ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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domingo, 31 de janeiro de 2016

Governador nomeia o Advogado Canindé de França secretário de Esporte

canindeesporte

O governador do estado, Robinson Faria, nomeou o advogado Canindé de França secretário estadual Esporte e Lazer, em substituição ao vereador licenciado George Câmara (PCdoB), que retoma seu mandato na Câmara Municipal a partir do próximo dia 2 de fevereiro. A cerimônia de posse está marcada para às 11h do dia 1 de fevereiro, no Centro de Convenções.
Atual secretário adjunto da pasta, Canindé teve sua promoção oficializada no Diário Oficial do Estado deste sábado (30), após a decisão de George Câmara em se afastar para disputar as eleições municipais. “Nossa pretensão de concorrer ao Executivo decorre do crescimento do partido. Já governa o estado do Maranhão, a cidade de Olinda/PE, governou Aracaju/SE. Está presente no parlamento e no executivo. É reforçar essa postura do PCdoB de se colocar a serviço da população”, diz George Câmara.
Gilv@n Vi@n@

sábado, 30 de janeiro de 2016

"Requião manda Folha e os que caçam Lula à PQP "


"O crime de Marisa? Não os mandarei se lixar nas ostras! Mas vão à PQP", escreveu Requião, postando ainda a imagem da canoa de lata, comprada pela ex-primeira-dama por R$ 4,1 mil.

Neste sábado, a Folha noticiou, em sua manchete principal, que uma aquisição de Marisa Letícia – a canoa de lata – a aproximaria do sítio em Atibaia (SP), usado pelo ex-presidente e seus familiares (leia mais aqui). Ocorre que Lula jamais escondeu que frequenta a propriedade, registrada por Jonas Suassuna, sócio de seu filho.

Graças a esses escândalos, o governador paulista Geraldo Alckmin, que tem exonerado vários auxiliares graduados por suposto envolvimento na máfia que desviava dinheiro da merenda escolar, se julgou numa posição confortável para qualificar Lula como uma pessoa "sem limites" éticos (confira aqui), provocando reação imediata do ex-presidente (leia aqui).

A reportagem da Folha ao menos teve o mérito de revelar que Lula, que já alvo de várias montagens na internet como se estivesse passeando em iates de luxo, pesca numa canoa de lata (leia aqui).

Com denúncias como a de hoje, o objetivo óbvio é tentar inviabilizar a volta de Lula, que deixou a presidência como o líder político mais popular da história do País.

Fonte: http://contrapontopig.blogspot.com.br/2016/01/contraponto-18298-requiao-manda-folha-e.html

Lula usa sitio de amigo e FHC usa apartamento de amigo em Paris. E daí?


É estarrecedor o que está acontecendo neste país. Virou manchete na Folha de São Paulo deste sábado que dona Marisa, esposa de Lula, comprou um bote para sua família usar no lago de um sítio em atibaia que um amigo e sócio de um de seus filhos empresta.

O bote foi comprado por quatro mil reais e a nota fiscal foi emitida em nome da esposa de Lula. Segundo a Folha, essa seria a “prova” de que, na verdade, o imóvel em Atibaia pertenceria a Lula. Afinal, se a família Lula investiu tanto no barco, só o faria se fosse proprietária do imóvel.

É hilariante. Lula tendo investido a fortuna de quatro mil reais no bote acima, está provado que é o verdadeiro dono do sítiozinho.

A mesma lógica, porém, não vale para outro político envolvido há décadas em denúncias de corrupção que nunca são investigadas pela imprensa ou pelos órgãos competentes graças a conchavos.

Lembram-se da velha história do apartamento de FHC em Paris, denunciada por Janio de Freitas quando o tucano deixou a Presidência, em 2003, e foi “descansar” na “Cidadade Luz” durante uma bela temporada?

Por muito tempo espalharam que o apartamento na luxuosa avenue Foch, em Paris, um dos endereços mais caros da cidade, seria de FHC. Formalmente, porém, nunca foi. O imóvel pertence à família de Jovelino Mineiro, parceiro e sócio de FHC em alguns negócios, inclusive em uma fazenda em Buritis, MG.

