ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Falta de moradias chega a 7,7 milhões no país; São Paulo lidera com o maior déficit absoluto

Por JOANNE MOTA 
Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta (3), revela que o Brasil tem um déficit habitacional de 7,757 milhões de moradias. O dado é de 2015, o mais recente, e tem como base a Pesquisa Nacional Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.
O estudo revela que a maior parte do déficit habitacional é provocado por famílias com um grande comprometimento da renda com o pagamento de aluguel (3,27 milhões) e pela coabitação - famílias dividindo o mesmo teto (3,22 milhões).
Estados
Os dados apontam que São Paulo possui o maior déficit absoluto, de 1,61 milhão de moradias. O Maranhão tem o maior déficit relativo - falta moradia para 23,1% das famílias.
No corte por regiões, o Sul lidera o aumento do déficit habitacional entre 2009 e 2015: 18%. Em seguida vem Sudeste, com 12%, e Centro-Oeste, com 8,1%. Norte (-2%) e Nordeste (-2,6%) registraram queda.
Baixa renda
A pesquisa indica que as famílias de baixa renda - 91% estão no estrato até três salários mínimos - são as mais afetadas com a falta de habitação.  
Portal CTB - Com informações do Valor Econômico

Ataque ao BNDES atinge infraestrutura e ameaça economia

 

A estratégia do governo de reduzir o papel do BNDES pode dificultar ainda mais a superação de um entrave ao desenvolvimento brasileiro, a falta de investimento em infraestrutura. Com o banco público encolhido, a gestão atual aposta tudo no mercado. Mas as instituições privadas irão financiar a construção de rodovias, hidroelétricas, aeroportos, portos, ferrovias e metrôs? Representantes da Associação de Funcionários do BNDES, a AFBNDES, são pessimistas quanto ao assunto.

Por Joana Rozowykwiat

“O setor privado não tem apetite para financiar infraestrutura. E isso não é uma jabuticaba, que só tem no Brasil. No mundo todo é assim”, aponta Thiago Mitidieri, presidente da entidade. O problema é que projetos de infraestrutura, em geral, envolvem riscos, prazos de maturação demorados e retornos nem sempre elevados. Quem quer lucro rápido e certo prefere não se arriscar.

Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), o déficit brasileiro no setor de infraestrutura, em 2016, correspondia a R$ 3 trilhões. Seriam necessários investimentos de cerca de 5% do PIB ao ano, por 10 anos, para recuperar o atraso. 

A gestão Michel Temer, contudo, age na direção oposta e, em 2017, o Brasil registrou a pior taxa de investimento em infraestrutura na história. Apenas 87 bilhões de reais, ou 1,4% do PIB foram destinados ao setor no ano, valor insuficiente até para repor a depreciação do que já existe.

O ataque ao BNDES, denunciado pela AFBNDES, ajuda a piorar a situação. No ano passado, o governo aprovou no Congresso uma mudança na taxa de juros aplicada pelo banco para investimentos de longo prazo. Saiu de cena a TJLP, que era fixada a cada trimestre pelo Conselho Monetário Nacional, e passou a vigorar a TLP, calculada mensalmente conforme a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais os rendimentos da NTN-B, título do Tesouro Nacional atrelado ao IPCA. 

O objetivo é que a TLP "se aproxime dos juros praticados no mercado financeiro, resultando em pagamento de menos subsídios por parte do governo federal". Em outras palavras, juros mais caros e voláteis, que tornam nada atrativos os financiamentos do banco. Trata-se, portanto, de  mais uma menida no sentido de enfraquecer a capacidade do BNDES de financiar o desenvolvimento econômico e social.

A importância do banco de desenvolvimento

Mesmo em países com mercado de capitais privado de longo prazo mais desenvolvido e taxas de juros reduzidas e estáveis, o mercado não costuma investir em infraestrutura. Em visita ao Portal Vermelho, Mitidieri citou um estudo do economista Felipe Rezende, que mostra a importância setor público nessa área. 

De acordo com ele, o trabalho indica que os países em que os projetos nessa área mais avançam são aqueles em que há bancos de desenvolvimentos e o Estado atuando nesse sentido. “A conclusão do estudo é que é preciso fortalecer os bancos de desenvolvimento. Então imaginar que o mercado, no Brasil, com todos os problemas que a gente tem, vá agora num passe de mágica ter apetite para financiar infraestrutura, acho que é algo com baixa chances de acontecer”, disse. 

