ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

terça-feira, 6 de setembro de 2022

CONHEÇA A GOVERNADORA DO RN: FÁTIMA BEZERRA

Fátima Bezerra, candidata à reeleição para o governo do Rio Grande do Norte, foi a única governadora eleita no Brasil em 2018. Ela foi senadora, três vezes deputada federal e duas vezes deputada estadual. Nascida em Nova Palmeira, no Seridó paraibano, filha de dona Luzia, parteira, e de seu Severino, pequeno comerciante, Fátima migrou aos 15 anos para a capital potiguar para continuar seus estudos.

Sempre estudou em escola pública. Ela é professora e pedagoga formada na UFRN. Iniciou sua militância política junto aos movimentos sociais. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1981, Fátima Bezerra integra o Diretório Estadual e a Executiva Nacional da sigla.

Tomou posse à frente do governo do Rio Grande do Norte em 1 de janeiro de 2019. Ela encontrou um Estado endividado e com políticas sociais destruídas. Fátima organizou as contas públicas, pagou os salários atrasados, enfrentou uma pandemia sem precedentes, equipando os hospitais regionais, abrindo leitos, contratando profissionais de saúde e distribuindo vacinas a toda a população.

Na segurança, contratou e valorizou os policiais, investiu em estrutura, inteligência e tecnologia, baixando a criminalidade. A governadora faz um diálogo transparente e permanente com o setor produtivo e os trabalhadores. Estancou a saída de empresas e atraiu novos investimentos. Recuperou a capacidade de investimento do Estado e já autorizou obras em 10 dos 12 Institutos Estaduais de Educação, o nosso IF potiguar. Nos próximos quatro anos, junto com Lula, vai poder fazer muito mais.

Fonte: https://fatimabezerra13.com.br

ELEIÇÕES 2022: Precisamos mudar a configuração do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas para resgatar direitos da classe trabalhadora e do povo, afirma Rene Vicente

Rene Vicente - CTB

Conforme destaca a resolução política aprovada na última reunião da Direção Nacional da CTB o pleito de outubro “é a grande batalha que deve centralizar a atenção e a energia da militância e das direções da nossa Central Classista”.

O documento ressalta que além de derrotar Bolsonaro e eleger um governo comprometido com a agenda da classe trabalhadora aprovada na Conclat, é fundamental aumentar a representação dos trabalhadores e trabalhadoras no Parlamento.

“A CTB lutará para eleger parlamentares ligados à Central, fator essencial para reverter as contrarreformas trabalhista e previdenciária”, ressalta a resolução.

No espírito da resolução, aprovada durante reunião realizada em 15 de julho, o Portal da CTB vai publicar uma série de entrevistas com candidatos e candidatas oriundas do sindicalismo classista ou que comungam de suas concepções e estão sendo apoiados pelas bases.

A série é inaugurada com a entrevista concedida pelo presidente licenciado da CTB SP e vice-presidente licenciado da CTB Nacional, Rene Vicente, candidato a deputado estadual pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Seu número na urna é 65789. Leia abaixo:

Portal CTB – Conte-nos um pouco sobre a sua candidatura: as principais propostas e projetos, bem como sua trajetória política.

Rene Vicente: Sou trabalhador da Sabesp há 24 anos, na função de eletricista. Desde que entrei na empresa entendi que deveria fortalecer o sindicato. Sempre soube, desde muito jovem, que nada vem sem luta e organização, então assim que assinei minha contratação também assinei minha filiação ao Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente). De lá pra cá, fui delegado sindical, diretor de base e três vezes presidente do Sintaema.

Por defender um sindicalismo classista, lutamos para filiar o Sintaema à CTB e hoje estou presidente licenciado da CTB-SP e vice-presidente licenciado da CTB Nacional.

Ao longo da minha vida, sempre estive engajado no movimento sindical e participei de lutas importantes, como o combate à fome e às desigualdades, contra as privatizações, pela redução dos juros, por uma política de valorização do salário mínimo, contra as reformas Trabalhista e da Previdência. Denuncio e batalho contra o fascismo que se instalou em nosso país e em São Paulo. Além disso, sempre me posicionei ao lado daqueles e daquelas que lutam contra as discriminações e a violência estrutural de gênero e raça.

Portal CTB – Para você, qual a importância dos trabalhadores e das trabalhadoras ocuparem as Casas Legislativas?

Rene Vicente: O Brasil atravessa uma etapa de sua história recente de grandes dificuldades e muitos desafios. É fundamental que, num ciclo pós-Bolsonaro e pós-Garcia, uma gestão progressista, popular e audaciosa assuma o governo e construa as bases para reverter as diretrizes neoliberais impostas à população.

