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sexta-feira, 7 de abril de 2023

CNH: grupo de motoristas tem até abril para renovar - História por Mauro Balhessa

 CNH: grupo de motoristas tem até abril para renovar

CNH: grupo de motoristas tem até abril para renovar© Nova Carteira Nacional de Habilitação - Foto por: Lidiana Cuiabano/Detran-MT

Vale lembrar que a norma, com a prorrogação excepcional dos prazos, foi estabelecida a partir da publicação da Deliberação 243 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de 09/11/21.

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Veja o calendário abaixo:

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação© Fornecido por Motor Show

CNHs vencidas em 2023

Para os cidadãos que possuem o vencimento da habilitação previsto para este ano (ou seja, a partir de janeiro de 2023), o prazo para a renovação da CNH voltou a ser regular, no intervalo entre 30 dias de antecedência à data e, no máximo, 30 dias após o vencimento do documento.

Multa

Em caso de fiscalização de trânsito, os motoristas que não estão com o documento regularizado recebem uma multa no valor de R$ 293,47, além de sete pontos na CNH – considerada uma infração gravíssima.

Veja abaixo passo a passo para renovar a CNH:

  • Para renovar a CNH, os condutores devem acessar os seguintes canais digitais: www.detran.sp.gov.br, www.poupatempo.sp.gov.br ou app Poupatempo Digital;
  • Após confirmar ou atualizar os dados, o motorista agenda e realiza o exame médico na clínica indicada pelo sistema;
  • Para renovar as carteiras de habilitação categorias A e B, o cidadão deve selecionar a data e hora para exame médico com um profissional credenciado pelo Detran.SP;
  • Nos casos de motoristas que exercem atividade remunerada é necessário que façam também avaliação psicológica;
  • Para as categorias C, D ou E, o condutor deve agendar e realizar o exame toxicológico em um dos laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) – após a coleta do material para análise, o condutor deve, em até 90 dias, agendar e realizar o exame médico com um profissional credenciado pelo Detran.SP;
  • Depois da aprovação nos exames, é necessário pagar a taxa de emissão da CNH e aguardar orientações via e-mail para acessar a CNH Digital, que tem a mesma validade do documento físico e fica disponível no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT);
  • O código de segurança para acessar a CNH digital também pode ser consultado pelos canais eletrônicos do Detran.SP e Poupatempo;
  • Além da CNH digital, o cidadão irá receber a CNH física, pelos Correios, no endereço de sua preferência.

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PCdoB repudia ataques transfóbicos contra a deputada Dani Balbi


Nesta semana, a deputada estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Dani Balbi, sofreu uma série de ataques transfóbicos dentro do plenário da ALERJ, na sessão que analisava o Projeto de Lei apresentado pela parlamentar comunista e que prevê punições mais rígidas para os estabelecimentos que discriminarem pessoas LGBTQIA+.

Na sessão, deputados e deputadas usaram a tribuna do parlamento fluminense para proferir diversas falas repletas de homofobia e transfobia. O lamentável caso ganhou forte repercussão na mídia e nas redes sociais.

Em entrevista ao jornal O Globo, a deputada do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) explicou o Projeto de Lei e falou sobre o inaceitável episódio no plenário da ALERJ:

“O meu projeto de lei 193/ 2023 é uma atualização da lei 7.041/ 2015. A nossa intenção é ampliar as punições a agentes públicos e estabelecimentos públicos e privados que praticarem crime de discriminação contra a população LGBTQIA+. Hoje a lei trata de punição quando houver discriminação por orientação sexual, mas não trata de questões de gênero. Gênero é a identidade psicológica e social de uma pessoa, independente do seu sexo de nascimento. E vou batalhar pela lei porque a população transexual e travesti do Estado do Rio de Janeiro também precisa ser protegida. A intenção ali [no Plenário] foi muito clara: esvaziar o debate sério em torno do que realmente era o projeto de lei, que nada tinha a ver com uso de banheiros. Além da dignidade de todas as pessoas trans e travestis, no meu caso, aqui dentro da Alerj, o interesse é de me desestabilizar no cumprimento das funções públicas. Claro que me sinto impactada como uma mulher transexual, travesti que luta por cidadania, reconhecimento, para que todas como eu tenha acesso a todos os espaços. Mas também me sinto atacada no exercício das minhas funções públicas. Porém, vou continuar lutando”.

