ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 26 de maio de 2019

Organização se reúne para debater plano de estruturação partidária

A reunião da Comissão Nacional de Organização do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ocorrida durante na última terça-feira (21), na sede do Comitê Central em São Paulo, debateu o plano de estruturação partidária. O encontro contou com a participação de dirigentes nacionais e estaduais, membros da comissão e convidados que de forma presencial e por videoconferência deram sua contribuição ao debate.
Sob o comando do secretário nacional de Organização, Fábio Tokarski, presidentes e secretários estaduais de Organização e de outras pastas, foram convidados para a reunião, representando todas as regiões do país.
Participaram ainda da reunião, os secretários nacionais Adalberto Monteiro (Comunicação), Ricardo Alemão (Finanças), Neide Freitas (Planejamento), André Tokarski (Juventude), Liége Rocha (Movimentos Sociais), Nivaldo Santana (Sindical) e o coordenador do Departamento de Quadros, Carlos Augusto Patinhas. O encontro contou ainda com as presenças da ex-senadora Vanessa Grazziotin que irá coordenar a campanha de filiação do Partido esse ano e o assessor jurídico do PCdoB, o advogado Paulo Machado Guimarães.
Na abertura da reunião, o secretário Fábio Tokarski detalhou as tarefas essenciais de todo o coletivo partidário para se colocar em prática o Plano de estruturação partidária, incluindo o projeto eleitoral 2020/2022, a organização das Conferências ordinárias, ações de auto sustentação financeira, a comunicação partidária e sua atuação nas redes sociais, o desenvolvimento da campanha nacional de filiação, entre outros.

O secretário enalteceu o avanço do processo de “incorporação” do PPL ao PCdoB. Para ele, um termo jurídico. “O correto é ressaltar a união, a integração de duas forças revolucionárias e históricas”, disse Fábio, ao destacar o “gesto de grandeza dos camaradas oriundos do MR8 e do PPL”.  Na apresentação, o dirigente orientou para que as comissões estaduais de enlace colocassem em pauta a elaboração de um “ousado” projeto eleitoral em cada município.
Fábio Tokarski tratou ainda sobre “a atualidade das resoluções do 14º Congresso” e do documento “Novo ciclo de lutas em defesa do Brasil, da democracia e do povo”, assim como a necessidade de “promover a atualização das linhas de estruturação partidária diante dos fenômenos em curso”. Segundo ele, é necessário estimular o debate, construir agenda de diálogos, sistematizar, difundir, estudar e debater as resoluções aprovadas na ocasião do Congresso realizado em outubro de 2017.
“Caminhamos para o Centenário do PCdoB [1922 – 2022], e as diretrizes aprovadas no 14º Congresso abordam com abrangência e atualidade as diferentes frentes da estruturação partidária”, destacou o dirigente.
Segundo Fábio, os comunistas devem planejar e realizar de forma sinérgica e integrada tanto a ação política, como a estruturação partidária. O dirigente apresentou ainda o sistema de acompanhamento e as ações de planejamento do projeto eleitoral nos municípios em 2020 e o de 2022.
A secretária nacional de Planejamento, Neide Freitas falou da campanha do PCdoB em defesa da aposentadoria e da campanha de filiação do partido.
Sistema de Comunicação
O secretário nacional de Comunicação, Adalberto Monteiro, iniciou sua fala tratando da ação partidária e a comunicação. Para ele, “é preciso fazer o vínculo do partido com a vida e a luta do povo, da classe trabalhadora. Esse deve ser o grande vértice”, disse.
Adalberto ressaltou a necessidade de qualificar e intensificar a Comunicação partidária e apresentou a necessidade da direção nos estados de fortalecer as ferramentas comunicacionais e as redes sociais do partido tendo como base a criação de um sistema nacional de Comunicação. “Só irá haver esse sistema se houver em cada comitê estadual um sistema estadual de comunicação. Aqui já começa uma questão de debate que temos que instaurar, para que essa rede seja montada”.

Segundo o dirigente, o partido precisa ter uma comunicação mais relevante que destaque as ações institucionais. Para ele, “a comunicação dá muita visibilidade, corretamente, à ação política e de massas do partido. Mas o PCdoB não vê a si mesmo na sua estruturação partidária, ela fica oculta em cada município, em cada estado. Não usufrui de exemplos vivos, de fragrantes da construção partidária”, explicou.
O espaço virtual para apontar essas ações, segundo Adalberto, será o multisite do PCdoB, “onde cada estado terá a sua página que será veiculada e disseminada não só a ação política do partido, dos parlamentares, de suas lideranças, mas o partido vivo, em movimento. Assim, o partido vai poder enxergar a si mesmo”. Adalberto frisou ainda a valorização da ação dos comunistas nas redes sociais.
Na mesma linha, Miguel Manso salientou a importância do sistema nacional de Comunicação. “Temos que aprofundar o nosso domínio nesse debate do sistema”. Para ele, é preciso usar os instrumentos de comunicação para orientar o conjunto da atividade do partido, desenvolver, fortalecer, divulgar os índices do trabalho da direção e também de organização para a militância e também para além dela, frisou.

