ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Especial Eleições 2016: Entrevista com Manuela D’Ávila

Por  Natasha Ramos.
A UNE conversou com Manuela D’Ávila que falou sobre sua trajetória do movimento estudantil à vida partidária e a necessidade de se renovar a política
Os anos de Movimento Estudantil foram transformadores para a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB). Sua militância se iniciou em 1999. No mesmo ano, ela se aproximou e se filiou à União da Juventude Socialista (UJS), o que contribuiu muito para o seu crescimento e amadurecimento político. Foi conselheira do Conselho Universitário da UFRGS e coordenadora do Centro de Estudantes de Ciências Sociais. Em 2003, no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Goiânia, foi eleita vice-presidente regional da entidade. Manuela foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita em 2004 aos 23 anos. Se tornou deputada federal em 2006 e foi reeleita em 2010. Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano. O site da UNE entrevistou a parlamentar para oEspecial Eleições 2016 sobre sua trajetória e sobre a renovação da política a partir da candidatura de jovens do movimento estudantil. Confira:
UNE: Como o ME contribuiu para sua formação política?
Manuela D’Ávila: Contribuiu muito. Os anos de Movimento Estudantil foram de aprendizado e fortalecimento de meus ideias. Quando militava na UNE sabia que as causas pelas quais lutávamos eram mais do que questões estudantis, lutávamos por um projeto de país. Quando entendemos o funcionamento das instituições e movimentos sociais, compreendemos a dimensão da micropolítica, isso facilitou o meu entendimento da complexidade da macropolítica. Conhecimentos que levo até hoje comigo.

UNE: Como você vê essa renovação da política a partir da candidatura de jovens do movimento estudantil?
Manuela D’Ávila: Os jovens são atores estratégicos na luta pela superação dos problemas da velha política. São eles que ousam frente aos problemas que nos castigam há anos. O movimento estudantil mostra aos jovens militantes a necessidade da organização e da democracia. Não existe país desenvolvido sem amplo investimento na juventude. É a juventude que questiona o sistema político e faz isso com razão. O sistema político atual, com os partidos dirigidos por homens velhos e conservadores, que não dão espaços para as mulheres e para os jovens, realmente não nos representam. Mas mais do que criticar, é preciso ocupar a política, por isso, as candidaturas dos jovens são tão importantes para gente.

UNE: Quais foram as dificuldades que você enfrentou por ser uma candidata jovem em um ambiente de pessoas mais velhas?
Manuela D’Ávila: Além de jovem, fui uma jovem mulher, temos aí dois preconceitos cruzados, o geracional e o de gênero. Sabemos das dificuldades que as mulheres encontram para ocupar os espaços de poder e, quando ocupam, a dificuldade de se manter neles é uma luta constante. Ainda é difícil para os jovens conquistar credibilidade em espaços dominados por pessoas mais velhas e, por vezes, conservadoras. Sempre tive que ter pulso firme nas minhas decisões e ignorar alguns comentários. Para enfrentar esse preconceito contra os jovens e a fala de “falta de experiência” é preciso estudar, ler e se informar o máximo possível.

UNE: Como rebater a pergunta de que o movimento estudantil é um simples trampolim político?
Manuela D’Ávila: Normalmente quem fala isso é quem questiona a própria existência do movimento estudantil. O movimento estudantil é um espaço político e de aprendizado. É natural que muitos militantes continuem atuando na política, afinal, deixamos de ser estudantes e precisamos nos organizar em outros espaços. O que precisamos diferenciar, são aqueles militantes oportunistas que usam esses movimentos para se promover, sem ideologia alguma. Quando me elegi vereadora, acabei deixando a UNE. Mas não há mal nenhum em um jovem ser de uma entidade e depois concorrer. Mal há em ele não concorrer e deixar a política tomada por àqueles que não tem comprometimento com as necessidades da população.

