ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Brasília, terça-feira, 13 de agosto de 2019 - 16:15 #VAZAJATO Manuela diz que irá "amar" falar sobre crimes de autoridades na Câmara

Reprodução da Internet
Por: Christiane Peres 
Comissão de Segurança Pública da Câmara aprova requerimento para ouvir ex-deputada.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou, nesta terça-feira (13), um convite para ouvir Manuela d’Ávila sobre o hacker Walter Delgatti Netto, que confessou ter invadido os celulares de centenas de autoridades brasileiras.
O pedido, feito inicialmente pelo deputado Capitão Augusto (PL-SP), como retaliação depois que o PCdoB pediu que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República investigasse suspeitas de que Moro teve acesso a inquérito da Polícia Federal, que é sigiloso, foi prontamente aceito e subscrito por parlamentares da Oposição, como a correligionária Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
“Não me passou pela cabeça que esta comissão gostaria de ouvir nossa ex-deputada Manuela d’Ávila. É extraordinário. Esse é mais um requerimento do tipo Glenn, que a gente gosta que venha. Inclusive foi muito interessante a vinda dele à Casa. Aliás, acho que será tão boa a vinda da deputada Manuela que já temos outros parlamentares querendo convidá-la. Vale lembrar que Manuela, a única a não ser investigada, também foi a única a colocar seu telefone à disposição da polícia. Ninguém mais teve coragem de fazer isso”, pontuou a parlamentar, que brincou com o presidente da comissão e autor do requerimento, e disse estar “enciumada” pela iniciativa.
Além de subscrever o requerimento, Perpétua sugeriu ainda a inclusão no requerimento de entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) para fomentar o debate sobre liberdade de imprensa, sigilo de fonte e fake news. No entanto, Capitão Augusto não aceitou a sugestão e manteve apenas o convite de Manuela no pedido.
Para o deputado Paulo Teixeira, a vinda de Manuela à Câmara será “uma honra”, pois ajudará a explicar a “fraude judicial” que as reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil estão revelando.
“Não podemos proteger um criminoso e ele está no Ministério da Justiça. Ele fraudou a justiça brasileira a ponto de sua fraude o beneficiar. Fraudou as eleições, prendendo o candidato mais competitivo, e virou ministro. Que ela venha falar sobre essa fraude judicial”, afirmou Teixeira.
Em suas redes sociais, Manuela afirmou que irá “amar” vir à Câmara falar sobre os crimes cometidos por autoridades do Estado brasileiro.
Em depoimento no dia 23 de julho, Walter Delgatti Netto, preso como suspeito de ter hackeado os celulares das autoridades envolvidas na operação Lava Jato, afirmou que foi Manuela d'Ávila quem intermediou o contato com o jornalista Glenn Greenwald. A ex-deputada publicou uma nota em seguida, na qual confirmou ter sido contactada por uma pessoa anônima no Dia das Mães, 12 de maio, logo após receber um alerta no celular de que seu aplicativo Telegram teria sido invadido.
Em entrevista à Sputnik Brasil no último final de semana, Manuela ressaltou a tranquilidade diante da situação. "Eu não tenho defesa, porque não sou investigada. E não tenho envolvimento, porque não sou parte. São dois termos que talvez os meus adversários usem porque querem tirar do foco o tema central. O tema central é que eu recebi denúncias de envolvimento de autoridades do Estado brasileiro em crimes muito graves. Parece evidente que nenhuma pessoa no mundo que recebe denúncias de crimes cometidos por autoridades do Estado denuncia a essas mesmas autoridades os crimes cometidos por elas. Então fiz aquilo que acho que qualquer cidadão de bom senso faria. Recomendei que, mesmo eu sendo jornalista, essa pessoa [o hacker] deveria procurar o melhor jornalista do mundo. Acho que fiz o certo", afirmou a ex-deputada.
Fonte: pcdobnacamara.org.br

