ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 22 de julho de 2017

Lula deveria pedir desculpas ao PSOL

Na entrevista que concedeu ontem aos jornalistas José Trajano, Juca Kfouri e Antero Greco, o ex-presidente Lula cometeu um deslize quase juvenil ao tratar o PSOL como um partido de moleques mimados.
Sim, Lula não disse essa frase. Mas foi este o sentido político da sua resposta. Segue o trecho pra quem ainda não leu:
A única coisa que e desejo é que eles ganhem alguma coisa, eu quero que eles governem a cidade do Rio de Janeiro. Quando eles governarem a cidade do Rio do Janeiro, metade da frescura deles vai acabar. Eles vão perceber que não dá pra gente nadar teoricamente. Você não pode ficar na beira da praia falando ‘você dê uma braçada pra cá, uma braçada pra lá, levanta a cabeça…’. Entra na água e vai nadar, pô! Então eu quero que eles governem uma cidade. Depois que eles governarem uma cidade eles vão compreender que nem o Sarney, quando foi em 2006 [1986], que elegeu 323 deputados constituintes e 23 governadores, conseguiu governar”. E conclui afirmando que: “O problema é o seguinte: eles ‘se acham’. Sabe aquele cara que levanta de manhã, vai no espelho e fala, ‘espelho, espelho meu: tem alguém mais fodido que eu? Tem alguém mais sério do que eu? Tem alguém mais honesto que eu, mais bonito que eu, mais sabido que eu?”
Lula tem o direito de pensar isso. De falar isso numa reunião de família. De até conversar num botequim dessa forma. Mas não deveria fazê-lo em público, porque nesta situação ele não é o Lula amigão da galera. É um ex-presidente da República que precisa respeitar seus aliados, principalmente os que estão defendendo-o publicamente do imenso ataque que está vivendo.
O PSOL foi o primeiro partido a soltar uma nota condenando o julgamento político de Moro.
O PSOL votou unido contra o impeachment de Dilma.
O PSOL teve um comportamento exemplar nas lutas de resistência contra o golpe.
Entre os 30 melhores parlamentares do Congresso, o PSOL consegue ter praticamente toda a sua bancada.

Também acho que vai fazer imenso bem ao PSOL ganhar prefeituras e ter que lidar com uma realidade cada vez mais complexa de gestão pública no país.
Também acho que hoje é mais difícil governar do que na década de 80 ou 90, como algumas lideranças do PSOL governaram quando eram petistas.
Também considero que há entre a militância do PSOL um segmento que se comporta como se fosse a última bolacha do pacote da política.
Mas e aí?
Isso é o que importa neste momento?
É possível e é preciso generalizar o PSOL desta forma?
Se é, os petistas terão que engolir generalizações muito mais duras.
Por isso, sem querer me meter aonde não fui chamado, se fosse Lula ligaria para o presidente do PSOL e pediria desculpas. Faria o mesmo com Jean Wyllys, Erundina e outros deputados que têm sido aliados de primeira hora.
Seria algo que o deixaria ainda maior do que é. E Lula é, sim, muito grande. A maior liderança viva do Brasil. E talvez a maior da sua história. O tempo nos encarregará de ver isso melhor.

Até por isso, uma ação dele neste sentido seria um sinal. Um imenso sinal de que é hora de se fazer política mais generosa com aliados. E menos irônica. Menos provocativa.
Fonte: Revista Fórum