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Especial Eleições 2016: Jovens candidatos e os desafios de renovar a política. "Acho que o desinteresse dos jovens se devem a uma CONSCIENTIZAÇÃO Democrática e Participava!" - EDUARDO VASCONCELOS

Por Natasha Ramos.
Dados sobre as candidaturas das eleições 2016 apontam para o desafio de se renovar a política no Brasil por meio de uma maior participação dos jovens, mulheres e negros de forma direta com candidaturas às Prefeituras e Câmaras Municipais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou as estatísticas sobre o perfil das candidaturas para as eleições municipais 2016. Segundo dados atualizados em 8 de setembro, há um total de 494.177 mil pessoas concorrendo aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador.
Neste ano, a quantidade de mulheres aumentou 1% em relação às eleições de 2014, ficando em 32% do total de candidaturas (lembrando que esse número pode ser maior se considerarmos as candidatas trans, que não são contabilizadas oficialmente como mulheres). Os dados do TSE indicam também que os brancos ainda representam a maioria das candidaturas (51%), enquanto pardos e outros, somam 48%.
Apesar de as mulheres comporem mais da metade da população brasileira e mais de 50% dos brasileiros se autodenominarem negros, os dados das candidaturas mostram que ainda estamos distantes de atingir uma adequada representatividade de setores sociais importantes no país.
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Essa sub-representação das mulheres e dos negros na política se reflete também no setor jovem da população. Do total de candidatos e candidatas às eleições neste ano, 99.789 têm até 35 anos, representando cerca de 20% da parcela jovem das candidaturas.
“O número de candidatos jovens é muito pequeno e, em geral, eles têm pouca chance eleitoral em um sistema dominado até há pouco tempo por financiamento privado e emendas individuais de deputados”, comenta o cientista político Leonardo Avritzer, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).
Para o cientista político Cláudio Couto, professor na Fundação Getúlio Vargas, há uma clara sub-representação dos mais jovens entre os candidatos.
“Os jovens entre 18 e 35 anos são cerca de 27% da população brasileira, o que dá aproximadamente 35% da população adulta que poderia concorrer em eleições. Olhando esses números, poderíamos entender que há uma sub-representação dos mais jovens entre os candidatos”, afirma.
Nas eleições de 2014, para presidente, governador, senador e deputados estadual e federal, os jovens entre 18 e 34 anos representavam uma parcela ainda menor das candidaturas, cerca de 15%. É possível afirmar, portanto, que houve uma renovação de cerca de 5% nas candidaturas, com a presença de mais jovens concorrendo às eleições de 2016.
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No entanto, Couto lembra que a política, como qualquer outra atividade profissional, tem uma lógica de carreira a lhe organizar. A disputa de eleições no nível municipal seria, então, o primeiro estágio numa carreira política, o que faria com que houvesse nesse plano mais jovens do que nos níveis estadual e federal.
“É de se esperar que um candidato a um cargo eletivo no poder legislativo ou executivo seja algo possível aos que já percorreram certo caminho na política e, portanto, já não são tão jovens assim. Isso pode ser a razão para essa aparente sub-representação dos mais jovens entre os candidatos”, pondera o professor da FGV.

POR MAIS JOVENS NA POLÍTICA

No âmbito municipal, atualmente, apenas 4 das 26 capitais brasileiras têm suas prefeituras administradas por jovens com menos de 40 anos. Quatro prefeitos estão na faixa dos 40 anos e a grande maioria tem mais de 50 anos. A representação feminina no comando das capitais também está muito aquém: apenas uma prefeitura, de Boa Vista (RR), é liderada por uma mulher.
Na câmara de São Paulo, cidade mais populosa do Brasil, esse déficit de representatividade de jovens e mulheres é ainda maior: apenas 4 dos 55 vereadores têm menos de 40 anos. Mulheres são apenas 6 vereadoras.
Esses números refletem o que acontece no restante do país. Com o atual Congresso Nacional, o mais conservador desde a ditadura militar, os candidatos jovens do Brasil, sobretudo aqueles provenientes do movimento estudantil, enfrentam o desafio de renovar a política no país, trazendo novas e mais progressistas ideias para oxigenar o modo como a política vem sendo conduzida.
Resultado das eleições municipais de 2012:
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OCUPAR A POLÍTICA