EDUCAÇÃO - Protestos unem estudantes e indígenas contra Bolsonaro

Richard Silva - PCdoB na Câmara

Por: Walter Félix 

Atos em defesa da educação, contra a reforma da Previdência e as investidas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra os direitos dos índios marcaram a manhã desta terça-feira (13), em Brasília. Indígenas, estudantes e movimentos sociais se uniram em protesto em frente à Biblioteca Nacional, antes de seguirem em passeata pela Esplanada dos Ministérios.
A marcha das mulheres indígenas, que entoava slogans como "a Amazônia é nossa, acorda Brasil" e "não à mineração", se encontrou com o grupo formado por estudantes e professores de escolas e universidades públicas na altura do complexo cultural da República.
Formada por mulheres de diversas etnias, a manifestação das indígenas exibia faixas contra Bolsonaro e pela Amazônia. Em Brasília desde domingo (11), elas ocuparam na manhã da segunda a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no prédio do Ministério da Saúde, em um ato pela “defesa do subsistema de atenção à saúde indígena”.
As manifestantes se juntaram a estudantes, professores, trabalhadores da educação, que participam hoje de mais uma greve nacional em defesa do ensino público.
O protesto ocorre em todo o país, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), além de outras entidades. Esta é a terceira mobilização nacional pelo setor, desde que o governo anunciou em maio cortes nas verbas da educação.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da Minoria na Câmara, considerou um evento singular o encontro da marcha das mulheres indígenas com o protesto dos estudantes e educadores. Segundo a parlamentar, é a mistura entre os que nos alimentam àqueles que educam o povo brasileiro e os que querem ter direito a estudar.
“Esse é o momento de somar a ciência, a educação, a cultura – nos seus diversos rituais e na sua pluralidade, para dizer que não é possível conviver em liberdade e democracia com alguém que nega a pobreza, que nega o Nordeste, que nega os mortos e desaparecidos políticos da história do Brasil”, afirmou em sua fala. 
Também tiveram início nesta terça as atividades da 6ª Marcha das Margaridas, que reunirá até amanhã (14) mais de 100 mil mulheres trabalhadoras rurais na Capital Federal.
Fonte: pcdobnacamara.org.br

#VAZAJATO - PCdoB vai à Comissão de Ética da Presidência contra Moro

Por: Christiane Peres 

Bancada comunista apresenta denúncia ao órgão e pede apuração da conduta do atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. Caso seja comprovado o conflito de interesse, a legenda pede a recomendação de exoneração do ministro.
A Bancada do PCdoB na Câmara apresentou na quarta-feira (7), denúncia contra o ministro da Justiça, Sergio Moro, na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Os parlamentares alegam conflito de interesse, uma vez que Moro teria dado a Jair Bolsonaro acesso privilegiado a dados do inquérito sobre candidaturas-laranja envolvendo o partido do presidente, o PSL.
Para os comunistas, a atitude de Moro gera dúvidas éticas e legais, visto que a investigação corre sob segredo de justiça.
Mas a conduta “ilícita” do ministro não se resumiu a este episódio. De acordo com o documento, Moro também fere os princípios da Administração Pública no caso da “Operação Spoofing”, da Polícia Federal, que resultou na prisão de quatro pessoas acusadas de hackear aparelhos celulares de autoridades brasileiras, entre as quais o próprio Sergio Moro.
O inquérito policial que motivou a referida operação teve o sigilo decretado pelo juiz da 10ª Vara Federal de Brasília. No entanto, de acordo com matéria publicada pelo site UOL, o ministro Moro fez, ao longo do dia 25 de julho, ligações telefônicas para diversas autoridades, relatando que suas comunicações teriam sido violadas pelos suspeitos presos cautelarmente pela Operação, mas que os dados coletados seriam destruídos.
“Desde então, a conduta do ministro tem gerado reações quanto ao fato de que, estando em sigilo, Moro não poderia ter acessado os dados e as provas coletadas no inquérito em questão, muito menos teria o poder processual de destruir eventuais provas de crimes praticados”, descreve a denúncia.
Segundo o texto, a conduta do atual ministro da Justiça configura uma afronta aos princípios que regem a Administração Pública brasileira, especialmente a moralidade, a impessoalidade e a legalidade. “Mais do que isso, é preciso apurar com denodo se, ao assim proceder, violando o sigilo das informações dos inquéritos penais em questão, teria o ministro cometido crimes e outros ilícitos de natureza ético-administrativa”, aponta o documento.
Os parlamentares do PCdoB pedem que seja instaurada a apuração dos fatos sobre conflitos de interesse e improbidade administrativa e, caso sejam comprovadas as ilicitudes, a recomendação de exoneração do ministro da Justiça e da Segurança Pública, sem prejuízo de outras providências cíveis e penais que se fizerem necessárias em prol da preservação da ética pública.
“As medidas que ele adotou em procedimentos investigatórios envolvendo a PF são incompatíveis com a função pública. Então, nós pedimos que a Comissão investigue, e, constatando que houve ato incompatível com a função pública, o enquadre em improbidade administrativa e recomende o afastamento. Achamos que são fatos suficientes para que ele não continue na condição de ministro e comandante da PF. Esperamos que a Comissão aprecie em tempo curto nosso pedido”, afirmou o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA).
Além do líder da bancada, assinam a denúncia os deputados: Alice Portugal (BA), Jandira Feghali (RJ), Márcio Jerry (MA), Orlando Silva (SP), Perpétua Almeida (AC), Professora Marcivânia (AP), Renildo Calheiros (PE).
Fonte:pcdobnacamara.org.br 

