ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 23 de outubro de 2021

Luciana Santos: A Federação é como uma janela de oportunidades

Fotos: Richard Silva 

A plenária final do 15º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que se encerrou no último domingo (17) deu demonstrações de muita unidade política, foi como definiu após o evento, a presidenta nacional do PCdoB, vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos em entrevista ao Portal PCdoB. 


Reconduzida para a presidência do partido para o próximo quadriênio, a dirigente alegou que, além da unidade, a atividade nacional combinou “euforia e alegria” entre os participantes. “É o auge da democracia interna”, explicou. 


“A principal marca foi da unidade. A principal expressão dessa unidade é que o nosso projeto de resolução política foi aprovado por unanimidade”, contou. Para Luciana, o clima do congresso partidário foi animado por conta da exitosa “alternativa que construímos aos dilemas e ameaças que nós vivíamos em função das regras autoritárias eleitorais que impunham muitos limites à ação institucional do PCdoB”, ponderou ela, referindo-se à aprovação da lei que possibilita as federações partidárias. 


“Penso que mesmo antes da plenária, o nosso principal motivo de festa foi exatamente a conquista da Federação, não como a solução para todos as questões, não como a panaceia para todos os problemas que a gente está vivendo, mas como a janela de oportunidade pela importância estratégica e tática que esta ferramenta tem para todos nós”, acrescentou a dirigente. 


Na entrevista, a presidenta concebeu que o clima de congraçamento do 15º Congresso teve outro ingrediente a mais em relação às edições anteriores. “É o momento que marca o início do nosso centenário e por isso mesmo, recheado de muita emoção pelo significado histórico. A nova direção eleita é a direção do centenário, então tudo isso revestiu o congresso de muita emoção, de muito brilho e de muito entusiasmo para os desafios que virão pela frente”, avaliou. 


Sobre a sua recondução ao comando do PCdoB, Luciana Santos disse que se sente “muito honrada e feliz pelo reconhecimento dos camaradas de me reconduzir à presidência de um partido do tipo do nosso, que — nada mais, nada menos –, tem como perspectiva a construção do socialismo no país e que carrega um legado de quatro gerações de dirigentes que foram ícones da história brasileira. — Não só da história do Partido Comunista, mas do Brasil! — São gerações e gerações de brasileiros e brasileiras que se destacaram pela sua genialidade, pela sua capacidade política, pelo seu desprendimento e firmeza ideológica”, disse. 


 

“Ao mesmo tempo tenho um grande senso de responsabilidade em dar continuidade a essa perspectiva histórica e poder continuar escrevendo belas páginas desta história que se confunde com a história do povo brasileiro.  Esse é um grande desafio. Estar à frente desse coletivo do Comitê Central e atuar para que ele possa fazer jus à essa tradição de força, de conteúdo e capacidade de elaboração teórica do nosso partido, fazer valer esse legado e responder às contradições e às necessidades da luta histórica do nosso tempo”. 


Frente Ampla 


A frente ampla para isolar e derrotar Jair Bolsonaro está entre os principais planos do PCdoB, considerou Luciana. “Primeiro, a consolidação da frente ampla, que é um aspecto tático geral, que tem o DNA e a marca do PCdoB, e do quanto isso vem ganhando adesão, mas a inquietação do quanto também é difícil consolidar essa frente ampla, porque há muitas incompreensões”. 


De acordo com presidenta, “vários setores das nossas forças” têm dificuldade de compreender a necessidade das alianças e as etapas de cada uma delas. “Uma coisa é a luta contra Bolsonaro, são os atos que vão unir todos os setores que de alguma maneira estão insatisfeitos com esse governo, mesmo aqueles que já foram da base de apoio do presidente. Outra coisa é a constituição de uma aliança programática para 2022, de atuação conjunta por um período mais longo”, salientou. 


Luciana citou a iniciativa do Colégio Eleitoral e o movimento das Diretas Já como exemplos de frentes que geraram inflexões na história recente do país. “[Diretas Já] Foi também bastante amplo, reuniu diversas forças que não têm o mesmo pensamento programático (e que muitas vezes tinham pensamentos antagônicos na agenda econômica), mas que naquela época o que movia era a questão democrática”, exemplificou a dirigente. 


