ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 5 de dezembro de 2015

NOVA CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEF

Presidenta Dilma, saia do palácio e venha para o meio do povo. "A defesa do mandato presidencial tem que ser feita com e no meio do povo." - " Venha e seja uma mulher valente aqui no nosso meio e a história a reconhecerá como a Presidenta do povo. Enquanto os golpistas se reúnem em torno de lautas refeições e de bebidas caras para arquitetar golpes a senhora virá para no nosso meio se juntar aos mais humildes, que não comem caviar, mas que se alimentam do pão da justiça social em busca da paz."

NOVA CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEF


Por Dom Orvandil Moreira Barbosa - Cartas Proféticas - 05/12/2015 

Prezada Presidenta Dilma

Ontem assisti o seu discurso e o seu encontro com os participantes da 15ª Conferência da Saúde.

Vi o entusiasmo dos participantes que deliraram com sua entrada e gritaram muitas vezes “não vai ter golpe”!

Escutei-a durante todo o seu discurso. Vi uma grande mulher falar como quem se sente acuada, sem conseguir esboçar suas belezas feminina, política e de a maior líder do nosso povo.

Meu coração doeu pela senhora, por nosso povo e por nosso País.

Doeu porque vi na tribuna a nossa maior líder afirmando que não praticou nenhum crime e que fará de tudo para defender o seu mandato.

Pensei com meus poucos botões que a senhora não precisa dizer que não cometeu crime algum. Todos sabem disso, desde os mais honestos que militam apaixonadamente na construção de uma sociedade mais justa até aos mais malandros e sujos da oposição, inclua-se neste elenco maluco e mau caráter o senhor Eduardo Cunha.

Quanto a defesa do mandato que não é seu, mas do povo brasileiro, é justo que a senhora o defenda e o faça como dizemos lá no nosso Rio Grande do Sul, com unhas e dentes.

Mas, permita-me lhe dizer, Presidenta, que a senhora deve defender o mandado emanado dos votos do povo brasileiro não só com articulações palacianas e formalmente jurídicas.

A defesa do mandato presidencial tem que ser feita com e no meio do povo.


Por favor, não se trancafie nos palácios do Planalto e da Alvorada. Isso gera muita insegurança e dá munição para a direita midiática e golpista inventar bobagens sobre a senhora. Abre espaços para que os golpistas veicularem fofocas e alimentem o ódio por todos os meios. Lembre-se de que o nosso povo desconfia muito de reuniões palacianas e de quem se esconde dele.

Faça como aconteceu no encontro da saúde, comungue com o povo.

Ao encontrar com o povo diga os nomes dos traidores da Pátria, dos corruptos que assaltam os cofres públicos, dos que desviam os recursos do povo para contas pessoais com o objetivo de alimentar vaidades e podridões miseráveis de quem não o ama o povo e com ele não trabalha.

Venha para o meio do povo e denuncie os movimentos do imperialismo no esforço de golpear a democracia para roubar nosso pré-sal e nossas estatais.

Venha e denuncie os bancos que estrangulam nosso Tesouro e nossa economia, sem se preocupar com o desemprego e com a asfixia de nossos direitos.

Venha para o meio da classe trabalhadora e conte sobre as pressões dos poderosos para que a senhora aplique o receituário do arrocho que desemprega, adoece, destrói direitos e mata crianças e velhos.


Nos corredores dos palácios a articulação, a pressão e manipulação dos poderosos entram no poder como o ar que se transmuda em tempestade no vale onde vivemos como maioria.

Foi nos escritórios do Palácio que Fernando Henrique Cardoso constrangeu Lula a assinar a diabólica “carta aos brasileiros”, que o obrigou a aplicar parte do programa neoliberal.

Sabemos que a senhora é honesta e é incapaz de urdir o mal contra o nosso povo. É assim que a senhora ensina para seu neto quando ele vai ao Alvorada. A senhora mostra que nas coisas do povo brasileiro ele não deve tocar, porque são sagradas.

Porém, Presidenta, também sabemos o quão poderosas são as forças inimigas dos pobres, dos trabalhadores, dos negros, dos jovens, dos indígenas, das mulheres, enfim dos excluídos. Elas atuam às sombras. Pressionam e ameaçam, sem se preocuparem com os valores éticos de amor ao nosso povo e ao nosso País democrático, por quem a senhora lutou de armas nas mãos. Elas pisam em sua honestidade e alma ilibada como os elefantes esmagam as flores.

Por isso a conclamação para que a senhora rompa o cerco e venha para o meio do povo e do Brasil social e produtivo.

A senhora será bem recebida. A senhora será amada. A senhora será fortalecida. A senhora será prestigiada.

Venha para romper com esse programa econômico que arrocha, que corta investimentos, que encolhe o País, que ameaça o desenvolvimento, que encolhe a renda e destrói a democracia que a senhora tanto ama.

A senhora é a pessoa que mais tem poder de mobilização. Ao libertar-se de uma presidência burocrática e tímida a senhora encontrará na unidade de nosso povo as forças para romper e esfarinhar o golpe sujo.

