ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65
CAMPANHA MOVIMENTO 65

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

CIÊNCIA E TECNOLOGIA: Luciana Santos: Não há país soberano sem uma política para a ciência - por Priscila Lobregatte

Foto: Diego Galba

Desde que seu nome foi anunciado, (ontem) - quinta-feira (22), como futura ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações do governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, a vice-governadora de Pernambuco e presidenta do PCdoB, Luciana Santos, concedeu uma série de entrevistas. 

Nelas, ela falou sobre os desafios colocados para a área, dado o desmonte promovido pelo governo de Jair Bolsonaro, e algumas das medidas iniciais que pretende implantar para começar o processo de reconstrução do setor. 

Ao UOL, Luciana salientou: “Esta é uma pasta muito estratégica. Não há nenhum país autônomo, soberano, que não tenha uma pujante política da economia do conhecimento”. Ela defendeu que a área é fundamental “para que a gente diminua a nossa dependência de produtos, de insumos, de processos, da cadeia global”. 

Leia também: Comunidade científica celebra Luciana Santos à frente de Ciência e Tecnologia 

Como exemplo mais recente dos reflexos da atual dependência, Luciana lembrou algumas das dificuldades enfrentadas durante a pandemia. “Basta ver o sufoco que várias nações tiveram, não foi só um problema brasileiro, mas no mundo todo, para ilustrar para as pessoas a questão da Covid. Tivemos uma dificuldade enorme para ter respiradores e houve uma verdadeira saga para a compra. Na época, no Consórcio do Nordeste, acompanhei de perto essa situação. E olhe que respirador é mecânico, não é um equipamento de alta tecnologia, mas isso revela o alto grau de dependência que muitas nações têm”. 

O grande desafio, disse, “é garantir que a gente seja um país mais autônomo, afinal, a grande disputa da geopolítica no mundo é pelo domínio tecnológico. E o mais chocante é que o diagnóstico que o próprio grupo de transição fez é o de que tivemos um verdadeiro apagão nesses quatro anos de governo Bolsonaro, um período em que o negacionismo prevaleceu. Agora, queremos que a ciência volte a ser prioridade em nosso país”. 

À Globo News, Luciana destacou, entre outros pontos que “o desafio de colocar a inovação, a ciência e a tecnologia num patamar elevado para retomar o crescimento e para retomar a industrialização brasileira é estratégico”. 

Leia também: Meio político comemora indicação de Luciana Santos para Ciência e Tecnologia

Ela salientou que “não pode continuar acontecendo o que aconteceu nos últimos tempos. O Brasil reduziu (os recursos), somente no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, de R$ 5,5 bilhões em 2010 para R$ 0,5 bi em 2021, que é o que continua até hoje. Para completar, como se não bastasse, o governo Bolsonaro mandou a Medida Provisória 1136, agora em 2022, contingenciando recursos do Fundo” para “poder resolver o problema do superávit primário. Isso não cabe a um projeto nacional de soberania”. 

A nova ministra apontou que o foco agora, conforme inclusive indicado pelo grupo de transição da área, são dois. “Primeiro, pedir a revogação dessa MP no Congresso e segundo, negociar. Na medida em que nós retiramos o Bolsa Família do teto de gastos, foram liberadas janelas no orçamento. Então, uma primeira tarefa da transição, e em particular, agora, minha, na medida em que fui anunciada, é negociar, fazer articulação no Congresso Nacional para recompor as bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)— a Capes não é da alçada direta do Ministério de C&T, é da Educação, mas ainda assim diz respeito à formação do que a gente chama de capital humano”. 

Leia também: Luis Fernandes: PCdoB tem muito a contribuir no Ministério da Ciência

Nesse sentido, Luciana defendeu, em entrevista ao O Globo, o reajuste no valor das bolsas de mestrado e doutorado da Capes e do CNPq.  “O percentual a ser aplicado será discutido entre as áreas envolvidas, mas deve ser equivalente à inflação do período em que os recursos pagos aos estudantes estão congelados, ou seja, desde 2013”, informou o jornal. De acordo com técnicos que se dedicaram ao assunto na transição, a correção precisaria ser de, ao menos, 40%. 

