ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 13 de janeiro de 2019

O PODER MANDA, O GOVERNO EXECUTA, A INFORMAÇÃO ILUDE

Pedro Augusto Pinho*
Pimeira Parte: O Poder
O Poder não é um princípio imaterial. Quando alguém se refere ao poder do comunismo, deverá estar se referindo a um Estado, a um partido ou a uma liderança que seja capaz de conduzir alguém para o sistema comunista.
Mas também não pode ser tão vago que deixe dúvida. Que comunismo? O das populações primitivas? O de missões de jesuítas na América do Sul? O materialismo dialético de Marx-Engels?
Ao afirmar que o poder que nos pressiona e conduz, atualmente, é o poder do sistema financeiro internacional (banca), devo definir os objetivos e os agentes deste poder. Se não o conseguir, terá sido uma afirmação vã, como o comunismo que ameaça o Brasil.
Comecemos por definir os objetivos da banca.
Como sabem meus esclarecidos leitores, as fontes de rendas são diversas. Há aquelas decorrentes do trabalho, que denominamos salários e direitos autorais; as obtidas de propriedades imobiliárias, os alugueis; as cobradas pelos Estados, os tributos; as resultantes das atividades industriais, comerciais, de serviços, os lucros, e outras.
A banca pretende e age para que todas estas rendas sejam canalizadas para o sistema financeiro.
Como faz isso?
Pela dívida. A dívida, como já pude detalhar em artigos anteriores, é a principal arma para conquista do poder pela banca. E ela consegue inúmeros adeptos, na grande maioria absolutamente ingênuos, sem saber o quanto estão perdendo de usufruir vida melhor pelas ações da banca. Exemplo: o vendedor que lhe procura convencer a pagar a prazo, o que você pode pagar a vista, pois você ficará com mais dinheiro para outras despesas.
E para construir a dívida, inclusive dos Estados, a banca usa e abusa da corrupção. Pode-se afirmar, sem receio ou erro, que a grande corrupção, a propagação dos ilícitos, nessa nossa existência, deve-se primordialmente à banca.
Outro objetivo da banca é promover a permanente concentração de renda. É objetivo autofágico.
Agora sabemos o nome do poder, como age e quais seus objetivos.
Há outro dado importante: a vinculação da banca com atos ilícitos.
Quando Margaret Thatcher e Ronald Reagan (governos), agindo por instruções da banca, promoveram as desregulações no sistema financeiro, colocaram os ganhos ilícitos – tráfico de drogas, de órgãos humanos e de pessoas, contrabando de armas, caixas 2 e outras ações políticas e corruptas – em instituições da banca. Uma pesquisa sobre movimentações financeiras de fonte não identificada, na década 1990/99, leva-nos a concluir que o aporte dos ilícitos à banca foi da ordem de US$ 4 trilhões. Podemos acrescentar que as atividades ilícitas e a banca atuam em comunhão de interesses.
Vejamos, agora, quem é a banca.
A concentração de renda e a contínua especulação com os valores financeiros  dificultam a hierarquização da banca por seus patrimônios.
Há vinte e cinco/trinta anos seria um pouco mais fácil, pois a banca era composta pelas trilionárias famílias, como os Windsor britânicos, os Orange holandeses, os Rothschild judaicos etc. Hoje, ou melhor, a partir deste século XXI, são empresas que administram os fundos, formados não só por estas famílias como por trabalhadores e todos que imaginam ser possível, no modelo da banca, melhorar suas condições de vida.
O chamado mercado nada mais é do que o enorme cassino onde a banca faz suas apostas. Quanto mais apostadores, maior a probabilidade da banca se apoderar das poupanças alheias. É por esta razão que a banca promove campanhas de privatizações, a extinção de previdências públicas, para só as ter privadas, colocar nas pessoas medo de um futuro fora do “mercado”, restringir orçamentos públicos com “tetos”, “austeridades”, “limites de gastos”, exceto para os gastos com juros e encargos financeiros.
Não há, fora da teoria, qualquer competitividade. Pois a banca está em todos os conselhos de todas as empresas. E as pessoas que pertencem a famílias ricas ou de classe média confortável podem ter professores, tempo para frequentar ambientes culturais, dinheiro para viajar e levam enorme vantagem sobre os que precisam trabalhar e estudar simultaneamente. Os pobres aprovados em concursos de avaliação cognitiva são minorias ínfimas, quando acontece haver algum.
Em relação a competição entre empresas, a Presidente Dilma ofereceu um caso notável, reportado pelo jornalista Luis Nassif, em artigo de setembro de 2014, “Como Dilma conseguiu perder o apoio da indústria”. Ao qual respondi, no mesmo GGN, de Nassif, em 03/08/2018, com “Assim é (se lhe parece)”, de onde transcrevo:
“A FIAT tem como seus cinco maiores acionistas:
1 – Exor NV (empresa italiana de investimentos);
2 – Baillie Gifford & Co.;
3 – Harris Associates LP;
4 – Blackrock; e
5 – The Vanguard Group.
A VOLKSWAGEN tem como cinco maiores acionistas:
1 – Qatar Investment Authority;
2 – The Vanguard Group;
3 – Causeway Capital Management;
4 – Amundi Asset Management; e
5 – Blackrock.
A GENERAL MOTORS tem como cinco maiores acionistas:
1 – The Vanguard Group;
2 – Blackrock;
3 – Harris Associates;
4 – State Street Corporation; e
5 – Berkshire Hathaway.
A FORD tem como cinco maiores acionistas:
1 – The Vanguard Group;
2 – Blackrock;
3 – Newport Trust;
4 – Street State Global Advisors Funds Management; e
5 – Wellington Management.
A RENAULT é empresa de economia mista. Aqui diríamos que é uma estatal.  Dois acionistas, o Governo da França e a Nissan Motor, tem, cada um, 15% das ações. O terceiro maior acionista é a própria Renault que com o fundo de seus empregados possuem 4,20% do capital da companhia. Mas é curioso saber que The Vanguard Group e Blackrock também compartilham ações da Renault”.
Inúmeros outros exemplos poderia oferecer a meus caros leitores. Mas prefiro apresentar os principais membros da banca, conforme pesquisa por mim realizada, neste mundo maravilhoso das comunicações virtuais.
Há diversos sites que, como apontaria Chacrinha, “vieram para confundir e não para explicar”. Havendo interesse, recomendo que busquem as composições acionárias das empresas negociadas em bolsa, destacando seus proprietários institucionais.
Meus dados são do início de dezembro de 2018. Diferentes dos que coletei em agosto do mesmo ano. Este fato comprova minhas afirmativas sobre a autofagia da banca e sobre o cassino que é o “mercado”.
Empresas, com mais de um trilhão de dólares em aplicações, que controlam não só as economias internacionais e nacionais, mas as empresas de comunicação de massa, da indústria cultural e muitos governos sejam de países desenvolvidos ou colonizados:
BlackRock, a maior, com cerca de US$ 8 trilhões (apenas para ter o significado  deste valor, o Produto Interno Bruto do Brasil, para o ano findo, está avaliado em US$ 2,2 trilhões, o dos Estados Unidos da América (EUA) possivelmente superior a US$ 20 trilhões). Seguem o Vanguard Group com mais de US$ 6 trilhões, a Charles Schwab com US$ 4 trilhões, o JP Morgan com mais de US$ 3 trilhões, o State Street Global Advisors, que teve um ano ruim, com US$ 3 trilhões, o Fidelity, também com perdas, mas se mantém próximo aos US$ 3 trilhões. A estes seis grandes, elencamos, com mais do que US$ 1 trilhão: Allianz, BNY Mellon, Wellington eAmundi. Também podemos considerar membros de destaque da banca: o BNP Paribas, o Santander, o Bank of America e o Goldman Sachs.
Certamente meu arguto leitor está sentindo a ausência de empresas/investidores asiáticos. Há, obviamente, explicações.
A Ásia adotou modelos diferentes de economia. No Japão é o Estado que orienta os megaconglomerados, cujos bancos agem como verdadeiras tesourarias e arrecadadores e investidores. Há 50 anos, aproximadamente, não era assim. Mas os Governos japoneses tiveram a sabedoria de não entrar no cassino (“mercado”). Isto mantém uma economia equilibrada que atende, com sua escassez de recursos naturais, o País e sua população.
A China está voltada para seu desenvolvimento. Seus bancos financiam suas empresas que procuram, como qualquer país colonizador, comprar e vender, tendo nesse colonialismo mercantilista seus recursos em divisas. Nunca esquecer que a China precisa alimentar 20% da população da Terra.
O sudeste asiático vem sendo castigado pelas políticas da banca e dos interesses geoestratégicos estadunidenses. O mesmo acontece com a Índia, que não pode promover um processo de capitalização nacional capaz de a impulsionar seu desenvolvimento para novo patamar.
Ficamos assim, Atlântico Norte e Atlântico Sul sujeitos ao jogo e à corrupção da banca.
Nos próximos artigos trataremos do Governo e da Informação.
Informação II
O fato histórico, oculto pelas pedagogias colonizadoras, é a construção das estruturas de governo pelo poder. Não irei reproduzir a formação dos Estados, a partir da Idade Média. Basta verificarmos o que ocorreu no Brasil, a partir dos Governos Militares.
O golpe desfechado em 1964 foi, ainda, realizado pelo poder do capitalismo industrial estadunidense, o que comprovam a intromissão da CIA (Central Intelligence Agency), as ações do Embaixador Lincoln Gordon, as referências nas memórias do Coronel Vernon Walters e toda a documentação dos arquivos do governo dos Estados Unidos da América (EUA) já divulgada. O golpe seguinte ocorreu em 1967 e recuperou boa parte do controle do Governo Brasileiro para as Forças Armadas nacionais e para indústria, especialmente a do Estado de São Paulo. O terceiro golpe foi aplicado no Presidente Geisel e no Comando Militar para escolher o General Figueiredo para a presidência. O poder, então, já não era do Estado representante do capitalismo industrial mas do sistema financeiro internacional, que denomino banca.
A banca orientou a Constituição de 1988 para que o governo brasileiro ficasse nas mãos do poder sem voto: o judiciário. Lembremos que o poder militar fora alvo de golpe pela banca.
Apenas o Poder Militar, nos dias de hoje, 2019, ameaça o governo do judiciário que atende prioritariamente à banca.
Vejamos exemplos da ação dos Governos, após o Presidente Geisel, que comprovam o poder que tomou conta do Brasil.
Os Estados nacionais são os maiores, se não o maior inimigo da banca, ou, como alguns preferem designar, da Nova Ordem Mundial (NOM).
Daí a estupidez dos Estados Mínimos.
O que significa Estado Mínimo, desburocratização do Estado Nacional, simplificação tributária e outras expressões do vocabulário da banca? Que o Brasil, ou qualquer outro Estado, abrirá mão de seu poder de governar para reproduzir, no País, a uniformidade administrativa que facilita a gestão e aumenta os lucros da banca.
Se cada país, mesmo acolhendo os capitais especulativos, fixar taxas diferentes, com requisitos distintos, multas diferenciadas, formulários com dados diversos, a banca terá enorme ônus para se adaptar às formalidades destes países. Mas se tiver um Estado Mínimo, com legislações e administrações padronizadas, o que fizer para Bélgica, Ruanda, Samoa, Costa Rica, servirá também para o Brasil. Enorme economia e simplificação administrativa, maiores lucros. E a soberania nacional? Ora, a soberania ……
Portanto são estes engodos que levam muitas pessoas a considerar avanço civilizatório a submissão aos interesses da banca.
Em outras palavras, colocar nos governos “técnicos” que prometem simplificar “a vida” (sic) de cada um. E o coitado, que nem sabe o que é o “swap cambial”, pensa que está votando numa solução técnica quando está apoiando o interesse político estrangeiro, para a mais eficiente apropriação dos nossos recursos. Paulo Guedes, por exemplo, ou Henrique Meirelles, ou Pedro Malan, ou Joaquim Levy, ou Ivan Monteiro, ou Marcos Lisboa, ou Armínio Fraga, ou, ou, ou todas estas gerações formadas pela banca, eles a representam e não o Brasil.
A classe média sempre reclama da (falta de) educação, imagina que exista competitividade, no mundo de monopólios e acordos de acionistas, que o saber diferenciado fará diferença na vida. Mas não se pergunta: que saber é esse? Que diferença – ou usando a palavra de Pierre Bourdieu – de que distinção se trata?
Podemos identificar os anos 1960 como da arrancada da banca para o domínio mundial, conseguido em 1990. Foi naquela década que houve a grande crítica e a crise do ensino, da cultura, do saber.
Na França, nos EUA, na Inglaterra, mesmo no fechado mundo soviético, surgiram reflexões sobre o conhecimento e os usos do conhecimento.
A banca teve a inteligência de perceber a possibilidade de transformar o saber em outro instrumento de dominação (nunca esquecer que a dívida é a arma principal da banca). E foram os governos destes mesmos países, da academia e da juventude críticas, que acabaram por promover a nova pedagogia colonial.
A sempre competente Vila Mandinga, em Nota do Tradutor, ao primoroso trabalho da entrevista de Henry Giroux, feita pelo professor Mitja Sardoč (“A linguagem da educação neoliberal”, Counterpunch, 25/12/2018), escreve:
“Os imperativos econômicos do neoliberalismo, combinados com as tecnologias da Nova Administração Pública provocaram mudanças profundas na organização dos locais de trabalho em muitas sociedades capitalistas contemporâneas. Práticas de mensuração, incluindo ‘indicadores de desempenho’ e ‘benchmarking’ [tabelas de desempenho comparativo] são cada vez mais usadas para medir e reformar organizações do setor público, e melhorar a produtividade e as condutas de indivíduos em inúmeras profissões. Esses processos resultaram no desenvolvimento de uma cada vez mais penetrante invasiva ‘cultura de auditagem’, que extrai sua legitimidade da ideia de que estaria promovendo a ‘transparência’ e os mecanismos e processos para cobrar e prestar contas [ing. transparency and accountability]. A partir de exemplos do Reino Unido, particularmente da reforma das universidade pós-1990s, esse artigo (“Audit culture and Illiberal governance: Universities and the politics of accountability” [Cultura da auditagem e governança não liberal], Cris Shore, 2008) propõe-se a analisar as origens e a disseminação dessa ‘cultura da auditagem’, e teoriza algumas implicações dela para a construção de subjetividades acadêmicas. As perguntas que faço são: Como essas tecnologias da auditagem estão remodelando o ambiente de trabalho e que efeitos têm elas sobre o comportamento (e a subjetividade) dos acadêmicos? O que a análise da ascensão do gerencialismo [ing. managerialism] nos diz sobre processos históricos mais amplos de poder e mudança em nossa sociedade? E por que os acadêmicos são aparentemente tão cúmplices e tão incapazes de resistir contra esses processos?”
Neste século XXI, alunos e professores de economia, de renomadas universidades inglesas, portuguesas e estadunidenses, como Harvard, foram à rua e à imprensa denunciar o ensino do que seria a ciência econômica, transformada em marketing financeiro.
A universidade é o local privilegiado do pensamento, onde surgem as ideias e as críticas que serão um dia a comunicação, o transporte, a produção sem riscos e acessíveis a todos os seres humanos. Transformar este local simplesmente em formadores de agentes de venda é verdadeiro crime contra a humanidade.
O administrador é antes de tudo um incentivador e orientador de trabalho; criativo, inovador, transformador para o próprio executante. Como sobreviver à régua equalizadora das auditagens e “accountabilities”?
E observe o atilado leitor que nem trato do simplismo de um Fernando Collor, de um Fernando Henrique Cardoso, de um Michel Temer, meros encaminhadores das ordens do poder – a banca – repetindo, como papagaios, sem qualquer contribuição pessoal, as ignomínias do tripé macroeconômico, dos superavits fiscais, do câmbio flutuante, do mercado contra o Estado Nacional. Embora não tenha incluído Lula neste rol, apenas por não ter feito a defesa da banca, sua ação em momento algum impediu a atuação perniciosa do sistema financeiro internacional no Brasil.
A estrutura de governo brasileiro continua, mais de cinco séculos de domínio colonial, assentada nos pilares trazidos em 1549 pelo Governador Geral Tomé de Souza: finança,  justiça e defesa,  esta última sistematicamente empobrecida pela defasagem científica e tecnológica.
No Brasil, as castas exportadoras de produtos primários, aliadas dos colonizadores, sejam portugueses, ingleses, estadunidenses, agora a banca, sempre combateram a industrialização. E por que? Pela transformação social que a produção e o consumo trazem necessariamente. A industrialização exige o consumo de massa. Atribuo boa parte da derrocada soviética à ausência da perna do consumo, desequilibrando o corpo estrutural do governo industrial.
Vejo também na estrutura de organização de governo, sem a vinculação das partes ao todo, de ações importantes – a bolsa família, a ação integral do SUS, a construção de habitações populares – desvinculadas do projeto maior de construção da cidadania, uma de suas fragilidades e a facilidade com que são eliminadas e corrompidas. O mesmo ocorre com os períodos de industrialização e de desenvolvimento científico e tecnológico, desvinculados da construção do Estado Nacional Soberano.
Não se justifica, desde o trabalho de Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) sobre a Teoria de Sistemas (“General System Theory”, George Braziller, New York, 1968), que se construa uma organização do Estado desvinculada de seu propósito maior. A meu ver, as estruturas organizacionais do Estado Nacional Brasileiro deveriam estar reunidas nos três principais objetivos do governo nacionalista: a construção da soberania nacional, a construção da cidadania e as seguranças (da pessoa, do patrimônio e dos direitos). Para estes três grandes grupos haveria a manifestação da população, sob a forma de legislativos ou conselhos, e a estrutura executiva seria o detalhamento para as ações.
Penso que o País, assim estruturado, teria maior facilidade no enfrentamento de colonizadores. O Governo passaria a ser executor do interesse nacional, definido pelo voto, sem a nefasta influência da informação subordinada aos desejos destes colonizadores, como veremos no último artigo desta série.
Informação III
Os vinte anos que medeiam a descoberta da fissão nuclear e o lançamento do Sputnik I (1938-1957) foram de extraordinária importância para a vida humana. Foram os anos da energia nuclear, do conhecimento aeroespacial e da mudança no conceito e usos de informação. Neste artigo vou me limitar à informação, como passou a ser tratada após os trabalhos inaugurais dos matemáticos Norbert Wiener (“Cybernetics or Control and Communication in the Animal and the Machine”, The M.I.T. Press, 1948, Cambridge) e Claude Shannon e Warren Weaver (“The Mathematical Theory of Communication”, University of Illinois Press, 1949, Urbana).
Ao prefaciar a 2ª edição de “Cybernetics”, em 1961, Wiener escreveu “as noções da informação estatística e da teoria do controle eram novidade e, talvez, até tivessem chocado as noções à época (1948) estabelecidas” (“The notions of statistical information and control theory were novel and perhaps even shocking to the established attitudes of the time”).
Por que o capitalismo industrial, o poder naquela época, não soube se apropriar da riqueza de aplicações, que a teoria da informação descortinava, como seu opositor, o capitalismo financeiro, o fez?
Só posso constatar que o industrialismo – capitalista e socialista – restringiu ao trabalho, à robotização, sua compreensão da informação (comunicação e controle). O que chamo banca, o sistema financeiro, viu muito mais aplicações e recursos na separação suporte/semântica na informação, como denominaria o matemático francês Louis Couffignal (“Les Notions de Base”, Gauthier-Villars, 1958, Paris).