Delator confirma o que a blogosfera dizia: jatinho era de Campos

jatcamp

A Veja desta semana chega perto, mas não revela inteira, a verdade que todos já sabem, menos os inquéritos policiais: o jato que matou Eduardo Campos e abriu as portas para a segunda candidatura de Marina Silva foi comprado pelo próprio, através de seu testa-de-ferro Aldo Guedes Álvaro.
Toda a imprensa sabe, aliás desde que ficou claro que Eduardo Campos aprovou pessoalmente  a comprado avião, ainda em 2014, logo após o acidente.
O processo se arrasta no Supremo, desde 2015.
O “aluguel” do jatinho não só era uma fachada como, saindo das contas oficiais de campanha, representava uma lavagem de dinheiro inquestionável.
Estranha a situação de Marina Silva, desde o resultado das eleições gritando histericamente pela anulação da eleição com base nas fraudes que diz-se ter ocorrido na chapa Dilma-Temer.
Se as contas do candidato a presidente e as do vice são inseparáveis, como decidiu o TSE e defendeu sempre a Rede, as contas da chapa Eduardo campos-Marina Silva, parte integrante de sua campanha, também as devem condenar, porque ela usou o bem fraudado em seus deslocamentos eleitorais.
A “nova política”, os moralistas que apontam o dedo para as mazelas de um sistema político-eleitoral desde sempre sustentado pelo dinheiro das empresas são isso que agora fica claro: cínicos e hipócritas.
Fonte: http://www.tijolaco.com.br

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Lima Barreto, um propagandista da Revolução Russa

Lima Barreto sabia que era preciso lutar e derrotar essa elite restrita, retrógrada, racista e alienada que impedia a real modernização do país
Lima Barreto sabia que era preciso lutar e derrotar essa elite restrita, retrógrada, racista e alienada que impedia a real modernização do país


Crítico ferino e mordaz dos hábitos e formas de pensar da elite de seu tempo, defensor persistente de reformas profundas na sociedade, necessárias para melhorar a vida do povo, Lima Barreto viveu em uma época que, sob muitos aspectos, assemelha-se à nossa. De um lado a alienação de setores da elite, plasmada na imitação servil do estrangeiro, no deslumbramento daqueles que pensam que somente com a mal entendida modernização, isto é, adoção de hábitos, modos de vida e formas de pensar brancos e europeus, é que o Brasil poderá vencer o atraso e embarcar no bonde da história rumo ao progresso. De outro lado as entranhas reais do país, escondidas sob o tênue verniz modernizante: a permanência de estruturas sociais arcaicas e injustas que oprimem a enorme maioria do povo e nutrem as elites. 

Lima Barreto não só enxergou estes males das classes dominantes, mas conviveu com eles no cotidiano, sofreu na carne as pesadas restrições que impunham aos que ficavam de fora. E lutou contra eles, contra todas as formas de opressão. Foi um crítico ferino da imprensa de seu tempo, e não poupou as críticas mais mordazes aos avozinhos dos campeões da mídia que, hoje, mais de cem anos após, praticam as mesmas baixarias que Lima Barreto condenou em sua época.

Era preciso lutar e derrotar essa elite restrita, retrógrada, racista e alienada que impedia a real modernização do país. 

Lima sabia que “a sociedade repousa sobre a resignação dos humildes” (diz no romance Gonzaga de Sá). Daí sua militância no movimento anarquista, o apoio entusiástico à Revolução Russa de 1917 e ao maximalismo (nome que então se dava ao bolchevismo), e a atuação na imprensa popular.

Ele definia o maximalismo como “a aspiração de realizar o máximo de reformas possíveis dentro de cada sociedade, tendo em conta as suas condições particulares”, e apresentou um programa de quatro pontos para isso: revisão dos fundamentos da propriedade, subordinando seu uso ao bem estar coletivo; confisco dos bens de certas ordens religiosas; fim do direito de testar; adoção do divórcio para livrar a mulher da opressão do casamento. 

Transcrevemos a seguir uma parte de seu artigo “No ajuste de contas...”, publicado na revista ABC, em 11 de maio de 1918:

Ora, os fundamentos da propriedade têm sido revistos modernamente por toda a espécie de pensadores e nenhum lhe dá esse caráter no indivíduo que a detém. Nenhum deles admite que ela assim seja nas mãos do indivíduo, a ponto de lesar a comunhão social, permitindo até que meia dúzia de sujeitos espertos e sem escrúpulos, em geral fervorosos católicos, monopolizem as terras de uma província inteira, títulos de dívida de um país, enquanto o Estado esmaga os que nada têm com os mais atrozes impostos. A propriedade é social e o indivíduo só pode e deve conservar, para ele, de terras e outros bens, tão-somente aquilo que precisar para manter a sua vida e de sua família, devendo todos trabalhar da forma que lhes for mais agradável e o menos possível, em benefício comum. Não é possível compreender que um tipo bronco, egoísta e mau, residente no Flamengo ou em São Clemente, num casarão monstruoso e que não sabe plantar um pé de couve, tenha a propriedade de quarenta ou sessenta fazendas nos estados próximos, muitas das quais ele nem conhece nem as visitou, enquanto, nos lugares em que estão tais latifúndios, há centenas de pessoas que não têm um palmo de terra para fincar quatro paus e erguer um rancho de sapê, cultivando nos fundos uma quadra de aipim e batata-doce. As fazendas, naturalmente, estarão abandonadas; por muito favor, ele ou seus caixeiros permitirão que os desgraçados locais lá se aboletem, mas estes pobres roceiros que nelas vegetam, não se animam a todos os nossos males, provocados pelo critério supersticioso que têm os nossos financistas sobre a propriedade privada. Poderia encher isto aqui de algarismos, obtidos nos relatórios pantafaçudos ou nas tabelas do orçamento, para provar o que digo; mas deixo essa difícil exibição sabichona para o Senhor Oto Prazeres, a fim de que ele possa fazer mais um livro e ir ainda uma vez levá-lo em pessoa ao Senhor Venceslau Brás. O caso das apólices é muito semelhante ao da escravatura na geração anterior à nossa. É um ônus que, em geral, herdamos das gerações passadas. Não garanto; mas, parece-me que ainda pagamos juros de apólices emitidas em 1867; e mesmo que isto não seja inteiramente verdade, deve ser aproximadamente, porquanto, de onde em onde, o governo, por isso ou aquilo, as substitui por outras, continuando, as novas, a serem virtualmente as velhas que aquelas substituíram. Mirabeau, respondendo às objeções feitas a reformas radicais que rompiam totalmente com o passado, teve na Assembleia Constituinte de 89, uma comparação eloquentíssima. Se todos os nossos antepassados, dizia ele, ocupassem com os seus túmulos a superfície total da Terra, nós, os atuais habitantes, teríamos todo o direito de desenterrar os seus ossos, para cultivar os campos, criar gado, tirar da terra, enfim, a nossa subsistência. Cito de memória; mas, julgo não ter deturpado o pensamento do grande conde de Mirabeau, o qual vem esclarecer o meu, quando não quero aceitar uma carga injusta dos nossos pais e lembro que essa obrigação herdada por nós de pagar prêmios de apólices de empréstimos de que as gerações passadas abusaram, deve cessar inteiramente, pois é tal verba orçamentária que nos esmaga de impostos e faz a nossa atual vida dificílima, mais ainda do que os estancos de Limas Pereiras, Bezerras e caterva. No próprio ponto de vista dos usurários e truculentos capitalistas, a apólice é um mal, é um capital imobilizado que não concorre para o desenvolvimento do país; pois quem tem poucas, guarda-as, para receber juros como achego; e quem tem muitas, guarda-as também, para não fazer nada e viver do rendimento. (...) O que se diz com relação à propriedade imóvel, pode-se dizer para a móvel. Creio que é assim que os financistas denominam as apólices, moedas, títulos, etc. O povo, em geral, não conhece esta engrenagem de finanças e ladroeiras correlativas de bancos, companhias, hipotecas, cauções, etc.; e quando, como atualmente, se sente esmagado pelo preço dos gêneros de primeira necessidade, atribui todo o mal ao taverneiro da esquina. Ele, o povo, não se pode capacitar de que a atual alta estrondosa do açúcar é obra pura e simples do Zé Bezerra e desse Pereira Lima que parece ter sido discípulo dos jesuítas, com a agravante de que o primeiro foi e o segundo é ainda ministro de Estado, cargo cuja natureza exige de quem o exerce o dever de velar, na sua esfera de ação, pelo bem público e para a felicidade da comunhão. Não estará tal coisa nas leis ou nos regulamentos; mas, evidentemente, se contém na essência de tal função administrativa. Bastiat, nas suas Mélanges d’Économie Politique, tem um interessante capítulo, intitulado – “O que se vê e o que não se vê”. Pouco ou nada se relaciona com o nosso assunto; mas citei-o, porque foi a sua leitura que me fez considerar e analisar melhor certos fatos e não ficar como o grosso do povo preso “ao que se vê”, sem procurar a verdadeira explicação no “que não se vê”. (...) Um