ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 26 de novembro de 2016

AMÉRICA LATINA: Fidel, referência do século XX


 
 

Desde que se retirou do poder em 2006, Fidel Castro vivia longe da primeira linha política e costumava receber personalidades internacionais em sua residência privada.

Em abril, durante o sétimo Congresso do Partido Comunista de Cuba, Fidel Castro fez seu último discurso, no qual reafirmou as ideias políticas que moldaram sua vida.

Único sobrevivente dos grandes protagonistas da Guerra Fria, Castro instaurou um governo socialista a apenas 150 quilômetros da costa dos Estados Unidos, e se aliou ao seu inimigo acérrimo, a então União Soviética. Escapou com êxito de 638 tentativas de assassinato por parte dos serviços de inteligência dos EUA.

Governou a ilha por 47 anos e continuou como referência obrigatória em Cuba, depois que adoeceu e assumiu o cargo seu irmão Raúl, cinco anos mais jovem, em 31 de Julho de 2006.

Nascido na aldeia oriental de Birán em 13 de agosto de 1926, o terceiro dos sete filhos do imigrante galego Ángel Castro e da campesina cubana Lina Ruz. 

Fidel Castro forjou sua disciplina em escolas jesuítas e moldou sua rebeldia na Universidade de Havana, onde ingressou em 1945, graduando-se como advogado em 1950.

Começou sua militância política em meados dos anos 40, enquanto estudava as carreiras de direito e ciências sociais, unindo-se à Federação Estudantil Universitária, período em que começou a estudar o marxismo.

Em 1947 ele se juntou ao contingente expedicionário para combater a ditadura de Leonidas Trujillo, na República Dominicana. A expedição, que viajava por barco, foi interceptada pela Marinha cubana; Fidel Castro, que escapou pulando com sua arma ao mar, descreveu como vergonhoso o fato de que a expedição terminou sem lutar, diz o portal www.fidelcastro.cu.

Simpatizante do Partido do Povo Cubano (ortodoxo), de tendência progressista, participou ativamente a partir de 1948 nas campanhas políticas do partido e, em particular, de seu principal dirigente, Eduardo R. Chibás. Dentro de sua organização política, trabalhou para cultivar entre a militância jovem as posições mais radicais e combativas. Após a morte de Chibás, redobrou seus esforços para desmascarar a corrupção no governo de Carlos Prio, acrescentou o site. 

Em 1948, ele viajou para a Venezuela, Panamá e Colômbia como líder juvenil para organizar um Congresso Latino-Americano de Estudantes. Estava em Bogotá quando houve a rebelião popular que se seguiu ao assassinato do líder colombiano Jorge Eliécer Gaitán, em abril daquele ano. Incorporou-se resolutamente a esta luta. Sobreviveu por acaso, diz www.fidelcastro.cu.

Em março de 1949, ele liderou um protesto em frente à missão diplomática dos EUA em Havana em rechaço às ações de desrespeito ao monumento do herói cubano José Marti por marines norte-americanos.

Depois de se formar doutor em Direito Civil e licenciado em Direito Diplomático em 1950, abriu um escritório no qual se dedicou a defender pessoas e setores humildes.

Após o golpe de Estado de Fulgencio Batista de 10 de março de 1952, ele denunciou o regime de facto e chamou à sua derrubada.

Organizou e treinou um grande contingente de mais de mil jovens operários, funcionários e estudantes. Com 160 deles, em 26 de julho de 1953, comandou o ataque ao quartel Moncada em Santiago de Cuba e ao quartel Bayamo, em uma ação concebida como um detonador da luta armada contra o regime de Batista, que fracassou.

Ele foi detido e condenado a 15 anos de prisão. Como resultado da forte pressão e campanhas populares, foi liberado maio 1955.

Semanas mais tarde, fundou o Movimento 26 de Julho para continuar a luta revolucionária.