“A renovação da política a partir de uma maior participação dos jovens se faz necessária para mudar a política da maneira como ela vem sendo exercida até hoje”, diz Manuela D’Ávila, jornalista e deputada estadual no Rio Grande do Sul.
A parlamentar gaúcha, que começou sua carreira política no movimento estudantil, foi diretora da UNE, e depois ingressou na política partidária, acrescenta:
“Os jovens são atores estratégicos na luta pela superação dos problemas da chamada velha política. São eles que ousam frente aos problemas que nos castigam há anos”.
Manuela foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita em 2004 aos 23 anos. Se tornou deputada federal em 2006 e foi reeleita em 2010. Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano.
“O movimento estudantil mostra aos jovens militantes a necessidade da organização e da democracia. Não existe país desenvolvido sem amplo investimento na juventude. É a juventude que questiona o sistema político e faz isso com razão. O sistema político atual, com os partidos dirigidos por homens velhos e conservadores, que não dão espaços para as mulheres e para os jovens, realmente não nos representam. Mas, mais do que criticar, é preciso ocupar a política, por isso, as candidaturas dos jovens são tão importantes para gente”, opina Manuela.
Para o deputado federal Orlando Silva, que também começou sua trajetória política no movimento estudantil – primeiro no DCE de sua universidade, a Universidade Católica de Salvador, depois na União Nacional dos Estudantes, onde foi tesoureiro, diretor de comunicação e presidente da entidade: “É fundamental que as lideranças políticas formadas no Movimento Estudantil possam ocupar espaço na cena política”.
“Há hoje uma clara crise de representatividade. É preciso que essas lideranças políticas construam uma identidade da juventude. Muitos jovens estão fora da política. A inclusão de candidatos mais novos pode ajudar no aumento do interesse dos jovens”, diz o deputado.
O senador Lindbergh Farias, que também começou sua trajetória política no movimento estudantil, eleito presidente da UNE em 1992, diz que esse ambiente foi uma grande escola. “É no ‘ME’ que muitos jovens travam o primeiro contato direto com a organização coletiva para reivindicar melhorias nas questões que os afetam diretamente: as condições de ensino, a mobilidade urbana, o acesso à cultura e arte. É um espaço de debates riquíssimos e de experimentação, de liberdade, radicalização da democracia”.
Para ele, é preciso mais candidaturas de jovens para renovar a política brasileira.
“Eu acho que a política brasileira só tem a ganhar com o surgimento de figuras arejadas, incorporando novas pautas, rompendo com estruturas viciadas e trazendo a juventude para a participação política também no plano institucional”.
Na busca por ocupar esse vácuo de jovens e mulheres representantes, a presidenta da UNE, Carina Vitral, com apenas 28 anos, mas um currículo cheio de lutas no movimento estudantil, resolveu disputar a prefeitura de Santos, sua cidade natal.
“Há ainda quem acredite que o jovem não está pronto para um desafio como esse, mas a verdade é que enfrentamos desafios iguais ou até maiores nas lutas cotidianas. A nossa geração, que ocupou as ruas do país em Junho 2013 está querendo participar em todos os espaços, com a certeza de ter a sensibilidade, a rebeldia e a ousadia necessárias para fazer diferente do que está aí. Não há como esperar que o atual modelo da nossa política se transforme sozinho, sem a nossa participação, sem a nossa presença nos lugares que pertenceram, historicamente, somente aos homens velhos e conservadores”, afirmou.