 
Luta em defesa da Educação
O secretário de Juventude, André Tokarski, fez sua fala em torno da exitosa reação do movimento estudantil em relação às medidas desproporcionais do governo Bolsonaro em relação à Educação brasileira, com destaque aos cortes de verbas nas universidades e institutos federais.
Comentou que o cenário político dá vazão à oportunidade de crescimento do trabalho dos comunistas e ressaltou o papel importante que as entidades como a UNE, a Ubes e a ANPG jogam na reação da juventude, levantando a possibilidade de ações partidárias na luta em defesa da educação.

Segundo André, os retrocessos “se agravam, se aceleram” e é imprescindível destacar o enfrentamento da juventude contra a gestão bolsonarista. “É uma grande oportunidade para o Partido crescer e se organizar nas universidades, ampliar esse trabalho entre estudantes, mas também entre professores, pesquisadores”.
O secretário de juventude comentou ainda sobre o importante reforço das centrais sindicais e das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo que anunciaram nesta segunda-feira (20) apoio à mobilização dos atos convocados pela UNE no próximo dia 30. Explanou que o Congresso da UNE está marcado para ocorrer neste ano em Brasília, provavelmente na primeira quinzena de julho, na Universidade de Brasília (UnB).
Recursos financeiros
Sobre as ações de auto sustentação do PCdoB, o secretário nacional de Finanças, Ricardo Alemão Abreu destacou que o partido precisa procurar formas alternativas de arrecadação, “buscando fortalecer três aspectos”, explica. “A auto sustentação do Partido precisa ser feita com recursos que não sejam só financeiros, mas também administrativos e patrimoniais”.

Para o dirigente nacional de finanças, há a necessidade que o partido fortaleça o seu Sistema de Contribuição Militante (Sincom) e até mesmo a contribuição de amigos, o chamado “eleitores, simpatizantes e amigos”. Alemão recomenda que sejam realizadas “campanhas que procurem estimular as doações, campanhas com causas, campanhas que envolvam conscientemente, mas também emocionalmente as pessoas que querem doar, que querem colaborar com o partido, para que a gente possa ter mais recursos próprios da militância, além dos recursos do fundo partidário ou eleitoral, e até mesmo fazer campanha por sedes próprias do partido”, explanou.
O secretário de finanças destacou ainda a necessidade de rever o Sistema nacional de contribuição militante. “É preciso rever uma redistribuição dos recursos em favor dos comitês estaduais e municipais”, completou.
Jurídico
O advogado do PCdoB, Paulo Guimarães concentrou sua intervenção na relevância e necessidade da regularização dos órgãos partidários. Chamando a atenção para os “comitês provisórios e os que ainda não prestaram contas ou tiveram contas julgadas como não prestadas”.
Ele destacou o tratamento regulamentar adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “que em recente decisão liminar, do Ministro Gilmar Mendes, afastou a consequência automática decorrente de Contas não prestadas ou julgadas como não prestadas, com a suspensão das anotações dos órgãos de direção partidária”.

Outro aspecto relevante apresentado pelo advogado foi “o início da vigência da Lei 10831, de 17/5/2019, que dispõe sobre a regularidade de órgãos partidários municipais sem movimentação financeira, tratou do prazo de funcionamento de Comitês provisórios, além de outros aspectos.
Paulo Guimarães informou que há grande expectativa de ter na próxima semana uma decisão do TSE sobre a averbação do requerimento de incorporação do PPL ao PCdoB.
Considerações
Os dirigentes estaduais convidados da comissão nacional de organização do PCdoB, deram importantes contribuições ao debate sobre a estruturação partidária. Relataram suas experiências, os desafios de cada localidade, apresentaram seus projetos, assim como seus objetivos e metas.
A secretaria nacional de Organização apresentou as etapas de realização de atividades que apontem os desafios da estruturação partidária, como a organização de um seminário a realizar-se em Brasília entre os dias 9 e 10 de julho que aborde ainda a campanha de filiação e a questão eleitoral.
PCDOB.ORG.BR

Política - Bolsonaro é recebido com protestos no Nordeste

 

Governadores criticaram o governo 

Matériado jornal O Estado de S. Paulo diz que no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro foi alvo de crítica de governadores. Em sua primeira viagem oficial ao Nordeste, região onde registra os seus maiores índices de rejeição, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um acréscimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), mas não foi poupado de críticas dos governadores da região – o FNE é um dos três fundos constitucionais criados para implementar a política de desenvolvimento entre áreas do país, diz o texto.

