ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

CCJ fará duas audiências sobre a reforma trabalhista nesta terça

 
Edilson Rodrigues/Agência Senado

A primeira audiência está marcada para as 10h. Participam da mesa a ministra Delaide Alves Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho (TST); os juízes do Trabalho Marlos Augusto Melek e Rodrigo Dias; o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury; o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade; e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.


A segunda audiência começa às 15 horas. Os senadores devem ouvir o presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Gonçalves de Araújo; o presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Ângelo Fabiano Farias da Costa; o professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) Antônio Galvão Peres; o presidente do PSB, Carlos Siqueira; o presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Guilherme Guimarães Feliciano; e o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), relator da reforma trabalhista na Câmara.

O requerimento para as duas audiências públicas é do senador Paulo Paim (PT-RS). Os debates ocorrem na sala 3, da Ala Alexandre Costa. 



Fonte: Agência Senado

A arte da troca e resistência política: quatro dias de pluralidade, construção e histórias – Por Lorena Alves*

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Andando e conhecendo as histórias da juventude do Araguaia. As madrugadas no alojamento da União da Juventude Socialista no 55° Congresso da UNE foram regadas de “biscoito ou bolacha”, legalize, dance, acorde cedo, e resista. Minas Gerais foi sede de corajosos.
Quantos estados brasileiros vocês conhecem? Geralmente costuma-se ir aos locais para se aproximar da cultura regional, porém nos congressos estudantis as histórias se reúnem em um único lugar, e quando você se dá conta o contato já virou vivência. Sotaque, hora de acordar, palavras de ordem, gritos, músicas, bebidas escolhidas, nomes para as comidas… A diversidade, de fato, ecoou nos 4 dias  e 4 cantos no 55° Congresso da UNE em Belo Horizonte – Minas Gerais, em especial no alojamento da União da Juventude Socialista (UJS), localizado no Centro de Convenções Risoleta Neves, a aproximadamente 30 minutos da UFMG e Mineirinho – locais onde o evento foi sediado.
Os militantes da juventude do Araguaia mostraram força durante os quatro dias do congresso e em toda organização do alojamento. O evento que ocorreu do dia 14/06 a 18/06, reuniu cerca de 15 mil estudantes. A maioria dos jovens da UJS chegaram na quinta-feira (15/06), devido os horários variarem conforme o estado dos estudantes. Rapidamente eles ocuparam o espaço Risoleta Neves.
A UNE representa amplitude política, e as diferentes regionalidades que estão inseridas nas muitas histórias de 80 anos da entidade. Os dias no alojamento possibilitaram a troca de experiência e luta política de quem está começando na militância do movimento estudantil, e com muita coragem foi para Belo Horizonte representar os estudantes de sua universidade. Muitas pessoas nunca tinham acampado e nem conhecido gente de tantos cantos brasileiros. Nesse acoplado de conversas estão alguns dos personagens do alojamento da União da Juventude Socialista – oriundos do Tocantins, Piauí, Bahia, Ceará, Amapá, Brasília e São Paulo.
Na noite do sábado (17/06) em entrevista à UJS, a estudante Talita nos relatou a importância da construção do movimento estudantil após o congresso. Ela representa a diversidade regional que simboliza a entidade, e nos contou:
“Meu nome é Talita, sou de Palmas, Tocantins, e curso Letras Libras no campus de Porto Nacional. O Congresso da UNE tem sido uma experiência maravilhosa, porque ela começa desde a universidade, quando formam as chapas, por exemplo. Eu e minha amiga somos delegadas, fomos eleitas para estar representando nossa faculdade, ou seja, elegendo as propostas, a partir desse ano, que estão sendo defendidas pela União dos Estudantes, e garantir que a nova gestão da UNE tenha a cara da coragem. Esse congresso é um crescimento não só intelectual, mas também de militância estudantil, porque é a primeira vez que estou aqui no CONUNE, e quero sair daqui com força para mudar o meu campus”.
Estudante do Tocantins no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

