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quarta-feira, 14 de junho de 2017

UERN vai encaminhar proposta de autonomia financeira ao Governo em agosto


 Eduardo Vasconcelos, coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar, discursando em favor da AUTONOMIA FINANCEIRA DA UERN


 Presidente da ADUERN, Lemuel: discurso contudente
 Vice Reitor, Aldo: Relatando a luta, resistência e avanços da UERN
  Secretária de Educação, Claudia Santa Rosa, representou o Governador, Robinson Farias
 Mesa oficial da Audiência Pública

 Plenário

 
Por
A UERN vai apresentar ao Governo do Estado, no início de agosto, a proposta de autonomia financeira da Universidade, e a Frente Parlamentar e Popular em Defesa do Ensino Público vai solicitar audiência com o governador Robinson Faria, para pedir que o mandatário seja célere em enviar o projeto para os deputados estaduais apreciarem, votarem e aprovarem a demanda ainda no exercício de 2017. Esses foram os encaminhamentos da audiência pública proposta pela deputada Larissa Rosado e realizada na tarde desta quarta-feira(14), na Assembleia Legislativa, em Natal.
Com a apresentação da proposta de autonomia financeira no início de agosto, conforme garantiu o Pró-reitor adjunto de Planejamento, Orçamento e Finanças, Adonias Vidal de Medeiros Júnior, o reitor em exercício Aldo Gondim Fernandes disse não ver impedimentos para a celeridade do encaminhamento do projeto à Assembleia Legislativa. “Os ordenamentos legais para a autonomia já estão estabelecidos. A UERN já fez sua parte. Esperamos que o Governo faça a dele”, disse em seu pronunciamento, acrescentando que a administração da Universidade está ciente de que com a autonomia aumenta a responsabilidade da gestão.
O Governo do Estado foi representado pela secretaria de Educação, Cláudia Santa Rosa, que disse: “Não trouxe respostas, mas levarei inquietações”, justificando ter ido à audiência para ouvir e levar encaminhamentos, já que a autonomia financeira da UERN não depende de sua pasta, mas sim da equipe jurídica e de planejamento e finanças. Questionada sobre sua posição sobre o tema, Santa Rosa, respondeu: “No momento oportuno, avaliado como viável pelas instâncias do Governo, que lidam com o planejamento, orçamento e as finanças.
Ninguém é contra”.


A deputada Larissa Rosado lamentou a ausência do secretário estadual de Planejamento e Finanças, Gustavo Maurício Filgueiras Nogueira, que foi convidado, mas não compareceu à discussão.
Também participaram da audiência a senadora Fátima Bezerra, que ressaltou a importância das universidades estaduais, levantando a proposta de um programa como o Fies, para aporte de verbas federais para as Instituições de Ensino Superior dos Estados; e os deputados estaduais Souza Neto e Fernando Mineiro, que junto com a deputada Larissa Rosado compõem a Frente Parlamentar, ao lado dos vereadores mossoroenses Francisco Carlos, Sandra Rosado e Isolda Soares, e representantes da UERN e da sociedade civil.
O deputado Souza, assim como a vereadora Sandra Rosado, cobrou união política pela causa da autonomia financeira, ressaltando que a UERN não quer mais recursos, mas apenas pleiteia administrar o que lhe cabe no orçamento estadual. Mineiro foi mais específico: “A UERN não quer autonomia para dar aumento aos professores, como dizem por aí, mas sim para discutir, planejar e decidir sobre seu futuro”. O parlamentar ainda suscitou a importância do projeto de autonomia financeira deixar amarrada o percentual do orçamento estadual destinado à Universidade.
O vereador Francisco Carlos, idealizador da Frente Parlamentar; o presidente da Aduern, Lemuel Rodrigues da Silva, e o vice-presidente do Sintauern, Fábio Bentes, também compuseram a mesa, ao lado do prefeito de Patu, Rivelino Câmara, presidente da Associação dos Municípios do Oeste do RN, que garantiu que a autonomia financeira da UERN também é uma luta dos municípios, pela importância que a Universidade tem na formação de profissionais, que ficam nas cidades do interior do RN, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico de todas as regiões potiguares, especialmente o Oeste.
O deputado estadual Raimundo Fernandes também esteve presente.
Fotos: EDUARDO VASCONCELOS