Luciana também apresentou como medida a reativação da Ceitec, única empresa de semicondutores da América Latina que foi colocada em liquidação pelo governo Bolsonaro.

Confirma abaixo algumas das principais entrevistas concedidas por Luciana Santos, após sua indicação para o ministério. 

UOL

Globo News

O Globo

CBN

Futura ministra da Saúde, Nísia Trindade, é respaldada pelo Conass - por Iram Alfaia

Futura ministra da Saúde, Nísia Trindade, ao lado de Lula (Foto: Reprodução)

Os secretários estaduais de saúde destacaram o importante papel desempenhado pela socióloga e presidente da Fiocruz no enfrentamento da pandemia de Covid-19.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) parabenizou a futura ministra da Saúde, Nísia Trindade, por assumir o cargo e ainda destacou o fato dela ser a primeira mulher na pasta. Eles ainda lembraram do importante papel desempenhado pela socióloga e presidente da Fiocruz no enfrentamento da pandemia de Covid-19.

“Esse Conselho, ao tomar conhecimento da confirmação de seu nome para desempenhar as elevadas funções de ministra de Estado da Saúde, a primeira mulher a ocupar o cargo, deseja manifestar a Vossa Senhoria seus cumprimentos e votos mais sinceros de pleno êxito em sua nova missão”, diz a nota assinada pelo presidente da entidade, Nésio Trindade.

De acordo com os secretários, há um sentimento deles e do resto da sociedade pela certeza de que haverá superação dos tempos difíceis com os quais eles têm enfrentado nos dias atuais.

Leia mais: Lula anuncia 16 novos ministros e ministras do seu futuro governo.

“Esteja certa de que poderá contar com este colegiado, bem como com a gestão estadual do SUS como um todo para que, em articulação permanente, possamos trabalhar de modo tripartite, com diálogo franco e respeito à Ciência e aos ditames constitucionais e infraconstitucionais que asseguram o direito à saúde e dispõem sobre a relação cooperativa e sinérgica que devem nortear a gestão do Sistema Único de Saúde, em benefício de todos”, dizem os secretários.

“Seu destacado papel no enfrentamento da pandemia da Covid19, aliado à sua trajetória de pesquisadora, de trabalhadora atuante da saúde pública brasileira e de gestora pública são as credenciais mais que suficientes para o sucesso de seu trabalho”, finalizaram.

Fonte: https://vermelho.org.br

sábado, 17 de dezembro de 2022

Deputados do PCdoB celebram diplomação de Lula pelo TSE


O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin, foram diplomados na última segunda-feira (12) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A diplomação oficializa o resultado das urnas e é condição formal para que o presidente eleito e o vice tomem posse em 1º de janeiro – que é quando o mandato começa.

Em discurso emocionado, Lula afirmou que o povo reconquistou a democracia e chorou ao lembrar críticas que sofreu por não ter diploma universitário.

“Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas, cuja confiabilidade é reconhecida há muito tempo por todo o mundo. Ameaçaram as instituições, criaram obstáculos de última hora para que eleitores fossem impedidos de chegar a seus locais de votação, tentaram comprar o voto dos eleitores com falsas promessas de dinheiro farto desviado do orçamento público”, afirmou.

O presidente eleito lembrou que, quando se esperava um debate político democrático nas eleições, “a nação foi envenenada com mentiras produzidas no submundo das redes sociais”.

A cerimônia no plenário do TSE contou com a presença de autoridades, representantes diplomáticos, apoiadores e aliados da chapa eleita, entre eles vários deputados da Bancada comunista na Câmara dos Deputados.

Para o líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), o povo se manifestou democraticamente elegendo Lula, que agora vai precisar de “muito trabalho e um pouco de paciência, porque nós vamos precisar reconstruir o Brasil e remontar os serviços públicos”.

“É um dia de muita alegria. Um dia em que a gente dá um grande passo na luta contra o fascismo brasileiro. Se cada dia que passa é ainda um dia de sofrimento, de dificuldades, corte de verbas e desmonte do Estado brasileiro, por outro lado a gente sabe que é um dia a menos no desgoverno de Bolsonaro. Lula vai receber o país em condições muito difíceis”, disse.