Assim como Talita, que está longe do eixo regional do sudeste, está o estudante Adriano Barros: “Meu nome é Adriano Barros, tenho 26 anos, sou do Piauí do município de Floriano. e esse é meu primeiro Congresso da UNE. O que vou levar de experiência daqui é o envolvimento político muito forte, e isso é motivador, além da união e companheirismo entre os militantes. Todos nós estamos determinados e empenhados em defender os nossos ideais e posicionamentos, isso é inspirador.” Ele considera importante a expansão de todo processo de construção no congresso e deseja que os pensamentos dos militantes sejam levados para outros lugares, além dos espaços debatidos.
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Estudante do Piauí no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros
O nordeste também estava em peso, e não deixou de mostrar sua cara: “Meu nome é Dandara, tenho 22 anos, esse é meu primeiro congresso. Estudo na UFBA (Universidade Federal da Bahia) e sou apaixonada por estudar a disciplina de Artes. Estou amando essa experiência… É muito diferente, conhecer tantas pessoas e coisas assim. Esperei muitas coisas, e muitas outras surpreenderam, inclusive esse frio.” As noites em Minas Gerais tiveram baixas temperaturas.
Dandara, estudante da UFBA, no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

Leninson Brito de Jesus, estudante baiano, também estava animado com o Congresso: “Boa noite, meu nome é Leninson Brito de Jesus, sou da UJS Salvador Bahia. Estou na minha segunda graduação, e pretendo depois fazer Direito. É o segundo congresso que eu participo e a expectativa é que melhore sempre, tanto a educação quanto os eventos estudantis”.
Leninson, militante da UJS Bahia, no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

A cearense Dava, estudante de Administração de Empresas na FANOR (Faculdade Nordeste), universidade de Fortaleza, compõe a União da Juventude Socialista do Ceará. “Nós (UJS Ceará) estamos aqui no 55° Congresso da UNE, maior fórum estudantil da América Latina, porque é muito importante para juventude, e para os trabalhadores. Hoje em dia o perfil da juventude é de trabalhador e estudante que quer um futuro melhor para o Brasil. Estamos na luta, e pautando um movimento que realmente caiba no dia a dia dos estudantes, na sua base. Queremos eleger a tese que realmente represente esses estudantes, que lute contra esses retrocessos que atingem a classe trabalhadora e os estudantes. Vamos votar na Marianna Dias (eleita no mesmo dia da fala da cearense) porque acreditamos que ela é a figura política que terá esse comprometimento com as universidades brasileiras.”
Dava, estudante do Ceará no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari.

Daniel de Souza Ferreira, 23 anos, Brasília, também nos relatou sua experiência: “Eu estudo na UNB, faço o curso de tradução em inglês e conheci a UJS por meio de um amigo do movimento em um curso de formação em 2015. Vim para o congresso como observador, estava em um dos 5 ônibus que saíram de lá. Foram 14 horas de viagem por um motivo muito importante, a luta é legítima. Não tem como não se indignar com a situação de repressão em Brasília, uma PM agressiva tacando bomba já não é novidade”, em referência a última  a manifestação em frente ao Congresso  Nacional. O congresso da UNE é importante também para mobilização de uma educação que valorize os professores, ressaltou Daniel em sua fala: “não há como avançar com os professores sendo desvalorizados em Brasília e no Brasil todo”.
Abmar Bárbara Banozo, acompanhava seu amigo conterrâneo. Ele, que tem 22 anos e é delegado da UNIP, participou de seu primeiro congresso. Banozo se filiou a UJS na Bienal da UNE (2017) em Fortaleza, porque se viu representado como LGBT, assim como nos debates nos quais participou durante esse congresso. Ele é o único aluno do período diurno de sua universidade que está representando as pautas estudantis.
Estudantes de Brasília no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari
Wellington Thiago, estudante secundarista do Paraná, no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari.