Em julho de 1955, Fidel Castro viajou para o México para organizar, do exílio, a insurreição armada. Ele também viajou para os Estados Unidos, onde criou com outros exilados cubanos clubes patrióticos, a fim de conseguir apoio político e econômico para a luta revolucionária. Esteve na Filadélfia, Nova York, Tampa, Union City, Bridgeport e Miami.

Com a consígnia “em 1956 seremos livres ou seremos mártires”, Fidel Castro, Raul Castro, Juan Manuel Márquez, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, entre outros, treinaram com longas caminhadas pelas ruas da Cidade do México, alpinismo, defesa pessoal, táticas de guerrilha e a prática de tiro.

Em 20 de Junho de 1956, o chefe do Movimento 26 de Julho, Che e outros combatentes foram detidos, suas casas e acampamentos foram descobertos e algumas das armas foram apreendidos.

Após a sua libertação no México, se acelerou a conspiração revolucionária. Compraram a embaração Granma, na que zarparam para Cuba nas primeiras horas de 25 de Novembro de 1956, a partir do rio Tuxpan, com 82 combatentes a bordo, cuja idade média era de 27 anos.

Eles desembarcaram em Cuba depois de sete dias, começando uma luta de 25 meses, que culminou depois que as forças de Batista reconheceram sua derrota em 28 de dezembro de 1958.

Ao amanhecer de primeiro de janeiro de 1959, Fidel Castro derrota de maneira definitiva , com o apoio de uma greve geral revolucionária, acatada por todos os trabalhadores, a ditadura de Batista. Entrou vitorioso naquele mesmo dia em Santiago de Cuba e chegou a Havana no dia 8 de janeiro.

Ao concluir a luta, ele manteve suas funções como Comandante-em-Chefe. Em 13 de fevereiro 1959, ele foi nomeado primeiro-ministro do Governo Revolucionário.

Sob sua liderança, Cuba protagonizou a crise dos mísseis, converteu-se em santuário da esquerda latino-americana, e enviou suas tropas para a África para defender o governo esquerdista de Angola contra as forças do apartheid sul-Africano.

Ele sobreviveu à invasão da Playa Girón, em 1961, à crise dos mísseis em 1962 e à desintegração da União Soviética, em 1991.

Uma dúzia de ocupantes da Casa Branca, de Dwight Eisenhower a George W. Bush, tentou derrubá-lo. Até que em 2014 Barack Obama anunciou o fim da hostilidade em relação a Cuba.


 Fonte: La Jornada

Dilma lamenta morte de Fidel: um "homem imprescindível"


César Weis
"Fidel acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte", avalia Dilma. "Fidel acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte", avalia Dilma. 
Leia a íntegra da nota:

"Sonhadores e militantes progressistas, todos que lutamos por justiça social e por um mundo menos desigual, acordamos tristes neste sábado, 26 de novembro. A morte do comandante Fidel Castro, líder da revolução cubana e uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor.

Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte.

Um homem que soube unir ação e pensamento, mobilizando forças populares contra a exploração de seu povo. Foi também um ícone para milhões de jovens em todo o mundo.

Meus mais profundos sentimentos à família Castro, aos filhos e netos de Fidel, ao seu irmão Raul e ao povo cubano. Minha solidariedade e carinho neste momento de dor e despedida.

Hasta siempre, Fidel!
Dilma Rousseff

“Hay hombres que luchan un dia y son buenos;
Hay otros que luchan un año y son mejores;
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos;
Pero hay los que luchan toda la vida,
Esos son los imprescindibles”.

Bertold Brecht  

Fonte: Portal Vermelho

Morreu Fidel Castro, histórico líder da revolução cubana

Foto divulgação


“Com profunda dor, compareço aqui para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro, às 10h29 da noite, faleceu o Comandante em Chefe da Revolução Cubana Fidel Castro Ruz. Cumprindo a vontade expressa do Companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados. Nas primeiras horas da manhã deste sábado (26), a comissão organizadora dos funerais dará ao nosso povo uma informação detalhada sobre a organização da Homenagem póstuma ao fundador da Revolução Cubana”, disse Raúl Castro.

