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sábado, 12 de novembro de 2022

Paulinho da Viola faz 80 anos como o timoneiro do samba

 por Marcos Aurélio Ruy

Foto: Divulgação

Seu canto evoca a liberdade como mola propulsora não apenas da cultura, mas da vida de todo mundo.

Como grande nome do samba, Paulinho da Viola completa 80 anos neste sábado (12). Carioquíssima da gema, Paulinho bebe a sabedoria dos morros cariocas em diversas influências e a une com os temas urbanos do asfalto. Em seu livro Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos (2011), a cantora Eliete Negreiros define que “um dos traços”, desse gigante da música popular brasileira “é a simplicidade, seu jeito de dizer as coisas de um modo natural”.

Até em sua postura, o timoneiro do samba mostra simplicidade com sua voz mansa, baixa, cantando como quem sabe que o seu canto é fundamental para a vida de todo mundo. Segundo Eliete, as centenas de suas canções, em cerca de 60 anos de carreira de Paulinho, tratam de “modo decidido e delicado” todos os “nossos assuntos humanos, demasiado humanos, numa época em que a vaidade e a competição tomam conta da alma, onde o mundo parece um supermercado de produtos descartáveis, tendo em suas prateleiras valores e sonhos humanos em liquidação”.

Ele se mostra moderno ao cativar as raízes populares, principalmente de dois dos principais gêneros musicais genuinamente brasileiros, o chorinho e o samba, e transforma os elementos musicais de maneira sincopada em poesia singela.

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Canta as vicissitudes das pessoas que vivem do trabalho e as diabruras do capital para impedir a classe trabalhadora de se organizar e assim defender os seus interesses de modo perene. Como mostra Eliete, a obra desse importante cantor e compositor “constrói-se pela dialética entre estes pares de opostos, tensão e relaxamento”.

Como em Pecado Capital, ele canta que “é preciso viver/E viver não é brincadeira não/Quando o jeito é se virar/Cada um trata de si/Irmão desconhece irmão”, porque as questões objetivas e subjetivas não estão plenamente colocadas.

Pecado Capital (1975), de Paulinho da Viola

Em Coisas do Mundo Minha Nega, o protagonista percebe a necessidade de ouvir a voz das mulheres sobre os dilemas da vida na resistência à ideologia do patriarcado com a cultura do estupro e o machismo que mata e oprime.

Coisas do Mundo Minha Nega (1968), de Paulinho da Viola

“Hoje eu vim, minha nega

Sem saber nada da vida

Querendo aprender contigo a forma de se viver

As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender”

O mais recente oitentão da MPB mostra todo o seu valor com canções emblemáticas sobre tudo o que envolve a vida do Brasil: os sonhos, a vida, os desejos e a vontade de mudar de vida para prevalecer a generosidade e a consciência de classe para transgredir o status quo.

Seu canto evoca a liberdade como mola propulsora não apenas da cultura, mas da vida de todo mundo ao colocar quem vive o trabalho como o centro das questões para a construção do mundo novo. Um mundo de igualdade e respeito.

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Paulinho se mostra um contador de histórias como em Sinal Fechado, na qual diz que “precisamos nos ver por aí/Pra semana, prometo talvez nos vejamos

Quem sabe?/Quanto tempo?/Pois é, quanto tempo?/Tanta coisa que eu tinha a dizer/ Mas eu sumi na poeira das ruas/Eu também tenho algo a dizer/Mas me foge a lembrança/ Por favor, telefone, eu preciso/Beber alguma coisa, rapidamente/Pra semana”(3)

Sinal Fechado (1970), de Paulinho da Viola, canta Chico Buarque

Essa música deu nome ao álbum de Chico Buarque com canções de outros autores, em 1974, quando tudo o que aparecia à censura com o nome dele era vetado, para denunciar o sinal fechado da ditadura sobre a sua obra. Nesse álbum Chico incluiu “Acorda, Amor”, sob o pseudônimo Julinho da Adelaide, para enganar a censura. A proximidade de temas desses dois compositores sempre ocorreu.

O próprio site de Paulino da Viola define o seu trabalho “a partir de um evento incomum: a interação de dois fenômenos culturais vistos como antagônicos. A estética e sofisticação da classe média da zona sul do Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960 encontram-se com a vibração dos subúrbios cariocas, resultando numa nova forma que atravessa o tempo sem alterar sua essência e abraçando a modernidade”.

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Ele dá esse recado com a canção Argumento: “Tá legal/Eu aceito o argumento/Mas não me altere o samba tanto assim/Olha que a rapaziada está sentindo a falta/De um cavaco, de um pandeiro/Ou de um tamborim”.