A senhora tem o poder de convocar cadeias de rádio e televisão para convocar o povo. Ninguém tem essa privilegiada prerrogativa. Use-a a nosso favor, querida Presidenta Dilma.

A senhora encontrará riscos de segurança com insanos que a querem matar. Mas também não há ninguém que conte com tanto aparato de segurança de uma pessoa quanto a senhora.

Lembre-se de que nenhum de nós conta com qualquer esquema de segurança que proteja a vida quanta a senhora. Aqui no vale nacional somos assaltados e mortos todos os dias, principalmente os pobres, mulheres e negros.

Ao vir para cá, prezada Presidenta, construirá a mais gigantesca e histórica respeitabilidade como a mulher que veio às ruas para, a partir daí, defender nosso povo e a Pátria dos golpes dos insanos que derrubam CPMF para depois, nas campanhas eleitorais, mentirem que o sistema de saúde é ruim por causa de Lula e de Dilma; que derrubam os direitos para depois acusarem-na de nada fazer pelo povo que a elegeu.

Ao nosso lado a senhora ajudará a nos defender do cinismo e da hipocrisia que viram alienação e ódio entre irmãos.

Ao nosso lado a senhora ajudará muito mais a defender a democracia do que nas articulações palacianas.

Lembre-se Presidenta de que o povo escolhe para presidir e liderar o seu País o melhor dentre os seus filhos e filhas.

A senhora e não Michel Temer foi a escolhida para ser nossa Presidenta.

A senhora é a melhor filha deste povo. A senhora é nossa melhor irmã brasileira.

Lembre-se de que o problema do golpe por meio do processo do impeachment não é jurídico nem moral. É político.

E problemas políticos se vencem no meio dos maiores e melhores políticos que somos nós, o povo.
O parlamento é composto pelos representantes do povo. Mas quando os bons representantes são hostilizados e outros representam não o povo, mas interesses contra nós é preciso ir direto ao povo e com ele lutar.

Venha Presidenta.

Aqui nos sindicatos, nas associações de moradores, nas igrejas, nos movimentos sociais e nas ruas é o seu lugar, porque são os lugares onde lutamos, vivemos e onde nos sentimos ameaçados nesse momento.

Aqui no vale a senhora retomará a bravura e a história da Vanda que lutou contra o terror de um golpe das trevas.

Hoje não lutamos com metralhadoras e bombas, mas com as armas dos direitos humanos, da defesa da democracia e da soberania nacional.

Aqui é o lugar e agora é o tempo de recuperar a bravura, a coragem e a verdade defendidas quando a senhora perdeu a liberdade, submetida às agruras das prisões e das torturas.

Venha, grande mulher, e faça conosco a boa luta nos ajudando a mobilizar o Brasil contra o golpe. Ninguém tem mais força para isso do que a senhora.

Lembre-se do grande patriota Leonel de Moura Brizola, admirado por todo o País por defendê-lo do golpe. Os tempos e a conjuntura são outras, mas os golpistas querem dar o mesmo golpe de sempre, ainda que com novas roupagens.

Lembre-se do que disse o “cavaleiro da esperança” sobre a admiração do povo por Brizola. Luiz Carlos Prestes disse que o ex-governador gaúcho e carioca cultivava os valores da valentia e da honestidade, que o povo estima.

Venha e seja uma mulher valente aqui no nosso meio e a história a reconhecerá como a Presidenta do povo.

Enquanto os golpistas se reúnem em torno de lautas refeições e de bebidas caras para arquitetar golpes a senhora virá para no nosso meio se juntar aos mais humildes, que não comem caviar, mas que se alimentam do pão da justiça social em busca da paz.

Será mais justo a senhora e o povo defendermos o nosso mandato presidencial do que perdermos o poder e o povo.

 Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

Fonte: Vozes da Esquerda

BRASIL: Luciana Santos diz que oposição “partiu para o tudo ou nada”

Portal Vermelho conversou na manhã desta sexta (4), em São Paulo, com a presidenta do PCdoB, deputada Luciana Santos, sobre o acolhimento do processo de impeachment contra a presidenta Dilma pelo presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB). “A oposição se desmascarou”, ressaltou Luciana.

Por Railídia Carvalho


Portal Vermelho
Luciana e André Tokarski na reunião do Fórum de Movimentos Sociais do PCdoB nesta quinta (3)
Luciana e André Tokarski na reunião do Fórum de Movimentos Sociais do PCdoB nesta quinta (3)

As declarações foram feitas após a presidenta fazer a abertura da reunião do Fórum Nacional de Movimentos Sociais do PCdoB, que acontece nesta sexta, na capital paulista. 

De acordo com Luciana a oposição não quer saber de legalidade e nem de ética e que o objetivo é derrotar o projeto político representado pela presidenta Dilma.