Uma das pessoas mais influentes no século XX, e também das mais carismáticas, que marca a identidade coletiva de Cuba, Fidel tinha feito os 90 anos em 13 de agosto e estava afastado da Presidência desde 2006. Emocionado, o irmão mais novo, Raúl - que assumiu o posto em seu lugar - terminou o anúncio da sua morte com a firme frase: "Até a vitória, sempre".

FIdel tinha sido visto pela última vez em público em 15 de novembro, quando recebeu o presidente vietnamita, Tran Dai Quang. Em abril, havia feito um discurso no encerramento do Congresso do Partido Comunista Cubano, no qual falou indiretamente sobre a morte - e seu legado.

"Em breve vou fazer 90 anos, isso nunca me tinha passado pela cabeça e não foi fruto de um esforço, foi capricho da sorte. Em breve serei como todos os outros. A vez chega a todos, mas ficam as ideias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se se trabalha com fervor e dignidade, se podem produzir os bens materiais e culturais de que os seres humanos precisam e devemos lutar sem trégua para os obter", disse, na ocasião. 

Nascido em 1926 na pequena ilha, Fidel tornou-se uma das personalidades mais conhecidas no mundo. Líder da Revolução Cubana em 1959, derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista, apoiada pelos EUA. 

Durante três décadas, Castro - "a estrela mais vermelha do mapa latino-americano e caribenho" - foi presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de Cuba, assim como comandante-em-chefe das Forças Armadas Revolucionárias. 

Nesses 90 anos de vida, dedicou-se à sua pátria, à revolução cubana, à emancipação dos trabalhadores, às grandes causas da humanidade, à paz e cooperação entre os povos. Uma voz enérgica na denúncia dos crimes do imperialismo e das injustiças do mundo, na interpretação e formulação sobre as questões políticas e socioeconômicas de seu tempo. Um farol para povos que defendem a liberdade, independência, autodeterminação, progresso social, justiça e o socialismo.


Veja abaixo o vídeo em que Raúl anuncia a morte de Fidel:




Confira aqui o especial que o Vermelho preparou em homenagem aos seus 90 anos.



 Do Portal Vermelho, com agências

SELO UNICEF - EDIÇÃO 2013/2016: CERTIFICAÇÃO DE NOVA CRUZ/RN! PARABÉNS!


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dois pesos, duas medidas, dois apartamentos: O de Geddel e o de Lula




Veja bem: ele admitiu ter comprado (a conferir se comprou, mesmo, ou se foi presente) um apartamento no 23º andar do edifício La Vue Ladeira da Barra, numa área tombada de Salvador.

Confessou que falou com o colega Marcelo Calero sobre a liberação do empreendimento no Iphan. Segundo o instituto, o máximo permitido eram treze andares. O cafofo de Geddel seria, portanto, eliminado.

De acordo com corretores, o valor do imóvel varia entre R$ 2,6 milhões e R$ 4,5 milhões. A conclusão da obra está prevista para 2019.

“Em nenhum momento foi feita pressão para que ele tomasse posição. Foram feitas ponderações”, falou Geddel.

É inacreditável.

Na segunda, dia 21, a Comissão de Ética da Presidência da República abriu procedimento para verificar conflito de interesse, como se houvesse alguma dúvida. Pode resultar numa recomendação de demissão.

Humberto Costa, líder do PT no Senado, vai solicitar que o Ministério Público entre no caso.

O silêncio do MP, como era de se suspeitar, é ensurdecedor.

Ao longo de mais de dois anos, Lula vem sendo massacrado por um apartamento numa praia do Guarujá repleta de línguas pretas de esgoto.

Para todos os efeitos, o famoso “triplex” já é dele, embora não haja nenhuma prova, apenas convicção.

Onde estão os cruzados de Deltan Dallagnol quando se trata de um crime confesso como o de Geddel? Onde está aquela indignação como a expressa na campanha eleitoral histérica das tais 10 medidas contra a corrupção?

Onde estão os savonarolas da Lava Jato? Ou a dupla Geddel e Temer não rende como Lula?