LEIA TAMBÉM: SITE DA UNE MAPEIA JOVENS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES 2016

Durante o mês de agosto, a equipe do site da UNE realizou um levantamento em todo o país para tentar identificar concorrentes ao pleito 2016 que ainda fazem parte ou já passaram pelo movimento estudantil recentemente.
Engajados em grêmios, DCEs, CAs, Atléticas, entidades municipais e estaduais, coletivos, ONGs e partidos políticos, estes candidatos descobriram a partir da organização estudantil uma vocação para representar a juventude na administração de suas cidades.
Confira o perfil dos 30 candidatos os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereadores que responderam à reportagem da UNE.
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Clique na imagem e confira os perfis dos jovens candidatos nas eleições 2016 provenientes do movimento estudantil
Fonte: UNE

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cai o pano: O preço pago pelas elites brasileiras para a aplicação do golpe pode ter sido caro demais.

Marco Aurélio Cabral Pinto
Natureza do Golpe
Golpe é fenômeno súbito, que transforma de maneira irreversível os fluxos de forças na sociedade. O Golpe foi dado nos bastidores do poder e do dinheiro, quando se verificou que o resultado das urnas contrariava o duplo objetivo de: (i) desorganizar a aliança estabelecida entre grupo político (PT e PC do B) e elite empresarial (construção civil e naval com engenharia de ponta); e (ii) afirmar políticas neoliberais com objetivo de atender a aliança estabelecida entre os interesses patrimonialistas locais (finanças e agronegócio) e financeiros internacionais.
O primeiro sinal do Golpe se deu logo após as eleições, quando a Presidente eleita formou seu gabinete com ex-executivo do Banco Bradesco, missionado para ajuste fiscal. Ou seja, na direção contrária àquela que resultou das urnas. Ainda que a expectativa de corte de despesas tenha se frustrado, o banqueiro (não conheço ex) teve sucesso no aumento das taxas de juros.
Os sucessivos ataques financeiros à Petrobras mostravam o quanto incomodava a chegada do bravo caboclo brasileiro no tabuleiro internacional do “ouro negro”. A realização do leilão do primeiro grande bloco no pré-sal – Libra – se deu mediante engenharia geopolítica realizada pela Petrobras junto aos consumidores chineses e aos fabricantes europeus.
Sem restrições financeiras, os chineses avalizaram a estratégia proposta de aumentar em larga escala a demanda por navios-sonda no país. Considerando-se que não havia (agora não há qualquer) outro grupo de capital nacional com expertise em engenharia no país (o resto vendeu controle e hoje vive de “rendas financeiras”), o desafio tecnológico foi dado aos construtores. Cinco estaleiros ao longo do litoral brasileiro trariam impulso industrializante para todo o país.
A prisão de M. Odebrecht e de dirigentes da Petrobras mostraram que se tratava de ação coordenada com a finalidade de abortar projeto para o país. Um projeto que considerava a miséria oportunidade para, através do consumo das famílias, impulsionar a industrialização e a melhoria de vida nas cidades brasileiras.
Investimentos em infraestrutura logística e energética ao mesmo tempo em que atenderam aos anseios da indústria e do agronegócio permitiram que o Brasil conquistasse saídas no Oceano Pacífico para escoamento logístico para a Ásia. Algo que vinha sendo tentado há cerca de 150 anos pela diplomacia brasileira, sem sucesso.
O Golpe foi aplicado com apoio do Governo dos Estados Unidos (o juiz e muitos policiais federais foram treinados por agentes do Governo, assim como a tecnologia empregada pelo Departamento de Combate aos Crimes Financeiros é compatível com aquela utilizada pela NSA). O interesse dos norte-americanos, em primeiro lugar, se concentrou na questão do petróleo e, consequentemente, da desmontagem do arranjo construído pelo grupo nacionalista anterior.
Este processo está hoje ainda em curso – o ministro J. Serra foi, não por acaso, escolhido para a pasta de relações exteriores no grupo de confiança para o Golpe. Trata-se do mesmo senador que encaminhou projeto de Lei que revê o Regime de Partilha em favor das Concessões, sistema preferido das petroleiras internacionais. Faz parte das orquestrações internacionais construir-se a inviabilidade da candidatura do ex-presidente Lula em 2018.
Talvez a maior contribuição de Marx tenha sido a de revelar a importância da “hegemonia da narrativa” nos jogos do poder e do dinheiro. Neste quesito, os principais grupos de comunicação de massa atuantes no país foram enquadrados na agenda de construção de uma narrativa que conferisse ao Golpe legitimidade jurídico-institucional.