“Um projeto que transformou o Brasil para melhor, com avanço, enfrentamento da desigualdade regional e inclusão social.  O eleitor de Dilma precisa defender a democracia e o legado das conquistas e dizer não ao retrocesso”, afirmou Luciana.
“Estamos diante de um pacto, uma negociação feita com um chantageador, com alguém que não tem autoridade política nenhuma para conduzir impeachment”, criticou a presidenta.
Na opinião dela o Brasil está diante de um terceiro turno das eleições. “Na medida em que o impeachment foi aberto precisamos tensionar as energias para barrar o golpe e para isso precisamos ter a rua e capacidade de interferir no cenário política para defender a democracia brasileira”, defendeu.
Segue em análise a arguição de descumprimento de preceito fundamental (Adpf) apresentada pelo PCdoB ao STF questionando o rito de acolhimento do impeachment. Outro instrumento usado pelo partido foi um mandado de segurança apresentado pelo deputado Rubens Junior (PCdoB-AM) e que foi foi rejeitado pelos ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello.
“A adpf é a única ação que permanece e foi apresentada na perspectiva de fazer a guerra jurídica.  Mas sabemos que a disputa é eminentemente política”, definiu Luciana.
Para ela com a disputa jurídica em curso a hora é de fazer pressão nas ruas para assegurar que o resultado das urnas seja respeitado e novas perspectivas de debate ganhem força neste processo.
“Ao mesmo tempo em que iremos para as ruas defender o mandato da presidenta Dilma é preciso fazer o debate do futuro, da superação da crise econômica, da superação do ajuste fiscal. É o momento de virar a página do ajuste e falar do crescimento e do desenvolvimento. Estas questões estão postas para o partido e para nossa militância”, destacou Luciana.
O PCdoB será representado pela deputada Jandira Feghali na comissão especial da câmara que analisará o processo de impeachment. O deputado Orlando Silva é o suplente. Seguidos os trâmites de composição dos membros, a previsão é que a comissão seja instalada na próxima terça (8).


do Portal Vermelho

GERAL: Vitória estudantil: Alckmin revoga decreto de reorganização escolar

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) oficializou a revogação do projeto de reorganização escolar. O decreto foi publicado na manhã deste sábado (5), no Diário Oficial da União. 


Ubes
Estudantes comemoram vitória contra o plano tucanoEstudantes comemoram vitória contra o plano tucano

Desde que o projeto de reorganização foi anunciado, os estudantes paulistas fizeram uma série de ocupações em escolas e grandes manifestações que fecharam as principais avenidas da capital paulista. Caso o plano fosse implementado, 93 centros de educação seriam fechados e 311 mil estudantes afetados pela medida. 

A pressão dos estudantes ganhou o reforço de pais, professores, funcionários do quadro escolar, além de artistas que se mobilizaram pela causa. Sob forte repressão e violência policial, os alunos se mantiveram firmes em defesa de suas escolas. A má gestão do governador o levou a atingir sua pior marca de popularidade. Segundo o Datafolha, apenas 28% dos eleitores paulistas qualificam a gestão do tucano como “ótimo” ou “bom”, esta foi a menor taxa de aprovação ao longo de mais de 10 anos de mandato. 

Segundo nota oficial da Ubes, publicada na noite desta sexta-feira (4), após uma assembleia geral dos estudantes, mais de 220 escolas foram ocupadas. “Os secundaristas que resistiram contra essa proposta [reorganização] são vitoriosos”, diz o texto. 

“Vencemos a repressão da Polícia Militar, nossos diretores ditadores, as bombas de efeito moral, a falta de água e luz. Vencemos a truculência do governo Alckmin, a intolerância do Secretário Estadual de Educação, Herman. Conquistamos tudo isso pelo amor as nossas escolas e a consciência de que podemos alcançar uma nova escola pública”, afirma o documento. 

Neste domingo (6), acontece a Virada Ocupação, uma virada cultural promovida pela ONG Minha Sampa. Os artistas Criolo, Paulo Miklos (Titãs), Edgard Scandurra (Ira!) e Maria Gadú já confirmaram presença. O local e o horário dos shows ainda não foram divulgados para preservar a segurança da omunidade escolar. 


Do Portal Vermelho, Mariana Serafini

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Em Assembleia, categoria decide por encerramento da greve no IFRN

O Sinasefe Seção Sindical Natal realizou nessa segunda-feira (30) uma Assembleia Geral Extraordinária para, além de outros assuntos, decidir os rumos da greve no IFRN, retomada em 10 de novembro de 2015. Na plenária, a categoria decidiu pelo encerramento do movimento, com 125 votos a favor da finalização e 25 abstenções. O Comando Geral de Greve iniciou a reunião com os informes sobre a agenda da greve na semana anterior e com um histórico de todas as atividades realizadas pelo Comando desde a retomada da greve.
Na Assembleia também foram feitos os informes sobre os eventos que foram realizados, como a 138ª Plena, realizada nos dias 14 e 15/11; e a Marcha das Mulheres Negras, que aconteceu no dia 18/11 em Brasília; e os próximos eventos agendados, como o Curso de Formação Política do Nordeste, de 18 a 20/12 em Natal; o Seminário de Educação, Carreira e Aposentados, de 11 a 13/12 em Brasília; os debates dos candidatos a diretores-gerais dos Campi – que já estão acontecendo – e a reitor do IFRN; a 139ª Plena, de 11 a 13/12 em Brasília; e o Consinasefe Eleitoral, agendado para o período de 18 a 21/03/2016.
Fonte: Robson Pires

