ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 14 de janeiro de 2023

PGR pede inclusão de Bolsonaro em investigação de atos golpistas - por André Cintra

Com o pedido da Procuradoria em mãos, a presidente do STF, Rosa Weber, pode tanto deliberar sobre o assunto quanto encaminhar o caso a outro ministro do Supremo.

Sob pressão, a PGR (Procuradoria-Geral da República) vai pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) que inclua o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito sobre atos golpistas promovidos por seus apoiadores, no domingo (8), em Brasília. A decisão reflete uma mudança na postura do procurador-geral Augusto Aras, que vinha blindando Bolsonaro de qualquer investigação relacionada a ataques à democracia.

O inquérito do Supremo visa descobrir quais são os “autores intelectuais” e instigadores dos ataques. Na manifestação golpista de domingo, seguidores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes – o Palácio do Planalto (Executivo), o Congresso Nacional (Legislativo) e o próprio STF (Judiciário). Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, 1.159 envolvidos estão presos no Complexo da Papuda.

Cabe à PGR investigar ou denunciar o presidente da República e outros políticos com foro privilegiado. Embora Bolsonaro já tenha deixado o cargo, a iniciativa é válida porque há inquéritos sobre práticas antidemocráticas abertos antes da mudança de governo. Com o pedido da Procuradoria em mãos, a presidente do STF, Rosa Weber, pode tanto deliberar sobre o assunto quanto encaminhar o caso a outro ministro do Supremo.

A pressão para que Aras deixasse de proteger Bolsonaro atingiu nova escala nesta quinta-feira (12), quando 79 integrantes do Ministério Público Federal lhe encaminharam representação para cobrar a abertura de uma investigação contra o ex-presidente. No mesmo dia, a Polícia Federal encontrou na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres uma minuta de decreto para Bolsonaro intervir no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e mudar o resultado das eleições presidenciais de 2022.

O documento dos 79 subprocuradores e procuradores indica que na terça-feira (10), menos de 48 horas depois dos ataques aos Três Poderes, Bolsonaro cometeu o crime de incitação ao divulgar em suas redes um vídeo golpista. O material contestava, sem provas, as urnas eletrônicas e dizia que Lula não foi eleito pelo povo, mas, sim, “escolhido” pela Justiça Eleitoral e pelo STF. Conforme a representação, o post de Bolsonaro, embora já apagado, é parte da prolongada campanha de desinformação que o ex-presidente tem executado nos últimos anos.

Fonte: https://vermelho.org.br

Bolsonaro é incluído em inquérito sobre autoria de atos golpistas - por Cézar Xavier

Ex-presidente é indiciado pela autoria de crimes contra a democracia ocorridos na Praça dos Três Poderes. Foto: Reprodução Youtube.

Pronunciamento postado pelo ex-presidente em redes sociais, ‘em tese’, atentou de forma criminosa contra as instituições, diz ministro.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito sobre a autoria dos atos golpistas que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Ele decidiu na noite desta sexta-feira (13) acolher o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O inquérito mira “autores intelectuais” e instigadores dos atos do último domingo (8). Moraes entendeu que um pronunciamento de Bolsonaro, postado e depois apagado das redes sociais no dia 10 de janeiro, foi mais uma das situações em que o ex-presidente se posicionou, “em tese”, de forma criminosa contra as instituições. No vídeo, Bolsonaro volta a contestar as eleições, dias depois do ato golpista em Brasília.

Leia tambémMotociatas de Bolsonaro coincidem com altos gastos no cartão corporativo

A PGR apresentou mais cedo um pedido para incluir Bolsonaro na investigação depois de receber uma representação assinada por mais de 80 integrantes do Ministério Público Federal. O grupo de procuradores cobrava uma investigação contra o ex-presidente por incitação ao crime.

Moraes também afirmou que, oportunamente, será analisado o pedido de interrogatório de Bolsonaro, já que, no momento, ele está fora do país. O advogado de Bolsonaro divulgou uma nota em que afirma que o ex-presidente sempre repudiou atos ilegais e criminosos e foi um defensor da Constituição e da democracia.

Fonte: Portal VERMELHO

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Golpismo em baixa: Acampamentos bolsonaristas são desfeitos em todo o país

Acampamento desfeito em Belém (PA). Foto: Governo do Pará

Desde a manhã de segunda-feira (9), as desocupações dos acampamentos bolsonaristas acontecem após a determinação Supremo Tribunal Federal (STF) assinada pelo ministro Alexandre de Morais. O ministro determinou que as equipes de segurança usem a força, se necessário, para desobstruir todas as vias e prédios federais.