Obras de infraestrutura necessitam de muito capital, demoram décadas para que se obtenha o retorno do que foi investido. “E a questão nem é falta de recursos no mundo. O estudo mostra um valor imenso - se não me engano, US$ 1 trilhão de dólares - que está aplicado em títulos públicos, que rendem uma taxa de juros negativa. Mas o cara prefere ficar num papel seguro, mesmo que o retorno seja negativo, porque não tem risco”, exemplificou.

Subsídios são necessários

Até 2017, 80% dos volumes financiados em infraestrutura no país eram do BNDES. Uma matéria do Valor Econômico, publicada no início de março deste ano, confirma que muito pouco é feito pelo mercado de capitais, mesmo com a redução do tamanho do banco de desenvolvimento. 

Mitidieri destacou que, embora haja na atualidade uma verdadeira campanha contra os subsídios concedidos pelo BNDES, soluções privadas também recebem incentivos. “Dizem que se vai no BNDES, tem subsídio; se vai no mercado, não tem subsídio. Mas isso é mentira”, afirmou. 

Criadas em 2011, as debêntures incentivadas para financiar infraestrutura são papéis de dívida privada, com incentivo tributário - um instrumento de captação de recursos para projetos considerados prioritários pelo governo. “Isso é um tipo de subsídio. Para financiar infraestrutura, precisa de subsídio”, completou o presidente da AFBNDES.

Nem tudo é rentável

Mitidieri defendeu ainda que as boas condições existentes hoje - com taxa de juros em patamares menos exorbitantes e inflação baixa -, que podem animar o setor privado a investir em infraestrutura, são conjunturais. 

“Ninguém tem bola de cristal, mas temos uma história de anos de inflação e juros altos. Será que esse cenário atual vai continuar nos próximos anos? Será que o Brasil pode contar então com o mercado de capitais para apoiar esses investimentos em infraestrutura? Acho complicado”.

Outro aspecto que ele mencionou é que nem todo investimento em infraestrutura é rentável. “Em geral, esses investimentos que têm gente interessada é porque têm uma rentabilidade boa, em geral estão em São Paulo, Minas, Rio. E o resto da infraestrutura no resto do país? Como vai ser financiada?”, questionou.

Vice-presidente da AFBNDES, Arthur Koblitz alertou que é preciso observar qual será o preço a pagar por deixar o financiamento da infraestrutura aos cuidados do setor privado. A modicidade tarifária, por exemplo, não pode ser desconsiderada, mencionou. Ou seja, as tarifas dos serviços públicos precisam ser acessíveis para todos os cidadãos. 

“Porque eles dizem ‘tá bom, financio a estrada com capital privado, mas desde que ponha um pedágio com o preço na lua’, que é para dar a rentabilidade para ele. Interessa isso? Vamos saber no futuro qual o custo para as pessoas que vão usar esses serviços”, ponderou.

Fragilizando o país

Koblitz avaliou que ainda é cedo para falar do interesse do mercado financeiro brasileiro em financiar toda a infraestrutura que o país precisa. Ele previu que os empresários podem ser estimulados a tomar empréstimos no exterior, em dólar, o que os deixará vulneráveis a crises cambiais.

“Sou cético sobre esse apetite interno. Acho mais provável que haja um incentivo muito grande para esses caras pegarem incentivos fora do Brasil, numa atitude muito irresponsável. Porque se o setor privado pegar isso emprestado hoje, sem nenhum tipo de proteção, amanhã tem uma mudança drástica na taxa de câmbio e isso quebra os setores privados. E, se quiser dar proteção ao setor privado, quem vai ficar com o problema na mão é o setor público – o BNDES e o Tesouro”, afirmou.

Segundo ele, caso esse cenário se concretize, pode gerar problemas para o país no futuro. “Veja o que estamos fazendo. Tínhamos o dinheiro mobilizado em reais, no BNDES, que nos tornaria completamente protegidos desse tipo de coisa. Estão tirando esse dinheiro e induzindo as pessoas a pegarem dinheiro lá fora. Se você for fazer seriamente obras de infraestrutura, isso vai levar muito dinheiro. Então, macroeconomicamente, isso é fragilizar o país”, denunciou.