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Conferência: Grande desafio é retomar o desenvolvimento para o RN

Antenor Roberto é reconduzido a Presidência do PCdoB/RN
Apostando no crescimento partidário, na força dos movimentos sociais e no diálogo com as forças do campo progressista, comunistas do Rio Grande do Norte reafirmam a necessidade de um projeto - a partir das eleições municipais de 2012, tendo Natal como centro - que faça frente ao conservadorismo e recoloque o estado no ciclo do desenvolvimento vivido pelo país na última década.
A 13ª Conferência Estadual do PCdoB-RN, realizada no último fim de semana, 25 e 26, na Assembleia Legislativa do RN, em Natal, elegeu a nova direção partidária para o próximo biênio, num processo de discussão política que envolveu aproximadamente dois mil militantes em todo o estado. Foram 120 delegados eleitos, com a mobilização de 52 comitês municipais, incluindo as 20 maiores cidades norte-rio-grandenses, em todas as regiões.

Na abertura da conferência, sexta-feira (25) houve a intervenção de Luciano Siqueira, deputado estadual de Pernambuco e membro do Comitê Nacional do PCdoB. A deputada federal Fátima Bezerra e o deputado estadual Fernando Mineiro, do PT, e Carlos Eduardo, ex-prefeito de Natal, do PDT, marcaram presença, junto a representantes do PSB e do PTdoB, além de vários militantes e dirigentes de entidades do movimento popular.

O sábado (26) foi reservado para os trabalhos de discussão. Após os debates e intervenções da direção e da militância, foi aprovada a resolução política, que agora passa a orientar as tarefas partidárias. Também foram eleitos 41 membros para a direção estadual, com a recondução de Antenor Roberto à presidência do Partido no RN, e a eleição de Urbano Medeiros para a tesouraria. O novo comitê dirigente foi renovado pela participação expressiva de militantes da juventude e dos movimentos sociais.

Oposição consistente ao retrocesso político do RN: deslocar do poder a direita

Segundo a resolução política, o PCdoB tomará a iniciativa de, através do diálogo construtivo com as correntes políticas aliadas, fortalecer, no plano estadual, a base de sustentação ao governo Dilma Roussef, nos termos da Resolução do Comitê Central "Enfrentar a crise mundial impulsionando o desenvolvimento nacional". O documento aprovado também garante que os comunistas renovam sua determinação em contribuir, nas esferas institucional e do movimento social, com a mais firme e consistente oposição às forças que governam o Rio Grande do Norte.

Para Luciano Siqueira, membro do Comitê Nacional, "é inaceitável que o RN não esteja plenamente inserido no ciclo de desenvolvimento do Nordeste. Isso desafia o PCdoB a formular opinião própria a respeito, tecnicamente bem-fundada e politicamente bem-situada para, no diálogo com as forças políticas do campo progressista, darmos conteúdo à luta para deslocar do poder a direita liderada pelo DEM. Esse desafio já se coloca para agora, nas eleições municipais de 2012".
Cristina Rastafári                       

O dirigente avalia que a conferência trouxe à luz, através do debate, as dificuldades momentâneas do campo popular e democrático do RN, que, em certa medida, influenciam também a vida partidária. "Mas esse encontro mostrou um partido unido, determinado e otimista, tanto em relação a dar sequência a vitórias importantes nos movimentos sociais, como também na postura ousada em busca de eleger prefeitos e representantes nas Câmaras Municipais", disse.

Oxigenação partidária e retomada do projeto progressista

Também os dirigentes estaduais demostram otimismo e confiança. Eveline Guerra, reeleita para o Comitê Estadual, não esconde as dificuldades, no entanto, apresenta a disposição que sempre marcou sua vida militante. "A conferência trouxe a avaliação de uma gestão da direção estadual e aponta alguns problemas enfrentados, mas indica também soluções para sua superação. Esse processo é a revitalização do partido, uma oxigenação da vida partidária", afirmou.

Já para George Câmara, vereador em Natal pelo PCdoB, o objetivo de todo o processo foi atualizar a análise da realidade e, dessa leitura, tirar orientações do partido para a conjuntura. "Nesse sentido, a conferência cumpriu seu papel, projetando a atuação para 2012 e cuidando do partido, que é o exército que vai enfrentar a batalha. Três pontos fundamentais foram abordados: a análise da realidade, o projeto para 2012 e o crescimento do partido. Foi uma conferência vitoriosa, com uma política ajustada: a partir de Natal, retomar o projeto progressista para o RN."

