ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Privatização atende a grupos econômicos que apoiam Temer"

 
 


Em entrevista ao Portal Vermelho, ele tece críticas às declarações do ministro Henrique Meirelles, que anunciou em Nova York ser hora de investir no país, pois os preços estariam baixos. 

Para Bastos, o titular da Fazenda fala como um “caixeiro viajante” e mais parece um “membro local da elite financeira global” que um ministro. “O pior é que a declaração mostra que é mais importante vender o patrimônio público (e quanto mais barato melhor) do que resolver a questão fiscal”, diz.

Segundo o economista, o histórico das privatizações se contrapõe ao discurso do atual governo, em defesa das desesatatizações. De acordo com ele, as experiências do passado sequer serviram para gerar recursos líquidos para o Estado. 

E, em geral, significaram trocar monopólios públicos por privados, “que oferecem serviços com preços inflados”, reduzindo a renda real dos consumidores e aumentando o custo-Brasil. Confira abaixo a íntegra:

Portal Vermelho: Qual a sua avaliação sobre o pacote de privatizações anunciado pelo governo Michel Temer?

Pedro Paulo Zahluth Bastos: A coalizão neoliberal que sustenta Temer sempre quis continuar o processo de privatização interrompido por conta das crises na década de 1990. Precisava de uma oportunidade. A circunstância propícia foi a crise fiscal, que não deve ser explicada por um excesso de gasto federal, mas sim pelos efeitos da crise econômica que derrubou a arrecadação. 

Temer gasta para se manter no poder, com uma série de benesses para os grupos políticos e econômicos que o apoiam. A privatização atende aos grupos econômicos e ao mesmo tempo gera recursos para as necessidades políticas a curto prazo, às custas da solvência futura do próprio Estado, que perde receitas preciosas em troca de ativos vendidos barato em meio à crise.

No discurso na Assembleia Anual da ONU, Temer avisou que o Brasil agora está "mais aberto para o mundo". Meirelles, por sua vez, disse a empresários norte-americanos que é hora de investir no Brasil, pois os preços do país ainda não acompanharam a "recuperação da economia". Qual a leitura que o senhor faz dessas declarações? 

São declarações de uma espécie de caixeiro viajante, que não tem sequer identificação com seu povo e sequer com parte do empresariado local não internacionalizado. Parece menos um ministro brasileiro do que mais um membro local da elite financeira global, a quem se dirige alertando que é melhor comprar logo enquanto o Brasil está barato. 

O pior é que a declaração mostra que é mais importante vender o patrimônio público (e quanto mais barato melhor) do que resolver a questão fiscal. Afinal, como a compra de ativos baratos – inclusive privatizações – pode contribuir com as finanças de quem vende (se vendedor privado) e gerar receitas fiscais (se for o Estado)? 

O que a experiência nos diz sobre as privatizações? Qual foi o saldo das desestatizações do passado?

O histórico das privatizações, sobretudo no ramo de serviços, é em geral o de trocar monopólios públicos por monopólios privados, que oferecem serviços com preços inflados. Isto reduz a renda real dos consumidores e aumenta o custo-Brasil. É por isto que são tão impopulares. 

No setor mineral, o histórico da Vale, por exemplo, é o de uma empresa que certamente tem ativos tecnológicos (muitos deles legados a preço de banana do esforço dos engenheiros da empresa estatal anterior), mas que explora as rendas derivadas do controle de jazidas sem pagar impostos devidos, pois abusa de evasão ou elisão fiscal e, aliás, pratica crimes ambientais. 

O governo afirma que as privatizações vão gerar investimentos, criar empregos, gerar renda, oferecer serviços melhores à população e ajudar nas contas públicas. O senhor concorda? 

À luz do histórico de privatizações, não. O jornalista Aloysio Biondi escreveu livros para mostrar que sequer para gerar recursos líquidos as privatizações dos anos 1990 serviram, para não falar das receitas públicas futuras que são perdidas quando uma empresa é privatizada, e tanto mais quando os ativos são liquidados como sugeriu o Meirelles. 

O mesmo se verificou em vários lugares do mundo: quem compra se financia com juros mais caros do que o Estado, logo o que comprador paga, em geral, tem valor presente inferior ao fluxo de receitas que o Estado renuncia. 