Koblitz disse que, para entender os riscos, basta olhar a história do Brasil, que já vivenciou algo semelhante no passado. “O BNDES foi o banco da privatização. Por quê? Virou nos anos 1980 dono de uma série de empresas que não fazia sentido ter sob o controle dele, exatamente porque essas empresas quebraram com a crise da dívida, por conta de mudanças cambiais. O BNDES em algum momento começou a vender essas empresas, ganhou uma expertise e depois Fernando Henrique deu nas mãos do banco a venda das grandes estatais. Então nós já passamos por isso. Vamos mergulhar nisso de novo?”, indagou.

Deus mercado

O vice-presidente da associação acusou o governo de levar adiante várias medidas que só são vistas em países que estão sob forte pressão de credores internacionais. “A Grécia, por exemplo, está sob ameaça direta, tem organismos chantageando. Aqui, hoje, temos nossos próprios repressores internos, que nem precisam de pressão para implementar essa agenda. Em alguns casos, a gente vê que a turma que controla aqui é até mais radical que organismos internacionais”, criticou.

De acordo com ele, o próprio Fundo Monetário já divulgou relatório preocupado com o endividamento excessivo em moeda externa. “Mas esses caras ignoram isso. É tudo o mercado, a livre transferência de capital. ‘Se tem capital barato lá fora, porque não trazer?’, é assim que eles pensam. Acho que eles estão apostando mais em liberar para pegarem dinheiro lá fora. Não vejo o mercado brasileiro, nem financeiro, com esse apetite de sair das aplicações que ainda são generosas, de curto prazo, para pegar títulos de longo prazo. Ainda se ganha muito com investimento de curto prazo”, colocou. 

 Do Portal Vermelho

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Judiciário não vai recuar da posição golpista sem pressão da sociedade

Marcelo da Costa Pinto Neves é jurista e professor da UnB
Agência Brasil
A atuação do juiz Sérgio Moro e da maioria do Judiciário brasileiro foi classificada na segunda-feira (30), em Curitiba, como parcial, golpista e político-partidária pelo jurista Marcelo da Costa Pinto Neves, Professor Titular de Direito Público da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília. 

Por Marco Weissheimer. no Sul 21



Ele participou de um ato de juristas pela democracia, na vigília Lula Livre, realizada diariamente nas imediações do prédio da Polícia Federal onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso. Na avaliação do professor da UnB, os processos contra Lula estão viciados pela postura parcial de Moro e deveriam ser anulados.

Em sua intervenção e em conversa com jornalistas, Marcelo Neves chamou a atenção para a destruição que o processo golpista está provocando no país, criticou o papel desempenhado pela mídia e desafiou os conglomerados de mídia a importarem para o Brasil os padrões de regulação que existem em países como a Alemanha e os Estados Unidos apontados por eles como modelos de modernidade. A seguir, um resumo da avaliação feita por Marcelo Neves sobre a situação política brasileira e sobre a responsabilidade do Judiciário e da mídia na constituição de um cenário de degradação constitucional no país.

Postura de Moro deveria levar à nulidade dos processos contra Lula

“As elites brasileiras tiveram dificuldade em aceitar a derrota em 2014 e não consideraram viável governar no espaço democrático. Diante dessa incapacidade de aceitar a vitória de um grupo adversário, essa elite organizou um golpe parlamentar, midiático e judicial, levando o país a uma grande crise. Essa crise atual é fruto do absurdo que se praticou na dimensão política e jurídica, com o impeachment de Dilma Rousseff e os processos contra Lula. Esses processos estão viciados por vários motivos. O juiz Moro é parcial do ponto de vista jurídico. Ele se manifestou sobre o processo antes de julgar, participou de filmes em que se comemorava a condenação de Lula. A situação, neste caso, deveria levar à nulidade do processo. Mas o Tribunal Federal da 4a. Região não tomou essa medida, considerando-o, ao menos, suspeito. Moro retomou pra si todos os casos mesmo quando não tinha competência para julgar”.