A 13ª Conferência fez uma homenagem ao dirigente Jose de Anchieta Ferreirra Lopes, falecido em dezembro último, ex-professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN e Secretário de Estado de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária do RN. Anchieta foi responsável pela reorganização do PCdoB na década de 1980 e presidiu os comitês municipal de Natal e do RN. Ao fim dos trabalhos, Albaniza, de Mossoró, também apresentou uma homenagem à Professora Rita Sales, militante comunista recentemente falecida.

Presidente reeleito faz balanço positivo

Para Antenor Roberto, reconduzido à presidência do PCdoB-RN, a conferência foi um processo vitorioso, sustentado pelo espírito militante do partido. O dirigente avalia que a direção cessante atendeu à necessidade de descentralizar as tarefas, superando a falta de condições materiais.
 
Cristina Rastafári                       

"O grande cimento foi a unidade do partido, e o processo eleitoral mostra o grau dessa unidade: a lista de membros para o próximo comitê estadual, apresentada pela direção que termina seu mandato, foi recepcionada à unanimidade pela militância. Conseguimos um equilíbrio, respeitando os comitês municipais e a realidade partidária. O novo comitê estadual surge com a expectativa de ser um núcleo com o espírito de pertencimento ao partido", avalia o presidente reeleito.

Segundo Antenor Roberto, agora, um grande desafio será mudar a forma de comunicação da direção, entre si e com o conjunto partidário, buscando consonância com a realidade atual da comunicação, hoje de um nível maior e mais rápido. Além disso, é premente a necessidade de assistência descentralizada – que tem como empecilho o limite de recursos – para atender as macrorregiões do estado.

"Temos também de ser um partido de direitos e deveres, com a consciência da necessidade da contribuição e da carteira de militante, que dão o caráter da nossa organização, que é programático, de ideias e de luta", aponta o dirigente.

Conquistar representação no Legislativo e Executivo municipais

Para 2012, Antenor diz que a direção eleita deve dar resposta a dois desafios: os 90 anos do PCdoB, em 25/03/2012, e a 2º Conferência de Gênero, com o debate sobre a participação da mulher na política. Conforme sua avaliação, o processo de conferência demonstrou que o partido obteve um acúmulo, que hoje exige um resultado eleitoral mais concreto, conquistando representação nas câmaras municipais e na administração dos municípios.

"O espírito de renovação da direção, de fazer ajustes, recebeu um crédito do coletivo. E com um dado novíssimo: o retorno da voz juvenil ao fórum dirigente do PCdoB; a juventude volta a ser um berço de lideranças, como sempre foi no histórico partido. Junto a isso, as grandes vitórias nos movimentos sociais se refletem na direção partidária, renovando-a", avalia o presidente.

O dirigente ainda ressalta que o caráter vitorioso de todo o processo restou devidamente marcado: "A conferência foi brindada pela assistência nacional, com o brilho das intervenções de Luciano Siqueira. Também ficou registrado o prestígio do partido, com a presença de representantes do PDT, PT, PSB e PTdoB, o que demonstra que as forças políticas reconhecem que estamos no rumo certo."

Expectativas eleitorais para 2012

Antenor Roberto destaca que o que marca a conjuntura de Natal é, por enquanto, a falta de unidade no campo progressista, por isso, o PCdoB deixa essa discussão em aberto, sempre com a proposição de diálogo, união das correntes políticas verdadeiramente democráticas e retomada de um projeto avançado para a capital.
 
De Natal,
Ana Cláudia Salomão
 

sábado, 28 de novembro de 2015

15ª Conferência Estadual do PCdoB/RN - DIAS 27 E 28 DE NOVEMBRO

Ontem (27) e hoje (28) de novembro, o Comitê Estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB/RN) reúne os delegados e delegadas eleitos nas Conferências Municipais, militantes e amigos para debater as teses da 15ª Conferência Estadual, eleger a nova direção, discutir os eixos que nortearão a sua política nos próximos dois anos e definir os rumos para enfrentar a crise e as tentativas de golpe no país.

A solenidade de abertura aconteceu às 19h desta sexta-feira, 27, na Assembléia Legislativa, e contou com a presença do membro do Comitê Central do PCdoB, Ronald Freitas. Além do projeto de resolução, o comitê estadual apresentará um balanço das atividades de direção e discutirá a preparação partidária para o embate eleitoral nos municípios do Rio Grande do Norte em 2016.

Os debates marcam um momento privilegiado para a militância partidária aprofundar as discussões e o PCdoB apresentar à sociedade seus pensamentos e propostas. No processo de mobilização das Conferências, o PCdoB buscou discutir a política do partido e organizar sua militância em torno da construção de um pensamento político para a abertura de caminhos de progresso social e de um projeto nacional afirmativo. 

Em todo o Estado, foram realizadas conferências municipais, além das reuniões de núcleos de base, de plenárias, da intensificação dos cursos básicos de formação, e do empenho em buscar novas filiações ao Partido.