Em diversas capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, entre outras, além de Brasília, os acampamentos foram desfeitos. Na capital federal, mais de mil bolsonaristas foram presos.

Outros pontos latentes de manifestação como a pretensa invasão de refinarias e os bloqueios em rodovias foram debelados.

Leia tambémPrisões de golpistas podem envolver vândalos, financiadores, políticos e policiais

Como informa a Agência Brasil, após ação da Polícia Militar de São Paulo, mais de 34 acampamentos foram desfeitos em todo o estado. O mais contundente deles, em frente ao Comando Militar do Sul, na região do Ibirapuera, próximo à Assembleia Legislativa estadual, ficou 72 dias no local, segundo a Folha de São Paulo. Os bolsonaristas acampados se retiraram depois de ordem da PM, sem confronto.

Na cidade do Rio de Janeiro também foi feita a retirada dos golpistas que estavam em frente ao Comando Militar do Leste.

Em Belo Horizonte, antes mesmo dos atos terroristas de Brasília, foi feita a remoção dos acampados próximo ao Comando da 4ª Região Militar do Exército. Os que insistiram em ficar no local que permaneceu monitorado pela PM foram identificados.

Em Belém, capital paraense, os golpistas que estavam em frente ao 2º Batalhão de Infantaria e Selva foram removidos. Segundo o portal g1, cinco bolsonaristas apresentaram resistência e foram detidos pela Polícia Militar.

Nas outras capitais e também em outros acampamentos espalhados pelo interior do país a PM tem atuado para desfazer os “centros de golpismo”.

O governo federal, respaldado pelos governadores de todos os estados da federação, já demonstrou que não haverá tolerância contra novas tentativas de golpe. O encontro de Lula com os 27 governadores em Brasília reafirmou a força da democracia nacional.

Fonte: Portal VERMELHO

SEGURANÇA PÚBLICA Prisões de golpistas podem envolver vândalos, financiadores, políticos e policiais

 

Polícia e Exército se concentram na frente do QG do Exército para desmobilizar acampamento. Foto Marcello Casal Jr/ABr

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, confirmou, hoje (10), que os órgãos responsáveis pela investigação do ataque às sedes dos Três Poderes, já identificaram alguns dos financiadores da ação.   

Embora cerca de 1.500 pessoas tenham sido levadas para a Polícia Federal, o ministro ressalta que equipes especializadas estão interrogando e qualificando os crimes. Segundo ele, a expectativa é que, ainda hoje, à noite, divulgue-se um número definitivo de prisões.

O governo do Distrito Federal, por sua vez, divulgou uma lista com 277 nomes de pessoas presas. São 158 homens e 119 mulheres. Os golpistas foram levados para o Centro de Detenção Provisória 2, na Papuda.

A Polícia Civil afirma que, pelo menos, 15 crimes foram cometidos. Entre eles, estão golpe de Estado, dano a bem público e lesão corporal. O ministro Flávio Dino diz que os financiadores identificados poderão responder por associação criminosa (até três anos de prisão) e prática de crimes contra o Estado Democrático de Direito (até oito anos de prisão), tentando destituir um governo legitimamente eleito, entre outros delitos previstos no Código Penal brasileiro. O crime de golpe de estado pode implicar em até 12 anos de reclusão.

O número de presos deve aumentar. Na Academia Nacional de Polícia, há centenas de pessoas detidas que estão passando por uma triagem da Polícia federal para serem liberadas ou presas por envolvimento na depredação.

O Ministério também divulgou que recebeu, em 24 horas, 30 mil denúncias e informações sobre os terroristas que cometeram os atos de vandalismo na Esplanada dos Ministérios. 

Segundo o secretário de Acesso à Justiça, Marivaldo Pereira, neste primeiro momento as apurações darão prioridade aos dados de quem financiou o envio de caravanas de radicais bolsonaristas para Brasília e os gastos dos acampamentos em frente a quartéis do Exército.

As informações podem ser enviadas para denuncia@mj.gov.br.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante cerimônia de posse do diretor-geral da PF, na sede da corporação, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Associação criminosa

“Já foram identificados os primeiros financiadores, sobretudo em relação aos ônibus: aqueles que organizaram o transporte, que contrataram os veículos. Estas pessoas já estão todas identificadas”, disse Dino à imprensa.

