ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Congresso da CTB busca saída a cenário mundial anti-trabalhador

  


O chanceler brasileiro, que integrou os governos Lula e Dilma, abrirá o evento na próxima quarta-feira (24) em mesa com o tema "Globalização, direitos e democracia". Durante a tarde, lideranças sindicais internacionais se revezarão abordando outros aspectos da conjuntural mundial.

O líder sindical sul-africano Mzwandile Makwayiba, eleito no ano passado presidente da Federação Sindical Mundial (FSM) e diretor de um dos mais fortes sindicatos sul-africanos, debaterá os rumos do movimento sindical em tempos de crise econômica.

O presidente da CGTP de Portugal, Augusto Praça, e o brasileiro, diretor da Fundação Maurício Grabois e assessor da CTB, A. Sérgio Barroso, tratarão dos desafios do sindicalismo sob o impacto da 4ª revolução industrial mundial.

O alemão Peter Poschen, diretor da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, falará sobre a crise mundial e o mercado de trabalho. Ele foi um crítico contumaz da reforma trabalhista e alertou durante audiência pública no Senado que o argumento de que o corte de garantias trabalhistas gera empregos não tem nenhum respaldo na experiência internacional.


O PortalCTB conversou com o secretário de Relações Internacionais da central e secretário-geral adjunto da Federação Sindical Mundial (FSM), Divanilton Pereira, que denunciou o golpe no Brasil como parte da estratégia imperialista para a aplicação de uma agenda ultraliberal.
O dirigente falou ainda sobre importância do encontro sindical internacional e as perspectivas do movimento nesta nova conjuntura e denunciou o ataque estadunidense contra a soberania venezuelana.  
Leia abaixo a íntegra da entrevista: 
Divanilton Pereira

PortalCTB:O mundo passa por uma ofensiva conservadora. A aprovação de medidas como a reforma trabalhista no Brasil reflete esta nova conjuntura política. Diante desse cenário, quais os desafios para o movimento sindical internacional na luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora?
Divanilton Pereira:O capitalismo provocou uma das maiores entre as suas recorrentes crises. No seu estágio de ultrafinanceirização revela-se incapaz de atender as necessidades da humanidade, sobretudo, da classe trabalhadora, pois com a sua natureza excludente, agride os avanços civilizacionais, ameaça a paz e impulsiona o desenvolvimento desigual das nações. A resultante é uma geopolítica instável e perigosa.
Esse sistema, ainda dominante em escala mundial, mais uma vez, lidera um movimento anti-trabalho, buscando reduzir o seu custo, joga todo o ônus contra os direitos da classe trabalhadora.
O atentado à democrácia no Brasil é parte dessa estratégia e a aplicação da agenda ultraliberal em curso seu objetivo maior.O grande desafio do movimento sindical internacional é evitar sua dispersão política e constituir uma plataforma unitária em defesa do trabalho e uma ampla agenda de mobilizações em nível mundial.
Neste contexto, qual a importância de realizar o seminário internacional com representantes de entidades sindicais de mais de 30 países?
O seminário busca cumprir esse objetivo de destacar a importância da unidade de nossa classe, oferecer um diagnóstico geopolítico atualizado e acrescentar na agenda sindical mundial os desafios e os impactos da dita quarta revolução industrial, a economia 4.0, sobre o trabalho vivo.
Como a crise econômica mundial afeta os trabalhadores e trabalhadoras?
Sob a égide do capitalismo, quando suas crises surgem a classe trabalhadora é o primeiro alvo a ser atingido. Não está diferente dessa vez. Milhões de homens e mulheres estão no desalento do desemprego, os Estados nacionais sequestrados pela banca financeira e os direitos sociais e laborais sendo atacados. Por uma correlação de forças desfavorável ao trabalho e a produção, até mesmo programa do tipo New Deal (novo acordo) são inviabilizados. Faz-se necessário um contraponto a essa ofensiva rentista. Penso que o BRICS e seus aliados podem liderar esse processo. O sindicalismo precisa interferir nessas articulações inter-regionais.
 A CTB integra o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, organização de ativistas políticos e sociais que denunciam a tentativa de desestabilização do governo de Nicolás Maduro. O que há por trás desta ofensiva contra aquele país?
A região latino-americana e caribenha descortinou, em 1998, um salto político econômico e social para os seus povos. Teve seus Estados nacionais fortalecidos e programas sócios-econômicos que promoveram uma histórica mobilidade social. Além disso, criou articulações políticas que promoveram a integração regional e diversificaram suas relações políticas e comerciais para além da América do Norte.
Do ponto de vista geopolítico, majoritariamente posicionou-se ao lado dos novos polos político-econômicos reforçando a luta contra a hegemonia imperialista estadunidense. Foi com Hugo Chávez que a nossa região iniciou essa estratégica experiência progressista. O império não assistiria à consolidação desse processo sem reagir. Por isso, de uma forma articulada com seus lacaios nacionais, desencadeou uma campanha de desestabilização política e econômica sobre os pilares dessa construção: O Brasil, a Argentina e a Venezuela.
Portanto, interromper a revolução bolivariana completaria essa fase golpista em nossa região. Contudo, o povo venezuelano compreendeu, melhor que outros, esse jogo e enfrenta com bravura a intervenção imperialista e suas forças auxiliares do país.
A CTB e a FSM apoiam e participam ao lado do povo daquele país contra essa ofensiva. Não nos orientamos pela mídia mundial que integra esse intento golpista e manipula parte da opinião pública. Para nós o centro da luta é a defesa do povo e de sua autodeterminação. Por isso reconhecemos a legitimidade do processo constituinte venezuelano.