Abaixo, foto do amigo do tucano e da avenida em Paris onde fica o imóvel que FHC usa, assim como Lula usa imóvel de amigo em Atibaia.

bote 1
Foi Jovelino Mineiro quem, no final do governo FHC, passou o chapéu
para arrecadar dinheiro para o tucano entre empresas hoje enroladas
na Lava Jato, tais como Odebrecht e Camargo Correia.
Em um jantar, FHC levantou R$ 7 milhões para a montagem do Instituto FHC; “uma noite de gala”, noticiou a revista Época em 2002, sem se escandalizar com o fato de que um presidente e seu melhor amigo rodavam a sacolinha em pleno Palácio da Alvorada, durante o mandato

A revista apagou a matéria de seus arquivos na internet para tentar proteger FHC, mas foi possível recuperá-la em cache. Confira, abaixo.

bote 2

Note, leitor, que, até prova em contrário, tanto FHC quanto Lula podem usar imóveis cedidos por amigos. Se um engenheiro da Odebrecht assessorou o amigo de Lula na construção do sítio, a mesma Odebrecht doou milhões para o bolso de FHC enquanto este ainda era presidente. E o tucano usa imóvel em Paris de propriedade de alguém com amplo envolvimento com empreiteiros envolvidos na Lava Jato.

Sim, o mesmo FHC que foi recentemente acusado por Nestor Cerveró de ter recebido 100 milhões de propina.

Está muito claro, meus amigos, que é tudo uma enorme armação contra Lula com fins estritamente eleitorais. Querem tirá-lo da eleição de 2018. Apenas isso. Por essa razão ficam inventando factoides.

O que é grave é que estão usando o Ministério Público e a Polícia Federal para ataques políticos. Imagine se essa gente voltar ao poder. Se fora do poder faz isso, quando estiver no poder transformará o Brasil em uma ditadura. Quem pensar diferente será preso ou até executado e ninguém poderá dizer nada.

Se você não lutar contra isso, será cúmplice da ditadura que estão para instalar no Brasil. Depois não reclame.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania

Fonte: http://www.contextolivre.com.br/2016/01/lula-usa-sitio-de-amigo-e-fhc-usa.html

MUNDO: Ano novo, crise nova

O ano começou com uma nova crise bolsista mundial. Apesar das flutuações, é claro que estamos perante uma nova convulsão do sistema financeiro internacional.

Por Jorge Cadima, no Jornal Avante 


Há um fato incontornável: as políticas de miséria para os povos, mas de subsídios para o grande capital financeiro (como os chamados programas de Quantitative Easing – QE que o banco central dos EUA procura agora reduzir), promovidas após 2008, não resolveram os problemas de fundo do sistema capitalista mundial: agravaram as dívidas e as bolhas especulativas, sem redinamizar a economia produtiva. 

Mas o capitalismo mundial já não funciona sem essas injeções de dinheiro fácil na veia. William White, ex-economista-chefe do BIS (o "banco dos banqueiros") e atual figura de destaque na OCDE é claro: "a situação hoje é pior do que era em 2007. Já foram usadas praticamente todas as nossas munições macro-econômicas. […] As dívidas continuaram a avolumar-se durante os últimos oito anos e alcançaram níveis tais em todo o mundo que se tornaram uma fonte séria de problemas. Tornar-se-á óbvio na próxima recessão que muitas destas dívidas não serão [pagas] e isto será pouco confortável para muita gente que pensa que tem bens com valor". 

O jornalista que obteve estas declarações na véspera da abertura do recente Fórum Econômico Mundial de Davos acrescenta que o "QE e as políticas de dinheiro fácil da Reserva Federal dos EUA e seus congêneres" são uma espécie de "tóxico-dependência", em que se gasta hoje aquilo que não se possui, mas que "acaba por perder efeito" e o dia chega em que "não há dinheiro para gastar amanhã".