Ele informou que, entre os financiadores, há desde pequenos comerciantes até empresários do agronegócio e indivíduos ligados a colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. 

A previsão é que o relatório da Advocacia-Geral da União com os nomes das companhias seja entregue ainda hoje (10) à Justiça Federal do Distrito Federal. O órgão vai pedir medidas cautelares para o bloqueio dos bens das empresas e solicitar que a Justiça reserve parte dos recursos para cobrir os estragos na Esplanada dos Ministérios.

“O que posso afirmar é que a investigação está em curso; já foram feitas as primeiras individualizações e, com isso, haverá o prosseguimento que cabe: a aplicação das sanções previstas em lei”, acrescentou o ministro.

Segundo Dino, os primeiros financiadores identificados estão espalhados por dez unidades federativas (a maioria do Sul e Centro-Oeste).

O novo foco dos investigadores está na ligação dos terroristas com líderes políticos que tenham articulado a vinda de bolsonaristas radicais a Brasília, no último fim de semana. Já se sabe que estes políticos mantiveram contato com os empresários que financiaram a ação.

Segundo a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, cerca de 1,5 mil pessoas foram detidas no local por envolvimento nos atos de vandalismo. O ministro Flávio Dino, contudo, disse que o número ainda não é definitivo.

“Tivemos a apreensão de aproximadamente 1,5 mil pessoas, mas agora estamos tratando das individualizações. Trata-se da maior operação de polícia judiciária da história do Brasil, mas não se trata de uma prisão em massa. É preciso identificar cada pessoa e o que ela fez. Temos equipes trabalhando nisso, fazendo as oitivas, lavrando autos de apreensão e de prisão em flagrante. Além disso, houve algumas situações humanitárias que foram solucionadas ontem mesmo. Nossa expectativa é que, ainda hoje, à noite, tenhamos um número definitivo”, concluiu Dino.

Sem anistia

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta terça-feira (10) que as instituições punirão “todos os responsáveis” pelos atos de terrorismo.

“Dentro da legalidade, as instituições irão punir todos os responsáveis, todos. Aqueles que praticaram os atos, aqueles que planejaram os atos, aqueles que financiaram os atos e aqueles que incentivaram, por ação ou omissão. Porque a democracia irá prevalecer”, declarou Moraes.

“Mas as instituições não são feitas só de mármore e cadeiras. São feitas de pessoas, de coragem, de cumprimento da lei. Não achem esses terroristas que até domingo faziam badernas e crimes, e que agora reclamam que estão presos querendo que a prisão seja uma colônia de férias. Não achem que as instituições irão fraquejar”, continuou Moraes.

Quase ao mesmo tempo, no Senado, o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) fez um discurso duro contra os atos de terrorismo – e também reforçou que ‘minoria extremista’ será identificada, investigada e punida.

Idosos, mulheres e crianças

Um ônibus com bolsonaristas detidos pela Polícia Federal deixou o ginásio da Academia Nacional da PF, no início da tarde desta terça-feira (10), em direção à Rodoviária Interestadual de Brasília. O grupo era composto principalmente por idosos com comorbidades. Mulheres com crianças também foram liberadas.

Eles estavam no local desde a manhã de segunda (9), após serem retirados do acampamento instalado no Quartel-General do Exército. Ao todo, 1,2 mil foram detidos. Cerca de 50 ônibus foram usados para levar o grupo para a Superintendência da Polícia Federal. O grupo levado à rodoviária já passou por triagem e foi liberado nesta manhã.

Desde a noite de segunda, a PF começou a liberar menores de idade, mulheres com crianças pequenas e idosos, que tiveram prioridade na triagem. A Polícia Federal ainda não divulgou um balanço de quantas pessoas foram soltas e quantas continuam presas.

Liderados pela deputada Carla Zambelli (PL-SP), deputados bolsonaristas pedem garantia de direitos humanos a presos em atos. O ofício, enviado à Defensoria Pública da União e ao Ministério dos Direitos Humanos, cita pessoas que estariam sendo “tolhidas de condições básicas em termos de alimentação, hidratação e alojamento”.

Por meio de nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania disse que “expressa preocupação com todas as pessoas do país que se encontram presas”. Disse também que estaria monitorando as prisões.

55 ônibus apreendidos

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou e apreendeu, em menos de 24 horas, 55 ônibus envolvidos nos atos golpistas. O efetivo da PRF está estrategicamente distribuído em um “cinturão” viário que compreende as principais rodovias de acesso à capital federal.  Em todos os casos, os passageiros são identificados e conduzidos para unidades da Polícia Federal. 