terça-feira, 30 de julho de 2019

Pacote Moro: mais morte, mais prisão e perseguição aos pretos e pobres

O Projeto de Lei (PL) denominado Pacote Anticrime, de autoria do governo Bolsonaro, pautado no Congresso Nacional sob a coordenação do Ministro da Justiça Sergio Moro, com objetivo de atuar na melhoria da segurança pública no Brasil, está na contra mão dos objetivos declarado verbalmente por Moro e seus defensores, as belas palavras dita por Moro não têm correspondência nas letras do PL.
Por Edson França*
O governo enviou ao Congresso Nacional um pacote de medidas sobre segurança pública distante de pressupostos básicos para o debate, como: integração, desmilitarização e diminuição da letalidade policial; efetivação de controle externo às polícias; estabelecimento de metas para elucidação de crimes violentos; intervenção nas trágicas condições do sistema carcerário; apresentação de mecanismos que promovam acesso da população à justiça; fortalecimento da vigilância nas fronteiras terrestres; ampliação das penas alternativas como forma de evitar a explosão carcerária; sobre o fracasso da política de guerra as drogas; além de um forte investimento na juventude em matéria de educação, esporte, cultura, geração de emprego e renda.
Ao contrário, esse projeto é um entulho lotado de perversidades, indubitavelmente promoverá mais violência policial e civil; aumentará o superencarceramento da população mais pobre, hoje somos o terceiro país no mundo que mais encarcera; e perseguirá a resistência democrática dos movimentos sociais, dos partidos e dos opositores políticos.
O espírito que permeia o Pacote Moro é o emprego da força como método de controle, a lógica do castigo, fruto do atavismo da classe dominante brasileira, herdada do escravismo, mais precisamente do poder patriarcal simbolizado pela Casa Grande, hoje, expressa numa Nação que após 131 anos da abolição não se reconciliou com seu triste passado, o racismo instrui o subconsciente dessa gente.
Estamos diante de uma proposta disruptiva, a brutalidade do Pacote repercute no conteúdo e na forma: despreza a Constituição e saberes acumulados em longos anos à custa de vivências, pesquisas e estudos; muitos itens eivados de inocuidades e/ou inoportunos; ignora o contexto e os impactos sociais, econômicos e políticos; afronta jurisprudências e súmulas vinculantes do STF. Uma proposta formulada sem consultas e agressiva as críticas.
Intencionalidades perversas de Moro e Bolsonaro no Pacote Anticrime
Drummond diz que “sob a pele da palavra há cifras e códigos”, avançando a superficialidade das palavras, vemos dois fatores ensejando maior gravidade ao Pacote: primeiro, no campo ideológico Bolsonaro está desenhando um Estado violador de direitos, autoritário, policialesco, beligerante, um necro-Estado, selecionador de quem vive e de quem deve morrer, ceifador de vidas. Bolsonaro projeta um Estado Totalitário, diz que somente através da guerra “o Brasil melhora”, defende morte aos inimigos, inclusive aos inocentes – o povo.
Segundo, no plano político está flagrantemente contida no Pacote a malícia, o ardil, a velhacaria do proponente. Sergio Moro tenta manipular descaradamente a Nação, pretende usar a prerrogativa de Ministro da Justiça e da Segurança Pública para propor uma Lei capaz de legitimar todos os abusos, excessos, inconstitucionalidades, inobservâncias a Lei, ultrajes ao Estado Democrático de Direito, os atropelos ao devido processo legal cometidos pela Operação Lava Jato.
A política não é uma arquitetura que se submete a cânones da moral, no entanto, não se pode admitir a selvageria ética produzida por Moro na Operação Laja Jato, foge qualquer de racionalidade subverter leis, pactos internacionais e a Constituição, incidir no voto popular ao se constituir, sob o manto da toga, em líder de um impeachment sem crime de responsabilidade, prender a maior liderança do país sem prova para, novamente, intervir no processo eleitoral, mergulhar deliberadamente a Nação numa profunda crise, tudo para obter dividendos políticos e econômicos: se tornar ministro do presidente que beneficiou e, posteriormente, ministro do STF e vender palestras mundo afora.