“Por um lado, o Judiciário se tornou político-partidário. Por outro, os políticos engendraram um Congresso fragilizado, que não tem força para enfrentar nem o Executivo nem o Judiciário. O Congresso brasileiro, hoje, tem medo do Judiciário. Muitos estão nas mãos de ministros do Supremo e estão subordinados ao jogo do poder do Executivo, que às vezes tem comprado votações do Congresso. Nós temos que superar esse momento o mais rápido possível. O país está se acabando na educação, na saúde, na dimensão dos investimentos e da economia. A privatização que está sendo feita é irresponsável, sem nenhuma racionalidade estratégica. Estão destruindo as empresas estratégicas brasileiras”.

“O perigo é que a coisa desemboque para um modelo autoritário”

“A sociedade civil tem que aumentar a pressão sobre esse processo golpista. O discurso oficial já está mais frágil do que há um tempo. A imprensa internacional já está claramente favorável a Lula. Com o aumento dessa pressão pode ser que, em um determinado momento, eles precisem recuar, pelo menos soltando Lula. Dentro do Judiciário há grupos minoritários que estão se opondo a esse estado de coisas. Penso que o Judiciário não vai recuar nessa sua orientação parcial, golpista e político-partidária se não houver pressão da sociedade. Atualmente, o Judiciário é um agente político e, como tal, pode recuar em determinado momento, quando se sentir sob pressão. O perigo é que a coisa desemboque para um modelo autoritário com uma intervenção dos militares”.

Por que não importam os modelos de mídia que existem na Alemanha e nos EUA?

“A democratização dos meios de comunicação é outra tarefa fundamental. A nossa mídia é oligopólica. Quando Franklin Martins tentou aprovar uma regulamentação da mídia, disseram que era bolivarianismo. Não tem nada de bolivarianismo. Há controle de mídia na Alemanha, para citar um exemplo. Se uma TV aumentar muito a audiência, ela tem que se submeter a regras de direito público válidas para as emissoras públicas. No Tagesschau, que corresponde ano nosso Jornal Nacional, se Schroder, que era candidato contra Merkel, falasse um determinado tempo, ela deveria ter o mesmo tempo para falar, caso contrário o Estado intervinha”.

“Nos Estados Unidos, não há esse controle público, mas existe o controle pela concorrência. Quem tem uma televisão, não pode se expandir muito em outras áreas. Ela até pode ter posição política, mas tem que ter uma audiência limitada. É um sistema similar ao que temos com o CADE na economia brasileira. Não pode ter um grupo muito poderoso para garantir a pluralidade da opinião pública. Mas ninguém diz que os americanos são bolivarianos. Por que não importam o modelo americano para o Brasil? Por que não importam o modelo da Alemanha? Eles não representam a modernidade? Se a gente é tão inferior por que não importam esses modelos? É fundamental para a democracia que a imprensa não seja oligopólica”. 


Fonte: Sul21

Manuela D'Ávila em Curitiba: "Viva o povo que resistirá!"

“Neste 1º de maio somos as vozes de todas as centrais sindicais para dizer que a nossa luta em defesa da liberdade do ex-presidente Lula é a luta em defesa do desenvolvimento do Brasil”, enfatizou a pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila em saudação às milhares de pessoas que participavam do ato unificado das sete maiores centrais sindicais do Brasil (CTB, CUT, Força Sindical, NCST, UGT, CSB e Intersindical), neste 1º de Maio da Resistência, em Curitiba.


Para Manuela, Curitiba tem se feito a capital da resistência das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros neste último período. “Em uma noite aqui em Curitiba denunciávamos juntos e unidos que não aceitaríamos que as balas tentassem calar as nossas ideias. Foi esta cidade de Curitiba que há dois dias viu o acampamento Marisa Letícia ser alvejados pelas balas dos fascistas que tentam calar a nossa resistência e as nossas vozes”.

“Curitiba é hoje o ciclo da nossa unidade e da nossa resistência porque aqui está preso o maior líder popular do Brasil e porque aqui está preso o primeiro presidente operário da história desse gigante país”, salientou Manuela.
“Todos nós somos as vozes de Lula Livre”Foto: Francisco Proner Ramos

A pré-candidata comunista afirmou que este 1º de maio passa pelo sonho de um Brasil justo, mas "o país justo não existirá enquanto qualquer um de nós estiver preso na solitária injustamente ou proibido de falar, afirmou.