Um ônibus apreendido em Santa Maria (DF), que seguia para Minas Gerais, tinha entre os passageiros dois policiais militares armados (um reformado e outro da ativa), que usaram spray de pimenta no interior do ônibus para causar tumulto.

Em outro caso, na mesma área, a vistoria encontrou estojos de bombas de gás lacrimogêneo já deflagradas, além de um cartão de acesso do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Responsabilidade governamental

Anderson Torres e Ibaneis Rocha participaram da posse do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino Foto: Renato Alves/ Agência Brasília

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, que comandava a Segurança Pública do Distrito Federal. Ele já foi exonerado da pasta, mas estava viajando para a Flórida (EUA), onde se encontra Bolsonaro, no momento dos atentados.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) também foi afastado do cargo. O governador pode ser punido com impeachment e até ser preso. 

Policiais militares do Distrito Federal foram flagrados tirando selfies e até comprando água de coco durante os ataques golpistas em Brasília no domingo. As investigações ainda estão em andamento, mas esses agentes podem ser punidos com exoneração e até detenção, se for comprovado que infringiram regras do Código Militar.

Fonte: Portal VERMELHO

SEGURANÇA PÚBLICA STF pede prisão de coronel da PM que estava responsável pelo comando no DF - por Eliz Brandão

Coronel Fábio Augusto Vieira foi nomeado chefe do comando da PMDF em 4 de abril de 2022. Foto: Breno Esaki/Especial Metrópoles.

Interventor da segurança pública no DF, Ricardo Capelli denunciou que “houve sabotagem de Anderson Torres, que assumiu a Secretaria de Segurança no dia 2, mudou o comando e viajou”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes decretou ordem de prisão do ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Fábio Augusto Vieira que estava no comando da operação que resultou na violência do último domingo (8). A decisão foi divulgada na tarde desta terça-feira (10).

O interventor federal da segurança pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, já havia anunciou a troca do comandante-geral da Polícia Militar do DF (PMDF), na noite desta segunda-feira (9), nomeando o coronel Klepter Rosa para a função.

Em entrevista à CNN Brasil, Cappelli denunciou que houve uma sabotagem do ex-secretário Anderson Torres no último domingo. “O que faltou no domingo foi comando, foi o comando e a liderança da Secretaria de Segurança do Distrito Federal. Nessas poucas horas à frente da secretaria, eu posso afirmar que o que aconteceu não foi por acaso. Foi um ato de sabotagem do secretário Anderson Torres”, disse Cappelli.

“Se isso não é sabotagem, eu não sei o que é. O problema não são os oficiais, não é a corporação, não são os oficiais da Polícia Militar. Nas últimas 36 horas, eu tive ao meu lado, praticamente sem dormir, dezenas de oficiais, de delegados da Polícia Civil do DF que cumpriram suas missões. O que faltou no domingo foi a liderança da Secretaria de Segurança. Houve uma operação estruturada de sabotagem comandada pelo ex-ministro bolsonarista Anderson Torres. Ele montou a sabotagem e fugiu do Brasil”, completou. 

Leia também: Terroristas foram escoltados por policiais até a praça dos Três Poderes.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino também já havia comentado sobre o caso na manhã desta terça-feira em entrevista. Segundo ele, “havia um efetivo planejado e um efetivo real, em um certo momento esse efetivo era 3 ou 4 vezes menor que o planejado. Por que aconteceu isso? Realmente a cadeia de comando da polícia do DF que vai responder”, questionou o ministro.

Alexandre de Moraes já havia assegurado que “todos aqueles que financiaram ou incentivaram os atos golpistas, seja por ação ou omissão, serão punidos no rigor da lei, além dos próprios vândalos que atacaram as sedes dos Três Poderes”.

Leia também: Ônibus usados por golpistas já foram identificados e apreendidos, diz ministro.

Fonte: Portal VERMELHO

sábado, 7 de janeiro de 2023

ECONOMIA - Endividados por “consignado de Bolsonaro” serão atendidos pelo Desenrola Brasil

Lula e Dias

Bolsonaro incentivou o endividamento com o crédito consignado do Auxílio Brasil, mas endividados terão auxílio do atual governo, afirma ministro do Desenvolvimento e Assistência Social.