Em suas redes sociais, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) registrou que, ao receber o diploma para governar o Brasil pela terceira vez, Lula destacou que esse documento “é do povo brasileiro”, que reconquistou o direito a viver em uma democracia.

“Um momento importante que marca o encerramento do processo eleitoral, consolidando essa vitória tão importante para o povo Brasileiro! A civilização venceu a barbárie! Vamos reconstruir o Brasil!”, escreveu no Twitter.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) frisou que o Brasil “volta à civilização” com a eleição de Lula. “Hoje é a diplomação do presidente que foi eleito com a maior votação da história e bateu o próprio recorde com 60,3 milhões de votos”, sublinhou. “Viva a DEMOCRACIA!”.

Em mensagem no Twitter, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) se referiu à diplomação como um “MOMENTO HISTÓRICO!”. Ele completou: “Em discurso forte, @LulaOficial fala que venceu graças à frente ampla formada em defesa da democracia contra um projeto de destruição nacional”.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) registrou que Lula “se emociona e chora ao citar que o povo brasileiro elegeu pela 3ª vez um homem sem diploma ao título de Presidente do Brasil”.

Na mesma linha, o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA) observou: “Hoje pela terceira vez @LulaOficial recebe o mais importante diploma, aquele que é entregue pelo povo através do TSE @TSEjusbr. Viva a democracia! Parabéns, @LulaOficial e @geraldoalckmin”, tuitou.

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) disse que a emoção do presidente eleito “é contagiante”. “De um homem que lutou muito e lutará ainda mais pelos brasileiros”.

Diplomação

Lula e Alckmin foram eleitos pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) com o apoio do PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, Pros, Avante e Agir.

A entrega dos diplomas ocorre depois de terminado o pleito, apurados os votos e passados os prazos de questionamento e de processamento do resultado das eleições.

Segundo o TSE, por meio da diplomação, a Justiça Eleitoral declara que o candidato eleito está apto para a posse, que é o ato público pelo qual ele assume oficialmente o mandato.

Fonte: PCdoB na Câmara

Fortalecer o PCdoB e as tarefas da reconstrução do Brasil

Na avaliação dos dirigentes do partido o resultado eleitoral do partido foi importante, mas insuficiente diante dos profundos desafios colocados para a luta política no Brasil. Presidenta do Partido, Luciana Santos ressaltou que o resultado eleitoral do Partido precisa ser mais profundamente avaliado no cenário de ascenso das forças fascistas, de extrema-direita, que há quatro anos, pelo menos, elegeram como inimigo preferencial os comunistas.

Fonte: PCdoB

Nem-nem: cerca de 15% dos jovens nem estudam, nem trabalham no Brasil - por Bárbara Luz

Motivos e a quantidade de jovens nesta situação variam conforme a renda familiar.

Dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta sexta-feira (16) mostra que cerca de 15% dos jovens entre 15 e 29 anos, o equivalente a 7,6 milhões de brasileiros, eram “nem-nem-nem” em 2021, ou seja, não frequentavam a escola, não trabalhavam e não estavam procurando emprego.

O Dieese excluiu da conta jovens que não estavam estudando nem trabalhando, mas procuravam emprego, do contrário a conta aumentaria: cerca de 12,7 milhões de brasileiros (26% do total de jovens entre 15 e 29 anos). Destes, parcela relevante estava em busca de trabalho: 5,1 milhões de pessoas, o equivalente a 40% dos ‘nem-nem’ e 10% de todos os jovens entre 15 e 29 anos.

Esse fato é observado apesar da retomada das atividades econômicas. O estudo mostra que a dificuldade de inserção no mercado de trabalho é maior entre os jovens de renda mais baixa.

O estudo aponta ainda, com base no levantamento feito com dados da Pnad Contínua – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2021, que os motivos e a quantidade de jovens que eram “nem-nem-nem” variam conforme renda familiar.

No caso dos jovens mais pobres, o percentual nessa condição chega a 24%, e os principais motivo são o trabalho doméstico, cuidar de familiares, problemas de saúde e gravidez. Entre os mais ricos, a proporção é de 6% e a principal justificativa era o estudo em outros cursos, como pré-vestibulares ou para concursos.