O modelo apresentado por Shannon tratava da difusão de mensagens quanto ao suporte. Suas preocupações eram as codificações/decodificações e o meio físico, com os ruídos inevitáveis e as redundâncias necessárias. A influência destas mensagens nos receptores estaria no âmbito de outras disciplinas, como ficou evidenciado no importantíssimo encontro de 1962, em Royaumont, perto de Paris, sobre o “Conceito de Informação na Ciência Contemporânea”.
Além de Norbert Wiener, este encontro acolheu o historiador Giorgio de Santillana, o sociólogo Lucien Goldmann, o pedagogo Helmar Frank, o microbiologista e Prêmio Nobel André Michel Lwoff, o engenheiro e físico Abraham Moles, os filósofos François Bonsack e Gilles-Gaston Granger, os matemáticos Henryk Greniewski e Louis Couffignal entre outros.
John R. Pierce (“Symbols, Signals, and Noise: The Nature and Process of Communication”, Harper and Brothers, 1961, NY), no ultimo capítulo deste seu livro, face à riqueza de soluções abertas pela teoria da informação, escreve que “é certamente maravilhoso que uma nova noção possa contribuir para a solução de tão larga gama de problemas”, como da linguagem, da psicologia e das artes.
Vejamos um caso prático, absolutamente possível da aplicação, desta separação da mensagem na votação, sem comprovação, em “urna eletrônica”, como feito no Brasil. O tratamento da mensagem é estatístico, o que permite, por exemplo, a cada três grupos semântica/suporte idênticos, introduzir uma variação na semântica, ou seja, para o mesmo suporte computar outra semântica (nome de outro candidato). Os exemplos seriam numerosos e fraudariam a vontade popular de modo técnico, com a aplicação dos recursos da teoria da informação. Talvez seja a razão do poder judiciário, que melhor do que qualquer outro advoga os interesses da banca no Brasil, seja o que mais se opõe ao voto impresso.
Também a banca percebeu a contribuição destas descobertas para a pedagogia colonial, forma de dominação tradicional, utilizada pelos poderes para manter os colonizados ou dominados sem capacidade de refletir sobre suas situações ou alterá-las.
A banca passou a ser dona de grande número de empresas de comunicação de massa e a influenciar também a indústria cultural, que estava em crescimento extraordinário com o filme colorido para o cinema (1935) e a televisão (1939). Foi, por conseguinte, com as armas fornecidas pelas teorias apresentadas nos anos 1940 que a banca passou a conquistar cada vez maior poder até dominar, não só a economia, mas a política, o psicossocial dos povos, e os próprios governos a partir de 1990.
Foram também as possibilidades abertas pela teoria da informação que possibilitaram a ciência da computação, os estudos sobre fractais e tantas outras  tecnologias e ferramentas, colocadas neste século XXI à disposição dos que tenham recursos para utilizá-las. Podemos afirmar que este conhecimento, apropriado pelo capitalismo financeiro, tornou-se mais um elemento de concentração de poder.
Nas últimas eleições nos Estados Unidos da América (EUA) e no Brasil, foram inúmeras as acusações de interferências, nem sempre lícitas ou controláveis, no processo de convencimento dos eleitores. Surgiram “demonstrações” da ação de empresas, como a Cambridge Analytica, de personalidades como seu fundador Steve Bannon, dos usos dos whatsApp, das fake news pelas redes virtuais e outras aplicações da teoria da informação.
Tudo, no entanto, pode ser resumido no controle que o poder da banca exerce sobre os sistemas de informação e das comunicações. Há a ausência indesculpável dos Estados Nacionais sobre esta sua responsabilidade frente aos cidadãos e, ouso afirmar, sobre a própria humanidade.
No Brasil, o estadista Presidente Ernesto Geisel bem tentou, pelo Estado com a Cobra, e pela empresa privada com a Itautec, promover a capacitação brasileira. Teve êxito, pois o Brasil chegou a construir, com tecnologia e materiais nacionais, os minicomputadores. Se não tivesse ocorrido o golpe de 1979 e a destruição do sistema de informática nacional, talvez meu caro leitor não estivesse escravo da Apple, da Microsoft, da Samsung, do Windows e de toda esta invasão estrangeira na informação brasileira. Ainda nos anos 1990, a Marinha de Guerra desenvolvia linguagem com base no Linux. Não sei como estará agora, com tantos governos da banca desde então.
Vejamos outro aspecto da comunicação, o psicossocial, que acontece agora, no momento que escrevo este artigo. “Acusam” um filho do General Hamilton Mourão, funcionário concursado, há 18 anos no Banco do Brasil, por ter sido escolhido para cargo comissionado, para o qual preenche os requisitos.
Um ingênuo leitor apontaria o PT ou “as esquerdas” pela divulgação e pelos ataques. Claro que há bobos e maus-carateres para isso. Mas a quem interessaria, mais do que a qualquer outro poder, esta farsa?
O Vice-Presidente representa, na heterogênea composição do Governo Bolsonaro, a única força que pode se opor à banca: os militares.
Entre os principais representantes do capital financeiro, está o Ministro da Economia, que responde a processos pelos eventuais atos ilícitos que teria praticado no cassino ou no “mercado”. Parece-me evidente que, tendo a banca o controle dos meios de comunicação, um ataque ao General Mourão, como para outros militares no Governo (não no Poder, como já espero ter deixado claro nos artigos anteriores) surjam a conta gotas.
Não seria o caso do General Augusto Heleno, no uso das atribuições de seu Ministério, investigar as informações produzidas pela banca? Ou apenas se considera oposição as estilhaçadas esquerdas, se estas já não se acumpliciaram com a própria banca, como pensam alguns bem informados e bons analistas da imprensa virtual?
CONCLUSÃO
Não tenho a paranoia de ser dono da verdade. Muito ao contrário. Permanentemente me interrogo sobre as conclusões a que chego, confiro-as com outras, principalmente opostas. Porém o mais de meio século de diferentes experiências profissionais, a formação acadêmica também diversificada, permitem-me colocar, mais do que respostas, as perguntas que suponho adequadas ao Brasil deste século.
São, entre várias, as que apresento no título destes artigos: quem é o poder? quem executa suas ordens? como sabemos o que ocorre?
Devemos deixar de perseguir fantasmas. Espero ter aberto, a outros mais capazes e igualmente interessados no Brasil, esta mesma curiosidade.
Seria muito gratificante começar a ler outras perspectivas, outros rumos de pesquisa, para o esclarecimento maior, mais completo, que contribua para independência nacional.
É como concluo estas reflexões.
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado (janeiro de 2019)