"Dinheiro fácil" só existiu para os grandes banqueiros e capitalistas. Na semana passada (18), a organização de caridade inglesa Oxfam publicou um relatório com o título "Uma economia para os 1%". Cita o gigante financeiro Credit Suisse para afirmar que os 1% mais ricos detêm hoje mais riqueza do que os restantes 99% da população mundial. A Oxfam acrescenta outros números impressionantes: em 2015, 62 indivíduos possuem a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas (metade da população do planeta). Desde 2010, a riqueza destes 62 multi-milionários aumentou 44%, enquanto que para a metade mais pobre da Humanidade se verificou uma quebra de 41%. 

A crise não foi, seguramente, para todos. Não só não houve “sacrifícios repartidos”, como a crise do capitalismo foi usada para promover uma autêntica pilhagem de classe que engordou muito o grande capital à custa dos povos. Os orçamentos do Estado são usados para salvar os banqueiros, mas os banqueiros nem sequer pagam impostos para financiar os orçamentos do Estado. O Jornal de Negócios online publicou uma notícia sobre Portugal com o título "As 1000 famílias que mandam nisto tudo (e não pagam impostos)". Não é um problema só português. A Reuters noticiou que "sete dos maiores bancos de investimento que operam em Londres pagaram pouco ou nenhun impostos na Grã-Bretanha no ano passado". Os sete referidos gigantes financeiros tiveram em 2014 lucros de 5,3 bilhões de dólares naquele país, mas pagaram de imposto apenas 31 milhões, ou seja, menos de 0,006% dos seus lucros. Cinco dos sete nem pagaram um penny. Quem esteja à espera que o problema se resolva com "mais regulação" ou "mais Europa" bem pode esperar sentado: entre os sete mega-caloteiros encontra-se a Goldman Sachs, de onde saiu o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

A nova explosão de crise em 2016 vai agravar todas as já agudíssimas contradições no seio do capitalismo mundial. Conscientes de que uma nova ronda de "austeridade" para os trabalhadores e povos "emanará do céu" para os multimilionários não é compatível com a democracia, as liberdades e a paz, setores importantes da classe dominante preparam a via da repressão, do autoritarismo e da guerra. Para os trabalhadores e povos não há outra opção, senão preparar-se para o embate.

Fonte: VERMELHO.ORG.BR

Manifestantes protestam contra genocídio de jovens negros

Pelo terceiro ano ato ocorreu na praça da Sé no dia do aniversário de São Paulo. Entidades de defesa dos direitos humanos denunciam assassinato em massa desses jovens.




Fonte: vermelho.org.br

Denúncias sobre preconceito a LGBTs aumentam quase 100%

 

O Disque 100 recebeu mais de 324 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2015. O preconceito por orientação sexual é um dos dados que mais chamou atenção. Aumentou 94% em comparação ao último relatório. A discriminação contra a população LGBT ocorreu em grande parte na internet, em redes sociais.



Intolerância religiosa, abuso financeiro de idosos, trabalho escravo, exploração sexual infantil são outros exemplos de denúncias. Ao todo, 137 mil registros foram encaminhados a órgãos de controle e investigação. Pouco mais de 16% foram respondidos. O secretário de Direitos Humanos, Rogério Sottili, diz que o número de denúncias encaminhadas e monitoradas é satisfatório.

Fonte: vermelho.org.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sobre a cidade e as pessoas

