ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Temer vai à TV para convencer população da reforma da Previdência

 
Reprodução da Internet

Não só de emendas a reforma da Previdência passará no Congresso, os parlamentares da base do governo temem não se reeleger se colaborarem na aprovação das mudanças no INSS. Portanto, além de calcular R$ 30 bilhões que serão liberados em emendas parlamentares para convencer os políticos da base a votar em favor da reforma, Temer saiu em campo para dar entrevistas de televisão e rádio voltados ao público das classes C, D e E para defender as mudanças na Previdência. 

Segundo apuração dos jornais Valor e Folha, o presidente já gravou duas entrevistas no SBT - uma para o dono da emissora, Silvio Santos, e outra no Programa do Ratinho - além de entrevista ao apresentador Amaury Júnior, que estreará na TV Bandeirantes. Ele também agendou outra entrada no rádio para José Paulo de Andrade e Salomão Esper na BandNews FM.

O governo precisa de 308 votos na Câmara dos Deputados para aprovar a reforma na casa, mas admite que tem menos do que isso, cerca de 250 votos. 

A estratégia de Temer é a mesma de outros políticos na história recente, funcionando muito bem para um deles. Em 1990, a então ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello, de Fernando Collor, participou do "Show de Calouros", apresentado por Silvo Santos para justificar as políticas contra a inflação. Já em 1994, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, foi ao programa "Topa Tudo por Dinheiro" , também liderado por Sílvio Santos para explicar o URV (Unidade Real de Valor), aplicado antes do lançamento do Real. 

Auxiliares de Temer disseram ao Valor que Sílvio Santos é "o maior comunicador do país" capaz como nenhum outro de influenciar a classe C. Já o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB) afirmou que o governo está tentando corrigir um erro de comunicação, porque deveria ter transmitido há muito tempo à população a tese de que a reforma resultará no fim de privilégios. "O governo perdeu a guerra de comunicação e está correndo atrás". 

Leia também: Novas regras eleitorais são centrais na estratégia de Temer

As entrevistas já gravadas de Temer com Amaury Jr, Sílvio Santos e Ratinho, vão ao ar nos final de janeiro, dias 27, 28 e 29, nessa ordem. 


 Fonte: GGN

Empresário que defende Estado mínimo recebe benesses estatais há anos

 
 


“É preciso tirar o Estado das costas da sociedade, do cidadão, dos empreendedores, que estão sufocados e não aguentam mais seu peso”, escreveu o empresário em sua carta. Nela, Rocha também critica a concessão de créditos subsidiados e o que chama de “intermediação nefasta da burocracia estatal”.

Apesar do discurso, entre 2009 e 2016, as lojas Riachuelo e a Guararapes Confecções, controladora da rede varejista presidida por Rocha, receberam financiamentos de cerca de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ou seja, os negócios privados do empresário há anos se beneficiam das baixas taxas de juros praticadas pelo banco público.

Curiosamente, esse tipo de financiamento também foi alvo de seus ataques: “A apropriação privada dos ganhos provenientes de empréstimos de pai para filho dos bancos públicos infelizmente comprou corações e mentes nos últimos anos”, declarou. 

De acordo com o site do BNDES, as Lojas Riachuelo S/A firmaram, por exemplo, seis contratos de operações diretas e indiretas não automáticas com o banco público, que totalizam financiamentos de cerca de R$ 1,27 bilhão. As verbas serviram para reforma e modernização de lojas, abertura de novas unidades, ampliação da frota de caminhões, implantação de um novo call center, realização de projeto social, expansão de unidades industriais e centros de distribuição.

Já a Guararapes Confecções se beneficiou de operações de crédito definidas em quatro contratos com o BNDES, que somam algo em torno de R$ 60 milhões. Os recursos foram utilizados para expansão de fábrica, implantação de nova unidade de produção, construção de galpão industrial, entre outros.

De acordo com a agência Saiba Mais, do Rio Grande do Norte, a Guararapes tem utilizado, desde a década de 1950, os benefícios da política de isenção fiscal deste Estado. “Somente nos últimos 10 anos, de 2007 a 2017, a empresa acumulou R$ 542.578.180,41 em isenção de ICMS, o equivalente a até 75% do imposto que deveria ser recolhido. A isenção se deve à inclusão da Guararapes no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proadi), que existe desde 1985, sempre com a participação do grupo Guararapes Confecções”, diz a reportagem.