O militante Wellington Thiago, secundarista da UJS Paraná, compareceu ao 55º Congresso da UNE e destacou a importância da presença em grande escala dos estudantes, mesmo ele tendo apenas 17 anos. O garoto que mora em Campo Largo, “eu digo aqui pro pessoal que vim de Curitiba, porque ninguém conhece Campo Largo”, estuda Artes Cênicas, faz teatro no Casarão dos Estudantes, a casa da União Paranaense dos Estudantes (UPE), “recuperamos o Casarão por meio da ocupação, e participei das intervenções artísticas”, ele que tem um grande compromisso com a entidade e os estudantes secundaristas. Thiago garantiu que tem paixão pelo mundo artístico elogiando as iniciativas da UNE, como na 10ª Bienal deste ano no Dragão do Mar em Fortaleza, evento em que se filiou a UJS, se aproximando ainda mais da militância.
Hoje, Thiago toca na bateria, e foi para Fortaleza em janeiro para o encontro de Grêmios, representando o Colégio Estadual João Ferreira Kuster, no Paraná. Ele aceitou o convite de vir ao congresso em Belo Horizonte por ter noção da importância do momento histórico que estamos vivendo na política brasileira. De acordo com o estudante – Diretor da UPES no Paraná: “Meu irmão é PROUNI, FIES, Minha Casa Minha Vida, não tem como não apoiar esses programas que há anos vem mudando a realidade de muito brasileiros”.
A viagem do paranaense também foi longa: “Foram 16 horas de viagem, a cada parada era um fervo no posto, um grito de guerra, viemos animados e fortes”. Ele também destacou a presença da recém eleita Marianna Dias no seu estado, “a Marianna ficou meses no Paraná depois que em 2016 decaiu o movimento universitário na região. Ela foi ajudar a montar delegados, e fez um trabalho de base incrível”.
“Estou muito feliz por estar em Belo Horizonte, meu avô era circense aqui, e além do ato político que esse lugar está representando, também me resgatou sentimentalidade, numa grande contemplação por saber que viemos preparados para o congresso. É minha primeira vez em BH, e não será a última. Voltarei como universitário, irei cursar Jornalismo na UEL”, conclui o estudante secundarista.
Estudantes de Rio Claro, interior de São Paulo, no alojamento da UJS | Foto: Lorena Alves

A maior bancada do Brasil da União da Juventude Socialista contou com aproximadamente 3 mil estudantes das mais diversas regiões de São Paulo, entre elas Rio Claro – interior do Estado. Luesley Luiz Alves, no centro da foto, estudante da UNESP – Instituto de Geociências e Ciências Exatas relatou que sua turma levou 12 horas para chegar no 55º Congresso da UNE. Eles estavam com uma grande expectativa para plenária fina e, nas palavras do estudante: “Hoje é um dia em que iremos fazer a defesa da política que será eleita. Queremos eleger uma representante que de fato, nos próximos 2 anos, represente os mais de 6 milhões de universitários de todo Brasil. Estamos nos desdobrando para participar do máximo de debates, temas e pautas. É isso, é UJS! Vamos à luta!”.
O estudante Henrique Pereira também estava com grandes expectativas: “Meu nome é Henrique Pereira, estudo Comércio Exterior em Rio Claro. Minha expectativa para plenária de hoje é de muito espaço para o estudante colocar as pautas mais importantes dentro da universidade, para mostrar a realidade dos estudantes e correr atrás dos direitos que o atual governo tem tirado da gente”.
Henrique Pereira, estudante do interior de São Paulo, no alojamento da UJS | Foto: Lorena Alves