Como a história é mutifacetada e boa parte do mundo não fez parte da conspiração brasileira, a repercussão pelo The Guardian, New York Times e muitos outros veículos com jornalismo ético foi a pior possível. Perdeu-se o que parecia mais crucial, a tal da “hegemonia da narrativa” sobre o Golpe.
Neste quesito, os medíocres prestadores de serviços políticos para os donos do poder e do dinheiro igualmente perderam feio na arena onde supostamente deveriam triunfar. A Câmara dos Deputados se manifestou no processo com a crueza de quem está preocupada com o próprio umbigo, sem qualquer conexão com a nação. No Senado Federal, a defesa da Presidente apoiou-se em fatos, denunciando a manipulação, sem recorrer a argumentos como “o todo da obra” ou atribuir aos problemas econômicos à falta de políticas neoliberais!
O judiciário brasileiro sobrevive como instituição desde o século XIX. Ajudou a legitimar para os paulistas a escravidão por cerca de meio século após ser banida do resto do mundo. Omitiu-se nas principais questões nacionais, incluindo-se a questão da tortura e dos assassinatos políticos que jamais deixaram de ocorrer. Tal é o papel histórico do judiciário brasileiro, legitimar a injustiça e a exploração do território e da sociedade por uns poucos.
Finalmente, para completar a farsa, os organizadores políticos do Golpe alimentaram o ódio, nada latente, de segmentos conservadores incultos da classe média brasileira. Este ódio provém do preconceito contra convivência, experiências e espaço (praias, shopping centers, parques, shows, aviões etc.) com segmento que emergiu, que passou a fazer parte de uma sociedade de consumo capitalista. 
O mais emblemático momento foi o reconhecimento de direitos trabalhistas para domésticas, que pressionou esta classe de mimados com o fim de privilégios escravagistas sobre as relações de trabalho.
E agora, o que esperar?
Mal terminado o processo de construção da narrativa, os interesses que levaram ao Golpe irão reclamar seus haveres. Principalmente os interesses financeiros, ansiosos por um novo momentum altista na bolsa de valores brasileira. Para que isso se verifique, há necessidade de se impulsionar nova onda de venda de controle de ativos públicos, boa parte destes sob comando de entes sub-regionais – Estados e Municípios.
A estratégia do novo Governo se ancora na atração de massas de capitais provenientes de fundos de investimentos, muitos dos quais se encontram em grande necessidade de reciclar liquidez em ambientes seguros e rentáveis. A valorização cambial dos últimos meses reflete a antecipação deste movimento.
Ao olhar para frente, percebe-se o agravamento da crise internacional, com transbordamentos do econômico para o político:
1.Com o Golpe no Brasil, a China e a Rússia perderam aliado importante no tabuleiro internacional. Por outro lado, ambos os países parecem responder com estreitamento de relações econômicas e militares entre si;
2.Dado que o aumento da influência dos EUA na Ásia encontra arsenais nucleares estabelecidos, a rivalidade expansionista parece direcionada para “guerra cambial”. A mesma queda nos preços internacionais de petróleo que prejudicaram a Petrobras foram responsáveis pelo enfraquecimento econômico da Venezuela, da Rússia, da Argentina, da Bolívia e de países africanos produtores de petróleo (Angola);
3.O elevado desemprego europeu e a invasão populacional islâmica no continente têm fortalecido teses nacionalistas em detrimento de “um mundo sem fronteiras”. O Brexit deslocará a Inglaterra da condição de principal praça de conversão de moedas internacionais. Este será o preço pago pelos ingleses pelo direito de não envolvimento militar na Europa.
4.Nos EUA, qualquer tentativa, por parte das elites financeiras, de reversão da liquidez internacional, resultaria no colapso econômico das principais economias ocidentais. Ou seja, os EUA estão presos à condição de prover liquidez para um sistema bancário que enfrenta desafio de reciclar grandes blocos de capital no curto prazo. Como uma bola de neve.
Antecipa-se, ainda, conjunto de dificuldades no ambiente interno:
1.Há necessidade de continuidade nas investigações, com implicação de políticos de outros partidos, incluindo-se membros do Governo;
2.O custo econômico do impeachment se materializará em gastos fiscais do interesse de deputados e senadores, conspirando contra o “ajuste”;
3.O aumento no desemprego e a queda na arrecadação expõem os bancos comerciais brasileiros, na medida em que aumentam os saques da poupança e a inadimplência, principalmente na carteira de crédito habitacional.
 
