ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65
CAMPANHA MOVIMENTO 65

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Luciana Santos: "Nos aproximamos de uma batalha decisiva"

O Comitê Central do PCdoB realizou neste final de semana sua 8a Reunião Plenário do atual mandato, iniciado no final de 2013. Na pauta a situação política brasileira no atual quadro da crise política e a atuação do partido na luta em defesa de democracia e contra o golpe, além de outras questões como informações sobre o projeto eleitoral e planejamento partidário.


Richard Silva
 
 

A abertura da reunião da direção nacional do PCdoB ocorreu na noite de sexta-feira (08) e na ocasião foiaprovada um nota de repúdio dos comunistas ao ataque de pistoileiros e policiais militares Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, no Paraná, quando morreram dois trabalhadores rurais e sete ficaram feridos. Em seguida, a presidenta nacional do partido, deputada Luciana Santos (PE), apresentou seu informe político.

A presidenta Luciana Santos iniciou sua intervenção classificando a reunião como histórica já que ocorre no marco das comemorações dos 94 anos de existência do Partido Comunista do Brasil, em um momento histórico para nosso país. Nós nos aproximamos de uma batalha decisiva para o povo brasileiro, na qual nosso partido tem tido um protagonismo extraordinário, que ultrapassa em muito o tamanho de nossa bancada”.

Luciana afirmou que o PCdoB é um partido distinto, cuja existência transcende o parlamento. “Somos um partido entrelaçado à sociedade, temos vínculos fortes com as lutas sociais, com a juventude, com o movimento dos trabalhadores, atuamos na gestão de cidades, contribuímos com quadros para a condução de ministérios, atuamos na luta de ideias, dentre tantas outras frentes e áreas”, enfatizou. 

Ainda falando sobre o partido, a presidenta afirmou que “a inteligência coletiva do PCdoB, patrimônio maior do nosso partido, é feita desta seiva. São em reuniões como esta que atualizamos nossa estratégia, ajustamos a tática. É o momento em que armamos o partido para as batalhas em curso e para as que virão” e destacou o protagonismo do aguerrida bancada comunista do Congresso Nacional.

Segundo a presidenta comunista “o Brasil vive dias decisivos. Às vésperas de completarmos 200 anos como um Estado independente e soberano, setores de nossa elite nos colocam novamente em uma encruzilhada. Ou continuamos avançando rumo a um país mais desenvolvido, econômica e socialmente; ou podemos regredir a décadas, produzindo graves sequelas, políticas econômicas, sociais e institucionais”. 

Cenário internacional

A dirigente nacional dos comunistas iniciou sua intervenção avaliando o quadro internacional que para ela “tem entre seus traços dominantes, dois fatores estruturais que se entrelaçam: a insolúvel crise do sistema capitalista, que em sua terceira fase atinge os países emergentes; e as disputas em torno do reordenamento internacional, onde as potências imperialistas operam reações à tendência de multipolaridade”. 

“A atuação das potências imperialistas, lideradas pelos EUA, é o esforço de manter o status quo atual, impedindo a emergência e a consolidação de novos países, e blocos de países, como polos de poder. O alvo prioritário do imperialismo é a desarticulação de alianças e blocos como é o caso do BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que com o passar dos anos tem ganhado densidade e objetivos políticos e econômicos mais nítidos”, afirmou Luciana.

A presidenta do PCdoB referiu-se ao ambiente conflituoso no Oriente Médio e destacou que “a participação russa no conflito sírio é indicador da mudança de atitude do país frente aos constantes cercos produzidos pelas grandes potencias”. Ao falar sobre os refugiados da guerra na Síria, Luciana disse que eles “expõem a dimensão humana da tragédia, colocam a nu a face mais cruel do capitalismo e de suas guerras”.

Estados Unidos e América Latina

Sobre a disputa eleitoral nos Estados Unidos, Luciana afirmou: “Os efeitos da crise econômica se fazem sentir na disputa eleitoral americana, com duas candidaturas atípicas e fora do establishment do bipartidarismo americano, Bernie Sanders e Donald Trump. O Partido Republicano vive hoje contradições profundas, devido a candidatura Trump, ela não conta com o apoio dos principais líderes do partido, que apostam em Ted Cruz como uma alternativa conservadora mais confiável. Enquanto Sanders ganha apoio na juventude, Hillary Clinton, faz acenos a políticas sociais”. Para ela “a tendência é termos um novo governo com uma política internacional que respeite menos as normas internacionais, fazendo uso da força para impor seus objetivos.

Luciana Santos afirmou que “as dimensões geopolíticas da crise internacional também afetam a América Latina, e ampliam a disputa pelos rumos que a região irá tomar. Passada uma década e meia, desde do início do atual ciclo político as forças conservadoras, embaladas pelas consequências da crise econômica, voltam a ganhar terreno na região (...)Após revezes políticos na Venezuela, na Bolívia e mais recentemente na Argentina o jogo ganha um novo equilíbrio de forças”. Para ela “não se trata do fim do ciclo protagonizado pelas forças progressistas, mas bem coloca sobre a mesa a necessidade de renovarmos, atualizarmos, os projetos de desenvolvimento em curso. Até porque, o que as forças conservadoras buscam apresentar como novidade são as mesmas medidas neoliberais adotadas na década de 1990 e que levaram a região ao flagelo político, econômico e social”. 