É como bem disse a economista Tânia Bacelar, em uma entrevista recente: “O discurso das nossas elites é muito interessante. Todos são liberais, mas todos dependem do Estado”. No livre mercado de Rocha, o Estado só deve ser mínimo para o outro - no caso, o trabalhador. 



Do Portal Vermelho

Crescem manifestações a favor de Lula pelo mundo

Foto: Ricardo Stuckert
 
 


A iniciativa é dos coletivos participantes da Frente Internacional Brasileiros no Mundo contra o Golpe. 

20/01/18 – Frankfurt:*Die Vorverurteilung des Ex. Präsidenten Lula /Em defesa de Lula – 

20/01/18 – Zurique:*EM DEFESA DE LULA, PELA DEMOCRACIA. – 14:00 às 17:00, Hirschenplatz Zürich. Manifesto Brasil Social.

21/01/18 – New York: BRADO: Manifesto em defesa do Estado de Direito – https://www.facebook.com/events/164568204274526/

21/01/18 – Barcelona: Persecución a Lula: otro Golpe al Estado de Derecho – https://www.facebook.com/events/1654243547971159/

21/01/18 – Estocolmo: Ato Público em apoio à Lula e em defesa da Democracia. Mynttorget, Gamla Stan, das 14h às 16h. – https://www.facebook.com/events/535665463467253/

21/01/18 – Berlim: Ato Público em frente ao portão do Brandenburgo, das 13:30 às 14:30.

21/01/2018 Madrid: Acto Cultural en Defensa de la Democracia en Brasil. 19hs. Local: Maloka c/ Salitre, 36 – Lavapiés.

21/01/18 – Cidade do México: Acto en Defensa de la Democracia y Apoyo a Lula – México. https://www.facebook.com/events/328478360893064/

21/01/18 - Paris « Flashmob » em apoio à defesa mundial ao direito de Lula ser candidato no domingo 21/01 às 16h no Parvis des Droits de l’Homme.

23/01/18 – New York: Defend Democracy in Brazil: Ato Público na Union Square, Manhattan às 19h.

*24/01/18 – Munique:*Die Vorverurteilung des Ex. Präsidenten Lula /Em defesa de Lula – https://www.facebook.com/events/137090663630134/

24/01/18 – Colônia: Colônia por Lula e Pela Democracia Brasileira – https://www.facebook.com/events/189282245142831/

24/01/18 - Paris - Acontecerá às 19h na Bourse de Travail uma roda de Debate sobre o resultado do julgamento e qual estratégia para o prosseguimento da luta contra o golpe.


Do Portal Vermelho 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Esquerda deve se aproximar da nova classe trabalhadora, diz Chauí

É importante desconstruir as ideologias neoliberais baseadas na supervalorização do empreendedorismo como alternativa ao emprego
É importante desconstruir as ideologias neoliberais baseadas na supervalorização do empreendedorismo como alternativa ao emprego


“Não sabemos o que pensam as pessoas que estão voltando à condição de miséria. Em São Paulo, o grau de exclusão atingiu uma situação alucinante, com desempregados morando nas ruas com suas famílias, o que não se via nem durante a ditadura e nem no governo de Fernando Collor. Ao mesmo tempo, em um contexto neoliberal, surgem uma nova classe trabalhadora totalmente precarizada e mais miséria. Não temos a dimensão de seus valores e percepção política e eleitoral”, disse Chauí nesta sexta-feira (12), em entrevista aos blogueiros Wellington Calasans e Romulus Maya, do Duplo Expresso.

A filósofa considera essa distância da esquerda um “problema gravíssimo”. “Tenho estudado o assunto e não vejo as esquerdas pensando nisso”, disse, ressaltando considerar que a vitória de João Doria (PSDB), para prefeito de São Paulo, não é uma simples vitória da abstenção.

“Há o grande risco de envolvimento dessa nova classe trabalhadora no processo de despolitização, da crença de que a política é corrupta e que você precisa é de um gestor. A mídia vem construindo imagens para nomes com chances de vir a ser candidatos à Presidência da República. Lula é apresentado como messiânico, populista, salvador; Bolsonaro como o nome da segurança e da ordem, e Geraldo Alckmin como o grande gestor. Nenhuma dessas imagens é política”, disse.