Sempre lutamos por governos e políticas que tenham como prioridade a valorização dos serviços e dos servidores públicos, opondo-se às privatizações. Uma gestão que valorize de forma efetiva a classe trabalhadora que é quem gera riqueza nesse país. Não dá mais para termos governos como o de Rodrigo Garcia e Jair Bolsonaro que cortam investimentos da educação pública, que desmontam o SUS, que criminalizam os movimentos sociais, que negam casa e comida na mesa de milhões e que condenam nós todos a uma vida de desalento.

Para reverter a agenda regressiva que tomou conta do país, precisamos de um time que lute em conjunto por um projeto que garanta de forma imediata a retomada do crescimento com geração de emprego e renda dignos e isso só será possível primeiro com Lula e Fernando Haddad eleitos e segundo com a eleição de deputados e deputadas comprometidos com essa agenda, com a agenda da classe trabalhadora. Só assim colocaremos São Paulo e o Brasil no rumo da mudança para todos e todas e não para uma minoria rica, que é o que vem sendo feito.

Portal CTB – Vivemos um momento político conturbado, de profunda crise econômica e social. Quais serão os desafios dos deputados e deputadas representantes da classe trabalhadora neste próximo período?

Rene Vicente: Penso que um grande desafio será reverter as reformas Trabalhista e da Previdência, mas também sei que não será impossível. Essas duas (de)reformas são verdadeiros crimes contra nosso povo e nosso país. Elas não só contribuíram para a crise que vivemos hoje como são ingredientes de destaque na onda que empurrou os trabalhadores e trabalhadoras para uma vida de péssimos salários, precarização, adoecimento e até suicídio. Vale lembrar que a reforma estagnou o nível de renda do trabalhador, que segue em cerca de R$ 2.700 mensais após cinco anos de sua sanção pelo então presidente Michel Temer. E mais, neste mesmo período a inflação acumulou alta de 30%.

Já temos exemplos pelo mundo da reversão da reforma trabalhista. Veja o que acontece na Espanha hoje. Segundo informações do Ministério do Trabalho e Economia Social da Espanha, publicados no Portal Brasil de Fato, o número de trabalhadores desempregados hoje naquele país é o menor registrado nos últimos 14 anos (2,9 milhões em julho).

Creio que se mudarmos a configuração do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas com candidatos e candidatas comprometidos com essa agenda, podemos construir as condições para virar o jogo e fazer a nossa própria contrarreforma.

Fonte: CTB NACIONAL

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Coleção Memória das Lutas Populares no RN - Hélio Xavier de Vasconcelos, PRESENTE, SEMPRE!

Hélio Xavier de Vasconcelos

Cursou Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na turma de 1961. Presidiu a Seccional Potiguar de primeiro de fevereiro de 1993 a primeiro de fevereiro de 1995. Durante sua gestão recebeu a medalha “Djalma Marinho” e fez questão de dividi-la com a própria OAB/RN.

Apresentação - Hélio Xavier de Vasconcelos - Volume XII

Hélio Xavier de Vasconcelos
Prefácio de Moacyr de Góes

Diz Godard em seu último filme¹:

Não existe resistência sem memória.

Este livro de, e em homenagem a, Hélio Vasconcelos é uma consolidação de memórias, consequentemente, matéria-prima para a continuidade da luta da resistência política, atributo de nossa geração, dele e minha. À lição de Godard eu acrescento: que esta memória seja de qualidade para poder servir à resistência. E isso vai ser encontrado neste livro, sendo a primeira dessas qualidades a coerência de uma vida.

1 - POLÍTICA E COERÊNCIA – Dos papéis aqui editados, vou tomar duas datas: 21 de março de 1959 e 01 de fevereiro de 1993. A primeira é a de seu discurso quando da instalação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a segunda sua falta quando assumiu a presidência da OAB/RN.

a) – Em 1959 diz Hélio Vasconcelos:

Sejamos heroicamente fiéis ao nosso destino. O Péguy católico e o Péguy socialista – ambos possuíam sobre o destino, a mesma doutrina, “um homem é responsável por certo destino. Possui esse destino, mas também é possuído por ele. Não é possível dissolidarizar-se dele.” Tomemos para nós, geração necessariamente poética e inquieta. A lição do escritor francês; liguemos o nosso destino ao destino do nosso povo. Sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino.

b) – Em 1993 diz Hélio Vasconcelos:

Escolhi dois colegas advogados para neles sintetizar a nossa gratidão. Refiro-me às pessoas de Carlos Antônio Varela Barca, nosso ex-presidente, valoroso, combativo, inteligente, probo, grande defensor das públicas liberdades; o outro, Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado dos humildes, patriota convicto, estudioso dos problemas brasileiros, digno e forte, bárbara e covardemente trucidado nos porões da ditadura. Um cristão, o outro socialista, ambos com os mesmos sentimentos, os mesmos sonhos, as mesmas esperanças. A eles e tantos outros que se foram a nossa homenagem (...).