CPC/RN INTENSIFICA REUNIÕES NOS INTERIORES (BAÍA FORMOSA E TOUROS)

 Foto: Após reunião em Baía Formosa-RN (Litoral Sul Potiguar)

  Foto: Após reunião em Baía Formosa-RN (Litoral Sul Potiguar)

  Foto: Após reunião em Touros-RN (Litoral Norte Potiguar)

Na última segunda-feira (12), o presidente do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS, esteve em viagem aos interiores de Touros, Litoral Norte, reunindo-se com convidados culturais da cidade para falar o Manifesto em Defesa da Cultura Potiguar, debatendo, dando ideias, colhendo informações da cidade e suas riquezas culturais. 

A reunião ocorreu na Biblioteca Municipal da cidade com a participação de professores, jovens dedicados a cultural local, a gestora de cultura, Dione Nascimento (poetiza), entre outros. Em Touros participaram da reunião: Professor Januário Lopes; Edilson Mendes; Henrique Moreira da Silva e Cleônia Suzana (ambos da quadrilha junina), a poetiza e gestora municipal de cultura do município, Dione Nascimento, Wenderson Linhas e a senhora, Luzia Barbosa.

Assim também foi na cidade de Baía Formosa, Litoral Sul. Eduardo Vasconcelos reuniu-se ontem (13) com jovens na Escola Estadual Professor PAULO FREIRE com o mesmo propósito.

Participaram da reunião em Baía Formosa os jovens: Izamara; Washington Luiz (Grêmio Estudantil); Mariana Félix da Silva; Elizabete Adauto; Antônio. Thais Dias; Alane de Araújo; M. Silva Cruz e Leonardo (CPC).

Em ambas as reuniões para Eduardo os objetivos foram alcançados. Ou seja, todos se engajarão no intuito de fortalecer o CPC/RN, levantar as reivindicações e demandas pendentes e buscar a concretização juntos aos órgãos públicos e privados na tentativa de viabilizar sonhos antigos, além de procurarem mostrar as diversidades culturais que seus municípios tem.

Aproveitou ainda para comunicar que na próxima quarta-feira (14) haverá uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa, ás 14:30, cujo objetivo é a discussão da AUTONOMIA FINANCEIRA da UERN e o mesmo se fará presente, pois é o coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar e convidou a todos os presentes.

Tais reivindicações serão entregues aos  Governos  Federal e do Estado;  Secretaria Estadual de Educação; Secretaria Extraordinária de Cultura, autarquias, fundações, classe empresarial  e prefeituras.

São passos largos, pois o tempo requer engajamentos urgentes de todos que valorizam a cultura brasileira. Conclui, Eduardo Vasconcelos.

Restante da semana, Eduardo Vasconcelos estará  em Santa Cruz, Currais Novos e Parelhas com os mesmos objetivos.

Lembrando que final de julho ou inicio de agosto haverá um grande encontro em Natal com representantes dessas cidades em Natal para elaboração do documento final que será entregues as autoridades acima citadas.

domingo, 11 de junho de 2017

Mesmo moribundo, Temer prepara jogo nebuloso para continuar no governo


Mas em se tratando do atual Congresso, tudo é possível. Enquanto os meios de comunicação conservadores se ocupavam horas e horas do julgamento no TSE, o Senador Aécio Neves, do PSDB, conseguia com seus pares que o atual presidente da Comissão de Ética daquela Casa Legislativa, João Alberto Souza (PMDB-MA), abrisse o jogo e se manifestasse afirmando que “eu sinto que o Senado não concorda com o afastamento do senador”. E complementou dizendo que “os senadores questionam por que afastar e por qual argumento?”.

Com essas palavras, o presidente da Comissão de Ética do Senado sinalizou que Aécio Neves, por mais que seja acusado, mesmo com provas, será poupado por seus pares.

