ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 7 de janeiro de 2023

CULTURA Palácio do Alvorada foi deixado tão em ruínas, quanto todo o governo Bolsonaro - por Cézar Xavier

 

Escultura As Iaras de Alfredo Ceschiatti, na foto de Bruno e Ricardo Stuckert

O Palácio da Alvorada não é exatamente uma residência aconchegante. Suas linhas modernistas estão mais para uma instalação da Casa Cor ou um escritório de uma empresa de arquitetura, e menos para se imaginar uma família morando. Oscar Niemeyer se inspirou em redes penduradas nas varandas para a fachada do prédio. As colunas são tão icônicas que se tornaram um símbolo de Brasília e da Presidência da República. Por este motivo, é um belo programa de visitação para turistas em Brasília ou um espaço privilegiado para reuniões reservadas com chefes de estado e gente importante. 

Eu sentado à mesma mesa em que Bolsonaro fazia suas famigeradas lives. Aqui com o quadro de Di Cavalcanti deslocado para um salão com forte insolação que o danificou. (Foto: Acervo Cezar Xavier)

Eu fui um dos turistas que entrou lá, em novembro de 2003, recebido por Marisa Letícia, esposa falecida do presidente Lula. Foi um passeio descontraído para conhecer as dependências sociais do Palácio, ver de perto obras de arte modernistas (Di Cavalcanti, Ceschiatti, Athos Bulcão, Concessa Colaço, Scliar, da Costa, Volpi, Bianchetti, Kennedy Bahia, Leontina, Djanira, Maria Martins, Brecheret, Portinari, Bonadei, André Bloc) acessíveis apenas em fotografias, assim como o mobiliário que marca o design brasileiro no mundo (Niemeyer e mobiliário do período monárquico), e até cartografia brasileira de séculos atrás. Logo depois, o Palácio foi fechado para obras de restauro, voltando a ser visitado em 2006. Lula e Marisa moraram esse tempo na Granja do Torto.

Apesar do programa de visitação durar décadas, ainda antes de assumir, Jair Bolsonaro pediu para interrompê-lo na residência oficial, restringindo-o a alguns poucos apoiadores que faziam claque para ele no famoso “cercadinho” do Palácio. Quem dificultasse mais o trabalho da imprensa podia ser sorteado para uma visita guiada para conhecer as emas. Com a pandemia, Bolsonaro também interrompeu a visitação ao Palácio do Planalto, que nunca mais voltou. Desnecessário dizer que o patrimônio público foi privatizado pelo bolsonarismo.

A volta dos turistas e estudantes aos Palácios parecia mais um “revogaço” da gestão Lula sobre as decisões autoritárias de Bolsonaro. No entanto, ao entrar pela primeira vez depois de uma longa temporada longe, Lula se assustou com o que viu. Talvez as visitações demorem mais um pouco. Será preciso “união e reconstrução” para que o prédio possa receber as pessoas, novamente.

Eu na biblioteca do Palácio, onde soube que muitas páginas de livros artesanais únicos foram furtadas em gestões anteriores. (Foto: Acervo Cezar Xavier)

Aliás, o que mais me chamou a atenção na visita que fiz no começo do primeiro governo Lula foi a passagem pela biblioteca do Palácio. O guia, que era um antigo funcionário de carreira, explicou que, infelizmente, páginas de livros haviam sumido com o passar do tempo e nunca recuperadas. Ele falava de livros com cerca de 500 anos, com páginas escritas e ilustradas à mão. Obras de valor inestimável. Há coleções de jornais e revistas europeias antigas, também.

Pois, nesta quinta-feira (5), a esposa do presidente Rosangela Lula da Silva, a Janja, fez questão de receber uma reportagem da Globonews no Palácio para mostrar a situação do prédio e dos objetos, depois da passagem de Bolsonaro. Ela terá que fazer um inventário de tudo que viu desde a segunda-feira (2), pois o Palácio está muito diferente do que sempre foi.

A partir de um catálogo de imagens de Ricardo e Bruno Stuckert, feito durante o governo Dilma, ela pode verificar as diferenças, como ausência de obras de arte e mobiliário, deslocados para outros locais. No entanto, algo que nem precisa conferir no catálogo para perceber a diferença, é a própria falta de manutenção estrutural do prédio. Foi o que mais deixou Lula chateado. Ver que, em pouco mais de dez anos, tem muita coisa deteriorada. 