Ruas cheias de blocos de carnaval, pessoas fantasiadas, sorrisos, bicicletas e skates, uma cidade liberada para as pessoas, assim estava a cidade de São Paulo em seu 462° aniversário. Ruas fechadas para o trânsito, motoristas insatisfeitos e prefeito levando uma garrafada de um movimento que pauta justamente a mobilidade urbana, assim também estava a cidade de São Paulo em seu 462° aniversário.
Como coloca o jornalista Pedro Alexandre Sanches, em seu blog Farofafa (hospedado no site da revista Carta Capital), que compartilhamos na íntegra abaixo: “…parece evidente a qualquer bom observador que Haddad, malandramente, está expandindo pela cidade e entre as cidadãs e os cidadãos o conceito de uso público das vias públicas da cidadania. Um dia fecha aqui, outro dia fecha acolá, daqui a pouco, pluft!, está a cidade inteira presa e interditada. Ou, variando-se o ponto de vista ideológico: um dia abre aqui, outro dia abre acolá, daqui a pouco, vrah!, está a cidade toda livre e desimpedida”.
Em ano de eleição para a prefeitura, o jornalista aponta que “as urnas já estão abertas”, e para além disso, a capital paulista atravessa um momento de “choque de mentalidades”, entre os que pensam que “o carro (ônibus, caminhão, helicóptero, metrô, avião etc.) é maior que as gentes e quem pensa que as gentes são maiores que o maior avião supersônico que exista no mundo”. A ausência da grande mídia na cobertura da melhor parte da festa da cidade também é notada por Alexandre Sanches: “Os robocópteros da Rede Globo não sobrevoam os girassóis”.
Confira o texto:
O choque está nas ruas – Por Pedro Alexandre Sanches
“Esse prefeito bloqueou a cidade inteira. Eu não posso mais sair de carro”, queixa-se o homem de meia idade a sua esposa. Ambos bebem vinho e estão instalados confortavelmente num restaurante mais ou menos exclusivo de um shopping center mais ou menos exclusivo da cidade de São Paulo. Lá fora, sem tanto conforto e ao ar livre, a capital do estado de São Paulo comemora seu aniversário de 462 anos de idade.
Cá dentro, o homem e sua esposa aguardam a refeição e examinam o cardápio que têm em mãos para depor Fernando Haddad da cadeira de prefeito paulistano nas eleições que vêm aí. Ele cita primeiro João Doria Jr., em seguida Andrea Matarazzo. Lá fora, a cantora baiana Daniela Mercury já terminou de arrastar em trio elétrico um mar de gente feliz pelas ruas provisoriamente desabitadas de carros da já quase quinhentona cidade.
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Paulistanos de cá e de lá, autóctones ou alienígenas, vivemos todas nós esse choque de mentalidades. Não é a tropa de choque da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmim, mas sim o choque de mentalidades que ganha as avenidas e os shoppings da capitania neste feriado ao mesmo tempo chuvoso e ensolarado.
O domingo, véspera do aniversário, é dia atípico mesmo para os dias de folga e feriado em SP. Começa corriqueiro, como já estamos quase nos acostumando: a dada altura a avenida Paulista se fecha para os automóveis e se abre para bicicletas, skates, patins, pés calçados e pés descalços. Às 15h, a mais emblemática avenida da cidade parece um festival de superestrelas do rock, com idosos, crianças, bebês, cachorros e patos gigantes infláveis da Fiesp ajudando a compor a plateia que também é palco.
De repente cai um temporal, prova inconteste de que o taciturno José Serra se encontra à espreita para ocupar o lugar guardado por Andrea Matarazzo na disputa que vem aí. A Paulista se esvazia como por encanto, para júbilo da mentalidade serrista. A chuva de verão para. A Paulista se enche novamente, novamente como que por encanto.
Cumprido o trajeto mais corriqueiro, vou para a novidade. Desço a colina da Paulista ate as esquinas entre as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças, onde Daniela Mercury já começou a cantar sucessos carnavalescos (ou não) da Bahia e do Brasil. Há outra multidão atrás (e na frente) do trio elétrico, e a olho nu parece dez vezes maior que a multidão do domingo banal nas praias da Paulista.
Conforme a massa humana evolui, a engenharia de tráfego vai interditando longos trechos avenidados da Faria Lima, da Rebouças, da Brasil, da Henrique Schauman, da Consolação, à noite novamente da Paulista.
O homem do shopping tem razão: parece que Haddad bloqueou a cidade inteira nesse domingo de pré-carnaval!
Mas é aí que entra o choque de mentalidades. O oceano de gente feliz bloqueia, sim, as avenidas, mas para quem? Para os seres de duas ou de quatro patas? Para os seres de quatro patas ou de duas rodas, de duas patas ou de quatro rodas?