Ela destacou que esse diálogo é importante para o debate sobre caminhos para a desconstrução de ideologias neoliberais baseadas na supervalorização do empreendedorismo como alternativa ao emprego, ao desmonte e privatização do estado com perda de direitos.


Fonte: RBA

Um em cada três brasileiros tem alguém na família que perdeu o emprego

Foram entrevistadas 2.810 pessoas das classes A, B e C de 11 capitais brasileiras e interior dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro
Foram entrevistadas 2.810 pessoas das classes A, B e C de 11 capitais brasileiras e interior dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro


Foram entrevistadas 2.810 pessoas das classes A, B e C de 11 capitais brasileiras e interior dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Desemprego

No final de 2017, o país encerrou o ano com 12.292 vagas a menos, aprofundando ainda mais a crise em todo o país. As infformações são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e foram divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Ministério do Trabalho.

Cresce a precarização

Os dados do Caged ainda apontaram que a modalidade "trabalho intermitente" (no qual o empregado não tem horário fixo e recebe apenas pelas horas trabalhadas) avançou. Foram criadas 3.067.

Na modalidade de trabalho parcial, foram criados 231 postos. Os números da categoria do teletrabalho, em que o empregado não precisa trabalhar na empresa, não foram divulgados.


Fonte: CTB, Joanne Mota

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Para feministas, texto de Catherine Deneuve banaliza violência sexual

JOEL SAGET AFP
A feminista Caroline de Haas, autora do artigo em resposta ao manifesto, em uma fotografia de 2016
A feminista Caroline de Haas, autora do artigo em resposta ao manifesto, em uma fotografia de 2016


Em um artigo em resposta ao manifesto, escrito pela feminista Caroline de Haas e publicado no site da emissora de rádio France Info, as ativistas lamentam que essas mulheres “usem de novo sua visibilidade midiática para banalizar a violência sexual” e as acusam de “menosprezar de fato os milhões de mulheres que sofrem ou sofreram esse tipo de violência”. Elas não são as únicas que se surpreenderam. Também as mulheres políticas manifestaram sua estupefação com o manifesto contra o suposto puritanismo. Da secretária de Estado pela Igualdade, Marlène Schiappa, e ex-ministras, como a socialista Segolène Royal, criticaram tanto a forma como o conteúdo de um discurso “perigoso”.

“O estupro é um crime. Mas a sedução insistente ou desajeitada não é crime, nem a galanteria é uma agressão machista”, afirmaram no manifesto personalidades como a atriz Catherine Deneuve, a escritora Catherine Millet, a cantora Ingrid Caven, a editora Joëlle Losfeld, a cineasta Brigitte Sy, a artista Gloria Friedmann ou a ilustradora Stéphanie Blake, entre outras.

“Com esse texto, tentam voltar a lançar o manto de chumbo que tínhamos começado a levantar”, criticou Haas nesta quarta-feira. Para as feministas, as signatárias do manifesto, algumas delas “reincidentes em matéria de defesa de pedófilos ou de apologia ao estupro” — diz em referência a Deneuve e sua defesa do diretor Roman Polanski —, “misturam deliberadamente um ato de sedução baseado no respeito e o prazer com um ato violento”. Tudo isso quando “não se trata de uma diferença de gradação entre o flerte e o assédio, mas de uma diferença de natureza. A violência não é uma sedução aumentada”, adverte.

Uma posição apoiada pela responsável do Governo de Emmanuel Macron pela igualdade entre o homem e a mulher. Para Schiappa, no manifesto existem afirmações “profundamente inquietantes”, disse em uma entrevista à rádio France Culture. “Nós já temos dificuldade em fazer as jovens entenderem que, quando um homem esfrega seu sexo nelas do metrô, é uma agressão. Penso que é perigoso manter esse discurso”, advertiu a secretária de Estado, que já havia sido questionada nas redes sociais pela atriz e diretora italiana Asia Argento, uma das primeiras a denunciar o produtor norte-americano Harvey Weinstein e que manifestou sua indignação em relação ao manifesto das intelectuais e artistas francesas.