Imagens mostram estragos no Palácio da Alvorada (mesa, assoalho, couro, teto, vidraça e tapete) — Foto: Reprodução/Globonews

São assoalhos destruídos e tapetes puídos, poltronas rasgadas, cortinas sujas, vidraças quebradas e infiltrações no teto. Salões completamente vazios e sem registro de inventário das mudanças. Obra de arte exposta ao sol, estatuária religiosa barroca deixada no chão. Por ser evangélica, Michelle Bolsonaro recusou conviver com as imagens católicas, assim como Bolsonaro escondeu arte tematizando a cultura afrobrasileira. Janja anunciou que vai tentar tombar a decoração do Palácio, de autoria de Anna Maria Niemeyer, assim como é tombado o edifício. Esta seria uma forma de impedir que governantes desvirtuem algo que é patrimônio histórico nacional. 

O pastor da igreja de Michelle Bolsonaro, Francisco de Assis Lima Castelo Branco, nomeado para trabalhar como “síndico” do Palácio da Alvorada e, depois como coordenador-geral das residências oficiais da Presidência da República, não se manifestou sobre as críticas. Ele não tem qualquer qualificação que justifique ser responsável por patrimônio histórico tombado. 

A jornalista Natuza Nery aproveitou para mostrar que na pasta de anotações de lives do ex-presidente, gravadas na biblioteca do Palácio, não tem nada, afinal todas as fake news eram improvisadas. Janja, por sua vez, mostrou um cilindro de oxigênio ao lado da cama de Bolsonaro. A imagem misteriosa viralizou nas redes sociais como um símbolo sombrio de tudo que ele representou para a pandemia de covid-19. Não admira que ele saiba imitar perfeitamente uma pessoa com falta de ar. O presidente que chegou a ficar doente, dispunha dos melhores tratamentos, enquanto Manaus passou por uma crise de falta de oxigênio hospitalar, lembram as postagens.

Até o final de janeiro, Janja pretende se mudar com Lula para o Alvorada, usando apenas os quartos, enquanto se faz a manutenção do restante do prédio. Mas ela se diz muito ativa para ocupar aquele espaço apenas como primeira-dama. Diz que vai tentar contribuir como puder com o governo do marido

Fonte: https://vermelho.org.br

sábado, 31 de dezembro de 2022

POLÍTICA : Lula anuncia senador Jean Paul Prates para comando da Petrobras

 por Bárbara Luz

Lula e Jean Paul Prates, indicado para ser o novo presidente da Petrobras | Foto: Ricardo Stuckert

Senador do Rio Grande do Norte defende que política de preços dos combustíveis é do governo, não da empresa.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta sexta-feira (30), a indicação do senador Jean Paul Prates (PT-RN) como novo presidente da Petrobras.

Colocado como favorito para ocupar o cargo, Lula fez anúncio em frente ao hotel Meliá, em Brasília, onde está hospedado, e utilizou as redes sociais para confirmar a indicação. “Gostaria de anunciar a indicação do Jean Paul Prates para a presidência da Petrobrás. Advogado, economista e um especialista no setor de energia, para conduzir a empresa para um grande futuro.”

Advogado e economista, Prates é especialista no setor de energia e foi um dos coordenadores do grupo de transição que discutiu o tema. Ele ainda foi o principal interlocutor de Lula para a área durante a campanha, além de ter conversado várias vezes com o mercado sobre o assunto.

Em entrevista, Prates defendeu que a política de combustíveis é assunto de governo. “Não quer dizer que seja intervencionista, mais ou menos [intervencionista]. É um assunto de governo, ponto. Porque atinge a todas as empresas, não só a Petrobras”, afirmou.

“Ela faz parte desse processo, mas é uma politica que o governo vai dar as diretrizes principais, Ministério das Minas e Energia, Ministério da Fazenda, conselho nacional de política energética, o próprio presidente, e finalmente a Petrobras e as outras empresas também.”

O economista também utilizou as redes sociais para agradecer Lula pela escolha de seu nome. “Recebi hoje a missão de comandar a Petrobras pelos próximos anos. Muito me honra a escolha do presidente @LulaOficial que coloca sobre mim a responsabilidade de conduzir uma empresa que é patrimônio de todos os brasileiros.”

O senador disse ainda que após a posse o governo eleito terá pela frente “um processo burocrático, estabelecido pela legislação e pelos sistemas de governança da Petrobras, até que ocorra a formalização do meu nome como presidente da companhia”. A indicação de Prates ainda precisa ser aprovado pelo conselho da estatal.