4.A valorização cambial inibe as exportações e contribui para a instabilidade do balanço de pagamentos, aumentando-se a fragilidade externa.
Considerando-se a “obra como um todo”, o preço pago pelas elites brasileiras para a aplicação do Golpe pode ter sido caro demais. Se muito alto, o custo do Golpe terá sido, ao cabo de dois anos, colocar o Brasil em uma situação de estagnação com desemprego e inflação elevados. O tamanho da insatisfação da sociedade brasileira só será proporcional aos votos que candidatos nacionalistas obterão nas eleições de 2018.
Dito isso, será que dois anos são suficientes para que os interesses golpistas recuperem prejuízos incorridos com a aplicação do Golpe? Se a resposta for realmente não, receio que a suspensão dos direitos políticos e econômicos dos cidadãos brasileiros está apenas por começar. Nestas circunstâncias, acho que até mesmo a farsa da democracia brasileira há de fracassar. Oremos.

Créditos da foto: Beto Barata
 Fonte> Carta Maior

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Eleições 2016: Só uma cidade tem paridade de gênero nas eleições 2016

Marcha das Margaridas
A Marcha das Margaridas de 2015: a subrepresentação feminina afeta os direitos sociais das mulheres

Por Tiago Mali
Mulheres representam parcela pequena das candidaturas e chegam a receber porção ainda menor dos recursos. Descubra qual é a situação na sua cidade
Há apenas uma cidade do Brasil onde a participação das mulheres em candidaturasnestas eleições é equivalente à participação feminina no eleitorado. Baixio, no Ceará, onde metade dos candidatos são do sexo feminino e metade do sexo masculino. Levantamento de CartaCapital com base em dados do TSE mostra que, em todos os outros 5.567 municípios que realizam eleições neste ano, o número de mulheres é inferior ao de homens nas disputas. Em 4.172 cidades (75% das que têm eleição), as candidatas sequer chegam a um terço dos políticos na disputa.
Levando em conta todas as cidades do País, o percentual de candidaturas femininas em 2016 teve uma alta discreta em relação ao das últimas eleições: em 2012 as mulheres representavam 31,5% dos políticos na disputa; em 2016, 31,7%. Entre os estados, o mais desigual é Pernambuco, onde 31,1% dos candidatos são mulheres. O menos desigual é o Amapá, onde a situação não é muito melhor: são 33,3% as mulheres na disputa.
Os números indicam que os partidos estão fazendo o mínimo para cumprir lei 12.034 de 2009, segundo a qual todas as legendas são obrigadas a ter ao menos 30% das candidaturas destinadas a um dos sexos.
Isso fica ainda mais claro se levarmos em conta apenas o cargo de prefeito. Como a lei aplica-se apenas às vagas para câmaras legislativas, as candidaturas à prefeitura têm uma representação feminina ainda menor: apenas 12,6% dos candidatos disputando a chefia do executivo municipal são mulheres.
O mapa da subrepresentação feminina
Consulte na caixa de busca e no mapa abaixo quão subrepresentadas estão as mulheres entre os candidatos da sua cidade.
Fonte: Carta Capital

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Coletânea de artigos ajuda mulheres que desejam conhecer e aprofundar o feminismo

