensam os fascistas –, mas ficarão dando um jeito para arrastarem o ex-presidente para circos como o que será montado em seu depoimento sobre a Lava Jato, o qual será cercado de uma cobertura de imprensa digno de um lançamento de nave espacial ou grande hecatombe.
Apelo, pois, à esquerda como um todo, seja “governista” ou oposicionista: acorde! O alvo não é Lula, é a imagem da esquerda brasileira. A direita quer associá-la à corrupção e à crise provocada, sobretudo, pela sabotagem midiático-oposicionista. Uma Luciana Genro da vida será igualada a Lula e um PSOL, ao PT. Que não haja a menor dúvida disso.
Do Blog da Cidadania.
Fonte> Saraiva 13
CIDADANIA: Há 27 anos era promulgada a Constituição cidadã
Deputado Ulisses Guimarães - Presidente da Constituinte de 1988
Fotos: Google - divulgação
Criado em 05/10/15 12h05 e atualizado em 05/10/15 12h10
Por Apresentação Carmen Lúcia / Radioagência Nacional
Em 5 de outubro de 1988 foi promulgada a nova
Constituição do Brasil, também chamada de Constituição Cidadã. A lei
fundamental e suprema do país, surgiu como uma resposta às reivindicações da
sociedade por mudanças estruturais após 20 anos de governos militares.
A nova constituição estabeleceu o direito maior de
um cidadão que vive em uma democracia: a eleição direta para os cargos de
Presidente da República, Governadore dos Estados e do Distrito Federal,
Prefeitos, Deputados Federais, Estaduais e Distritais, Senadores e Vereadores.
A Constituição
de 1988, além de representar o marco entre o regime militar e a democracia,
também significou a conquista de vários direitos trabalhistas e sociais. Na
área econômica, os constituintes fortaleceram a estrutura do Estado, estabelecendo
os monopólios da exploração do subsolo, do minério, do petróleo, dos recursos
hídricos, do gás canalizado, das comunicações e do transporte marítimo.
A Carta Magna também reestruturou os Poderes da
República e fortaleceu o Ministério Público, transformando-o em um órgão
independente, autônomo e detentor da prerrogativa da ação civil pública.
Com a Constituição de 88 todo brasileiro acima de
16 anos passou a ter direito ao voto para escolher governantes e
representantes. Antes, só os maiores de 18 anos podiam votar.
Os constituintes também ratificaram que o
alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos e
facultativos para os analfabetos, os maiores de 70 anos e os maiores de 16 e
menores de 18 anos.
O ato da promulgação, fato histórico, foi comandado
pelo “Senhor Diretas” e presidente da Assembleia Nacional Constituinte,
deputado Ulysses Guimarães que anunciou: “Declaro promulgado o documento da
liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.
Foi então consolidada a retomada do Estado
Democrático de Direito. Ulisses Guimarães reconheceu que não era a Constituição
perfeita, tanto que recebeu a primeira emenda cinco anos depois.
A Nova Constituição foi elaborada por uma
Assembleia Constituinte, instalada no dia 1º de fevereiro de 1987. Os trabalhos
duraram pouco mais de um ano, onde foram realizadas trezentas e quarenta e uma
seções e mil e vinte nove votações.
A Constituição de 1988 é a atual carta magna da
República Federativa do Brasil e registra o maior período de vida democrática
no país, desde 1946. É a sétima na história do país desde sua independência.
História Hoje: Programete sobre fatos históricos
relacionados às datas do calendário. É publicado de segunda a sexta-feira.
Fonte: EBC
domingo, 4 de outubro de 2015
Por que mais espaço ao PMDB? – Por Mú Adriano
O sistema político adotado pelo Brasil é o presidencialismo, isso implica que a formação do executivo é separado do Congresso Nacional. Já o Congresso, também chamado de poder legislativo, formado por deputados e senadores, são os responsáveis em grande medida por aprovar peças orçamentárias, leis etc, enfim uma série de demandas do executivo.
Portanto o primeiro não vive sem o segundo, cabe ai a primeira reflexão, se o executivo é dependente do legislativo, significa que esse mesmo executivo precisa conquistar mais votos nessas casas, nesse momento que entra a negociação com os partidos políticos e parlamentares para se construir uma maioria ou, como também é conhecida, uma “base governista”.
Se já entendemos essa parte, como funciona e se dão as relações entre o executivo e o legislativo, vamos a vida real. A presidenta Dilma reeleita por 54 milhões de votos em outubro, sofreu nesses quase 10 meses de mandato um enorme de desgaste, essa “base governista” se diluiu, os únicos partidos que ainda podem contar com 100% de certeza é PT e PCdoB, mas isso não chega nem perto de 100 deputados, sendo que a câmara tem 513 deputados, portanto é necessário achar caminhos para recompor essas peças e que o governo ou executivo, possa ter novamente tranquilidade de encaminhar as suas pautas para o congresso e que possam votar a favor daquilo que o governo entende ser melhor.