Argumento (1975), de Paulinho da Viola

Paulinho da Viola canta e encanta ao propor pensar o mundo de uma outra perspectiva. A perspectiva do socialismo como sistema da classe trabalhadora. E esse livre cantar se faz por amor a todas as pessoas e respeito à individualidade.

Como canta em Onde a Dor Não Tem Razão (em parceria com Elton Medeiros)

  • “Quem esperou, como eu, por um novo carinho
  • E viveu tão sozinho
  • Tem que agradecer
  • Quando consegue do peito tirar um espinho
  • É que a velha esperança
  • Já não pode morrer”

Onde a Dor Não Tem Razão (1968), de Elton Medeiros e Paulinho da Viola

Não se pode esquecer o seu grande amor pela escola de samba de sua vida, a Portela, cantada em versos ritmados com muito valor. “Carregava uma tristeza/Não pensava em novo amor

Quando alguém que não me lembro anunciou/Portela, Portela/O samba trazendo alvorada

Meu coração conquistou/Ah! Minha Portela!/Quando vi você passar/Senti meu coração apressado/Todo o meu corpo tomado/Minha alegria voltar”.

Foi um Rio que Passou em Minha Vida (1970), de Paulinho da Viola. O autor canta com Zeca Pagodinho e convidados

Afinal, “eu, Boca/Como sempre perdido/Bêbado de sambas/E outros sonhos/Choro a lágrima comum/Que todos choram/Embora não tenha/Nessas horas/Saudades do passado/Remorso

Ou mágoas menores”(7).

Bebadosamba (1996), de Paulinho da Viola. Canta com Camila Pitanga

Porque Sempre Se Pode Sonhar (parceria com Eduardo Gudin) título de seu mais recente álbum lançado em 2020. “Meu samba fala em adeus, sim/Mas também pode ocultar/Um sonho que se perdeu, e sempre se pode sonhar”.

Sempre se Pode Sonhar (2020), de Eduardo Gudin e Paulinho da Viola

Sonhar com Paulinho da Viola é elevar os sonhos da mudança, de transformar o mundo num local bom para toda a humanidade com preservação da natureza, respeito aos direitos humanos e ao modo de vida de cada um. Paulinho nos leva a pensar sobre todos esses temas e convida para a ação. Merece todas as homenagens em vida.

Vale assistir ao documentário Paulinho da Viola: Meu Tempo É Hoje (2003), de Izabel Jaguaribe

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho

POLÍTICA Equipe de transição de Lula já tem nomes anunciados em 12 áreas - por Murilo da Silva

Foto: Ricardo Stuckert

Confira a relação dos 31 grupos técnicos e quais já tiveram nomes anunciados.

Os grupos técnicos (GTs) que trabalharão na transição do governo Lula (PT) no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, tiveram alguns nomes anunciados ao longo da semana. Serão 31 grupos, além do Conselho Político que fez a sua primeira reunião nesta sexta-feira (11).

O coordenador-geral da transição, vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), vem anunciando os nomes aos poucos. Além de Alckmin, a coordenadoria executiva do gabinete de transição tem Aloizio Mercadante (PT) como coordenador do grupo técnico, responsável pelos 31 GTs; Rosângela Silva, a Janja, esposa de Lula e responsável pelo Cerimonial de organização da posse presidencial; Floriano Pesaro (PSB) como coordenador-executivo; e a presidente do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann como coordenadora da articulação política.

Oficialmente, pela Constituição, são 50 nomeações que podem ser feitas. Porém, os grupos podem trabalhar com voluntários e colaboradores, o que fará a equipe de transição ultrapassar uma centena de pessoas.

Confira os integrantes de grupos técnicos já divulgados e os nomes do Conselho Político:

Economia

  • André Lara Resende, ex-diretor do Banco Central e ex-presidente do BNDES;
  • Guilherme Mello, professor Unicamp;
  • Nelson Barbosa, professor FGV e UNB, ex-ministro da Fazenda e de Planejamento;
  • Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central.

Assistência Social

  • Simone Tebet, senadora MDB;
  • Márcia Lopes, ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome;
  • Tereza Campello, ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e professora visitante da Faculdade de Saúde Pública USP;
  • André Quintão, deputado estadual PT-MG.

Saúde

(Coordenadores)

  • Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e deputado federal PT;
  • Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde;
  • José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde;
  • Humberto Costa, ex-ministro da Saúde e senador PT.

