ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 10 de abril de 2016

João Bosco e Aldir Blanc convocam para ato em defesa da democracia no dia 11

Cresce a mobilização contra a trama golpista de setores da elite inconformados com as políticas de combate às desigualdades dos últimos anos.
Agora os compositores consagrados da MPB João Bosco e Aldir Blanc convocam para o ato “Cultura pela Democracia”, nesta segunda-feira (11), nos Arcos da Lapa, Rio de Janeiro, às 17h, no histórico palco da Fundição Progresso.
Veja o que dizem os músicos:

Entre muitas atividades espelhadas pelo país cokm a participação de muitos artistas, Chico Buarque e Wagner Moura lançaram um manifesto e fizeram o mesmo convite. Tudo porque está programado para às 17h desta segunda, a votação do parecer do relator da comissão que analisa o impeachment, Jovair Arantes (PTB-GO), na Câmara dos Deputados.
Autores de clássicos da MPB como “O bêbado e a equilibrista”, consagrada na voz de Elis Regina como o hino da anistia política de 1979. A dupla também é responsável por “Mestre sala dos mares”, que conta a saga do marinheiro negro João Cândido na luta contra o racismo.
Na voz de Elis Regina "O bêbado e a equilibrista" (Aldir Blac e João Bosco):
Além de “Kid Cavaquinho”, “De frente pro crime”, Ronco da cuíca”, entre muitos outros grandes sucessos. “A gente viveu a ditadura, o arbítrio, a tortura e a gente não quer isso de volta”, menciona Blanc.
O movimento “Cultura pela Democracia” contribui para a mobilização das forças sociais progressistas, democráticas e populares contra o golpe aos direitos conquistados da classe trabalhadora e às liberdades democráticas.
Tanto que o ator gaúcho Antonio Carlos Falcão afirma que “para mim, não tem outra forma de pensar como artista, a não ser se engajar nos movimentos políticos, sociais, se importar com o país e usar isso como força para ajudar o movimento”.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

Golpistas sentem a força das manifestações populares e Veja faz editorial surpreendente

O site Brasil 247 comentou editorial da revista Veja (que começa perder o status da mais panfletária do país para a IstoÉ), onde a publicação da editora Abril reconhece que o impeachment não passará na votação do plenário da Câmara dos Deputados. A semanária de (des)informação aponta três pontos principais para a derrota iminente:
1) O impeachment não passará na Câmara dos Deputados.
2) Não há lisura no processo que vem sendo conduzido na casa.
3) Eduardo Cunha abriu o processo por vingança, confirmando o que vem sendo dito tanto pela presidente Dilma Rousseff como pelo ministro José Eduardo Cardozo.
Para a revista, "desmoralizado por propinas e contas secretas na Suíça, Cunha com sua presença, contamina a lisura do impeachment". E "faz parecer, como alegam petistas e sequazes, que a corrupção é apenas um pretexto para tirar Dilma do poder. Pior: deu ao governo a chance de alegar, com razão, que o processo de impeachment só foi instalado na Câmara por um ato de 'vingança' de Cunha. Brasília inteira sabe que, de fato, o deputado se revoltou com a recusa do PT em preservar seu pescoço da guilhotina na comissão de ética."
Também afirma que "Cunha é o aliado errado. Se, por algum infortúnio, o impeachment de Dilma não prevalecer na Câmara, os políticos que aceitaram a aliança com Cunha talvez tenham algo a dizer aos milhões de cidadãos que lamentarão a derrota".
O editorial da publicação da família Civita mostra que as forças democráticas e populares brasileiras unidas podem impulsionar o país para a frente e impedir qualquer retrocesso. Se os deputados querem mesmo ouvir a voz das ruas aí vai: "Não Vai Ter Golpe".
Nem os discursos dos oposicionistas na Comissão do Impeachment na Câmara apresentam qualquer acusação de ilítico que se possa levar em conta contra a presidenta Dilma.
Pesquisa mostra Lula em curva ascendente
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No sábado (9), o Datafolha publicou uma pesquisa sobre a corrida presidencial, na qual o ex-presidente Lula mostra crescimento, espantoso para quem não acompanha o movimento popular que de umas semanas para cá tomou as ruas do país contra o golpe.
Em todos os cenários Lula cresce e os três possíveis candidatos do PSDB caem. Com Aécio, Lula aparece me primeiro com 21% e o tucano com 17%. Quando o candidato do PSDB é Alckmin, Lula aparece com 22% em empate técnico com Marina que tem 23% das preferências no momento, mas a candidata aparece ou estagnada ou em queda.
Virou piada na internet um ato falho do jornal Folha de S.Paulo onde diz que a candidata Marina "subiu" fortemente de 23% para 23%.
No cenário 3, com Serra candidato do PSDB, Lula fica com a preferência de 22% das eleitoras e dos eleitoras, empatado com Marina. Já com os três tucanos na disputa a situação de Lula fiaca ainda melhor. O petista sai do empate técnico e aparece com 21%, enquanto Marina aparece em segundo lugar com 16%.
A pesquisa, realizada entre os dias 7 e 8, mostra também queda de sete pontos percentuais, em menos de um mês, no apoio ao impeachment, eram 68% há três semanas e agora são 61%. Outro dado importante de se notar é que 40% dos pesquisados escolhem Lula como o melhor presidente da história do país.
Parece que a força das ruas começa atingir à população brasileira e que a classe trabalhadora começa a entender o prejuízo que seria um golpe de Estado no país. 
Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy  com Datafolha, Jornalistas livres, Brasil 247 e Portal Vermelho

