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domingo, 6 de agosto de 2017

Escola sem Partido intimida e persegue professores

 
 


Pedro Mara, professor da rede estadual do Rio de Janeiro e diretor do CIEP 210 Mario Alves de Souza Vieira, em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, certamente vem enfrentando o pior desafio de sua carreira docente.

Em julho, ele foi denunciado pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC) que formulou um vídeo, a partir de suas fotos pessoais, para acusá-lo de apologia às drogas, de manipulação com os estudantes e incentivo à baderna, como ocupação de escolas. Bolsonaro chegou a acionar o Ministério Público e pedir a exoneração do professor e cassação de seu mandato. O processo segue em andamento.

Casos semelhantes ao de Pedro são facilmente encontrados pelo País. É crescente o número de professores que vêm sofrendo algum tipo de perseguição por conta de suas práticas pedagógicas, o que evidencia a existência de um movimento que atua na contramão da autonomia docente.

Em Uruguaiana (RS), situação parecida foi vivenciada pela professora da rede municipal Rosângela Rehermann. A docente teve uma aula sobre cidadania gravada e enviada como denúncia ao vereador Eric Lins Gripo (DEM), autor de projeto de lei que visa instituir no âmbito do município as diretrizes do Programa Escola sem Partido.

O parlamentar chegou a ir na escola sob justificativa de averiguação, o que acabou expondo funcionários e estudantes da unidade. A professora levou o caso ao Ministério Público, à Secretaria de Educação e ao Conselho Municipal de Educação. Em junho, foi remanejada para outra escola da rede sob a justificativa de que era necessário “preservá-la”.

Na mesma época, em São Paulo, chegava ao fim a atuação do professor Thiago de Souza Lima em uma escola particular de ensino fundamental e médio. O professor de História começou a ser chamado de radical e polêmico no contexto da polarização política.

A situação piorou quando ele apoiou uma iniciativa dos estudantes de montar uma assembleia e discutir problemas comuns ao estabelecimento. “Cheguei a ouvir da direção que eu os tinha incitado a criar aquela instância”, conta o docente que pediu demissão.

As histórias não se limitam aos ambientes escolares. A professora do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Natalia Pietra Mendez, também viveu situação vexatória ao ministrar uma palestra sobre a cultura do estupro a convite da própria instituição.

A docente foi ameaçada em suas redes sociais e chegou a ter fotos pessoais divulgadas em páginas que fazem apologia à cultura do estupro.

Sua atuação na universidade, no entanto, não foi interrompida. “Temos que falar cada vez mais sobre o assunto. Isso é fruto de um pensamento ultraconservador que tem como alvo o feminismo”, atesta a educadora que estuda as questões de gênero.

Falsos conceitos

Para o professor da Universidade Fluminense (UFF), Fernando Penna, os casos são influenciados por dois fatores. Um são as tensões existentes acerca das questões de gênero, que se acirraram já na época da votação dos planos de educação nacional, estaduais e municipais.

“As pessoas que tentam deslegitimar essa discussão cunharam o termo ideologia de gênero, que vem sendo associado a destruição das famílias, doutrinação de crianças, erotização da juventude e interferência na orientação sexual de jovens”.

O especialista relembra o episódio do veto ao material educativo produzido pelo Ministério da Educação ‘Escola sem Homofobia’, em 2011, que acabou sendo chamado por setores conservadores da sociedade e do Congresso Nacional de ‘kit gay’. “A ideologia de gênero é utilizada para causar esse pânico moral”.

Em sua análise, soma-se a isso a agenda do Escola sem Partido, programa criado em 2004 pelo procurador de Justiça de São Paulo, Miguel Nagib, que defende a ideia de uma “educação neutra” a partir da justificativa de que as escolas seriam locais de doutrinação, em parte praticada pelos professores que se aproveitam da audiência cativa de seus estudantes para impor suas ideias.




Fora da lei

Desde o surgimento do Escola sem Partido, outros 56 projetos de lei foram derivados nos âmbitos federal, estadual e municipal. O levantamento foi feito pela pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Moura, também autora da pesquisa de mestrado “Escola sem Partido”: relações entre Estado, educação e religião e os impactos no ensino de História”.