E viva o Movimento Vem Quem Tem Coragem, construído nacionalmente para que todas essas pessoas pudessem e possam ter voz em suas universidades, porque só quem tem a cara do Brasil conseguirá alcançar as mudanças que o país precisa. Nos quatro dias de evento, as forças de lutas acordavam cedo no frio de Minas de Gerais; os militantes da bateria Ritmo da Luta de cada região se reuniam para representar a juventude na UFMG na maior tenda entre as entidades e no Mineirinho, simbolizando a ansiedade, o esforço na construção do congresso e a vitória. Cada plenária regional no alojamento fortalecia as palavras de ordem, e unia os delegados e suplentes de cada universidade. Muitos participaram do congresso pela primeira vez e toda aquela ambientação, programação e tarefas foram novas experiências.
As noites no Centro de Convenções Risoleta Neves contaram também com muita festa, e aproximação entre os militantes da entidade. A UJS Paraná participou em peso da Virada Cultural organizada pela UJS de Belo Horizonte. Na descrição do evento, os organizadores destacaram que a realização do mesmo foi: “uma iniciativa pela descriminalização da arte urbana, do povo preto e de periferia e que garante a participação dos diversos ritmos que rolam entre a juventude, para além de ser um espaço politizado para a desconstrução das opressões e pelo livre acesso ao amor. Já foram duas grandes edições em BH e estamos transferindo o espaço, garantindo a maior festa que o alojamento da UJS já teve para deixar a turma bem feliz e legalize. Só fique atento porque nesse espaço só entra quem tem coragem de acordar cedo no outro dia, pois o congresso é de fundamental importância”.
Por universidades que representem a juventude brasileira, em especial as que lutam com a União da Juventude Socialista e por integração latino-americana. Minas Gerais foi sede de corajosos que cantam a esperança de um Brasil e mundo novo.
*Lorena Alves, 18 anos, estudante de jornalismo da Cásper Líbero, osasquense, feminista e comunista. Militante da UJS, colaboradora da Mídia Ninja e CUCA da UNE. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Haroldo Lima: A UNE e os jovens dão exemplo a ser seguido

 Marianna Dias é a nova presidenta da UNE



Marianna Dias é a nova presidenta da UNE - Foto: Henrique Silveira/Grito




Carina Vitral, a presidenta que encerrou com luzes seu mandato vitorioso de presidenta da UNE, é de Santos, a cidade onde fica o famoso “porto vermelho de Santos”, assim descrito nos “Subterrâneos da Liberdade” por Jorge Amado, pelas lutas memoráveis lá travadas pelos portuários. 

Essas duas jovens guerreiras seguem o caminho aberto em 1982 pela também baiana Clara Araújo, primeira mulher a presidir a UNE em toda sua história, caminho depois palmilhado por outras jovens, todas aguerridas, Gisela Mendonça (1986-1987), Patrícia de Angelis (1991-1992), Lúcia Stumpf (2007-2009) e Virgínia Barros, a Vic (2013 -2015). 

Participei desse 55º Congresso de Belo Horizonte, palestrando sobre petróleo, em um dos painéis montados pela UNE para pensar e discutir o Brasil. Abracei calorosamente a Carina Vitral e a Marianna Dias. Senti o clima efervescente do Congresso, envolvi-me nele. Depois, fiquei a refletir sobre o momento por que passa nosso país e a atitude daqueles jovens.

Vivemos uma grande crise. A pedra de toque dos nossos problemas está na existência de um governo ilegítimo, que chegou ao poder nos braços de um golpe e que ao se aboletar nos postos de comando do país levou para lá uma quadrilha. A cena é tão mais chocante quanto se sabe que o caminho para o assalto foi aberto com gritos hipócritas contra a corrupção. E os quadrilheiros, profissionais da corrupção, botaram para fora uma presidenta honesta, eleita pelo povo, contra a qual não se provou nada de ilícito, apoiando-se numa farsa deslavada, a tal “pedalada fiscal”. 

Mas esse golpe, urdido no Parlamento, no Ministério Público e no Judiciário foi propalado há anos pela grande mídia monopolizada, que fez campanha sistemática para desacreditar, em primeiro lugar os políticos de esquerda, e depois, a própria atividade política, colocando todos os homens públicos sob suspeita de corrupção, como se fossem “farinha do mesmo saco”. Com isso, protegia e embelezava seus comparsas, os corruptos, igualando-os a homens de bem, e difamava os homens de bem, nivelando-os aos corruptos. 