Vamos agora a questão mais emblemática, aumentar o espaço do PMDB “isso é absurdo e outras coisas”, é claro que todos aqueles que são progressistas e querem ver o Brasil avançar, desejam muito que esse campo fosse maior no reflexo do governo, porém falta aqui uma pequena ressalva, existe um negócio que não depende da nossa vontade chamada de ” CORRELAÇÃO DE FORÇAS” e essas companheiros/camaradas não estão favoráveis para nós, e não sou eu que estou dizendo isso, o que diz isso são as urnas, ou melhor foram às urnas, ou já nos esquecemos que da soberania popular que é o voto emergiu o congresso mais conservador desde 64?
Sendo isso uma constatação precisamos admitir que isso irá ter impacto na realidade, somado à crise econômica mundial, do qual o governo esgotou suas possibilidades de conter os efeitos no país, algumas escolhas recessivas adotadas pela presidenta com a consciência que era um ajuste amargo mas necessário para no ano que vem retomar o crescimento, tudo isso no caldeirão com uma oposição fortalecida pelo resultado das eleições e a grande mídia brasileira atacando por todos os lados, porque enxerga nesse caos a oportunidade de derrotar um projeto popular que chegou ao governo em 2002. Pronto com tudo isso está formado o ambiente propício para o que? Golpe, exatamente, mas camuflado de impeachment!
Agora para chegar na reta final, o palácio do planalto, também chamado de executivo como já vimos, comandado pela Dilma, nossa presidenta, por algum tempo ficou sendo bombardeada sem exercer qualquer tipo de reação, eis que uma luz no fundo do túnel surge, inicia-se movimentos de barrar o insano presidente da câmara Eduardo Cunha, estabelece-se uma relação mais republicana com o PMDB nas perspectivas que esses mais gostam, no fisiologismo, no cargo a cargo. Isso é ruim? É péssimo, prejudica a qualidade da política brasileira, porém é a política real. Não se governa o Brasil sem fazer esse tipo de concessão, mas aqui que mora o verdadeiro nó da questão, todos esses movimentos existem porque aqueles que acham que o governo está bom representam apenas 10% das avaliações, e todas as energias do governo estão concentradas em evitar o golpe que a oposição em especial os tucanos trabalham dia e noite para ver consumado.
Então você pode dizer que não concorda com o toma lá dá cá, eu também não, mas nesse momento não tem muito o que possamos fazer, talvez o melhor fosse nos termos um regime parlamentarista, mas as duas vezes que o povo brasileiro foi às urnas para decidir sobre o sistema de governo, nosso povo decidiu pelo presidencialismo, portanto a realidade está dada.
Ainda existe nessa quadra a disputa do projeto nas ruas, isso sem dúvida é muito necessário que ocorra, mas como eu coloquei lá em cima, o Congresso mais conservador desde 64 não vem a toa, é reflexo de uma onda conservadora que paira na sociedade brasileira em nossos dias.
Por fim e ao cabo essa onda conservadora com um possível impeachment pode vir a ser uma avalanche avassaladora, que atingirá de maneira assustadora a esquerda e o campo democrático do Brasil, os movimentos do governo são corretos ao repactuar com o PMDB, primeiro para barrar o golpe, segundo recompor a “base governista”, com isso ter condições de retomar a iniciativa política, aprovar os projetos necessários a governabilidade do país.
Essa, senhoras e senhores, gostando ou não é a política real, é necessário transformá-la, sem dúvida, mas não sejamos nós mais “realistas do que o Rei”.
Fonte: UJS - UNIÃO DA JUVENTUDE SOCIALISTA
Outubro é mês de conscientização contra o câncer de mama
| Prédios ficaram com cor da campanha contra câncer de mama |
Os prédios da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ficaram cor de rosa esta semana. A iluminação especial faz parte das ações do Outubro Rosa no Congresso, com programação temática para conscientizar a população sobre a importância de prevenir o câncer de mama.
O Outubro Rosa é uma campanha internacional que chegou ao Brasil em 2008, por iniciativa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que, no Brasil, foram mais de 500 mil novos casos de câncer entre 2014 e 2015. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2012, foram 8,2 milhões de mortes ocasionadas pela doença.