Manifestação na Av. Paulista. | Foto: Alcineia Pereira 

Ela complementou dizendo que é urgente a interrupção da agenda “nefasta ao Brasil” que é a de Bolsonaro. “Precisamos nos concentrar no que tem motivado amplos setores a se reunir em atos públicos, em iniciativas comuns e esse será, portanto, um trabalho muito árduo e que tem que ter muita contribuição do nosso partido, procurando exatamente agregar esses setores por mais díspares que possam ser no âmbito de posicionamentos políticos”. 


Federação partidária 


Sobre os próximos passos após a promulgação da Federação, Luciana informou que o PCdoB atua ao lado de outras forças políticas em diálogo com os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no sentido de regulamentar a lei 14.208/21, que autoriza a criação das federações partidárias, “na perspectiva de garantir a essência da lei que é a autonomia e identidade dos partidos, que é um pressuposto da Federação”. 


De acordo com ela, tal esforço “ajudará com as alianças que serão feitas, porque elas vão exigir um estatuto que terá um programa mínimo e a gente quer exatamente que a regulamentação do TSE não prejudique essa construção, uma vez que, na prática, se a regulamentação for muito exagerada ela acaba prejudicando essa construção. Então esse é o esforço que a gente está fazendo nesse momento”. 


“Os desdobramentos da federação, especialmente a decisão sobre com quem se federar, vai exigir muita sagacidade política”, ponderou Luciana Santos. “É entender o tempo político de cada força, porque a essa altura nenhuma força tem unidade para decidir com quem (ou se vai) se federar. Então a gente vai ter que fazer um trabalho de escuta, de pulso desse desenho, dessa geografia política, que exigirá muito refinamento e muita sagacidade política de todos nós”. 


Na entrevista, Luciana lembrou que embora a federação tenha até as convenções eleitorais do ano que vem para acontecer, “elas precisam estar consolidadas até a janela dos partidos, para possibilitar que a movimentação das lideranças políticas se dê de modo a construir uma equação do nosso campo progressista, popular e de esquerda que nos permita acumular forças”.
 


Pois, segunda a opinião da dirigente, é preciso “cuidar” para se construir uma bancada no Congresso Nacional com maior nitidez político-ideológica. “Nós temos que cuidar para ter uma bancada com maior nitidez político-ideológica, com um pensamento econômico social e político que se coadune com o que a gente pensa de saídas para o Brasil, para um país inclusivo, com crescimento econômico, com um Estado que possa induzir o desenvolvimento nacional, então teremos que estabelecer essas conversações, inclusive entre nós mesmos, imaginando qual é a equação que nos fortalece mais”, acrescentou ela. 


Perspectivas 


A presidenta do PCdoB disse ter boas perspectivas para o PCdoB no próximo quadriênio e que “espera um partido mais influente, que consiga dominar mais a realidade brasileira e na medida que domine mais a realidade possa apresentar saídas de prosperidade, de inclusão social e que ajude naquilo que está no nosso programa, fruto do acúmulo desse tempo todo: o Socialismo como destino e o novo Projeto Nacional de Desenvolvimento como rumo”. 


Luciana Santos afirmou que é necessário “dominar a realidade brasileira e todos os fenômenos estruturantes que mudam a dinâmica da própria lógica do mercado, da produção de riquezas e o impacto que isso tem nas nossas estruturas”. Na opinião da dirigente, “esse esforço é peculiar no nosso tipo de partido, um partido leninista que se inspira num fundamento teórico que serve para nós como referência e que procura compreender as dinâmicas próprias brasileiras para ter condições de consolidar esse caminho que é o novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Segundo ela, “aprofundar esse conhecimento nos aproxima mais da construção desse projeto de um país soberano, que leva em conta as nossas vocações e potencialidades e que consiga, a partir dessas potencialidades, transformar a realidade para o Brasil”. 