Essa cantilena mentirosa perseguia o objetivo de desmoralizar a Nação brasileira, de botar a autoestima de nosso povo “pra baixo”, fazendo-lhe acreditar que “esse país não tem jeito”. 

Um método faccioso de enfrentar a corrupção – o método da Lava Jato - foi posto em prática e incensado pela grande mídia: uma pirotecnia gigantesca alardeava que se estava combatendo a corrupção; alguns gatunos eram presos; pessoas eram escolhidas para serem liquidadas politicamente; “delações premiadas” eram providenciadas para comprometerem essas pessoas; “provas” eram substituídas por “convicções”; e o país ia descendo a ladeira e levado a um impasse. 
Paralelamente, com extrema eficácia, arrebentava-se, não com a corrupção e suas causas, mas com um conjunto de grandes empresas brasileiras, suspendendo contratos, paralisando obras, desempregando dezenas de milhares de postos de trabalho, tudo, supostamente para “combater a corrupção”. 

O país foi ficando desgovernado, ou melhor, governado por uma quadrilha de assaltantes e por alguns Procuradores e Juízes que nunca receberam um voto para nada. Céleres, as portas vão se abrindo rápidas para os homens do capital estrangeiro, tidos como “honestos”. A desesperança vai sendo alimentada diuturnamente.

É nesse quadro cinzento que o 55º Congresso da UNE rasga o véu para um outro discurso completamente diferente, enérgico, corajoso, vibrante, o de que o Brasil tem jeito sim, e de que, na base da mobilização de seu povo, com a juventude ao seu lado, dando-lhe força, poremos fim ao governo golpista e, através de eleições diretas, reconquistaremos a legitimidade do Poder soberano e abriremos o caminho para um futuro grandioso de Nação. 

A diversidade de posições políticas e de opiniões sobre os caminhos brasileiros para o futuro estiveram presentes no Congresso da UNE e, com muita convicção, foram respeitadas. Mas, é incrível como, no meio daquela moçada entusiasmada aos milhares, não se ouvia ninguém defendendo o governo que está aí. Ao contrário. Havia divergências e pontos de vista diferenciados em muitas coisas, mas unidade em torno do Fora Temer e Diretas Já.

As falas da Marianna Dias foram empolgantes. Foi bonito escutar a verve de suas mensagens contagiando a multidão de seus colegas orgulhosos de tê-la. 

Defendeu a união na luta. Expressou a força das ideias que unem. Disse que o caminho para a vitória é o da unidade. Afirmou que naquele Congresso, "a esquerda atingiu um nível de unidade nunca antes visto na história do país". Partidos, grupos, correntes, facções todos estavam lá democraticamente participando e prestigiando a UNE. Este é o exemplo dos nossos jovens estudantes para o avanço da luta libertária. 

A jovem ex-presidente da União dos Estudantes da Bahia, aluna de Pedagogia da Universidade Estadual da Bahia, a Uneb,, galvanizou seus pares ao chama-los para que seguissem esse exemplo da UNE, que é o da própria história de 80 anos da entidade, no qual sempre deu “prova de amor ao Brasil”. 

O chamamento de Marianna Dias, calou fundo no coração dos estudantes. Deve sensibilizar os brasileiros amantes da sua Pátria e da democracia, prontos a acolher o seu chamado e dar “uma prova de amor ao Brasil”, lutando por ideais grandiosos, que, como o Congresso da UNE definiu, passa pelo Fora Temer e Diretas Já.