“Todos nós somos a voz do desenvolvimento, da valorização do trabalho, da dignidade, das mulheres e de Lula Livre”.

“Viva o povo que resistirá”

Na visão de Manuela, este 1º de maio é o mais difícil dos últimos tempos no Brasil, porque enfrenta grandes retrocessos aos trabalhadores e ataques à democracia brasileira. “Viva o povo que resistirá. Viva a luta das mulheres e dos homens brasileiros”, afirmou a pré-candidata do PCdoB.

Representando o PCdoB no ato, participaram ainda a senadora Vanessa Grazziotin (AM) e a deputada federal Jandira Feghali (RJ). A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman e o senador Lindbergh Farias (RJ) também participaram do ato das centrais (foto principal). 

Mais cedo, Manuela D'Ávila participou dos atos das centrais na capital paulista. Ela voltou a criticar o governo ilegítimo de Temer e sua agenda ultraliberal que apresentou a proposta de lei aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2016, também conhecida como “Teto dos Gastos” que congela por vinte anos as despesas primárias, como nas áreas da Saúde e da Educação. “Quando existe um trabalhador que não tem teto e ocupa um lugar desfavorável é culpa de quem? Do estado, daqueles que aprovaram a emenda constitucional 95, daqueles que dizem que o Brasil já investe o suficiente em políticas sociais”.


A pré-candidata lembrou das medidas de destruição do Estado que reflete na classe trabalhadora. “Se há uma brasileira ou um brasileira sem teto. Se existem quase 2 milhões de família que passaram a cozinhar com lenha, porque não conseguem pagar o gás, se aqui em São Paulo existem 700 mil pessoas que vivem com menos de R$ 180,00 é porque nós vivemos no país que sofreu um golpe, que destruiu a CLT e que mantém Lula preso”, disse, sendo bastante aplaudida.

Para mudar este cenário, Manuela propõe que é preciso construir alternativas para que o Brasil possa se desenvolver, mas com valorização do povo. “Essas alternativas passam pela revogação da reforma trabalhista, pela nossa luta para impedir a reforma da previdência, pela nossa luta para que a política de aumento do salário mínimo seja atualizada. Mas passam também por nós sabermos que a mais alta voz nossa está hoje preso em Curitiba. É por isso que precisamos gritar Lula Livre, viva a resistência das trabalhadoras e trabalhadores”, conclamou.

Do Portal PCdoB

domingo, 29 de abril de 2018

EDUARDO VASCONCELOS PARTICIPOU DESTE FINAL DE PROGRAMAS DAS RÁDIO CURIMATAÚ E AGRESTE FM, CONFIRAM/1


 Eduardo Vasconcelos (esquerda) participando do Programa NAÇÃO NOVA CRUZ
Ontem (28) ao meio dia o presidente do Centro Potiguar de Cultura, EDUARDO VASCONCELOS participou ao vivo do Programa A VOZ DO TRABALHADOR - FM 103.5 que vai ao ar todos os sábados, ás 11 horas pelas ondas da Rádio Curimataú FM - 103.5 e em seguida no Programa NAÇÃO NOVA CRUZ (12h) na Rádio Agreste FM - 107.5.

Eduardo Vasconcelos falou da realização do V ENCONTRO DE LIDERANÇAS CULTURAIS, que ocorreu na última sexta-feira (27) em Parelhas, região do seridó, falou também da recente criação da Frente Popular da Região do Agreste Potiguar, criada recentemente, inclusive em primeira mão divulgou a grande mobilização que ocorrerá na próxima segunda-feira (30), onde várias trabalhadores/as, estudantes e a sociedade como um todo virão de várias cidades do Agreste Potiguar para participarem do ato público em DEFESA DO BRASIL e da GARANTIA DE DIREITOS! Que contará com as presenças da Senador, FÁTIMA BEZERRA e do Deputado Estadual FERNANDO MINEIRO, além de várias lideranças sindicais, falou também da CAVALGADA DO TRABALHADOR, que ocorrerá dia 06 de maio em Nova Cruz, promovido pelo STRAF/STTR de Nova Cruz, e por último Eduardo Vasconcelos também da luta do SOS PIQUIRI e EMAÚ, como o próximo evento do CPC/RN, que é o ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS, que ocorrerá dia 25 de maio no IFRN de Nova Cruz.