O número de jovens que não estudam muda de acordo com a faixa etária (entre os que têm entre 15 e 18 anos, por exemplo, a maior parte frequenta a escola de ensino regular, principalmente o ensino médio). “Depois, a situação predominante é a participação no mercado de trabalho, com uma ocupação efetiva ou à procura de uma”, diz pesquisa.

Baixa renda

Considerando todos os jovens de baixa renda (cerca de 19,9 milhões), aproximadamente 24% (4,8 milhões) não frequentavam a escola, não trabalhavam e não estavam em busca de trabalho, sobretudo a partir dos 20 anos de idade. Essa proporção era praticamente a mesma daqueles que não frequentavam a escola, mas estavam trabalhando (23%).

Destaca-se ainda o percentual de baixa renda que, embora não estivesse frequentando escola nem trabalhando, procurava trabalho (16%).

Alta renda

A pesquisa mostra também que os jovens de famílias de alta renda tinham menos dificuldade de inserção no mercado de trabalho. A maioria trabalhava em 2021 e uma parcela ínfima buscava trabalho. Além disso, cerca de 23% conseguiam frequentar a escola e trabalhar ou fazer estágio de ensino superior.

Já o percentual de jovens de alta renda que não frequentava escola, não trabalhava e não buscava trabalho era bem pequena, exceto entre aqueles com 18 ou 19 anos de idade. Os dados sugerem que essa parcela não estava frequentando ensino regular, que é a categoria pesquisada pelo IBGE, mas outros cursos, como os pré-vestibulares.

Diferença de classe

Em relação aos jovens que não frequentavam escola nem tinham trabalho e também não buscavam ocupação, os principais motivos alegados para a não procura eram: 36% a necessidade de cuidar dos afazeres domésticos, do(s) filho(s) ou de outro(s) parente(s); 14% problemas de saúde ou gravidez; 12% o fato de estarem estudando.

Mas há diferenças em relação à renda (e ao sexo): 40% dos jovens de baixa renda afirmam ter a necessidade de cuidar dos afazeres domésticos, do(s) filho(s) ou de outro(s) parente(s). O Dieese destaca que “essa tarefa, em geral, é realizada principalmente pelas mulheres, o que confere à questão não só recorte socioeconômico, mas também de gênero”. Já entre os jovens de alta renda, a principal resposta para não procurar trabalho foi o fato de estarem estudando (55%).

“Há enorme disparidade nas situações da juventude que não frequenta escola, não trabalha e não busca trabalho, quando se leva em conta a renda familiar. Enquanto os mais ricos se preparavam para ingressar no ensino superior, em momento etário bem específico, entre os mais pobres, uma proporção menor tinha essa perspectiva, com um grupo relevante, formado principalmente por mulheres, obrigado a cuidar dos afazeres domésticos e de pessoas da família”, afirma o Dieese no estudo.

Fonte: Dieese

domingo, 27 de novembro de 2022

BRASIL: Mulheres negras do PCdoB estão na linha de frente da luta antirracista - por Priscila Lobregatte

 

Daiana Santos. Foto: Cristiane Leite

De diferentes perfis e lugares, elas têm papel fundamental na luta pelos direitos da população negra.

Mesmo num dos estados com maior presença bolsonarista, o PCdoB conseguiu eleger uma das duas primeiras mulheres negras a representarem o Rio Grande do Sul na Câmara dos Deputados, Daiana Santos. Também foi eleita Denise Pessoa (PT). 

Uma das frentes prioritárias na atuação de Daiana, que aos 40 anos cumpre seu primeiro mandato como vereadora de Porto Alegre, tem sido a luta antirracista em suas várias facetas. Nesse sentido, pretende, em Brasília, apostar na luta pelo desenvolvimento de políticas públicas voltadas às periferias, de maioria negra; pela implementação de uma agenda política de reparação e por políticas públicas na área da saúde da população negra, assunto que Daiana, que é sanitarista, também é conhecedora. 

“Bolsonaro sempre demonstrou ser contra os avanços e conquistas civilizatórias em nosso país. Infelizmente, o Brasil sofreu com o sufocamento das políticas de Estado de combate ao racismo. Passamos por quatro anos de ataques racistas perpetrados por membros do governo, além da destruição de uma importante instituição, a Fundação Palmares. Acredito que com a volta da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), vamos conseguir retomar a nossa caminhada na busca por direitos humanos”, destacou. 

