ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 20 de agosto de 2017

“Podres de ricos investem no desastre social”, diz especialista

 
Reprodução


Em seu novo livro, "Ricos, podres de rico" (Tomo Editorial, 64 páginas), ele argumenta que "a concentração de renda com a existência de multimilionários é nefasta para a economia e para a democracia".

"Para a democracia parece evidente, gera corrupção, tráfico de influência. Mas na economia persiste uma discussão sobre a importância de se acumular riqueza antes de distribuí-la. Em outras palavras, a tese de que a concentração de renda criaria mecanismos de maior eficiência econômica para investimentos produtivos que gerassem mais empregos e oportunidades", explica.

"Bem, dez anos depois posso afirmar que isso é uma falácia. Uma mentira deslavada. Um discurso dos ricos, que querem apenas justificar seus rendimentos e seus privilégios", constata.

Confira a integra da entrevista:

Extra Classe – O senhor estuda a concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas há pelo menos dez anos. A que conclusões chegou nesse período?
Antonio Davi Cattani – Meu argumento é que a concentração de renda com a existência de multimilionários é nefasta para a economia e para a democracia. Para a democracia parece evidente, gera corrupção, tráfico de influência. Mas na economia persiste uma discussão sobre a importância de se acumular riqueza antes de distribuí-la. Em outras palavras, a tese de que a concentração de renda criaria mecanismos de maior eficiência econômica para investimentos produtivos que gerassem mais empregos e oportunidades. Bem, dez anos depois posso afirmar que isso é uma falácia. Uma mentira deslavada. Um discurso dos ricos, que querem apenas justificar seus rendimentos e seus privilégios.

EC – Não se trata de um fenômeno do capitalismo brasileiro?
Cattani – Não, de jeito nenhum. Em nenhum capitalismo, em nenhum lugar, a acumulação volta para a sociedade. Em outro livro (A Riqueza Desmistificada, 2007) eu analiso a situação dos Estados Unidos, onde há uma redução de impostos para os mais ricos, desde o primeiro governo de Bill Clinton (a partir de 1993) até o Barak Obama. Mostro ali que, ao contrário do que justificam os teóricos da concentração, não há mais investimentos, mas apenas mais especulação, o que gera instabilidade econômica e mais consumo de produtos de alto luxo, iates, jatinhos, viagens ao espaço. Os podres de rico têm tanto dinheiro que em determinado momento surge a seguinte questão: investir mais para quê? Para se incomodar contratando mais gente? Se eu posso ganhar dinheiro, muito dinheiro, com isenções, com privilégios fiscais? No caso brasileiro, que você menciona, o agravante é que a concentração de riqueza permite comprar, entre outras coisas, o próprio Congresso. Dou o exemplo da JBS, que investiu milhões de reais, centenas de milhões de reais, em todos os partidos, por uma razão bem objetiva: defender seus privilégios. Os bancos, a indústria farmacêutica, o ensino particular, o agronegócio, todos usam essa estratégia. Isso é um atentado à democracia.

EC – Qual a relação possível dessa concentração de riqueza com a nossa atual crise política?
Cattani – Total. O golpe do ano passado foi todo financiado por essa concentração, por esse poder econômico nas mãos de poucos. Não estamos falando do empresariado em geral, há empresários sérios e comprometidos com resultados, que cumprem as leis, mas do grande capital, dos grandes conglomerados que têm um controle estrito sobre a política e também sobre a mídia.

EC – O que isso tem a ver, por exemplo, com a condenação do ex-presidente Lula? Há alguma relação?
Cattani – Sim e não. Por um lado, a concepção da chamada República de Curitiba segue esse padrão concentrador: um pessoal forjado nos Estados Unidos, com uma mentalidade antipopular e elitista, cuja visibilidade se deve ao apoio dos grandes grupos econômicos, que contamina principalmente a classe média. Dou um exemplo: a indústria farmacêutica não suportou a ideia de uma medicina preventiva, desenvolvida nos governos do PT. O ideal, para esse segmento, é deixar as pessoas adoecerem para vender remédios. Outro exemplo: o ingresso de alunos das classes mais baixas na universidade pública, que provocou indignação em muitas áreas específicas. Isso evidentemente está associado com concentração de renda e espírito elitista. Mas não é uma exclusividade brasileira, a concentração de renda ocorre em todo o mundo, até na Suécia – que era um modelo clássico de distribuição – o que não remete à criminalização do ex-presidente Lula. De modo geral, a concentração está se acentuando nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra.