Segundo a reportagem, o presidente desembarcou em Recife na manhã desta sexta-feira, 24, com um comitiva de 15 convidados para participar da reunião do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento do Nordeste (Condel-Sudene). Para evitar manifestações de oposição que foram convocadas pelas redes sociais, a comitiva foi dividida em dois helicópteros que se deslocaram da base aérea do aeroporto de Recife até o Instituto Brennan, onde aconteceu o evento. 

Durante o evento, um grupo de manifestantes com faixas e cartazes protestou em frente ao portão do instituto. “Esperávamos que o presidente, chegando aqui no Nordeste, a exemplo do que acontecia anteriormente, trouxesse mais notícias boas. As notícias boas não foram tantas”, disse ao Estado o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB).

No discurso de abertura, Bolsonaro fez um apelo para que os governadores, majoritariamente de oposição, apoiem o projeto de reforma da Previdência enviado ao Congresso. “Faço um apelo aos senhores governadores do Nordeste. Temos um desafio que não é meu, mas também dos senhores, independente da questão partidária, que é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em colocar em prática parte do que estamos tratando aqui”, disse o presidente.

Ainda segundo Azevedo, é preciso que “efetivamente” o governo mostre a que veio. “Precisa definir políticas. Isso não aconteceu. Esperamos que o Brasil volte a crescer e não fique amarrado exclusivamente na pauta da Previdência”, concluiu o governador paraibano.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi na mesma linha. “De um modo geral o governo do presidente Bolsonaro enfrenta dificuldades no País, não apenas no Nordeste. Hoje essa contestação de que o governo vem frustrando expectativas é nacional. É um governo inerte no que se refere a políticas públicas. Quando rompe a inércia, rompe na direção errada. À exemplo desse desastrado decreto sobre armas”.

Para o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), não vai ser fácil o presidente reverter a viagem em popularidade no Nordeste. “Popularidade não se relaciona com dinheiro, mas com a capacidade de liderar”, afirmou.

Portal VERMELHO

Política - Flávio Dino repudia atos contra a democracia e direitos sociais

 
Foto: Reprodução Nocaute
 “A única coisa com a qual não concordo: a agenda de pequenos grupos contra a democracia e as instituições. Repudio pedidos de fechamento do Parlamento e do Supremo, bem como aqueles que querem acabar com direitos sociais e com a educação pública”, disse Flávio Dino, governador do Maranhão.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), saiu em defesa da democracia nesta domingo (26) pelo Twitter, contra a mobilização de pequenos grupos em apoio ao governo Bolsonaro e a uma agenda que contempla a reforma da Previdência e o pacote de segurança do Ministro da Justiça, Sergio Moro.

“A única coisa com a qual não concordo: a agenda de pequenos grupos contra a democracia e as instituições. Repudio pedidos de fechamento do Parlamento e do Supremo, bem como aqueles que querem acabar com direitos sociais e com a educação pública”, afirmou o governador.

Em entrevista ao Blog Nocaute divulgada neste sábado (25), Flávio Dino diz que o governo Bolsonaro “levou a lógica de uma seita para o centro do comando do país”.

Dino avalia que o governo pode até resistir à acentuada queda de popularidade que vem enfrentando se apoiando nesses pequenos grupos. “Porém, não irá governar, porque é uma estratégia paradoxalmente defensiva”.

“Ele acabou de vencer uma eleição presidencial, não viveu sequer a chamada lua-de-mel, porque isso vem desde janeiro, desde cedo. Nunca antes se viu na história com tanta velocidade alguém optar por uma estratégia tão defensiva estando no comando do país. Ao ponto de se conduzir a esse paradoxo de chamar uma manifestação da sociedade de apoio ao governo por parte dos setores minoritários, porque o campo político que o apoiou é muito mais amplo do que aqueles que estão apoiando essa manifestação a favor não se sabe bem do quê, mas sobretudo dessa visão sectária que ele representa”.