Para Daiana, a eleição de Lula representa um avanço para a população negra. “Nossas pautas devem ser trabalhadas numa perspectiva transversal, ou seja, serem parte de todas as políticas de todas as áreas do governo e não somente da pasta de igualdade racial. Precisamos retomar um governo com uma agenda política para o povo negro, trabalhando na inclusão social, educacional e laboral de todas e todos nós.  Além disso, é de muita importância a construção de políticas que priorizem as mulheres negras, que são a base de sustentação de nossa sociedade, bem como aprofundar e ampliar políticas como a de cotas raciais nas universidades”. 

Bruna Rodrigues. Foto: Júlia D’Ávila

Colega de bancada de Daiana na Câmara de Porto Alegre, Bruna Rodrigues, 35 anos, é outra mulher negra e jovem do PCdoB que vai mudar de casa legislativa em 2023, quando assume como deputada estadual. 

Ao avaliar o atual governo, ela destaca a letalidade que Bolsonaro e o bolsonarismo representam à existência negra. “A política deles é algo que fala não apenas da falta de prioridade à nossa dignidade, mas de combate às nossas vidas. Aqui no RS, por mais que o atual governo seja de uma direita democrática, pouco avançamos em políticas de combate ao racismo”.

Para Bruna, a eleição de Lula “é a chance de promovermos uma grande repactuação no que diz respeito à política de igualdade racial. O movimento negro se mobilizou em torno dessa candidatura e agora temos a oportunidade de retomar uma construção que avance na equidade racial e na superação do racismo”. 

Na Assembleia Legislativa gaúcha, Bruna diz que vai ampliar o trabalho executado na Câmara Municipal, como a Lei 13.274, de sua autoria, que cria o Selo Igualdade Racial. “Essa é uma iniciativa que fomenta e valoriza as práticas antirracistas das empresas em Porto Alegre — e queremos ver isso se tornar realidade por todo o Rio Grande. Além disso, queremos propor mecanismos orçamentários e legislativos para assegurar a implementação de uma Política Integrada à Saúde da População Negra, bem como discutir com o devido mérito e coletividade políticas de segurança pública”. 

Garantindo a vida negra

Dani Balbi. Foto: reprodução/redes sociais

Estreante no parlamento fluminense, Dani Balbi, 33 anos, é mais uma comunista negra a contribuir na luta antirracista. Primeira transexual a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Dani também foi a primeira professora trans da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sobre o cenário que marcou o país nos últimos anos, a professora lembra: “tivemos que sair a campo tanto para que a gente pudesse garantir a vida da população negra — a que mais sofre com o desemprego, com a carestia, além do racismo estrutural — como também em defesa da memória da população negra e da luta antirracista. Além disso aqui no estado do Rio de Janeiro, isso se materializou no genocídio promovido pelo desgoverno de Cláudio Castro que arma a Polícia Militar para ceifar vidas negras”. 

Com o novo momento que se inicia com o governo Lula, Dani defende, entre outras medidas, a volta da Seppir  e a implantação de programas de acesso ao ensino público. “É preciso permitir que pessoas negras tenham acesso facilitado aos recursos para construir a sua formação e também ingressar no mercado de trabalho através de uma política nacional orientada para a reserva de vagas em melhores postos de trabalho e fortalecer a luta no campo da cultura pela valorização da memória e resistência das pessoas negras, suas lideranças e também suas figuras históricas”, argumenta. 

Trajetória antirracista

Leci Brandão. Foto: Alesp

Experiente na luta antirracista, seja nos palcos, seja na política, a deputada estadual, cantora e compositora Leci Brandão, 78 anos, foi reeleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo, onde cumprirá seu quarto mandato, sempre pelo PCdoB. 

“Quem acompanha minha carreira tanto na arte quanto na política sabe que as questões relativas à população negra sempre estiveram presentes, afinal a pauta da igualdade racial, do combate ao racismo e da cidadania pela de negros e negras é mais do que uma bandeira de ativismo, é quem eu sou, minha vida, minha ancestralidade. Não teria como caminhar no mundo sem falar e agir em prol dessas questões”, diz Leci. 