Sobre a visita de Barack Obama a Cuba, Luciana classificou como um fato histórico e registrou que foram assinados acordos
 que normalizam o funcionamento de correios entre ambos países, bem como a instalação de empresas na Zona Especial de Mariel. A dirigente destacou porém que o presidente Raúl Castro reconheceu a importância das medidas adotadas pelo presidente Obama, no entanto, afirmou que as mesmas são insuficientes. Destacou ainda que “em um aparente jogo combinado, o líder histórico da revolução cubana Fidel destacou que o processo de reaproximação não representa a renúncia do caminho e das conquistas que o povo cubano adquiriu ao longo dos anos de revolução”. 

A partir da observação do quadro internacional, Luciana Santos conclui que “talvez o aspecto mais importante que tenhamos de extrair desta análise é o de que existe uma dimensão nacional nessa disputa pelo reordenamento internacional. O jogo de interesses que regem as disputas pela consolidação, ou não, de um cenário de multipolaridade possui impactos diretos no Brasil. Conter o Brasil, fragilizar os países de seu entorno estratégico, fragmentar a constituição de um bloco regional com políticas autônomas, contribui em último caso para a manutenção do status quo atual”.

Crise econômica internacional

Luciana Santos registrou que de acordo com a Agencia das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), o mundo vive a terceira fase da crise econômica de 2008 e seus efeitos são sentidos nos países em desenvolvimento, como o Brasil, China, África do Sul, entre outros. Já a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o ano de 2016 será decepcionante, com ameaça de novos riscos. Os índices de crescimento da economia variam em torno de 3,5%, sendo classificado como “medíocre, frágil e permanecerá abaixo das tendências históricas do pós-guerra, ninguém sabe por quanto tempo” pelos participantes de uma reunião recente envolvendo FMI, OMC, Banco Mundial, OCDE e OIT junto com Angela Merkel, informou a dirigente nacional do PCdoB.

Usando dados do economista marxista britânico Michael Roberts, Luciana afirmou que a situação da economia global pode ser assim resumida: (i) novo impulso especulativo nas bolsas de valores, ao lado do crédito farto e barato; (ii) preços baixos da energia (petróleo);(iii) aumento do endividamento empresarial privado; (iv) desaceleração do crescimento econômico e queda dos investimentos e lucros. O que levou Roberts a concluir “alguma coisa tem que acabar explodindo”.

Outras duas questões também foram abordadas por Luciana Santos foram a crise do petróleo, cujo preço do barril ainda está longe de voltar a subir aos níveis próximos de 100 dólares, e as mudanças no modelo de desenvolvimento chinês, a partir de agora mais voltado para o consumo interno. 

Ao Brasil cabe adequar, da mesma forma que outros países, seu modelo de desenvolvimento a esta nova realidade. O país deve buscar formas de diminuir a vulnerabilidade das pressões externas, sem deixar de combater as disparidades internas”, concluiu Luciana. 

A crise política e a economia do Brasil

Ao abordar a situação nacional, Luciana Santos afirmo que “se bem é certo que os fatores externos afetam a econômica brasileira, hoje, no entanto, o principal fator limitador da superação das dificuldades econômicas é a instabilidade política, que cria dificuldades para adoção de medidas de superação da situação”. Os índices econômicos em relação ao desempenho do PIB, da produção industrial, do desemprego, da queda da arrecadação são, em geral negativos.

Neste cenário, a presidenta destacou algumas medidas importantes do governo federal, sendo que parte delas não ganharam a visibilidade, e mesmo não foram implementadas devido à crise política. Entre as medidas estão a Medida Provisória 703 dos Acordos de Leniência; a manutenção da política de valorização do salário-mínimo, com o atual aumento de 11,68%; seção da lei de repatriação; renegociação das dívidas com Estados e municípios, e alongamento das dívidas, a adoção de uma taxa de câmbio que ajudou na retomada da indústria manufatureira, a instituição do programa Brasil mais produtivo e a importante redução do superávit primário que saiu dos R$ 24 bilhões para R$ 2,8 bilhões. 

A luta pela democracia e contra o golpe

A presidenta Luciana Santos fez uma detalhada exposição sobre o período recente da luta contra a tentativa golpista tramada e executada pelo consorcio oposicionista, composto por setores do poder judiciário, partidos da oposição de direita e da grande mídia. Segundo Luciana os últimos meses tem sido marcados por uma intensa agenda política, numa trajetória que lembra uma “onda senoidal”, com seus altos e baixos, com seu movimento pendular. Se bem o governo vinha no período do início do ano recuperando a iniciativa política, e as próprias forças da oposição colocavam como algo fora da agenda o impeachment, a Operação Lava Jato, contribuiu para o retorno da instabilidade”. 

Afirmando que a Lava Jato está a serviço da campanha do impeachment, Luciana registrou as ações da operação judicial e policial em sintonia com a mídia golpista tendo como alvo favorecer a iniciativa golpista. Como demonstra a declaração do seu coordenador no Minstério Püblico Deltan Dallagnol de que não pretende investigar governos anteriores e que o foco é a força política que dirige o país, e não outras agrupações políticas.

Luciana afirmou que esta situação gerou um tensionamento na sociedade levou que gerou cenas chocantes de violência e intolerância chocaram a muitos ao ponto do cardeal-arcebispo de São Paulo ser durante uma celebração da agredido da Páscoa, devido a posição de CNBB contrária ao golpe, além de intimidações a um ministro do STF; agressões as sedes do PCdoB, PT e de entidades como a UNE.