O governador também disse que há uma “tendência de impasse no país, de ausência de hegemonia, portanto, ausência de condições para que o país evolua. É preciso romper com isso, por vários caminhos. Já aludi ao papel dos governadores e do próprio Congresso Nacional. O Judiciário tem, sem dúvida, um papel importante, as organizações da sociedade, a mobilização do povo, as lutas sociais, as lutas sindicais para rompermos essa tendência paralisante que a entronização de uma política sectária no comando do país conduz. Ou seja, ele não governa, mas não desocupa o governo. É mais ou menos essa conjuntura que nós estamos vivendo nesses cinco meses. Pra onde ele conduzirá isso, aí sim, aí a preocupação. Esses apelos, esses segmentos sectários contra as instituições não são inéditos. Nós conhecemos antecedentes históricos”.

Portal VERMELHO

MP 868/18 Oposição quer impedir privatização do saneamento


Deputados de Oposição e representantes do setor de saneamento se reúnem para traçar estratégias contra privatização do saneamento no país.

Por: Christiane Peres 

Proposta que privatiza água e saneamento no Brasil perde validade no dia 3 de junho. Intenção é protelar votação no Plenário para deixar o texto “caducar”. Bancada do PCdoB é uma das responsáveis pela articulação no Parlamento.

Partidos de Oposição e entidades do setor de saneamento articulam estratégias para impedir o avanço da Medida Provisória (MP) 868/18, que prevê a privatização do setor. O texto perde a validade no dia 3 de junho e a ideia é protelar sua votação no Plenário da Casa e deixa-lo caducar.

O texto, editado no final do governo Temer com amplo apoio de Jair Bolsonaro, altera o Marco Legal do Saneamento, abrindo as portas para investimentos privados no setor.

O texto está na pauta da Câmara desta semana, mas depende da votação de outras medidas provisórias para ser analisada. A bancada do PCdoB é contrária à medida e defende uma frente ampla para barrar de vez a medida.

“Água é um bem humano, um direito universal e que não pode ser privatizada. Essa batalha já convenceu outros além de nós. Mais de 20 governadores assinaram documento contra essa MP. Falta pouco para gente fazer a frente ampla para enterrar de vez essa proposta. Água e saneamento devem ser política de Estado e não entregues para o mercado”, defendeu a líder da Minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Governadores de 23 estados e do DF já se manifestaram contra a MP 868. Apenas os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul não assinaram o documento. Em carta, eles apontaram que ao invés de propiciar o avanço na universalização dos serviços, a MP representa um retrocesso que traz mais insegurança jurídica, grandes riscos de agravamento das desigualdades, de desestruturação do setor e enfraquece, sobremaneira, a participação dos estados na gestão dos serviços de saneamento básico.

Isso porque o texto acaba com os chamados contratos de programa, instrumento por meio do qual municípios contratam empresas estaduais para promover serviços de saneamento.

De acordo com o texto, estes contratos vigoram até sua data de expiração. Depois disso, só será possível fazer contratos de concessão e o município terá de abrir uma licitação, da qual poderão participar tanto as empresas públicas como as privadas.

Membro da comissão mista que analisou o tema e vice-líder da Minoria na Câmara, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) vê com preocupação a mudança. Para ela, a MP “acaba com a possibilidade de o “sistema de saneamento e de águas chegar aos pequenos municípios ao impor o fim dos contratos de programa entre as atuais empresas estatais e os entes municipais”.

“Nenhuma empresa privada teria interesse em levar saneamento a municípios com 10, 15, 20 mil habitantes. Isso tudo afastaria a população de uma política de saneamento básico, que impacta diretamente na saúde pública”, pontuou.

A vedação dos contratos de programas também foi duramente criticada em seminário conjunto entre as comissões de Desenvolvimento Urbano; de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia; de Legislação Participativa; e de Direitos Humanos e Minorias, realizado nesta terça-feira (21).

Os participantes foram unânimes em dizer que, se aprovada, a MP significará a privatização do abastecimento de água e do saneamento básico no país, aumentando preços e inviabilizando a universalização dos serviços. Além disso, afirmaram que sem esses contratos, a maioria das cidades brasileiras – especialmente as menores – teria de recorrer à privatização dos serviços, por não ter condições de fazê-lo por conta própria. Por outro lado, as empresas privadas priorizariam as cidades grandes.

“95% do saneamento básico brasileiro são prestados por serviço público. Não é possível com uma MP, de uma hora para outra, construir algo novo”, criticou o secretário executivo da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), Francisco dos Santos Lopes.

A convergência na luta contra o texto encampado pelo governo ficou clara no seminário. No entanto, o vice-líder da bancada comunista, o deputado Márcio Jerry (MA), pontuou a necessidade de extrair dela, uma agenda de mobilização para ajudar na derrota da MP.