Perguntada sobre se havia assinado esse manifesto, uma das antecessoras de Schiappa, a ex-ministra dos Direitos da Mulher Laurence Rossignol, não hesitou: “Claro que não”, afirmou à rádio France Inter. Para a atual senadora socialista, o manifesto é uma “bofetada nas mulheres que denunciam a predação sexual” e reflete uma “concepção tradicional da sexualidade” e da “ordem moral tradicional” em que o homem assume o papel de “conquistador” e a mulher o de “submissa”.

Rossignol também ficou surpresa que uma das vozes do manifesto seja a de uma “mulher corajosa” como Catherine Deneuve, signatária do famoso Manifesto das 343, escrito em 1971 por Simone de Beauvoir a favor da legalização do aborto, lembrou. Um detalhe que também desgostou a ex-candidata presidencial socialista Ségolène Royal, que considerou “uma pena que uma grande dama como Deneuve tenha assinado esse manifesto” que “permite que os agressores justifiquem seus atos. Não é justo fazer algo assim”, disse à rede RTL. 



Por Silvia Ayuso no El País

A economia brasileira em 2018: agora vai?

 

O crescimento projetado para o PIB em 2017, mesmo que de apenas 1%, tem sido largamente comemorado por analistas consultados pelos meios de comunicação e saudado como indicativo do início da tão aguardada recuperação da economia após dois anos de recessão aguda.

Por Emilio Chernavsky*


Nessa visão, a recuperação se consolidaria em 2018, apoiada no aumento do consumo derivado da queda do desemprego e da baixa inflação, e na retomada dos investimentos resultante do aumento da confiança dos empresários, da queda nos juros e da expansão das concessões no setor de infraestrutura. A despeito de sua ampla difusão, tanto a avaliação positiva do que ocorreu em 2017 como a previsão otimista para 2018 são no mínimo questionáveis.

No caso de 2017, não apenas a expansão do PIB, “indício” da retomada, é extremamente baixa, especialmente considerando a base profundamente deprimida da qual partiu, como é o produto direto de três eventos singulares sem a ocorrência dos quais a avaliação seria totalmente diferente. 

Em primeiro lugar, a produção agropecuária no primeiro trimestre do ano apresentou um crescimento recorde que mais que compensou, sozinho, a queda acumulada na indústria e nos serviços ao longo desse e dos dois trimestres seguintes. 

Em segundo, o consumo das famílias, principal componente do PIB correspondendo a mais de 60% do total, recebeu o estímulo fundamental, no segundo e terceiro trimestres do ano, da liberação dos saldos das contas inativas do FGTS[1], proporcionando uma renda adicional a mais de 30 milhões de trabalhadores. 

Em terceiro, a estagnação da economia fez com que a inflação caísse mais que o esperado pelo próprio governo e pelo mercado financeiro[2], o que elevou o poder de compra dos salários e, assim, também estimulou o consumo[3]. 

Esses dois importantes impulsos não evitaram, todavia, que o crescimento do consumo das famílias em 2017 fosse pífio mesmo sucedendo a uma queda acumulada de mais de 7% nos dois anos anteriores, mas, em conjunto com a safra recorde, bastaram para evitar um terceiro ano seguido de recessão. Esta, portanto, de fato se encerrou, mas apenas graças aos eventos descritos que não se repetirão neste ano.

Com efeito, a economia não deverá contar em 2018 com um novo crescimento excepcional da safra agrícola nem com os impulsos ao consumo registrados no ano anterior, uma vez que a liberação do FGTS somente pode ocorrer uma única vez e a inflação não deve cair novamente. Quanto a esta, espera-se o contrário: dado que o recorde historicamente baixo em 2017 dificulta novas quedas, que a redução do preço dos alimentos em razão da safra recorde não se repetirá, e que o elevado nível de incerteza provocado pelo processo eleitoral tende a aumentar a volatilidade cambial afetando os custos e a induzir o comportamento defensivo dos formadores de preço adiantando os reajustes, a inflação em 2018 deve aumentar. 

Mesmo que a incerteza não se intensifique muito e o aumento da inflação seja contido – como hoje prevê o mercado –, os salários reais, fixados nas negociações anuais de modo a repor uma inflação passada mais baixa que a corrente, ao invés de subir, como em 2017, deverão cair ao longo do ano, e mais ainda no segundo semestre. 