Para Luciana a harmonia não prevalece no campo oposicionista diante das dificuldades que a cruzada golpista encontra. No PSDB, em luta fraticida, há divergências se o melhor caminho é o impeachment ou a cassação via justiça eleitoral. Os tucanos também temem perder o protagonismo num governo do peemedebista Michel Temer. Setores da mídia também se dividem entre o impeachment ou a exigência de que Dilma renuncie.

Sobre o PMDB, Luciana Santos registrou que a decisão do grupo liderado pelo vice Temer, classificando por Renan Calheiros como pouco inteligente, pode custar caro para este campo político. Para ela o fato revela que Temer não tem a força que imaginava e expõe um perfil do PMDB que não é aceito pela sociedade como alternativa de poder.

Em sua exposição, Luciano Santos abordou a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o pedido de impeachment que para ela nasceu de um modo desequilibrado em que funções principais – presidente e relator - não expressam um equilíbrio de forças que compõem o parlamento. 

Segundo Luciana, nesta situação, “o relatório apresentado pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que endossou o pedido de Janaína Paschoal, Miguel Reale Junior e Hélio Bicudo de afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República por crime de responsabilidade, não é uma surpresa. Ao contrário, trata-se de uma peça pré-fabricada, que não levou em consideração as argumentações formuladas pela defesa da presidenta Dilma”. O relatório ignorou a defesa feita pelo ministro José Eduardo Cardozo, da Advocacia Geral da União, “refutando de modo consistente todas as questões apresentadas na denúncia, e demonstrando que elas não possuem fundamentação jurídica”. 

Para a presidenta do PCdoB “a tendência maior é de que a votação do relatório na comissão seja apertada tanto para a oposição como para o governo. De modo geral geral, existe consciência de que há uma tendência maior de o relatório ser aprovado, devido à composição da comissão”. Para ela “o central é a batalha no Plenário da Câmara de Deputados, onde ocorrerá a batalha decisiva”. 
A batalha em curso, segundo Luciana Santos, deu novamente protagonismo às forças políticas de centro, um fenômeno da realidade política brasileira há muitos anos, que poderá ser uma peça determinante para a vitória do impeachment, bem como para o cenário posterior. Parte do PMDB, do PP, e de tantas outras siglas que surgem podem ocupar esta franja viva, dinâmica do cenário político brasileiro e ajudar a barrar o golpe.

A presidenta do PCdoB abordou o que seria um plano de governo de Michel Temer, ser este assumir a presidência da República. Para ela é um conjunto de pérolas ultraliberal, que visa deslocar os direitos sociais, eliminar as vinculações orçamentárias como os recursos de saúde e evidencia. É uma verdadeira ameaça a direitos sociais e trabalhistas. O sistema de financiamento da Educação e da Saúde Pública, que garante um patamar mínimo de receitas, estaria comprometido com o fim de todas as vinculações. Da mesma forma, toda a legislação trabalhista estaria ameaçada, em especial o sistema de aposentadoria. O projeto “Ponte para o futuro” é explícito ao definir o fim da política de reajustes reais anuais do salário-mínimo e da vinculação do piso dos benefícios da previdência”.

Resistência ao golpe

Para Luciana, entretanto, um governo Temer vai se tornando cada vez mais improvável em face também da falta de apoio externo como ficou demonstrado no cuidado dos presidentes Obama e Macri em dar apoio a um governo ilegítimo. Organismos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e a do secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) também defenderam o respeito a legalidade no Brasil. De igual modo, somam-se os pronunciamentos dos presidentes Evo Morales, Rafael Correia, Nicolas Maduro, Tabaré Vasquez e mais recentemente Michele Bachelet. Soma-se a isto uma ampla jornada de mobilizações em cidades do mundo afora. De acordo com levantamentos preliminares, ocorreram manifestações em defesa da democracia e contra o golpe em cerca de 190 cidades ao redor do mundo.

Internamente, segundo a dirigente comunista, vem crescendo a consciência democrática no seio da sociedade brasileira. Mesmo pessoas que divergem do governo, que possuem uma visão crítica de suas ações, somam-se na defesa do Estado Democrático de Direito e do mandato legítimo da presidenta Dilma. 

Para Luciana, “o povo nas ruas é a força dinamizadora das transformações. Desde as manifestações realizadas no último dia 18 de março, o perfil dos manifestantes vem mudando. Cada vez mais é visível a presença de pessoas que não atuam em organizações, mas que se somam ao clamor geral. São inúmeras as demonstrações de personalidades do mundo artístico, jurídico, de intelectuais, governadores, expoentes inclusive da oposição, que têm se posicionado contra o impeachment”. Para ela “tornou-se claro para a opinião pública que, de fato, é um golpe que está em curso. A campanha midiática foi parcialmente neutralizada, e as ruas se transformaram novamente em um sujeito político em condições de virar o jogo”. 

Segundo Luciana a vitória é possível mas “não se trata de um percurso sem tensão, ou problemas. Devemos, com habilidade e firmeza, tratar destas tensões, para que não haja dispersão nesta reta final”. Para ela a pressão social terá grande importância. “Caravanas e acampamentos em Brasília; pressão sobre os parlamentares em suas cidades; realização de shows, peças, vídeos buscando manter em ascensão a mobilização social. Ela será determinante para a reta final. E não devem parar por aí, pois uma vez derrotado o impeachment, muitas outras disputas tendem a ocorrer”, afirmou. 
E se a vitória no parlamento for das forças golpistas, teremos que organizar uma jornada maior de ações, lutas e resistência. Que saibam e que lhes fique claro que haverá luta. 