Fica aqui a sugestão de um powerpoint maneiro para o pessoal de Curitiba. 


*Kiko Nogueira é diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo
Fonte: Portal Vermelho

Testemunhas confirmam inocência de Lula e Moro atropela lei processual



Durante o depoimento do ex-senador Delcídio Amaral, testemunha da acusação, a defesa do ex-presidente apontou uma contradição da decisão de Moro que, apesar de negar à defesa o levantamento de provas, estava permitindo ao procurador da República que representou o Ministério Público Federal fizesse perguntas fora do âmbito da denúncia formal.

O advogado Cristiano Zanin Martins tentou apresentar uma questão de ordem durante o depoimento: “Excelência, pela ordem, estamos falando de três contratos celebrados com uma empreiteira”.

Moro interrompeu: “Dr., é contexto, existe uma dinâmica. Existe um contexto e essa pergunta [do procurador] está dentro desse contexto”.

“Qual é o contexto? O contexto só existe na cabeça de Vossa Excelência. Que contexto é esse? O contexto para nós é a denúncia. E o contexto é a denúncia. Nós pedimos para que o Ministério Público se mantenha, portanto, no objeto da denúncia”, disse um dos advogados de Lula.

Zanin novamente tentou concluir a questão de ordem: “Vossa Excelência me permite, quando pedimos a produção de provas vossa excelência foi muito claro e enfático ao dizer que a acusação se restringia a três contratos que envolvem uma empresa”.



Moro, irritado, respondeu: “Dr, a defesa pediu cópias de todas as atas de licitações e os contratos da Petrobras em 13 anos, diferente de o Ministério Público fazer uma pergunta para a testemunha nesse momento. Está indeferida essa questão, dr., podemos prosseguir... No momento próprio a defesa pode fazer [perguntas], agora estamos ouvindo a testemunha e a palavra está com o Ministério Público”.

Zanin enfatizou que não se tratava de uma interrupção, mas de uma tentativa de apresentar questão de ordem e que o juiz não estava permitindo que a defesa concluísse. “Mas é uma questão de ordem, Vossa Excelência tem que me ouvir”, enfatizou Zanin.

“Dr., a defesa vai ficar fazendo a cada dois minutos, a defesa vai ficar levantando questão de ordem, é inapropriado. Estão tumultuando a audiência”, disse Moro, na tentativa de intimidar a ação da defesa.

“Pode ser inapropriado, mas perfeitamente jurídico e legal”, afirmou o criminalista José Roberto Batochio. “O juiz preside, o regime é presidencialista, mas o juiz não é o dono do processo. Aqui os limites são a lei. A lei é a medida de todas as coisas. E a lei do processo disciplina essa audiência. A defesa tem o direito de fazer o uso da palavra pela ordem para arguir questão de ordem ou se a Vossa Excelência quiser eliminar a defesa eu já imaginei que isso tivesse sido sepultado em 1945 com os aliados e vejo que ressurge aqui nessa região agrícola do nosso país. Se Vossa Excelência quiser suprimir a defesa então acho que não há necessidade nenhuma de continuarmos essa audiência”, enfatizou o jurista.

Moro decidiu cortar os microfones e seguiu com a oitiva de Delcídio. Até que o próprio advogado do ex-senador, que acompanhava a audiência, questionou o juiz sobre uma das perguntas feitas ao seu cliente. Moro questionou o ex-senador sobre a tentativa de obstruir uma possível delação do ex-gerente da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. 

“Seguindo aqui nessa questão, o senhor poderia me descrever um episódio aqui, que houve uma tentativa de impedimento da delação do senhor Nestor Cerveró. O senhor se envolveu nesse episódio?”, indagou Moro.

“Excelência, o senhor me desculpa, mas esse fato é objeto de um processo que tramita, por decisão do Supremo Tribunal Federal, na Justiça Federal de Brasília. E já houve, inclusive, audiência na semana passada, quando todas as testemunhas acabaram por não reconhecer a delação do depoente em relação a esse tema”, disse um dos advogados do ex-presidente.