Luciana Santos comentou que “o que nos deixa inconformados é que não é possível um país de dimensão continental do Brasil, com a riqueza que ele tem, tenha uma população tão pobre”. De acordo com a dirigente “essa desigualdade é o que nos incomoda e nos move, porque temos a convicção que é possível ter um Brasil inclusivo, comparado a sua potencialidade e riqueza.  Não dá para admitir ter um país rico com um povo pobre e nós vamos lutar com todas as nossas forças pela superação desse estado de coisas. Para nós isso passa pela implantação desse novo projeto nacional de desenvolvimento. Portanto, a expectativa que a gente tem é que o ano que vem — derrotando essa agenda de extrema direita no Brasil, que é ultraliberal na economia retrógrada nos costumes e autoritária na política — a gente possa entrar no novo ciclo político de inclusão e de crescimento”. 


Segundo ela, “no embalo desse contexto que se abrirá — porque quanto mais se abre um processo democrático popular e progressista, mais nós comunistas temos a possibilidade de acumular força — precisamos cuidar das nossas linhas de construção partidária, ter mais capacidade de nos comunicar com a população, mostrar quem nós somos e quebrar estigmas e preconceitos que são muito marcantes na cultura brasileira”. A dirigente acrescentou que esse estigma vem principalmente das construções narrativas da guerra fria e que tomou uma dimensão ideológica muito significativa no seio do povo brasileiro. “Que a gente possa enfrentar isso com uma capacidade de comunicar o que nós somos, seja nesse aspecto do enfrentamento dos estigmas, seja na nossa capacidade de falar do futuro e convencer mais amplas camadas da população de qual é o nosso projeto, o que nós pensamos para o Brasil”, completou. 


Bancada maior e mais forte 


Na avaliação da dirigente, um PCdoB mais forte exige, entre outros fatores, um desempenho eleitoral favorável.  “O que mede nossa influência é a força e a força nessa quadra do momento que a gente vive no Brasil é força eleitoral. Então nós precisamos ser um partido com uma bancada maior e mais forte no congresso e cada vez mais ligado ao povo nas suas mais diversas formas de organização. Nós temos que nos atualizar nas diversas frentes e até nos reinventar na relação direta para nos ligar ao povo brasileiro nesse seu pluralismo. Ou seja, um partido organizado nas diversas frentes e formas como o povo se organiza, com forte influência política e maior capacidade de comunicação, desenvolvendo mais o domínio dessa comunicação contemporânea que se dá pela internet”. 


 

Bancada do PCdoB na Câmara. 

Vontade política 

De acordo com a presidenta do PCdoB, os desafios do Brasil atual são enormes, mas a vontade de mudar alimenta o ânimo. “O clima é de perspectiva, de esperança, de muita vontade política de todo nosso partido em fazer valer nossa perspectiva que é tornar esse país mais justo e inclusivo. Eu penso que muitas vezes, quando as intempéries e adversidades se apresentam com força, a gente se tempera mais; a sensação que tenho é que a gente aprende mais. E superando algumas batalhas a gente se anima para ganhar a guerra. E a guerra dessa nossa geração é transformar esse Brasil num país de solidariedade, de afeto e de justiça social que o povo brasileiro tanto merece”. 

  

Por Railídia Carvalho

Fonte: PCDOB.ORG.BR 


MOVIMENTOS: Presidenta da UNE chama à unidade contra Bolsonaro e rebate rede de ódio - por Railídia Carvalho

Fotomontagem feita por Artur Nogueira com as fotos de: UN
Alvo de agressões nas redes sociais por defender uma frente ampla contra Bolsonaro em entrevista à Folha de S.Paulo, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz participou na manhã de sexta-feira (22) de entrevista, ao vivo, na TV UOL, comandado por Fabíola Cidral, com participação dos colunistas Kennedy Alencar e Leonardo Sakamoto.

Na ocasião, a dirigente falou sobre as ofensivas que sofreu e defendeu a necessidade de discutir a rede de ódio que existe em amplos espectros políticos. Em sua opinião, as ofensivas tem caráter misógino e racista, potencializados pelo fato de ela se apresentar como a primeira mulher negra e nortista, presidenta da maior entidade estudantil.