No final Eduardo Vasconcelos conclamou a todos para estarem neste grande ato da próxima segunda-feria com concentração, as 7:30 na PRAÇA DE EVENTOS - Nova Cruz!

sábado, 28 de abril de 2018

ONTEM (27) O CPC/RN REALIZOU ENCONTRO COM LIDERANÇAS CULTURAIS NA CIDADE DE PARELHAS, CONFIRAM!

 No final do debate lideranças culturais receberam certificados de participação
 Professora de História de Jardim do Seridó fazendo suas intervenções no debate 
Apresentação do grupo de dança da cidade de Campo redondo
Foto 1: Prefeito de Parelhas, ALEXANDRE PETRONILO dando boas vindas aos participantes e agradecendo o convite. Foto 2: Sindicalista José CLAUDIO dando sua contribuição ao debate
 Foto: 1 - Secretário Adjunto de Cultura da cidade de Campo Redondo, EDUARDO contribuindo para o enriquecimento do debate Foto: Grupo de dança de Campo Redondo
Foto 1: Eduardo Vasconcelos - CPC/RN ao lado da representante da UEE/RN e DCE - Campus de Caicó, MAYARA DANTAS

Ontem (27) no Auditório do IFRN, Campus de Parelhas, Região do Seridó Potiguar o CPC/RN (Centro Potiguar de Cultura) realizou seu V Encontro de Lideranças Culturais, onde foram discutidos vários temas, principalmente a organização de projetos, legalidade das instituições culturais (grupos de danças, capoeira, quadrilha junina, etc), como também caminhos e dificuldades para realizações de evento e por último soluções para identificação de novos talentos. Após horam de debate foi aprovado por unanimidade a CARTA DE PRINCÍPIO DO CPC/RN, que segue abaixo:

CARTA DE PRINCÍPIOS DO CPC/RN

01-) O CPC/RN é uma entidade cultural livre, sem fins lucrativos, autônoma e independente, subordinada unicamente ao conjunto da sociedade cultural NORTERIOGRANDENSE filiada a mesma;
02-) O CPC/RN é uma entidade, que buscará sempre resgatar a cultura brasileira e em especial a potiguar;
03-) O CPC/RN deve pugna (esforçar-se– insistir) em defesa  do interesse da cultura, sem qualquer distinção de raça. cor, nacionalidade, sexo  ou convicção política, religiosa ou social;
04-) O CPC/RN deve prestar solidariedade á luta de todos aqueles que lutam prol da cultura brasileira  e do mundo, entre eles os Movimentos Sindicais, Sociais e Estudantis;
05-) O CPC/RN deve incentivar e preservar a cultura popular local, estadual e nacional;
06-) O CPC/RN deve lutar pelo ensino religioso, suas crenças, e a culturas voltadas para os interesses da população brasileira;
07-) O CPC/RN deve lutar contra todas as formas de opressão , preconceito, discriminação,  exploração e prestar  irrestrita solidariedade a luta  dos trabalhadores/as de todo o mundo;

08-) O CPC/RN elaborará projetos, visando promover festivais, cursos, seminários, encontros, congressos, entre outros, com objetivos de identificar novos talentos da terra potiguar e o de informar aos.
 participantes da necessidade da luta pela cultura, como também fortalecer a luta da instituição;
09-) O CPC/RN lutará por pelas criações de Secretarias Municipais de Culturas, como também lutara por uma cadeira nos Conselhos Municipais de Cultura, Estadual e Nacional e;
JACARÉ PARADO VIRA BOLSA DE MADAME!
10-) O CPC/RN será o Patrono ZUMBI DOS PALMARES e o dia 20 de novembro como DIA ESTADUAL DE LUTA em da DEFESA E RESGATE DA CULTURA DO RIO GRANDE DO NORTE.
Aprovado no Encontro de Lideranças Culturais do CPC/RN, em Parelhas (RN), dia 27 de abril de 2018.
Participaram do evento as cidades de Parelhas, Nova Cruz, Campo Redondo, Jardim do Seridó, Caicó e Passa e Fica.
Agradecimentos aos sindicatos, secretarias, prefeituras e a população em geral que de forma direta ou indireta contribuíram para o êxito do evento.
Vem o ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS - DIA 25 DE MAIO NO IFRN DE NOVA CRUZ/RN.