Entre as duas datas, 34 anos se passaram: um tempo com dias claros de alegria, outros dias com o peso de chumbo do sofrimento; tempos de trabalho, de criação e recriação e, principalmente, de coerência e esperança. Ao curso de sua vida, Hélio procurou valorizar os humanismos cristão e marxista, como demonstram os dois discursos, aproximando-os, politicamente.

Desde o movimento estudantil, é visível o crescimento político de Hélio. Muito terá contribuído para isso sua aproximação de Luiz Maranhão. Repetia-se, aqui, um comum fenômeno brasileiro: inúmeros intelectuais cresceram na escola do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nas oito últimas décadas do século 20. Ali era o locus de encontro com o pensamento teórico marxista-leninista e, com o Partido na clandestinidade, a práxis se fazia através de alianças políticas no campo burguês, oscilando a opção como pêndulo nos apoios aos partidos tradicionais. Desta prática vão nascer, em Hélio, traços profundos de amizade às lideranças de Dinarte Mariz e Djalma Marinho. Isso, todavia, não o impede de reiterar sua vocação de esquerda e apoiar a administração do Prefeito Djalma Maranhão (1960-64).

Acredito que será a partir do Centro de Cultura Popular de Natal (CCP da UNE), de 1962 a 64, que Hélio vai se tornar mais visível no campo político potiguar, com luz própria. Ali ele vai liderar uma aliança marxista e cristãos de esquerda e passar a influenciar um movimento ascendente de jovens, dentro e fora da Universidade. Este CCP, falando pelo PCB e pela AP (Ação Popular), vai ser um importante aliado da Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, dirigida pelo Prefeito Djalma Maranhão. Datam desse tempo a realização de vários eventos comuns, desenvolvidos em Natal, principalmente nas áreas dos sindicatos de trabalhadores e dos Comitês Nacionalistas que, criados em 1960, funcionaram alguns até o Golpe de Estado de 1964. No campo cultural, lembro que estivemos lentos na encenação teatral de um novo julgamento de Tiradentes e na realização de um congresso de cultura popular que contou com a colaboração de vários intelectuais oriundos de diversos Estados brasileiros e que se encerrou na praça pública, numa passeata de Primeiro de Maio, celebrando nossa visão utópica de uma aliança operário-estudantil-camponesa. Tempos de sonhos. Também, tempos de lutas pelas Reformas de Base do Governo Jango, quando vários manifestos políticos da esquerda nacionalista foram redigidos a quatro mãos - as dele e as minhas – nas salas da Prefeitura de Natal que, no dia do Golpe, se autodenominou, com muito orgulho nosso, o QG da Legalidade e da Resistência.

Depois, vieram as prisões de 1964; o auto-exílio no Rio de Janeiro; o desemprego; a ansiedade do político perseguido. Mais tarde, a vida que segue: o reingresso no mundo do trabalho, primeiro, vendendo colchões no subúrbio carioca do Vila da Penha, depois já na FUNABEM (1966), exercendo o ofício de advogado; o casamento com Hilda, o nascimento das filhas Inah, Zilda e Gabriela; a volta para Natal; a anistia; a retomada da vida pública: Procurador do Poder Legislativo; Secretário de Estado de Educação e Cultura (1983-87); Presidência da OAB/RN (1993-95). Ele que, em 1959, como estudante, fizera a convocação sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino, nos anos 80 volta à UFRN e funda a disciplina Direito da Criança e do Adolescente e nela leciona até a aposentadoria.

Ai está o nosso primeiro e principal destaque neste Prefácio: a coerência de um homem.

2 - O ADMINISTRADOR – O segundo aspecto que quero ressaltar é a sua qualidade de administrador, também coerente aos seus paradigmas políticos. Vou utilizar as datas de 1987 e 1995, e isto é os discursos de transmissão de cargos exercidos por Hélio, o primeiro de Secretário de Estado de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte e o segundo de seu mandato de presidente da OAB/RN.