O endividamento da população brasileira ganhou um novo status quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liberou a contratação de crédito consignado pelos beneficiários do Auxílio Brasil. Com a medida, visando liberar mais dinheiro às vésperas das eleições, Bolsonaro incentivou o endividamento de milhões de pessoas.

Para desfazer este ambiente caótico criado pelo antigo governo, o atual ministro de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, indicou que os endividados pelo crédito consignado serão incluídos no Desenrola Brasil – programa anunciado na campanha por Lula (PT) para negociação de dívidas.

“Essas pessoas precisam de um auxílio não só para regularizar a vida, mas são importantes também como fator econômico. É essencial trazer essas pessoas de volta para a economia”, disse Wellington Dias.

O Desenrola Brasil auxiliará as pessoas que tem desconto do crédito no valor mensal do antigo Auxílio Brasil, que voltará a ser chamado de Bolsa Família. Mas além disso o programa visa atender a soma dos endividados brasileiros que está estimada em 80 milhões de pessoas.

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A liberação do consignado foi alvo de inúmeras críticas e chegou a ser barrado por curto período pela Caixa Econômica por orientação do Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com os números trabalhados pelo ministério com estudos feitos pelo grupo de transição de governo, cerca de 3,5 milhões de pessoas contrataram o consignado com cerca de R$ 9,5 bilhões em dívidas realizadas até novembro.

Os juros cobrados para quem pegou o consignado foi de até 3,5% ao mês (51,11% ao ano), com parcelamento em até 24 vezes limitado a 40%, considerando o valor anterior de R$ 400 do auxílio. Com isso, as parcelas máximas descontadas são de R$ 160.

Desenrola Brasil

Segundo informações divulgadas durante a campanha de Lula, o programa Desenrola Brasil visa renegociar débitos para que as pessoas possam limpar seus nomes. Para isso, em dívidas no comércio ou em contas do dia a dia, ou seja, não bancárias, o governo irá criar um fundo garantidor de crédito. Assim, os credores participantes têm a garantia de recebimento, em troca oferecem melhores descontos para quem quer saldar o débito.

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No caso das dívidas bancárias, como no caso do crédito consignado, o governo visa a criação de condições para descontos e prazos para pagamento no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal por meio de depósitos compulsórios do Banco Central. A ideia é dar mobilidade ao dinheiro depositado pelos bancos para que as instituições públicas e privadas possam renegociar dívidas.

*Com informações g1

CULTURA Palácio do Alvorada foi deixado tão em ruínas, quanto todo o governo Bolsonaro - por Cézar Xavier

 

Escultura As Iaras de Alfredo Ceschiatti, na foto de Bruno e Ricardo Stuckert

O Palácio da Alvorada não é exatamente uma residência aconchegante. Suas linhas modernistas estão mais para uma instalação da Casa Cor ou um escritório de uma empresa de arquitetura, e menos para se imaginar uma família morando. Oscar Niemeyer se inspirou em redes penduradas nas varandas para a fachada do prédio. As colunas são tão icônicas que se tornaram um símbolo de Brasília e da Presidência da República. Por este motivo, é um belo programa de visitação para turistas em Brasília ou um espaço privilegiado para reuniões reservadas com chefes de estado e gente importante. 

Eu sentado à mesma mesa em que Bolsonaro fazia suas famigeradas lives. Aqui com o quadro de Di Cavalcanti deslocado para um salão com forte insolação que o danificou. (Foto: Acervo Cezar Xavier)

Eu fui um dos turistas que entrou lá, em novembro de 2003, recebido por Marisa Letícia, esposa falecida do presidente Lula. Foi um passeio descontraído para conhecer as dependências sociais do Palácio, ver de perto obras de arte modernistas (Di Cavalcanti, Ceschiatti, Athos Bulcão, Concessa Colaço, Scliar, da Costa, Volpi, Bianchetti, Kennedy Bahia, Leontina, Djanira, Maria Martins, Brecheret, Portinari, Bonadei, André Bloc) acessíveis apenas em fotografias, assim como o mobiliário que marca o design brasileiro no mundo (Niemeyer e mobiliário do período monárquico), e até cartografia brasileira de séculos atrás. Logo depois, o Palácio foi fechado para obras de restauro, voltando a ser visitado em 2006. Lula e Marisa moraram esse tempo na Granja do Torto.