Justa formulação em defesa da democracia 

“Podemos afirmar que tem sido correta a tática defendida pelo partido, até este momento, com todas as oscilações da conjuntura. A justeza da linha política adotada, somada à aguerrida bancada federal e a nossa militância nas ruas, tem feito com que o PCdoB jogue um papel de destaque na atual crise política”, afirmou Luciana ao se referir à atuação do partido. 

Segundo a presidenta do PCdoB, “quando realizamos a nossa conferência nacional em maio de 2015, afirmávamos que deveríamos construir uma frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia. Denunciávamos desde então que estava sendo orquestrado um golpe, de novo tipo, liderado por um consórcio que envolvia o judiciário, a grande mídia e a oposição”.

Luciana Santos recordou que foi do Maranhão, em ato com o governador Flávio Dino e a presidenta Dilma, que em agosto de 2015 começou a ecoar a palavra de ordem que tem sintetizado a defesa da democracia e do Estado de direito: Não vai ter golpe. 

“Defendemos, e continuaremos a defender, que o centro desta frente deve ser a defesa da democracia, a defesa do Brasil e da retomada do desenvolvimento. Não cabe neste momento hegemonismos, sectarismos e exclusivismos. Este seria o caminho para a derrota”, concluiu, destacando ainda o papel estratégico da construção da Frente Brasil Popular, um exitoso esforço de congregar em um mesmo espaço de articulação as forças dos movimentos sociais, os partidos políticos, as centrais sindicais e entidades diversas da sociedade. Por isso, orientou a presidenta, “a construção da Frente nos estados, nas cidades é uma tarefa que deve estimular a todos os nossos militantes e dirigentes”. 

Um novo pacto em defesa do Brasil, da democracia e do desenvolvimento

Mesmo diante de um cenário extremamente desfavorável, o despertar da consciência democrática e a força das ruas é possível pens na derrota do impeachment, acredita Luciana Santos. Para ela “mesmo com um presente tão incerto, torna-se necessário olhar o dia de amanhã, e construir caminhos e alternativas políticas dentro da legalidade para enfrentarmos a crise política e econômica que assola o Brasil”. 

Luciana Santos considera que “uma vez vencida a batalha do impeachment, é necessário virar a página do quanto pior melhor. Torna-se imperativo colocar o Brasil em primeiro lugar, construindo um amplo acordo com forças políticas e sociais, e com os setores produtivos. O objetivo deste pacto deve ser a retomada do crescimento econômico, adotando medidas para enfrentar a crise, com garantia dos direitos conquistados nos últimos anos”. 

Entre as bases do pacto político está o respeito pela democracia e pelas regras do jogo, que estabelece que as próximas eleições presidenciais serão em 2018. “Não existe pacto, não existe saída sem o respeito a este princípio. Qualquer equação que não se fundamente nele estará fadada à ilegitimidade e à contestação nas ruas e nos tribunais”, afirmou a presidenta ao membros da direção nacional do PCdoB. 



Do Portal Vermelho

domingo, 10 de abril de 2016

João Bosco e Aldir Blanc convocam para ato em defesa da democracia no dia 11

Cresce a mobilização contra a trama golpista de setores da elite inconformados com as políticas de combate às desigualdades dos últimos anos.
Agora os compositores consagrados da MPB João Bosco e Aldir Blanc convocam para o ato “Cultura pela Democracia”, nesta segunda-feira (11), nos Arcos da Lapa, Rio de Janeiro, às 17h, no histórico palco da Fundição Progresso.
Veja o que dizem os músicos:

Entre muitas atividades espelhadas pelo país cokm a participação de muitos artistas, Chico Buarque e Wagner Moura lançaram um manifesto e fizeram o mesmo convite. Tudo porque está programado para às 17h desta segunda, a votação do parecer do relator da comissão que analisa o impeachment, Jovair Arantes (PTB-GO), na Câmara dos Deputados.
Autores de clássicos da MPB como “O bêbado e a equilibrista”, consagrada na voz de Elis Regina como o hino da anistia política de 1979. A dupla também é responsável por “Mestre sala dos mares”, que conta a saga do marinheiro negro João Cândido na luta contra o racismo.
Na voz de Elis Regina "O bêbado e a equilibrista" (Aldir Blac e João Bosco):
Além de “Kid Cavaquinho”, “De frente pro crime”, Ronco da cuíca”, entre muitos outros grandes sucessos. “A gente viveu a ditadura, o arbítrio, a tortura e a gente não quer isso de volta”, menciona Blanc.
O movimento “Cultura pela Democracia” contribui para a mobilização das forças sociais progressistas, democráticas e populares contra o golpe aos direitos conquistados da classe trabalhadora e às liberdades democráticas.
Tanto que o ator gaúcho Antonio Carlos Falcão afirma que “para mim, não tem outra forma de pensar como artista, a não ser se engajar nos movimentos políticos, sociais, se importar com o país e usar isso como força para ajudar o movimento”.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

Golpistas sentem a força das manifestações populares e Veja faz editorial surpreendente