Para deputada federal Jandira Feghali, os serviços de combate ao câncer, como o de mama, avançaram nos últimos anos, mas precisam ir além: “Ainda temos muito que trilhar, mas conseguimos dar o passo mais importante, que é garantir por lei a cirurgia reparadora para essas mulheres que já sofreram tanto com a doença. É inconcebível aceitar que alguém encare a reparação mamária como uma questão meramente estética. A dignidade corporal é o saber-se por inteiro”, enfatiza a deputada, autora da Lei que obriga os planos de saúde a custearem a reparação mamária para mulheres vítimas de câncer.
Fonte: Site da Deputada Federal JANDIRA FEGHALI (PCdoB/RJ)
FRENTE BRASIL POPULAR TOMA AS RUAS DO RECIFE EM DEFESA DA DEMOCRACIA
| Deputada Luciana na chegada ao ato em Pernambuco. Foto: CUT/PE |
As forças progressistas seguem firme na defesa da democracia. Essa foi a principal mensagem deixada pela Frente Brasil Popular para quem viu o ato de rua no Recife, na manhã de ontem (sábado), (03). A manifestação, que também foi realizada em várias cidades brasileiras, teve sua concentração na Praça do Derby e percorreu as principais avenidas do centro da cidade espalhando as cores de vários movimentos sociais e o discurso afiado contra o golpe, em defesa da Petrobras e de enfrentamento à crescente onda conservadora que atinge o Brasil.
Centenas de pessoas acompanharam lideranças de partidos políticos e dos movimentos sociais do estado. “Estamos fazendo aqui o que sempre fizemos. Ir às ruas travar o debate de ideias, por que as nossas armas contra o ódio e a intolerância são as ideias”, disse a presidente do PCdoB e deputada federal Luciana Santos, em cima do trio que percorreu toda a avenida Conde da Boa Vista (confira o vídeo com a fala completa ). Para ela, a esquerda precisa garantir que o seu conjunto de ideias e projetos prevaleçam pois, “não vamos deixar a direita ganhar no tapetão. Em 2014, mais de 54 milhões de pessoas escolheram a continuidade de um projeto, por isso, vamos pra cima deles (direita) defender a nossa democracia com garra e muita luta".
Para o presidente do PCdoB de Pernambuco, Alanir Cardoso, a ideia é que a Frente tenha outros atos como esse “para que a população possa revelar nas ruas o desprezo pelo golpe, e acumular mais forças para essa transição que o Brasil está passando”, disse ele. “A crise econômica é bem menor que a crise política, por isso que os nossos esforços são para a superação desse momento político, por que na medida que superamos a crise política criamos condições para retomarmos o crescimento da economia…”, ressaltou Cardoso.
Disputa de projetos
“A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil se junta à Frente Brasil Popular por entender que o nosso país vive uma disputa de projetos…”, iniciou assim sua fala o representante da CTB, Helmilton Beserra. Para ele, a defesa do projeto iniciado em 2003 pelo ex-presidente Lula, passa também pela defesa da Petrobras, a empresa mais importante do Brasil. “A Petrobras é a responsável por 10% do Produto Interno Bruto brasileiro. Ela é fundamental para melhorar a educação, e sem a Petrobras fica muito difícil para esse país avançar em soberania e em qualidade de vida para o nosso povo…”, reforçou Beserra.
Durante todo o ato várias lideranças de movimentos sociais subiram no trio para discursar pelas ruas do centro, e entre uma fala e outra, alfaias e agbês complementavam o coro pró-diversidade, contra o golpe e a favor da Democracização da Comunicação, com a criatividade das músicas em tom de ordem, cantadas pelos próprios militantes. “Eu queria parabenizar todos os militantes que estão aqui hoje unificados numa convocação dessa Frente que fica ainda mais forte…”, afirmou o Coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim. “Não vamos aceitar esse modelo econômico que a burguesia está tentando nos enfiar goela abaixo, ao governo e ao povo brasileiro. Vamos para as ruas exigir que se cobre mais impostos dos ricos, por que esse modelo não é o modelo que foi eleito em novembro do ano passado. Contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres!”, finalizou.
Próximas ações
O vice-presidente da CUT/Pernambuco, e um dos coordenadores da Frente Brasil Popular no estado, Paulo Rocha, disse que no próximo dia 7 acontecerá uma reunião para avaliação do ato. “Vamos manter o contato com a coordenação nacional para continuarmos com atividades organizadas. Teremos um calendário de atividades em Pernambuco, mas ele precisa dialogar com as atividades do calendário nacional, e só saberemos os próximos atos após essa reunião do dia 7 de outubro…”, disse ele.
Do Recife;
João Paulo Seixas
João Paulo Seixas
Fonte: Site da Deputada Federal LUCIANA SANTOS - Presidenta do PCdoB Nacional
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