EC – Desde quando?
Cattani – Desde os anos de 1980. Basicamente devido à mobilidade do capital financeiro obtida a partir da tecnologia da informação. O poder desse pessoal, o poder desses podres de ricos, só aumentou. Eles compram, corrompem, criam leis, privilégios, isenções. E quando tudo dá errado, dão um golpe de Estado ou, se não for possível, mandam o dinheiro para fora e o reintegram à economia quando as coisas estiverem melhores. Essa história de que os investidores estrangeiros estão voltando ao país, por exemplo, é mais uma balela. É tudo capital brasileiro, nacional, capital que está lá fora, que foi obtido de forma ilegal, que está sendo repatriado.

EC – Por que tão poucos pesquisadores estudam a riqueza na academia?
Cattani – Porque é muito mais fácil trabalhar com a pobreza, com os pobres. Entrevistar um papeleiro, um operário, um gerente de fábrica, é tranquilo. Agora, vai tentar entrevistar um grande empresário, vai perguntar ao (Jorge) Gerdau por que ele levou a sede do seu grupo econômico para Amsterdã (Holanda). Primeiro, você não chega perto dele nem com uma agenda especial, de pesquisador. Depois, a informação essencial é protegida, não se torna pública de jeito nenhum. Eu escrevi um artigo sobre fraudes corporativas e apropriação de riqueza que não consegui publicar no Brasil, apenas no México (na revista Convergência), em 2009. Isso que tinha apenas informações públicas.

EC – Qual é a metodologia dos muito ricos para ficarem cada vez mais ricos?
Cattani – Primeiro, os muito ricos se protegem mutuamente. Ou seja, transparência (de informações) só vale mesmo para o Estado, para os governos. Nas empresas deles, não mesmo. Segundo: fomentam ideologicamente a ideia de meritocracia, a ideia de que a pobreza é um problema, e a riqueza, em contraponto, é solução. É claro que não é a solução, a concentração da riqueza agrava o problema da desigualdade. Isso é óbvio. Mas essa falsa meritocracia acaba prevalecendo, as pessoas acham que os ricos são, ou ficaram ricos, porque são competentes. Não é verdade, tirando as exceções de praxe. A maioria dos grandes empresários, por sinal, frauda as regras da concorrência, do livre mercado, quando fazem aquisições, quando compram os concorrentes. Para os grandes empreendimentos, essas regras simplesmente não existem. Outra conclusão possível é de que a riqueza não é abstrata, não está por trás de uma marca, de um conglomerado. Esses impérios são comandados por pessoas, por pessoas físicas, o dinheiro vai para a conta dessas pessoas. É a personalização da riqueza, com nome, endereço e conta bancária. Os privilégios, portanto, estão tanto no nível corporativo quanto no nível pessoal. Uso um exemplo bem simples e clássico para mostrar isso: quem ganha um salário, digamos, de R$ 5 mil aqui, paga imposto de renda compulsoriamente numa alíquota de quase 30%. Já o dono de uma empresa, pessoa física, que ganha R$ 5 milhões de pró-labore, não paga nada, nem um centavo, porque essa renda é lançada como lucro e dividendo – que é isento na nossa legislação. Proporcionalmente, essa pessoa física deveria pagar cerca de R$ 1,4 milhão de imposto de renda sobre esse montante. Mas não paga porque temos uma legislação, criada por um lobby empresarial, determinando essa isenção. As pessoas acham que o fulano é rico porque é competente. Mentira: é rico porque compra privilégios.

EC – Que dados o senhor usa em suas pesquisas, diante da dificuldade de se obter informações confiáveis do mundo corporativo?
Cattani – Temos de usar apenas dados públicos, pois não há outra maneira. Temos que usar o que aparece por aí, reportagens, balanços, estudos. Algumas ONGs fazem trabalhos ótimos de investigação. Um desses levantamentos, por exemplo, conseguiu identificar evasão de divisas por grandes empresas exportadoras: as companhias que comercializam commodities vendem oficialmente por um preço abaixo da cotação internacional e recebem a diferença, digamos 20%, 30% do valor de face, diretamente em contas no exterior. Exportam com subfaturamento e recebem a diferença diretamente em paraísos fiscais.

EC – Isso não é lavagem de dinheiro?
Cattani – Sim. E corrupção também, porque é uma operação que precisa ser camuflada de alguma forma.