Portal CTB

Salvador será a capital nacional da CTB na próxima semana

 
 


“A expectativa é muito grande. Com certeza conseguiremos promover um rico e amplo debate político num momento em que enfrentamos essas reformas e ataques para enfraquecer o movimento sindical. A animação dos delegados e delegadas vai repercutir na política, fundamental para o crescimento e existência da CTB. Por isso, não tenho dúvida que será o melhor Congresso da CTB”, afirmou o dirigente.

Realizado pela primeira vez na Bahia, o evento acontece entre os dias 24 e 26 de agosto, no Gran Hotel Stella Maris, e comemora também os 10 anos da Central, que hoje representa mais de 1.200 entidades e 10 milhões de trabalhadores.

“Estamos trabalhando muito e com uma grande equipe para que o Congresso seja um sucesso. O local já está preparado para oferecer uma completa estrutura aos delegados e delegadas, com profissionais, diversas salas e apoio. A CTB Bahia vai se colocar à disposição e trabalhar para que esse congresso seja histórico”, afirmou Pascoal Carneiro.

Para Carneiro, a escolha da cidade sede do evento é o reconhecimento do esforço da contribuição da Bahia à CTB desde a sua fundação. Ao todo, o Congresso reunirá mais de 1,2 mil sindicalistas de todo o mundo, 350 da Bahia.

“A CTB Bahia é a maior seção estadual da Central, com 40% de participação. Por isso a escolha do Estado para fazer o Congresso. É a primeira vez que uma central sindical busca o Nordeste para fazer o evento. A CTB respeita as diferenças de todas as regiões do país, mas os direitos são iguais para todos. Isso faz com que a CTB tenha política no país todo e tenha seção em todos os estados da Federação. Estamos nos preparando para que todos participem, tenham voz e voto, que é a nossa importância”, afirmou Pascoal Carneiro.

Para o Seminário Internacional e o Congresso Nacional, a CTB preparou uma ampla programação, com ricos debates durante os três dias. O atual cenário político e econômico do país e os prejuízos que a agenda neoliberal do governo de Michel Temer impõe aos brasileiros e brasileiras, ganharam destaque, assim como as reformas trabalhista e previdenciária.

Para o presidente nacional, Adilson Araújo, muito já foi feito, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Os efeitos do golpe batem a nossa porta e precisamos ter tática e estratégia para enfrentarmos essa nova etapa. O 4º Congresso será o momento de passar em revista e de pensar uma ação mais planejada, que fortaleça a CTB e o movimento sindical no Brasil. Entendemos que a melhor alternativa para a CTB e o conjunto da classe trabalhadora é caminhar unida, para garantir o enfrentamento da agenda regressiva, barrar o retrocesso liderado hoje por Michel Temer e construir caminhos para a retomada dos direitos subtraídos”, concluiu o presidente da CTB.
Adilson Araújo
Um dos fundadores da CTB, Adilson Araújo é baiano de coração e dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia. Primeiro presidente da estadual baiana, Adilson ocupou o cargo entre 2008 e 2013, sendo sucedido pelo metalúrgico Aurino Pedreira.