O Brasil parece acometido por uma febre, no futuro será possível compreender mais detalhadamente os dias atuais, porém, hoje, está nas mãos da classe política e do povo brasileiro barrar essa marcha imprudente, na qual Moro é um dos principais artífices.
As principais perversidades do Pacote Moro
Arquivar definitivamente o Pacote Anticrime é a melhor solução, os democratas devem rejeita-lo integralmente, pois não incide positivamente na segurança pública, não evita crime, não representa o estágio da consciência nacional, não atende as necessidades do povo e não serve ao Brasil. Em meio as várias medidas contidas no Pacote há gradações diferenciadas em matéria de absurdos e perversidades, no mérito cumprem os mesmos objetivos de matar, prender e perseguir opositores.
Estado produtor de assassinos
Ampliação do conceito de Legítima Defesa: o conceito atual tem significado universal: “uso moderado dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem”. O Pacote adenda mais duas possibilidades apenas aos agentes policiais e de segurança pública: “I – em conflito armado ou em risco iminente de conflito armado. II – previne agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.”.
A consequência prática dessa alteração é liberar agentes policiais e de segurança pública para atirar sem medo de responder a qualquer processo judicial. A alegação de risco iminente de conflito armado poupa o policial ou agente de segurança do risco de responder criminalmente a adulteração da cena quando há vítima de execução policial. Prática reiteradamente denunciada, comum para tornar críveis as alegações de auto de resistência.
Ampliação do conceito de Excludente de Ilicitude: a lei em vigor pune o excesso de força em qualquer hipótese de excludente de ilicitude, aplicável ao cidadão comum ou aos profissionais de segurança pública. Moro propõe redução de pena a metade ou não aplicação se o excesso decorrer de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção.”.
Não há dúvida de que essa proposta estende à sociedade civil a licença para matar, não basta Bolsonaro facilitar a posse de arma, tem que garantir o porte e a liberdade para apertar o gatilho. Reitero, o projeto é matar mais, mais feminicídio e mais tiros em jovens cabeças pretas. Não esqueçamos que o Mapa da Violência do ano corrente denuncia que morrem assassinados no Brasil mais de 65 mil pessoas por ano, estamos entre os nove países mais violentos do mundo, segundo dados da OMC.
Ao liberar policiais e agentes de segurança a matar indiscriminadamente, sob o mantra do risco iminente de conflito armado, e ampliar o conceito de excludente de ilicitude liberando energia beligerante, Moro sob as ordens de Bolsonaro apresenta um pacote macabro, voltado à matança num país traumatizado pela violência.
Estado encarcerador contumaz
Há aproximadamente 800 mil pessoas reclusas no sistema prisional brasileiro, desses, a maioria são jovens negros, segundo dados do INFOPEN de 2017. Desde 2001 o Brasil é o país que mais cresce o encarceramento, 40% em prisão provisória, um terço dos presos tem como causa transgressão a lei de drogas, ou seja, os jovens cooptados como aviãozinho pelo crime organizado, especialmente nas periferias das grandes metrópoles. A ideologia orientadora do Pacote Anticrime de Moro concebe ao aprisionamento o principal instrumento de segurança pública. Por isso, se não houver um forte posicionamento da sociedade, o superencaceramento de jovens continuará crescendo nesse governo, mesmo que assim venha a ter mais prisões que escolas.
O PL incrementa várias ferramentas encarceradoras, há um conjunto de medidas com vistas a prender mais e por mais tempo: prisão em segunda instância, endurecimento em relação a progressão de regime, ampliação do regime fechado e prisão cautelar imediata a quem cair no conceito de criminoso habitual, execução provisória em primeira instância após decisão de júri.