Unidade e entusiasmo marcaram o 55o Congresso da UNE I Foto:Vitor Vogel/Cuca da UNE 

Haroldo Lima é membro da Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Marianna Dias: “A UNE é uma grande prova de amor ao Brasil”

 A nova presidenta ao falar no 55º Conune
 A nova presidenta ao falar no 55º Conune -Foto: Vitor Vogel

A estudante Marianna Dias, apesar de muito jovem, já tem uma larga experiência no movimento estudantil. Integrou o diretório acadêmico de Pedagogia da Uneb, presidiu a União dos Estudantes da Bahia (UEB) e era diretora de Relações Internacionais da UNE. Marianna integra a União da Juventude Socialista (UJS), organização juvenil que encabeçou o movimento Vem Quem Tem Coragem que uniu diversas correntes do movimento estudantil para participar do 55º Conune.

Ao assumir a presidência da histórica entidade dos universitários brasileiros, Marianna considera que a UNE tem três grandes desafios no campo político. O primeiro é fazer com que as pessoas acreditem na política. Para ela, “quando as pessoas deixam de acreditar que a política pode transformar a vida delas, a gente tem mais dificuldade de estabelecer mudanças no Brasil”. A líder estudantil considera que a política não pode ser vista como sinônimo de sujeira, de corrupção, de coisa ruim. Para ela é essencial disputar a consciência dos jovens, dos estudantes, no próximo período.

Outro desafio, segundo a nova presidenta da UNE, é fazer muita mobilização e colocar muito estudante na rua. O objetivo é “barrar os retrocessos, o avanço desse projeto que não foi aprovado pelas urnas no Brasil”, afirmou. O terceiro desafio é contribuir para que a democracia seja restabelecida no Brasil através do voto. Segundo Marianna, “a UNE tem feito uma campanha muito grande pelas Diretas Já, mas a próxima gestão terá ainda mais responsabilidade de falar sobre isso”.

Marianna Dias fala sobre os desafios da UNE


Prova de amor

Marianna Dias considera que a UNE tem um grande papel junto à juventude brasileira. Para ela a entidade “faz os estudantes acreditarem na política, faz os estudantes acreditarem que a educação é transformadora e luta para que os estudantes tenham acesso ao ensino superior no Brasil”. Até mesmo em termos de perspectiva de vida, a UNE dá esperança para que os estudantes. “A UNE é uma grande prova de amor ao Brasil”, afirmou.

Sobre a importância do 55º Conune, Marianna afirma que o evento contribuiu para comemorar em alto estilo os 80 anos da UNE porque os estudantes voltam para suas universidades animados e com coragem para transformar o Brasil. Ela considera que “fazer parte da luta política é tudo que o Brasil precisa e esta geração de jovens que confia na UNE, que constrói a UNE sairá do congresso para construir uma grande greve geral e reconstruir a democracia no Brasil”.

Marianna no Congresso da UNE


Unidade em defesa do Brasil

Ao ser apresentada aos participantes do congresso como candidata a presidenta, Marianna discursou para os milhares de estudantes reunidos no ginásio Mineirinho. Ela destacou a trajetória da UNE ao completar 80 anos de fundação em seu maior congresso. Lembrou que a entidade surgiu em 1937 para convocar os estudantes brasileiros para defender o Brasil de forma unitária. Destacou que a UNE nasceu clamando pela liberdade ao fazer parte da campanha contra o nazi-fascismo. Também ressaltou o protagonismo da entidade na campanha pelo Petróleo é Nosso para defender a soberania do Brasil. A mesma UNE lutou contra a ditadura militar, que levou diversos militantes, diversos estudantes brasileiros por conta da repressão, por conta da violência e do autoritarismo. “Lutamos e conquistamos a redemocratização do Brasil bravamente para que a liberdade, para que a soberania, para que os direitos do povo pudessem ser resguardados. Também não nos furtamos, na década de 1990, de lutar contra o neoliberalismo e a tentativa de retirar os direitos dos trabalhadores, contra as privatizações”, afirmou a dirigente estudantil.