O site Brasil 247 comentou editorial da revista Veja (que começa perder o status da mais panfletária do país para a IstoÉ), onde a publicação da editora Abril reconhece que o impeachment não passará na votação do plenário da Câmara dos Deputados. A semanária de (des)informação aponta três pontos principais para a derrota iminente:
1) O impeachment não passará na Câmara dos Deputados.
2) Não há lisura no processo que vem sendo conduzido na casa.
3) Eduardo Cunha abriu o processo por vingança, confirmando o que vem sendo dito tanto pela presidente Dilma Rousseff como pelo ministro José Eduardo Cardozo.
Para a revista, "desmoralizado por propinas e contas secretas na Suíça, Cunha com sua presença, contamina a lisura do impeachment". E "faz parecer, como alegam petistas e sequazes, que a corrupção é apenas um pretexto para tirar Dilma do poder. Pior: deu ao governo a chance de alegar, com razão, que o processo de impeachment só foi instalado na Câmara por um ato de 'vingança' de Cunha. Brasília inteira sabe que, de fato, o deputado se revoltou com a recusa do PT em preservar seu pescoço da guilhotina na comissão de ética."
Também afirma que "Cunha é o aliado errado. Se, por algum infortúnio, o impeachment de Dilma não prevalecer na Câmara, os políticos que aceitaram a aliança com Cunha talvez tenham algo a dizer aos milhões de cidadãos que lamentarão a derrota".
O editorial da publicação da família Civita mostra que as forças democráticas e populares brasileiras unidas podem impulsionar o país para a frente e impedir qualquer retrocesso. Se os deputados querem mesmo ouvir a voz das ruas aí vai: "Não Vai Ter Golpe".
Nem os discursos dos oposicionistas na Comissão do Impeachment na Câmara apresentam qualquer acusação de ilítico que se possa levar em conta contra a presidenta Dilma.
Pesquisa mostra Lula em curva ascendente
data folha 192812
data folha 292813
No sábado (9), o Datafolha publicou uma pesquisa sobre a corrida presidencial, na qual o ex-presidente Lula mostra crescimento, espantoso para quem não acompanha o movimento popular que de umas semanas para cá tomou as ruas do país contra o golpe.
Em todos os cenários Lula cresce e os três possíveis candidatos do PSDB caem. Com Aécio, Lula aparece me primeiro com 21% e o tucano com 17%. Quando o candidato do PSDB é Alckmin, Lula aparece com 22% em empate técnico com Marina que tem 23% das preferências no momento, mas a candidata aparece ou estagnada ou em queda.
Virou piada na internet um ato falho do jornal Folha de S.Paulo onde diz que a candidata Marina "subiu" fortemente de 23% para 23%.
No cenário 3, com Serra candidato do PSDB, Lula fica com a preferência de 22% das eleitoras e dos eleitoras, empatado com Marina. Já com os três tucanos na disputa a situação de Lula fiaca ainda melhor. O petista sai do empate técnico e aparece com 21%, enquanto Marina aparece em segundo lugar com 16%.
A pesquisa, realizada entre os dias 7 e 8, mostra também queda de sete pontos percentuais, em menos de um mês, no apoio ao impeachment, eram 68% há três semanas e agora são 61%. Outro dado importante de se notar é que 40% dos pesquisados escolhem Lula como o melhor presidente da história do país.
Parece que a força das ruas começa atingir à população brasileira e que a classe trabalhadora começa a entender o prejuízo que seria um golpe de Estado no país. 
Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy  com Datafolha, Jornalistas livres, Brasil 247 e Portal Vermelho

A produção fabril e Manoel de Barros

Manoel de Barros descobriu que a riqueza está presente nas coisas simples, e que essa riqueza libera o homem para usufruir o que a vida tem de desconhecido.

Por José Carlos Peliano


A invenção da semana foi uma maneira inteligente de nos fazermos lembrar que a vida deve ser levada por etapas, dia a dia. De segunda a domingo e assim sucessivamente. Se bem que há diferenças: a sexta feira é o melhor dia da semana, porque traz logo em seguida o descanso de sábado e domingo, e domingo à noite o período do limbo, porque abre no dia seguinte, segunda feira, a semana de trabalho.

Assim, a repetição das semanas nos faz instruir que cada dia é um novo dia, quando se abrem possibilidades de não só encerrar ações e atividades anteriores assumidas, quanto nos favorece com chances de novas ações e possibilidades para melhorar de vida. E segue o barco dias afora.

O resultado final é o de nos entronizar na tessitura da vida social e econômica, incluindo na primeira as dimensões política e cultural. Repetir cada dia de cada semana como nova janela de admissão à vida que nos sobrou da noite passada. Nessa repetição, entretanto, há duas maneiras de vê-la.

Na vida ocidental, industrial e urbana, aos poucos sendo incorporada também a área rural, a tradição trazida desde o advento da máquina na produção de bens e serviços, combinada com a religião reiterada pelos arautos do progresso material, martela a convicção assumida pelos cidadãos de toda a parte desse planeta de que se deve repetir, repetir, repetir, cada dia de toda semana, para que se faça o mesmo de modo mais eficiente, eficaz e produtivo. Lucrativo ao final das contas.

Na percepção fina, arguta e sábia de Manoel de Barros, o grande poeta mato-grossense, hoje ordenhando nuvens e borboleteando estrelas, todos nós, ao contrário do peso imposto pelo trabalho secundado e minutado pelo relógio, devemos repetir, repetir, repetir, cada dia de toda semana, para que se faça o mesmo de modo diferente, mais criativo, prazeroso e suficiente.

Entre esses limites deve estar a melhor maneira de levar a vida, embora o peso do espirito capitalista supere o espírito Manoelista, claro! Dirão os engravatados e as customizadas, que Manoel era avoado, desparafusado, um “poeta” entre aspas mesmo. Para esses, Manoel era moldado em barros, diversificado, imponderável, daí não entender o primado e o propósito da produção fabril repetitiva e sequenciada.