Não será propriamente nenhuma surpresa. Basta um levantamento sobre os senadores para verificar que pelo menos um terço está sendo investigado na Justiça,, acusado de corrupção, para concluir que até por uma questão de ética, ética entre eles, claro, jamais adotariam alguma medida contra alguém prestes a virar réu. É a chamada solidariedade geral e irrestrita, pois amanhã os próprios acusados de hoje podem virar réus e até perder o mandato e precisar de um acusado, como o atual Aécio Neves.

Quanto a Temer, se continua ou não, os fatos estão a indicar que a sua situação caminha cada vez mais para a condição de moribundo. O episódio da utilização do jato da JBS tem mais agravante a partir da declaração do piloto, que confirmou a gentileza da entrega das flores para Marcela, a recatada e do lar esposa de Michel Temer.

Como confirmação de como funciona a base de sustentação do golpista, basta mencionar a opinião do apoiador Senador Romero Jucá, também ex-ministro deste presidente moribundo. Jucá considerou normal o então vice-presidente pegar carona em avião de empresário.

É preciso dizer mais alguma coisa para concluir como vai o Brasil com Temer e o atual Congresso, também apoiado pelos irmãos Batista e outros do mesmo estilo?


Brasil de Fato

Haroldo Lima: O que houve no TSE

 
 Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE


No mesmo diapasão crítico, pela manhã, antevendo o resultado que não desejava no julgamento do TSE, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, dos mais vorazes de Curitiba, no seu estilo agressivo e desrespeitoso dizia “ o verdadeiro cúmulo do cinismo é a cegueira intencional da maioria dos ministros do TSE...” (Blog Fausto Macedo).

Realmente, o resultado do julgamento do TSE foi uma derrota para a república de Curitiba. Membros do Tribunal Superior Eleitoral, especialmente seu presidente, o controvertido Juiz Gilmar Mendes, que também é do Supremo Tribunal Federal, STF, fizeram críticas contundentes a métodos arbitrários da Lava Jato e deram elementos jurídicos que mostravam o golpe que foi dado contra Dilma Rousseff. 

O processo no TSE foi aberto pelo PSDB em 2014 e pedia a cassação da chapa Dilma/Temer vitoriosa na eleição daquele ano. Seu mentor foi Aécio Neves, principal concorrente de Dilma na eleição de 2014, e que sustentava ter sido derrotado por causa do uso de poder econômico e político pela chapa Dilma/Temer. Se seu pleito prosperasse, ficaria assentado que a chapa Dilma/Temer ganhou a eleição por abuso de poder econômico e político, seria então cassada e em seu lugar haveria a proclamação de Aécio como vencedor do pleito e presidente da República. Mas tudo saiu diferente. 

Um golpe parlamentar-judicial-midiático foi dado contra Dilma, Temer traiu a presidenta e esta foi afastada. O golpista então assumiu a presidência com o compromisso de levar avante um governo de desconstrução nacional. Foi flagrado em manobras espúrias de corrupção aberta e apanhado em conciliábulos vergonhosos com corruptos, tramando obstruir a Justiça. Ficou desmoralizado, rejeitado pelo povo e com seu mandato ameaçado. Para sobreviver, assumiu com a direita brasileira o compromisso de comandar a aprovação de duas reformas reacionárias no Congresso, a trabalhista e a previdenciária.

Quando emitiram seus votos, os ministros do TSE apresentaram suas justificativas. E aí alguns fizeram formulações categóricas que permitiam, a quem estivesse ouvindo, perceber o golpe que foi dado contra Dilma em 2016 e, por outro lado, como eram atrabiliários certos métodos usados pela Lava Jato. 

O presidente do STE, ministro Gilmar Mendes, declarou: “não se substitui um presidente da República a qualquer hora, ainda que se queira”. E mais: só se tira presidente em casos absolutamente claros e extremos, “em situações inequívocas”. Agregou: é evidente a baderna que foi a circulação de dinheiro de caixa 2, 3, propina etc. na eleição de 2014, mas - perguntava Gilmar - “foi só um lado que fez isso?”. Ele próprio respondeu: não, os outros candidatos também fizeram. E completava: não se pode concluir até que ponto esses ilícitos repercutiram na eleição e, sobretudo, a soberania popular não pode ser desrespeitada, cassando mandato de presidente assim, por qualquer motivo; se crime houve que se julguem as pessoas envolvidas e se as condenem, mas não cassando o mandato do presidente. 