“Diversas mulheres negras passam por isso de forma cotidiana na internet, sofrendo ataques de ódio, misóginos, racistas, e a gente precisa enfrentar esse debate de forma muito profunda”, disse aos jornalistas.

Na entrevista, ela contou que “infelizmente os ataques continuam acontecendo” e que tem buscado acionar medidas judiciais para que os criminosos sejam responsabilizados. “A denúncia não pode ser só feita apenas nas redes. Acho que as ‘fake news’ e discursos de ódio precisam ser combatidos judicialmente também” e afirmou também que ficou surpresa que os ataques vieram de setores do campo progressista. “Esperava do bolsonarismo, um enfrentamento direto com essa rede de ódio do bolsonarismo, mas não esperava desses setores isolados do próprio campo que faço parte”, declarou.

Para Bruna, a principal preocupação da política neste momento deveria ser a possibilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Por esse motivo, ela defende a união entre todos os setores que apoiam o impeachment do atual presidente. “Se eles estão topando defender o ‘fora Bolsonaro’ e defender a democracia, por que eles não podem ser um movimento partícipe, no seu campo, na sua visão de ideias?”, questionou.

“Não acho que a gente tem que desconsiderar a participação dessas figuras. Elas mobilizam setores. Se esses setores querem ser ‘fora Bolsonaro’, beleza. Aí na democracia, a gente vai enfrentar todos os ataques que eles fizeram ao campo da esquerda e às figuras também”, completou a dirigente.

Na avaliação de Bruna, Bolsonaro não pode ser subestimado como aconteceu na última eleição. “Em 2018, fizemos isso, todo mundo, direita, esquerda, centro subestimaram Bolsonaro, acharam que ele era mais um palhaço e Bolsonaro se tornou presidente da República”.

A dirigente fez críticas à direita e afirmou que é ilusão acreditar que é possível “domar” o presidente. “A agenda econômica do Bolsonaro, inclusive, não contempla eles. Não é de interesse deles. Talvez exista uma ilusão dessa direita de domar o bolsonarismo”, observou. Segundo ela, a busca pelo diálogo com setores com visões políticas diferentes é responsabilidade das lideranças políticas do país.

Educação

Bruna lembrou que a educação, área fundamental para o futuro do país, foi um dos primeiros alvos de Bolsonaro. Em 2019, o governo federal cortou o orçamento das universidades federais. A dirigente recordou que, naquele momento, estudantes e comunidade acadêmica criaram a jornada de luta para tentar barrar o retrocesso e ficou conhecida como a “Tsunami da Educação”.  Para ela, desde os cortes, “se degringolou e não houve nenhum tipo de projeto estratégico para que as universidades passassem a crescer e ser prioridade ao país”.

Bruna mencionou outro corte no orçamento da educação, ocorrido neste ano. “Nós tivemos um corte de mais de 1 bilhão de reais, que representa 18% do orçamento de todas as 69 universidades federais, e esse corte foi dentro de uma pandemia, onde a universidade atua de forma muito protagonista no combate à pandemia, na produção de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e na disponibilização de leitos dos Hospitais Universitários”.

Na produção de ciência brasileira, a presidenta da UNE questionou: “quanto vale a ciência brasileira ao país?”, sendo que 92% dos recursos foram cortados pelo governo federal, “é de uma gravidade muito grande”, disse. Segundo Bruna, a crise nas universidades é consequência de constantes ataques que afetam 70 mil bolsas de pesquisa e cerca de duas mil delas sobre o combate à pandemia, acrescentou.

Para a dirigente, o governo federal não apresenta nenhum tipo de perspectiva para a educação no país. Segundo ela, o governo está contaminado ideologicamente. “A cortina de fumaça é bem estruturada em todos os ministérios”.

Na entrevista ainda foram abordados temas como o racismo, o retorno às aulas presenciais, investimentos em Educação e as irresponsabilidades do governo Bolsonaro. Segundo Bruna, é preciso fazer o debate do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), que tem 1 milhão de inadimplentes e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que sob o governo Bolsonaro tem registrado recordes negativos de participação estudantil, lembrou.