Com prefácio da escritora e professora Márcia Tiburi e organização da jornalista Nana Queiroz, autora de Presos que Menstruam, “Você já é feminista – Abra este livro e descubra porquê” reúne textos de Djamila Ribeiro, Luisa Marilac, Lola Aronovich, Amora Moira e várias outras mulheres.
Por Redação
O livro “Você já é feminista – Abra este livro e descubra porquê” apresenta 23 textos de ativistas atuantes na chamada “Primavera das Mulheres” para falar de como é viver o feminismo na vida prática. Os assuntos vão de assédio no trabalho, divisão de tarefas domésticas, legalização do aborto até a indústria pornográfica.
Com prefácio da escritora e professora Márcia Tiburi e organização da jornalista Nana Queiroz, autora de Presos que Menstruam, o livro reúne textos de Djamila Ribeiro, Luisa Marilac, Lola Aronovich, Amora Moira e várias outras mulheres.
Em cada capítulo a obra procura despertar o público para situações que se tornaram rotineiras e acabam passando despercebidas no dia a dia, denunciando a desigualdade de gênero e incentivando a luta pelo direitos das mulheres. Com dados atuais e exemplos reais, o livro combina artigos e reportagens em uma linguagem acessível.
O lançamento será em São Paulo neste sábado (27) na Casa Bartira com um debate com as autoras e seguido de uma festa com DJs mulheres.
Editora: Pólen Livros em parceria com a revista Azmina
Páginas: 176
Preço: R$ 35
Fonte: Revista Fórum

SÃO PAULO: Coronel da PM faz piada com jovem que perdeu a visão em protesto

Henrique Motta, responsável pela atuação da Polícia Militar em São Paulo durante as manifestações, afirmou que a perda da visão foi culpa da própria estudante: “quem planta rabanete colhe rabanete”
Por RedaçãoEm seu perfil no Facebook, o tenente-coronel Henrique Motta fez piada com a situação da estudante Deborah Fabri, que perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingida por estilhaços de bomba durante uma manifestação contra o presidente Michel Temer e o impeachment de Dilma Rousseff no último dia 31.
Motta comandou operações durante protestos em diversas ocasiões na cidade de São Paulo. Na rede social, ele compartilhou uma postagem sugerindo que a culpa da perda da visão era da própria estudante. E, para justificar seu posicionamento, divulgou uma publicação de 2015 atribuída a Deborah, que dizia que era “a favor de qualquer ato de qualquer destruição em protesto de cunho político que tenha objetivos sólidos”.
Em nota conjunta, a Secretaria de Segurança Pública do Estado e a Polícia Militar afirmaram que a postagem de Motta não interfere na atuação técnica do oficial, que apresenta um trabalho “que tem se mostrado isento e imparcial”.
Fonte: Revista Fórum

Repressão da Polícia Militar em manifestações será denunciada à OEA

Jornalistas Livres
  

Na semana em que a presidenta legítima Dilma Rousseff foi afastada definitivamente do poder, as manifestações contra o golpe intensificaram-se, e a Polícia Militar do estado, subordinada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), promove diariamente cenas de guerra na capital paulista. Uma jovem perdeu a visão do olho esquerdo, atingido por estilhaços de bombas, e 26 jovens foram presos sem argumentação legal alguma. 

Lindbergh Farias iniciou a coletiva ressaltando a importância de não silenciar sobre a gravidade dos acontecimentos vividos no país. “Afastaram uma presidenta e agora não temos mais o direito de nos manifestarmos com liberdade? Eu fiz parte dos movimentos pelo ‘Fora, Collor’, contra Fernando Henrique Cardoso, e nunca vi tamanha repressão. Querem passar para a população uma imagem de pânico para dispersar o movimento ‘Fora, Temer’. Mas nós seguiremos em frente, com maiores manifestações e com artistas, parlamentares e figuras públicas fazendo um cordão em defesa da liberdade de manifestação”, afirma. 