Não é verdade, porém, que ele desconhecia a repetição e o sequenciamento. Tanto conhecia que vislumbrou e utilizou em sua vida a repetição para sequenciar outras formas diferentes de ver, entender e refazer o mundo. E não é a isso que o sistema japonês de produção industrial chegou perto ao rever a sequência fordista? Reorganizou a linha de montagem em ilhotas produtivas no chão da fábrica para produzir o mesmo de forma diferente?

Só que, por suposto, prevaleceu o espírito capitalista: produzir o mesmo de forma diferente mais eficiente, eficaz e produtivo porém. E ao final, escusado outra vez dizer, mais lucrativa.

O espírito Manoelista foi achado na natureza, diretamente dos bichos, das árvores, das águas dos regatos, das sombras das lagartixas, enfim, foi formado pela observação da simplicidade, da temporalidade e da “economicidade” da harmonia reinante no meio ambiente. 

Manoel de Barros foi um ambientalista autodidata, além de humanista e fazendeiro do ar, como diria Drummond. Aprendeu, em suas palavras, “renovar o homem usando borboletas”, que “a maior riqueza do homem é a sua incompletude”, e que não aguenta “ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis …”.

Manoel contrapõe viver com simplicidade ao viver pelo consumismo extremado. Descobriu a sua maneira, como tantos outros, que a riqueza está presente nas coisas simples, sejam elas quais forem. Essa riqueza libera o homem para descobrir a vida e dela usufruir o que ela tem de desconhecido, bom e melhor. Especialmente a relação social com todos os outros seres vivos da natureza.

Subjugou o tempo ao seus interesses, desejos e maquinações. Não ficou prisioneiro do relógio que não lhe dava tempo para ter tempo para fazer o que queria, mesmo sendo coisa alguma. O dia a dia lhe valia mais que as imposições da cultura, tradições e costumes. Um rebelde com causa.

Sua economia de tempo lhe rendeu uma das obras mais ricas, intrigantes e brilhantes da poesia brasileira. Nossa literatura não seria a mesma sem ele. Aprendeu a brincar com as palavras que lhe vinham da observação aguçada e engenhosa dos mundos: ao seu redor e ao seu interior.

Um poeta que mostrou como a vida econômica poderia ser mais salutar e justa e menos desigual. Era um dos 99% pelo pouco que lhe fazia viver, mas um do grupo do 1% pelo muito que retirava do pouco que tinha. Não lhe interessava consumir coisas padronizadas, mas apenas coisas sem vitrines. Não lhe interessava acumular notas e valores financeiros, mas tão somente notas e valores pantaneiros.

Seu programa pessoal de austeridade incluía não ter mais que o necessário para andar, vestir, alimentar, manter a casa, trabalhar e passear. Viver era sua maior recuperação social e econômica, com os amigos, com os seus bichos, com a natureza. Especialmente com o amigo que pouco falava, mas encantava pássaros.

Ao contrário da austeridade da Sra. Lagarde, da turma do FMI, dos senhores do BCE e da União Europeia, além do recém eleito [presidente argentino Maurício] Macri. Todos eles não leram Manoel de Barros, mas se enlamearam no barreiro que fizeram nos países aos quais recomendaram ou aplicaram a austeridade financeira.

Estudo da Universidade Católica da Argentina mostrou que, com a chegada de Macri ao poder, a pobreza no país deu um salto de 29% de dezembro do ano passado para 34,5% agora em março. Cerca de 1,4 milhão de argentinos foram responsáveis pelo aumento dos pontos percentuais da pobreza.

O aumento da pobreza veio pela desvalorização da moeda argentina em 30%, além da inflação resultante do corte de subsídios e do aumento do gás em torno de 300% e da tarifa de água perto de 375%. Nesse pacote de austeridade entra também o aumento da tarifa de ônibus e do preço final da gasolina.

A austeridade de Manoel de Barros era para si próprio, mas no sentido de viver bem e melhor com pouco, já a austeridade de Macri e demais integrantes do 1% é a de retirar dos outros, dando-lhes inflação e desemprego. 

Há que se ensinar o poder do remediado, mas afluente de vida, Manoel de Barros, desde o jardim da infância para derrubar a visão hegemônica do austericídio dos endinheirados, mas miseráveis de vida.



 Fonte: Carta Maior
C/ Portal Vermelho

O plano ultraliberal do pós-impeachment

Quebra-cabeças: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique, Armínio Fraga e Henrique MeirellesQuebra-cabeças: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique, Armínio Fraga e Henrique Meirelles

"Uma Ponte Para o Futuro’, o eventual Plano de Reconstrução Nacional apresentado pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), para assumir o Palácio do Planalto, caso se consolide o golpe institucional do impeachment da ex-guerrilheira da VAR-Palmares Dilma Vana Rousseff Linhares, é ultraliberal, concentracionista e com conteúdo neoliberal.

Por Renato Dias*, especial para o Vermelho


| "A estratégia para eventual era pós-Dilma
Rousseff inclui a adoção de reformas
liberais, com a diminuição do tamanho
do Estado, a retirada de direitos dos
trabalhadores e a abertura comercial". |

O pacote contém a proposta, a ser aprovada ainda no Congresso Nacional, de elevar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos de idade, para os homens. Mais: de 60 anos, para as mulheres. Uma Reforma da Previdência que nem o príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), conseguiu aprová-la durante o seu reinado – 1995-1998 e 1999-2002.

Medidas liberais
Michel Temer, com a bênção do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), campeão em aparições nas Operações da Lava-Jato e do Panamá Papers, quer também liquidar com os porcentuais de despesas obrigatórias, como as destinadas às áreas de Saúde e de Educação. Assim como reduzir o número de impostos pagos pelos empresários.