Na verdade, esse raciocínio é correto. As fartas provas levantadas pelo ministro Relator Herman Benjamin mostravam que houve sim utilização indevida de recursos na campanha de 2014, mas isto foi feito por todos os candidatos, e isto se faz há muito tempo no Brasil, como o Relator salientou. Então, como se pode concluir que foram aqueles recursos indevidos que levaram à vitória eleitoral de uma chapa? Por que os concorrentes não foram vitoriosos se fizeram a mesma coisa? 

Entendendo como justo esse cuidado em não cassar mandato de presidente de qualquer maneira, ainda que tenha havido problemas, há que se criticar com força o fato de que, quando foi cassado o mandato de Dilma Rousseff, nem os Juízes da Suprema Corte, nem os Parlamentares tiveram esse cuidado, afastando a presidenta por uma razão mentirosa, que sequer foi provada, a chamada pedalada fiscal. Nesse caso, essas autoridades optaram por montar uma farsa e participar de um golpe. Golpe este que mergulhou nosso país em grandes dificuldades, especialmente por estar sendo governado por uma quadrilha.

O presidente Gilmar Mendes, que não tem um passado de coerente defesa democrática, ontem, entretanto, chegou a dizer que vivemos sob o risco de um “estado policial”. Falando sobre as delações premiadas, tão abusivamente usadas pela Operação Lava Jato, disse: estamos sabendo de que forma são feitas essas delações; chega-se diante de um preso e diz-se: aceitamos sua delação desde que você diga algo sobre as pessoas desta lista aqui, e exibem uma lista com nomes. Acrescentou Gilmar: o sujeito, assim, é “capaz de denunciar a mãe”. E neste contexto afirmou o ministro: “não se combate crime cometendo crime”, em clara referência aos métodos criminosos da Operação Lava Jato.

Também o ministro Napoleão Maia Filho foi duro ao se referir à “cobertura falsa” de certos fatos pela grande mídia e ao tecer comentários sobre a delação premiada. Disse: “A delação está servindo para isso”. Alguém é “solicitado a denunciar alguém em troca de benesses”, e é o que está acontecendo. 
A república de Curitiba saiu enfraquecida do julgamento de ontem no TSE. Nele, percebe-se o crescimento de contradições no Judiciário. Mas, os desafios estão postos, a luta continua e é complexa. As batalhas são intrincadas e embaralhadas.

O Temer continua desmoralizado e ameaçado por diversas outros expedientes em curso. Mas deve ser derrotado mesmo é nas ruas. 

Do Palácio do Planalto, logo após o encerramento do julgamento do TSE, veio a informação de que terão que correr atrás para recompor forças no Congresso para aprovar as fatídicas reformas trabalhista e previdenciária. 

O que mostra que a nossa luta é justamente a oposta; arregimentar forças populares e parlamentares para derrotar as duas reformas sinistras do governo golpista. 

Haroldo Lima é membro da Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil.

Bresser-Pereira: "Situação de Temer na presidência é insustentável"


O economista de 83 anos, auto declarado social democrata, falou com exclusividade ao Jornal do Brasil nesta sexta-feira (9), antes da conclusão da votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa Dilma-Temer.

Bresser foi ministro por três vezes, duas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no qual ocupou o Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (1995-1998) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (1999). Foi ainda ministro da Fazenda (1987), durante o governo Sarney, no qual implementou o Plano Bresser. O economista presidiu o Banco do Estado de São Paulo e foi secretário da Casa Civil, durante o governo de André Franco Montoro.

Advogado, economista, professor emérito da FGV-SP e livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Bresser-Pereira foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Desligou-se da legenda em 2011, e hoje, defende que o "PSDB virou um partido de centro-direita liberal". "Portanto, eu não tenho nenhuma identificação com o partido", acrescentou. 

Jornal do Brasil - Diante da crise, os tucanos devem desembarcar do governo Temer?