(Comissão Consultiva de Especialistas em Saúde)

  • Dráuzio Varella, médico oncologista, escritor e apresentador;
  • Roberto Kalil Filho, cardiologista Sírio Libanês/USP/ Incor;
  • Linamara Rizzo Battistell, professora USP;
  • Cláudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Albert Einstein;
  • José Medina Pestana, diretor do Hospital do Rim e professor da Unifesp;
  • Fábio Biscegli Jatene, diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do Incor;
  • Giovanni Guido Cerri, presidente do conselho diretor do Instituto de Radiologia da USP;
  • Miguel Srougi, urologista e presidente do Conselho do Instituto Criança e Vida;
  • Carlos Carvalho, pneumologista USP.

Comunicações

  • Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações;
  • Jorge Bittar, ex-deputado federal;
  • Cesar Álvarez, ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações;
  • Alessandra Orofino, economista e especialista em redes de comunicação.

Direitos Humanos

  • Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS);
  • Maria Victoria Benevides, socióloga, especialista em Ciências Políticas;
  • Silvio Almeida, advogado;
  • Luis Alberto Melchetti, doutor em Economia;
  • Janaína Barbosa de Oliveira, movimento LGBTQIA+;
  • Rubens Linhares Mendonça Lopes, setorial Pessoa com Deficiência;
  • Emídio de Souza, deputado estadual (PT-SP).

Igualdade Racial

  • Nilma Lino Gomes, ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos;
  • Givânia Maria Silva, educadora quilombola e doutora em Sociologia;
  • Douglas Belchior, professor de História – Uneafro Brasil e Coalizão Negra;
  • Thiago Tobias, advogado Coalizão Negra;
  • Iêda Leal, pedagoga e Coordenadora Nacional do MNU;
  • Martvs das Chagas, secretário de Planejamento de Juiz de Fora (MG);
  • Preta Ferreira, movimento negro e moradia.

Planejamento, Orçamento e Gestão

  • Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda;
  • Enio Verri, deputado federal;
  • Esther Duek, economista e professora;
  • Antônio Correia Lacerda, presidente do Conselho Federal Economia.

Indústria, Comércio e Serviços

  • Germano Rigotto, ex-governador;
  • Jackson Schneider, executivo da Embraer;
  • Rafael Lucchesi, Senai;
  • Marcelo Ramos, deputado federal (AM).

Pequena Empresa

  • André Ceciliano, presidente da Assembleia Legislativa do RJ;
  • Paulo Okamotto, ex-presidente do Sebrae;
  • Tatiana Conceição Valente, especialista em Economia Solidária;
  • Paulo Feldman, professor da USP.

Mulheres

  • Anielle Franco, educadora e jornalista;
  • Roseli Faria, economista;
  • Roberta Eugênio, mestra em Direito;
  • Maria Helena Guarezi, professora;
  • Eleonora Menicucci, ex-ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres;
  • Aparecida Gonçalves, ex-Secretária Nacional da Violência contra Mulher.

Educação

  • Henrique Paim, professor FGV e ex-ministro da Educação;

(novos nomes da área ainda serão anunciados)

Cidades

  • Márcio França (PSB), ex-governador de São Paulo;
  • Guilherme Boulos (Psol), deputado federal eleito.

(novos nomes da área ainda serão anunciados)

Conselho Político:

  • Antônio Brito (BA), deputado federal PSD;
  • Carlos Siqueira, presidente PSB;
  • Daniel Tourinho, presidente Agir;
  • Eliziane Gama (MA), senadora Cidadania;
  • Felipe Espírito Santo, Pros;
  • Guilherme Ítalo, Avante;
  • Jader Barbalho (PA), senador MDB.
  • Jefferson Coriteac, vice-presidente Solidariedade;
  • José Luiz Penna, presidente PV;
  • Juliano Medeiros, presidente PSOL;
  • Luciana Santos, presidenta PCdoB;
  • Renan Calheiros (AL), senador MDB;
  • Wesley Diógenes, Rede;
  • Wolney Queiroz (PE), deputado federal PDT;

A equipe de transição será formada por 31 grupos técnicos. Novos nomes serão anunciados no decorrer dos próximos dias. Os grupos correspondem às seguintes áreas:

  • agricultura, pecuária e abastecimento;
  • assistência social;
  • centro de governo;
  • cidades;
  • ciência, tecnologia e inovação;
  • comunicações;
  • cultura;
  • defesa;
  • desenvolvimento agrário;
  • desenvolvimento regional;
  • direitos humanos;
  • economia;
  • educação;
  • esporte;
  • igualdade racial;
  • indústria, comércio e serviços;
  • infraestrutura;
  • inteligência estratégica;
  • justiça e segurança pública;
  • meio ambiente;
  • minas e energia;
  • mulheres;
  • pesca;
  • planejamento, orçamento e gestão;
  • povos originários;
  • previdência social;
  • relações exteriores;
  • saúde;
  • trabalho;
  • transparência, integridade e controle;
  • turismo.
Fonte: https://vermelho

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

PCdoB com Lula!