A parlamentar avalia que “a extinção da Seppir e a entrega da Fundação Palmares a pessoas que estão na contramão de tudo o que o movimento negro sempre defendeu foram golpes muito graves sofridos por todos os que sempre estiveram na luta antirracista em nosso país”. 

Leci aponta ainda o risco constante, sob Bolsonaro, do fim das cotas, e destaca como sendo de extrema gravidade “a autorização dada pelo atual governo para que crimes de racismo fossem praticados, na medida em que esse governo e seus gestores em todas as instâncias reforçaram ou ficaram calados e coniventes diante das demonstrações de racismo”. 

No próximo governo, diz, será preciso reconstruir o que foi desfeito, em todas as áreas e “ter um olhar para a questão racial, que é transversal, passando por todas as áreas. Já está mais do que comprovado que quando não existe esse olhar específico, a população negra, que é a maioria entre os mais pobres, não é alcançada”. 

Olívia Santana. Foto: reprodução

Outra comunista experiente na luta antirracista é a pedagoga Olívia Santana, 55 anos, que renovou seu mandato pela segunda vez para a Assembleia Legislativa da Bahia pelo PCdoB. Durante a campanha deste ano, disse, sua pauta foi a vida, especialmente a da juventude negra. Ela defende “projetos que fortaleçam uma infraestrutura de direitos para a população negra, sobretudo a juventude que é a mais vulnerável em relação à falta de oportunidades de formação, o desemprego e o enfrentamento à violência policial”. 

Olívia alerta para o grave quadro que leva ao assassinato de grande número de jovens negros nas periferias do país em geral e da Bahia em particular, especialmente pelas polícias. “Temos que de fato enfrentar esse desafio utilizando o mandato como instrumento de denúncia, mas também de maneira propositiva. Nós temos um projeto de lei para colocar câmeras nas viaturas e no fardamento policial; há uma mobilização para que isso aconteça na Bahia e a gente está na na linha de frente dessa agenda”.

A parlamentar aponta ainda que “o governo de Bolsonaro representou um revés muito violento, foi um governo que atacou todas as políticas. Lula está encontrando um país destroçado, são muitos escombros, então a gente vai ter que refazer muito do que já tinha sido feito e que foi destruído. Eu digo que o governo de Lula é um governo de reconstrução nacional”. 

Leia também: PCdoB tem quase metade de mulheres entre suas candidaturas 

POLÍTICA: PF frustra bolsonaristas e diz que não houve fraude na eleição

“Não foi encontrada nenhuma ocorrência de fraude ou tentativa de fraude à urna eletrônica no primeiro e no segundo turnos das eleições gerais de 2022”, concluiu a PF.

A Polícia Federal (PF) é mais uma instituição a assegurar a lisura e a credibilidade das eleições 2022. Em nota divulgada na última sexta-feira (25), o órgão frustrou as hordas bolsonaristas ao confirmar que, neste ano, não houve nem sequer tentativas de fraude nas urnas eletrônicas – base do sistema eleitoral brasileiro desde 1996.

A informação foi divulgada pelo portal UOL, que questionou a PF sobre sua participação no “processo de fiscalização e prevenção de fraudes nas eleições”, com peritos, agentes e delegados. Segundo o UOL, encerrada a votação, a Polícia Federal realizou pesquisas ao longo de 18 dias em sistemas de inquéritos.

“Não foi encontrada nenhuma ocorrência de fraude ou tentativa de fraude à urna eletrônica no primeiro e no segundo turnos das eleições gerais de 2022”, concluiu a PF, conforme a nota. O UOL agrega que “nenhum inquérito policial ou procedimento investigativo criminal foi aberto com base em denúncias de supostas fraudes em urnas eletrônicas ou na totalização de votos”.

A acusação de supostas vulnerabilidades nas urnas eletrônicas é uma das bases para apoiadores extremistas do presidente Jair Bolsonaro (PL) questionarem o resultado das eleições 2022. Em 30 de outubro, no segundo turno, Bolsonaro foi derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Fonte: Portal VERMELHO