A cereja do bolo em matéria de medida capaz de aumentar o encarceramento é a importação de um malsucedido método. É conhecida por grande parte dos brasileiros a devoção de Bolsonaro e Sergio Moro aos EUA, devoção que vai muito além de bater continência à bandeira estadunidense, da participação em audiência com Donald Trump com a empolgação de uma criança na Disney, em receber orientações do Departamento de Estado dos EUA para condução da Lava Jato, cumprindo o objetivo de destruir nossas empresas de construção civil, petróleo, energia nuclear e abrir mercado para as empresas estrangeiras, em especial as sediadas nos EUA.
A modalidade da devoção, implícita no Pacote Anticrime de Moro, vai ao absurdo de importar experiência crassamente fracassada: o plea bargain, corresponde em dar ao Ministério Público a prerrogativa de conduzir negociação direta com o réu. Em outras palavras, o Estado acusador definir pena em “acordo” com o acusado. Explicando melhor, dar ao promotor o poder de determinar penas, abstraindo o devido processo legal, a presunção de inocência e a apresentação de provas. Caso o acusado se recuse vira réu e pode ter a pena triplicada num processo “normal”.
Segundo Fernando Hideo I. Lacerda “a iniciativa parece desconsiderar os números do sistema peculiar dos Estados Unidos, onde mais de 90% dos casos são resolvidos em acordos celebrados diretamente com a acusação e não houve redução da criminalidade, mas apenas um drástico aumento na população carcerária”. É atribuído a esse mecanismo um dos principais responsáveis pelo superencarceramento nos EUA.
Considerando o perfil punitivista do sistema de justiça brasileiro, o caráter seletivo do judiciário na aplicação de penas (há um ditado popular que diz: no Brasil só prendem preto, pobre e puta), o baixíssimo acesso da população pobre à Justiça, o sucateamento das Defensorias Públicas, a quantidade de encarcerados sem sequer uma sentença, e a fragilidade das pessoas mais humildes diante da promotoria, não há motivos para concluir que prevalecerá o equilíbrio.
Os pretos, os pobres e as putas sofrerão péssimos acordos, para eles não haverá, nesse instrumento, garantia de justiça, ao contrário, serão vítimas de preconceito, descaso e racismo, sentirão mais pesada e injusta a mão autoritária do Estado. Ampliará o encarceramento no Brasil, haverá mais inocentes reclusos, mais jovens aliciados e incorporados compulsoriamente ao crime organizado.
Dois entes lucrarão com o plea bargain: a promotoria que passará a ter as chaves das prisões em todo país, deter a primazia dessa prerrogativa confere poder concreto, e o crime organizado que ganhará matéria prima para recrutar como soldados para o crime. Somente Moro desconhece que lotar prisões de jovens aviõezinhos fortalece o poder do crime organizado e aumenta insegurança pública. Não podemos admitir que a devoção de Bolsonaro e Moro comprometa a vida de centenas de milhares de jovens e tragam terror ao povo.
Aos inimigos nem a Lei
Um governo com as características de Bolsonaro não se desenvolve em ambiente que a democracia floresce, por isso violentar as Leis e a Constituição, ignorar o Estado Democrático de Direito, perseguir, demonizar, caçar opositores e elevar o conflito social se constitui numa necessidade orgânica para sua efetiva sobrevivência. O caos o alimenta. O ultraliberalismo econômico, somado ao autoritarismo político e reacionarismo fundamentalista em matéria de costumes, somente prospera onde há silêncio. O Pacote Moro vem, também, para produzir o silenciamento que o neofascismo bolsonarista reclama.
O Pacote redesenha o conceito de organizações criminosas para dar margem à interpretação que enquadre movimentos sociais como o MST e o MTST; os partidos políticos, em especial aqueles que fazem oposição sistemática ao governo; sindicatos; grupos empresariais, em particular os que reagem aos desmandos da política econômica entreguista de Paulo Guedes e Bolsonaro.