governo enérgico e oriundo do povo que surgir tem o dever de confiscar esses bens, de retalhar as suas imensas fazendas, de aproveitar os seus grandes edifícios para estabelecimentos públicos e vender, assim como as terras divididas, os prédios de aluguel que essas ordens possuem, em hasta pública. A confiscação desses bens obriga, para ser a medida completa, o governo a suprimir inteiramente todos os colégios de religiosos de ambos os sexos, sobretudo os destinados a moças ricas, por intermédio dos quais o clero acaba dominando os seus futuros maridos ou amantes; e, sabendo-se que estes são, em geral, pessoas poderosas e em altos cargos, a gente de sotaina pretende, desse modo, influir decisivamente nos atos dos poderes políticos do país e obter a nossa completa regressão aos áureos tempos das fogueiras e do beatício hipócrita. Há mais. Uma das mais urgentes medidas do nosso tempo é fazer cessar essa fome de enriquecer característica da burguesia que, além de todas as infâmias que, para tal, emprega, corrompe, pelo exemplo, a totalidade da nação. Para amontoar milhões, a burguesia não vê óbices morais, sentimentais nem mesmo legais. Toca para adiante, passa por cima de cadáveres, tropeça em moribundos, derruba aleijados, engana mentecaptos; e desculpa-se de todas essas baixezas, com a segurança da vida futura dos filhos. Não encontraria mais motivo para proceder dessa maneira, mais infame do que o dos antigos salteadores dos grandes caminhos, se riscássemos do Código Civil o direito de testar, e as fortunas, por morte dos seus detentores, voltassem para o Estado; e nisto, imitaríamos os seus maiores, os burgueses da Revolução Francesa, que golpearam profundamente a nobreza, estabelecendo a igualdade de herança entre os filhos. O feudo, o castelo desapareceram, pois a fortuna deixou de passar intacta ou quase intacta, do marquês para o seu filho mais velho. Todas estas medidas têm caráter financeiro, sem deixar de ter social; mas, a que me parece, mais urgente, é uma reforma radical do casamento, medida puramente social. Eu sou por todas as formas de casamento; não me repugna admitir a poligamia ou a poliandria; mas transigiria se fosse governo. Continuaria a monogamia a ser a forma legal do matrimônio, mas suprimiria toda essa palhaçada de pretoria ou juizado de paz. O Estado só interviria para processar e condenar o bígamo. (...). Apelo para todos aqueles que não têm a superstição da lei, dos códigos, dos praxistas, dos acórdãos, dos arestos, do Pegas, do Lobão, das Ordenações e outros alfarrábios caducos; e quanto aos doutores do Direito que estão envenenados, intoxicados até à medula, com tudo o que decorre do sinistro e cruel direito romano, codificado, em grande parte, por um tirano das margens do Propôntida e pela prostituta sua mulher, como diz Condorcet, nas suas Réflexions sur l’Esclavage des Nègres; quanto a tais chacais e hienas a serviço dos burgueses, eu tomo a liberdade de dizer-lhes que, tarde ou cedo, sem eles ou com eles, há de se fazer uma reforma social contra “o Direito” de que são sacerdotes, pois o seu deus já está morto no coração da massa humana e só falta enterrá-lo, com o seu cortejo de apostilas e sebentas, de consolidações e manuais, não levando tal enterro senão as grinaldas dos arqueólogos, antiquários, geólogos e paleontólogos. Requiescat in pace! Muitas outras medidas radicais me ocorrem, como sejam: uma revisão draconiana nas pensões graciosas, uma reforma cataclismática no ensino público, suprimindo o “doutor” ou tirando deste a feição de brâmane do código de Manu, cheio de privilégios e isenções; a confiscação de certas fortunas, etc., etc. Iremos, porém, devagar e por partes; e, logo acabada esta guerra que é o maior crime da humanidade, quando os filhos e os outros parentes dos pobres-diabos que lá estão morrendo às centenas de milhares, ou se estropiando, tiverem de ajustar contas com esta burguesia cruel, sem caridade, piedade e cavalheirismo, que enriqueceu e está se enriquecendo de apodrecer, com esse horroroso crime, nós, os brasileiros, devemos iniciar a nossa Revolução Social, com essas quatro medidas que expus. Será a primeira parte; as outras, depois. Terminando este artigo que já vai ficando longo, confesso que foi a revolução russa que me inspirou tudo isso. Se Kant, conforme a legenda, no mesmo dia em que a Bastilha, em Paris, foi tomada; se Kant, nesse dia, com estuporado assombro de toda a cidade de Koenigsberg, mudou o itinerário da excursão que, há muitos anos, fazia todas as manhãs, sempre e religiosamente pelo mesmo caminho – a comoção social maximalista tê-lo-ia hoje provocado a fazer o mesmo desvio imprevisto e surpreendente; e também a Goethe dizer, como quando, em Valmy, viu os soldados da Revolução, malajambrados e armados, de tamancos muitos, descalços alguns, destroçarem os brilhantes regimentos prussianos – dizer, diante disto, como disse: “A face do mundo mudou.”. Ave Rússia! 