EC – Operações como Lava Jato e Zelotes podem ajudar a moralizar esse ambiente empresarial?
Cattani – Essa é uma outra questão que precisamos desmistificar: qual foi, por exemplo, o rombo causado na Petrobras apurado pela operação Lava Jato? R$ 10 bilhões? Mas qual o montante de sonegação das grandes empresas brasileiras, a cada ano? É da ordem de R$ 300 bilhões, segundo o sindicato dos auditores fiscais. Talvez R$ 500 bilhões, não se sabe ao certo. Por ano. Na fusão do Itaú com o Unibanco, uma taxação superior a R$ 25 bilhões acabou de ser anistiada pelo Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) porque os conselheiros consideraram que não houve ganho de capital na transação. O Carf é o mesmo órgão onde foram registrados inúmeros casos de compra de votos, que envolvem, entre outros, grupos de mídia como RBS e Globo. É claro que isso nunca vai ser manchete porque eles, incluindo a mídia, se protegem. É um quebra-cabeças. Por que a Gerdau, que já mencionei aqui, foi para Amsterdã? Porque é um paraíso fiscal e, dessa forma, se resolve a questão sucessória. Aqui o imposto de transmissão patrimonial varia de 6% a 8%. Baixíssimo. Nos Estados Unidos, é de 40%. No Japão chega a quase 60%. Em Amsterdã é zero. Ou seja, nossos super-ricos não querem nem pagar o mínimo que a legislação do Brasil exige na transmissão de poder e de capital para os sucessores. Isso é lavagem de dinheiro, uma forma de manutenção da riqueza. É como se houvesse um mundo paralelo ao nosso, do qual nem chegamos perto. O problema é que esse mundo está acabando conosco.

EC – Além das cifras bilionárias, esse mundo paralelo envolve mais o quê?
Cattani – Impunidade, principalmente. E problemas de ordem moral, pois historicamente esse pessoal se safa em todos os processos, sejam administrativos, sejam criminais. Problemas ambientais, também, como a devastação da Amazônia. Pequenos posseiros existem desde sempre, mas o problema começa de fato quando há um grande investimento. Porque ele dificilmente não respeita as leis ambientais, e em geral corrompe a fiscalização. O posseiro que matou uma onça vai para a cadeia; o empresário que devastou quilômetros e quilômetros de floresta está viajando de jatinho para Miami. A concentração de renda se retroalimenta porque cria impunidade e privilégios em várias áreas.

EC – Nesse cenário, qual a perspectiva de solução?
Cattani – Precisamos de formação e de informação. As pessoas não sabem o que acontece, o trabalhador que paga impostos compulsoriamente acha que todo mundo paga também. A solução é simples: basta os ricos pagarem os impostos que devem.

EC – Mas como fazer isso?
Cattani – Sensibilizando a população, já que pela via legislativa ou pelo poder do Estado não tem como. Não com esse Congresso nem com esses governos. As pessoas têm que saber o que está por trás de determinadas decisões políticas. Um exemplo: pequenos empresários que aderem a essas campanhas por menos impostos precisam saber que os grandes empresários, que são seus ídolos, não pagam imposto. Quem paga é ele. Se todo mundo pagasse seus impostos corretamente, dentro dos padrões capitalistas normais, o equilíbrio seria muito maior.

EC – Para onde esse comportamento vai nos levar, na sua opinião?
Cattani – Para o desastre.


Fonte: Diario do Centro do Mundo e Brasil 247

Parlamentarismo é instrumento de golpe, dizem cientistas políticos



O ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, define a ideia de um parlamentarismo brasileiro, tanto nos anos 60 do século passado como hoje, de maneira objetiva. “No mundo, é um sistema de governo. Mas, no Brasil, é um instrumento de golpe, como foi na crise da posse de João Goulart. Sem discutir o parlamentarismo como tese, mas no nosso país é um instrumento que visa a impedir que as massas possam influir na composição do poder, quando vota para presidente.”

Amaral lembra que o sistema foi rejeitado três vezes no Brasil: em plebiscito realizado em 1963, ainda sob o governo Jango; na Constituinte de 1988, quando o Congresso Nacional optou pelo presidencialismo; e em novo plebiscito, realizado em 1993, quando 55,4% dos eleitores novamente escolheram o presidencialismo, contra apenas 24,6%.