Apesar do programa de visitação durar décadas, ainda antes de assumir, Jair Bolsonaro pediu para interrompê-lo na residência oficial, restringindo-o a alguns poucos apoiadores que faziam claque para ele no famoso “cercadinho” do Palácio. Quem dificultasse mais o trabalho da imprensa podia ser sorteado para uma visita guiada para conhecer as emas. Com a pandemia, Bolsonaro também interrompeu a visitação ao Palácio do Planalto, que nunca mais voltou. Desnecessário dizer que o patrimônio público foi privatizado pelo bolsonarismo.

A volta dos turistas e estudantes aos Palácios parecia mais um “revogaço” da gestão Lula sobre as decisões autoritárias de Bolsonaro. No entanto, ao entrar pela primeira vez depois de uma longa temporada longe, Lula se assustou com o que viu. Talvez as visitações demorem mais um pouco. Será preciso “união e reconstrução” para que o prédio possa receber as pessoas, novamente.

Eu na biblioteca do Palácio, onde soube que muitas páginas de livros artesanais únicos foram furtadas em gestões anteriores. (Foto: Acervo Cezar Xavier)

Aliás, o que mais me chamou a atenção na visita que fiz no começo do primeiro governo Lula foi a passagem pela biblioteca do Palácio. O guia, que era um antigo funcionário de carreira, explicou que, infelizmente, páginas de livros haviam sumido com o passar do tempo e nunca recuperadas. Ele falava de livros com cerca de 500 anos, com páginas escritas e ilustradas à mão. Obras de valor inestimável. Há coleções de jornais e revistas europeias antigas, também.

Pois, nesta quinta-feira (5), a esposa do presidente Rosangela Lula da Silva, a Janja, fez questão de receber uma reportagem da Globonews no Palácio para mostrar a situação do prédio e dos objetos, depois da passagem de Bolsonaro. Ela terá que fazer um inventário de tudo que viu desde a segunda-feira (2), pois o Palácio está muito diferente do que sempre foi.

A partir de um catálogo de imagens de Ricardo e Bruno Stuckert, feito durante o governo Dilma, ela pode verificar as diferenças, como ausência de obras de arte e mobiliário, deslocados para outros locais. No entanto, algo que nem precisa conferir no catálogo para perceber a diferença, é a própria falta de manutenção estrutural do prédio. Foi o que mais deixou Lula chateado. Ver que, em pouco mais de dez anos, tem muita coisa deteriorada. 

Imagens mostram estragos no Palácio da Alvorada (mesa, assoalho, couro, teto, vidraça e tapete) — Foto: Reprodução/Globonews

São assoalhos destruídos e tapetes puídos, poltronas rasgadas, cortinas sujas, vidraças quebradas e infiltrações no teto. Salões completamente vazios e sem registro de inventário das mudanças. Obra de arte exposta ao sol, estatuária religiosa barroca deixada no chão. Por ser evangélica, Michelle Bolsonaro recusou conviver com as imagens católicas, assim como Bolsonaro escondeu arte tematizando a cultura afrobrasileira. Janja anunciou que vai tentar tombar a decoração do Palácio, de autoria de Anna Maria Niemeyer, assim como é tombado o edifício. Esta seria uma forma de impedir que governantes desvirtuem algo que é patrimônio histórico nacional. 

O pastor da igreja de Michelle Bolsonaro, Francisco de Assis Lima Castelo Branco, nomeado para trabalhar como “síndico” do Palácio da Alvorada e, depois como coordenador-geral das residências oficiais da Presidência da República, não se manifestou sobre as críticas. Ele não tem qualquer qualificação que justifique ser responsável por patrimônio histórico tombado. 

A jornalista Natuza Nery aproveitou para mostrar que na pasta de anotações de lives do ex-presidente, gravadas na biblioteca do Palácio, não tem nada, afinal todas as fake news eram improvisadas. Janja, por sua vez, mostrou um cilindro de oxigênio ao lado da cama de Bolsonaro. A imagem misteriosa viralizou nas redes sociais como um símbolo sombrio de tudo que ele representou para a pandemia de covid-19. Não admira que ele saiba imitar perfeitamente uma pessoa com falta de ar. O presidente que chegou a ficar doente, dispunha dos melhores tratamentos, enquanto Manaus passou por uma crise de falta de oxigênio hospitalar, lembram as postagens.

Até o final de janeiro, Janja pretende se mudar com Lula para o Alvorada, usando apenas os quartos, enquanto se faz a manutenção do restante do prédio. Mas ela se diz muito ativa para ocupar aquele espaço apenas como primeira-dama. Diz que vai tentar contribuir como puder com o governo do marido

Fonte: https://vermelho.org.br