- Para aumentar os ganhos de capital.

‘O Plano Para o Futuro’, elaborado por liberais ligados ao PMDB, PSDB, PPS e DEM, prevê a definição de concessões preferenciais para a Petrobras. A empresa está envolvida em grave escândalo de corrupção, investigada pela Operação Lava-Jato, Força-Tarefa do Ministério Público Federal, Polícia Federal, sob a coordenação do juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro. 

- Flexibilização das leis trabalhistas.

Sonho da Fiesp

É o sonho de consumo da Fiesp, que patrocinou tanto o golpe de Estado civil e militar de 1964, uma noite que durou 21 anos, como definem Camilo Tavares e Flávio Tavares, quanto a jornada de desestabilização do Brasil, em 2016, em conspiração que envolve os grandes conglomerados de comunicação, a fina flor do capital e até setores do Judiciário brasileiro.

As mudanças na legislação trabalhistas poderão ser o fim do décimo terceiro salário, das férias anuais, do fim de semana remunerado, do FGTS, redução da licença-maternidade, assim como o término da licença paternidade. As medidas defendidas pela Fiesp propõem ainda que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normais legais. Com ataques aos direitos sociais.

Deus-Mercado

Caso suba a rampa do Palácio do Planalto, Michel Temer poderá estabelecer o fim das indexações para salários e benefícios previdenciários. Perdas reais para os trabalhadores urbanos e rurais. A estratégia do velho PMDB e aliados – Leia-se: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Armínio Fraga – é a seguinte:

- Execução de políticas públicas de desenvolvimento centradas na iniciativa privada, no mercado, com privatizações aceleradas e ampliação do ritmo de concessões. A previsão é do fim do regime de partilha no setor de óleo e gás e a retomada do regime anterior, à época de Fernando Henrique Cardoso, ex-amante de Míriam Dutra, do sistema de concessões.

O cenário desenhado pelos economistas de linhagem neoliberal ungidos pelo Palácio do Jaburu, em caso de mudança do titular da presidência da República, cuja votação do pedido de impeachment está previsto ainda para o mês de abril de 2016, contempla a adoção de reformas liberais e o velho bordão neoliberal de redução do tamanho do Estado Nacional.

- Com cortes nos programas sociais focados nos excluídos.


 
| A Fiesp patrocinou tanto o golpe de Estado civil e militar de 1964,
uma noite que durou 21 anos, quanto a jornada de
desestabilização do Brasil, em 2016, em conspiração que
envolve os grandes conglomerados de comunicação,
a fina flor do capital e até setores do Judiciário. |


*Renato Dias é jornalista, sociólogo, especialista em Políticas Públicas, mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás [PUC-GO]. É autor de livros sobre a ditadura civil e militar [1964-1985], luta armada e socialismos. É repórter especial do jornal Diário da Manhã.
Fonte: Portal Vermelho

sábado, 9 de abril de 2016

Quando o info-entretenimento oculta um mau jornalismo


O dia em que um representante da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo lembrou a um apresentador do noticiário matutino da maior rede de TV brasileira que existe telejornalismo informativo
Por Débora Cristine Rocha, no Observatório da Imprensa
O apresentador do Bom Dia São Paulo entrevista ao vivo o representante da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que administra o trânsito no município de São Paulo. O entrevistado afirma que o índice de congestionamento na cidade diminuiu. Mas o apresentador rebate e usa o seguinte argumento: “É a minha opinião, eu acho que não diminuiu e cada um tem a sua opinião.” Segue dizendo que a resposta da CET é a opinião da CET, muita gente tem outra opinião.
Aí acontece algo do outro mundo. O entrevistado toma a palavra novamente e diz que não se trata de opinião, não. A CET tem dados que mostram a diminuição dos índices de congestionamento na cidade de São Paulo. Há medições. Os números resultantes destas medições foram obtidos por uma empresa de fora do Brasil por meio de GPS. Explica como o trabalho é feito e arremata: “Então, não é uma questão de opinião.”
Ora, ora. O entrevistado acaba de lembrar a um apresentador do noticiário matutino da maior rede de TV brasileira que existe telejornalismo informativo. Ora, ora. O entrevistado acaba de lembrar a um jornalista que telejornalismo informativo se faz com informações, dados, medições de GPS e coisas do tipo. Numa palavra, com objetividade. Ora, ora. O entrevistado abre um sorriso de orelha a orelha no ar e diz textualmente: “Não é uma questão de opinião.” O cara está feliz, ele sabe do que está falando, domina o assunto e enfrenta o jornalista  com a maior tranquilidade.
Pois é, apresentar telejornal preparado apenas com a própria opinião, aliás sem embasamento, dá nisso. Qual seria a saída? No telejornalismo informativo clássico, uma saída seria confrontar a fonte especializada com outra fonte especializada. E sempre fazer a lição de casa para não deixar uma única fonte, ainda mais oficial, falar sozinha no ar.
Info-entretenimento mascara a falta de profissionalismo
A gente aprende como levantar outras fontes, fontes especializadas independentes sobre o mesmo assunto, nos primeiros passos de qualquer curso de telejornalismo sério. Mas o que acontece é que estamos deixando de lado as regras básicas de como fazer o bom telejornalismo, e também o bom jornalismo em geral, porque queremos ficar próximos do entretenimento.
Só que desconfio deste argumento fácil. Porque até para fazer entretenimento é preciso fazer um trabalho sério. Ou alguém vai dizer que o entretenimento também não é uma indústria? Olha que Walt Disney vai se revirar no túmulo.
Acontece que o info-entretenimento é uma palavra que está sendo usada para, na verdade, mascarar a falta de profissionalismo. E isso desqualifica não apenas o jornalismo, mas também o sério mundo do entretenimento, que movimenta bilhões de dólares todos os anos.
***
Débora Cristine Rocha é jornalista, professora doutora em Comunicação e Semiótica, docente da Universidade Anhembi Morumbi
Foto de capa: Reprodução
Fonte: Revista Fórum