A certa altura, a foliã e o folião percebemos arrepiados até o couro cabeludo que a avenida Rebouças, rastejante que nem cobra pelo chão, está inteirinha livre e desimpedida para a circulação dos pedestres, das ciclistas, dos patinadores, das skatistas, dos cachorros, das crianças. A avenida está de fato bloqueada para os automóveis, mas paradoxalmente (ou não) há mais gente circulando livremente pela cidade do que haveria se o trânsito estivesse parado, cada qual no seu carrinho.
Não converso com ninguém da prefeitura para escrever este texto. Não sei se o “bloqueio” da “cidade inteira” é (como diria a verde Marina Silva) programático. Mas parece evidente a qualquer bom observador que Haddad, malandramente, está expandindo pela cidade e entre as cidadãs e os cidadãos o conceito de uso público das vias públicas da cidadania.
Um dia fecha aqui, outro dia fecha acolá, daqui a pouco, pluft!, está a cidade inteira presa e interditada. Ou, variando-se o ponto de vista ideológico: um dia abre aqui, outro dia abre acolá, daqui a pouco, vrah!, está a cidade toda livre e desimpedida.
À experiência de cada cidadã ou cidadão, seja no shopping ou na avenida, cabe definir e compreender qual posição é de mudança ou de reação, progressista ou reacionária, transformadora ou estacionária. As urnas já estão abertas, para mim e para você. Inacreditavelmente, a cidade que antes parecia ser só fígado passou pelas gestões culturais do tropicalista Juca Ferreira e do urbanista Nabil Bonduki e agora está toda fantasiada, em pleno e mero janeiro. O carnaval nem chegou e as avenidas estão apinhadas não apenas de gente “normal”, mas também de faraós, ciganas, sereios, índias, personagens de HQ, evas, adões.
Para os do lado de lá do muro e para os do lado de cá do muro (e também para quem vive acocorado em cima do muro), uma enxurrada transgressora, revolucionária, passa por nós como se fosse o rio dos subterrâneos do Anhangabaú da Felicidade. Diante do aniversário-carnaval, os conceitos de mobilidade urbana ficam momentaneamente em choque, em xeque.
O Movimento Passe Livre (MPL) não comparece aos festejos de carnaval aniversário (ou parece que comparece, mas para apenas para xingar o mundo e jogar garrafa plástica na testa do prefeito também aniversariante). Seguindo o trio de Daniela, eu torço para que tais bravos jovens estejam sim presentes na passeata do prazer, ainda que camufladas em fantasias outras que não as placas e os dizeres de ordem de sempre.
Na militância à moda antiga, do tipo que ainda manda flores e recebe bombas, o MPL-sigla deixa de perceber que, em pleno movimento, a cidade inteira “bloqueada” pelo prefeito é também um movimento de passe livre, sem sigla nem maiúsculas. O movimento, desorientado, queda-se perplexo diante do próprio enigma: menino mimado ou mulher adulta?
Os conceitos de passe livre, de livre passagem e de um mundo sem (ou com) catracas estão em cheque, em xoque. O choque de mentalidades é entre quem pensa que o carro (ônibus, caminhão, helicóptero, metrô, avião etc.) é maior que as gentes e quem pensa que as gentes são maiores que o maior avião supersônico que exista no mundo. As catracas ainda não todas, mas as urnas agora vivem abertas.
A Polícia Militar do governador queda paralisada em meio à festança.
Os robocópteros da Rede Globo não sobrevoam os girassóis.
Há famílias inteiras curtindo a marola, a maré, a maresia (apesar da crise).
O clima é pacífico e ordeiro, ainda que alucinado por hits como “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, de Raul Seixas.
Apesar da paz, da harmonia, das famílias e da crise na mobilidade automobilística na “maior cidade”, o Partido da Imprensa está calado diante do domingo atípico de feriadão aniversariante.
Os black blocs, se vieram, vieram fantasiados de odalisca, padre ou jacaré.
Os anonymous estão beijando na boca atrás da árvore centenária que nem percebíamos que mora no canteiro central da Rebouças com a Paulista e a Consolação.
As artérias da maior cidade da América do Sul estão tentando se livrar do colesterol (estão?).
Enquanto os militantes do Passe Livre hostilizam o promotor da passeata do passe livre, a passeata passeia e passa livremente pelas avenidas desbloqueadas da cidade aniversariante. A chuva e o sol simultâneos demonstram que, chova ou faça sol, a refrega de 2016 será dura na cidade indecisa entre o público e a privada, entre os quadrados e as rodas, entre os bípedes e os quadrúpedes, entre o passado e o futuro.
Fonte: UJS