A expectativa é de que a Conferência Estadual seja, também, espaço de renovação da cultura política e de superação de dogmatismos, debatendo com a sociedade as teses partidárias e promovendo novas filiações. 

De Natal, Jana Sá

Adaptado por: PCdoB – Nova Cruz/RN

CULTURA: Democracia: “Não me sentiria bem se me calasse”, diz Augusto de Campos

Portal Vermelho conversou, com exclusividade, com o poeta Augusto de Campos. Em entrevista ao também poeta, Claudio Daniel, Augusto fala sobre poesia, sua carreira, os reconhecimentos profissionais que recebeu recentemente no Chile e no Brasil, e obviamente sobre o processo político pelo qual o Brasil passa. 


Arquivo pessoal
Augusto de Campos em cerimônia de recebimento do Prêmio Ibero-americano de Poesia Pablo Neruda, no Palácio La Moneda, no Chile. O evento contou com a presença da presidenta Michelle BacheletAugusto de Campos em cerimônia de recebimento do Prêmio Ibero-americano de Poesia Pablo Neruda, no Palácio La Moneda, no Chile. O evento contou com a presença da presidenta Michelle Bachelet

Augusto é incisivo ao se posicionar em defesa da democracia. Alguém que viveu e sobreviveu à ditadura militar sabe bem o quão grave é ferir o processo democrático, como alguns setores da oposição vem tentando fazer ao inflar uma onda golpista contra a presidenta Dilma Rousseff. “Não me sentiria bem se me calasse”, afirma o poeta sobre sua responsabilidade enquanto artista e cidadão de se colocar ao lado dos que defendem a soberania do voto popular. 

Leia a entrevista na íntegra: 

Vermelho: Você recebeu recentemente a Ordem do Mérito Cultural, em Brasília, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, em evento que contou com a participação de Caetano Veloso. Isto significa um reconhecimento da Poesia Concreta, por tanto tempo incompreendida? Em sua opinião, o que explica o prolongado conservadorismo em nosso meio cultural, tão pouco generoso com novas propostas estéticas?

Augusto de Campos: De fato, como a cobertura da grande mídia foi minguada, a maioria das pessoas não tem ideia do que foi esse evento, no qual, além de receber a Grã-Cruz, fui o homenageado da cerimônia. A Bia Lessa, que a organizou, transformou-a numa defesa e ilustração da inventividade, referida à criação de Brasília da perspectiva da inteligência brasileira, como foi vista por Max Bense. Elegeu a poesia concreta e Oswald de Andrade como temas dominantes, num amplo panorama de nossa cultura. Dos parangolés de Hélio Oiticica à arte dos indígenas, do baião de Humberto Teixeira à poesia-música de Arnaldo Antunes, ambos agraciados, o último também participante da narração do espetáculo. Pode-se ter uma ideia mais precisa da magnitude da cerimônia no endereço eletrônico. [Assista ao vídeo aqui

Um espetáculo “verbivocovisual” desenvolvido em grandes painéis videográficos, sincronizados com música ao vivo , que teve a participação especial de Cid Campos e de Caetano Veloso. Este não aparece no vídeo por restrições contratuais de sua produção, mas registrou a sua presença numa entrevista significativa. [Assista ao vídeo aqui

A apresentação teve momentos emocionantes dedicados a outras modalidades de arte, como o da entrega da Grã-Cruz às Ceguinhas da Paraíba com a sua cantoria dura e pura, e os de homenagens às comunidades indígenas. E como o da surpreendente execução do hino nacional em guitarra, baixo elétrico, bateria e percussão pelo quarteto dirigido por Dany Roland, com dissonâncias que fizeram lembrar o hino americano interpretado por Jimi Hendrix. Woodstock no Planalto. Eu, de certa forma arrisquei-me a desafinar o tom da festa, que era toda alegria e exuberância, introduzindo a pauta política em meu breve discurso. Nada me foi pedido, mas eu achei que tinha que expressar a minha opinião, mais de uma vez manifestada, de repulsa às desatinadas tentativas de derrubar a presidente eleita. São raras as oportunidades que os poetas têm de falar, mas, na verdade, eu, que não gosto de homenagens, a aceitei, desta feita, acima de tudo para dar o meu recado contra os que já chamei de “impeachmaníacos”. 

Na curta entrevista que dei antes do evento, no saguão do Planalto, fui ainda mais incisivo ao pôr em relevo o impatriotismo dos que pretendem ganhar no tapetão o que perderam na eleição. [Leia a entrevista citada aqui


Cerimônia onde Augusto de Campos recebeu a Grã-Cruz, e foi homenageado da Ordem do Mérito Cultural, com a presença da presidenta Dilma

Quanto à demora na assimilação das propostas da poesia concreta, é um fato que aconteceu com todas as vanguardas — futurismo, dadaísmo, surrealismo — e com o nosso modernismo. Trata-se de um fenômeno corriqueiro de comunicação: o público tende a só aceitar como arte aquilo que já está sacramentado pelos códigos convencionais. Tudo que é novo lhe parece estranhável e até ofensivo. Hoje, porém, passado meio século, a poesia concreta é ensinada até nas escolas. Não há como apagá-la da história.