domingo, 22 de abril de 2018

Do fantástico à rotina, literatura como rota de fuga na América Latina


O leitor que cair nos labirintos de Borges, ou na amarelinha de Cortázar, se encantar com os fascínios de Macondo, ou se jogar nas investigações frenéticas do Bolaño, está fadado a um caminho sem volta. Ficção e realidade se confundem de tal forma neste continente, que décadas atrás Gabo se obrigou a admitir: segundo ele, faltam recursos narrativos para dar conta do nosso cotidiano absurdo. Por isso, tudo que resta é literatura. 

Por Mariana Serafini


Por sorte - dos leitores, obviamente - os escritores insistem nesta batalha inglória. A cada nova geração, chega às livrarias uma vasta produção literária potente, capaz de atender aos mais exigentes, acostumados às tramas narrativas dos mestres latino-americanos. 

Na tentativa de fazer ecoar esta produção, há dez anos o Hay Festival lança uma lista com 39 escritores com menos de 40 anos. Eles estão em plena produção, são destaques em seus países e têm muito a oferecer aos mais variados leitores. A literatura latino-americana é marcada pelas tramas policiais, o realismo mágico e os jogos psicológicos. Esta nova leva não foge à regra, mas traz algo novo, intrinsecamente ligado a este tempo.


Lina Meruane por Olavo Costa

 

Segundo os curadores do Hay Festival, a literatura contemporânea da América Latina consiste em uma narrativa limpa, urbana, cosmopolita, muito voltada para o indivíduo e talvez não tão engajada em questões sociais. Certamente, todas estas características estão presentes, mas cada novo escritor tem uma particularidade que coloca em xeque esta regra e mostra que na complexidade de seus personagens, habitam muitos mais elementos do que uma banca julgadora pode destacar.

Por mais individuais que sejam os dramas dos personagens do chileno Alejandro Zambra, a sombra da ditadura permeia a obra do autor que teve a infância marcada pelo horror do regime de Augusto Pinochet. Ainda no Chile, Lina Meruane choca na primeira página, ao cegar sua protagonista com sangue no olho, literalmente. A partir daí, o leitor se vê num jogo de texturas narrado pela personagem que acabou de ficar cega e precisa se mover ao longo do romance tateando cada superfície. 


É impossível ler Zambra ou Meruane e não pensar no também chileno – que viveu no México – Roberto Bolaño, e tudo que sua narrativa mordaz deixou a esta geração seguinte. Neste ponto da trama, entra o mexicano Juan Pablo Villalobos, com sua Trilogia do México – “Festa no Covil”, “E se vivêssemos num lugar normal”, “Te vendo um cachorro” – que depois de se embebedar nos “Detetives Selvagens” trouxe algo novo, cheio de ironia e humor ácido, para fazer uma crítica à vida e à produção cultural latina e compor o quadro das produções recentes. 

Neste jogo de vai-e-vem de gerações, podemos fazer incontáveis links, como se, sem perceber, estivéssemos pulando num tabuleiro de amarelinha – rayuela para os mais ortodoxos. E por falar nos argentinos, em meio à literatura “seca” das novas gerações, surge Samantha Schweblin sem dever nada aos jogos psicológicos de Cortázar. 

No Brasil, temos Daniel Galera que depois de se consagrar com Barba Ensopada de Sangue, gastou saliva argumentando que sua literatura não é realismo mágico, e não é mesmo. Mas foi inútil quando as editoras europeias chegaram à conclusão de que venderiam mais se o conectassem ao estilo de Gabriel Garcia Márquez. 

E se pensarmos que, para além do conteúdo, a forma também é uma maneira poderosa de se expressar, Diamela Eltit perturba ao prender seus dois personagens de “Jamais o Fogo Nunca” num quarto à Beckett e deixá-los lá temerosos pelo que as ruas de Santiago (do Chile) reservam a eles depois da ditadura de Pinochet. Mais que um manifesto político, é um manifesto da forma. A obra lançada nos anos 90 foi trazida ao Brasil só agora, pelo autor de “A Resistência”, Julián Fuks. Mais um encontro de gerações memorável.