Confira a programação detalhada:

4º Congresso Nacional da CTB e Seminário Internacional “A crise econômica Global e o mundo do trabalho”

Local: Gran Hotel Stella Maris Resort & Conventions - Salvador - Bahia

Dias 24, 25 e 26 de agosto de 2017

23 de Agosto – Quarta-feira
08h00 às 12h00 – Recepção da delegação internacional

24 de agosto – Quinta-feira
08h30 – Credenciamento Delegados e Delegadas Nacionais e Internacionais

1ª MESA - 09:30 - "Globalização, direitos e democracia” 
Expositor: Embaixador Celso Amorim

10:15 - Participação do plenário
11:45 - Considerações finais do expositor
12:15 - Intervalo para almoço

2ª MESA -14:00- “A crise capitalista e os impactos no mundo do trabalho”

Expositores:
1. Mzwandile Michael Makwayiba – Federação Sindical Mundial
A classe trabalhadora está pagando o ônus da crise

2. Sérgio Barroso – Fundação Maurício Grabois
A quarta revolução industrial e os desafios do sindicalismo

3. Augusto Praça – CGTP-IN (Portugal)
A quarta revolução industrial e o futuro do trabalho

4. Peter Poschen – OIT Brasil: 
A crise e o mercado de trabalho

15:20 - Participação do plenário
16:50 - Considerações finais dos expositores
17:20 - Encerramento

18h30 – Abertura Oficial do 4º Congresso Nacional da CTB

19h00 – Apresentação do Documento do 4º Congresso
20h00 – Sessão Solene de Abertura

25 de agosto – Sexta-feira
08h30 – Credenciamento de Delegados Nacionais
09h00 – Painel: SIGNOS E SIGNIFICADOS DA CONSTRUÇÃO DA CTB
10h00 – Intervenção do plenário
11h00 – Painel: A LUTA EMANCIPACIONISTA E O TRABALHO
12h00 – Intervenção do plenário
13h00 – Almoço
14h00 – Encerramento do credenciamento 
14h00 – Intervenção do plenário
15h00 – Painel: AS CONTRARREFORMAS E OS DESAFIOS DO MOVIMENTO SINDICAL
16h30 – Intervenção do plenário
20h00 – Encerramento dos trabalhos 
20h15 - Lançamento do Livro: “O Golpe do Capital contra o Trabalho – Umberto Martins
20h30 - Jantar

26 de agosto – Sábado
09h00 – Resolução sobre Estatuto e Resolução sobre Finanças
10h00 – Intervenção do plenário
11h00 – Apresentação do Balanço da CTB
11h30 – Intervenção do plenário
12h30 – Apresentação do Plano de Lutas
12h50 – Intervenção do plenário
13h30 – Almoço
14h30 – Abertura do processo eleitoral: inscrição de chapas
15h30 – Encerramento do prazo de inscrição de chapas
16h00 – Apresentação e defesa de chapa e do Programa da CTB (2017/2021) 
16h30 – Eleição e posse da Nova Direção
21h00 - Festa de Confraternização

27 de agosto – Domingo
Retorno das delegações 



Fonte: Portal CTB

Encontro fortalece defesa do manancial Piquiri-UNA. - CPC/RN PRESENTE!


(Estação de captação da CAERN no rio Piquiri)

Aconteceu em Nova Cruz, na manhã desta quinta feira, 17 de Agosto, no Clube do Povo – Mercado Público, mais um encontro com representantes da sociedade e de Igrejas, em defesa do manancial dos rios, Piquiri e Una”, promovido pelo “Fórum Permanente S.O.S. rios, Piquiri e Una”, com o objetivo de ampliar os agentes de mobilização desta luta que terá um importante momento regional em Outubro deste ano.

O manancial é o provedor da água potável para a população dos municípios de Pedro Velho, Montanhas e Nova Cruz e, quando da construção da nova adutora pelo governo do estado, se estenderá até os municípios de Santo Antonio e Serrinha.






O encontro desta manhã contou com representantes de Igrejas Evangélicas,  da Igreja Católica – através do Serviço de Assistência Social –SAR da Arquidiocese de Natal e da Pastoral da Comunicação (Pascom da Paróquia de Nova Cruz), da EMATER/Escritório local, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, de Associações, do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN, do CRAS de Nova Cruz, da Câmara Municipal de Nova Cruz, dos Conselhos: Municipal e Tutelar de Nova Cruz, e de populares, que debateram e definiram as estratégias de mobilização para o grande evento que marca o dia “D” de luta em defesa dos rios, previsto para Outubro deste ano e que busca dar visibilidade às diversas autoridades, municipais, estaduais e federais, dos problemas detectados nestes rios, que já afetam suas capacidades de abastecimentos e de promoção do desenvolvimento econômico destas populações.