Na década de 1960, em plena ditadura militar, você e o seu irmão, Haroldo, estudaram o idioma russo com o professor Boris Schnaiderman, na Universidade de São Paulo, com o objetivo de traduzir autores de vanguarda como Maiakóvski e Khlébnikov, o que se concretizou com a antologia Poesia Russa Moderna. Como o livro foi recebido na época? O que ele representa em seu percurso poético?

O comunismo da época era marcado pelo stalinismo, que institucionalizara como prática obrigatória o “realismo socialista”, e perseguia os artistas modernos como autores de “arte decadente”, da mesma forma que os nazistas os perseguiam como protagonistas de “arte degenerada”. Mas o marxismo não-ortodoxo, simpático às vanguardas, como o de Gramsci, além de uma geral orientação de cunho socialista, orientavam nossa postura como cidadãos, e Maiakósvki e os artistas da vanguarda russa eram considerados fundamentais por nós. Fomos estudar o difícil idioma, no início dos anos 60, para tentar traduzir o poeta, e logo percebemos que as versões que se faziam de sua obra, derivadas de edições em língua castelhana, falseavam a qualidade de sua poesia, que é virtuosística e extraordinariamente avançada para a sua época.


No entretempo, sobreveio o golpe militar, e nós incrementamos nossas traduções como uma forma de protesto, primeiro com a publicação de um volume dos poemas de Maiakóvski, que saiu em 1967, pela editora Tempo Brasileiro, com traduções minhas e de Haroldo, e o suporte linguístico de Boris Schnaiderman. Procurei, propositadamente, traduzir alguns dos poemas políticos mais radicais do poeta, como Black and White, cujo tema era o do negro cubano humilhado pelo “rei dos charutos”, Henry Clay (com um olho na revolução cubana, que admirávamos); Hino ao Juiz, que terminava provocativamente: “Os juízes cassam os pássaros, a dança. / A mim e a vocês e ao Peru” (introduzi o verbo “cassar” como referência às cassações, terminologia com a qual se começava a denominar as punições políticas dos atos institucionais); e, por fim com o dístico revolucionário de Maiakóvski, que aqui vai em transcrição fonética, seguido da tradução:


“Iech ananáci, riábtchicov jui.
Dienh tvoi posliédnii, burjui.”

Come ananás, mastiga perdiz,
Teu dia está prestes, burguês.
 

Eu não era adepto de Luís Carlos Prestes, que, para usar de uma expressão dele mesmo a propósito de um general seu amigo, eu considerava “um patriota equivocado”, mas me vali do “equivocábulo” com o seu nome como provocação. Em 1968, saiu a nossa antologia Poesia Russa Moderna, pela Civilização Brasileira, cujo editor, Ênio Silveira, era alvo das perseguições dos militares. Foi um momento em que achamos imprescindível manifestar a nossa indignação com o retrocesso provocado pelo golpe. Hoje, ambos os livros continuam circulando com a rubrica da Editora Perspectiva e, felizmente, estão entre os mais procurados pelos leitores.

A Poesia Concreta incorporou em seu plano-piloto a conhecida palavra-de-ordem de Maiakovski: "sem forma revolucionária não existe arte revolucionária". Coerentes com esse princípio, os poetas concretos, em sua fase participante, criaram poemas como Beba Coca-Cola e Mallarmé vietcong, de Décio Pignatari, Servidão de passagem, de Haroldo de Campos,Greve Luxo lixo, de sua autoria. O diálogo crítico com a realidade social, com o momento histórico, encontra-se em quase todos os seus livros, inclusive o mais recente, Outro, publicado neste ano pela editora Perspectiva. Comente esse aspecto de seu trabalho.

Considero a poesia política a mais difícil de se fazer. Décio foi um precursor com o seu Beba Coca-Cola, que é de 1957 !!! E foi o mesmo Décio que anunciou, no Congresso de Crítica Literária de Assis, em 1962, o que chamou de “pulo da onça” — o salto participante da poesia concreta. Na comunicação que apresentou, então, e que depois foi publicada no primeiro número da revistaInvençãoSituação Atual da Poesia No Brasil, ele alertava para os riscos desse empreendimento. Quanto mais político, menos poético. Mas decidimos “pisar a garganta do nosso canto“, como Maiakovski, e tentamos seguir o seu lema, que na época era totalmente desconhecido entre nós – “Sem forma revolucionária não existe arte revolucionária”.