Paulina Flores por Olavo Costa 

 

Nem política, nem forma, o que faz da jovem (muito jovem) chilena Paulina Flores um dos grandes nomes desta geração é a capacidade narrativa de detalhes, memórias, sensações. De dentro de uma banheira, durante um banho morno e longo, uma de suas protagonistas pensa nas relações familiares, amizades, caminhos que a levaram até a tal banheira da casa da mãe depois de um casamento fracassado. O livro de estreia desta escritora de apenas 20 e poucos anos, “Que Verguenza”, é uma perolazinha que merece atenção. 

Especial de literatura latino-americana no Vermelho

Diante de um cenário com tanta história contada para ser lida, percebemos que sabemos pouco – quase nada – sobre a literatura dos nossos vizinhos e por isso, decidimos produzir um caderno especial sobre literatura latino-americana. A princípio, pensamos em destacar apenas os contemporâneos. E nos deparamos com um desafio bastante concreto: a maior parte das obras são traduzidas primeiro para inglês, ou francês, antes de chegar ao português. Mas ainda assim, o projeto ganhou vida própria e percebemos que seria impossível falar dos poucos jovens que atravessam a barreira do idioma sem reverenciar os mestres. Assim, este caderno se dedica a mostrar o que há de novo sem abrir mão do que já foi feito. 

Os colaboradores, as jornalistas do Portal Vermelho e os ilustradores da Quanta Academia de Arte que trabalharam nesta edição não se reuniram todos, ao mesmo tempo, para debater a pauta nenhuma vez. Ainda assim, quando começaram a chegar os textos, percebemos que eles, de uma forma ou outra, se relacionam. O leitor pode escolher começar a leitura pelo excelente artigo da mestranda em Teoria Literária Juliana Cunha sobre Jorge Luís Borges e, inevitavelmente cair na resenha sobre Samanta Schweblin. Ou fazer o contrário e começar pela análise da obra de Alejandro Zambra, da jornalista Verônica Lugarini, sem saber que seu destino, por fim, será o Roberto Bolaño, revisitado aqui pelo doutor em América Latina, Alexandre Ganan De Brites Figueiredo. Talvez porque a literatura latino-americana seja uma grande trama que, hora ou outra, se encontra para não deixar mais rotas de fuga. 

Se o leitor estiver disposto a percorrer uma linha do tempo, ele pode começar pela “anti-resenha” do escritor Luiz Henrique Dias sobre Júlio Cortázar, e inevitavelmente vai cair em Ricardo Píglia, que gastou páginas e páginas de seus cadernos para analisar a obra de seus contemporâneos e chega aqui, nesta edição, sob o olhar do escritor Luís Fernando Pereira. 

De uma ponta a outra, passamos pelo Brasil em uma entrevista com o escritor Luís Felipe Leprevost, que acaba de lançar seu “Tudo Urge no Meu Estar Tranquilo” e fala sobre a necessidade de nos aproximarmos de nossos vizinhos. Ainda em terras tupiniquins, nos deparamos com a resenha da jornalista Alessandra Monterastelli sobre o “Amora”, de Natalia Polesso. Se seguimos mapa acima, passamos pela Colômbia, onde o jornalista José Carlos Ruy bate à porta de Macondo para resgatar a obra de Gabriel García Márquez e paramos em Cuba, para a Verônica nos apresentar as ferramentas de escrita utilizadas por Leonardo Padura

Este caderno é uma pequena tentativa de apresentar aos amantes da literatura o que tem sido produzido pelos jovens escritores e de que forma estas novas produções estão ligadas aos nossos clássicos. Todos os artigos, resenhas, e críticas foram lindamente ilustrados por Helena Enne, Olavo Costa e Tainan Rocha. Eles mergulharam nesta volta ao continente em textos e deram conta de aguçar nosso paladar com desenhos. Tirando estas análises e declarações de amor aos nossos escritores preferidos, todo o resto é literatura.

Fonte: vermelho.org.br