No início dos anos 2000, privatização era quase um palavrão. O que aconteceu para que voltassem a ser defendidas com tanto fervor?

O pretexto é a crise fiscal. No entanto, é importante lembrar que este governo só fala isto porque não resultou de uma eleição, mas de um golpe. Aliás, Temer é o presidente mais impopular da história das modernas pesquisas de opinião. O fato é que o governo também conta com certa passividade da população cansada de protestar sem efeito prático e, ainda por cima, de apanhar de forças políticas despreparadas para respeitar o direito pacífico à manifestação pública. 

As privatizações representam um risco à soberania nacional?

Tendem a implicar em remessas de lucros, piorando o balanço de pagamento a longo prazo. Além disso, se envolverem o petróleo, o risco à soberania é ainda maior, como se sabe. 

Como o pacote de privatizações é enxergado aí nos Estados Unidos? Comenta-se o assunto? 

Não é um tema que mobilize a opinião pública nos EUA, mas certamente é de interesse estratégica do governo americano e das grandes corporações, sobretudo se conseguirem aumentar a participação no petróleo brasileiro. 

Serviços de distribuição de energia, por exemplo, são majoritariamente estatais mundo afora, e vários países têm barrado investimentos estrangeiros no setor. O Brasil vai na contramão do restante do mundo?

Sim. No início da década de 2000, o maior estado dos EUA, a Califórnia, passou por severa crise elétrica por causa da privatização do sistema e das fraudes da empresa ENRON. Em geral, o ramo precisa oferecer preços baixos para estimular outras atividades e tem investimentos de maturação de longuíssimo prazo. É por isso que normalmente é estatal. 

De acordo com sindicatos da área, a privatização em parte do setor elétrico nos anos 1990 foi marcada pela terceirização e também por demissão em massa. Qual o impacto para o conhecimento acumulado sobre um setor, quando trabalhadores que conhecem a empresa são demitidos e substituídos por terceirizados?

Muito ruim para os serviços no longo prazo, mas bom para a rentabilidade dos acionistas a curto prazo. É por isso que a reforma trabalhista foi feita, aliás: para baixar custos trabalhistas na ótica da empresa, empobrecendo o trabalhador e sujeitando-o muito mais a acidentes e ao estresse em geral, com uma rede de segurança social pior e, em geral, não bancada pela empresa, que economiza também no pagamento de impostos ao contratar terceirizados. 



 Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

PARA INTELECTUAIS, EXCLUSÃO DE LULA EM 2018 COMPROMETERIA ELEIÇÃO


No dia em que a Constituição brasileira completa 29 anos, intelectuais como o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, o ex-chanceler Celso Amorim e o professor Luiz Felipe de Alencastro afirmam que uma eventual exclusão do ex-presidente Lula das eleições do próximo ano comprometeria o processo; em manifesto, eles pedem eleição "direta e irrestrita" em 2018; "Só uma eleição democrática poderá restabelecer a legitimidade do governo e, se esse governo for competente, reunificar a nação", diz Bresser-Pereira; para Amorim, seria difícil explicar até "para o mundo" uma exclusão do ex-presidente, enquanto Alencastro observa que "estamos aí com um programa de governo que não teria base eleitoral para passar ao segundo turno"

Vitor Nuzzi, da RBA - Ao identificar riscos à eleição presidencial do ano que vem, um grupo de intelectuais, tendo à frente o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, divulgou manifesto pedindo eleição "direta e irrestrita" em 2018. Embora não apareça no documento, disponível na internet (confira abaixo), eles afirmam também que uma eventual exclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprometeria o processo. Hoje (5), dia em que a Constituição brasileira completa 29 anos, Bresser-Pereira, o também ex-ministro Celso Amorim e o professor Luiz Felipe de Alencastro repudiaram tentativas de implementar um "remendo parlamentarista" ou quaisquer outras medidas que afetem a legitimidade da votação.

"Parlamentarismo no próximo ano é golpe de Estado", afirma o economista, para quem o avanço dessa proposta está vinculado ao crescimento de Lula nas sondagens eleitorais. "Só uma eleição democrática poderá restabelecer a legitimidade do governo e, se esse governo for competente, reunificar a nação."