A população brasileira mal sabe que o parlamentarismo significa transferir a chefia de Estado a um primeiro-ministro, ou seja, ao Congresso Nacional. Se houver plebiscito, e portanto uma campanha em que os eleitores sejam esclarecidos, é praticamente impossível que a ideia passe pelo crivo popular. “A ideia teria uma rejeição muito grande, porque seria entregar o orçamento público para um parlamento como o atual. É uma loucura completa”, diz o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Roberto Amaral lembra que o histórico recente da Câmara dos Deputados seria um péssimo cabo eleitoral para os defensores da mudança de sistema hoje. “No parlamentarismo, quem governa é o Congresso. Se transferirmos os destinos do país ao parlamento, seríamos governados por esse Congresso que está aí, que elegeu Eduardo Cunha, que tem cerca de 300 a 400 personagens respondendo a processo, e que é controlado pelo poder econômico. Um Congresso sem representação e legitimidade, que legisla de costas para a população”, avalia. “Podemos ter um Congresso em conflito com o presidente como tivemos com a Dilma. Vai ser uma sequência de golpes. E outra questão crucial é a fragilidade dos partidos brasileiros, que não têm controle sobre suas bancadas.”

Sabendo das dificuldades de defender a ideia junto à população, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) propõe a adoção do parlamentarismo – segundo ele a partir de 2022 –, mas sem plebiscito. Segundo ele, no seu partido há quem defenda a necessidade de consulta popular, do que ele discorda. "Na minha opinião, não (precisa de plebiscito)”, disse, no dia 9, após reunião da Executiva Nacional do PSDB. O senador afirmou que a adoção do voto distrital misto já em 2018 seria o primeiro passo para a transição de sistema.

Uma pesquisa divulgada na segunda-feira (14) pelo Instituto Paraná Pesquisas revelou que 59,6% dos brasileiros (consultados pela internet) não sabem sequer o que é parlamentarismo e 46,4% rejeitam a mudança, contra 39,4% a favor. “Os parlamentaristas nunca se deram ao trabalho de explicar, porque, se explicar, aí que a população fica contra”, ironiza Amaral.

Oportunismo

Para o cientista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, a estratégia do PSDB tem um caráter claro. “É um oportunismo. Por que eles não levantam esse tema por ocasião das campanhas eleitorais, assumindo que são parlamentaristas quando disputam as eleições?” Na sua opinião, os tucanos tentam “arrumar uma saída e, concluído o mandato de Temer, garantir o poder de qualquer jeito lá na frente”.

Mas ele avalia que as dificuldades não serão pequenas para a ideia avançar. Isso porque muitos políticos são defensores da tradição presidencialista, independentemente de sua ideologia. Ele lembra que o DEM (como antigo PFL) desemprenhou papel importante a favor do presidencialismo, na campanha de 1993. Como o PT, o PDT é outro que defende o sistema atual.

Já o PMDB deve apoiar o parlamentarismo, avalia Queiroz, uma vez que Michel Temer está apoiando o sistema. Mas, mesmo assim, a proposta não deve passar. “Teria uma rejeição muito grande. Não há ambiente para a mudança, porque os parlamentares têm outras prioridades e não vão dar um segundo golpe sequenciado.”

Seja como for, a própria mudança em si já projeta discussões jurídicas. A tese do senador Tasso Jereissati de que não é necessário um plebiscito está longe de ter respaldo na interpretação da Constituição. Para o tucano, uma proposta de emenda à Constituição (que precisa de 308 votos nas duas casas legislativas) é suficiente.

“Se o parlamentarismo foi rejeitado em plebiscito, só um plebiscito poderia decidir a questão. A população se pronunciou em plebiscito, que é maior que emenda. E eu levanto mais uma coisa: se o pronunciamento plebiscitário sobre o texto de 1988 não a torna a decisão cláusula pétrea, na vigência da atual Constituição”, avalia Roberto Amaral. 

Em 1961, o primeiro gabinete parlamentarista "reuniu representantes dos principais partidos – o PSD, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e a União Democrática Nacional (UDN) –, tendo à frente o primeiro-ministro Tancredo Neves, do PSD", conforme lembra a Fundação Getúlio Vargas. 


Fonte: Rede Brasil Atual

Temer quer "economizar" R$ 17 bilhões cortando auxilio-doença


Como a reforma da Previdência subiu no telhado, o governo informa que pretende "economizar" R$ 17 bilhões até o fim de 2018 cortando auxílio-doença da população. Para isso, o governo já cancelou cerca de 400 mil benefícios e pretende chegar a um milhão de benefícios cortados. Além disso, Temer vai restringir novas concessões.

Desde agosto do ano passado, o governo vem cortando os benefícios por meio de revisão. Até o mês de julho, os cortes já acumularam R$ 3 bilhões, de acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) em matéria publicada no Estadão.

O governo usa o discurso de "combate à fraude" para justificar os cortes. Diz que o "pente-fino" já detectou cinco doenças mais recorrentes entre os auxílios irregulares: transtorno de disco da coluna, dor lombar, depressão leve, alterações no nervo ciático e paniculite (inflamação na pele).