A reforma trabalhista, facilitando a contratação de trabalhadores em jornadas parciais, deve contribuir para esse resultado. Ainda, a alardeada redução da taxa de desemprego que, ao melhorar a posição do trabalhador no mercado, poderia evitar a queda nos salários, dificilmente o fará enquanto se apoiar, como foi o caso majoritário nos últimos meses, na conversão de desempregados em empreendedores informais com baixos rendimentos e condições de trabalho precárias. Com os salários caindo, dificilmente o consumo das famílias crescerá significativamente em 2018.

Com o consumo estagnado, por maior que seja a simpatia do empresariado pelas políticas já implantadas pelo governo e pelas que promete implantar, e por mais que os juros alcancem patamares historicamente baixos (embora ainda excepcionalmente elevados em comparações internacionais), dificilmente investimentos que não aqueles absolutamente indispensáveis para manter as empresas funcionando serão realizados. Com a demanda por bens e serviços fraca e incerta, e a despeito das promessas feitas antes mesmo do início do governo Temer[4], poucas empresas investirão para expandir uma capacidade produtiva que provavelmente se mostrará ociosa por período prolongado. 

Logo, dificilmente as previsões apontando uma expressiva retomada dos investimentos se mostrarão acertadas. As concessões no setor de infraestrutura, por sua vez, que têm sido objeto de grandes esperanças, vem avançando muito menos do que o esperado e se restringido basicamente à transferência ao setor privado de ativos pré-existentes, sem ou com mínimas exigências de novos investimentos, o que dificilmente mudará em um ano carregado de incertezas como 2018. Tampouco parece razoável, portanto, esperar daí um impulso ao crescimento.

Finalmente, o possível estímulo à economia advindo da expansão dos gastos do governo se vê bloqueado pela continuidade da crise fiscal, resultante principalmente do desabamento das receitas públicas desde 2015 no contexto recessivo, e enfrentaria impedimentos legais e constitucionais estabelecidos pelo teto aos gastos públicos, pela regra de ouro e pela LDO para 2018. A tentativa de ajuste das contas públicas em meio à estagnação deve gerar, ao contrário, uma pressão negativa na economia.

Mesmo com essa pressão, o PIB brasileiro provavelmente crescerá em 2018, inclusive acima da pífia expansão de 2017. Isto não deve, entretanto, motivar muitos festejos, já que além de reduzida, a expansão se dará sobre um produto que é quase 17% inferior ao que seria, caso tivesse avançado nos três últimos anos ao ritmo médio registrado entre 2003 e 2014[5]. 

Além disso, com os salários em retração e o consumo estagnado, os investimentos travados pela fraqueza da demanda e pela incerteza reinante, e com a política fiscal restritiva, não há razões para apostar que essa expansão dará início a um processo de crescimento sustentado, necessário para reduzir a crise social hoje em curso. Isto sim, com o aumento do desemprego de longa duração, a redução da renda familiar e a precarização do trabalho, o corte nas transferências de renda e a deterioração dos serviços públicos, essa crise deve se agravar. 

Não obstante o otimismo dos analistas quanto à retomada, e mesmo o entusiasmo de alguns que apontam a recuperação da economia como elemento chave a favorecer os candidatos apoiados pelo governo nas eleições de outubro, dificilmente ela virá, e, em um cenário de elevada incerteza quanto ao futuro, a vida da maior parte da população nos próximos meses deve continuar a piorar.

[1] Estes saldos correspondem a pouco menos que 0,7% do PIB do país, o que torna o efeito de sua injeção na economia decisivo.

[2] No início de janeiro, a inflação (IPCA) prevista para 2017 pelo boletim Focus do Banco Central era de 4,8%.

[3] A queda da inflação gerou também alguma folga na execução dos orçamentos públicos, elaborados no ano anterior com a previsão de receitas para 2017 inflada pela inflação prevista maior.

[4] “(O efeito nos investimentos) seria instantâneo. Bastaria uma troca da sinalização” http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160324_riachuelo_flavio_rocha_partido_novo_rc_if

[5] Nessa situação, a mera ocupação de uma parte mesmo pequena da capacidade produtiva hoje ociosa tende a produzir uma taxa de crescimento positiva.

*Emilio Chernavsky é doutor em Economia pela USP