2019 já registra ao menos 12 casos de feminicídio

Por JOANNE MOTA
O ano mal começou e o Brasil já registra, ao menos, 12 casos de feminicídio pelo país. Levantamento revela que a maioria dos casos estão na região Sudeste, nos estados de São Paulo (cinco) e Rio de Janeiro (quatro).
O levantamento foi publicado pelo Portal UOL e considera casos reportados pela imprensa, que ganharam destaque pelo excesso de violência empregado pelos agressores suspeitos - em geral, companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
O número pode ser maior
Para especialistas em violência contra a mulher, a tendência é que mais casos de feminicídio sejam notificados, registrados pelas autoridades policiais e assim classificados pelo Judiciário, à medida que a lei que torna agravante esse tipo de assassinato seja mais conhecida. 
Os números assustam
Pesquisa realizada entre março de 2015 e março de 2017 pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) traz resultados sobre os dois primeiros anos da Lei n.º 13.104/2015, que tipifica o feminicídio. Os dados revelam que o Brasil abre um novo inquérito policial a cada três horas para apurar possíveis casos de feminicídio.
São 5.611 inquéritos abertos, divididos em denúncias feitas pelo Ministério Público, investigações em processo, apurações já arquivadas e ocorrências desclassificadas da esfera feminicídio.
Por dia, as delegacias em todo país abrem oito inquéritos sobre o tema, número que é de 234 a cada mês e média de 2.806 nestes dois anos de aplicação da nova lei. Sancionada em 9 de março de 2015, a lei descreve como feminicídio as mortes de mulheres envolvendo violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de ser uma mulher.
Portal CTB - Com informações das agências

sábado, 12 de janeiro de 2019

RN - RETROSPECTIVA - ANTENOR ROBERTO - VICE GOVERNADOR DO RN: -PCdoB: Antenor Roberto é eleito vice-governador do Rio Grande do Norte

O estado do Rio Grande do Norte teve uma eleição histórica na disputa neste segundo turno de 2018. A candidata ao governo Fátima Bezerra (PT) e o candidato a vice-governador Antenor Roberto (PCdoB) tiveram a maior votação para o cargo no estado na disputa deste domingo (28). A chapa recebeu 1.022.910 votos, ou 57,6% dos votos válidos e venceu o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT), que ficou com 42,4%.
Fátima também foi a única mulher eleita governadora no país nestas eleições.
Antenor do PCdoB
O vice-governador é o comunista Antenor Roberto Soares de Medeiros, presidente do Comitê Estadual do PCdoB-RN e membro do Comitê Central do Partido. Começou sua militância política no movimento estudantil, quando filiou-se ao PCdoB em 1987. Enquanto estudante de Direito da UFRN, Antenor presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Depois foi responsável por várias secretarias do Comitê Estadual no RN, sendo eleito para o Comitê Central no 12° Congresso (2009).

 Com 57 anos, Antenor é casado, nascido em 7/6/1961 em Caicó-RN, formado em Direito, advogado e procurador estadual (funcionário de carreira).
Logo após o resultado das urnas, Antenor agradeceu os votos e parabenizou a vitória de seu colega, Fátima Bezerra, em ato com a militância no noite deste domingo (28). “O Rio Grande do Norte elegeu a primeira governadora de origem popular. Na largada da nossa convenção Fátima, nós dizíamos ‘será a campanha mais apaixonante do Rio Grande do Norte’, foi a campanha do coração”, disse Antenor, arrancando aplausos do público.
“Fátima chega a posição de governadora porque nunca deixou de ser o seu partido, o partido dos trabalhadores. Porque nunca deixou de ser companheira dos partidos aliados históricos, como o meu partido, o PCdoB. Nunca deixou de ser aliada dos governadores. Fátima também chegou a posição de governadora porque ela entendeu que para representar o povo do Rio Grande do Norte, ela precisava levar as suas ideias, levar um programa que somasse para além da esquerda do Rio Grande do Norte e é por isso que depois de percorrer todo o Rio Grande do Norte em uma caminhada vitoriosa, ela consegue chegar nesse segundo turno com a maior votação que o candidato já obteve para se eleger governadora do Rio Grande do Norte”, lembrou Antenor Roberto.
Nova governadora
Maria de Fátima Bezerra é natural de Nova Palmeira, na Paraíba. Formada em pedagogia, tem 63 anos e exerce atualmente seu primeiro mandato como senadora. Foi professora da rede pública na prefeitura de Natal e no governo estadual.É filiada ao PT desde 1981, legenda pela qual iniciou e segue na vida pública. Foi deputada estadual por dois mandatos (1994 e 1998).
Em 2002, foi eleita deputada federal, sendo reeleita em 2006 e 2010. Em 2014 elegeu-se senadora, derrotando a ex-governadora Wilma de Faria. Como ainda teria quatro anos de mandato no Senado, Fátima deve renunciar ao cargo em janeiro para assumir o Executivo estadual.
“O RN pode ter a certeza de que serei a governadora de todos e todas, dos que votaram em mim, e dos que não votaram também. Teremos um governo de diálogo, um governo de união, para construir um RN que tenha paz, segurança, dignidade e empregos pro nosso povo”, declarou em coletiva logo após a confirmação do resultado.
 