O Rio Piquiri abastece uma população de aproximadamente 150 mil habitantes no Agreste e litoral sul potiguares, com uma adutora que já está obsoleta há pelo menos 20 anos. Estudos relatados pelo Fórum dão conta de que o rio está com capacidade cada vez menor, em virtude do assoreamento desenfreado, dos desvios dos cursos das águas, dos desmatamentos em suas margens promovidos pelas usinas, enfim, por uma gama de fatores apresentados e com um futuro agravante: A construção de uma nova adutora, com vazão direta do manancial até Nova Cruz e com ampliação até os municípios de Santo Antonio e Serrinha, anunciada pelo Governo do Estado. É necessário, portanto, um amplo e permanente trabalho de mobilização para a preservação do rio Piquiri e de implantações de projetos sustentáveis, que permitam sua plena saúde, para que ele possa em retribuição manter estes abastecimentos e o desenvolvimento das populações por ele, beneficiadas.

(Matéria Claudio Lima - Fotos Eduardo Vasconcelos)
 Membros do Fórum Social de Políticas Públicas de Nova Cruz e convidados, após reunião

 Carlinhos - Coordenação do Fórum
 Eduardo Vasconcelos - CPC/RN participando das discussões e encaminhamentos do FÓRUM
 Intervenções muito bem colocadas de Juliane Oliveira - representante da EMATER - Nova Cruz

 Listas de presenças
 Convite feito a sociedade civil e organizada

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Falta de políticas para o campo afasta jovens do ensino superior

A licenciatura em Educação do Campo é destinada à qualificação do ensino e ao fortalecimento das comunidades rurais
A licenciatura em Educação do Campo é destinada à qualificação do ensino e ao fortalecimento das comunidades rurais - foto: MST


A insuficiência de políticas públicas de valorização da agricultura familiar faz com que a universidade seja um sonho distante para os jovens camponeses. Tanto é que mais de 80% dos estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília (UnB) são os primeiros da família a entrar em um curso de nível superior. Sem contar o grande número deles que sequer concluiu o ensino médio. 

A omissão do Estado na garantia do direito à educação da população do campo, incluindo quilombolas e indígenas, explica também a alta procura pelo curso oferecido na UnB. No último processo seletivo, foram 1.500 candidatos para as 120 vagas oferecidas. No entanto, dos aprovados, apenas 56 conseguiram se matricular.

“Em sua maioria, são jovens que, mesmo com as políticas de acesso, precisam trabalhar para sustentar suas famílias e não conseguem ficar tempos muito longos sem trabalho, apenas estudando. Estamos falando de estudantes que recebem R$ 400 mensais de bolsa e que ainda dividem com a família durante o período em que não podem trabalhar para ajudar no sustento", conta a professora Eliene Novaes Rocha. “Jovens mães que não têm com quem deixar os filhos, professores terceirizados que são ameaçados de perder o emprego caso fiquem dois meses na universidade estudando, ou ainda, que às vezes precisam pagar do seu próprio bolso um substituto pelo período que estão em aula”, completa.

Outro fator, segundo ela, é que a falta de investimentos no campo desencoraja muitos jovens que sequer sabem que a educação superior é um direito. E que sonham com profissões da cidade. “É neste sentido que defendemos que muitos jovens possam concorrer à formação que dê condições de permanecer no campo, atuando nas escolas, nos espaços políticos, nas organizações sociais.” 

Ao contrário de muitas universidades federais em dificuldades financeiras para continuar oferecendo a licenciatura sem ter de recorrer a parcerias, a UnB está com inscrições abertas para o curso com início em 2018. E o de 2019 também está confirmado.

Pioneira 

A licenciatura da UnB foi aprovada em 2007 pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão como um curso regular, vinculado à UnB Planaltina (FUP), voltado à formação de professores para a escola de Educação Básica do Campo, com ênfase na construção da organização escolar e do trabalho pedagógico para os anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. E passou a integrar o projeto piloto do Ministério da Educação (MEC) das Licenciaturas em Educação do Campo. 

Ao longo de quase dez anos, formou seis turmas, um total de aproximadamente 200 estudantes. Atualmente há cinco turmas em andamento, com 211 estudantes distribuídos nas habilitações de Linguagens, Ciências da Natureza e Matemática. 