Do Portal Vermelho

Metroviários aprovam greve para o dia 1º de agosto contra terceirização das bilheterias

Reunidos em assembleia na última quinta-feira (20), os metroviários e metroviárias de São Paulo aprovaram a realização de uma greve de 24 horas no dia 1º de agosto contra a terceirização das bilheterias e as Reformas de Temer. Uma nova assembleia será realizada no dia 31/7 para ratificar a decisão.
A paralisação coincide com a greve dos ferroviários (todas as linhas) contra a iniciativa da CPTM de reduzir os salários da categoria.
Não é de hoje que os metroviários de São Paulo travam uma árdua luta contra a privatização do sistema e a tercerização das bilheterias.  Atendendo a pedidos das empresas interessadas, Alckmin adiou o leilão de privatização as Linhas 5 e 17 para 28/9. Mas as regras do leilão não mudaram e o lance mínimo continua sendo de R$ 189 milhões, cerca de 2% do que o Estado investiu na construção dos trechos.
De acordo com o sindicato, "também não muda o fato de que o leilão não envolve a construção das novas estações da Linha 5 e de todo o projeto do monotrilho. Todos esses gastos serão bancados pelo governo, ou seja, com dinheiro público!".
Portal CTB

Lula: “Se eu tiver um minuto, vai ser para reconquistar a democracia”