PSOL, PT e PDT apresentam votos em separado pelo arquivamento de impeachment

Os autores dos relatórios alternativos admitiram que a medida é muito mais política do que prática. “Apresentamos o nosso voto para marcar posição e para ficar nos anais da Casa nossa posição contrária”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Na avaliação dos partidos contrários ao parecer do relator do processo, não há razões para imputar crime de responsabilidade à Dilma
Por Paulo Victor Chagas e Ivan Richard, da Agência Brasil
Contrários ao parecer favorável ao impeachment apresentado pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO), representantes do PT, PDT e PSOL apresentaram hoje (9) votos em separado à comissão especial que analisa o pedido de impedimento da presidenta Dilma Rousseff.
Os votos em separado, no entanto, só passarão a ter significado prático se o parecer do relator Jovair Arantes for rejeitado pelos deputados. Os autores dos relatórios alternativos admitiram que a medida é muito mais política do que prática. “Apresentamos o nosso voto para marcar posição e para ficar nos anais da Casa nossa posição contrária”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Na avaliação dos partidos contrários ao parecer do relator do processo, não há razões para imputar crime de responsabilidade à Dilma. Eles criticam a denúncia apresentada pelos juristas Miguel Reale Junior, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo.
PDT
No voto em separado do PDT, o deputado Weverton Rocha (MA), argumenta que a abertura de crédito suplementar “possui expressa previsão legal e constitucional”. “Analisando-se a situação concreta, percebe-se que a presidente agiu em estrito cumprimento do dever legal ao editar os decretos para atender despesas urgentes e essenciais, conduta que se exigiria do ocupante do cargo nas situações que se apresentaram”, disse.

O parlamentar pedetista argumenta também que, em relação às operações feitas no âmbito do Plano Safra, não ficou, segundo ele, caracterizada conduta omissiva ou comissiva da presidenta.
“É inadmissível que em um regime presidencialista, sob a égide de um Estado Democrático, situações episódicas de impopularidade do governante possam ensejar a perda de seu mandato. A denúncia está sendo processada com claras e indiscutíveis violações aos princípios constitucionais, especialmente ao devido processo legal”, diz o voto em separado do PDT.
PT
De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o voto em separado apresentado pelo partido “desconstrói” todas as teses da denúncia e “deixa claro que não houve crime de responsabilidade”. Ao usar a palavra na comissão do impeachment, o petista disse que o relatório de Jovair Arantes “carece de justa causa”. Ele alertou para o risco de a destituição de Dilma gerar “jurisprudência irresponsável” em outras administrações do Poder Executivo estadual e municipal.

“Se há alguma irresponsabilidade que fora cometida, é da autoria do deputado Jovair Arantes, irresponsabilidade em oferecer para o Brasil um relatório inepto sem nenhuma condição jurídica de sobrevivência. A consciência política e jurídica haverá de derrotá-lo nesta comissão e posteriormente no plenário”, disse Paulo Teixeira, destacando ainda a “honestidade” da presidenta.
PSOL
Enumerando críticas à política econômica do governo Dilma, citando casos de corrupção de parlamentares e condenando o que chama de “disputa pelo poder”, o voto separado do PSOL diz que não há “fato objetivo doloso” que incrimine a presidenta.

De acordo com o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), a apresentação do voto registrará na história a discordância do partido com o processo. O documento busca demonstrar semelhanças entre as pautas econômicas da presidenta Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, cuja pauta é “regressiva” e representa “retrocesso” e aponta “insuficiência jurídica” no pedido de impeachment.
No voto, o partido recorre a teses econômicas e condena a maneira “ilegítima” pela qual o instrumento do impeachment está sendo utilizado por interesses com o objetivo de repactuar “elites econômicas e políticas”, para quem Dilma deixou de ser funcional. “Nesse canhestro pedido de impeachment não há menção a corrupção, com a qual parte significativa do Congresso que a julgará tem intimidade”, dizem os deputados do PSOL no documento.
Mérito
Quanto ao mérito da denúncia do impeachment, a legenda socialista diz que os decretos de suplementação orçamentária e as chamadas pedaladas fiscais não caracterizam “objetivamente crime de responsabilidade”. De acordo com o texto, a “verdadeira pedalada” do governo foi destinar a maior parte do orçamento ao setor financeiro privado.

“Estranho que os defensores do impeachment, tão ávidos para cobrar o cumprimento de metas de superávit primário – ou seja, o corte de gastos sociais para o pagamento da questionável dívida pública – não tenham o mesmo empenho em criticar o gasto absurdo com juros e amortizações dessa dívida. A pedalada da dívida pública, feita tanto pelo PSDB/DEM como também pelo PT, enche os bolsos dos banqueiros e grandes investidores”, diz o documento.
O texto convoca ainda os contrários ao impeachment a se unirem e alerta que “mudar de governo não muda a realidade”. “As forças que reagem ao impeachment de Dilma, em defesa não de seu péssimo governo, mas da democracia, precisam se manter articuladas”, diz.
Foto de capa: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Com Revista Fórum