A produção fabril e Manoel de Barros

Manoel de Barros descobriu que a riqueza está presente nas coisas simples, e que essa riqueza libera o homem para usufruir o que a vida tem de desconhecido.

Por José Carlos Peliano


A invenção da semana foi uma maneira inteligente de nos fazermos lembrar que a vida deve ser levada por etapas, dia a dia. De segunda a domingo e assim sucessivamente. Se bem que há diferenças: a sexta feira é o melhor dia da semana, porque traz logo em seguida o descanso de sábado e domingo, e domingo à noite o período do limbo, porque abre no dia seguinte, segunda feira, a semana de trabalho.

Assim, a repetição das semanas nos faz instruir que cada dia é um novo dia, quando se abrem possibilidades de não só encerrar ações e atividades anteriores assumidas, quanto nos favorece com chances de novas ações e possibilidades para melhorar de vida. E segue o barco dias afora.

O resultado final é o de nos entronizar na tessitura da vida social e econômica, incluindo na primeira as dimensões política e cultural. Repetir cada dia de cada semana como nova janela de admissão à vida que nos sobrou da noite passada. Nessa repetição, entretanto, há duas maneiras de vê-la.

Na vida ocidental, industrial e urbana, aos poucos sendo incorporada também a área rural, a tradição trazida desde o advento da máquina na produção de bens e serviços, combinada com a religião reiterada pelos arautos do progresso material, martela a convicção assumida pelos cidadãos de toda a parte desse planeta de que se deve repetir, repetir, repetir, cada dia de toda semana, para que se faça o mesmo de modo mais eficiente, eficaz e produtivo. Lucrativo ao final das contas.

Na percepção fina, arguta e sábia de Manoel de Barros, o grande poeta mato-grossense, hoje ordenhando nuvens e borboleteando estrelas, todos nós, ao contrário do peso imposto pelo trabalho secundado e minutado pelo relógio, devemos repetir, repetir, repetir, cada dia de toda semana, para que se faça o mesmo de modo diferente, mais criativo, prazeroso e suficiente.

Entre esses limites deve estar a melhor maneira de levar a vida, embora o peso do espirito capitalista supere o espírito Manoelista, claro! Dirão os engravatados e as customizadas, que Manoel era avoado, desparafusado, um “poeta” entre aspas mesmo. Para esses, Manoel era moldado em barros, diversificado, imponderável, daí não entender o primado e o propósito da produção fabril repetitiva e sequenciada.

Não é verdade, porém, que ele desconhecia a repetição e o sequenciamento. Tanto conhecia que vislumbrou e utilizou em sua vida a repetição para sequenciar outras formas diferentes de ver, entender e refazer o mundo. E não é a isso que o sistema japonês de produção industrial chegou perto ao rever a sequência fordista? Reorganizou a linha de montagem em ilhotas produtivas no chão da fábrica para produzir o mesmo de forma diferente?

Só que, por suposto, prevaleceu o espírito capitalista: produzir o mesmo de forma diferente mais eficiente, eficaz e produtivo porém. E ao final, escusado outra vez dizer, mais lucrativa.

O espírito Manoelista foi achado na natureza, diretamente dos bichos, das árvores, das águas dos regatos, das sombras das lagartixas, enfim, foi formado pela observação da simplicidade, da temporalidade e da “economicidade” da harmonia reinante no meio ambiente. 