 Números da disputa no segundo turno
Com dois milhões e trezentos mil eleitores no estado, votaram 1.942.196, o que corresponde a 81,86% do eleitorado do RN. Votos brancos (1,75%) e nulos (6,81%) somaram 166.251 votos. Houve ainda 430.383 abstenções (18,14%). Somados brancos, nulos e abstenções, chega-se a 596.634 eleitores aptos que não escolheram nenhum dos candidatos.

MUNDO: Trump, um homem preso em seu muro

O muro de Trump entrará na história como um prodígio do marketing político e um paradigma dos perigos que implica levá-lo às últimas consequências. A ideia foi forjada na excêntrica corte de assessores do magnata imobiliário quando este começou sua corrida presidencial, por volta de 2014. 

*Pablo Guimón, do El Pais


A indisciplina do candidato, incapaz de se ater a um roteiro, levou seus conselheiros a buscar um slogan para garantir que falasse sobre imigração, um assunto que tinham identificado como o cavalo vencedor que o levaria à Casa Branca.

Assim lembrou Sam Nunberg, um dos assessores do candidato, no The New York Times. “Como podemos levá-lo a continuar falando sobre imigração?”, diz ter perguntado a Roger Stone, outro assessor. “Vamos fazê-lo falar sobre construir um muro”, decidiram.

A ideia funcionou. Ela se encaixava perfeitamente com a personalidade do candidato, partidário de mensagens simples, e apelava ao construtor que é. “Acho que ele ouve o bip, bip, bip de um caminhão betoneira dando marcha a ré, o produto sendo vertido e o muro crescendo, e ele não consegue resistir a isso. Ele adora”, disse no mesmo jornal Michael D’Antonio, jornalista e biógrafo de Trump.

O candidato fez seu o slogan e este se tornou o cabo que o conectou com seus eleitores. Em auditórios de todo o país, Trump era recebido com o grito de “Construa o muro!”. O problema é que Trump ganhou as eleições e seus acólitos não tiraram as camisetas do muro. O presidente, que não conseguiu aumentar seu espectro de eleitores nestes dois anos, precisa manter suas bases em guarda. E nada os mobiliza mais do que o muro.

“No início, era apenas uma imagem que falava de segurança na fronteira, mas logo se tornou um símbolo eficaz da necessidade de lutar contra a imigração, o comércio, o terrorismo… de frear a globalização e enfrentar todos os seus males. O problema é que Trump acabou completamente ligado a um muro que começou como uma poderosa peça de simbolismo”, diz Andrew Selee, presidente do Instituto de Política Migratória, um think tank.

Acontece que os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e o país começa agora uma nova fase de poder compartilhado. Não financiar o muro, para os democratas, é um símbolo de resistência. Assim, a disputa provocou uma paralisação parcial do Governo que está prestes a se tornar a mais longa desde 1980. Nesta mesma quarta-feira, o presidente abandonou repentinamente uma nova reunião com os líderes democratas do Congresso para tentar encontrar uma saída, reunião que definiu como “total perda de tempo”. Depois de quatro anos falando sobre o assunto, o presidente está preso em uma armadilha que ele próprio armou.

O muro se tornou o elemento definidor da presidência de Trump e o mais notável é que nem mesmo o setor duro o vê como prioridade na luta contra a imigração. “Mesmo os mais radicais entendem que a construção de um muro, com o enorme investimento que exige, não deteria a imigração com a mesma eficácia que outras medidas. A prioridade para eles é impedir que os imigrantes entrem no sistema legal”, diz David Bier, analista de política migratória do Instituto Cato.

Além disso, adverte Bier, para acabar com a paralisação do Governo e para poder ser proclamado vencedor, sua desmedida com o muro “poderia obrigar o presidente a fazer concessões em outras áreas que são consideradas prioritárias”. Por exemplo, regularizar a situação legal dos imigrantes sem documentos que chegaram ao país quando crianças, conhecidos como dreamers, um pedido reiterado dos democratas.

O presidente, como ficou claro em sua mensagem à nação na terça-feira, justifica agora seu pedido de financiamento para o muro, alegando “uma crise humanitária e de segurança”. Uma crise, disse, “do coração e da alma”. E mantém a ameaça de declarar uma “emergência nacional” para construir o muro.

Fala de crimes cometidos por imigrantes sem documentos, de um fluxo de terroristas e de drogas que provoca a epidemia de opiáceos que sofre o país. Tudo com uma frágil base factual: nem os imigrantes sem documentos cometem mais crimes do que os nacionais, nem há rastro de terroristas se esgueirando pela fronteira, nem o grosso dos opiáceos são introduzidos pelas pessoas que a atravessam ilegalmente.

Quando o presidente começou a falar do muro, a imigração ilegal estava em seu nível mais baixo em quase meio século. Hoje, por outro lado, é mais justificável falar em crise: a chegada maciça de famílias solicitando asilo, combinada com a exigência do Governo de que permaneçam em reclusão até que seu pedido seja resolvido, saturou os centros de acolhida.

“Os números de prisões na fronteira continuam estáveis desde 2014, o que mudou é que cada vez mais crianças e famílias estão chegando, e mais centro-americanos e menos mexicanos. O mexicano que cruzava costumava ser um indivíduo sozinho, os centro-americanos tendem a vir com a família. Em novembro, houve mais guatemaltecos detidos na fronteira do que mexicanos. Algo que chama a atenção, considerando que é um país situado a cinco mil quilômetros de distância e com 16 milhões de habitantes, comparados com os 130 milhões do México”, explica Selee. “Mas a verdade é que a maioria das pessoas sem documentos não entra cruzando ilegalmente, mas chega legalmente e fica mais tempo do que o permitido. É por isso que o muro é uma solução do século XX para um problema do século XXI”, conclui. 