Na SEEC ele foi formulador de uma política educacional que denominou de Escola Aberta e Democrática. Chamo atenção para a data na qual iniciou o seu trabalho: novembro de 1983. Esta é a época em que já estava exaurida a Ditadura, mas o Estado de Direito ainda não havia surgido. Esta transição é um período de imensas dificuldades, mas Hélio não tem medo. Vai trabalhar com o espólio recebido que é uma educação pública em pedaços. Quando, depois de 3 anos, 3 meses e quinze dias entrega o cargo ao seu sucessor, pode dizer em seu discurso que a proposta da Escola Aberta e Democrática é o locus no qual Direção, Professores, Especialistas, Estudantes, Funcionários e a própria comunidade convivessem e participassem integralmente para que a instituição funcionasse bem. Escola que fosse o local aberto às discussões sobre os problemas educacionais e aqueles outros comuns à própria comunidade.

Dirá que esta escola sonhada não será uma concessão de Estado, de Governo, e sim uma conquista de responsabilidade de todos. E de forma lúcida declara: sabíamos também que a Escola Aberta e Democrática não seria alcançada isoladamente, mas, e tão somente, quando a própria sociedade brasileira conquistasse a democratização global do país.

Além dessa construção democrática, outros resultados são importantes: o aumento de 19,49% de acesso à rede escolar: a realização do primeiro Concurso Público para o Magistério Potiguar: a implantação do Estatuto do Magistério, a modernização dos serviços da Secretaria, etc. Quanto à prestação de contas, Hélio é minucioso em informar cada tostão recebido e cada tostão aplicado. A transparência é uma de duas qualidades administrativas.

E mais uma vez, coerente e fiel aos seus postulados políticos, dirá de forma clara as limitações brasileiras no campo das escolas: Sabemos quão difícil e penoso é fazer-se educação em um país em que o sistema econômico seja capitalista.

O segundo discurso, o de 1995 quando transmite o cargo de Presidente da OAB/RN, é tambémuma detalhada prestação de contas. Suas palavras ficarão para a história das lutas para dotar Natal de um Fórum Judiciário. Hélio quer somente um lugar digno, acessível, onde trabalhem Advogados, Juízes, representantes do Ministério Público, serventuários da Justiça e funcionem as Varas Cíveis e respectivos cartórios. Esta seria uma ferramenta para alavancar a solução de um dos mais graves problemas – nas suas palavras: a morosidade da Justiça no Brasil (...) (é) uma das mais perversas formas de injustiça que, atingindo a todos, violenta e massacra, sobretudo, os mais fracos. Mais uma vez é a visão política da questão e, mais uma vez, a coerência do gesto. No biênio da gestão Hélio Vasconcelos, a Defensoria Pública, as Procuradorias do Estado e do Município de Natal contaram com o seu apoio e a própria OAB/RN prestou assistência judiciária gratuita a 3.344 pessoas carentes. Finalmente, seguindo a tradição da OAB brasileira, a entidade potiguar foi além da legítima defesa corporativa e exerceu o mandato que lhe é inerente de defesa do estado de direito, da democracia e da luta pelos direitos humanos.

3 - O HOMEM – Felizes aqueles que convivem com Hélio Vasconcelos. Por mais que se estude, academicamente, o seu pensamento, através de seus escritos, a formação de um perfil dele fica a dever à atmosfera que ele cria pela palavra oral, pelo gesto, pela conversa jogada fora, pela cumplicidade conspiratória, pelo alto astral, pelas anedotas, sempre contadas (e vale a pena ouvi-las várias vezes) pelo humor fino, pela risada solta (tão solta que as vezes é acompanhada de uma batida de sola do pé no chão). Daí a importância dos depoimentos acolhidos neste livro — eles desvelam o olhar do outro, dos amigos, sobre o nosso herói. Digo mais, por experiência própria: uma cervejada com Hélio e Omar Pimenta, quando a noite ainda é uma criança, é uma festa — da qual Paris perde!

De seu humor, Hélio não abre mão nos momentos mais solenes e também nos mais tensos (aqui poderia contar dezenas de causos se houvessem espaço e tempo suficientes). Lembro o setembro de 1992, quando o Professor Otto de Brito Guerra recebeu da OAB o título de Benemérito e Hélio foi o orador. Lá para as tantas, o discípulo se permiteinvadir a intimidade do mestre para contar uma história de seu próprio filho, Luiz Guerra. E conta que Luiz chegando em casa pela alta madrugada, vindo de uma farra homérica, liga o som em toda altura e desperta Dr. Otto que vem à sala admoestá-lo. E diz; meu filho, se você continuar assim vai terminar sendo um ébrio contumaz. Ao que Luiz retrucou: com Tomaz não, com Hélio. E conclui o orador: com esta afirmação caía por terra o restinho de credibilidade do pobre Hélio perante o Mestre. Dá para imaginar o riso discreto do Dr. Otto e a risada geral do auditório.