Oriundos de comunidades rurais, são assentados e acampados da reforma agrária, agricultores familiares e especialmente quilombolas, entre eles os do maior quilombo brasileiro, no território Kalunga, localizando entre os municípios de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre, em Goiás, a aproximadamente 300 km de Brasília. Há também estudantes vindos do Distrito Federal e seu entorno, localidades goianas próximas ao Distrito Federal e noroeste de Minas Gerais.

“O curso já foi oferecido no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. A reorganização geográfica, priorizando territórios em que se concentra a maior atuação da UnB-Planaltina, se deu pela necessidade de uma atuação mais efetiva nas atividades do Tempo Comunidade como etapa pedagógica importante do curso, bem como por uma estratégia para fortalecer a atuação territorial dos envolvidos no curso e nas comunidades rurais. Ou seja, fortalecer o sentido e papel da UnB no desenvolvimento das comunidades dos educandos que estão no curso”, conta a professora.

A organização do curso é feita de acordo com a pedagogia da alternância, em que os estudantes passam um período estudando no campus – o chamado tempo Universidade –, e outro período na sua comunidade. São momentos formativos e pedagógicos articulados, quando questões da vida cotidiana das comunidades são trazidas para o debate na universidade, ampliando a construção do conhecimento dos educandos por meio da apropriação do conhecimento teórico-científico. Essa inter-relação, conforme a professora, ocorre de maneira permanente e permite que o processo de diálogo sobre a educação, o desenvolvimento das comunidades e as questões cotidianas sejam pautadas no processo de construção do conhecimento científico.

“A formação é para estes novos professores poderem atuar nas disciplinas específicas de suas áreas de conhecimento nas escolas do campo, nos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Por ser um curso organizado por área, a questão inter e transdisciplinar é fundamental, pois os diversos conhecimentos estão articulados entre si.”

São aproximadamente 28 professores concursados e admitidos em 2013 para fortalecer e consolidar dentro das universidade os cursos de Licenciatura em Educação do Campo. Em sua maioria, têm atuação na área e vêm de outros espaços de luta pelo direito à educação. Há também professores que entraram no curso e que estão em processo de ampliação do aprendizado sobre o campo e a educação camponesa.

A equipe multidisciplinar atende diversos aspectos da formação dos futuros educadores do campo. Embora os professores não sejam exclusivos do curso, sua lotação é prioritária no atendimento às suas demandas, tanto para as aulas no tempo Universidade, como também no acompanhamento das atividades do tempo Comunidade. 

De acordo com a professora, o curso vem sendo estruturado para assegurar o direito à educação aos camponeses, quilombolas e indígenas. “E este curso de caráter permanente visa assegurar a oferta permanente de formação de professores para atuar nas escolas do campo. O vestibular em andamento tem como objetivo cumprir o compromisso assumido pela UnB de assegurar a entrada 140 novos educandos em 2018, o que garantiria o cumprimento da meta do MEC.”

Segundo ela, quando teve sua ampliação aprovada pelo ministério, a instituição investiu em políticas para a permanência de estudantes de baixa renda que fossem além da oferta de restaurante universitário gratuito e o pagamento de bolsa permanência, criados nos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O valor da bolsa para camponeses é de R$ 400. Quilombolas e indígenas recebem R$ 960. Atualmente, o Ministério da Educação oferece apenas bolsa permanência para quilombolas e indígenas. Os demais estudantes podem pedir auxílio estudantil, política interna da UnB de apoio a estudantes.

“Isso não quer dizer que a UnB esteja livre da situação de pressão e sucateamento que afeta as demais universidades. Porém, a construção histórica desta universidade para assegurar o direito à educação para os povos fez com que tivéssemos políticas mais estruturantes para manter o andamento do curso mesmo em tempo de crise. O quadro de professores lotados no curso, construção do alojamento estudantil, isenção da alimentação estudantes, programa de bolsa permanência e auxílio estudantil e Ciranda Infantil. A licenciatura em Educação do Campo é o único curso da UnB que tem espaço para receber as crianças, filhos dos educandos com até 4 anos de idade, para que os pais possam trazê-los no período de tempo Comunidade”, afirma Eliene. 

No entanto, segundo ela, estas políticas estão ameaçadas na medida em que o orçamento da universidade vem sofrendo cortes. “Mas a atual reitoria vem cumprindo todos os compromissos assumidos com o MEC, mesmo com a ausência de repasses de recursos para a continuidade e ampliação dos cursos.”