A maioria deles, no entanto, não tem poder de lei. Salvo algumas exceções como o município de Santa Cruz do Monte Castelo, no norte do Paraná, que aprovou e implementou a lei já no início de 2015; e o município de Picuí, na Paraíba.

No âmbito estadual, Alagoas chegou a aprovar a lei estadual (Lei 7800/2016), conhecida como “Lei da Escola Livre” foi Alagoas, mas ela foi suspensa via liminar pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, em março deste ano.

– Escola sem Partido, uma escola a favor da cultura da indiferença

Ainda assim, nota-se certa aderência das propostas em diferentes territórios. Para Fernanda, isso se deve, em parte, a falta de entendimento da sociedade sobre os processos políticos. “As pessoas acham que PL é lei, não entendem que esse conjunto de normas deve ser votado para se efetivar”, observa.

Para ela, é fundamental garantir esse espaço de debate nas escolas, “para evitarmos que as pessoas saiam repetindo os discursos de parlamentares”.

Uma questão de direito

O professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Salomão Ximenes, entende que é preciso resgatar a concepção do direito a educação para analisar os casos.

“O direito a educação no Brasil foi entendido dentro de uma agenda de ação positiva, que diz respeito a oferta da educação, acesso a escolas, expansão das redes, etc. Se esquece que compõe esse direito, com igual importância, os princípios constitucionais de liberdade na educação, que consideram a liberdade de ensinar, de aprender, pesquisar e divulgar o pensamento e trabalhar pelo pluralismo de ideias e concepções”, esclarece.

– Escola sem Partido tenta anular critério de redação do Enem

Esses direitos, conforme explica Ximenes, conferem autonomia aos docentes e às escolas. “Sobre eles não deve haver interferência do Estado e dos atores privados. Caso haja, no entanto, o Estado tem que atuar no sentido de assegurá-los”, explica, enfatizando a inconstitucionalidade de medidas que restrinjam o direito à liberdade.

O especialista também comenta sobre os instrumentos jurídicos disponíveis para assegurar proteção aos docentes e às escolas frente à estratégia de intimidação utilizada pelo Escola sem Partido.

De maneira geral, a orientação é que as respostas às denúncias não sejam feitas no âmbito individual e considerem três dimensões principais.

“A primeira delas é a dimensão política, ou seja, a defesa deve buscar apoio de sindicatos ou instâncias administrativas, como a própria Secretaria da Educação; a segunda é a pedagógica, que prevê a mediação de diálogo ou oferta de debates junto às famílias e comunidades para esclarecer algumas questões; por fim, a dimensão jurídica, que pode levar a desdobramentos nas instâncias criminais, como abuso de poder em caso de autoridades, e nas instâncias administrativas, no caso de agentes públicos que extrapolem suas funções”.

Outros enfrentamentos

Para Fernando Penna, outro caminho possível é o da resistência a partir de articulações e debates na sociedade. Nesse contexto, foi lançado em junho o Movimento Educação Democrática (MDE), do qual Penna é presidente.

A iniciativa é um desdobramento do Professores Contra o Escola sem Partido, iniciativa que teve início na UFF e cuidou de enfrentar a pauta em debates, seminários e audiências públicas. No entanto, no atual contexto de retrocessos educacionais, se sentiu a necessidade de ampliar o escopo de atuação, o que levou à criação do MDE.

“Além de dar um caráter mais institucional ao que já fazíamos, o Movimento quer, para além da crítica, estruturar uma agenda mais propositiva, um posicionamento político, construído a partir do diálogo com os associados – atualmente são cerca de 500 – e da articulação nacional com grupos organizados.

Uma das aproximações, nesse sentido, se deu com a Frente Gaúcha Escola sem Mordaça, lançada em Porto Alegre, em 2016. Além de trabalhar para o arquivamento dos projetos derivados do Escola sem Partido, o grupo, que reúne movimentos, entidades e coletivos, também organiza um enfrentamento a pautas como racismo, machismo, homofobia e demais preconceitos que interditam a faceta democrática da educação.