Bresser-Pereira - Não pertenço mais ao PSDB. Fui fundador do partido, mas há muito tempo que eu saí. O PSDB virou um partido de centro-direita liberal. Portanto, eu não tenho nenhuma identificação com o partido. Isso é um problema deles, e dos seus eleitores. É um partido que participou do golpe de estado contra a presidente Dilma Roussef (PT).

Como o senhor vê a permanência de Michel Temer na presidência, após as acusações contra ele?

Não é sustentável. O escândalo que ele entrou foi muito grande, não há dúvida do envolvimento dele com corrupção. Não só por causa das delações, mas porque ele confessou duas vezes: primeiro, a conversa que ele teve com o Joesley Batista, e segundo, quando o assessor dele foi preso, Rodrigo Rocha Loures, e ele o defendeu dizendo que era de boa índole e não ia delatá-lo. Quando ele diz isso, ele se entrega. Manter um presidente nessas condições é uma violência contra a nação. Tem padrões mínimos que temos que exigir dos nossos governantes. Eu tinha uma impressão boa do Temer durante anos, e fui obrigado a mudar de ideia.

Com a fragilidade política de Temer, qual a possibilidade dele aprovar as reformas?

Já foi feita uma reforma que a meu ver é absurda, que é a do Teto de Gastos. Ela não vai se sustentar. Foi uma estratégia de um grupo de oportunistas guiados pelo Temer e pelo [ministro da Fazenda, Henrique] Meirelles, para conseguir o apoio da direita liberal, ou seja, do PSDB. Diminuir o tamanho do estado, quando há uma demanda enorme por despesas na área de saúde e educação, é um absurdo. A reforma da Previdência é necessária e inevitável. Creio que não vai acontecer agora, mas qualquer um que assuma a presidência precisa fazer. Há muitas outras questões, mas essa é uma delas. Quanto à reforma trabalhista, não faz sentido nenhum. Os problemas do Brasil não derivam das leis que protegem o trabalho, derivam do liberalismo econômico, que resultou em taxas de juros extremamente altas. O Brasil é governado por esse regime desde 1990, com uma pequena tentativa de fugir em 2011, com Dilma, porém fracassada. Esse regime inviabiliza o desenvolvimento econômico brasileiro e o condena a ficar para trás.

Qual é a real possibilidade de o presidente Michel Temer tirar o Brasil da crise, com essa fragilidade política?

Nenhuma possibilidade. Ele é a crise, inclusive. O Brasil está em uma recessão profunda, e isso nos últimos já quase três anos, e semi estagnado desde 1990. E tudo isso tem a ver com o regime de política liberal. Então os liberais e os políticos inventaram a seguinte história: se forem aprovadas as reformas, nós ficaremos nos melhores dos mundos possíveis, e isso é ridículo. O que eles querem é que haja um ajuste fiscal - o desajuste que a Dilma causou é ruim, e é preciso corrigir – mas simplesmente isso não garante a retomada do crescimento econômico. Durante 11 anos, de 1999 a 2010, ou seja, o segundo governo do FHC e os dois do Lula, cumpriram as metas fiscais, e nós entramos no melhor dos mundos possíveis?

O senhor não vê diferenças entre os governos de Lula e FHC?

O governo Lula era mais social do que o de FHC. A grande diferença dos governos é que o Lula teve uma política externa muito mais independente e teve, portanto, uma decisão mais nacionalista, o que o FHC não tinha. Naquela época, o governo FHC ajudou a montar o estado de bem estar social, e agora o partido dele está tentando destruir isso.

Se Temer cair, o senhor defende eleições diretas ou indiretas?

Ele não vai cair. Mas se fosse, eu defenderia eleições indiretas caso houvesse um acordo, sugerido há algumas semanas, entre o PSDB e o PT, onde FHC e Lula acordaram que o novo presidente não tocaria as reformas, ou seja, seria um governo neutro para comandar as eleições do ano que vem, que estão próximas. Mas esse tipo de acordo não prosperou. Então não acontecendo, o governo que ficar aí substituindo Temer vai ser tão ilegítimo quanto esse. Nesse caso, eu prefiro eleição direta. Agora, o ideal seriam eleições diretas agora, antecipando as eleições gerais que ocorreriam no ano que vem.