 Fonte: El Pais

#ÉaLei: Espalhe na sua cidade a nova campanha do movimento 342 em defesa da constituição

#ÉaLei: Espalhe na sua cidade a nova campanha do movimento 342 em defesa da constituição
Nessa quinta-feira, 10 de janeiro, um série de memes contendo trechos da Constituiçāo Brasileira circulou pelos mais diversos perfis nas redes sociais.
O movimento 342Artes lançou uma nova campanha apartidária em homenagem à Constituição.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a lei fundamental e suprema do Brasil, situando-se no topo do ordenamento jurídico.
Diante de tantas ameaças é importante sabermos que nossa constituição garante as liberdades, os direitos humanos individuais e sociais e principalmente, o livre exercício da cidadania que nos une, para além de eventuais diferenças e nuances ideológicas ou político-partidárias.
Vamos todos espalhar essa mensagem tão importante nos nossos grupos e redes sociais.



Fonte: Mídia Ninja

domingo, 6 de janeiro de 2019

Desvalorização: acordos impõem cortes de até 20% nos salários

JOANNE MOTA
Dados do Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que, em 2017, foram fechados 149 acordos para reduzir o salário e a jornada de profissionais. Neste ano, até novembro, o total é de 55.
Os acordos de redução salarial fechados entre sindicatos e empresas resultaram em uma queda média de 20,4% no valor do salário dos trabalhadores neste ano, ante 18,5% no ano passado.
O Salariômetro aponta ainda que o reajuste médio nas remunerações foi de 2,9% neste ano, o que mostra aumentos salariais abaixo da inflação medida pelo  Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em torno de 4%, em média, em 2018. 
Portal CTB - Com informações da Folha de São Paulo

Movimentos - Especialistas contestam ofensiva de Bolsonaro contra o trabalho


 

Ataques aos direitos trabalhistas e sindicais prosseguem a todo vapor.  


A meta de extinguir a Justiça do Trabalho anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua primeira entrevista após a posse, colocou em cheque o futuro das relações trabalhistas e provocou reação imediata entre magistrados, advogados e sindicalistas. Um dia após a entrevista, a Associação Nacional dos Magistrados (Anamatra) emitiu nota pública criticando a medida e o movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (MATI) ingressou com uma ação no STF questionando a legalidade da proposta (ADPF 561). 

Bancada de oposição no Congresso e sindicatos também deverão pressionar o governo contra essa proposta. Na rede de televisão SBT Bolsonaro questionou a necessidade de o Brasil ter uma justiça especializada. "Qual país que tem [Justiça do Trabalho]? Já temos a Justiça normal", afirmou. "Olha lá nos EUA, eles não têm direito do trabalho e têm emprego", disse o presidente da República. 

Direitos e empregos

Contudo, magistrados discordam dessa conclusão. O juiz do Trabalho e vice-presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho de Pernambuco, Rodrigo Samico, rebateu o argumento. "Outros países como a Alemanha, a Itália e a França possuem Justiça do Trabalho em plena atividade. Então, transferir a competência da Justiça do Trabalho para Justiça Comum só iria agravar o quadro de resolução das demandas da Justiça. A Justiça Comum, por possuir um leque muito grande de demandas, já está sobrecarregada. A gente entende que transferir a estrutura não resolve o problema", afirmou.

"Os juízes do trabalho estão extremamente preocupados porque a proposta de supressão da Justiça do Trabalho é um tema que deve ser discutido com mais profundidade. A gente acha que [a mudança] tornaria mais difícil o acesso à Justiça por parte dos empregadose das próprias empresas. Porque não são só os empregados que recorrem à Justiça do Trabalho. Agora, com a aprovação da Reforma Trabalhista, as empresas também recorrem a ela quando querem homologar uma redução", explicou Samico.

Na entrevista, Bolsonaro descartou o fim da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), mas antecipou que, assim como na “reforma” trabalhista, pretende flexibilizar os contratos de trabalho. Segundo o presidente, há "muitos direitos e pouco emprego". "Quando eu disse que era difícil ser patrão no Brasil, os sindicatos disseram que difícil é ser empregado. A eles, eu responderia que mais difícil é ser desempregado", divagou.

O debate sobre a necessidade de um segmento específico do Poder Judiciário para cuidar das questões trabalhistas não é novo, mas sempre esbarra em polêmicas. Constitucionalmente, a Justiça do Trabalho tem a atribuição de conciliar e julgar ações judiciais entre empregados e empregadores e outras controvérsias decorrentes da relação do trabalho. A estrutura dessa área da Justiça conta com 24 tribunais regionais e tem no Tribunal Superior do Trabalho (TST) seu órgão máximo. A corte é composta por 27 ministros e tem como principal função uniformizar decisões sobre ações trabalhistas, consolidando a jurisprudência desse ramo do direito.

Atribuições do STF

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, a Anamatra, Guilherme Guimarães Feliciano, avalia que a proposta de extinguir esse segmento do poder Judiciário para pôr fim ao alto número de processos equivale a "culpar a janela pela paisagem". "Se o problema que o presidente identifica é o de uma legislação excessivamente protecionista e que, por conta disso, geraria mais litígios trabalhistas do que o necessário, parece-me que o equacionamento proposto não condiz bem com o diagnóstico feito. Há um claro vício aqui na relação de causa e consequência", diz. "O juiz do trabalho tem a competência constitucional de conhecer e julgar os litígios em função da legislação posta e em função das condições econômicas do País. O fato de se transferir essa competência para a Justiça comum absolutamente não muda esse quadro", comenta.

Feliciano alerta também que os concursos aplicados aos juízes federais que passariam a julgar as ações trabalhistas não cobram conhecimentos específicos quanto a direito do trabalho e direito processual do trabalho. "Seria uma temeridade esperar que esses juízes passem a julgar essas causas da noite para o dia." O presidente da Anamatra considera ainda que não caberia ao presidente da República modificar a estrutura do Poder Judiciário. Feliciano lembra que a Justiça do Trabalho está prevista no inciso 4º do artigo 92 da Constituição, mesmo artigo que versa sobre as atribuições do Supremo Tribunal Federal (STF), em seu inciso 1º.

"Se eu posso admitir que o presidente da República, por sua livre iniciativa, sem discutir com o presidente do STF, envie ao Congresso uma proposta de extinção, de supressão desse inciso 4º do artigo 92 da Constituição, então eu também, em tese, posso admitir que o presidente da República apresente uma proposta que suprima o próprio Supremo. Estamos caminhando para isso? Se a estrutura do Poder Judiciário deve ser alterada, a iniciativa deve partir do Supremo, e não de outro poder da República", concluiu o presidente da entidade que representa os magistrados da Justiça do Trabalho. 