Manoel de Barros foi um ambientalista autodidata, além de humanista e fazendeiro do ar, como diria Drummond. Aprendeu, em suas palavras, “renovar o homem usando borboletas”, que “a maior riqueza do homem é a sua incompletude”, e que não aguenta “ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis …”.

Manoel contrapõe viver com simplicidade ao viver pelo consumismo extremado. Descobriu a sua maneira, como tantos outros, que a riqueza está presente nas coisas simples, sejam elas quais forem. Essa riqueza libera o homem para descobrir a vida e dela usufruir o que ela tem de desconhecido, bom e melhor. Especialmente a relação social com todos os outros seres vivos da natureza.

Subjugou o tempo ao seus interesses, desejos e maquinações. Não ficou prisioneiro do relógio que não lhe dava tempo para ter tempo para fazer o que queria, mesmo sendo coisa alguma. O dia a dia lhe valia mais que as imposições da cultura, tradições e costumes. Um rebelde com causa.

Sua economia de tempo lhe rendeu uma das obras mais ricas, intrigantes e brilhantes da poesia brasileira. Nossa literatura não seria a mesma sem ele. Aprendeu a brincar com as palavras que lhe vinham da observação aguçada e engenhosa dos mundos: ao seu redor e ao seu interior.

Um poeta que mostrou como a vida econômica poderia ser mais salutar e justa e menos desigual. Era um dos 99% pelo pouco que lhe fazia viver, mas um do grupo do 1% pelo muito que retirava do pouco que tinha. Não lhe interessava consumir coisas padronizadas, mas apenas coisas sem vitrines. Não lhe interessava acumular notas e valores financeiros, mas tão somente notas e valores pantaneiros.

Seu programa pessoal de austeridade incluía não ter mais que o necessário para andar, vestir, alimentar, manter a casa, trabalhar e passear. Viver era sua maior recuperação social e econômica, com os amigos, com os seus bichos, com a natureza. Especialmente com o amigo que pouco falava, mas encantava pássaros.

Ao contrário da austeridade da Sra. Lagarde, da turma do FMI, dos senhores do BCE e da União Europeia, além do recém eleito [presidente argentino Maurício] Macri. Todos eles não leram Manoel de Barros, mas se enlamearam no barreiro que fizeram nos países aos quais recomendaram ou aplicaram a austeridade financeira.

Estudo da Universidade Católica da Argentina mostrou que, com a chegada de Macri ao poder, a pobreza no país deu um salto de 29% de dezembro do ano passado para 34,5% agora em março. Cerca de 1,4 milhão de argentinos foram responsáveis pelo aumento dos pontos percentuais da pobreza.

O aumento da pobreza veio pela desvalorização da moeda argentina em 30%, além da inflação resultante do corte de subsídios e do aumento do gás em torno de 300% e da tarifa de água perto de 375%. Nesse pacote de austeridade entra também o aumento da tarifa de ônibus e do preço final da gasolina.

A austeridade de Manoel de Barros era para si próprio, mas no sentido de viver bem e melhor com pouco, já a austeridade de Macri e demais integrantes do 1% é a de retirar dos outros, dando-lhes inflação e desemprego. 

Há que se ensinar o poder do remediado, mas afluente de vida, Manoel de Barros, desde o jardim da infância para derrubar a visão hegemônica do austericídio dos endinheirados, mas miseráveis de vida.



 Fonte: Carta Maior
C/ Portal Vermelho

O plano ultraliberal do pós-impeachment

Quebra-cabeças: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique, Armínio Fraga e Henrique MeirellesQuebra-cabeças: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique, Armínio Fraga e Henrique Meirelles

"Uma Ponte Para o Futuro’, o eventual Plano de Reconstrução Nacional apresentado pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), para assumir o Palácio do Planalto, caso se consolide o golpe institucional do impeachment da ex-guerrilheira da VAR-Palmares Dilma Vana Rousseff Linhares, é ultraliberal, concentracionista e com conteúdo neoliberal.

Por Renato Dias*, especial para o Vermelho


| "A estratégia para eventual era pós-Dilma
Rousseff inclui a adoção de reformas
liberais, com a diminuição do tamanho
do Estado, a retirada de direitos dos
trabalhadores e a abertura comercial". |

O pacote contém a proposta, a ser aprovada ainda no Congresso Nacional, de elevar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos de idade, para os homens. Mais: de 60 anos, para as mulheres. Uma Reforma da Previdência que nem o príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), conseguiu aprová-la durante o seu reinado – 1995-1998 e 1999-2002.