Ainda se dirigindo aos estudantes de todo o Brasil, Marianna destacou “que o momento que o Brasil vive exige que as forças democráticas e populares se unifiquem”. Para ela, a história da UNE demonstra que era necessário conformar uma grande unidade de forças para dirigir as lutas da entidade. Destacou que o Brasil conseguiu construir um país melhor, em situação de quase pleno emprego, de democratização da universidade, como demonstrava a cara do congresso estudantil. Nordestina, citou a transposição do Rio São Francisco, que levou água para o Nordeste. “Eu sei e o meu povo do Nordeste sabe que a fome e a miséria, que a seca e a fome não podem ser a cara do Brasil”, afirmou. 

Para Marianna, só com muita unidade será possível transformar o Brasil. “Tenho a convicção de que com a força de sete milhões de universitários do Brasil nós seremos vitoriosos. Porque Honestino Guimarães disse que nós voltaríamos e seríamos milhões. E nós estamos aqui e nós somos milhões! E nós vamos derrotar o presidente golpista da República e construir uma grande jornada de luta, uma grande greve geral”, afirmou sob forte emoção. Para ela, a vitória só será possível com a união de todo o conjunto do campo democrático e popular. 

Ao encerrar seu discurso, a nova presidenta afirmou: “nós somos os estudantes e este congresso da UNE representa a esperança que o povo brasileiro pode ter numa juventude que não abandona o Brasil, que não abandona a luta política, que acredita que através da unidade nós construiremos  futuro melhor. Viva a Frente Brasil Popular! A unidade é a bandeira da esperança e nós somos a esperança do Brasil. A UNE somos nós, nossa força, nossa voz”.

 

 Marianna Dias e Carina Vitral, que presidiu a UNE entre 2015 e 2017 I Foto: Carol Burgos




domingo, 18 de junho de 2017

Temer ignora prazo e não explica à ONU o "Escola sem Partido"

 

Foto: Instituto Lula 


A omissão, considerada grave, pode desencadear interpelação. A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, que estuda a possibilidade de entrar com ação, deve ainda pedir explicações ao Itamaraty.

"O descaso do governo indica o óbvio: o Planalto e o MEC dizem que são contra o programa "Escola sem Partido" e seus projetos de lei. Mas Temer e o ministro Mendonça Filho fazem o exato oposto disso", disse o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, que esteve ontem em Brasília em visita à procuradora na companhia da relatora especial da ONU para o Direito Humano à Educação, Koumbou Boly Barry.

Na avaliação do coordenador, a ausência de resposta de Temer e Mendonça é um agrado a seus aliados. "Eles não querem melindrar a base parlamentar ultraconservadora, que permanece apoiando o governo para fazer avançar agendas retrógradas."

No início de abril, a relatoria especial do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU enviou carta ao governo brasileiro, na qual se pronunciava contra a proposta de controle ideológico nas discussões feitas em ambiente escolar, o "Escola sem Partido". Além de afetar a liberdade de expressão, criminaliza docentes.

Na carta, a ONU dirigiu-se diretamente ao Projeto de Lei 867/2015, do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), e ao Projeto de Lei do Senado 193/2016, de Magno Malta (PR-ES), que pretendem incluir o programa Escola Sem Partido nas diretrizes e bases da educação brasileira. Além das críticas sobre como o programa interfere nos padrões internacionais dos Direitos Humanos, o comunicado deu 60 dias para Temer responder os questionamentos.

Segundo o comunicado, os projetos, assim como outros relacionados, poderão levar a censura e autocensura dos professores e infringirão a capacidade de educadores de ensinar o currículo padrão, afirma o comunicado. “O objetivo da profissão de professor é instruir estudantes a aprender sobre o mundo em muitas formas diferentes: algumas das quais eles e seus pais podem discordar. Se adotado na forma atual, essa lei bastante ampla pode frustrar esse objetivo causando censura ou autocensura significativa nos professores.”  


 Fonte: RBA

Congresso da UNE: imagens da diversidade estudantil

 
Foto: Sato do Brasil/Jornalistas Livres
Na diversidade de opções políticas, culturais e sexuais, uma ideia une todo mundo: a defesa da convocação imediata de eleições diretas para presidente da República para que o golpista Michel Temer seja substituído por alguém que seja submetido, ou submetida, ao crivo da soberania do voto popular. Os estudantes brasileiros somam-se a mais de 90% dos brasileiros que querem a volta plena da democracia no país.