Há um item muito grave no Pacote, inexistente no código penal brasileiro, se aprovado desarticulará sobremaneira a resistência democrática, especialmente quando a resistência tem potencial de conflito, como ocupações, greves, trancaços de estradas ou grandes avenidas, etc., trata-se da criação do conceito de resistência qualificada. Na hipótese de uma desocupação é possível prender e processar as lideranças dos movimentos sob a alegação de levarem risco de vida aos agentes do Estado. Esse novo tipo penal prevê 30 anos de reclusão e o processo sai do tribunal do júri. Inequivocamente o objetivo é falir a luta política do povo por direitos e melhoria da qualidade de vida, e silenciar a oposição.
Recado ao movimento negro
As agendas de todos os democratas devem ter entre as prioridades promover o combate ao Pacote Anticrime de Moro e Bolsonaro, o movimento negro tem que assumir frontalmente essa tarefa, promovendo debates com a sociedade civil e com as forças políticas no Congresso Nacional. A inclinação da maioria dos parlamentares é favorável a Moro, sabemos que estamos diante da legislatura mais desqualificada e conservadora desde o período pré-Constituição, por isso será necessário muito diálogo, mobilização, pressão política e lançar mão de variados instrumentos para o arquivamento do Pacote.
Estamos diante de um projeto homicida, voltado a tratar da pobreza, modus operandi denunciado pela UNEGRO há trinta anos: uso da violência pelo Estado para controle demográfico. Além do poder corrosivo ao tecido social promovido pelo aumento das desigualdades geradas pela prevalência da financeirização da economia, a cada dia a evolução tecnológica diminui a dependência da mão de obra humana, gerando hordas de desocupados sem perspectivas de retorno ao mercado de trabalho, formando grandes exércitos de seres humanos indesejáveis e descartáveis pelo sistema. A violência de Estado como método de contenção da pobreza não é uma excepcionalidade, as elites mundiais desde que compreenderam o perigo que os grandes contingentes populacionais ofereciam aos seus privilégios, agiram, sempre sob as diretrizes do imperialismo.
Na década de 50 o bilionário estadunidense, John Rockefeller, fundou o Population Council (Conselho Populacional) com objetivo de combater o crescimento populacional nos países pobres, para ele o “crescimento da população mundial é uma enorme ameaça para os interesses dos países ricos, especialmente os Estados Unidos.”.
Henri Kinssiger, Secretário de Estado do governo Richard Nixon, foi mais consequente à ideologia malthusiana, pregava que o crescimento populacional elevava o índice de miséria. Em seu relatório, preparado em 1974, sobre aumento demográfico nos países pobres, previu que se o Brasil mantivesse o índice da época, no ano 2000 estaria com 219 milhões de habitantes, a fim de evitar fome endêmica, agitação e desordem social propôs uma série de medidas de controle de natalidade, a violência compunha tacitamente o cardápio das medidas – em 2000 havia 190 milhões de brasileiros, 30 milhões a menos da projeção de Kinssinger, em razão da aplicação do controle de natalidade no Brasil.
O Pacote Moro se conecta a esse projeto perverso do imperialismo, se aprovado dará segurança institucional para matança e para explosão do contingente carcerário, lugar preparado aos indesejados: os pretos, pobres e as putas do Brasil.[i]
  1.  Lacerda, Fernando Hideo I. Comentários Sobre o “Projeto de Lei Anticrime”.
  2. IBCCRIM. Nota técnica sobre o Pacote Anticrime. Comentários do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) SOBRE O Pacote Anticrime (PL882/2019 e PL 1.864/2019).
  3. Pacote Anticrime. Um guia para auxiliar o parlamentar. Relator Deputado Capitão Augusto.
  4. A Democracia Não Chegou na Periferia. Caderno de Formação do Quilombação.