“Este não é um debate técnico apartado, é um debate que tem a ver com 120 milhões de seres humanos, com mais de 4 mil municípios. Esse é um debate de natureza social e não podemos ficar calados. Tudo agora é o mercado. O mercado quer água, quer previdência, quer tudo e não quer nada. O mercado quer juros altos. Essa é uma luta de grande alcance e vamos fazer valer uma política pública eficaz para nossa população”, destacou.

Liderança do PCdoB na Câmara

domingo, 19 de maio de 2019

RETROSPECTIVA: Antenor Roberto é governador interino do Rio Grande do Norte

 Governador em exercício, Antenor Roberto (2º da direita para a esquerda), junto com membros do PCdoB que atuam no governo estadual

 Governador em exercício, Antenor Roberto (2º da direita para a esquerda), junto com membros do PCdoB que atuam no governo estadual

Militante comunista desde 1981, Antenor é membro do Comitê Central do PCdoB.


Pela primeira vez, na atual gestão, o Rio Grande do Norte foi administrado por um militante do Partido Comunista do Brasil. No caso, o vice-governador, Antenor Roberto, que assumiu interinamente a chefia do executivo Estadual, na quarta-feira (3) até a última segunda-feira (8). 

A transmissão de cargo aconteceu em razão da viagem da governadora Fátima, que estava em missão oficial para Boston/EUA, onde proferirá palestra, no dia 6, sobre “Aprendizagem: Caminhos para uma Educação Pública de Qualidade”, na Conference at Harvard & MIT 2019.

Integrante da chapa encabeçada pela ex-senadora Fátima Bezerra (PT), única mulher eleita no último pleito para comandar um executivo stadual, Antenor é militante histórico do PCdoB, tendo presidido a legenda no Estado em vários períodos.

Em afetuosa mensagem postada em rede social, Fátima Bezerra declara ter “orgulho e alegria de passar o cargo a Antenor”, e confia em que o vice-governador, juntamente com o secretariado, assumirá a gestão plenamente, “com todas as prerrogativas que a Constituição lhe assegura”.

Por sua vez, agradecendo a confiança, Antenor declarou receber a missão com “honra, alegria e serenidade”. Afirmou, ainda, que a substituição de uma política e gestora da envergadura de Fátima representa “o momento mais elevado e de maior responsabilidade que a vida política e militante lhe apresentou”.

Nas redes sociais de ambos, muitos votos de êxito, e reconhecimento à atuação, competência e capacidade política e profissional de Antenor. 

Trajetória

Antenor Roberto Soares de Medeiros, nasceu em 7 de junho de 1961, no município de Currais Novos/RN. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e é procurador do Estado do Rio Grande do Norte. Na militância política, começou atuando no movimento estudantil, presidindo o Centro Acadêmico de Direito e o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Filiou-se ao PCdoB em 1981, onde foi responsável por várias secretarias, também presidindo o Comitê Estadual em várias gestões. Atualmente faz parte do Comitê Central do PCdoB, eleito durante o 12° Congresso em 2009.

Antenor Roberto é o terceiro comunista a assumir um Governo no RN. O primeiro foi o operário José Praxedes, durante Insurreição Comunista de 1935, protagonizada pela Aliança Nacional Libertadora, que durou apenas quatro dias. O segundo membro do Partido a assumir a chefia do Governo do Estado foi o então vice-governador, Fabio Dantas, durante a gestão de Robson Faria (2015-2018), no período de 24 a 28 de junho de 2015.


 De Natal, Christian Lira e Manoela Macedo, da assessoria da Vice-governadoria.
Adaptado pelo PCDOB DE NOVA CRUZ/RN, 19/05/2019.

Política Maria Thereza Goulart: uma mulher vestida de silêncio

 
Livro reconstitui a trajetória de Maria Thereza Goulart, a bela gaúcha que chegou ao poder com Jango. Biografia que leva o título "Uma mulher vestida de silêncio" resgata a história da ex primeira dama.

Por Bertha Maakaroun – Estado de Minas


“A sua respiração ofegante e em alto volume tomava conta do quarto. Um som horrível. Maria Thereza deu a volta na cama e foi para o lado dele. Tentou acordá-lo. Jango estava com a boca aberta, buscando ar de maneira aflita, mas não conseguia respirar. Segurava com força o travesseiro. Deu um gemido mais alto e seco. Maria Thereza começou a sacudi-lo e gritou o seu nome.