Como o senhor analisa a troca do procurador-geral da República e a mudança no comando do Ministério da Justiça? Como isso pode afetar a Lava Jato?

A Lava Jato hoje não é um ativo do Brasil, é um passivo. Ela foi um ativo quando ela descobriu, julgou e condenou uma série de pessoas obviamente corruptas. Mas, aos poucos, ela foi se tornando um processo de violência contra o direito de pessoas políticas. Esse tipo de salvação moral do Brasil, não é uma salvação, e está violentando os direitos bases das pessoas. Isso é muito grave. Se o presidente continuar, ele tem direito de escolher quem quiser na lista tríplice da procuradoria. É claro que ele vai tentar se defender de todas as maneiras possíveis. 

Fonte: Jornal do Brasil

sábado, 10 de junho de 2017

Dallagnol se dá mal ao comemorar 100 mil seguidores no Twitter. Confira!

Por MARCOS AURÉLIO RUY
O promotor do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol anda em baixa. Foi ele que em setembro do ano passado fez aquela explanação utilizando o recurso PowerPoint para incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (leia mais aqui).
laldert
Ficou célebre a frase dita por ele no sentido de não ter provas, mas ter convicção para condenar Lula. Também em 2016, em entrevista ao apresentador Jô Soares, na Rede Globo, Dallagnol perguntou para a plateia: “quem acha que a Lava Jato vai mudar o país e quem acha que não”. Veja o resultado no vídeo abaixo: 
Nesta sexta-feira (9), foi a vez de o procurador do PowerPoint se dar mal em seu Twitter. Ao comemorar ter atingido 100 mil seguidores, ele recebeu uma enxovalhada de críticas ácidas à sua atuação no MPF. Além de sua constante busca de holofotes.
Confira abaixo:
dallagnol twitter picareta
dallagnol twitter safado
Portal CTB – Marcos Aurélio R

E aí, bloquear o WhatsApp pode ou não? O STF vai decidir

Por RENATA MIELLI
O aplicativo de mensagens WhatsApp já foi tirado do ar, no Brasil, três vezes, em função de decisões de juízes de primeira instância. As três determinações tinham como base a recusa da empresa em divulgar o conteúdo das mensagens trocadas entre pessoas que estavam sendo alvo de investigação policial. Mas será que impedir milhões de usuários a terem acesso ao serviço é correto? Quem vai tomar essa decisão é o Supremo Tribunal Federal.


Vamos pensar um pouco sobre o assunto. Imagine, por hipótese, que uma empresa telefônica se negasse a fazer um grampo entre os terminais telefônicos de pessoas alvo de alguma investigação. Diante da negativa, então, um juiz determina que todas as comunicações telefônicas do país sejam suspensas como sanção à empresa por não ter cumprido a pedido judicial. Isso seria justo?



Ou ainda, imagine que um servidor de e-mails fosse notificado a entregar o conteúdo de mensagens trocadas por pessoas suspeitas de terrorismo, mas se negasse a quebrar o sigilo destas mensagens. Então, como sanção, um juiz determinasse a suspensão das atividades daquele serviço de e-mail em todo o país. Isso seria justo?



Privar milhões de usuários de um serviço essencial ou central para a atividade econômica, ou de interesse público para prestar outros serviços e centrais para a realização de comunicações pessoais e de caráter informativo parece ser totalmente desproporcional. Ou, para usar o dito popular, os fins, na maioria das vezes, não justificam os meios.



Desde que a rede mundial de computadores passou a ocupar espaço central na intermediação das relações públicas e privadas da sociedade moderna, os setores que defendem o “máximo controle das informações” e os que defendem a “privacidade e a liberdade de expressão” entraram em choque.



A luta do bem contra o mal é travestida na internet como a contraposição entre “segurança pública x privacidade”. Mas a arena da internet é demasiada complexa e nova e, por isso, é preciso tomar cuidado para garantir um equilíbrio necessário entre estes dois pólos – principalmente em tempos tão turvos, com o crescimento de estados ditatoriais, de radicalismos de todas as formas e de um conservadorismo galopante.