Para ele, uma condenação do ex-presidente em segunda instância seria "muito ruim para o país" e para o próprio Judiciário. Em texto publicado em sua página no Facebook, Bresser-Pereira diz nem considerar Lula o "candidato ideal", mas considera que "uma nação democrática não pode impedir que um líder político da dimensão de Lula seja proibido de concorrer". Nesse sentido, o economista critica a Operação Lava Jato, afirmando que os promotores da força-tarefa e o juiz Sergio Moro "cometeram um grande erro ao eleger Lula como seu principal alvo, e ao condená-lo sem qualquer prova no ridículo caso do tríplex do Guarujá".

Para Amorim, seria difícil explicar até "para o mundo" uma exclusão do ex-presidente – de quem ele foi ministro e cuja candidatura apoia – em 2018, com uma condenação baseada em um suposto "nexo causal entre um apartamento que nunca foi propriedade e uma concorrência de bilhões de dólares". Em um caso desses, diz o diplomata, não se pode fazer como no filme Match Point, de Woody Allen, que usa a metáfora de um jogo de tênis, mostrando que a bola pode cair de um lado ou de outro da rede, determinando o resultado da partida. Ele avalia que Lula simboliza identificação com o povo ("Ele é um deles"), reconhecimento por avanços sociais e esperança de que isso continue acontecendo no Brasil.

Mas Amorim ressalta que não se trata, nesse debate, de defender Lula ou outro candidato. "É uma defesa da política", enfatiza. Fora da política, acrescenta, só há "soluções mágicas que ninguém quer ver de novo". 

Debate nacional

O professor e historiador Alencastro observa que as eleições presidenciais em dois turnos possibilitam um "debate nacional", além de garantir maioria absoluta ao candidato vencedor, evitando questionamentos sobre a legitimidade do processo ou sobre o resultado. "O Brasil se encontra", diz, lembrando que um candidato não consegue vencer com base apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ele lembrou ainda que o país não tem mais votação separada para presidente e vice, o que vincula a eleição de um e outro. Ao falar do momento atual, Alencastro afirmou que "estamos aí com um programa de governo que não teria base eleitoral para passar ao segundo turno".

O intelectual cita recente caravana de Lula pela região Nordeste, chamando a atenção para viagens do ex-presidente para outras áreas do país. "Isso pode ser um divisor de águas. Se começar a estender em outras regiões, cada vez mais fica difícil tirar o Lula da eleição", diz Alencastro. Assim, um "remendo parlamentarista" soaria como um golpe.

O manifesto integra o Projeto Brasil Nação, organizado por Bresser-Pereira. É o segundo documento do grupo. O primeiro enfatizou questões econômicas. "O que está em crise é a nação brasileira. Precisamos mostrar que há uma alternativa (ao liberalismo) de desenvolvimento econômico", justificou o ex-ministro. Amorim observou que o texto anterior apontava a ausência de um projeto nacional. "Agora temos de lutar também para que haja eleições presidenciais íntegras."

Durante a apresentação do manifesto, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o publicitário Chico Malfitani questionou o que estaria faltando para uma efetiva união entre as forças de centro-esquerda. "Temos consciência plena de que é necessária uma conjugação de esforços", disse Amorim, lembrando que o grupo mantém "contatos com outros movimentos". Um possível encontro conjunto será realizado até o final do mês.

"Nossos critérios são as ideias, os valores", acrescentou Bresser-Pereira. "Todo o argumento do outro lado é que apenas o liberalismo resolve, o que é historicamente absurdo."

Leia abaixo o manifesto, disponível na página do ex-ministro Bresser-Pereira para adesões.

Nós, que, em abril deste ano, assinamos o manifesto do Projeto Brasil Nação, voltamos aos brasileiros para defender a manutenção de eleição presidencial direta e irrestrita.

A democracia brasileira está em perigo. Para completar o golpe parlamentar, os atuais detentores do poder discutem a ideia de costurar um remendo parlamentarista ou adiar a eleição presidencial de 2018. Há tentativas de impedir a plena representação das camadas populares. Tudo isso é inaceitável.

A eleição presidencial direta representa o momento alto da nossa vida política brasileira. Ao longo das lutas republicanas, as eleições presidenciais, fortalecidas pelos dois turnos que garantem a maioria absoluta ao presidente eleito, se transformaram no momento político da afirmação na identidade nacional.