Como ele não reagia, saiu correndo em busca de ajuda.” Naquela madrugada de 6 de dezembro de 1976, aos 57 anos, morria o ex-presidente da República João Belchior Marques Goulart (1918-1976), em sua fazenda La Villa, no município argentino de Mercedes. Única testemunha, o relato é de sua esposa, Maria Thereza Fontella Goulart. O casal se preparava para migrar para a Europa, deixando para trás 12 anos de exílio entre Uruguai e a Argentina, numa América do Sul tomada por ditaduras violentas, cujas lideranças democráticas estavam ameaçadas pela Operação Condor.

Dois dias antes, Jango, como era chamado, havia vendido gado num leilão em Arbolito, no Uruguai, e recolhido US$ 280 mil, com os quais planejava reiniciar a vida em Paris, ao lado da esposa. Os filhos, João Vicente e Denize, ameaçados de sequestro por grupos paramilitares que atuavam no Cone Sul extorquindo empresários, já estavam em Londres. A maleta com o dinheiro do gado viria a ser roubada em meio ao tumulto que se seguiu à sua morte. Mas não o seu último sonho: Jango, que tanto acalentara um retorno ao Brasil, atravessaria num esquife a ponte Augustin Justo, que ligava Paso de Los Libres, na Argentina, a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. E mesmo morto, só encontrou o seu descanso ao lado de Getúlio Vargas, no cemitério de São Borja, após o último confronto com o regime militar, que resistia em deixá-lo retornar ao país, temendo a reação popular no adeus ao líder trabalhista.

A história de Maria Thereza ganha corpo e forma na obra de Wagner William, biografia que leva o título Uma mulher vestida de silêncio – A biografia de Maria Thereza Goulart, pela editora Record.

“Foram 12 anos de pesquisas, em arquivos desclassificados no Uruguai e Brasil, diversos documentos – entre eles o diário de Maria Thereza –, que se somaram a mais de 100 entrevistas”, explica o autor. A obra não só reconstitui o contexto histórico e cultural da mulher dos anos 1950 e 60 – como sobretudo, recupera a trajetória dessa filha de pais fazendeiros dos pampas gaúchos, nascida possivelmente em 1936 – à época os pais frequentemente alteravam as datas de nascimento dos filhos.

Maria Thereza fora educada para ser uma discreta mãe de família e dona de casa. Em 11 de dezembro de 1950, por volta dos 14 anos, semanas antes da posse do eleito Getúlio Vargas à Presidência da República, ela conheceu em São Borja o homem com quem se casaria cinco anos depois. Jango, à época, um empresário bem-sucedido, amigo pessoal de Getúlio, com quem convivera muito proximamente a partir de 1946, quando o presidente, apeado do poder, mergulhara em sua fazenda Itu, vizinha à estância São Vicente, de Jango.

Dezoito anos mais nova do que Jango, Maria Thereza viveria discretamente dedicada aos filhos e ao marido, quando este exercia a vice-presidência no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e nos quase sete meses da meteórica presidência de Jânio Quadros. Enquanto Jango representava o Brasil na China, ela se encontrava em férias em Lloret del Mar, na costa espanhola, acompanhada dos filhos Denize e João Vicente, quando ambos foram surpreendidos com a renúncia.

Na montanha-russa que marcaria a sua vida, aos 26 anos a primeira-dama Maria Thereza salta subitamente ao centro da cena social, exercendo fascínio e marcando época por sua beleza. Orientada pelo costureiro Dener, que vai ensiná-la a descobrir o próprio estilo, era apontada pela mídia nacional e internacional como uma das primeiras-damas mais belas do mundo. Da revista O Cruzeiro às internacionais Time, Paris Match e Stern, o interesse por essa mulher rendeu inúmeras capas e manchetes. Rivalizava em elegância com Jacqueline Kennedy e Grace Kelly, de Mônaco.

Em recepções oficiais, foi galanteada por chefes de estado e, segundo Wagner William registra na obra, abertamente assediada pelo então presidente da Iugoslávia, Josip Broz, o Tito (1892-1980), quando em visita ao Brasil.

AO LADO DO MARIDO NO PALANQUE

Na presidência de Jango, a imagem pública de Maria Thereza esteve sempre associada ao marido, aos filhos e à representação do papel à época encarnado pelas primeiras-damas – festas e recepções. Entretanto, ela marca um ponto de inflexão, ao participar em 13 de março de 1964, ao lado de Jango, no comício na Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, para defender as chamadas reformas de base. “Era uma época em que havia uma mínima participação da mulher na política. Ela quebrou isso ao subir no palanque”, assinala o autor Wagner William. Naquele comício em que 200 mil participaram e precipitaria a articulação do golpe, Jango encerrou o seu discurso: “Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação, pela justiça social e pelo progresso do Brasil”.