Ainda segundo o governo, tais medidas já reduziram o montante pago mensalmente em benefícios de 1,8 milhão para 1,4 milhão, e a projeção do MDS é que o "ponto de equilíbrio" futuro seja o pagamento de 1 milhão de auxílios-doença, pois isso representará uma economia de R$ 12 bilhões a R$ 13 bilhões ao ano em relação ao valor gasto antes das revisões, que era de R$ 30 bilhões.

Ações na Justiça

Mas os segurados que tiveram o benefício de auxílio-doença cortado denunciam que o governo cortou os benefícios sem ao menos passar pela perícia médica. As ações na justiça vieram em cascata, determinando que os segurados que tiverem perícias agendada devem voltar a receber o benefício.

Só no Rio Grande do Sul, 88.301 benefícios serão revisados. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, em todo o país, são mais de 530 mil revisões.

O ministério diz ainda que, até 4 de agosto, foram realizadas 33.708 perícias e a maioria, 29.233 benefícios, foram cancelados no estado gaúcho. Destes, 2.334 foram cancelados porque os beneficiados supostamente não compareceram. Além disso, 3.491 benefícios foram convertidos em aposentadoria por invalidez, 199 em auxílio-acidente, 126 em aposentadoria por invalidez com acréscimo de 25% no valor do benefício e 659 pessoas foram encaminhadas para reabilitação profissional.

Em todo o país, o governo já realizou 210 mil perícias desde agosto do ano passado, e a taxa de reversão tem ficado surpreendentemente em 80%, dobrando a estimativa inicial que era de 40%.

O governo Temer diz que a maior "evidência" de que muitos desses benefícios eram pagos indevidamente é que o número de ações judiciais movidas por segurados para tentar reaver o auxílio é inferior a 200. No entanto, as primeiras decisões judiciais, como informamos acima, impediram que o governo mantivesse os cortes para outros segurados, que ainda não tinham recorrido à Justiça.

Depois da revisão dos benefícios do auxílio-doença, o governo mira as aposentadorias por invalidez. Já enviou as cartas convocando os beneficiários, principalmente aqueles que se aposentaram com até 60 anos de idade, com exceção daqueles maiores de 55 anos que já recebem o benefício há mais de 15 anos.

Antes de fazer as perícias, o governo já estabeleceu uma meta de corte dos benefícios, que será de no mínimo 5% a 10%. 


Do Portal Vermelho, com informações de agências

sábado, 19 de agosto de 2017

"Flávio Dino é a novidade mais importante da democracia", diz Ciro

 
Foto: Guilherme Santos/Sul21

"O Flávio Dino é a coisa mais nobre e importante que aconteceu na democracia brasileira. O Maranhão, que é um estado extraordinário e com uma gente maravilhosa vinha passando por momento que o povo não merece, o que parecia ser uma fatalidade da geografia. Quando vem esse extraordinário juiz federal que troca a toga pela política", afirmou.


Nesta sexta (18), Ciro participa de um debate na Assembleia Legislativa do Maranhão sobre a crise econômica e política e a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento.

Falando sobre uma candidatura presidencial, Ciro disse que mais importante do que a própria candidatura é fazer a população entender as raízes da profunda crise política e econômica que vive o país.

"Nosso povo está perdendo a crença no sistema e eu que lutei pela democracia sei o quanto é necessário que pelo exemplo é possível que se produza coisa decente", afirmou o pedetista. "Esta é a crise mais grave da história do país, porque é o encontro muito perigoso da crise econômica e de uma crise moral, grave", afirmou. 



Fonte: Brasil 247

Luciana Santos: Reforma política que favoreça a democracia e o povo

Luciana Santos orienta diminuir retrocesso da reforma política 
Luciana Santos orienta diminuir retrocesso da reforma política - Reprodução PCdoB


A dirigente informa que a bancada comunista tentará barrar ou diminuir o retrocesso da proposta de reforma que está em debate. 

“A reforma que nós precisamos deve possibilitar a presença das mulheres, de negros e negras e mais trabalhadores para refletir da fato a sociedade brasileira. Essa distorção precisa ser superada!” Para isso, a comunista defende que os custos da campanha devem ser barateados. 

A dirigente comunista defende ainda o financiamento público de campanha. “É preciso ter financiamento público de campanha. Para que a democracia seja financiada pelo Estado brasileiro, porque todos sabemos o significado do financiamento empresarial. Vivemos essa experiência. Primeiro porque diminui a autonomia, a independência do parlamentar, pois ele tende a se posicionar a partir de quem o financiou e não de quem votou nele. E depois porque estabelece uma linha tênue entre o público e o privado, que é uma das matrizes da corrupção no nosso país. Não quero dizer com isso que todo financiamento privado tem corrupção, mas que ele estabelece um ambiente propício para que isso aconteça.”