Guilherme Feliciano, divulgou nota em que afirma que “nenhum açodamento será bem-vindo”. Para Feliciano, a magistratura do Trabalho está “aberta ao diálogo democrático, o que sempre exclui, por definição, qualquer alternativa que não seja coletivamente construída”. “No que toca à gestão pública, se o problema que o presidente da República identifica é o de uma legislação trabalhista excessivamente protecionista, a gerar mais litígios trabalhistas do que os necessários – tese a se discutir com profundidade junto à sociedade civil e ao Parlamento brasileiro -, a proposta de suprimir a jurisdição trabalhista especializada simplesmente não condiz com o diagnóstico feito. Há um claro equívoco na relação entre causa e consequência, em que se busca culpar a janela pela paisagem”, afirmou Feliciano.

Livre iniciativa

Na nota, o presidente da Anamatra ressaltou que os juízes do Trabalho “têm competência constitucional para conhecer e julgar os litígios trabalhistas que chegam a eles, na medida e do modo que possam chegar, à luz da legislação trabalhista em vigor e em função das condições econômicas do país”. “Transferir essa competência para a Justiça comum, absolutamente, não muda este quadro. A litigiosidade trabalhista continuará rigorosamente a mesma, sob o manto da mesma legislação trabalhista e com os mesmos obstáculos no campo econômico”, observou.

Feliciano frisou ainda que a Justiça do Trabalho – desde o Tribunal Superior do Trabalho até os juízes do trabalho do primeiro e segundo graus – está prevista no artigo 92 da Constituição Federal. “A se admitir que o presidente da República ou qualquer parlamentar, por sua livre iniciativa e sem discutir a questão com o presidente do Supremo Tribunal Federal, possa enviar ao Congresso Nacional uma proposta de extinção da Justiça do Trabalho, suprimindo os correspondentes incisos do art. 92 da Constituição, poder-se-ia admitir também o absurdo de poderem apresentar e aprovar emenda constitucional que suprima o próprio Supremo Tribunal Federal”, alertou Feliciano.

“O raciocínio demonstra como a proposta ventilada por S.Ex.a oculta gravíssimo abalo no sistema de freios e contrapesos sobre o qual se assentam as fundações republicanas. Qualquer iniciativa tendente a alterar a estrutura constitucional do Poder Judiciário brasileiro compete originária e privativamente ao Supremo Tribunal Federal, excluídos os demais poderes da República”, concluiu o presidente da Anamatra.

Riscos políticos

As alterações administrativas no campo trabalhista anunciadas por Bolsonaro também foram contestadas. Uma das tantas medidas criticadas é a transferência da Coordenação-Geral de Registro Sindical para o Ministério da Justiça (MJ), agora sob o comando do ex-juiz de primeira instância Sérgio Moro. 

A mudança está expressa na Medida Provisória (MP) 870, publicada na última terça (1º), que alterou a estrutura administrativa do Poder Executivo federal, extinguindo, entre outras coisas, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A pasta era responsável pelos registros e, diante da dissolução, as competências do MTE foram distribuídas para outros órgãos. O registro sindical é a inscrição oficial das entidades de classe no âmbito estatal e tem o objetivo de impedir que mais de um sindicato represente uma mesma categoria profissional.

Para o secretário-geral da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Wagner Gomes, em declarações à Rede Brasil Atual, a realocação dessa competência para o MJ traz riscos políticos no sentido de incentivar a criminalização da luta popular e sindical. Do ponto de vista funcional, o Ministério da Justiça é responsável por temas como o combate à pirataria, o enfrentamento a organizações criminosas e o sistema prisional. “Quando colocam a questão do registro pra pasta do Ministério da Justiça, eles querem insinuar exatamente que [sindicato] é caso de polícia, que é um ‘bando de ladrões’. Esse é o simbolismo. É querer desmoralizar o movimento sindical. Nada é feito de graça”, critica Gomes.

O dirigente destaca ainda que a transferência da Coordenação-Geral deve ser interpretada dentro de um contexto mais amplo de medidas que vêm sendo tomadas. O fim do MTE, ressalta, seria um forte sinal do desmonte do sistema de amparo ao trabalhador, que vem sofrendo ataques desde 2016, no cenário pós-golpe. “A partir do momento em que se faz o que foi feito, nós estamos enfraquecendo ainda mais a questão do movimento sindical. Então, pra nós, a questão central é o fim do Ministério do Trabalho”, complementa.

Julgamento de conflitos

Em relação aos impactos no mundo sindical, a “reforma” também enterrou a contribuição sindical obrigatória, enfraquecendo as entidades de classe. Já na reforma administrativa do governo Bolsonaro, houve ainda outras modificações no campo das questões trabalhistas: o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) passaram a ser competência do recém-criado Ministério da Economia.

A pasta é comandada pelo economista neoliberal Paulo Guedes, que, assim como Bolsonaro, tem defendido uma flexibilização ainda maior dos direitos trabalhistas. “A distribuição das funções do MTE representa um desrespeito às próprias funções do Ministério. Mostra que o novo governo passa um sinal de desconhecimento e até mesmo de desprezo sobre o tema das relações de trabalho”, avalia o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, também em decalaração à Rede Brasil Atual.

O ex-vice-presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT) e ex-secretário de Trabalho do governo Dilma Rousseff (PT), José Lopes Feijó, destaca que as tentativas de enfraquecimento dos sindicatos se relacionam com outras medidas que podem ser implementadas na gestão Bolsonaro.

Ele lembra, por exemplo, que o novo presidente tem defendido o fim da Justiça do Trabalho, responsável pelo julgamento de conflitos entre patrões e empregados à luz da legislação trabalhista. “Trata-se de uma política deliberada, clara, de desmonte de qualquer possibilidade de os trabalhadores terem direitos e de qualquer possibilidade de eles terem instituições de defesa desses direitos. A última parte do ataque é ao movimento sindical. E como se faz isso? Com a construção de um Estado policial supervisionado pelo ministro da Justiça, que terá em suas mãos a questão do registro sindical. Vamos assistir a um processo de perseguição aos sindicatos”, projeta.

Com informações da Folha de Pernambuco, do IG e da Rede Brasil Atual