Manuela se coloca à disposição da Justiça no caso Vaza Jato

Foto: Reprodução

A ex-deputada gaúcha Manuela d’Ávila (PCdoB) emitiu nota na sexta-feira (26) em que confirma o depoimento prestado à Polícia Federal por Walter Delgatti Neto em que diz ter obtido o contato do jornalista investigativo Glenn Greenwald por meio da Manuela.

Em nota à imprensa, a ex-deputada, além de esclarecer o caso, se coloco à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, diz ainda que orientou seus advogados a entregarem à polícia cópias das mensagens que recebeu e colocou seu aparelho celular à disposição da perícia.

Leia abaixo:

Nota à imprensa

Tomando ciência, pela imprensa, de alusões feitas ao meu nome na investigação de fatos divulgados pelo “The Intercept Brasil”, e por me encontrar no exterior em atividades programadas desde o início do corrente ano, esclareço que:

1. No dia 12 de maio, fui comunicada pelo aplicativo Telegram de que, naquele mesmo dia, meu dispositivo havia sido invadido no Estado da Virginia, Estados Unidos. Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza.

2. Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald.

3. Desconheço, portanto, a identidade de quem invadiu meu celular, e desde já, me coloco a inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração. Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial.

Manuela d’Ávila
26 de julho de 2019

Do Portal PCdoB

O conluio da ultra direita americana com o nepotismo de Bolsonaro

Além de ato de nepotismo vergonhoso e afrontoso, a indicação de Eduardo Bolsonaro é uma manobra urdida pela ultradireita americana
O nepotismo exacerbado do Bolsonaro indicando seu filho Eduardo, o 03, para embaixador em Washington, é um problema grave, acentuado pelo enorme despreparo do 03 para o cargo. Mas a rumorosa indicação é um projeto da ultra direita americana para garantir a submissão da América do Sul aos desígnios do seu país, reduzindo esse subcontinente ao que foi em tempos passados, um quintal dos Estados Unidos.
Por Haroldo Lima*
Na História do Brasil, sempre foi marcante e insolente a ingerência dos Estados Unidos. Quando governos nacionais tiveram postura de independência, como os de Getúlio, Jango, Lula e Dilma, o Império encontrava jeitos de torpedear seus planos, sabotá-los e até derrubá-los. O golpe de 1964 foi o exemplo maior. Um porta-aviões de propulsão nuclear, o Forrestal, foi deslocado para a costa brasileira com tropas americanas prontas para desembarcar, caso houvesse resistência ao golpe.
Se, entretanto, um governo acata os ditames imperiais, se o presidente bate continência até para funcionário subalterno dos americanos, se seu ministro das Relações Exteriores em seis meses transforma o Itamaraty em acessório secundário da política dos Estados Unidos, então o Império manda, desmanda, faz festa, humilha. É o que está acontecendo agora no governo servil e aloprado do capitão reformado.
O último gesto acanalhado da súcia que comanda hoje a política externa brasileira foi o de não abastecer navios iranianos fundeados em portos brasileiros, que carregavam milho brasileiro a ser exportado. Só para bajular os americanos. Uma vergonha.
É nesse contexto que se sobreleva a propalada indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ela é um ato de nepotismo vergonhoso e afrontoso do governo de Bolsonaro, mas não só isso, é também uma manobra urdida pela ultradireita americana, que poderá ter graves consequências para nosso país e a América do Sul. As digitais de Steve Bannon estão na origem da artimanha.
Steve Bannon é um destacado prócer da extrema direita americana. Ex-banqueiro, dirigiu um site de notícias chamado Breitbart News, descrito por ele como “a plataforma da alt-right”, direita alternativa. A revista Time disse que o Breitbart News “instilava material racista, sexista, xenofóbico e antissemita na veia da direita alternativa” (Time 18/11/2016).
Bannon afastou-se do Breitbart para assumir, em 2016, a diretoria-executiva da campanha presidencial de Trump. Em janeiro de 2017, fundou com o belga Mischaël Modrikamen uma organização a que chamam de The Moviment, destinada a respaldar e promover grupos direitistas. Eleito Trump, Steve Bannon ocupou cargo de primeiro escalão na Casa Branca, como estrategista de Trump, até abril de 2017, quando foi defenestrado por desentendimentos pessoais com o presidente, ao que consta.