Por Cida Oliveira, da Rede Brasil Atual

O fim do mundo chegou para as universidades brasileiras

  


Fato, não se trata de uma situação propriamente nova. Mesmo que distem anos, ainda é fácil lembrar dos governos de Fernando Henrique Cardoso, em que a mesmíssima situação se fez presente. Atesto tal realidade enquanto testemunho pessoal. À época, era reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e tinha como um de meus principais desafios administrar um orçamento exíguo.

Contudo, espanta que o reencontro com essa situação ocorra de modo tão apático, sem gerar quase nenhuma forma de escândalo. É curioso notar que, não faz tanto tempo, a mera mudança na forma de organização do Enem fora capaz de sacudir a mídia brasileira, produzindo reações indignadas – as quais ocuparam noticiários televisivos e capas de jornais e revistas por dias a fio.
Eis, por outro lado, uma realidade quase sonegada atualmente.

Estudo conduzido pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta para um corte de 30% no valor total liberado às universidades e instituições federais de ensino técnico para custeio, além da restrição de 60% no valor designado para investimentos. Na risca do lápis, nada menos que R$ 2,1 bilhões estão retidos pelo governo Temer. Considere-se ainda que o orçamento previsto para o ensino técnico e superior federal já havia sido reduzido na ordem de 11% entre 2016 e 2017.

O estrangulamento de recursos também é uma das marcas da nova política de concessão de bolsas a pesquisadores e estudantes pelo governo Temer. De início, registre-se, antes mesmo do corte de verbas, o corte do número de bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2015, eram distribuídas mais de 163 mil bolsas. Atualmente, esse número reduziu-se a menos da metade (80 mil). As bolsas de mestrado e doutorado estão incluídas nessa devastação. Se em 2015 eram oferecidas cerca de 19 mil em cada modalidade, hoje não passam de aproximadamente 8 mil cada.

Contudo, a situação se agravou ainda mais esse ano. Mesmo as poucas bolsas sobreviventes correm o risco de não serem pagas. Notícia recente dá conta de que o CNPq esgotou todo o seu orçamento para tal atividade, possuindo recursos para pagar as bolsas apenas até agosto – pagamento que deverá ser feito no início de setembro.

Como consequência, diversas universidades podem se ver obrigadas a simplesmente interromper suas atividades de pós-graduação, ferindo de morte várias iniciativas relacionadas ao campo da pesquisa acadêmica. É o caso, por exemplo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nota divulgada pela reitoria da instituição lembra que o programa de iniciação científica, em vigor desde 1951, “nunca sofreu descontinuidade mesmo em momentos mais graves de crise econômica e durante governos de diferentes matizes ideológicas”.

A minuta divulgada pela Andifes ainda lembra outras dificuldades que se avizinham para as universidades: necessidade de restrição da força de trabalho contratada, dificuldade para pagamento de elementos básicos para funcionamento (como energia elétrica e água), restrição no orçamento para compra de insumos para atividades de aula e para a manutenção dos cursos, paralisação de obras em andamento, além da quase completa interrupção da política de compra de livros para bibliotecas.

O futuro da Educação Superior e pesquisa no país é, portanto, estonteante. Junte-se a isso outras iniciativas nefastas, como a que pretende por fim à política de diálogo e aproximação entre os países do continente posta em prática com a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), localizada em Foz do Iguaçu (PR), e teremos um cenário de verdadeiro desespero.

Mesmo assim, vemos os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia atuando de maneira inerme, sem esboçar qualquer tipo de reação. Trata-se de algo inconcebível.
Não há dúvidas de que o governo Temer seja um celeiro de motivos para indignação. Contudo, o que se passa quanto a Educação Superior no país é de gravidade maior. Cabe a nós, portanto, fazer com que tal questão ganhe a dimensão que verdadeiramente merece.



Fonte: Mídia Ninja

Conferência de Educação debaterá alternativas contra desmonte do setor

Conepe é espaço para debate das alternativas para a educação nacional
Conepe é espaço para debate das alternativas para a educação nacional - foto: Arquivo EBC



Instância de resistência e reação ao desmonte da educação pelo governo de Michel Temer (PMDB), a Conferência Nacional Popular de Educação – Conape 2018, marcada para abril do próximo ano, tem confirmada a adesão de fóruns estaduais do setor de 18 estados e do Distrito Federal. A expectativa é que esse número aumente, já que muitos colegiados ainda estão em diálogo com entidades e gestores. 