Fonte: Portal VERMELHO

ECONOMIA: Mulheres vão comandar Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil - Por Cézar Xavier

Haddad anuncia indicações técnicas para bancos públicos e senador é confirmado para Presidência da Petrobras.

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta sexta-feira (30) o nome de duas mulheres para comandar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Para o BB, foi escolhido o nome de Tarciana Medeiros e para a Caixa, Rita Serrano.

Atualmente, a Caixa é presidida por uma mulher, Daniella Marques, após denúncias de assédio sexual e moral no banco, que derrubaram o bolsonarista Pedro Guimarães. Com ações negociadas na Bolsa de Valores, o BB nunca foi presidido por uma mulher e hoje é chefiado por Fausto Ribeiro. O mercado financeiro recebeu sem sobressaltos as indicações técnicas.

“Tenho a honra de apresentar as novas presidentas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Na Caixa Econômica Federal a Rita Serrano, que é uma funcionária da Caixa há 33 anos, vai assumir a Presidência a partir de 1º de janeiro. E no Banco do Brasil, pela primeira vez na nossa história, vamos ter uma mulher à frente do banco, que é a Tarciana Medeiros, que tem 22 anos de casa”, disse Haddad.

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Tarciana e Maria Rita

Tarciana atua como executiva na Diretoria de Clientes da instituição financeira. É nordestina, negra e defensora das causas LBGT e vai ser a primeira mulher presidenta em 200 anos de história do banco. Ela é formada em administração de empresas, com pós-graduação em marketing, liderança e gestão. Antes de ingressar no BB, foi feirante e professora.

Maria Rita Serrano atualmente é representante dos empregados no Conselho de Administração do banco. Por isso, foi um dos nomes defendidos pelo sindicato da categoria. Graduada em História e Estudos Sociais, Serrano possui mestrado em Administração e especialização em Governança para Conselheiros de Administração. Foi presidente do Sindicato dos Bancários do ABC por dois mandatos, entre 2006 e 2012.

Em 2018, Maria Rita lançou o livro Caixa, Banco dos Brasileiros, onde trata da história do banco e de sua relação para o desenvolvimento do Brasil, no mesmo ano foi coautora do Livro Se é Público é para todos.

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O ministro disse que as duas conversaram com Lula e estão absolutamente alinhadas com o plano de governo. “É uma agenda muito desafiadora e ambas estão bastante animadas com as tarefas que foram designadas pelo presidente da República”, afirmou.

Haddad disse ainda que a preocupação imediata é a questão das famílias endividadas. Segundo ele, nas próximas semanas o programa Desenrola, bandeira de campanha de Lula, deverá oferecer uma linha especial de crédito para as famílias de baixa renda que estão endividadas.

Fonte: Portal VERMELHO

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

BOLSONARO EMBARCA PARA OS EUA: DESERÇÃO?



Brasil se despede de Pelé - Tricampeão mundial de futebol estava internado para tratamento de câncer no cólon e faleceu nesta quinta, aos 82 anos

Foto de Paulo Pinto/Fotos Públicas

Nesta quinta-feira, morreu Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, o maior jogador de futebol da história, aos 82 anos. Consagrado como Rei do Futebol e Atleta do Século, era a personalidade brasileira mais conhecida e reverenciada do mundo, recebido em vários países com honras de chefe de estado. Era a própria representação icônica do futebol no mundo todo. O sepultamento ocorrerá em Santos (SP), onde destacou-se no time da Vila Belmiro. 

Estava internado desde 29 de novembro no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em virtude de uma infecção respiratória após ele contrair covid-19 e para a reavaliação do tratamento de um câncer no cólon. Na tarde desta quinta, o hospital anunciou seu falecimento.

Em virtude da idade avançada e do tratamento de quimioterapia, as aparições públicas se tornaram cada vez menos frequentes nos últimos anos. Em redes sociais, ele manifestava otimismo com a recuperação e seus familiares publicaram relatos emocionados neste mês de dezembro sobre sua recuperação. Pelé teve sete filhos e estava casado desde 2016 com Márcia Aoki.

Pelé recebeu diversas homenagens durante a Copa do Mundo de 2022, já internado durante os jogos. Neymar, Richarlison e Mbappé desejaram o restabelecimento do gênio que os inspirou. Torcedores também exibiram faixas nos estádios.