Seguindo a retórica da “convicção”, Moro voltou a falar que havia um “contexto” para fazer tal pergunta. Mas um dos advogados de defesa de Lula advertiu: “É que é outro processo. O Supremo disse que Vossa Excelência não tem competência para tratar desse caso. Vossa Excelência está afrontando uma decisão do Supremo agora”.

O advogado de Delcídio endossou: “Vou acompanhar aqui o ilustre advogado, em razão de que o senador Delcídio é acusado naquele processo. Então, Vossa Excelência, com todo o respeito, estaria antecipando o interrogatório. E isso poderia gerar um efeito naquele outro processo. Então, Vossa Excelência poderia reconsiderar isso aí, de não fazer perguntas sobre aquele processo?”

Moro insistiu: “São breves questões relacionadas sobre o que ele já prestou aqui sobre esse fato”. A defesa do ex-presidente reforçou que Moro estava afrontando decisão do Supremo. 

Moro, em 20 de setembro, aceitou na íntegra a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Lula e outras sete pessoas, sem provas, mas com base nas “convicções”. Para Cristiano Zanin, a conduta de Moro durante audiência “não surpreende, diante do histórico de violações às garantias fundamentais já ocorridas e praticadas por esse juiz de Curitiba”.

“Aula de processo penal dos advogados e, mais uma vez, uma aula de arbitrariedade do nosso Judiciário. Para quem ainda acredita que estamos vivendo em um Estado de Direito”, disse o jurista e professor da PUC, Rafael Valim, nas redes sociais.

Sobre os depoimentos, a defesa do ex-presidente disse os quatro delatores arrolados pelo Ministério Público Federal para depor não apresentaram qualquer elemento que confirme a tese acusatória relativa à propriedade de um apartamento triplex, no Guarujá, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia.

“O ex-senador Delcídio do Amaral, um dos delatores ouvidos, disse nada saber sobre essa acusação do tríplex, limitando-se a repetir suas já conhecidas afirmações vagas e sem provas”, disse a defesa.

“Ele [Delcídio] não conseguiu e não soube apresentar nenhuma prova, mostrando que a delação premiada que fez ao Ministério Público está baseada simplesmente em opiniões e ilações. Isso ficou muito claro na semana passado quando o Nestor Cerveró não reconheceu as palavras de Delcídio e hoje, quando ele foi confrontado a apresentar provas, ele não soube apresentar”, enfatizou Zanin em entrevista coletiva após a audiência.

“Delcídio foi incapaz de apontar um fato ou conversa concreta em relação a Lula”, disse a defesa, reforçando que os demais delatores também afirmaram desconhecer qualquer relação de Lula com este imóvel ou com o recebimento de qualquer quantia indevida.

“Os depoimentos colhidos deixam, portanto, claro que Lula não praticou ato ilícito. Essa mesma constatação emergiu na audiência do dia 8/11, na 10ª Vara Federal de Brasília, quando os depoentes não confirmaram a acusação de Delcídio sobre a ‘compra de silêncio’ de Nestor Cerveró. O próprio ex-diretor da Petrobrás isentou Lula de qualquer intervenção no seu processo de delação premiada”, explicaram os advogados por meio de nota.

E concluem: “Mais uma vez ficou claro que as acusações que o MPF fez contra Lula são frívolas, sem materialidade e fazem parte de um processo de lawfare, que é o uso de procedimento jurídicos para fins de perseguição política”.
 
Do Portal Vermelho, com informações de agências

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

IV ENCONTRO ESTADUAL DO ORGULHO NEGRO ATINGE SEUS OBJETIVOS! VIVA O DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA!

 Presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos saúda os participantes do IV Encontro Estadual do Orgulho Negro
 Dezenas de participantes atentos a Roda de Conversa
 Professor Derinho Santos - UFRN, saudando os participantes
 José Teixeira - CUT/CNTE/SINTE/RN, Dando boas vindas aos participantes
 Apresentação do Grupo de Capoeira BOA VONTADE - CBV

 Participantes prestigiando as apresentações culturais
 Da direita para a  esquerda; Professora Maria José Portugal, professor João Maria Campos (SINTE-NOVA CRUZ) e professor Derinho Santos - UFRN)
 José Teixeira - CUT/RN-CNTE-SINTE/RN prestigiando as apresentações culturais ao lado da família
 Participantes (professores e alunos) prestigiando as apresentações culturais
 roda de Conversa - Professor Derinho Santos - UFRN
 José Teixeira - CUT/RN - CNTE - SINTE-RN: Roda de Conversa

 Zé Teixeira - CUT/RN - CNTE - SINTE-RN

 Professores, jovens e crianças atentos ao debate

Professora Maria José Portugal - Roda de Conversa
                                                     Participantes fazendo suas perguntas: "Cultura Afro-Brasileira"
Participantes (Ingrid) fazendo suas perguntas: "Cultura Afro-Brasileira"





 Participantes do IV ENCONTRO ESTADUAL DO ORGULHO NEGRO

Ontem (20) o IV Encontro Estadual do Orgulho promovido pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN com apoio da ANE/RN, CPC da ANE/RN, CPC/RN, UBES, UNE, SINTE/RN, CUT/RN, CTB/RN e SINDICATOS atingiu todos os seus objetivos que era o de despertar os presentes para a ampliação da luta no Combate ao Racismo e a todo tipo de Preconceito, além de proporcionar debate, cujo tema também foi "Cultura AFRO-BRASILEIRA", através de UM RODA DE CONVERSA, com os especialistas da área: Professor Derivaldo dos Santos - UFRN; Professor José Teixeira - CUT/RN-SINTE/RN - CNTE; Professora Maria José Portugal - Professora do Município e o Professor João Maria Campos - UFRN.

O debate reviveu os momentos da vinda dos negros da África, escravidão, suas origens, sua cultura e legado de conhecimentos passados ao POVO BRASILEIRO.

Para o Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos o evento foi importante para despertar a sociedade quanto ao racismo que ainda reina em nosso país e mostrar que a a raça negra tem seus valores e conhecimento e devem ser respeitados, pois são direitos garantido na Carta Magna do País a CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988. Vamos continuar na luta conseguindo mais adeptos a essa justa luta, concluiu, Eduardo Vasconcelos.

Após a Roda de Conversa houve espaço cultural, sorteios de brindes entre os participantes e entrega de certificados.

Seguindo as palavras do Jornalista e Escritor, Mauricio Pestana*:

"Comemoramos a consciência negra porque os negros foram oprimidos por mais de 300 anos nesse país e ainda hoje somos a população que mais sofre em todos os sentidos. 

Somos 76% dos mais pobres, ou seja, três em cada quatro pessoas que estão no grupo dos 10% mais pobres são negras. Somos a população com renda média 2,5 vezes menor que a população branca. Somos mais de 60% da população penitenciária do país. Nossos jovens são 77% dos jovens assassinados todo ano, o que significa que um jovem negro é morto a cada 23 minutos. 

Então, enquanto formos os cidadãos mais afetados pelas desigualdades do Brasil, precisaremos de um dia para lembrar que a escravidão acabou há mais de 100 anos e já está mais do que na hora de sermos totalmente integrados à sociedade brasileira.

Nesse 20 de novembro, a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial irá inaugurar a primeira estátua de Zumbi dos Palmares na cidade de São Paulo. Um ícone da luta negra agora estará ao lado de outras figuras importantes para a historiografia brasileira. É isso que exigimos quando falamos sobre consciência negra: não a supremacia negra na sociedade, mas que o nosso lugar enquanto parte integrante desse país seja reconhecido. 

* Jornalista, escritor e cartunista Atualmente ocupa o cargo de secretario de promoção da igualdade Racial da cidade de São Paulo.