O assunto foi alvo de uma audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal nos dias 02 e 05 de junho, que recebeu especialistas sobre o tema e as partes interessadas nas duas ações que foram impetradas junto à Suprema Corte brasileira para discutir o assunto.



Bloqueio não pode



Um dos participantes da audiência, o advogado, professor e pesquisador Ronaldo Lemos, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio), considera o bloqueio inconstitucional. Isso porque ele ocorre na camada de infraestrutura da rede. “A intervenção direta na infraestrutura é prática típica de países autoritários”, afirmou. Além disso, na sua avaliação, juízes de primeira instância não têm base legal para suspender um serviço nacional.



Esse tipo de interferência não é compatível com a Constituição e viola vários princípios fundamentais, como o da liberdade de comunicação e expressão, da pessoalidade da pena e da livre iniciativa. Viola, também, instrumentos internacionais ratificados pelo Brasil, como a Convenção Americana de Direitos Humanos, que tem força supralegal.



A interferência direta na infraestrutura para bloquear aplicativos da internet tem ocorrido apenas em países autoritários, como a Arábia Saudita, e, mesmo nesses casos, as medidas são tomadas por um poder central, ligado ao Executivo.



Para o pesquisador, a integridade de serviços de infraestrutura da Internet no Brasil está imunizada pela Constituição contra intervenções dessa envergadura. “Jamais se ouviu falar em bloqueio generalizado de um serviço de telecomunicações, ou o bloqueio sistêmico de estradas e portos”, comparou. “Uma medida assim só seria justificada em casos extremos, que envolvessem segurança nacional. Fora dessas situações, nenhuma entidade ou indivíduo pode deter, no Estado Democrático de Direito, o poder de interferir”, concluiu.



Em contraposição ao bloqueio, Dennys Antonialli da Associação InternetLab de Pesquisa em Direito e Tecnologia sugeriu medidas eficazes e legais como multas, aplicação e a assinatura de acordos internacionais de cooperação judiciária, a exemplo do que existe entre o Brasil e os Estados Unidos.



Mas porque o Whatsapp não deu as informações?



A esta altura, você deve estar se perguntando: mas se houve um pedido judicial para o Whatsapp quebrar o sigilo de determinada comunicação, por que raios ele se negou a fazê-lo. Simplesmente porque as tecnologias de segurança desenvolvidas para garantir a privacidade das comunicações privadas e transações econômicas na internet evoluíram para, justamente, impedir que se acessem os conteúdos trocados. Essa tecnologia tem o nome de criptografia.



Por isso, mesmo que o Whatsapp entregasse as informações solicitadas, elas seriam algo similar a ruídos incompreensíveis, letras embaralhadas ou símbolos sem sentido. No caso dos telefones, seriam como entregar uma conversa impossível de ser decifrada ou dos e-mails mensagens sem qualquer sentido.



Nos últimos anos, a quebra do sigilo de comunicações foi galopante no mundo. Órgãos de segurança passaram a monitorar (um nome mais ameno para vigiar) as comunicações entre dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo. Não só entre civis, mas entre empresas e governos. As denúncias de Edward Snowden revelaram esquemas de espionagem envolvendo o acesso às mensagens via internet que ameaçavam a segurança de pessoas e países. A vacina contra isso tem sido o aperfeiçoamento de ferramentas de segurança da informação.



Desta forma, vários aplicativos – entre eles o Whatsapp – passaram a utilizar criptografia ponta a ponta para garantir a privacidade das comunicações entre os seus usuários. A criptografia é uma tecnologia reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em um trecho do relatório especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, segundo o qual “a criptografia possibilita que indivíduos exerçam seus direitos, a liberdade de opinião e a expressão na era digital e, como tal, merece nossa proteção”.



Presente na audiência pública, Demi Getschko – considerado um dos pais da internet no Brasil, presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) – disse que “a criptografia é instrumental aos direitos humanos da privacidade e da liberdade de expressão. Ela e outras novas tecnologias de segurança da informação devem ser incentivadas e não restringidas. As plataformas que disponibilizam tecnologias de segurança de informação não devem ser penalizadas pelos usos ilícitos de seus usuários”, defendeu.