A partir de meados de 2018, o ex-estrategista de Trump circula pela Europa articulando partidos nacionalistas e populistas de direita para o The Movement e incorpora no grupo um destacado direitista italiano, Matteo Salvini, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, a italiana Giorgia Meloni, líder do grupo fascista Irmãos da Itália, o holandês Geert Wilders, a conhecida direitista francesa Marine Le Pen e outros. A organização planeja ter um escritório em Bruxelas, sede da União Europeia, e Bannon declarou à Bloomberg que a proposta do The Moviment está crescendo e atingirá “outros continentes”.
A campanha presidencial no Brasil estava em curso, quando, em 4 de agosto de 2018, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de São Paulo, encontrou-se em Nova York com Steve Bannon. O Twitter do Eduardo exibiu no mesmo dia sua foto com o Steve, dizendo que tiveram “uma grande conversa”, verificaram ter a “mesma visão do mundo” e uniram-se no desejo de “somar forças, especialmente contra o marxismo cultural”. Eduardo emprega aqui a expressão “marxismo cultural”, cunhada pela extrema-direita americana a partir de ideias originalmente expostas por Adolf Hitler, no seu Mein Kampf.
Eduardo informou ainda, na mesma ocasião, que Bannon deliberou ajudar a campanha de seu pai, em “atividades de inteligência, ações na internet e análise de dados”. (Wikipédia) A campanha de Bolsonaro notabilizou-se pelo uso abusivo de “fake news”.
Talvez seja a partir desse momento que Rubens Ricúpero, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e ex-ministro da Fazenda, registra que Eduardo Bolsonaro passou a dirigir “na América do Sul o movimento de extrema-direita de Steve Bannon”. Dito movimento, observa Ricúpero, é “uma seita de extremistas que os americanos chamam de lunatic fringe” (franja lunática, ou borda lunática, em tradução livre) (UOL, 18/07/2019).
A propalada indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada em Washington é tida, ademais, como patrocinada também pelo empresário Clifford Sobel, ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, no Brasil de 2006 a 2009, durante o governo de George W. Bush. Sobel é próximo ao presidente Donald Trump e ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton (Estadão, 12/07/2019).
Foi com entusiasmo que Steve Bannon saudou a eventual indicação de Eduardo para o posto mais importante da diplomacia brasileira no exterior, vendo nisso oportunidade de crescimento do The Moviment, apesar de Eduardo ter de “provavelmente” deixar a chefia do grupo na América do Sul, porque “o cargo de embaixador vai lhe tomar 100% do tempo” (CP, Porto Alegre).
Assim, tem inteira procedência a indagação do velho diplomata de carreira Ricúpero: “Como poderia ele (Eduardo) representar todos os brasileiros se é o representante de uma seita?”.
Contudo, a ideia de representar todos os brasileiros não é a preocupação do presidente. Ele pensa que o embaixador representa a sua pessoa, não a Nação. “Pretendo beneficiar um filho meu, sim. Pretendo, está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou” (FSP 18/07/2019).
A indicação do embaixador para Washington tem ainda um caminho a percorrer. Passará por uma sabatina e duas votações secretas no Senado. Pressões e campanhas devem ser feitas intensamente para impedir que a direita americana, mancomunada com o desejo nepotista do presidente dar um filé mignon ao seu filho 03, ponha como embaixador do Brasil nos Estados Unidos o chefe para a América do Sul de uma sua seita reacionária. Será uma grande vitória para o Brasil.
Haroldo Lima, engenheiro, foi deputado federal (PCdoB-BA) e diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É membro da Comissão Política Nacional do PCdoB.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A suspensão dos remédios gratuitos prejudica

Mais de 30 milhões de pacientes dependem dos remédios que tiveram a produção suspensa pelo governo Bolsonaro. São medicamentos para combate ao câncer, doenças hematológicas, inflamatórias e outras enfermidades raras, que eram distribuídos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O Ministério da Saúde suspendeu contratos com sete laboratórios públicos nacionais para a produção de 19 medicamentos. Mais uma prova que a saúde não é mesmo prioridade para o governo Bolsonaro. 


Os laboratórios produtores, que são públicos, fabricam os remédios como parte de uma parceria com o ministério. Os preços chegam a ser 30% menores do que os praticados pelo mercado.


Associações que representam os laboratórios estimam perda anual de, pelo menos, R$ 1 bilhão para o setor, além do risco de desabastecimento, que afeta a população mais carente. É um absurdo.

Com informações de bancariosbahia.org.br