Medidas liberais
Michel Temer, com a bênção do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), campeão em aparições nas Operações da Lava-Jato e do Panamá Papers, quer também liquidar com os porcentuais de despesas obrigatórias, como as destinadas às áreas de Saúde e de Educação. Assim como reduzir o número de impostos pagos pelos empresários.

- Para aumentar os ganhos de capital.

‘O Plano Para o Futuro’, elaborado por liberais ligados ao PMDB, PSDB, PPS e DEM, prevê a definição de concessões preferenciais para a Petrobras. A empresa está envolvida em grave escândalo de corrupção, investigada pela Operação Lava-Jato, Força-Tarefa do Ministério Público Federal, Polícia Federal, sob a coordenação do juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro. 

- Flexibilização das leis trabalhistas.

Sonho da Fiesp

É o sonho de consumo da Fiesp, que patrocinou tanto o golpe de Estado civil e militar de 1964, uma noite que durou 21 anos, como definem Camilo Tavares e Flávio Tavares, quanto a jornada de desestabilização do Brasil, em 2016, em conspiração que envolve os grandes conglomerados de comunicação, a fina flor do capital e até setores do Judiciário brasileiro.

As mudanças na legislação trabalhistas poderão ser o fim do décimo terceiro salário, das férias anuais, do fim de semana remunerado, do FGTS, redução da licença-maternidade, assim como o término da licença paternidade. As medidas defendidas pela Fiesp propõem ainda que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normais legais. Com ataques aos direitos sociais.

Deus-Mercado

Caso suba a rampa do Palácio do Planalto, Michel Temer poderá estabelecer o fim das indexações para salários e benefícios previdenciários. Perdas reais para os trabalhadores urbanos e rurais. A estratégia do velho PMDB e aliados – Leia-se: Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Armínio Fraga – é a seguinte:

- Execução de políticas públicas de desenvolvimento centradas na iniciativa privada, no mercado, com privatizações aceleradas e ampliação do ritmo de concessões. A previsão é do fim do regime de partilha no setor de óleo e gás e a retomada do regime anterior, à época de Fernando Henrique Cardoso, ex-amante de Míriam Dutra, do sistema de concessões.

O cenário desenhado pelos economistas de linhagem neoliberal ungidos pelo Palácio do Jaburu, em caso de mudança do titular da presidência da República, cuja votação do pedido de impeachment está previsto ainda para o mês de abril de 2016, contempla a adoção de reformas liberais e o velho bordão neoliberal de redução do tamanho do Estado Nacional.

- Com cortes nos programas sociais focados nos excluídos.


 
| A Fiesp patrocinou tanto o golpe de Estado civil e militar de 1964,
uma noite que durou 21 anos, quanto a jornada de
desestabilização do Brasil, em 2016, em conspiração que
envolve os grandes conglomerados de comunicação,
a fina flor do capital e até setores do Judiciário. |


*Renato Dias é jornalista, sociólogo, especialista em Políticas Públicas, mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás [PUC-GO]. É autor de livros sobre a ditadura civil e militar [1964-1985], luta armada e socialismos. É repórter especial do jornal Diário da Manhã.
Fonte: Portal Vermelho