Bruna também defendeu as cotas raciais e ressaltou a importância deste debate relacionado à assistência estudantil. “Sobre as cotas raciais somos a favor de garantir que ela seja ampliada e de que a gente possa fazer um debate a médio prazo de melhoramento das cotas relacionado à assistência estudantil, articulado com parlamentares e a sociedade civil para formar uma frente de proteção às cotas e que elas possam ser aprovadas no Congresso Nacional, e garantir que por mais tempo conseguimos colocar mais negros, negras, pessoas pobres e indígenas dentro da universidade”. Bruna afirmou que a universidade mudou por causa das cotas “e sabemos que ela precisa ser ampliada, melhorada e jamais extinta”.

Fonte: vermelho.org.br

MOVIMENTOS: Presidenta da UNE chama à unidade contra Bolsonaro e rebate rede de ódio - por Railídia Carvalho

Fonte: Portal PCdoB

terça-feira, 14 de setembro de 2021

A Mãe do Brasil é indígena: uma marcha de mulheres biomas da Terra Pindorama. - Por Potiguar Notícias

Apesar de estarmos enfrentando a pandemia da COVID19, desde o dia 7 de setembro, 5 mil mulheres indígenas de 185 povos ocuparam o gramado da Funarte, em Brasília, na II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, que teve como tema “Mulheres originárias: Reflorestando mentes para a cura da Terra”.

Na chegada, todas nós e as nossas lideranças indígenas femininas da Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e dos Pampas fomos credenciadas e testadas para a Covid-19, dentro da parceria com Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz DF e RJ), Ambulatório de Saúde Indígena da Universidade de Brasília, Secretaria de Saúde do DF e Hospital Universitário de Brasília. 

Nossa delegação do RN, contou com 25 pessoas das aldeias Katu, Sagi, Jacu e Tapará, sendo 20 mulheres e 5 homens. Dentre as mulheres indígenas, 4 do contexto urbano que atuam como militantes em favor da causa dos povos originários do RN.

A II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas contou com uma série de atividades que denunciava não só as violências sofridas por nós mulheres indígenas, como também trouxe a força da ancestralidade, rituais, acolhimento e diversidade, em um momento de celebração e reencontro.

Dessa forma, a Segunda Marcha das mulheres indígenas de todo o Brasil, configurou um chamado das irmãs, das guerreiras da Terra Pindorama.

Sobretudo, foi um encontro das mulheres biomas da Amazônia, do Serrado e da Caatinga, para reflorestar esse Brasil. Todas as regiões representadas por diversas delegações de todo o território brasileiro, lutando pela mesma causa em nome da vida.

Quem achava que mulher indígena só entendia das coisas da roça e da mata, se enganou quando viu do que somos capazes quando mexem com os nossos direitos humanos e ancestrais e criam leis colonialistas para nos prejudicar.

Nem a Pl 490 e nem a tese do Marco temporal, estratégias da bancada ruralista, deteram a garra de nós mulheres. Saímos das aldeias e das cidades, para somarmos força e ocuparmos Brasília num só grito: "Demarcação já!"

As vozes e os maracás de mais de 5 mil mulheres, de várias etnias, ecoaram de norte a sul do Brasil, em todas as redes sociais.

Dias anteriores a marcha, além de termos de suportar o clima quente e seco desta época em Brasília, sofremos com as ameaças à nossa dignidade física e de nossas famílias, por sujeitos fascistas nas redes sociais. Fomos também aterrorizadas durante horas por caminhoneiros amigos dos ruralistas, que fizeram comboio de caminhões ao redor de nosso acampamento. Eles buzinavam dia e noite para alertar do que nos fariam se fizéssemos nossa marcha, mas nós mantemos a calma com o apoio de nossas irmãs coordenadoras e as mulheres sábias organizadoras de nosso movimento.

Enquanto eles nos ameaçavam com mensagens nas redes sociais, cada etnia ali representada, permanecia em cânticos, ritos e rezos de suas distintas culturas, reversando durante o dia todo.