Ex-presidente afirma em ato em São Paulo que condenação na Lava Jato é infundada e sustenta outros interesses: “Como não podem me derrotar na política, querem me derrotar com o processo”.
Milhares de pessoas reuniram-se na Avenida Paulista na noite desta quinta-feira (20) para prestar solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado sem provas pelo juiz Sergio Moro, na Operação Lava Jato. A eles, Lula garantiu que vai dedicar cada minuto da sua vida à luta contra o golpe e pelo restabelecimento da democracia. “Não sei quanto tempo ainda tenho. A ‘Catarina’ anda rondando por aí. Mas quem não morreu de fome até os 5 anos em Garanhuns, não vai morrer aos 71. E se eu tiver um só minuto, vou dar esse minuto para que o povo brasileiro reconquiste a democracia e os direitos retirados”, afirmou o ex-presidente.
Lula voltou a dizer que a condenação é infundada e apontou para outros interesses que levaram a essa decisão. “Como não podem me derrotar na política, querem me derrotar com o processo. Todo dia é processo. Todo dia é inquérito. Todo dia é delação. Eu gostaria que o Ministério Público, a Lava Jato, a Polícia Federal, o Moro, se tiver uma prova que o Lula recebeu cinco centavos na Lava Jato, me prendam. O que não pode é, para me prejudicar, acabar com a Petrobras, com o BNDES, o Banco do Brasil, milhões de empregos”, afirmou.
Ironizando a devassa que sua vida sofreu, o ex-presidente disse que, ao procurar suas supostas contas fora do país, acabaram encontrando as do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Agora querem implicar com as poupanças que fiz para os meus netos”, disse. “O problema do país não é o Lula, é o golpe. É o presidente que puseram no lugar da presidenta Dilma [Rousseff]”, completou.
Ele criticou as reformas da Previdência e trabalhista. Destacou que, no início de seu governo, formou um fórum entre trabalhadores, empresários e governo para discutir melhorias à legislação trabalhista de 1943. “Os trabalhadores sempre se dispuseram a negociar. Quem não quis foram os empresários, liderados pela Fiesp, porque o que eles só queriam era rasgar a CLT e acabar com a lei trabalhista. Não aceitam que o trabalhador tenha férias, se aposente. O povo não nasceu só pra trabalhar. Agora querem que não possa se aposentar, e muitos que conseguem não dá nem pra comprar um remédio. Precisamos de um governo que não pense o país só para os ricos”, criticou.
Para o ex-presidente, a única saída para o país são eleições diretas. “O único jeito é o povo eleger um presidente que não tenha vergonha de olhar na cara do povo. Que não seja preconceituoso contra negros, mulheres, indígenas, pessoas com deficiência, LGBT. Alguém que defenda a soberania nacional e não fique só dizendo sim para os Estados Unidos e a Europa”, disse Lula, várias vezes interrompido pelos presentes com coros de “olê, olá, Lula, Lula” e aplausos.
“A elite deste país nunca gostou que pobre tivesse oportunidade de estudar”, disse Lula, destacando em seguida que a maior motivação para o golpe é o ódio dos mais ricos contra a mínima ascensão do povo pobre. “O que incomoda é pobre comprar uma casinha pagando prestação baixa. Até hoje não consigo compreender porque tanta raiva de que uma menina negra de periferia possa disputar uma vaga na universidade com o filho do rico”, completou.
A fala de Lula foi antecedida por uma interpretação da cantora Ana Cañas, à capela, de O Bêbado e o Equilibrista, canção de João Bosco e Aldir Blanc imortalizada por Elis Regina em 1979. “O Lula me disse que é a mais importante da vida dele”, contou Ana. O público foi ao delírio e ovacionou quando a cantora chegou aos versos finais: “(…) Mas sei que uma dor assim pungente / Não há de ser inutilmente / A esperança / Azar! / A esperança equilibrista / Sabe que o show de todo artista / Tem que continuar”.
 Fonte: Rede Brasil Atual

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Lula: "Moro é refém do pacto que fez com a imprensa"

 


Em entrevista aos jornalistas José Trajano, Juca Kfouri e Antero Greco, no canal de Trajano no Youtube, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as eleições de 2018 e os possíveis adversários. “Bolsonaro não disputa e, se disputar, não tem chance. Doria tem que provar, por enquanto não é nada. É só o João trabalhador que não trabalha. Governe São Paulo”, disse. “Pode ser o Alckmin ou podem tentar inventar alguém, não sei quem.” Disse ainda que quer voltar a ser presidente “para provar que é possível recuperar este país”.


Questionado sobre eventual candidato para ocupar seu lugar na disputa caso não participe da eleição, afirmou que poderia ser um dos governadores do PT ou mesmo Fernando Haddad. “Haddad pode ser uma personalidade importante, mas tem que percorrer o Brasil.” O PT hoje governa Minas Gerais (Fernando Pimentel), Bahia (Rui Costa), Ceará (Camilo Santana), Piauí (Wellington Dias) e Acre (Tião Viana).

Ainda sobre 2018, afirmou que gostaria que houvesse “uma penca de gente nova”, como alternativas eleitorais, e que Haddad poderia ser “um grande candidato” se tivesse sido reeleito. “Liderança política não se faz da noite para o dia. Para chegar à presidência precisa de um cara que tenha base, que (tenha gente que) defenda ele no bar.”

Lula comentou as decisões recentes do juiz Sérgio Moro, sua condenação e o despacho em que o magistrado sequestra seus bens e bloqueia suas contas bancárias. "Eu estou como o técnico do Corinthians, cada jogo é um jogo. Em algum momento vai se fazer justiça”, disse. “Acharam (conta no exterior) do Serra, do Aécio. Por que não acharam a minha? Eles não estão julgando o Lula, estão julgando um jeito de governar.”