Da Carta Educação

PCdoB toma decisões sobre organização interna e eleições

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Ocorreu sábado (05) em Natal, no bairro Tirol, sede do PCdoB, reunião do Comitê Estadual da sigla. Foram tomadas importantes deliberações.
Ficou decidido que as conferências municipais para mudança de direção ocorrerão até 8 de outubro. Já o Congresso Estadual vai acontecer nos dias 13 e 14/de outubro, quando será eleita a nova direção estadual.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ministros exonerados para votação na Câmara retornam aos cargos

Na sessão da Câmara, o tucano Imbassahy foi flagrado negociando emendas parlamentares
Foto: Divulgação - Na sessão da Câmara, o tucano Imbassahy foi flagrado negociando emendas parlamentares


As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União de quarta. Na sessão da Câmara, eles votaram pela rejeição da admissibilidade da denúncia contra Temer, acusado por crime de corrupção passiva. A maioria dos parlamentares aprovou o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), favorável à rejeição da denúncia o que impede que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue.

Os ministros que reassumiram os cargos foram Antonio Imbassahy, chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República; José Mendonça Filho, do Ministério da Educação; Bruno Cavalcanti Araújo, do Ministério das Cidades; Fernando Bezerra, do Ministério de Minas e Energia; Osmar Terra, do Ministério do Desenvolvimento Social; Leonardo Picciani, do Ministério do Esporte; José Sarney Filho, do Ministério do Meio Ambiente; Ronaldo Nogueira, do Ministério do Trabalho; Marx Beltrão, do Ministério do Turismo; e Maurício Quintella, do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil.

Esta não foi a primeira vez que ministros retornam ao Congresso para votar em matéria de interesse do governo. Em outubro do ano passado, Temer exonerou dois ministros para que votassem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê um teto para os gastos públicos. Em abril deste ano, o presidente usou o mesmo recurso na votação do projeto da reforma trabalhista, que foi aprovada.

Agenda vazia

Após a agenda intensa de reuniões e compromissos com parlamentares nos últimos dias, o único compromisso de Temer previsto é um despacho interno pela manhã. A agenda pode sofrer alterações com a inclusão de compromissos ao longo do dia. 

Portal Vermelho

Apoio da bancada ruralista a Temer custará R$ 10 bilhões

 
Antonio Cruz/Agência Brasil

Fruto do lobby ruralista, a medida foi confirmada pela Receita Federal. A MP reduziu a alíquota da contribuição paga por produtores para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), usado para auxiliar no custeio da aposentadoria dos trabalhadores rurais. 


Além disso, a medida permite que produtores com contribuições previdenciárias atrasadas quitem as dívidas com descontos nas multas e de forma parcelada. Os auditores fiscais da Receita Federal criticam a medida, promulgada num momento de escassez de arrecadação e aumento do déficit nas contas públicas.

Somente com o perdão de juros e multas a perda de arrecadação será de R$ 7,6 bilhões em 15 anos, prazo de parcelamento dos débitos. Já com a redução da alíquota do Funrural, o governo deixará de receber R$ 4,36 bilhões entre 2018 e 2020. A perda total de receitas é de R$ 12 bilhões. 

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Sindical) vai pedir explicações e pareceres técnicos sobre a medida provisória. Para os auditores, a medida beneficia grandes empresas e não os pequenos produtores. Empresas flagradas em sonegações e fraudes não estão impedidas de aderirem ao Refis - ao contrário do outro programa de parcelamento do governo que beneficia empresas em geral. 


Fonte: Brasil 247

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MPF recebe denúncia contra grupo de estudos sobre Marx da UFMG, acusado de “doutrinação”