 


Eleger Lula presidente e Alckmin vice é uma exigência democrática. É o caminho para retomar nossa soberania, garantir vida digna ao povo, recuperar o papel do Estado, reestabelecer direitos, prosperidade econômica e progresso social.

Caminhos para um novo mundo do trabalho - por Clemente Ganz Lúcio

Foto: Agência Brasília


Redesenhar e projetar um sistema universal de proteção social, laboral e previdenciário que garanta a todos os trabalhadores a plena seguridade para as diversas formas de ocupação é uma tarefa essencial.

Melhorar as condições e a qualidade de vida dos trabalhadores é um objetivo a ser perseguido nos próximos quatro anos. Quais os caminhos?

A base de um processo de transformação virtuoso para o mundo do trabalho é o país ter uma dinâmica de desenvolvimento econômico assentada na inovação tecnológica e na agregação de valor em toda as cadeias e estruturas produtivas, combinado com um programa de longo prazo de investimentos em infraestrutura econômica e social. Mobilizar investimentos para que as frentes de expansão e de incremento da produtividade do trabalho gerem produtos e serviços com alto valor agregado, vinculados à uma economia de baixo carbono, com uma indústria e agricultura moderna e compromissada com a sustentabilidade ambiental, onde cultura, esporte, turismo, saúde, educação e bem-estar mobilizam serviços de qualidade.

Nessa economia de crescimento produzido pelo incremento virtuoso da produtividade, expande-se os empregos e as ocupações de qualidade, com boas condições de trabalho, crescimento dos salários e dos rendimentos dos ocupados.

Essa dinâmica econômica transformadora precisa ser estimulada, sustentada e favorecida por um sistema de relações de trabalho, um sistema sindical e um sistema de proteção social, laboral e previdenciário modernos, conectados com as mudanças no mundo do trabalho e capazes de regular a forma de produzir e a distribuição do produto do trabalho.

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O desafio é desenhar processos de mudanças e de transições para esses três sistemas com o objetivo de responder às demandas de flexibilidade do trabalho e de proteção efetiva de todos os trabalhadores.

Redesenhar e projetar um sistema universal de proteção social, laboral e previdenciário que garanta a todos os trabalhadores a plena seguridade para as diversas formas de ocupação é uma tarefa essencial. Formular a articulação das políticas e programas a partir da perspectiva do mundo do trabalho é pensar a educação desde a creche até a transição escola – trabalho; é garantir durante a vida laboral a proteção de renda diante da desocupação, do acidente, do problema de saúde, da maternidade; é universalizar o acesso à aposentadoria a partir de uma certa idade, independente da contribuição. Essa concepção de sistema integrado exige articular e redesenhar os atuais programas e políticas de renda e proteção existentes, reorganizando-os e formulando novos instrumentos que garantam seguridade laboral efetiva durante toda a vida.

Essa seguridade universal e permanente é a contraface básica à demanda por flexibilidade do sistema produtivo. Cabe, portanto, a complexa tarefa de construir os mecanismos de financiamento e as regras de acesso à proteção.

A negociação permanente das regras e de monitoramento e gestão do sistema de proteção será tarefa de uma organização sindical nacional, capaz de mobilizar e de representar o interesse geral da classe trabalhadora, especialmente daqueles que hoje não têm proteção sindical e de estabelecer acordos e compromissos para garantir a efetividade das regras pactuadas. As Centrais Sindicais são o instrumento dessa representação ampliada e da representatividade que conforma os interesses em demandas e propostas desse conjunto de aproximadamente metade da força de trabalho ativa do país.

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Há a outra metade da classe trabalhadora, assalariada e que conta com a proteção sindical. O sistema de relações de trabalho que define as regras das representações e das negociações precisa colar no mundo do trabalho em mudança. As exigências de transformações na organização sindical para ampliar a base de representação, aprofundar a representatividade das entidades, favorecer a agregação em categorias por ramo, em um sistema sindical que recepciona o trabalhador ao longo de toda a sua vida laboral, independentemente das profissões e formas de ocupação que cada um venha a ter durante a vida.