Uma vez já contei em um livro meu (Sem Paisagem – Memórias da Prisão)² uma boutade de Hélio. Conto, novamente. No final de junho ou início de julho de 1964 houve um grande movimento de transferência de presos políticos pelos quarteis da Cidade. Assim, um dia, chega Hélio ao Quartel de Polícia onde me encontrava, vindo ele do R.O. Abraços, risos, alegria de reencontro. E o importante: ele trazia debaixo do braço um vade-mecum. Era uma época em que a imprensa metralhava diariamente que os presos políticos estavam enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Aí, eu tomei o livro de suas mãos e pedi:

- Hélio, é possível eu ser enquadrado em algum artigo da Lei de Segurança Nacional? Veja.

Aí ele, sem abrir o vade-mecum, estalou uma risada, respondendo:

- Em todos, mestre, em todos os artigos!

Foi quando eu me dei conta da realidade: o preso político estava na cadeia por crime de opinião, o que não é uma questão jurídica. Chocado de início, terminamos rindo juntos.

Quando se fala em Hélio Vasconcelos, o difícil é parar. Mesmo assim, eu tenho que colocar um ponto final. Direi, então, como meus netos Bruno e Mateus que, ao falar de alguém que admiram e gostam, eles dizem: ele é um cara legal, sinistro e irado. Acho que isso é o reconhecimento ao carisma de alguém. Isso vai para Hélio que, quando jovem (antes de Hilda, por favor me entendam), também foi um grande mulherengo. E as mulheres diziam que ele tinha borogodó. Sobre isso não posso passar recibo.

Rio de Janeiro, 05 de novembro de 2011.

Moacyr de Góes

Notas de rodapé:

1 - Jornal O Globo. Rio. 28-X-2001. In entrevista de Luiz Fernando de Carvalho, diretor do filme “Lavoura Arcaica”.

2 - GOÉS. Moacyr de. Sem paisagem – Memórias da Prisão. Edição Europa. Rio, 1989.

Fonte: http://www.dhnet.org.br

domingo, 4 de setembro de 2022

Pesquisa Ipespe para presidente: Lula tem 44%; Bolsonaro, 35%

Foto divulgação
Pesquisa Ipespe/Abrapel para as eleições presidenciais de 2022, divulgada neste sábado (3), traz o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com 35%. O primeiro turno das eleições está marcado para 2 de outubro.

A nova pesquisa, segundo o Ipespe, se trata de um termômetro com base na repercussão das comunicações das campanhas dos candidatos ao cargo de presidente.

No levantamento anterior, publicado em 31 de agosto, Lula aparecia com 43%, e Bolsonaro, com 35%, variando dentro da margem de erro.

Depois aparecem Ciro Gomes (PDT), com 9%, e Simone Tebet (MDB), com 5%. Em seguida, estão Felipe D’Avila (Novo) com 1%, e Soraya Thronicke (União Brasil), com 1%.

Outros seis candidatos incluídos na pesquisa foram citados pelos entrevistados, mas não chegaram a 1%: Pablo Marçal (Pros), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU) e Leonardo Péricles (UP), José Maria Eymael (DC) e Roberto Jefferson (PTB).

Os que dizem que irão votar em branco, anular ou deixar de votar somam 3%. Os que não souberam ou preferiram não responder são 2%.

Mil e cem pessoas foram entrevistadas por telefone entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. O levantamento tem 95,45% de confiança.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09344/2022.

Veja abaixo os resultados.

Primeiro turno

Intenção de voto estimulada para presidente

  • Lula (PT) — 44%
  • Bolsonaro (PL) — 35%
  • Ciro Gomes (PDT) — 9%
  • Simone Tebet (MDB) — 5%
  • Felipe D’Avila (Novo) — 1%
  • Soraya Thronicke (União Brasil) — 1%
  • Pablo Marçal (Pros) – 0%
  • Sofia Manzano (PCB) — 0%
  • Roberto Jefferson (PTB) – 0%
  • Vera Lúcia (PSTU) — 0%
  • Leonardo Péricles (UP) — 0%
  • José Maria Eymael (DC) — 0%
  • Branco/Nulo/Não vai votar – 3%
  • Não sabe/Não respondeu – 2%

Segundo turno

O Ipespe/Abrapel também simulou um cenário de segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Em relação à pesquisa anterior, de agosto, o petista manteve os 53%, assim como o atual presidente que manteve os 38%.