Cláusula de barreira

Luciana Santos ressaltou ainda a importância do debate da cláusula de barreira para os comunistas e explicou as tentativas de diminuir os prejuízos deste ponto na proposta de reforma política em debate na Câmara. “Após muito diálogo felizmente conseguimos fazer uma grande pactuação com os partidos desta Casa no sentido de mitigar a cláusula de barreira. No momento complexo que estamos vivenciando, há uma exitosa busca de convergência. Apesar de o PCdoB ser contra a cláusula de barreira, criou-se um pacto para reduzir essa imposição excludente e estamos caminhando para um entendimento.” 

Fim das coligações

A presidenta nacional do PCdoB explicou ainda que os comunistas são contra “o fim das coligações”, mas que há um diálogo sobre essa pauta em curso. “Dentro do diálogo com os demais partidos estamos admitindo para num momento seguinte, em 2020, que sejam substituídas pela federação”.

Sistema político antiquado

Luciana reforça a necessidade da militância comunista de se debater juntamente com a sociedade cada ponto desta reforma política. “O sistema político atual não nos favorece, mas ele deve mudar para possibilitar que a representação popular se faça valer. A reforma deve favorecer ao cidadão alternativas e privilegiar o debate de programas e de ideias”, defende.

Diminuir o retrocesso 

“A bancada comunista na Câmara e no Senado atuará na busca de construção de convergências com amplas forças políticas com o objetivo de barrar ou diminuir o retrocesso democrático presente nessa reforma política. Os movimentos sociais devem elevar o nível de mobilização do povo contra os retrocessos em curso!”, orienta.




Fonte: Site do PCdoB

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Congresso da CTB busca saída a cenário mundial anti-trabalhador

  


O chanceler brasileiro, que integrou os governos Lula e Dilma, abrirá o evento na próxima quarta-feira (24) em mesa com o tema "Globalização, direitos e democracia". Durante a tarde, lideranças sindicais internacionais se revezarão abordando outros aspectos da conjuntural mundial.

O líder sindical sul-africano Mzwandile Makwayiba, eleito no ano passado presidente da Federação Sindical Mundial (FSM) e diretor de um dos mais fortes sindicatos sul-africanos, debaterá os rumos do movimento sindical em tempos de crise econômica.

O presidente da CGTP de Portugal, Augusto Praça, e o brasileiro, diretor da Fundação Maurício Grabois e assessor da CTB, A. Sérgio Barroso, tratarão dos desafios do sindicalismo sob o impacto da 4ª revolução industrial mundial.

O alemão Peter Poschen, diretor da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, falará sobre a crise mundial e o mercado de trabalho. Ele foi um crítico contumaz da reforma trabalhista e alertou durante audiência pública no Senado que o argumento de que o corte de garantias trabalhistas gera empregos não tem nenhum respaldo na experiência internacional.


O PortalCTB conversou com o secretário de Relações Internacionais da central e secretário-geral adjunto da Federação Sindical Mundial (FSM), Divanilton Pereira, que denunciou o golpe no Brasil como parte da estratégia imperialista para a aplicação de uma agenda ultraliberal.
O dirigente falou ainda sobre importância do encontro sindical internacional e as perspectivas do movimento nesta nova conjuntura e denunciou o ataque estadunidense contra a soberania venezuelana.  
Leia abaixo a íntegra da entrevista: 
Divanilton Pereira