Esse sistema sindical robusto, amplo e representativo deve inovar com a criação de âmbitos de negociação que estejam articulados e coordenados desde o nacional até a local / empresa, passando pelo setorial e pela cadeia produtiva.

Fortalecer a negociação coletiva significa desenvolver as regras e instrumentos dos processos negociais, subsidiar a formulação dos conteúdos negociados e tratar de resolver diretamente os conflitos. Trata-se de dar às partes interessadas a autonomia efetiva e ampla para a regulação a partir dos marcos constitucionais e legais.

Uma forma de avançar no fortalecimento da negociação coletiva é criar um órgão privado de interesse público para ser o ente que regula e faz a gestão do sistema de relações do trabalho, como por exemplo, uma agência gerida pela representação dos trabalhadores e dos empregadores, que fortaleça a negociação coletiva, o funcionamento do sistema sindical e de solução de conflito.

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A representação e a negociação dos servidores públicos devem seguir as mesmas diretrizes acima, com a devida adequação ao direito administrativo conforme projeto de lei já em trâmite no Senado Federal (PL 711/2019). Esse fortalecimento da negociação coletiva no setor publico ganharia novo patamar de efetividade se fosse desenvolvido como parte de um órgão dedicado à política de gestão de pessoas no setor público.

O desafio é implementar um processo de mudança e de transição que favoreça e estimule transformações no sentido das inovações que se busca promover. Trata-se, portanto, de construir na trajetória da história futura, por meio do diálogo social e ao mesmo tempo, o caminho e os caminhantes.

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho.

Reação de mercado às falas de Lula não passa de histeria ultraliberal - por Iram Alfaia

Lula com parlamentares no CCBB (Foto: Ricardo Stuckert)

O setor financeiro entrou em polvorosas após o presidente eleito questionar “a tal estabilidade fiscal” em detrimento dos investimentos sociais.

O cientista político Sergio Abranches interpretou bem o atual momento ao dizer que “não passa de histeria ultraliberal” a reação negativa do mercado às falas do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre estabilidade fiscal. No tocante ao tema, Lula disse que é preciso colocar a questão social na frente de assuntos que interessam apenas aos executivos da Faria Lima.

Aliás, a fala dele não pode causar surpresa. O presidente eleito vem exaustivamente defendendo que é preciso acabar com a fome que atinge 33 milhões de brasileiros e brasileiras. Para isso, o Bolsa Família de R$ 600 e o reajuste do salário mínimo precisam ficar fora do teto de gastos.

“Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal desse país? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gastos, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gastos? Por que as mesmas pessoas que discutem teto de gastos com seriedade não discutem a questão social neste país?”, indagou Lula nesta quinta-feira (10) em discurso a parlamentares no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ele  ainda chorou no evento ao falar sobre a pobreza: “Jamais esperava que a fome voltasse neste país”.

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O presidente eleito mandou outro recado ao sair da reunião: “O mercado fica nervoso à toa. Eu nunca vi um mercado tão sensível como o nosso. É engraçado que esse mercado não ficou nervoso durante quatro anos [do governo] Bolsonaro”, afirmou.

“Financiaram Bolsonaro e perderam. Agora querem definir o que o presidente eleito deve dizer e fazer. Em breve se adaptam ao novo ambiente e descobrem como lucrar nele”, observou Abranches.

A economista Monica de Bolle também criticou a postura dos especuladores. “Os assédios do mercado para manter o Teto iníquo e moribundo nesse momento de reconstrução do país é imoral e irresponsável. Esse tipo de assédio precisa acabar e todos precisam entender que o ‘mercado’ em sua maioria é curtoprazista e fútil”, disse a pesquisadora sênior do Peterson Institute for Internacional Economics.

Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB/SP. Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) avaliou a atual situação como desfaçatez. “Noticiário em manada dizendo que a Bolsa caiu e o dólar subiu porque Lula falou que o pobre tem que caber no orçamento. Conversa! Lula já disse: previsibilidade e confiabilidade. Esqueceram que teve outro problema: INFLAÇÃO DESCONTROLADA DO BOLSONARO!”, postou no Twitter

A deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, também criticou o alarido: “Estão dizendo que o mercado reagiu mal ao discurso de Lula porque enfatizou investimentos na área social em detrimento do equilíbrio fiscal. Não foi o que ele disse. Mas onde estavam quando Bolsonaro fez a gastança na pré-campanha eleitoral? Comparem a gestão Lula com o desastre de Bolsonaro”.

Fonte: A esquerda bem informada