MARCOS AURÉLIO RUY
O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Marx, Trabalho e Educação (GEPMTE), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi denunciado no Ministério Público Federal (MPF) por suposta “doutrinação ideológica”.
O Grupo foi notificado no domingo (30) sobre a instauração de inquérito civil, indeferido em primeira instância, por conta de denúncia registrada contra uma suposta “pregação política”. Em sua página no Facebook (veja aqui) os estudiosos afirmam que essa ação fere a autonomia universitária, prevista no artigo 207 da Constituição.
Leia a nota do GEPMTE abaixo
grupo estudos marx ufmg
Para Valéria Morato, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), essa atitude representa uma “ofensiva de grupos reacionários que vêm se manifestando neste período de instabilidade política no país”.
A afirmação de Morato é confirmada pelo teor da denúncia. “É escabroso que uma Universidade Federal sirva de ninho, de balão de ensaio para que milhares de militantes de esquerda fiquem trabalhando nos seus delírios ideológicos, bancados com recursos públicos e incutindo tais ideologias nos alunos”, diz parte do texto denunciante.
A sindicalista, que também é presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais, afirma que essa ação vem evidenciar o ataque desses grupos à educação democrática, voltada para o respeito às diferenças.
“Cada ser humano tem o direito de escolher o seu caminho”, sintetiza. “E o papel da educação é mostrar todos os caminhos, na base do diálogo e da busca incessante do saber”. De acordo com ela, essa denúncia se mostra ligada às propostas da Escola Sem Partido.
“Esse projeto que visa determinar um único caminho para a educação brasileira. Um caminho sem debate, sem liberdade e sem conhecimento”, acentua. Isso acontece segundo ela, porque “a educação é uma área estratégica para o desenvolvimento do país em todos os setores".
Os integrantes do grupo de estudos afirmam que essa “denúncia representa um ato de retaliação e tentativa de cerceamento da possibilidade de pensamento crítico e da produção de conhecimentos com engajamento social”.
Na verdade, conclui Morato, “essas pessoas querem interferir na educação para que os educandos não saibam das diferentes possibilidades de desenvolvimento do conhecimento e de interpretação do mundo”.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

TRF4 acata novo recurso da defesa de Lula

 
Agência Brasil


No dia 5 de junho, a defesa de Lula ingressou com pedido de habeas corpus no tribunal para que as testemunhas de acusação fossem ouvidas antes das de defesa. Além disso, foi solicitada a suspensão dos depoimentos do empresário Emílio Alves Odebrecht e do executivo Alexandrino de Salles Ramos Alencar, sob a alegação de que mídias audiovisuais haviam sido juntadas ao processo sem tempo hábil para análise da defesa antes da audiência.

À época, o pedido não pôde ser julgado em tempo hábil pelo TRF4. Por isso, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na 8ª Turma, decidiu transformar o habeas corpus em correição parcial e declarar o processo prejudicado por já ter sido cumprido.

No recurso julgado pelo tribunal, os advogados de Lula pediam que essa decisão de Gebran fosse alterada por entenderem que havia sido dado parcial provimento à correição parcial. O TRF4 acolheu os argumentos da defesa e reconheceu que o processo foi parcialmente provido, e não prejudicado, como havia sido decidido anteriormente. 


Fonte: Jornal do Brasil

PRESIDENTE O CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS REUNIU-SE COM JUVENTUDE CULTURAL NA E. E. PAULO FREIRE - BAÍA FORMOSA-RN

No clic da Clara!
 Após reunião um clic para registrar momento importante da reunião
 Fotos: EDUARDO VASCONCELOS

Ontem (1) a cidade de Baía Formosa/RN, foi uma vez palco de uma importante reunião do Centro Potiguar de Cultura com jovens que amam a cultura local e brasileira.

A reunião ocorreu a noite na Sala dos Professores da Escola Estadual PAULO FREIRE, com a presenças de jovens talentos tanto de Baía Formosa (Urbana), como da Praia de Sagi ("Rural").

Após os esclarecimentos feito pelo presidente, Eduardo Vasconcelos da importância dos jovens na luta pelo resgate da cultura popular, como a plataformas de ações que serão desencadeadas pelo CPC/RN para o resto do ano, /Eduardo destacou o evento do próximo domingo (6) em Nova Cruz, ou seja a Assembleia Geral Extraordinária que tem como principais objetivos a /Reformulação dos Estatutos, Debates do Manifesto Cultural, serão aprovados nomes de futuros vices regionais do CPC/RN.

No final da reunião foram eleitos por aclamação pelos presentes os nomes de Leonardo, Carol, Izamara e Clara para irem representar-los no evento de domingo.