Segundo Lula, a Lava Jato “montou um esquema de comunicação que nem partido político tem”. “Tudo tem que sair no jornal. Juiz não tem que se preocupar com a opinião pública.” A operação está “levando o país à destruição”, disse. E ele mesmo, pontuou, é vítima de uma perseguição diária. “Nem o velho Prestes sofreu o massacre que sofro todo santo dia.”

Ele mencionou o empresário Léo Pinheiro, da OAS, como personagem do qual a força tarefa da Lava Jato tentou de todas as formas obter informações que pudessem incriminá-lo, sem sucesso. “Ele está há dois anos preso. E não tem nada a falar do Lula. O que eles conseguiram? (Que ele dissesse) ‘o Lula sabia’.”

Entre jornalistas da área esportiva, Lula afirmou que tinha mais expectativas sobre o jogo Palmeiras x Corinthians do que sobre a decisão de Moro que o condenou a 9 anos e 6 meses. “Estava mais preocupado com o jogo, porque não sabia o que ia acontecer.” A sentença, disse, já era esperada. “Moro não tinha como me absolver. É refém do pacto que fez com a imprensa.” O Corinthians derrotou o Palmeiras por 2 a 0 no mesmo dia em que foi divulgada a sentença de Moro.

Lula mencionou o procurador Deltan Dallagnol, que ficou famoso pelas provas que exibiu à imprensa numa montagem de power point. “Aquele cidadão foi à Disney e criou aquela fantasia e a imprensa transformou em verdade.”

Lula e PT

O ex-presidente foi questionado sobre se, hoje, considera um erro não ter sido candidato à presidência da República em 2014, no lugar de Dilma Rousseff, e quais erros o PT e a ex-presidenta cometeram. Para ele, Dilma errou politicamente ao não privilegiar o diálogo. “A política não estava no cotidiano dela. Às vezes eu acho que ela achava que era perder tempo uma conversa. Mas se o cara foi eleito deputado, ele tem importância. Dilma tinha dificuldade na relação política”, disse.

Na condução da política econômica no segundo mandato de Dilma, Lula avalia que “faltou compreensão de que tinha que parar de desonerar”. Disse ainda que era preciso trabalhar com a arrecadação de maneira que esta “permitisse que o Estado continuasse a fazer as coisas em grau menor”. Eu pegaria 100 bi (das reservas internacionais) e faria investimento em infraestrutura. O pessoal quis cortar aqui e ali, cortar até aposentadoria do pescador.”

O ex-presidente foi questionado sobre por que, quando tinha mais de 80% de aprovação quando governou, não promoveu reformas estruturais como a tributária e política. “É muito difícil, porque quem é eleito não quer mudar (o sistema político). Quem tem que fazer a reforma politica são os partidos através dos seus deputados.” Ele observou que não acredita que a atual proposta de reforma, relatada pelo deputado Vicente Candido (PT-SP), será aprovada. “Vai terminar o prazo e não vai fazer.”

Sobre a reforma tributária, apontou dificuldades políticas que impediram o andamento de suas propostas. “Fiz dois projetos de reforma tributária. Fiz acordo com governadores, partidos, sindicatos, mandei ao Congresso na perspectiva que fosse aprovada por unanimidade. Mas o Arlindo (Chinaglia) deu na mão do Sandro Mabel (então no PR de Goiás), que foi relator. O primeiro a se rebelar foi Serra, que não aceitava conversar com Mabel”, contou. “A reforma tributária tem que ser feita ponto a ponto, e não num pacote como tentei. Tem que levar em conta que o pobre não pode pagar mais imposto do que o rico.”

Assista à integra do "Na sala do Zé"

 


 Fonte: Rede Brasil Atual

Paulista ocupada em defesa de Lula, da democracia e contra Temer

  


Entre os militantes, jovens e idosos, integrantes da população LGBT, negros, ativistas de movimentos de moradia, de sindicatos, entre outros. Os manifestantes fazem uma verdadeira festa na Paulista com batuques e bandeirões. “Eleição sem Lula é fraude” são as palavras desenhadas no maior deles.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou estar "indignado com tanta destruição que quero dar alguns recados. Moro, você é um covarde. Juiz não é isso, juiz é imparcial. Moro, você é um fantoche da Globo. Quero ver bloquear as contas do Aécio com as malas de R$ 500 mil. Também quero dar um recado para a Fiesp e para a Globo, o Temer é um personagem menor. Quem comanda é o capital e a Globo, a turma do pato amarelo, os irresponsáveis que se aliaram a Cunha e Aécio".