Representando o PCdoB, João Batista Lemos, presidente estadual do Partido, repudiou de forma veemente a ofensiva transfóbica contra a camarada Dani Balbi afirmando que:

“Esse lamentável  episódio representa o bolsonarismo aqui no Rio de Janeiro, é o retrocesso e a obscuridade. Não aceitaremos a transfobia, a homofobia ou qualquer outra forma de discriminação. É um absurdo essa posição reacionária que tenta atacar as pessoas LGBTQIA+ e nós repudiamos veementemente essa ofensiva conservadora e fascista. Ninguém vai atacar nem cercear a atuação política da camarada Dani Balbi, que com muita altivez, coragem e sabedoria tem enfrentado os reacionários, conservadores, e transfóbicos dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para onde foi eleita com mais de 65 mil votos”.

Fonte: https://pcdob.org.br

Governo retira Correios e mais seis estatais do programa de privatização - por Barbara Luz

 

Foto: divulgação/Correios

A medida inclui a remoção de sete estatais do programa de desestatização, incluindo EBC, Dataprev e Serpro, e três do programa de parceiras privadas

Nesta quinta-feira (6), o governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retirou sete empresas do Programa Nacional de Desestatização (PND), entre elas os Correios e a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), e três do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

A medida foi divulgada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e, segundo o Ministério das Comunicações, tem como objetivo fortalecer o papel das estatais na  promoção de cidadania e ampliar os investimentos.

As empresas foram incluídas nos programas de desestatização durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No dia da posse, em 1º de janeiro, o presidente Lula assinou um despacho determinando a revogação de processos de privatização de oito estatais, incluindo os Correios e a Petrobras.

Na última quarta-feira (5) o Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos recomendou a exclusão dos Correios e da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás) do PND.

A ação envolve as seguintes empresas:

Excluídas do PND:

  • ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos;
  • EBC – Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
  • Dataprev – Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência;
  • Nuclep – Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A;
  • Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados;
  • ABGF – Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A.;
  • Ceitec – Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A.;

E as que já as que não integram mais o PPI:

  • Conab – Armazéns e imóveis de domínio da Companhia Nacional de Abastecimento;
  • PPSA – Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. – Pré-Sal Petróleo S.A.;
  • Telebras – Telecomunicações Brasileiras S.A.

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Com Informações de Agências
E Portal Vermelho

quinta-feira, 6 de abril de 2023

ESPORTE Renildo Calheiros defende fortalecimento do esporte no Brasil - Por: Christiane Peres - PCdoB na Câmara

 

Em audiência com a ministra da área, Ana Moser, deputado afirma que é preciso buscar mais recursos para o esporte e soluções criativas para implementação de políticas públicas para a área

“Não seja uma ministra que aceita cortes de recursos na área de esportes. Lute pela ampliação deles, porque eles são poucos. O esporte, assim como a cultura, é dessas áreas que precisa de mais investimentos, pois só assim conseguiremos fortalecer o esporte no Brasil e proporcionar que mais pessoas tenham acesso a ele. E a senhora terá nesta comissão aliados importantes.” Esse foi o tom da fala do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) durante audiência com a ministra do Esporte, Ana Moser.

No encontro, realizado nesta quarta-feira (29), Renildo defendeu o fortalecimento da área e afirmou que será preciso criar soluções criativas para a implementação de políticas públicas para a área.