Intenção de voto estimulada para presidente

  • Lula (PT) — 53%
  • Bolsonaro (PL) — 38%
  • Branco/Nulo/Não vai votar/Não sabe/Não respondeu – 9%

Fonte: cnnbrasil

Com Potiguar Notícias

Bancada do PCdoB votou 100% a favor dos trabalhadores, indica o DIAP - Por guiomar2

 

O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) lançou a plataforma digital “Quem foi Quem” que mostra como votaram os congressistas em projetos e medidas de interesse social e dos trabalhadores.

A finalidade é revelar como os deputados federais e senadores da atual legislatura se posicionaram como forma de estímulo à participação política e ao voto consciente. Neste ponto a bancada do PCdoB se destaca, pois votou 100% a favor das pautas em benefício dos trabalhadores.

Pela plataforma é possível verificar as estatísticas dos 32 partidos políticos, os votos dos parlamentares e ver como ficou a votação de cada assunto de interesse do mundo trabalhista.

Para chegar na relação, o Diap utilizou os seguintes critérios:

1) a importância da matéria sob os pontos de vistas político, econômico e/ou social;

2) o registro nominal do voto de cada parlamentar, excetuando as de forma simbólica quando não há registro do voto por tratarem de matérias consensuais ou em função de manobras regimentais;

3) o grau de disputa entre oposição e situação, exigindo-se em cada votação uma oposição superior a 20% da Casa do Congresso, no caso da Câmara com divergência superior a 100 votos;

4) o aspecto temporal das propostas de leis submetidas para votação pelos parlamentares com vigência permanente ou temporária das políticas públicas;

5) a clareza do dispositivo votado em relação ao objetivo pretendido, de modo a não deixar margens para dúvidas sobre o conteúdo da votação.

Acesse a plataforma — www.quemfoiquem.org.br — e confira as votações que se deram no Congresso ao longo desta legislatura pelas quais os deputados do PCdoB sempre estiveram ao lado dos trabalhadores.

(MS).

Fonte: https://pcdob.org.br

INTERNACIONAL: Dante Ledesma: “Bolsonaro nega a Humanidade” - por Leonardo Wexell Severo

 

“Para esse governo e sua corja, a fraternidade não existe”, denunciou o cantor e compositor brasileiro-argentino.

“Bolsonaro é a negação da Humanidade. Para esse governo e sua corja, a fraternidade não existe, a Amazônia deve ser entregue, o índio é lixo e o abandono de crianças uma constante. Por isso precisamos de uma grande frente pela Pátria”, afirmou o renomado cantor e compositor brasileiro-argentino, Dante Ramón Ledesma, em entrevista exclusiva.

Durante visita a São Carlos-SP, ao lado de amigos, um dos ícones da música nativista gaúcha e latino-americana fez ecoar, nesta quinta-feira (1º), composições magistrais de sua autoria com parceiros como Humberto Gabbi Zanata e Mario Eleú Silva, ao lado de canções imortalizadas pelo uruguaio Daniel Viglietti, pelos argentinos Atahualpa Yupanqui e Mercedes Sosa e pelo cubano Pablo Milanés.

Após ter um primo-irmão “desaparecido” e uma amiga queimada e torturada pela ditadura argentina, o sociólogo formado pela Universidade de Córdoba – tendo prestado durante nove anos assistência a menores infratores – decidiu viver no Rio Grande do Sul no final dos anos 70 e naturalizar-se brasileiro. Trazia na bagagem o fato de ter vencido na categoria juvenil o Festival de Cosquín – o mais importante de música folclórica argentina – com a canção Memória del Che, em homenagem a Ernesto Guevara de la Serna. “Quando se abram as portas do país americano, seremos todos irmãos com uma mesma liberdade”, exaltava a canção.

Em 1982 houve a Guerra das Malvinas, com a Argentina confrontando a Inglaterra e exigindo sua soberania sobre as Ilhas, ocupadas desde 1833 pelo império britânico. E Dante bradou: “há uma gaivota ferida no Atlântico/ há mais de um século cativa de um pirata europeu/ sonha ser livre um dia e olha triste o continente/ quer voar até ele, mas suas asas não podem/ tem cravado no peito um selo estrangeiro/ e escuta calada um hino que não é seu de seu povo/ Imagina-se voando, livre como há pouco tempo/ em que a abriram as portas, mas a fecharam de novo/ Ainda está aberta a ferida, que tua tristeza deixou a meu povo/ todo o continente grita, a esperança de teu sonho/ livre voarás Malvinas sob o azul e branco de teu céu”.

Agora era preciso sobreviver no Brasil. Exímio vendedor da enciclopédia Delta Larrousse, bem bastante precioso na época, foi enviado de Porto Alegre para Alegrete, na fronteira Oeste, onde conquistava bons resultados econômicos vinculando suas vendas a apresentações artísticas cada vez mais concorridas. Abraçado pela Sociedade de Engenharia local, dirigida por Alcione Conde Severo, Ascânio Villaverde Moura e Antônio Carlos Schmidt rapidamente virou símbolo de resistência à ditadura do general Figueiredo. E veio o Projeto Cantar, organizado pelos principais grêmios estudantis da cidade, liderados pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) – data da caída em combate do Che. Ali interpretou “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, às vésperas das decisivas eleições de 1982, contribuindo para a vitória da oposição na cidade.

Virada a página, restaram elementos dentro da Polícia Federal (PF), que decidiram perseguir o cantautor “Castelhano”. “Me pegaram e disseram: veja o que está fazendo aqui alguém de fora… Por casualidade é Tupamaro [grupo guerrilheiro marxista-leninista uruguaio]? Mostre a mão esquerda. Queriam ver a estrela que aqueles militantes carregavam tatuada suavemente”. Felizmente, recordou, as coisas haviam mudado no Brasil e “uma hora depois fui avisado por amigos que o novo chefe da Federal já tinha determinado que os dois agentes que me abordaram fossem demitidos”. “A partir de agora não vão mais incomodar o Castelhano”, me informaram.

Logo foi apresentado por Alcione ao médico e compositor Mario Eleú Silva, de Rosário do Sul, que buscava um intérprete para a música Orelhano. Na voz do argentino, em 1984, Orelhano se tornou um dos maiores clássicos nativistas do Estado, fato que o próprio Dante considera como “ter ganho um prêmio da loteria”. Na sua exitosa carreira artística constam duas dezenas de CDs e nove discos de ouro, tendo mais de três milhões de cópias vendidas, e milhares de espetáculos em toda a América Latina e Europa.

Memória histórica

Para o músico, que integrou desde cedo a ONG Carismáticos, de origem católica, devemos valorizar a história sagrada do continente como nossa maior riqueza, para podermos avançar com solidariedade, serenidade e constância e “assim sustentarmos nossas convicções de irmandade entre os povos”. Por isso, acredita que este é o momento de recordar “quem durante a pandemia ironizou as pessoas e pediu um dólar por vacina [lembrando a propina no Ministério de Saúde]” como uma das muitas corrupções deste governo.

Dante aponta que o período Bolsonaro faz lembrar os tempos mais sombrios das ditaduras do continente. “Assim que assumiram recebi uma ligação me pedindo para evitar palavras com temas sociais, que falassem de fome, da falta de pão… Foi então que respondi: agora é que mais vou cantar. O problema é que no Rio Grande Sul, afora João Almeida Neto, outros anularam o seu repertório para serem convidados para cantar. A Rede Brasil Sul (RBS) faz de tudo para controlar o que se fala e nos corta espaço”. Entre outros exemplos de tentativa de intimidação citou o ocorrido na cidade de Vacaria: “ali tinha gente na primeira fila do show para gravar e filmar tudo que eu dizia”.

Mas há questões mais graves, aponta, como o recente assassinato de um menino em São Gabriel, que desapareceu após ser abordado por policiais militares, com o seu corpo encontrado posteriormente submerso em um açude. Ou do militante do Partido dos Trabalhadores (PT) assassinado em Foz do Iguaçu por um delinquente bolsonarista.

“Recordemos De Ricardo Salles”

Frequentador do Pantanal mato-grossense, o cantor também eleva o tom contra as queimadas patrocinadas pelos que querem sua devastação, e denuncia elementos como o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, envolvido no contrabando ilegal de madeira para os Estados Unidos e para a Europa. “Desde o governo de Juan Domingo Perón na Argentina [em meados dos anos 40] já se falava do interesse estrangeiro pela Amazônia. Com Ricardo Salles foram levadas milhares de toras de árvores de 50, de 70 anos, riqueza que pertence à Pátria, à Terra e à Humanidade. Da mesma forma que tucanos e outras aves foram levados em gaiolas, sem falar do nosso minério”, condenou.

Profundamente identificado com o trabalho do campo, Dante foi finalista do Festival Acordes Cataratas de Foz do Iguaçu, em 1991, com a música “A Vitória do Trigo”: “Não precisa ser herói/ Para lutar pela terra/ Porque quando a fome dói/ Qualquer homem entra em guerra/ É preciso ter cuidado/ Para evitar essa luta/ Pois cada pai é um soldado/ Quando é o pão que se disputa/ Se somos todos irmãos/ Se todos somos amigos/ Basta um pedaço de chão/ Para a vitória do trigo/ Basta um pedaço de terra/ Para a semente ser pão/ Enquanto a fome faz guerra/ A paz espera no chão”. Conforme o Wikipedia, essa canção é considerada em seis países da Europa a mais representativa para as famílias sem-terra latino-americanas.

Recordando contribuições anti-imperialistas e integracionistas como a do professor Humberto Gabbi Zanata e de Francisco Alves com a música América Latina, Dante declama: “Talvez um dia, não mais existam aramados/ E nem cancelas nos limites da fronteira/ Talvez um dia, milhões de vozes se erguerão/ Numa só voz, desde o mar as cordilheiras/ A mão do índio, explorado, aniquilado/ Do camponês, mãos calejadas, e sem-terra/ Do peão rude que humilde anda changueando/ E dos jovens, que sem saber morrem nas guerras/ América Latina, Latina América/ Amada América, de sangue e suor”. E emociona: “Talvez um dia, o gemido das masmorras/ E o suor dos operários e mineiros/ Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos/ E as cicatrizes de tantos guerrilheiros/ Talvez um dia, o silêncio dos covardes/ Nos desperte da inconsciência deste sono/ E o grito do Sepé na voz do povo/ Vai nos lembrar que esta terra ainda tem dono/ E as sesmarias, de campos e riquezas/ Que se concentram nas mãos de pouca gente/ Serão lavradas pelo arado da justiça/ De norte a sul, no Latino Continente”.

Com voz e olhares firmes e cativantes, Dante se despediu da aniversariante Maria Lucia Saran Azevedo com um sorriso: “Venceremos, sem perder a ternura jamais!”.

Fonte:https://vermelho.org.br

14 estados garantem vantagem de Lula sobre Bolsonaro; veja quais são !

por André Cintra

Hoje, há empate técnico entre Lula e Bolsonaro em seis estados . Já o atual presidente lidera em seis unidades federativas.

Na maioria dos estados brasileiros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa à sucessão de Jair Bolsonaro (PL) no Planalto. O “mapa dos votos”, divulgado neste sábado (3) pelo O Globo, mostra que, na comparação do desempenho dos principais candidatos em 26 unidades federativas do País, Lula se sai melhor na maioria. Apenas o Pará não está na contabilidade.

O jornal carioca cruzou dados das três últimas pesquisas Ipec contratadas pela TV Globo. Conforme o levantamento, o petista está à frente em 14 estados, incluindo os nove do Nordeste, em especial o Piauí (onde ele tem 69% das intenções de voto) e o Maranhão (66%). Lula também sobressai em São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Hoje, há empate técnico entre Lula e Bolsonaro em seis estados – com destaque para o Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do Brasil. Já o atual presidente lidera no Distrito Federal, em Santa Catarina, no Mato Grosso e em três unidades federativas da região Norte – Acre, Rondônia e Roraima.

A terceira via, até aqui, só alcança algum destaque nos estados de seus candidatos. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem 14% no Ceará, onde empata com Bolsonaro dentro da margem de erro. Já Simone Tebet (MDB) obtém sua melhor pontuação (8%) no Mato Grosso do Sul, estado do qual é senadora.

Para Mayra Goulart, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS), a elevada rejeição ao governo Jair Bolsonaro ajuda a explicar as pesquisas nos estados. O caso mais inusitado é o de São Paulo, onde Lula foi o mais votado apenas em 2002.

“Na eleição presidencial, o PT não fica à frente em São Paulo há muitos anos, porque lá o antipetismo é muito forte. Em estados onde se tem uma concentração relevante de camadas com renda alta e média, o desgaste de Bolsonaro com lideranças da direita acaba fazendo diferença”, afirma Mayra. “Há ainda um desembarque do lavajatismo da base de apoio de Bolsonaro após a pandemia.”

Fonte: https://vermelho.org.br