Na madrugada de 2 de abril de 1964, o golpe militar já se consumara e Jango partira para o Rio Grande do Sul. Com os filhos pequenos, Maria Thereza deixaria a Granja do Torto de madrugada, com uma pequena valise. Deixou para trás todos os pertences pessoais, inclusive joias, que seriam saqueados até por aqueles que se diziam amigos e por outros oportunistas de plantão. Partia para o exílio no Uruguai, com escala na Fazenda Racho Grande, em São Borja.

Três perguntas para...

Denize Goulart, filha de Jango e Maria Thereza, graduada em história.

Como era o seu relacionamento com o seu pai, Jango?

Foi meu melhor amigo. Um homem sensível, exemplo de pai, político, com uma trajetória de luta pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social. Ele foi um ser humano generoso.

Em 12 anos de exílio, apesar de tantas traições, tanta solidão, nunca ouvi dele uma palavra contra ninguém. Enquanto nós, muitas vezes, queríamos que brigasse com algumas pessoas, não aceitando determinadas coisas. Meu pai, um fazendeiro rico, foi um visionário, que acreditava que uma sociedade justa só se daria se os trabalhadores tivessem oportunidade e pudessem viver com dignidade. Para a elite, que nunca aceitou, esse comportamento era visto como uma traição. Getúlio Vargas e meu pai tinham visão muito avançada para a época. Talvez não fossem compreendidos. Era visão grandiosa da política, da sociedade e do trabalho, que tem de ser dignificante. Eram brilhantes e podiam ver a sociedade de forma grandiosa.

Como foi a decisão de seu pai de enviá-los a Londres, em 1976? 

Havia ameaças de sequestro. Eram grupos paramilitares que atuavam naquele momento em todos os países do Cone Sul, principalmente na Argentina. E a própria ditadura não tinha controle sobre eles.

Em determinado momento, pegaram membros de um grupo que se intitulava Associação Argentina Anticomunista. Bom, anticomunistas se diziam todos. Prenderam algumas pessoas desse grupo e chegaram a declarar que um dos planos era sequestrar os filhos de João Goulart. Meu pai ficou desesperado e disse que não ficaríamos mais na Argentina. Foi um período no exílio em que o cerco começou a fechar sobre ele, que já não tinha mais espaço para morar no Uruguai nem na Argentina. Ao mesmo tempo, tentava articular a possibilidade de volta para o Brasil. Mas ele estava vendo dificuldade, porque sabia que seria preso.

O que pensa sobre as circunstâncias da morte de Jango?

Para mim continua em aberto. Não posso dizer que foi assassinado pela Operação Condor, pois as investigações não são conclusivas. Sempre vai pairar essa dúvida. Até hoje achamos estranho. Ele estava bem, havia estado em Londres em outubro. Voltou e morreu em dezembro nesse violento contexto político. Não foi feita autópsia. Os governos argentino e brasileiro, as autoridades deveriam ter exigido a autópsia de um ex-presidente da República, exilado por força de uma ditadura.

TRECHO DO LIVRO

“Na Granja do Torto, uma espera cruel. Maria Thereza foi ao quarto de João Vicente e Denize a fim de se certificar de que os dois dormiam. Ouvia pelo rádio a notícia de que o Congresso declarou vaga a Presidência. Só pensava em Jango, perguntando a si mesma onde ele estaria. O silêncio a deixava mais nervosa. Falou para os amigos que estavam a seu lado, Maria Elisa, João José, Etelvina, Virgílio, Oscar Seraphico, Pedro e Terezinha, que deixassem o lugar, mas ninguém saiu. Barros Carvalho telefonou e conversou rapidamente com ela.

Uma nova ligação. Era Dener:

Estou triste e preocupado com tudo que está acontecendo. As notícias no rádio são terríveis.

Acho que vou precisar sair do Torto.

A senhora vai nos deixar? Que horror! Estou muito triste! Por favor, me mande notícias de onde a senhora estiver. Quero continuar sendo seu amigo. Mande um grande abraço ao presidente e, amiga, para onde for, não vá vestida de marrom.

Mesmo após a conversa com Dener, ela não arrumou as malas. Apenas esperava. O telefone tocou novamente. Tancredo reforçou o pedido para que ela ficasse calma, afirmando que Jango estava bem, e repetiu o aviso que Darcy lhe dera, sobre o avião. Alertada pela segunda vez, Maria Thereza aceitou preparar uma mala...”