Assim, nos alimentamos com a proteção de nossos encantados e de nossos parentes, fortalecendo o nosso corpo/mente e espírito. O terrorismo teve que dar lugar para a nossa força espiritual e ancestral, com as quais construímos a nossa marcha na manhã do dia 10 de setembro. Foi uma festa colossal!! Um momento Porangeté! Lindíssimo de ver e viver!

A correnteza de mulheres saiu do acampamento localizado na Funarte, seguindo pelo Eixo Monumental e pela via W3 Sul em direção à Praça do Compromisso, local onde, no dia 20 de abril em 1997, o indígena Galdino, Pataxó Hã-Hã-Hãe, foi assassinado.

Durante a marcha, mesmo aqueles que ignoram a luta dos povos tradicionais, tiveram que testemunhar nossa valentia e determinação nas ruas de Brasília.  Muitas pessoas vinham nos acompanhar, saiam das lojas, as janelas das casas se abriam quando passávamos. Alguns acenavam com gestos de torcida e empatia à nossa luta, enquanto outros faziam gestos ofensivos contra nosso ato democrático.

Seguíamos marchando, cantando, bradando nossos gritos de guerra e maracás com júbilo e honra. Levamos diversas faixas e cartazes com palavras de ordem contra a violência de gênero, contra o marco temporal, contra a invasão do garimpo, agronegócio e dos grandes empreendimentos que provocam a destruição socioambiental dos biomas. Destacamos em coro e nas faixas carregadas por nós, a demarcação dos nossos territórios.

            Nossa marcha teve algumas paradas para saudações públicas e falas de nossas irmãs guerreiras que no carro de som mediavam canções e chamadas de luta.  Também houve o momento em que algumas guerreiras deram uma surra no boneco que fizeram representando o Presidente Bolsonaro. Elas o arrastaram pelas ruas como forma de protesto contra o genocídio e contra os projetos de leis que ameaçam a vida dos povos indígenas.

Ao chegarmos na Praça do Compromisso, local do memorial ao indígena Galdino, queimado por jovens da classe média brasiliense enquanto dormia no abrigo de uma parada de ônibus, seus familiares celebraram sua memória com orações e cânticos.

Enquanto do outro lado, o boneco simbolizando a imagem de Jair Bolsonaro que colocou num cargo de confiança um dos criminosos do assassinato do parente Galdino, foi queimado como ato de repúdio a covardia e injustiça feita ao sangue indígena que até hoje vigora.

Na medida em que as parentes ateavam fogo no boneco, a multidão gritava:- fora Bolsonaro".  Nesse instante, Sônia Guajajara, liderança indígena da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), falou com toda firmeza: - “Juntos queimam o racismo, a violência contra as mulheres e para que nunca mais um indígena seja queimado vivo nesse país!”

Esse ato de protesto, expressa o desejo das mulheres indígenas por justiça, pedimos que parem com as violações dos direitos dos povos tradicionais, que cessem com o feminicídio, discriminação e preconceito.

Nossa marcha marcou o encontro de anciãs, mulheres adultas e jovens, algumas como eu, participando pela primeira vez de uma mobilização deste tipo. Esse encontro demarca o presente da luta indígena, onde todas as gerações, e avós, mães, filhas e netas, são protagonistas nos processos de luta em defesa dos seus territórios e mutuamente se firmam como guerreiras e lideranças.

As guerreiras originárias cantaram e gritaram, dançaram e balançaram seus maracás e mais uma vez demonstraram para toda sociedade brasileira e para o movimento indígena como todo, que estão presentes na luta pelos seus territórios e em busca de respeito pelos seus corpos indígenas

Que nenhuma gota a mais de sangue indígena seja derramado, que nenhuma lei seja criada para prejudicar nossos povos desta Terra Pindorama chamada Brasil.

Somos mulheres indígenas, originárias, somos os biomas desta terra!

Por isso, o mundo não se esqueça que a força das mulheres indígenas é feita de água, Terra, fogo e ar!

A mãe do Brasil é indígena!

Somos guerreiras de nossas ancestralidades e ninguém irá nos calar!

Aûîébeté!  

Toykove Kunhâguera!