Presidente Lula e o ex-jogador Pelé durante comemorações aos 50 anos do primeiro título da Copa do Mundo conquistado pelo Brasil em 1958, no Palácio do Planalto. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Pelé estreou na Seleção em 1957, numa partida da Copa Roca contra a Argentina, quando também fez seu primeiro gol representando o Brasil. É o único jogador a vencer três Copas: com apenas 17 anos, venceu a Copa do Mundo na Suécia, em 1958; no Chile, em 1962; e no México em 1970. Mas seus números no futebol são todos superlativos em termos de campeonatos e gols, e dificilmente serão superados.

Dico, como era chamado na casa dos Arantes do Nascimento, em Bauru, cumpriu todas as promessas feitas ao seu pai, apaixonado por futebol. O pai nem imaginou que o filho estaria sendo reverenciado no mundo todo pelo ícone e pela genialidade que representou no esporte.

Fonte: Portal VERMELHO

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

EDUCAÇÃO Camilo no MEC deve seguir passos positivos da alfabetização do Ceará - por Eliz Brandão

Camilo é ex-governador do Ceará e Izolda a atual. Foto: Divulgação

Responsáveis pela melhoria na qualidade de ensino e aprendizagem do Ceará, Camilo e Izolda vão chefiar o Ministério da Educação do futuro governo Lula.

Convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a chefia do Ministério da Educação (MEC), o ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), é um dos responsáveis por alavancar o Estado ao posto de melhor alfabetizador do país.

A qualidade da educação cearense, mesmo sem incentivo do governo federal nos últimos anos, é comprovada por dados oficiais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados em setembro deste ano. O levantamento assinala que 87 das 100 melhores escolas públicas nos anos iniciais (1° ao 5°) do ensino fundamental no Brasil são do Ceará.

Mas nem sempre foi assim, em 2007, a projeção para o Ideb nos anos iniciais do Ensino Fundamental no Ceará era de 3,2. O índice alcançado pelo Estado foi de 3,8. Mais recentemente, em 2019, o Ceará registrou 6,4. Apenas na 8ª série do ensino público – correspondente ao 9º ano – o Ceará aparece na liderança, empatado com São Paulo, com 5.2 pontos.

Reportagem do jornal O Globo aponta que as estratégias utilizadas pelo ex-governador na área como implementação de políticas públicas estratégias contribuíram fortemente para esta conquista.

Governador do Ceará entre 2015 e abril de 2022, Camilo Santana buscou estratégias para melhorar a qualidade na educação básica. Ao lado da atual governadora e futura secretária de Educação Básica do Brasil, Izolda Cela.

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“Colaboração, aprimoramento de professores e escolha de diretores por critérios técnicos e não políticos ajudaram estado a melhorar índices de aprendizagem”, destaca a reportagem.

No começo desse ano, o então governador anunciou um programa para universalizar o ensino médio integral (mais de sete horas de aula por dia) até 2026. No fim de 2022, Izolda expandiu a colaboração com os municípios da alfabetização para o segundo segmento do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) com uma lei que apoia a universalização do tempo integral para Ensino Fundamental nas escolas da prefeitura.

Começo em Sobral

A guinada começou em Sobral, em 2001, no segundo mandato de Cid Gomes (2001-2004), irmão do ex-governador Ciro Gomes. Izolda foi escolhida secretária adjunta de Educação e tornou-se fundamental para criar um programa que fez com que o índice de alunos plenamente alfabetizados passasse de 52% em 2000 para 92,2% em 2004.

Foram definidos três eixos de ação: demissão de todos os diretores por indicação política seguido de processo seletivo técnico para os novos escolhidos; formação de professores em serviço; criação de rotinas pedagógicas em sala de aula e aprimoramento dos materiais de ensino e valorização do magistério.

Foi a base do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), implementada no estado a partir de 2007, quando Cid tornou-se governador. Em 2012, no governo Dilma Rousseff, o programa virou nacional e durou até 2018.

No ano passado, um estudo do Inep que avaliava o programa foi censurado pela presidência do instituto, sob o comando de Jair Bolsonaro. O trabalho foi liberado após decisão do TCU neste ano.

A avaliação dos pesquisadores é de que o programa atingiu o objetivo de acelerar a aprendizagem de matemática e linguagens nos primeiros anos do ensino fundamental e mostrou um efeito positivo do investimento, que na época foi de R$ 2,6 bilhões.

Com informações O Globo

Fonte: Portal VERMELHO


2022, o Ano da Virada do Movimento Sindical - por Nivaldo Santana

O ano de 2022 foi muito duro para os trabalhadores. A vitória histórica nas eleições, no entanto, abre perspectivas promissoras para iniciar um novo ciclo político.