Na diversidade de suas regiões, de seus sotaques, de suas crenças, os eleitores arbitram o debate democrático sobre os destinos do país. No século 19, o Brasil foi o único agregado colonial da América que não se fragmentou na Independência. Na segunda metade do século 20, o Brasil se urbanizou, se expandiu para o Centro-Oeste e para o Norte. Desenvolveu sua indústria, criou a Petrobras e o BNDES, investiu em ciência e tecnologia. Padeceu a opressão ditatorial e reconquistou a liberdade.

Ampliada e consolidada na Constituição de 1988, a democracia republicana transformou a carcaça autoritária e oligárquica herdada do Império num vibrante Estado-nação. Nesse processo, a eleição presidencial permitiu que a maioria social se transformasse em maioria política.

Na contramão dessa conquista, o atual governo impõe uma política radicalmente oposta à decisão soberanamente expressa pelos eleitores no escrutínio de 2014. A eleição presidencial de 2018 é a condição essencial para que o governo recupere legitimidade e possa liderar um projeto de desenvolvimento nacional.

A diversidade e a liberdade de nosso país, a esperança dos que participaram da transformação da maioria social em maioria política, formam uma poderosa barreira contra o autoritarismo. Mas, no curto prazo, a perplexidade dos brasileiros diante da ambição de políticos sem voto, do sentimento de impunidade e de um programa antipopular e antinacional proposto pela grande finança e seus aliados favorece as manobras contra a democracia, contra a eleição presidencial direta, contra o sufrágio verdadeiramente integrador da nacionalidade.

Eleição presidencial direta e irrestrita em 2018!


Fonte: ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Dodge quer ouvir Temer em inquérito sobre esquema dos portos

 A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para colher o depoimento do presidente Michel Temer no inquérito em que ele é apontado como suspeito dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O documento foi encaminhado ao ministro Luís Roberto Barroso, que em setembro autorizou a abertura de uma nova investigação contra Temer, a pedido do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Neste inquérito, Temer é investigado pelo suposto favorecimento ilegal da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), editado em maio deste ano. Em troca, haveria o pagamento de propina. O negócio teria sido intermediado pelo ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures.

O caso veio à tona após o presidente ter sido gravado pela Polícia Federal (PF) em uma conversa telefônica na qual Rocha Loures questiona sobre o andamento do decreto. O ex-assessor também foi gravado ao telefone com os empresários Ricardo Conrado Mesquita e Antônio Celso Grecco, ambos vinculados à empresa Rodrimar S/A.

Além de Temer, Rocha Loures e os executivos Conrado Mesquita e Celso Grecco, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer ouvir: o coronel aposentado João Baptista Lima Filho, apontado como assessor pessoal de Temer; José Yunes, amigo do presidente; Gustavo do Vale Rocha, assessor jurídico da Casa Civil; Edgar Safdié, suspeito de ser operador de propina; e Ricardo Saud, executivo da JBS que teria participado do esquema.

Raquel Dodge quer que sejam fornecidos os possíveis registros de entrada de todas essas pessoas no Palácio do Planalto durante todo o ano de 2017, entre outras diligências. A procuradora pediu prazo de 60 dias para a conclusão do inquérito.

Em outro inquérito do qual Temer é alvo, relatado pelo ministro Edson Fachin, foi permitido ao presidente da República prestar depoimento de forma escrita, embora o benefício seja assegurado ao ocupante do cargo somente nos casos em que ele é testemunha, e não investigado.

Defesa

Em manifestação enviada ao STF, a defesa do presidente Michel Temer afirmou que a empresa Rodrimar S/A não foi beneficiada pelo Decreto dos Portos, argumentando que houve amplo debate com o setor portuário antes da edição do decreto, "não comportando qualquer sigilo ou informação privilegiada no que tange às negociações".

Segundo a defesa, a norma ampliou as concessões de 35 anos para 70 anos, mas apenas as iniciadas após 1993, atingindo as concessões de dezenas de empresas, não somente a Rodrimar.

Em nota divulgada à época da abertura do inquérito, a Rodrimar disse que o Decreto dos Portos atendeu a uma reivindicação de todo o setor de terminais portuários do país.

“Ressalte-se que não foi uma reivindicação da Rodrimar, mas de todo o setor. Os pleitos, no entanto, não foram totalmente contemplados no decreto, que abriu a possibilidade de regularizar a situação de cerca de uma centena de concessões em todo o país”, diz o texto.


Fonte: Agência Brasil

Para barrar denúncia, Temer recebe 42 deputados em menos de 11 horas


De acordo com a agenda oficial, serão 21 audiências com deputados dos principais partidos da base aliada e de todas as regiões do país, que deve avançar até às 21h20.

Temer foi denunciado – junto com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) – pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. Por se tratar de do presidente da República, a denúncia precisa ser autorizada pela Câmara dos Deputados para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a acusação.

A votação na Câmara exige quórum especial e o voto de, ao menos, 342 dos 513 deputados. A primeira denúncia, engavetada em votação pelo plenário, foi por crime de corrupção passiva.

A agenda do dia é praticamente exclusiva para os parlamentares, deixando espaço para apenas dois ministros: Leonardo Picciani (Esporte) e Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Na audiência, Kassab deve acompanhar o presidente da Oi, Marco Schroeder.

A lista dos parlamentares que serão recepcionados por Temer inclui líderes partidários, como Baleia Rossi (PMDB), Tereza Cristina (PSB), Marcos Montes (PSD), Luís Tibé (Avante) e Arthur Lira (PP). Mas está previsto também na agenda o encontro com com parlamentares que votaram pelo prosseguimento da denúncia na primeira votação, como Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Carlos Andrade (PHS-RR).

A lista também inclui parlamentares que não participaram da primeira votação, como Luiz Lauro Filho (PSB-SP), Tenente Lúcio (PSB-MG), Nivaldo Albuquerque (PRP-AL) e Shéridan (PSDB-RR), também devem comparecer ao Palácio do Planalto para conversar com o peemedebista.

Sem margem para negociar, já que esgotou o estoque de emendas parlamentares na primeira denúncia, em que foram liberadas R$ 2 bilhões, o governo busca um acordo com os deputados para o pagamento de emendas fiado, ou seja, liberar somente as emendar de 2018.


Do Portal Vermelho, com informações de agências

Clima de desconfiança com Maia deixa Temer preocupado com denúncia


A medida é por conta de uma preocupação do governo com o discurso adotado pelo presidente da Câmara nos últimos dias, que demonstram um distanciamento de Maia do Planalto, por conta de disputas políticas. Para que isso não aconteça durante a votação da segunda denúncia contra o peemedebista, o que demonstraria o enfraquecimento maior de Temer com a sua base aliada, o governo quer pressão contra Maia.

Ainda de acordo com ela, o ministro Antonio Imbassahy procurou Maia para conversar. Moreira Franco, que é sogro de Maia, também foi escalado para conversar com o presidente da Câmara.

A avaliação no Planalto é de que Maia tenta cada vez mais se descolar de Temer. Na primeira denúncia a situação já não estava muito boa por conta de uma disputa interna entre PMDB e DEM por dissidentes do PSB. 

O DEM estava negociando com o grupo, quando a cúpula ligada a Temer atravessou a conversa. O clima de mal-estar entre os dois se elevou e a turma do deixa disso foi acionada. Maia, no entanto, deixou clara a sua insatisfação, já que os peemedebistas acabaram levando o grupo para a sigla. “O governo só quer lealdade se for a favor dele”, reclamou Maia. 

O clima de insatisfação se arrastou até a votação da primeira denúncia. Assim que terminou a votação que engavetou a investigação, Maia reclamou do que chamou de "falta de lealdade" e "truculência" do governo durante a sessão.

“Nunca esperei que o entorno do presidente fosse jogar tão baixo comigo. Isso eu não posso deixar de falar", disse ele em entrevista à jornalistas ainda nos corredores da Câmara, no dia 2 de agosto.

Os sinais continuam demonstrando que agora, na votação da segunda denúncia, não será diferente. Às vésperas da votação Maia fez duras críticas e disse que Temer faltou com a palavra. Ele deixou claro que o DEM pode retaliar o governo em votações de interesse.

"Sobre a denúncia, Maia, nos bastidores, afirma a aliados que não vai ajudar Temer desta vez. E se irrita com as desconfianças do Planalto. Desta vez, no entanto, disse a interlocutores que não será "proativo" para ajudar Temer", afirma a colunista do G1, nesta segunda.

Mas em entrevista na semana passada, Maia afirmou que o governo e o PMDB têm tratado o seu partido como “adversário”. “Se é assim que eles querem tratar um aliado, eu não sei o que é um adversário", alfinetou.

E completou: "Quero que isso fique registrado, para que, quando a bancada do Democratas tiver uma posição divergente, o governo entenda. Há uma revolta muito grande na bancada, não virou rebelião ainda, mas há revolta”.

No fim das contas, tudo isso pode se resumir num mero desentendimento pontual e numa "relação estremecida", afinal, os interesses de Maia e Temer sobre os destinos do país não são nada diferentes. Porém, na política, um abalo na relações pode provocar a mudança no caminho para se chegar a esses interesses. 


Do Portal Vermelho

Tucano afirma que não deixará relatoria da denúncia contra Temer

 
Foto: Reprodução da Internet


Bonifácio de Andrada afirmou que agirá com isenção e de acordo com o interesse público. “Quem vive na vida pública está permanentemente submetido a toda espécie de pressões, e eu estou há 50 anos na vida pública”, disse. “Não vou comentar questão político-partidária”, continuou.

O tucano afirmou que já está lendo as 260 páginas da Solicitação de Instauração de Processo (SIP) 2/17, além dos anexos. Na peça, a Procuradoria-Geral da República acusa Temer, os dois ministros e outros políticos do PMDB de participar de um suposto esquema com objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração pública. Em nota, o Palácio do Planalto rechaçou as acusações.

Cabe à Comissão de Constituição e de Justiça da Câmara elaborar e votar parecer que poderá ser pela aceitação ou arquivamento da denúncia. No entanto, independentemente do resultado do colegiado, a decisão final sobre a abertura ou não de investigação contra o presidente da República pelo Supremo Tribunal Federal cabe ao Plenário da Câmara, que necessita de 342 votos favoráveis para dar seguimento à análise da denúncia encaminhada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o peemedebista.


 Do Portal Vermelho, com Agência Câmara

Frente convoca a unir sociedade contra o desmonte de Temer

 
 


O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, fez uma convocação para que a sociedade se una contra o "processo de desmonte de conquistas que datam de oito décadas". De acordo com ele, está em curso um retrocesso jamais visto.

"Estancar esse processo exigirá mobilização de toda a sociedade, independentemente de crenças, partidos, classes sociais. É uma luta que há de unir a sociedade, porque é uma luta pela sobrevivência de nosso país como nação independente. É preciso unir e organizar nossa sociedade para enfrentar o desmonte", disse. 

Nascida no Congresso Nacional, a Frente, que reúne senadores e deputados de diversos partidos, divulgou um manifesto pela soberania do país e um abaixo-assinado em prol de um Plebiscito Revogatório das medidas antipopulares do governo Temer.

A Frente, que tem como presidente o senador Roberto Requião (PMDB/PR) e como secretário-geral o deputado Patrus Ananias (PT/MG), conta ainda com a liderança dos senadores Linbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), além dos deputados Wadih Damous (PT-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Glauber Braga (PSOL-RJ), Celso Pansera (PMDB-RJ), Afonso Motta (PDT-RS) e Odorico Monteiro (PSB-CE).


Amplitude na resistência

Na sua fala, a primeira durante o evento, Patrus afirmou que o país assiste a um ataque aos direitos sociais e à soberania nacional. "A operação desmonte dos direitos e das conquistas sociais se manifesta na emenda do teto de gastos, na reforma trabalhista, que é o fim do direito do trabalho no Brasil. Estamos vendo no orçamento federal que os recursos destinados à assistência social foram redizidos em 98%", apontou. 

O parlamentar destacou que a Frente tem a responsabilidade de conscientizar o país sobre os retrocessos. "Existem bens que não são de mercado. Energia elétrica não é uma questão de lucro, é algo fundamental para o exercídio da cidadania, da dignidade humana, do bem-viver. Estamos com o pé na estrada, vamos percorrer o país, conversar com cada pessoa, cada entidade, para mostramos ao país que estamos travando uma luta de resistência contra as forças do capital que querem desconstituir as conquistas sociais e a soberania", discursou. 

Para o deputado Glauber Braga, para enfrentar a investida neoliberal, é preciso "amplitude na resistência". "Nós podemos ter projetos eleitorais diferentes, mas, no atual momento histórico, temos que nos unir contra o desmonte, inclusive porque, no cenário atual, não temos garantia nem sobre a existência de 2018. Temos que lutar agora para não chorar o leite derramado depois", disse.

Nacionalismo só com democracia

A deputada Jandira Feghali avaliou que o governo Temer vai na contramão do restante do Planeta. "Quando o mundo inteiro volta a estatizar sua água, seu setor elétrico, o Brasil quer privatizar. O mundo faz guerras pelo petróleo, mas o governo quer entregar o nosso. O que querem é nos transformar numa colônia. Fico angustiada quando vejo o que esse governo e a maioria do Congresso são capazes de fazer numa velocidade e com uma falta de pudor como nunca vimos", afirmou.

De acordo com ela, a ditadura militar não foi capaz de rasgar a CLT, mas o atual governo, sim. "Isso não quer dizer que aceitemos que nenhuma voz dissonante, militar, possa se assanhar para tentar dar saídas a este país. É responsabilidade desse Parlamento, dessas entidades, das instituições brasileiras reafirmar a democracia brasileira e dizer que não há saída que não seja pela democracia e pelo voto popular. Nacionalismo só combina com democracia", disse, pregando antecipação das eleições. 

Jandira defendeu a necessidade de falar além daquele ambiente, para mais que sindicatos. "Nosso papel hoje é formar opinão para além de nós. Dizer que a tarifa vai subir e o serviço não vai chegar, que soberania nacional é a defesa do direito básico da cidadania, que o que construímos foi com a inteligência brasileira, que isso é patrimônio do povo brasileiro. Porque, se não for assim, nós vamos para a rua, mas a grande massa não irá, porque talvez não tenha a compreensão desse patrimônio", disse.

Na sua avaliação, o capitalismo financeiro e rentista que só busca o lucro está "de olho" no petróleo, no sistema elétrico e na previdência dos brasileiros. "O golpe foi para isso. Enfrentamos forças poderosas", analisou. Para ela, a desobediência civil precisa estar nas ruas, nas escolas, nas lutas cotidianas. "Eles têm que ser imprensados para terem vergonha de entregar o país aos estrangeiros". 

Contra o entreguismo

Presidente da Frente, Roberto Requião defendeu um referendo para consultar a população sobre as medidas levadas adiante pelo governo Temer. Segundo ele, é preciso avisar que "esses grupos internacionais que compram pedaços da soberania brasileira serão tratados como receptadores de mercadoria roubada, quando, num processo amplo eleitoral, o povo brasileiro, com uma proposta de reconstrução do projeto nacional, disser não ao avanço do capital financeiro internacional". 

Já o senador Lindbergh Farias alertou que a empreitada do governo federal de privatizar a Eletrobras, formada por empresas que atuam em toda a cadeia produtiva de energia elétrica, vai levar o Brasil de volta para um tempo já esquecido pelos brasileiros: o dos apagões. 

“A Eletrobras está sendo, neste momento, 64 anos depois da criação da Petrobras, ameaçada de privatização por esse governo ilegítimo. Nós vamos perder a capacidade de fazer planejamento. Vamos voltar à época dos apagões. Vai aumentar o preço de energia elétrica”, disse o senador, durante o ato da frente. 

Também presente no evento, a senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que a gestão Temer não tem nenhum compromisso com o Brasil, só consigo mesmo e com a elite brasileira. “Uma elite que pensa primeiro nela, não pensa num projeto de nação, de desenvolvimento nacional e do seu povo. Destrói os direitos do povo. Se o povo morrer, não é problema deles. Vira estatística”.

“Pra eles é fácil entregar a Petrobras, a Eletrobras, a Casa da Moeda, enfraquecer o BNDES. Por que se o deles estiver salvo, está tudo bem. O resto não precisa”, criticou a presidenta do PT.

Atos continuam nesta terça

Os atos em defesa da soberania nacional continuam nesta terça-feira (2), na cidade do Rio de Janeiro. A partir das 11h, trabalhadores e representantes de entidades iniciarão um ato em frente ao prédio da Eletrobras, na Avenida Presidente Vargas. A manifestação – que promete parar o centro da capital carioca – se encerrará às 16h na sede da Petrobras.



 Do Portal Vermelho, com PT no Senado