“Em todo governo, as áreas sempre têm divergência com a Fazenda, porque quem está na Fazenda tem um olhar diferente de quem implementa políticas públicas. Quem está na Fazenda pensa primeiro nas contas. Então, sugiro. Não é uma insubordinação, mas não seja uma ministra que aceita corte de recursos na área de esportes. Lute pela ampliação dos recursos, porque eles são muito poucos. E muitas coisas, com criatividade, pode ser buscada. Há uma interface grande entre esporte e saúde; há vários programas que podem ser propostos em parceria com o Ministério da Educação; com outras Pastas que tenham mais estrutura”, afirmou.

Para Renildo, quem executa política pública precisa olhar para todos, pois “quanto mais pessoas tiverem acesso ao esporte, maior a possibilidade de surgir atletas de alto rendimento”. “É quando você amplia a participação da base que surgem mais talentos e possibilidades”, destacou.

O parlamentar celebrou a retomada da Pasta, então extinta por Bolsonaro sob a premissa de redução de gastos. “Fiz crítica ao governo passado por diminuir o Ministério do Esporte. Foi uma bobeira. Disseram que era para diminuir despesas. Mas não há novas despesas, porque redistribui as caixinhas. Mas qual é a diferença? O status político. Quando você tem uma ministra da Cultura, uma ministra dos Esportes, você dá autoridade, status político, fortalece a área e cria condições daquela Pasta buscar um resultado melhor. É isso que precisamos”, disse.

Em sua fala, Ana Moser afirmou que o objetivo do Ministério é ampliar a prática esportiva no país. Segundo ela, embora a prática esportiva seja um direito constitucional, não existem sequer estatísticas confiáveis sobre a atividade física para a população em geral.

Como forma de alcançar a meta de tornar a população mais ativa, a ministra relatou que a Pasta está construindo uma política pública integrada com outros ministérios, principalmente Educação e Saúde.

O Ministério do Esporte também irá buscar integrar ações da União, estados e municípios para que as propostas cheguem de fato à população. “É uma janela de oportunidade para a gente incorporar metas do Esporte dentro dos planos de Educação e de Saúde”, disse Ana Moser. Segundo ela, dessa forma será possível contornar a falta de recursos próprios do Esporte. De acordo com a ministra, hoje o Brasil aplica somente 0,04% do PIB em políticas esportivas. Na Europa, por exemplo, ela ressaltou que a proporção é dez vezes maior.

O presidente da Comissão do Esporte, deputado Luiz Lima (PL-RJ), se comprometeu a trabalhar junto à Comissão Mista de Orçamento para melhorar a situação Ministério do Esporte. “Essa comissão vai ter uma interferência com o relator do Orçamento, a partir de agosto, para que a gente melhore as condições, não só orçamentárias do Ministério, como políticas”, afirmou.

Fonte: Portal VEMELHO

MOVIMENTOS : Coletivo de Mulheres denuncia rotina de assédio sexual na Petrobras - por André Cintra

Internamente, empresa recebeu 81 denúncias de assédio entre 2019 e 2022, os anos do governo Bolsonaro.

O Coletivo de Mulheres da FUP (Federação Única dos Petroleiros) lidera uma campanha de combate ao assédio sexual dentro da Petrobras. Conforme lideranças da categoria, a prática virou uma rotina para trabalhadoras em diversas unidades da empresa, sobretudo para aquelas que estão embarcadas em plataformas. Um grupo de WhatsApp formado por mulheres petroleiras compilou 53 casos de assédio.

Apenas no mês de março, houve denúncias de casos de machismo e assédio na Replan (Refinaria Planalto de Paulínia), no estado de São Paulo, além de acusações similares na Regap (Refinaria Gabriel Passos) e na Termelétrica de Ibirité, ambas em Minas Gerais. Segundo o Coletivo de Mulheres, mesmo com a mudança do governo Jair Bolsonaro (PL) para o governo Lula (PT), a direção da empresa tem sido negligente.

Para a coordenadora do Coletivo de Mulheres, Patrícia Jesus Silva – que também é diretora da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) –, a Petrobras precisa agir. Em fevereiro, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, recebeu uma carta da categoria, que reivindicava a recriação das comissões de diversidade e combate às opressões. Até o momento, porém, não houve respostas.

“O Coletivo de Mulheres da FUP vem cobrando efetividade no combate aos assédios e abusos há tempos, inclusive em carta entregue a Jean Paul Prates, na primeira reunião que tivemos com ele”, lembra Patrícia Jesus Silva. A demanda chegou à Folha de S.Paulo e teria constrangido a direção da Petrobras.

Na visão da petroleira Bárbara Bezerra, diretora do Sindipetro-NF, a rotina de assédio tem inibido trabalhadoras a relatar o que sofrem. “Quando uma mulher denuncia um abuso, seja físico ou emocional, ela tende a ser desacreditada pelas pessoas a sua volta. Eu mesma já passei por situações do tipo dentro da plataforma e a primeira pergunta que fizeram é se eu estava ‘paquerando’ alguém”, diz. “É um desrespeito absurdo. Só queremos trabalhar em paz.”

Coordenador-geral, Deyvid Bacelar também exige que a Petrobras pare de ignorar as denúncias. “A empresa é responsável por dar fim a esse tipo de comportamento, punindo os agressores de forma incisiva, para que essas agressões sejam extirpadas da companhia”, afirma Deyvid.

À GloboNews, Jean Paul Prates declarou que a Petrobras tomará novas medidas de combate ao assédio. Ele disse estar ciente de diversos relatos: “Mulheres, em diferentes momentos da história da companhia, viveram situações de assédio, constrangimento e violências por gênero”, admitiu o presidente da empresa. “Em breve divulgaremos a nossa força de trabalho com novas medidas de fortalecimento da prevenção e combate ao assédio.”

Internamente, a Petrobras recebeu 81 denúncias de 2019 a 2022, os anos do governo Bolsonaro. “A nova gestão da companhia reitera que não tolera qualquer tipo de assédio e violência contra mulher, comprometendo-se a criar um ambiente de confiança para que todas as ocorrências sejam denunciadas”, diz, em nota, a Petrobras.

Um dos casos recentes ocorreu no Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), no Rio de Janeiro, onde quatro funcionárias de uma empresa terceirizada de serviços de limpeza denunciaram assédio. Uma delas foi estuprada. “Esses ocorridos são de conhecimento da Petrobras, tendo em vista que as trabalhadoras realizaram denúncia formal nos canais de denúncia da empresa e na delegacia”, diz o Sindipetro-RJ.

O estuprador, porém, não foi sequer afastado e manteve contato com a vítima. “Não teve assistência social, psicológica – e não teve proteção de emprego das vítimas”, afirma Natália Russo, diretora do Sindipetro-RJ. “Uma delas chegou a pedir demissão porque não aguentou a pressão de ficar convivendo com o abusador.”

Diante dessa acusação específica, a Petrobras reconhece que pode ter errado. “O grupo de trabalho vai rever os procedimentos internos de tratamento das denúncias. Se forem identificadas falhas, vai determinar revisão desses respectivos processos”, diz, em nota, a empresa. Mas, para o Coletivo de Mulheres da FUP, revisões sem a participação dos sindicatos não são legítimas. Até quando a Petrobras vai se esconder?

Com informações da FUP

E Portal VERMELHO

MP Eleitoral deve pedir condenação de Bolsonaro por ataques às urnas - por Iram Alfaia

Corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves (Fotos: Antônio Augusto/Secom/TSE).

O ex-presidente é acusado no TSE pelos ataques, sem provas, às urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro numa reunião com embaixadores estrangeiros.