sábado, 9 de abril de 2016

Quando o info-entretenimento oculta um mau jornalismo


O dia em que um representante da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo lembrou a um apresentador do noticiário matutino da maior rede de TV brasileira que existe telejornalismo informativo
Por Débora Cristine Rocha, no Observatório da Imprensa
O apresentador do Bom Dia São Paulo entrevista ao vivo o representante da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que administra o trânsito no município de São Paulo. O entrevistado afirma que o índice de congestionamento na cidade diminuiu. Mas o apresentador rebate e usa o seguinte argumento: “É a minha opinião, eu acho que não diminuiu e cada um tem a sua opinião.” Segue dizendo que a resposta da CET é a opinião da CET, muita gente tem outra opinião.
Aí acontece algo do outro mundo. O entrevistado toma a palavra novamente e diz que não se trata de opinião, não. A CET tem dados que mostram a diminuição dos índices de congestionamento na cidade de São Paulo. Há medições. Os números resultantes destas medições foram obtidos por uma empresa de fora do Brasil por meio de GPS. Explica como o trabalho é feito e arremata: “Então, não é uma questão de opinião.”
Ora, ora. O entrevistado acaba de lembrar a um apresentador do noticiário matutino da maior rede de TV brasileira que existe telejornalismo informativo. Ora, ora. O entrevistado acaba de lembrar a um jornalista que telejornalismo informativo se faz com informações, dados, medições de GPS e coisas do tipo. Numa palavra, com objetividade. Ora, ora. O entrevistado abre um sorriso de orelha a orelha no ar e diz textualmente: “Não é uma questão de opinião.” O cara está feliz, ele sabe do que está falando, domina o assunto e enfrenta o jornalista  com a maior tranquilidade.
Pois é, apresentar telejornal preparado apenas com a própria opinião, aliás sem embasamento, dá nisso. Qual seria a saída? No telejornalismo informativo clássico, uma saída seria confrontar a fonte especializada com outra fonte especializada. E sempre fazer a lição de casa para não deixar uma única fonte, ainda mais oficial, falar sozinha no ar.
Info-entretenimento mascara a falta de profissionalismo
A gente aprende como levantar outras fontes, fontes especializadas independentes sobre o mesmo assunto, nos primeiros passos de qualquer curso de telejornalismo sério. Mas o que acontece é que estamos deixando de lado as regras básicas de como fazer o bom telejornalismo, e também o bom jornalismo em geral, porque queremos ficar próximos do entretenimento.
Só que desconfio deste argumento fácil. Porque até para fazer entretenimento é preciso fazer um trabalho sério. Ou alguém vai dizer que o entretenimento também não é uma indústria? Olha que Walt Disney vai se revirar no túmulo.
Acontece que o info-entretenimento é uma palavra que está sendo usada para, na verdade, mascarar a falta de profissionalismo. E isso desqualifica não apenas o jornalismo, mas também o sério mundo do entretenimento, que movimenta bilhões de dólares todos os anos.
***
Débora Cristine Rocha é jornalista, professora doutora em Comunicação e Semiótica, docente da Universidade Anhembi Morumbi
Foto de capa: Reprodução
Fonte: Revista Fórum

PSOL, PT e PDT apresentam votos em separado pelo arquivamento de impeachment

Os autores dos relatórios alternativos admitiram que a medida é muito mais política do que prática. “Apresentamos o nosso voto para marcar posição e para ficar nos anais da Casa nossa posição contrária”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Na avaliação dos partidos contrários ao parecer do relator do processo, não há razões para imputar crime de responsabilidade à Dilma
Por Paulo Victor Chagas e Ivan Richard, da Agência Brasil
Contrários ao parecer favorável ao impeachment apresentado pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO), representantes do PT, PDT e PSOL apresentaram hoje (9) votos em separado à comissão especial que analisa o pedido de impedimento da presidenta Dilma Rousseff.
Os votos em separado, no entanto, só passarão a ter significado prático se o parecer do relator Jovair Arantes for rejeitado pelos deputados. Os autores dos relatórios alternativos admitiram que a medida é muito mais política do que prática. “Apresentamos o nosso voto para marcar posição e para ficar nos anais da Casa nossa posição contrária”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Na avaliação dos partidos contrários ao parecer do relator do processo, não há razões para imputar crime de responsabilidade à Dilma. Eles criticam a denúncia apresentada pelos juristas Miguel Reale Junior, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo.
PDT
No voto em separado do PDT, o deputado Weverton Rocha (MA), argumenta que a abertura de crédito suplementar “possui expressa previsão legal e constitucional”. “Analisando-se a situação concreta, percebe-se que a presidente agiu em estrito cumprimento do dever legal ao editar os decretos para atender despesas urgentes e essenciais, conduta que se exigiria do ocupante do cargo nas situações que se apresentaram”, disse.

O parlamentar pedetista argumenta também que, em relação às operações feitas no âmbito do Plano Safra, não ficou, segundo ele, caracterizada conduta omissiva ou comissiva da presidenta.
“É inadmissível que em um regime presidencialista, sob a égide de um Estado Democrático, situações episódicas de impopularidade do governante possam ensejar a perda de seu mandato. A denúncia está sendo processada com claras e indiscutíveis violações aos princípios constitucionais, especialmente ao devido processo legal”, diz o voto em separado do PDT.
PT
De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o voto em separado apresentado pelo partido “desconstrói” todas as teses da denúncia e “deixa claro que não houve crime de responsabilidade”. Ao usar a palavra na comissão do impeachment, o petista disse que o relatório de Jovair Arantes “carece de justa causa”. Ele alertou para o risco de a destituição de Dilma gerar “jurisprudência irresponsável” em outras administrações do Poder Executivo estadual e municipal.