Portal Vermelho

Arquibancada - Zé Maria, 70, e Biro-Biro, 60: dois ídolos de um tempo que se perdeu

Clodoaldo, Rivelino, Pelé, Tostão e Zé Maria: o lateral que fez história no Corinthians se sagrou tricampeão mundial no México, em 1970
A foto que ilustra este texto foi tirada por Domício Pinheiro, fotógrafo do Estadão que cobriu a Copa do Mundo de 1970. Aí estão Clodoaldo, Rivelino, Pelé e Tostão, titulares da melhor Seleção Brasileira de todos os tempos – o timaço que voltou do México com o tri mundial e a conquista definitiva da Taça Jules Rimet. Mais à direita, aparece um jovem lateral da Portuguesa, reserva do capitão Carlos Alberto Torres. Seu nome: José Maria Rodrigues Alves. Seu apelido: Zé Maria.

Por André Cintra
Domício Pinheiro

Ontem (sábado) (18), o “Super Zé”, também apelidado de “Cavalo de Aço”, fez 70 anos, conforme recordou, em nota, o CDC (Coletivo Democracia Corinthiana). Mas também foi aniversário de outro ídolo do Timão, o volante Biro-Biro (Antônio José da Silva Filho), que completou 60 anos e foi igualmente lembrado, com justiça, pelo CDC. Diferentemente de Zé Maria – que voltou a ser relacionado para uma Copa e até disputou algumas partidas no Mundial-1974, na Alemanha –, Biro-Biro jamais foi convocado para a Seleção Brasileira.

Esta talvez seja a diferença mais óbvia entre as carreiras desses jogadores. De qualquer maneira, creio não haver, na história do Corinthians, dois nomes com mais curiosidades comuns. Para começo de conversa, como já disse acima, os dois nasceram em um 18 de maio e, portanto, fizeram aniversário ontem. 

Eles se tornaram ídolos – e até xodós – da torcida corinthiana, mas não necessariamente eram jogadores decisivos, inspirados, cracaços. Ao contrário, sobressaíram mais pelo preparo físico, pela raça, pela entrega em campo. Jogaram, ambos, por outros clubes, mas são profundamente identificados com o Timão. Estão entre os cinco atletas que mais atuaram com a sagrada camisa alvinegra. Zé Maria realizou 598 partidas pelo Corinthians, e Biro-Biro, 590.

Embora tenham sido campeões paulistas por quatro vezes, cada um deles é lembrado por um título em especial. Zé Maria integrou elenco que, em 1977, ajudou o Corinthians a quebrar o tabu de 23 anos sem títulos – ele cobrou a falta que resultou no histórico gol de Basílio. Já Biro-Biro ficou particularmente marcado pelo Campeonato Paulista de 1982, em que, na final, fez dois gols contra o São Paulo. 

Muitos jogadores do Corinthians concorreram à Câmara dos Vereadores de São Paulo – os últimos, salvo engano, foram Marcelinho Carioca, Dinei e Wladimir. Mas só Zé Maria e Biro-Biro venceram também nas urnas. E há mais coincidências: um e outro foram eleitos quando ainda eram jogadores e tinham acabado de conquistar um Paulistão – Zé Maria em 1982, com 33 mil votos, pelo PMDB, e Biro-Biro em 1988, com 39 mil votos, pelo PDS.

O ponto mais convergente entre os dois é que não se fazem mais ídolos como eles. Zé Maria permaneceu no time profissional do Corinthians por 13 anos, e Biro-Biro, por dez. Há cada vez menos registros de atletas que se vinculam tão intensamente – e por um período tão prolongado – a um único clube, nacional ou estrangeiro. 

Se a economia brasileira naufragou nesta década – com uma prolongada recessão seguida de estagnação –, a economia do futebol brasileiro patina há mais de 20 anos. Na bola, o Brasil não acompanhou o salto exponencial de outros mercados, sobretudo a Europa Ocidental – mas também gigantes econômicos sem tradição no futebol, como Estados Unidos e China. Perdemos jogadores até para países do segundo escalão do futebol e da economia – a Ucrânia e o Uzbequistão, por exemplo.

Celebremos, pois, Zé Maria e Biro-Biro, por eles e por um tempo que se perdeu – basicamente os anos 70 e 80 do século passado. Há sempre um ou outro trunfo nas coisas do tempo presente. Mas os ídolos de hoje, embora continuem a vir das camadas populares, “esquecem” suas raízes com a mesma rapidez com que sonham em deixar o clube e o País.

Fonte: Portal Vermelho