Denúncia internacional 

O senador salientou que irá denunciar aos órgãos internacionais as ações truculentas da Polícia Militar durante as últimas manifestações ocorridas em São Paulo. “Nós estamos preparando uma representação na Corte Interamericana de Direitos Humanos para não deixar a repressão ocorrida no domingo passar em branco. Criminalizam os movimentos sociais, impedem o direito de expressão, isso é gravíssimo, que país é esse onde jornalista tem que sair com capacete e máscara?”, denuncia Lindbergh.
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Prisão arbitrária 

Policia Militar faz cordão de segurança em frente ao fórum, durante Audiência de Custódia com os 26 presos que ocorre durante a tarde desta segunda (5).

O deputado estadual Paulo Teixeira passou a madrugada no Departamento De Investigações Sobre Crime Organizado (Deic), na capital paulista, apurando a prisão arbitrária de 26 jovens que foram presos ao tentarem participar da manifestação e contou como foi o seu diálogo com o delegado. 

“Indagamos ao delegado: houve alguma vítima, qual órgão público ou privado que foi atacado pelos manifestantes? Ele tentou justificar que a prisão foi realizada porque alguns manifestantes portavam pedras e itens de primeiros socorros e que enquadraria todos por formação de quadrilha, corrupção de menores e, por consequência, manteria os 26 manifestantes presos”, relatou Paulo. 

Segundo afirma Paulo, há uma clara escalada da violência para dissuadir os jovens de irem às manifestações pelo “Fora, Temer”, algo que ocorre com a parceria do ministro da Justiça, Alexandre Moraes, com a Polícia Militar paulista. “Isso acontece há algum tempo, prendem os manifestantes e eles permanecem durante horas detidos, mas não havia ocorrido um enquadramento tão pesado como o ocorrido na tarde deste domingo com os 26 jovens”, alerta. 

O jornalista Juca Kfouri questionou Paulo Teixeira a respeito do prefeito Fernando Haddad (PT-SP) enfrentar o governador Alckmin sobre as ações truculentas da polícia. “O Haddad fez toda uma movimentação para que não houvesse conflitos, ele provavelmente fará uma mediação para acabar com essa onda de violência. Devemos também provocar o Ministério Público para exercer esse controle. A Polícia Militar perdeu o controle. Está rompida a ordem institucional e liberada a repressão, a policia tem que proteger os manifestantes e não agredi-los, como foi o caso da Deborah, a jovem que perdeu a visão do olho esquerdo na manifestação”, respondeu Teixeira. 

Carta para Alckmin 

O ex-senador e atual candidato a vereador na cidade de São Paulo, Eduardo Suplicy, pediu o uso da palavra para ler uma carta que será enviada ao governador Alckmin, onde rechaça a prisão arbitrária dos 26 jovens. “Um exagero pensar que aqueles manifestantes praticaram algum ato de agressividade. A manifestação foi pacífica”, argumentou. 

Alexandre Padilha (PT-SP), secretário municipal da Saúde do município de São Paulo, interveio na coletiva dizendo que intensificará os primeiros socorros aos manifestantes feridos. “Foi uma manifestação pacifica pelo povo e baderneira pela PM, intensificaremos a prestação de serviços do Samu em locais estratégicos em torno do trajeto do protesto, asseguraremos esses pontos, para garantir o aparato dos profissionais de saúde, pessoas voluntárias, prestando atendimento médico”, declarou. 

Próximos atos

Representando a Frente Povo sem Medo, o membro da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) Rogério Nunes afirmou que a luta pelo “Fora, Temer” segue ganhando mais força e divulgou as próximas manifestações contra o golpe e a não retirada de conquistas sociais que ocorrerão nesta quarta-feira (7), durante o Grito dos Excluídos, em várias capitais do país. Na quinta-feira (8), a Frente Povo sem Medo convoca a manifestação contra o golpe e pelas Diretas Já! no Largo da Batata, região central de São Paulo. 


Do Portal Vermelho