Entre os objetivos da Conape estão o monitoramento das metas e a análise crítica das medidas que inviabilizam a efetivação do Plano Nacional de Educação (PNE), em especial a aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que estabelece um teto de 20 anos aos gastos públicos federais. A medida afeta principalmente a educação.

A organização das conferências regionais, visando a etapa estadual, está mais adiantada no Distrito Federal. O fórum distrital, em funcionamento desde 2012, composto por mais de 22 entidades, das quais 15 da sociedade civil, já definiu seu calendário. Até o final de setembro, deverão ser realizadas 14 conferências regionais.

Em Rondônia, onde o colegiado estadual existe apenas no papel, o sindicato dos trabalhadores em educação no estado se retirou e decidiu criar uma comissão para constituir o fórum popular estadual, que terá a incumbência de organizar onze conferências regionais. 

No Mato Grosso do Sul, o Fórum Estadual de Educação prevê 14 conferências municipais e uma estadual. A Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), a associação dos seus docentes e a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) já anunciaram apoio.

Entidades e movimentos do Rio de Janeiro decidiram continuar no Fórum Estadual. E pelo que tudo indica não terão condições de realizar as etapas municipais e estadual antes de março. Mesmo assim, vão contribuir com o Conape por meio da sistematização de suas conferências. Em Goiás ainda não há definição de agenda para as etapas regionais, mas há o compromisso da realização.

O governo de Flávio Dino (PCdoB), no Maranhão, já manifestou apoio à organização das etapas no estado. E em Minas Gerais, onde o Fórum Estadual é coordenado pela regional mineira da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), está confirmada adesão à Conape. E há possibilidade de o governo sediar a etapa nacional, prevista inicialmente para Brasília, no final de abril.

Dificuldades

A preocupação central do fórum estadual do Piauí é o financiamento da Conape: Como garantir a participação dos delegados na conferência popular?

Em São Paulo, onde o Fórum Estadual mantém o vínculo com a secretaria estadual do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), alguns municípios já fizeram suas etapas. No entanto, a pasta já anunciou dificuldades em financiar a etapa estadual.

Em Santa Catarina as entidades aderiram ao Conae, mas também mantiveram vínculo como o colegiado estadual, que pretende fazer as etapas embora anuncie não haver recursos. 

No Espírito Santo, onde as entidades decidiram se manter unidas ao fórum estadual apesar de praticamente nem se reunir, será definido um calendário de etapas municipais e estadual à revelia do governo estadual. A situação é semelhante à do Mato Grosso, onde há tentativa de articulação com o governo. Se não houver acordo, as entidades farão as conferências por conta.

O Ceará deverá participar da conferência nacional que for realizada, seja a do Fórum Nacional Popular ou mesmo da oficial, caso o Ministério da Educação convocar.

Os estados do Rio Grande do Norte, Paraná e Bahia ainda não definiram a adesão. Pernambuco terá conferência estadual realizada pelo próprio fórum estadual, ao qual as entidades decidiram permanecer vinculadas.

Resistência

Para a segunda secretária da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) e integrante da organização da Conape, Miriam Alves, independentemente do nome que as conferências estaduais venham a ter, o importante é o foco na resistência. "Há uma disputa nos fóruns estaduais de Educação que mostra a força do momento golpista que estamos vivendo. Penso que esse é o momento em que a gente se junta para se fortalecer", afirma, ressaltando que em muitos estados as entidades estão definindo se vão manter a participação nas tradicionais conferências estaduais de educação, ou se participam apenas das conferências estaduais populares.

Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e coordenador do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), que organiza a Conape, Heleno Araújo lembra que os estados são livres para elaborar suas estratégias e por isso é preciso flexibilidade. "O mais importante é fazer a resistência política e trazer as contribuições dos estados para a Conferência Nacional Popular da Educação."

O caráter do movimento, segundo ele, é de mobilização, de autofinanciamento. "Mesmo que os governos estaduais não queiram apoiar, nós vamos buscar recursos". 

A coordenação do FNPE já definiu o regimento e documento de referência da conferência, que logo estarão disponíveis para consulta.

O Ministério da Educação, por sua vez, ainda não apresentou documento de referência e nem orçamento para a realização da 3ª Conferência Nacional de Educação (Conae), prevista para 2018, ainda sem definição de data.