PortalCTB:O mundo passa por uma ofensiva conservadora. A aprovação de medidas como a reforma trabalhista no Brasil reflete esta nova conjuntura política. Diante desse cenário, quais os desafios para o movimento sindical internacional na luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora?
Divanilton Pereira:O capitalismo provocou uma das maiores entre as suas recorrentes crises. No seu estágio de ultrafinanceirização revela-se incapaz de atender as necessidades da humanidade, sobretudo, da classe trabalhadora, pois com a sua natureza excludente, agride os avanços civilizacionais, ameaça a paz e impulsiona o desenvolvimento desigual das nações. A resultante é uma geopolítica instável e perigosa.
Esse sistema, ainda dominante em escala mundial, mais uma vez, lidera um movimento anti-trabalho, buscando reduzir o seu custo, joga todo o ônus contra os direitos da classe trabalhadora.
O atentado à democrácia no Brasil é parte dessa estratégia e a aplicação da agenda ultraliberal em curso seu objetivo maior.O grande desafio do movimento sindical internacional é evitar sua dispersão política e constituir uma plataforma unitária em defesa do trabalho e uma ampla agenda de mobilizações em nível mundial.
Neste contexto, qual a importância de realizar o seminário internacional com representantes de entidades sindicais de mais de 30 países?
O seminário busca cumprir esse objetivo de destacar a importância da unidade de nossa classe, oferecer um diagnóstico geopolítico atualizado e acrescentar na agenda sindical mundial os desafios e os impactos da dita quarta revolução industrial, a economia 4.0, sobre o trabalho vivo.
Como a crise econômica mundial afeta os trabalhadores e trabalhadoras?
Sob a égide do capitalismo, quando suas crises surgem a classe trabalhadora é o primeiro alvo a ser atingido. Não está diferente dessa vez. Milhões de homens e mulheres estão no desalento do desemprego, os Estados nacionais sequestrados pela banca financeira e os direitos sociais e laborais sendo atacados. Por uma correlação de forças desfavorável ao trabalho e a produção, até mesmo programa do tipo New Deal (novo acordo) são inviabilizados. Faz-se necessário um contraponto a essa ofensiva rentista. Penso que o BRICS e seus aliados podem liderar esse processo. O sindicalismo precisa interferir nessas articulações inter-regionais.
 A CTB integra o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, organização de ativistas políticos e sociais que denunciam a tentativa de desestabilização do governo de Nicolás Maduro. O que há por trás desta ofensiva contra aquele país?
A região latino-americana e caribenha descortinou, em 1998, um salto político econômico e social para os seus povos. Teve seus Estados nacionais fortalecidos e programas sócios-econômicos que promoveram uma histórica mobilidade social. Além disso, criou articulações políticas que promoveram a integração regional e diversificaram suas relações políticas e comerciais para além da América do Norte.
Do ponto de vista geopolítico, majoritariamente posicionou-se ao lado dos novos polos político-econômicos reforçando a luta contra a hegemonia imperialista estadunidense. Foi com Hugo Chávez que a nossa região iniciou essa estratégica experiência progressista. O império não assistiria à consolidação desse processo sem reagir. Por isso, de uma forma articulada com seus lacaios nacionais, desencadeou uma campanha de desestabilização política e econômica sobre os pilares dessa construção: O Brasil, a Argentina e a Venezuela.
Portanto, interromper a revolução bolivariana completaria essa fase golpista em nossa região. Contudo, o povo venezuelano compreendeu, melhor que outros, esse jogo e enfrenta com bravura a intervenção imperialista e suas forças auxiliares do país.
A CTB e a FSM apoiam e participam ao lado do povo daquele país contra essa ofensiva. Não nos orientamos pela mídia mundial que integra esse intento golpista e manipula parte da opinião pública. Para nós o centro da luta é a defesa do povo e de sua autodeterminação. Por isso reconhecemos a legitimidade do processo constituinte venezuelano.


Portal CTB

Salvador será a capital nacional da CTB na próxima semana

 
 


“A expectativa é muito grande. Com certeza conseguiremos promover um rico e amplo debate político num momento em que enfrentamos essas reformas e ataques para enfraquecer o movimento sindical. A animação dos delegados e delegadas vai repercutir na política, fundamental para o crescimento e existência da CTB. Por isso, não tenho dúvida que será o melhor Congresso da CTB”, afirmou o dirigente.

Realizado pela primeira vez na Bahia, o evento acontece entre os dias 24 e 26 de agosto, no Gran Hotel Stella Maris, e comemora também os 10 anos da Central, que hoje representa mais de 1.200 entidades e 10 milhões de trabalhadores.

“Estamos trabalhando muito e com uma grande equipe para que o Congresso seja um sucesso. O local já está preparado para oferecer uma completa estrutura aos delegados e delegadas, com profissionais, diversas salas e apoio. A CTB Bahia vai se colocar à disposição e trabalhar para que esse congresso seja histórico”, afirmou Pascoal Carneiro.

Para Carneiro, a escolha da cidade sede do evento é o reconhecimento do esforço da contribuição da Bahia à CTB desde a sua fundação. Ao todo, o Congresso reunirá mais de 1,2 mil sindicalistas de todo o mundo, 350 da Bahia.

“A CTB Bahia é a maior seção estadual da Central, com 40% de participação. Por isso a escolha do Estado para fazer o Congresso. É a primeira vez que uma central sindical busca o Nordeste para fazer o evento. A CTB respeita as diferenças de todas as regiões do país, mas os direitos são iguais para todos. Isso faz com que a CTB tenha política no país todo e tenha seção em todos os estados da Federação. Estamos nos preparando para que todos participem, tenham voz e voto, que é a nossa importância”, afirmou Pascoal Carneiro.