Nas alegações finais, o Ministério Público Eleitoral (MPE) deve pedir a condenação de Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo crime de abuso de poder político. O ex-presidente é acusado pelos ataques, sem provas, às urnas eletrônicas, ao sistema eleitoral brasileiro e uso indevido dos meios de comunicação numa reunião, em julho do ano passado, com embaixadores estrangeiros.

A fase de coletas de provas foi encerrada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Benedito Gonçalves. Na segunda-feira (10), a defesa do ex-presidente terá de apresentar suas alegações finais e, na terça-feira (11), o MPE terá dois dias para elaborar seu parecer.

A pedido do PDT, autor da ação, o corregedor incluiu nos autos a chamada minuta do golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Leia mais: Maioria dos brasileiros quer Bolsonaro inelegível em ação no TSE

Pelo documento golpista, o ex-presidente decretaria Estado de Defesa no TSE, anularia a eleição presidencial e afastaria os ministros da corte eleitoral.

Segundo apurou O Globo, O MPE prepara um duro parecer em sua manifestação final no processo. A reportagem ouviu três ministros da corte que conversaram reservadamente com os procuradores e a expectativa é que o parecer seja pela condenação de Bolsonaro que deve ficar oito anos inelegível.

“Ministros do TSE lembram que o vice-procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, já havia apontado ilícito no encontro do ex-presidente com os diplomatas ainda no ano passado”, diz a reportagem.

No parlamento, a expectativa também é pela condenação do ex-presidente. “URGENTE! O ladrão de joias também desviou dinheiro público para fazer campanha eleitoral. Reportagem do UOL mostra que Bolsonaro gastou 754 mil reais no cartão corporativo para pagar lanches de seus aspones em atos de campanha. Agora é com o TSE. BOLSONARO INELEGÍVEL JÁ!”, escreveu no Twitter o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

O senador Humberto Costa (PT-PE) diz que com “uma falcatrua nova descoberta a cada dia, Bolsonaro está mais enrolado do que nunca”. “Pela vontade da maioria dos brasileiros, a Justiça deve condená-lo e torná-lo inelegível. A democracia não pode conviver com um tirano que sempre tentou derrubá-la”, afirmou.

MPF

Em janeiro, um grupo de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que investigue Bolsonaro por incitação ao crime.

 De acordo com o grupo, “a insistência do ex-presidente em apontar supostas fraudes nas urnas que o elegeram se estendeu ao longo dos últimos anos, em lives realizadas semanalmente para seus eleitores e seguidores em redes sociais”.

“Parece haver indícios fortes de que, na madrugada de 10/01/2023 para 11/01/2023, o ex presidente da República Jair Messias Bolsonaro, (…), praticou, valendo-se de sua influência sobre relevante parcela da população, crime de incitação tipificado tanto no caput quanto no parágrafo único do art. 286 do Código Penal, ao, em tese, realizar postagem, em seu perfil na rede social Facebook, de vídeo desinformativo sobre a integridade das instituições judiciárias e sobre a higidez dos processos democráticos brasileiros”, diz o documento.

Fonte: Portal VERMELHO

domingo, 2 de abril de 2023

O caráter dos que lutaram contra a ditadura - por Urariano Mota

Em trechos do seu romance “A mais longa duração da juventude”, Urariano Mota reflete sobre o caráter dos lutadores contra a ditadura brasileira.

Eu estava refletindo há pouco e vi que o admirador reflete o seu caráter nas pessoas que ele admira. O caráter dos ídolos está no admirador. Ainda que este não realize os grandes feitos dos seus ídolos, essa admiração revela o homem que os admira. Assim, quem eleva Mussolini ao posto de grande homem, é fascista ou simpatizante de fascismo. Na sua admiração se revela. Quem admira Marx é uma pessoa comunista ou de esquerda ou democrata. E quem admira Machado de Assis e seu dicionarista José Carlos Ruy, assim como eles gostaria muito, se Deus fosse camarada, de fazer obra semelhante. E quem, numa escala miserável e medíocre, admira Bolsonaro, assim como o criminoso revela a própria ignorância e fascismo.