Veja abaixo a diversidade de opiniões expressas nas camisetas dos estudantes:
























Fonte: Cuca da UNE

sábado, 17 de junho de 2017

PRESIDENTE DO CPC;RN PARTICIPA DA REUNIÃO DE CRIAÇÃO DA ABNS DE PARELHAS-RN

 Membros da ABSN após reunião
 Momento histórico em Parelhas: Reunião de criação da ABSN


 Jovens dando seus depoimentos sobre a importância da criação da ABSN


 Leitura da ata de Fundação da Criação da Associação Brasileirinhos Sensação Nordestina - ABSN
 Momento da Aprovação da Criação da ABSN
 Agradecimento da Presidenta eleita provisoriamente da ABSN, Maria de Lourdes
 Pose para a foto no clic do Eduardo Vasconcelos (Messias Medeiros-esquerdo da foto, Secretário Municipal de Cultura, representando o prefeito de Parelhas, Alexandre
 Jovens talentosos que ingressarão as fileira do CPC/RN: Guarani e Larissa
Eduardo Vasconcelos - CPC/RN ao lado de Ricardo, Larissa e Guarani após reunião

Hoje (17) pela manhã no Auditório da Escola Municipal ARNALDO BEZERRA, Parelhas – RN, região do Seridó o presidente do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN, Eduardo Vasconcelos se reuniu com a Quadrilha Sensação Nordestina, cujo objetivo foi sua legalidade jurídica, a lida do Manifesto em Defesa da Cultura Potiguar, informes e convite para representantes da quadrilha se engajem na diretoria do CPC/RN.

Quem presidiu a reunião a diretora da escola e representante da quadrilha a professora, Maria de Lourdes Santos Medeiros, que agradecendo a presença do CPCRN, narrando as dificuldades que a quadrilha enfrenta no dia a dia, mas também falando das conquistas da mesma e o sonho da legalização da mesma.

Com esse proposito iniciou a reunião com a presença de jovens participantes da quadrilha.  Após as colocações de Maria de Lourdes, Eduardo Vasconcelos fala da importância de se criar a Associação Brasileirinhos Nordestina – ABSN o que após horas de debates os presentes aprovaram a criação da mesma, criando sua diretoria provisória e também deliberam a sua Assembleia Geral, que será realizada dia 12 de agosto de 2017 no mesmo local da reunião, cujo objetivo será o de aprovar seus Estatutos e eleger sua primeira diretoria de fato. O nome da senhora Maria de Lourdes Santos Fernandes foi unanime para presidir a ABNS.

Eduardo Vasconcelos – CPC/RN parabenizou a todos pela iniciativa e se comprometeu-se de encaminhar o Edital de Convocação da referida assembleia geral da ABNS para publicação no Di[ario Oficial do Estado o mais rápido possível e aproveitou para convidar os jovens talentosos da Quadrilha Brasileirinhos Nordestina,  LARISSA YSMÊNIA, GUARANI ARAÚJO DE ANDRADDE e JOSÉ RICARDO DA SILVA para fazer parte da Diretoria do CPC/RN, mas antes os nomes serão encaminhados a diretoria do CPC/RN para apreciação e posteriormente sua aceitação. Todos agradeceram a iniciativa.

A recém eleita provisoriamente da ABNS, Maria de Lourdes agradeceu a força do CPC/RN em ajudar na legalização da entidade e convidou o CPC/RN a se fazer presente a Assembleia Geral dia 12 de agosto, o que de imediato Eduardo já confirmou a presença do CPC/RN na referida assembleia.

Participou também da reunião o Secretário Municipal de Cultura de Parelhas, Messias Medeiros, que prometeu apoiar as iniciativa da recém criada ABSN.