A Conape 2018 é uma das reações das entidades de educação à portaria 577 do Ministério da Educação (MEC). Editada em 27 de abril pelo ministro Mendonça Filho (DEM-PE), modifica a composição do Fórum Nacional de Educação (FNE), exclui representantes de diversas entidades do setor e transfere do FNE para a secretaria executiva do MEC a competência de realizar a Conferência Nacional de Educação (Conae) e de acompanhar o cumprimento de suas deliberações. 




Por Cida Oliveira, da Rede Brasil Atual

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O que acontece no cérebro masculino ao se tornar pai?

 


Mesmo que seja um filho muito desejado pelo pai de primeira viagem, o mundo das preocupações pode despertar e tem seu momento culminante entre a quarta e a sexta semana após o homem tomar conhecimento da notícia, de acordo com um estudo realizado na Austrália em mais de 200 casais.

As preocupações dos futuros papais giram em torno de três eixos: a relação de casal após o nascimento do filho, o trabalho e, claro, o sexo (e não mencionamos o caso de a criança não ser desejada, o que possivelmente faria com que as preocupações se transformassem em angústia). Além disso, como cada pessoa expressa o que a inquieta de uma forma diferente, não é de se estranhar que no começo da gravidez o homem se mostre mais distante e mais ensimesmado, com a cabeça girando. Não é que não queiram (em alguns casos pode ser que seja assim), mas simplesmente a química os leva a isso.

Durante a gravidez o mundo das preocupações continua, mas a química se encarrega de reduzir o interesse sexual em um momento em que a fecundação não é possível. Faz tudo isso através de dois hormônios, fundamentalmente: a testosterona e a prolactina. A testosterona é o hormônio rei do homem, que lhe traz força, domínio e agressividade. Quando a companheira está grávida, esse hormônio cai e tem seu nível mais baixo durante as três semanas anteriores ao parto, que chega até a 33% menos. A prolactina, pelo contrário, aumenta em até 20% no mesmo período de tempo.

Graças a ela o homem desenvolve novos instintos paternais como aguçar o ouvido quando o bebê chora e diminuir o instinto sexual durante os meses de gestação. É também a responsável pelo fato de alguns pais, especialmente os de primeira viagem, sofrerem a síndrome de Couvade ou “gravidez empática” e que aumentem de peso como se eles também estivessem grávidos (se isso aconteceu com você, pelo menos já tem a explicação: a prolactina). Passado algum tempo, os dois hormônios se reajustam, curiosamente, após a quarentena e quando o filho anda chegam ao seu nível original, como explica Louann Brizendine em seu livro “O Cérebro Masculino”.

A química do cérebro do homem também desperta o instinto protetor com seu filho e a sensação de satisfação. Quando o bebê sorri ao seu pai quando ele troca suas fraldas e lhe faz um carinho, o circuito de recompensa do homem é ativado, o faz sentir-se muito bem e, sobretudo, reforça seu laço de união com seu filho. Por isso, é muito importante que exista um contato diário do pai com seu filho e que a mulher o deixe ser parte do cuidado desde o primeiro momento, ainda que algumas pensem que seu companheiro não é competente na matéria e alguns prefiram se eximir de certas rotinas.

É muito importante que ocorra um contato diário do pai com seu filho e que a mulher lhe deixe ser parte desse cuidado desde o primeiro momento

Tudo isso tem vantagens muito consideráveis, uma delas para o pai, que o ajuda a fabricar oxitocina, o hormônio do prazer e que o faz sentir-se muito bem consigo mesmo. Também tem vantagens para a criança. O papel coprotagonista do pai ajuda o bebê a ganhar mais confiança em si mesmo. Igualmente, a forma de brincar do pai, que costuma desobedecer algumas regras e que é bem diferente da forma da mãe, é um estímulo à aprendizagem do filho. A vantagem do coprotagonismo durante os primeiros meses também vale para o casal. Ainda que um bebê seja um fator de estresse para uma relação (não vamos nos enganar), se o pai ao menos se envolver desde o começo e a mãe não criticar o que ele faz, os laços de casal se reforçam. Por tudo isso, vale a pena tentá-lo.

Definitivamente, nosso cérebro nos permitiu chegar até aqui como espécie. Por isso, não é de se estranhar que as reações químicas do homem comecem quando chega a notícia de sua paternidade e durem por toda a vida. O objetivo é a criança, mas o fato de ser pai também tem um benefício pessoal ao homem, que o ajuda a acessar novos registros emocionais onde existe mais carinho e maior proveito das pequenas recompensas.

 
Fonte: El Pais