 

Poesia não é sociedade beneficente, nem palco adequado para retóricas de palanque, e o poeta que se mete nessa empreitada corre o maior e o mais frequente dos riscos: o de exibir-se como politicamente correto, piedoso com o sofrimento dos desfavorecidos ou mostrar-se fanatizado por suas reivindicações, e perder-se em banalidades, preconceitos e concessões que diminuem a sua qualidade poética. Esse é o sentido do poema visual Profilograma Pound/Maiakóvski, que depois transformei em um morfograma digital com as vozes originais dos autores dizendo trechos dos seus poemas, e nos quais sobrepus os perfis de Maiakovski (por Ródtchenko) e Pound (por Gaudier-Brzeska), os dois maiores poetas políticos do nosso tempo, de ideologias opostas. As passagens menos felizes de suas obras são as que incorrem no fanatismo ideológico e na apologia de sistemas políticos que se revelaram autoritários e ditatoriais. Acabaram o primeiro se suicidando e o segundo numa jaula exposta às intempéries e a seguir internado num manicômio judiciário, por 12 anos, sem estar louco.


Quais são os teus projetos literários atuais?

Venho de participar do lançamento do CD O Inferno de Wall Street / Poetas em Movimento, de Cid Campos, com a música que ele compôs para os respectivos espetáculos de dança, e que conta com a participação de oralizações de vários intérpretes: a minha em O Inferno de Wall Street, com textos de Sousândrade, e também as de Décio Pignatari, Arnaldo Antunes, Walter Silveira, José Mindlin, Ricardo Araújo, Danilo Lôbo e Lauro Moreira em Profetas em Movimento. Trata-se de produção independente, com design gráfico meu, e que está sendo distribuída pela Tratore. [Veja aqui]

Lanço em 8 de dezembro a nova edição, muito ampliada, do livro de ensaiosPoesia, Antipoesia, Antropofagia & Cia, pela editora Companhia das Letras. E tenho em preparo, para o ano que vem, Música de Invenção 2, a sair pela Editora Perspectiva. Em projeto, uma edição bilíngue, português/inglês, de Poetamenos.

O Brasil vive hoje um dos momentos mais delicados de sua história, com ameaças ao processo democrático e aos direitos civis. Manifestações de intolerância e preconceito contra mulheres, comunistas, negros e homossexuais são frequentes, estimuladas pela mídia. Como você avalia esta situação? 

Toda a vez que pude — e são poucas as ocasiões em que se dá aos poetas a oportunidade de expressar a sua opinião — manifestei-me contra os atentados à nossa frágil democracia, e sou evidentemente contrário a toda espécie de preconceito. Acho que o Brasil evoluiu muito nos últimos tempos, especialmente no tocante aos direitos das mulheres, mas a nossa sociedade é ainda muito conservadora, e com a sua falta de consciência política, distorcida pelo poder econômico, elegeu um dos mais conservadores Congressos que já teve, dominado por ruralistas, empresários, evangélicos e até defensores da ditadura. Um Congresso que nos ameaça com retrocessos históricos como o das restrições à legislação sobre o aborto, sob as vistas grossas de uma oposição pouco sensível ao que não seja a busca do poder a todo preço e que está apostada em impedir a governabilidade do Executivo, refém do Congresso. A sociedade tem que estar muito atenta para evitar que tais retrocessos venham a ocorrer, e defender os direitos que conquistamos a duras penas.

Qual é a importância da opinião política de artistas, poetas e intelectuais num momento como o atual?
Não sou eu quem vai dar lições de civismo aos artistas, poetas e intelectuais. Cada um que se manifeste, ou deixe de se manifestar, como quiser. Para o bem ou para o mal, eu manifestei a minha opinião, e não é de hoje. Acho que, independente dos erros ou equívocos que cometeu o governo, é meu dever de cidadão insurgir-me contra os argumentos falaciosos dos que pretendem derrubar a vencedora das últimas eleições, com grave e perigosa lesão à nossas instituições democráticas. Tenho autoridade para isso. É que, independentemente de ser poeta e escritor, com um trabalho incessante por quase 70 anos, sou advogado, procurador do Estado aposentado, cargo que exerci por quase 40 anos e no qual entrei por concurso público e não por favor de ninguém. No exercício de minhas funções era especializado no exame da legislação em face das Constituições estadual e federal, e me sinto à vontade para afirmar que não têm qualquer fundamento jurídico as tentativas de impeachment da presidente. Nesse passo, ao contraditar os “impeachmaníacos” em entrevistas que dei aos jornaisValor Econômico (31 de julho), Correio Braziliense (2 de agosto) e à revista Cultnº 204, de agosto) antecipei-me aos manifestos anti-impeachment de importantes escritores, docentes universitários, juristas e advogados a que a grande mídia deu pouco ou nenhum destaque, embora entre os seus signatários estivessem nomes dos mais significativos da nossa cultura, como Antonio Candido, Marilena Chaui, Dalmo Dallari, Paulo Sérgio Pinheiro e juristas do porte de Fabio Konder Comparato e Marcio Sotello Felipe. Fecho com eles. Eu não me sentiria bem comigo mesmo se me calasse. Confesso que lavei a alma com o discurso que fiz na cerimônia da ordem do mérito e com a entrevista que dei, antes do seu início, no saguão do Palácio do Planalto, em 9 de novembro. 


Do Portal Vermelho, colaboração especial de Claudio Daniel