“Se há alguma irresponsabilidade que fora cometida, é da autoria do deputado Jovair Arantes, irresponsabilidade em oferecer para o Brasil um relatório inepto sem nenhuma condição jurídica de sobrevivência. A consciência política e jurídica haverá de derrotá-lo nesta comissão e posteriormente no plenário”, disse Paulo Teixeira, destacando ainda a “honestidade” da presidenta.
PSOL
Enumerando críticas à política econômica do governo Dilma, citando casos de corrupção de parlamentares e condenando o que chama de “disputa pelo poder”, o voto separado do PSOL diz que não há “fato objetivo doloso” que incrimine a presidenta.

De acordo com o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), a apresentação do voto registrará na história a discordância do partido com o processo. O documento busca demonstrar semelhanças entre as pautas econômicas da presidenta Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, cuja pauta é “regressiva” e representa “retrocesso” e aponta “insuficiência jurídica” no pedido de impeachment.
No voto, o partido recorre a teses econômicas e condena a maneira “ilegítima” pela qual o instrumento do impeachment está sendo utilizado por interesses com o objetivo de repactuar “elites econômicas e políticas”, para quem Dilma deixou de ser funcional. “Nesse canhestro pedido de impeachment não há menção a corrupção, com a qual parte significativa do Congresso que a julgará tem intimidade”, dizem os deputados do PSOL no documento.
Mérito
Quanto ao mérito da denúncia do impeachment, a legenda socialista diz que os decretos de suplementação orçamentária e as chamadas pedaladas fiscais não caracterizam “objetivamente crime de responsabilidade”. De acordo com o texto, a “verdadeira pedalada” do governo foi destinar a maior parte do orçamento ao setor financeiro privado.

“Estranho que os defensores do impeachment, tão ávidos para cobrar o cumprimento de metas de superávit primário – ou seja, o corte de gastos sociais para o pagamento da questionável dívida pública – não tenham o mesmo empenho em criticar o gasto absurdo com juros e amortizações dessa dívida. A pedalada da dívida pública, feita tanto pelo PSDB/DEM como também pelo PT, enche os bolsos dos banqueiros e grandes investidores”, diz o documento.
O texto convoca ainda os contrários ao impeachment a se unirem e alerta que “mudar de governo não muda a realidade”. “As forças que reagem ao impeachment de Dilma, em defesa não de seu péssimo governo, mas da democracia, precisam se manter articuladas”, diz.
Foto de capa: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Com Revista Fórum

BRASIL: Chico Buarque, artistas e intelectuais convocam ato contra o golpe

Chico Buarque e Wagner Moura convocam ato contra o golpe O ator Wagner Moura, o teólogo Leonardo Boff, o compositor Chico Buarque e os jornalistas Fernando Morais e Eric Nepomuceno, entre outros intelectuais participarão de um ato de repúdio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff na próxima segunda-feira (11), às 17h, no Rio de Janeiro. 


reprodução you tube
 
 
Um manifesto assinado pelos artistas convoca para um ato em defesa da democracia, no dia em que está prevista a votação do processo de cassação do mandato da presidente na Comissão do Impeachment da Câmara.
 
Também deverão participar os compositores João Bosco e Aldir Blanc, os atores Paulo José, Marieta Severo e José de Abreu. O manifesto não é necessariamente a favor do governo e sim em defesa do mandato da atual presidente. Eles consideram o impeachment como “golpe”.
 
“Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia. Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia. Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro. Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre (o impeachment) não custe o futuro dos nossos filhos e netos”.

Leia abaixo o texto completo:
 
 
 “Com este manifesto estamos convocando a todos para um ato unitário em defesa da democracia. Será na próxima segunda-feira, dia 11 de abril, às cinco da tarde, na fundição progresso, na Lapa, Rio de Janeiro.
 
O que vivemos hoje no brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.
 
Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.
 
Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.
 
Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. o respeito à vontade da maioria. o respeito à diversidade de opiniões.
 
Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a constituição cidadã de 1988.
 
E é precisamente por isso, pelo respeito à constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de estado.
 
Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.
 
Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.
 
Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.
 
Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. à dignidade.
Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. custou esperanças e desesperanças.
 
Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos.
Estamos reunidos para defender o presente. para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.
 
Leonardo Boff
Chico Buarque de Hollanda
Wagner Moura
Fernando Morais
Eric Nepomuceno”
 
Fonte: Paraná Portal