Para o Seminário Internacional e o Congresso Nacional, a CTB preparou uma ampla programação, com ricos debates durante os três dias. O atual cenário político e econômico do país e os prejuízos que a agenda neoliberal do governo de Michel Temer impõe aos brasileiros e brasileiras, ganharam destaque, assim como as reformas trabalhista e previdenciária.

Para o presidente nacional, Adilson Araújo, muito já foi feito, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Os efeitos do golpe batem a nossa porta e precisamos ter tática e estratégia para enfrentarmos essa nova etapa. O 4º Congresso será o momento de passar em revista e de pensar uma ação mais planejada, que fortaleça a CTB e o movimento sindical no Brasil. Entendemos que a melhor alternativa para a CTB e o conjunto da classe trabalhadora é caminhar unida, para garantir o enfrentamento da agenda regressiva, barrar o retrocesso liderado hoje por Michel Temer e construir caminhos para a retomada dos direitos subtraídos”, concluiu o presidente da CTB.
Adilson Araújo
Um dos fundadores da CTB, Adilson Araújo é baiano de coração e dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia. Primeiro presidente da estadual baiana, Adilson ocupou o cargo entre 2008 e 2013, sendo sucedido pelo metalúrgico Aurino Pedreira.

Confira a programação detalhada:

4º Congresso Nacional da CTB e Seminário Internacional “A crise econômica Global e o mundo do trabalho”

Local: Gran Hotel Stella Maris Resort & Conventions - Salvador - Bahia

Dias 24, 25 e 26 de agosto de 2017

23 de Agosto – Quarta-feira
08h00 às 12h00 – Recepção da delegação internacional

24 de agosto – Quinta-feira
08h30 – Credenciamento Delegados e Delegadas Nacionais e Internacionais

1ª MESA - 09:30 - "Globalização, direitos e democracia” 
Expositor: Embaixador Celso Amorim

10:15 - Participação do plenário
11:45 - Considerações finais do expositor
12:15 - Intervalo para almoço

2ª MESA -14:00- “A crise capitalista e os impactos no mundo do trabalho”

Expositores:
1. Mzwandile Michael Makwayiba – Federação Sindical Mundial
A classe trabalhadora está pagando o ônus da crise

2. Sérgio Barroso – Fundação Maurício Grabois
A quarta revolução industrial e os desafios do sindicalismo

3. Augusto Praça – CGTP-IN (Portugal)
A quarta revolução industrial e o futuro do trabalho

4. Peter Poschen – OIT Brasil: 
A crise e o mercado de trabalho

15:20 - Participação do plenário
16:50 - Considerações finais dos expositores
17:20 - Encerramento

18h30 – Abertura Oficial do 4º Congresso Nacional da CTB

19h00 – Apresentação do Documento do 4º Congresso
20h00 – Sessão Solene de Abertura

25 de agosto – Sexta-feira
08h30 – Credenciamento de Delegados Nacionais
09h00 – Painel: SIGNOS E SIGNIFICADOS DA CONSTRUÇÃO DA CTB
10h00 – Intervenção do plenário
11h00 – Painel: A LUTA EMANCIPACIONISTA E O TRABALHO
12h00 – Intervenção do plenário
13h00 – Almoço
14h00 – Encerramento do credenciamento 
14h00 – Intervenção do plenário
15h00 – Painel: AS CONTRARREFORMAS E OS DESAFIOS DO MOVIMENTO SINDICAL
16h30 – Intervenção do plenário
20h00 – Encerramento dos trabalhos 
20h15 - Lançamento do Livro: “O Golpe do Capital contra o Trabalho – Umberto Martins
20h30 - Jantar

26 de agosto – Sábado
09h00 – Resolução sobre Estatuto e Resolução sobre Finanças
10h00 – Intervenção do plenário
11h00 – Apresentação do Balanço da CTB
11h30 – Intervenção do plenário
12h30 – Apresentação do Plano de Lutas
12h50 – Intervenção do plenário
13h30 – Almoço
14h30 – Abertura do processo eleitoral: inscrição de chapas
15h30 – Encerramento do prazo de inscrição de chapas
16h00 – Apresentação e defesa de chapa e do Programa da CTB (2017/2021) 
16h30 – Eleição e posse da Nova Direção
21h00 - Festa de Confraternização

27 de agosto – Domingo
Retorno das delegações 



Fonte: Portal CTB