"O negro imigrante é alvo de duplo preconceito. "Quando você é negro brasileiro te olham como incapaz. O imigrante africano já é visto como exótico, mas carregamos o peso do estereótipo de que africanos são agressivos ou preguiçosos." - Nádia Ferreira, Formada em Letras, a africana de Guiné-Bissau.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

“Novembro Azul”: Por quê você (que não tem nenhum sintoma urinário) não deve fazer exames de próstata

Em artigo, médico desmascara a campanha: “O programa é apoiado pela Eurofarma, a oitava maior farmacêutica do mundo, por hospitais e clínicas privados. Não é recomendado, porém, pelo INCA, pelo Ministério da Saúde, pela OMS e outras instituições internacionais. A propaganda na TV promete diagnóstico precoce e cura, mas esconde que os riscos da doença são pequenos, à diferença dos riscos que acarretam os exames e as intervenções”
Por Thiago Comhagá*
Seu Laurindo vê na TV a propaganda do Novembro Azul. Com seus 63 anos, vive bem, é sexualmente ativo e não sente absolutamente nenhum sintoma que possa estar relacionado com o câncer de próstata. “Prevenir é melhor que remediar, vai no Centro de Saúde pro médico pedir o exame pra você”, reclama a mulher, ao seu lado.
Seu Laurindo costuma pedalar pelo bairro e vai inclusive de bicicleta até o Centro de Saúde. Na consulta, pede o exame. O médico obedientemente o atende. O toque retal acontece sem problemas, o médico considera o exame normal. Pede o PSA: “é só um exame de sangue”, explica.
No retorno, o médico avisa que o PSA veio muito alto. Seu Laurindo continua bem, sem sintoma algum. O médico repete o exame: continua alto. Pede então uma biópsia de próstata. “É só uma agulha, nem vai doer”, diz o médico. Seu Laurindo faz a biópsia – dolorida, por sinal –, e volta pra casa com a prescrição de três dias de anti-inflamatório. Ele agora sente dor no local da biópsia e esse é seu primeiro sintoma.
A biópsia vem positiva para câncer. O médico tenta acalentar: “Veja pelo lado bom, é um tipo pouco agressivo, e se tirarmos a próstata agora a chance de cura é de 90%”. Seu Laurindo está cabisbaixo e pensativo na vida. Com o passar dos dias, segue melancólico com a notícia. A mulher também. Filhos viajam para encontrar o pai e o clima na família é de medo mas também de esperança. Seu Laurindo está extremamente preocupado e triste e esse é o seu segundo sintoma.
Três meses depois da cirurgia, Seu Laurindo está com incontinência urinária e não pode ficar muito tempo longe do banheiro. A vida sexual também não anda boa e tem sido difícil manter ereções. O médico tenta consolar: “Toda cirurgia tem seus riscos, mas veja pelo lado bom, o senhor está curado do câncer!”. Incontinente e impotente, esses são seus terceiro e quarto sintomas.
Seu Laurindo nunca teve sintoma algum de câncer de próstata, mas colecionou diversos sintomas (muitos deles incapacitantes) ao longo do processo de “cura” do câncer descoberto. Evidentemente, morrerá de outra causa que não o câncer de próstata. O que ele não sabia é que, muito provavelmente, o câncer de próstata jamais o mataria; ele morreria com o câncer, mas não do câncer.
Seu Laurindo foi um paciente que conheci na graduação – não sob esse nome, claro. Não fui eu quem requisitou os exames ou realizou a cirurgia. Seu Laurindo – e o médico – foram parte da – no mínimo – suspeita estratégia por trás do Novembro Azul.
O programa é apoiado pela Eurofarma, a oitava maior farmacêutica do mundo, por hospitais e clínicas privados. Não é recomendado, porém, pelo INCA, pelo Ministério da Saúde, pela OMS e outras instituições internacionais. A propaganda na TV promete diagnóstico precoce e cura, mas esconde que os riscos da doença são pequenos, à diferença dos riscos que acarretam os exames e as intervenções.
É mais fácil decidir fazer parte disso com todas as cartas na mesa. Informe-se com seu médico – e cobre dele uma postura isenta.
*Thiago Comhagá é Médico de família e Comunidade em Santa Catarina
Fonte: Revista Fórum