"Diziam que era só tirar a Dilma que tudo se resolvia. Hoje temos 14 milhões de desempregados, o Brasil voltando para o mapa da fome. Eles não ligam para o povo, a cabeça deles é escravocrata. Querem só reduzir salário e não reduzir o lucro deles. Nunca aceitaram pobres em universidades, pobres em aeroportos. Querem agora fazer uma a eleição sem o Lula. Pensam que somos bestas. Arrumem um candidato e venham disputar nas urnas", completou.

Por fim, o senador mandou um recado ao ex-presidente: "Lula, eu sei que não está fácil. Você perdeu dona Marisa. Para mim, foram eles que a mataram porque ela não aguentou tanta pressão. Mas quem precisa do senhor são os pobres deste país. Antes do senhor ser presidente, morria uma criança a cada cinco minutos no país. Hoje, acabamos com isso".

Já a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, disse que "hoje é mais um capítulo da luta em que o povo ocupa as ruas do Brasil para dizer que o povo não aceita os ataques à democracia no nosso país. O Judiciário condenou o Lula sem provas e de forma injusta. O Brasil não é um país onde o povo abandona sua nação. Por isso, estamos nas ruas para defender Lula e a democracia. Não queremos reforma trabalhista e da Previdência, queremos novas eleições".

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) destacou que "as elites brasileiras não aceitaram a vontade do povo em 2014, que pela quarta vez derrotou os conservadores brasileiros. Agora temos que defender a democracia brasileira. E a democracia brasileira se chama Lula. O crime de Lula foi tirar 22 milhões de pessoas da pobreza, foi fazer a primeira mulher presidenta, fazer o país ser reconhecido e respeitado no mundo todo. Com o Temer, o Brasil passa vergonha".

Presidente da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, disse que “a condenação de Lula é mais um passo do golpe que começou com o impeachment da presidenta Dilma, passa pela retirada de direitos através das reformas trabalhista e da Previdência. Tudo isso é um golpe contra o povo trabalhador desse país. Não podemos aguentar isso”.

Presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores, Luiz Gonçalves, o Luizinho, afirmou que “queremos Lula em 2018 como candidato. Queremos o maior presidente da história deste país nas eleições de 2018. Vamos nos organizar para defendê-lo. Não queremos mais alianças com golpistas. Queremos uma grande aliança com partidos e movimentos que defendem o povo, a cultura e os programas sociais”.

Presente no ato, a vendedora ambulante Maria da Luz, que veio há 15 anos do interior do Piauí para a capital paulista, também deixou suas palavras de defesa ao ex-presidente. “A condenação do Lula é injusta. Ele trabalhou muito, fez muito pelo Brasil. O povo não reconhece. O Brasil não vai para frente do jeito que está. Ele fez muito pelos pobres e pelos ricos, mas os ricos não veem. Então, eles falam do Bolsa Família, chamam os pobres de miseráveis que não querem trabalhar. Eles querem tirar isso para ver o pobre na miséria”, disse.

Já a professora Carmen Perl disse estar "entrando em depressão" com o atual cenário político brasileiro. "Quero o Brasil de volta, quero voltar a sorrir, quero acordar tranquila. Chega, estou ficando deprimida com tudo que está acontecendo no Brasil. Injustiças. Fora Temer, Moro canalha e Aécio na cadeia. Vamos resgatar nossa democracia", disse.

"Convivi com a ditadura e vivi o FHC. Períodos de trevas, desemprego. As pessoas viviam na miséria, as crianças nas ruas. Ninguém lembra disso. Até nas músicas falavam, era horrível. Crianças abandonadas. Tudo muito difícil. Estamos vendo que agora vamos voltar para esse sistema de castas, como era na época do FHC", completou Carmen. 


 Fonte: RBA