O engenheiro Brian Acton, vice-presidente do Whatsapp, afirmou que os pilares do sistema são segurança e acessibilidade e que o sistema é inviolável, até mesmo por parte do próprio WhatsApp. A criptografia de ponta a ponta faz com que mais de um bilhão de pessoas se comuniquem sem medo em todo o mundo, razão pela qual investiram no melhor sistema disponível atualmente. As chaves que integram o sistema não podem ser interceptadas. Cada terminal tem uma chave e elas mudam a cada mensagem enviada. “As chaves relativas a uma conversa são restritas aos interlocutores dessa conversa. Ninguém tem acesso, nem o WhatsApp”, disse.



“Não há como tirar [a criptografia] para um usuário especifico, a não ser que se inutilize o WhatsApp para ele” e acrescentou que a única forma de desativar a criptografia para um usuário, seria desativar para todos, afirmando que qualquer hacker poderia ter acesso a bilhões de conversas caso isso ocorresse.



Paulo Rená da Silva Santarém do Instituto Beta para Democracia na Internet (Ibidem) afirma que controlar a criptografia pode causar efeitos incalculáveis. A fragilização desse procedimento implica necessariamente na fragilização de direitos. “Se a NSA não conseguiu conter vazamentos de sua tecnologia de acessos por backdoor (porta dos fundos), o que nos faz pensar que a Polícia Federal brasileira poderia fazer isso?”, disse. “Todo contorno de segurança é uma substituição de uma segurança por protocolo, por pessoas. E pessoas são corruptíveis”, afirmou.



Então, como a Justiça poderia atuar para interceptar comunicações? Há outros caminhos, como os sugeridos pelo professor Diego de Freitas Aranha, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): modernização do aparato investigativo para que se tenha condições de usar técnicas de investigações menos intrusivas como a análise de metadados, que preservam o conteúdo das mensagens trafegadas pelos sistemas de comunicação; obter cópia de segurança de mensagens disponíveis em serviços de nuvem, realizar busca e apreensão de equipamentos que estão nas pontas da comunicação, a aplicação de técnicas forenses para extrair informações desses equipamentos e ações de inteligência e infiltração de agentes policiais.



Como o tema chegou ao STF?



O tema chegou no STF por duas iniciativas. Uma do Partido Popular Socialista (PPS) que ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 403, no qual sustenta que a suspensão dos serviços do aplicativo viola o direito fundamental à comunicação expresso na Constituição Federal.



A ação do PPS diz que é “cristalina a violação do direito à comunicação. Afinal, o aplicativo de mensagens WhatsApp realizou algo visto como impensável até a década passada: uniu as mais diversas gerações em uma só plataforma de troca de informações, proporcionando a comunicação de maneira irrestrita para os aderentes”. Alega também que “segundo dados mais recentes, de cada 10 (dez) celulares brasileiros, 8 (oito) estão conectados ao aplicativo. Em um país de dimensões continentais como o nosso, um único aplicativo para celular conseguir abarcar um número de consumidores que chega a quase metade do contingente populacional brasileiro, que é de 205,8 milhões de pessoas, é algo para se enaltecer”. De onde conclui que o Whatsapp “é um meio deveras democrático para o cidadão brasileiro se comunicar. Quiçá o mais democrático, graças à sua plataforma gratuita, simples e interativa”, e, portanto, “a suspensão da atividade do WhatsApp, baseado em controverso fundamento, viola o direito à comunicação, garantido constitucionalmente ao povo brasileiro”.



O relator da ADPF 403 no Supremo é o ministro Edson Fachin. Há também uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5527) contra três dispositivos do Marco Civil da Internet que foram impetrados pelo Partido Republicano (PR), e cuja relatora é a ministra Rosa Weber.



Tanto Rosa Weber quanto Fachin participaram integralmente dos dois dias de audiência. Weber enfatizou que “os temas tratados nesses processos, que envolvem questões de extrema complexidade e de caráter multidisciplinar, dizem respeito a valores fundantes da ordem jurídica brasileira e revestem-se de inegável relevância para a consolidação do nosso Estado democrático de direito.”



Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja. 

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.
Fonte: CTB