“Voto pelo impeachment de Bolsonaro”, afirma presidente da CPI

(Roque de Sá/Agência Senado)

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que Bolsonaro não fez nenhum “recuo” com sua carta, após estimular atos golpistas no 7 de setembro e atacar o Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente nunca fez autocrítica em relação à imunização de rebanho, em relação à China. Foi fazer agora, depois de cinco meses que estamos falando. A natureza do presidente Bolsonaro é aquele escorpião que pega carona, atravessa o rio e depois pica aquele que deu a carona”, disse Aziz em entrevista ao UOL News, nesta segunda-feira (13).

O senador declarou que votaria no impeachment de Bolsonaro caso ele fosse pautado na casa.

“Votaria sim (pelo impeachment), não só pelo que ele falou dos ministros do Supremo, mas principalmente na atuação dele na omissão da pandemia. Não chegamos agora a 600 mil mortes à toa”, afirmou Omar.

No dia 19 de julho, em entrevista no mesmo UOL News, perguntado sobre o assunto, Aziz afirmou que não defendia o impeachment de ninguém.

Contudo, os atos golpistas de Bolsonaro fizeram muita gente mudar de ideia.

Na última terça-feira (7), Bolsonaro participou de atos golpistas em Brasília e em São Paulo. Na capital paulista, xingou de “canalha” o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e disse que não iria mais cumprir decisões assinadas por ele.

As falas de Bolsonaro foram bastante criticadas, até que na quinta-feira (16), ele encenou um “recuo” ao divulgar uma carta, escrita por Michel Temer, em que diz que não teve intenção de atacar as instituições.

Em março de 2019, Temer foi preso em São Paulo por corrupção. O Ministério Público Federal acusou Temer de receber propina de R$ 1 milhão. Depois a prisão do ex-presidente foi relaxada.

Sobre as manifestações do último domingo (12), Aziz afirmou que houve uma grande representatividade por parte de quem foi, apesar de um público menor. O senador criticou aqueles que se recusaram a participar do ato pensando nas eleições a presidente da República em 2022.

“De um lado houve pessoas querendo o impeachment do presidente e, do outro, já pensando em candidaturas à presidente da República, e isso não é bom”, disse o senador.

Os atos de domingo foram organizados por organizações como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua. Durante os atos em São Paulo, vários políticos, líderes sindicais e estudantis discursaram, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta (DEM), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada Feminina no Senado, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), o fundador do Novo, João Amoedo, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), senador José Aníbal (PSDB-SP), a presidente da UNE, Bruna Brelaz, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), ex-candidato a prefeito de São Paulo, a deputada Tabata Amaral, e a deputada estadual Isa Pena (PSOL).

Omar Aziz defendeu que as investigações iniciadas pela CPI continuem nas outras instâncias de poder e instituições controladoras pelo país.

“(O relatório) vai desnudar as omissões e o não comprometimento em relação à doença, a forma como foi tratada a doença. Sempre dizia, nós não queremos vingança, queremos justiça, e o relatório vai vir fazendo justiça às quase 600 mil mortes que tivemos. Não tem outra forma. Será muito contundente em relação a esses atores principais, que eram responsáveis por ter feito o enfrentamento da pandemia”, disse o presidente da CPI.

Ele enfatizou que, além da PGR, o relatório também será enviado aos presidentes da Câmara, do Senado, do TCU (Tribunal de Contas da União), do STF (Supremo Tribunal Federal), do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além das defensorias públicas estaduais. Aziz também citou instituições internacionais e até o Tribunal Penal Internacional, que fica em Genebra, na Suíça,

“Não podemos achar que vamos entregar um relatório e ele vai ficar adormecido. Iremos entregar, sim, o relatório a tribunais internacionais. Ontem, se ventilou um senador ser destacado para entregar em Genebra”, assinalou.

O presidente da CPI assinalou que entre as possíveis autoridades que serão apontadas como investigadas no relatório final está “metade do primeiro e segundo escalão do Ministério da Saúde”. “Pessoas que tiveram uma participação direta na forma irresponsável como foi conduzida a pandemia”.

“A CPI é a primeira parte, a segunda parte é aprofundar as investigações, porque tem muitos locais que a gente não tem como chegar além do que a CPI vai mostrar; e a terceira parte, tenha certeza absoluta que esses óbitos que tiveram no Brasil será feita justiça contra aquelas pessoas que cometeram equívocos e erros”, assinalou Aziz.

Fonte: https://pcdob.org.br


CPI indica que Bolsonaro foi apresentado a Tolentino por Ricardo Barros

Bolsonaro, Marcos Tolentino e Ricardo Barros (Foto: Reprodução do Twitter)

Marcos Tolentino é apontado como dono “oculto” da FIB Bank, empresa que não é banco, mas deu aval para Precisa Medicamentos vender a vacina Covaxin ao Ministério da Saúde, uma operação fraudulenta envolvendo um contrato de R$ 1,6 bilhão

Dono de um emaranhado de empresas envolvidas em falcatruas, o empresário e advogado Marcos Tolentino permaneceu em silêncio, nesta terça-feira (14), ao ser questionado sobre sua relação com Bolsonaro. Ele é apontado como dono “oculto” da FIB Bank, empresa que não é banco, mas deu aval para Precisa Medicamentos vender a vacina Covaxin ao Ministério da Saúde, uma operação fraudulenta envolvendo um contrato de R$ 1,6 bilhão.

De acordo com levantamento feito pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), mesmo sem capacidade financeira, a FIB deu garantias de R$ 80,7 milhões para o contrato atendendo o amigo e líder de governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), quem o próprio presidente responsabilizou pelas negociações ao receber a denúncia do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o seu irmão, Luís Fernando Miranda, servidor da pasta da Saúde.

O relator perguntou ao depoente se foi o líder do governo na Câmara quem o apresentou ao presidente, mas ele usou o direito concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer em silêncio em indagações que possam lhe incriminar.Mais cedo, o empresário afirmou que conhece o presidente desde quando ele era deputado federal, mas sem laços de amizade. Confirmou que já esteve com os filhos Flávio (senador) e Eduardo (deputado) em eventos sociais, mas negou conhecer Jair Renan, o filho mais novo.

Proprietário da Rede Brasil de Televisão, Tolentino confirmou que acompanhou, presencialmente, parte do depoimento do deputado Barros à CPI. Ele afirmou que fez isso após convite do próprio parlamentar. Também disse que recebeu o convite durante encontro com Barros. Para Omar Aziz (PSD-AM), presidente do colegiado, isso é indício de uma relação de amizade entre os dois. 

https://vermelho.org.br

sábado, 11 de setembro de 2021

EDUARDO VASCONCELOS É ELEITO PRESIDENTE DO PCDOB DE NOVA CRUZ - RN - VEJA MATÉRIA!

 

Hoje (11) pela manhã na Escola Estadual GETÚLIO VARGAS - NOVA CRUZ-RN, foi realizado a Conferência Municipal do PCDOB de Nova Cruz - RN e após debates de temas importantes como a Conjuntura Nacional, Estadual e Municipal os filiados presentes aprovaram os nomes de Eduardo Henrique Félix de Vasconcelos e Damião Gomes da Silva para serem Delegados a Conferência Estadual do PCdoB - RN, que ocorrerá este ano em Natal; Após debates com temas importantes, como a Conjuntura Nacional, Eleição dos 2 (dois) delegados que irão para a Conferência Estadual do PCdoB em Natal este ano; Prestamento de Conta e a eleição da nova diretoria gestão 2021-2023 do Diretório do PCdoB de Nova Cruz, onde o radialista, ativista e atual presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, foi eleito por unanimidade.

Por fim, Eduardo Vasconcelos, agradeceu a confiança de todos e prometeu ampliar as filiações do partido, bem a sede do PCDOB, Campanha de Filiação, Cultura, debates de temas importantes, entre outras atividades a exemplo da cultura, onde desperta a consciência de um povo. Concluiu, Eduardo Vasconcelos.

Composição do novo DIRETÓRIO: EDUARDO Henrique Félix de Vasconcelos - Presidente. Damião Gomes da Silva - Vice Presidente, Secretário de Finanças - Roberto Marconi Guedes de Oliveira e José Gomes da Silva - Secretário de Organização.