Essas reflexões me vêm a propósito do caráter dos lutadores contra a ditadura brasileira. E para não me alongar, destaco trechos do meu romance “A mais longa duração da juventude”, cujo título é uma promessa que espero ter, numa felicidade, quem sabe talvez, realizado. Aos trechos:

“Selene continua:

– Mas o que são as dificuldades para a vitória do socialismo, companheiro?

– Fale baixo, companheira – Célio sussurra, entredentes, atrás.

Selene o encara, na iminência de lhe enviar um raio. Mas sufoca a fulminação, e sem lhe responder continua num tom menor:

– O que são nossas dificuldades frente ao heroísmo do vietcongue?

Então eu, como um pequeno-burguês convertido ao novo evangelho, à pregação apaixonante da revolução pergunto já conquistado:

– O que posso fazer?

Selene me olha e responde rápido:

– Me pague uma sopa.

Peço e pago uma. E mais uma cerveja para nós. Mas ao chamar o garçom, Célio intervém:

– Eu troco minha cerveja por uma sopa. Pode ser?

– Claro, pode – e me digo: ‘foi-se embora meu cinema de sábado’.

Ao chegar a sopa, densa, de macarrão e carne, Selene a aplaude. O garçom sorri para a mocinha esfomeada. Ela também sorri para o garçom. Então, com a colher que vai ao prato e volta em brevíssimos intervalos de tempo, ela nos fala, deliciada:

– Sem sopa não há revolução…   

Então a advogada Gardênia anotará da entrevista com Vargas: ‘Ele era um tipo romântico, ingênuo’. O que isso queria dizer? Ali na sala está corporificado para ela: de braços abertos, Vargas protege a companheira e a filha. No diário da advogada: ‘eu conversei com ele que fugisse, ao que ele se negou dizendo que isso não faria, porque zelava pela segurança da filha e da esposa’. E Vargas, na defesa sem armas, na imaginada que pode dar às pessoas do seu extremado carinho, registra o diário da advogada: ‘Eu pedi que ele deixasse a criancinha sob meus cuidados. Ele me falou que não ia levar Nelinha para uma aventura, porque ela era uma pessoa frágil, e seria também assassinada. Aí era pior, porque a menina ficaria órfã, sem ninguém’.

Nesse ponto flagramos a pessoa, a coragem e terror de Vargas: a consciência de que será morto. Mas não só morto a tiro, de bala. Morto depois de intensa tortura e sofrimento. Aqui entra o ponto nevrálgico, ele sabe que não demora ser brutalizado, se continuar no Recife. Mas não deseja que a sua mulher o acompanhe, na hipótese de fuga ou adiamento da execução. Se ele é o condenado, por que atrair, dividir o inferno com quem ama?

– Fuja, fuja, Vargas. O momento de escapar é agora – fala a advogada.

Mas ele, o homem ‘romântico ingênuo’, não quer. À distância podemos ver a lógica fria do heroísmo em lugar do romântico, penso. A advogada Gardênia lhe atribui a qualidade de romântico porque ele defende de modo absoluto a integridade física da companheira. Um caso de paixão de enamorado, talvez. E acrescenta o ingênuo, porque ele se nega a receber o oferecimento prático do mundo real, a saber: fugir, salvar-se, para depois em segurança avaliar o estrago que deixa. Mas não estamos preparados para ver a grandeza no instante em que ocorre. Ou melhor, só vemos o grande quando ele nos impacta de modo bárbaro. Por exemplo, Gregório Bezerra sendo espancado a golpes de ferro na cabeça pelas ruas do Recife. Na sua altiva resistência vemos. Mas não enxergamos que o heroísmo vem antes da tragédia. Na decisão que antecede o desfecho não vemos a grandeza. O próprio Vargas, naquela hora em que abre os braços no apartamento de Gardênia, nada vê de excepcional. Ele apenas age para defender pessoas do seu amor, age apenas por justiça. Não levará para a desgraça a companheira querida e sua Krupskaia. Não permitirá que corram riscos maiores que viver com um ‘terrorista’. E ameniza a própria bravura com uma fórmula prosaica:

– Talvez eles nem me peguem agora. É tempo de eu vender livros pedidos pelas escolas. Com o dinheiro da comissão, eu fujo. Entendeu, doutora? Mas fique com os meus documentos. Se a situação apertar, já estão com a senhora

Aperta a mão da advogada e sai. Desce pelas escadas para melhor refletir, como se no tempo entre o quarto andar e o térreo houvesse um acréscimo de vida. E vem parando nos trechos intermediários, a retardar a sua hora, até alcançar a portaria e sair para a Rua Sete de Setembro. Agora, é o mundo real sem mais discussão filosófica. E o real são ele, Daniel e Fleury…….

O horror das mortes em 1973 é o retrato do seu último instante físico. Não é justo resumir uma vida humana assim. Sobre um animal sentimos a brutalidade: ‘O novilho continuava lutando. A cabeça ficou pelada e vermelha, com veias brancas, e se manteve na posição em que os açougueiros a deixaram. A pele pendia dos dois lados. O novilho não parou de lutar. Depois, outro açougueiro o agarrou por uma pata, quebrou-a e cortou-a. A barriga e as pernas restantes ainda estremeciam. Cortaram também as patas restantes e as jogaram onde jogavam as patas dos novilhos de um dos proprietários. Depois arrastaram a rês para o guincho e lá a crucificaram; já não havia movimento’. Se essa infâmia narrada magistral por Tolstói nos fere quando pensamos no gado, o que diremos de pessoas no matadouro?

Penso em Vargas e seu sacrifício, o heroísmo que ninguém notou. Morto como mais um boi, gado abatido qualquer. Se não lhe comemos a carne, comemos a sua grandeza, porque o defecamos em nova brutalidade. Onde está Vargas, onde buscar Vargas? Ele está na sala da advogada Gardênia, quando ela lhe propõe a fuga, que corra e suma antes de ser morto, e ele se nega porque Nelinha era muito frágil? Ele está no ônibus, quando luta febril ao vislumbrar a sua última hora, da qual possui a certeza, e para ela caminha ainda assim? ‘Nelinha está salva’, ele se fala. ‘Ela continuará a viver. Ela e a minha filhinha continuam. Venham, malditos’. E nisso, ao expressar também a crueza do seu isolamento, pois não estava ‘organizado’, sem vínculo direto com organização clandestina, onde buscar o terrorista Vargas? Desta maneira ele ficou adiante, conforme o viu a advogada Gardênia:

‘Vargas, que eu conhecia muito, estava também numa mesa, estava com uma zorba azul-clara, e tinha uma perfuração de bala na testa e outra no peito. E uma mancha profunda no pescoço, de um lado só, como se fosse corda, e com os olhos abertos e a língua fora da boca’. Vargas teria sido puxado por corda para o matadouro? Aos bois partem o rabo, rompem a cartilagem, para assim ele arremeter para o lugar onde o sangram. A homens arrastam? Nos laudos da ditadura, não há uma narração da dor. Mentirosos, chegam a ocultar a causa mortis, ao esconder lesões, ao eufemizar a barbárie. Tudo que falam é uma adaptação do cadáver à fraude da repressão política. É nessas circunstâncias que cresce o valor do depoimento da advogada, que testemunhou e preencheu as lacunas, o vácuo dos laudos tanatoscópicos:

‘Soledad estava com os olhos muito abertos, com expressão muito grande de terror. A boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade. Eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas, porque era uma quantidade grande. E o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali, ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror’.

Leia também: Uma condenação da tortura e morte na ditadura

Fonte: Portal VERMELHO