Para o sindicalismo, o ano de 2022 entra para a história como o ano de resistência a quatro flagelos simultâneos: o governo Bolsonaro, a pandemia da Covid, a crise econômico - social e a precarização do trabalho.

Esta tempestade perfeita contra os trabalhadores e trabalhadoras tem uma causa maior, que é o governo Bolsonaro. Seu mandato de desconstrução nacional atingiu profundamente o trabalho no Brasil.

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Era uma tragédia anunciada. O programa de Bolsonaro tinha apenas dois itens ligados ao trabalho: a carteira de trabalho verde-amarela, uma modalidade de trabalho com baixos salários e sem direitos trabalhistas, e o fim da unicidade sindical.
Para escancarar seu verdadeiro objetivo, a primeira medida do governo, publicada logo depois da posse, foi acabar com o Ministério do Trabalho. Para acomodar seus apaniguados políticos, porém, recriou o Ministério totalmente desestruturado. Outro ponto desastroso do governo foi a criminosa omissão no enfrentamento da pandemia. Atraso na vacinação, negação de medidas preventivas e outras irresponsabilidades custaram a vida de quase 700 mil brasileiros.

Tudo isso ocorreu em meio à continuidade da grave retração econômica do país. Com isso, agravou-se o desemprego, a miséria e, para piorar ainda mais a situação, o Brasil voltou ao dramático mapa da fome, uma chaga que envergonha nosso país.

Por último, mas não menos importante, estes últimos quatro anos foram o período de intensos ataques ao trabalho, consequência das contrarreformas trabalhista, previdenciária e a terceirização irrestrita.

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As tais reformas ditas modernizadoras pelo conservadorismo neoliberal não geraram os empregos prometidos, retiraram direitos, enfraqueceram os sindicatos e, na prática, legalizaram a precarização do trabalho no Brasil.

Para enfrentar este verdadeiro tsunami contra os trabalhadores, o movimento sindical brasileiro avançou bastante em sua unidade, que tem na consolidação do Fórum das Centrais Sindicais o seu exemplo maior. O Fórum das Centrais Sindicais, com maior organicidade e funcionamento regular, teve importante atuação no amplo movimento de oposição ao governo Bolsonaro. Participou de importantes mobilizações e ajudou a desmascarar o governo.

O maior exemplo foi a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em abril. Organizada por dez centrais sindicais, a Conclat aprovou uma Agenda que é uma verdadeira bússola para orientar a ação sindical na atualidade.

Os pontos centrais da Agenda da Classe Trabalhadora defendem a democracia, a soberania nacional e um projeto de desenvolvimento que coloque no topo a luta pela valorização do trabalho como pilar essencial da retomada do crescimento econômico.

Essa Agenda enfatiza o desenvolvimento com protagonismo do estado, a reindustrialização, a geração de empregos de qualidade, política de valorização salarial e resgate dos direitos surrupiados pelas contrarreformas.

Esse documento foi entregue em um representativo ato político, ainda em abril deste ano, para Lula e Alckmin, então pré-candidatos, que se comprometeram a debater com as centrais sindicais a pauta do sindicalismo brasileiro.

Outro ponto de destaque no primeiro semestre foi a realização dos atos de Primeiro de Maio Unitário, organizado pelo Fórum das Centrais. Em todos os Estados, massivas mobilizações ajudaram a divulgar a agenda aprovada na Conclat.

Foi um ano de intensas mobilizações. Dentre elas, vale lembrar as ações do movimento Fora Bolsonaro, do Dia das Mulheres, do Grito dos Excluídos, do Dia da Consciência Negra e outras que serviram para acumular forças e isolar o governo.

A mãe de todas as batalhas, todavia, foram as eleições gerais de outubro. Armados com a agenda aprovada na Conclat, a campanha unitária dirigida pelas lideranças sindicais foi decisiva para eleger Lula presidente.

Com esse acúmulo de unidade, amplitude e mobilização, o movimento sindical quer, agora, participa com protagonismo da imensa obra de reconstrução nacional. E avançar para políticas de defesa do trabalho e de fortalecimento dos sindicatos.

Para tanto, o país precisa revogar as medidas regressivas que precarizam o trabalho, retomar o crescimento, gerar empregos de qualidade, voltar com as políticas de valorização salarial e restabelecer plenamente o papel dos sindicatos.

O ano de 2022 foi muito duro para os trabalhadores. A vitória histórica nas eleições, no entanto, abre perspectivas promissoras para restaurar a democracia e iniciar um novo ciclo político que coloque o trabalho no centro da agenda do país.

Fonte: https://vermelho.org.br

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho