ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

sábado, 22 de outubro de 2022

POLÍTICA: TSE dá a Lula 116 direitos de resposta em tempo de TV de Bolsonaro - por Bárbara Luz

Chamado de "ladrão" e "corrupto" no programa de Bolsonaro, Lula terá direito a 24 inserções de 30 segundos cada, determinou o TSE| Foto: Ricardo Stuckert.

Por unanimidade, ministros atendem campanha de Lula contra vídeo que o associava à criminalidade e usava dados da votação em presídios

Por 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu, neste sábado (22), 24 inserções (espaço que o candidato tem em emissoras de TV aberta em determinado horário) para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Coligação Brasil da Esperança, no tempo de TV de seu rival, Jair Bolsonaro (PL). A decisão é da ministra Maria Claudia Bucchianeri, relatora do caso.

A decisão do TSE concede a Lula 116 veiculações de 30 segundos cada, considerando as exibições em cinco canais – Band, Globo, Record, RedeTV e SBT.

A decisão faz referência às peças veiculadas pela campanha de Bolsonaro entre os dias 11 e 17 de outubro, que, de acordo com a ação dos advogados da campanha de Lula, buscavam “incutir a ideia de que Lula estaria associado à criminalidade”.

O magistrado entendeu que a campanha do presidente Bolsonaro, candidato à reeleição, exibiu, de forma irregular, conteúdo que atacou a imagem de Lula 116 vezes, por isso os direitos de resposta são em igual número.

Com a decisão, das 150 inserções que Bolsonaro teria nesta semana, o candidato do PL terá somente 120. Lula, por sua vez, saltará de 150 inserções para 180, com uma média de 30 por dia. A medida tira força do presidente no horário eleitoral no reta final.

Acompanharam o voto de Maria Claudia Bucchianeri os demais ministros do TSE: Alexandre de Moraes, presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Benedito Gonçalves, Raul Araújo e Sergio Banhos.

Veja a íntegra da decisão aqui.

Com informações de agências

Fonte: https://vermelho.org.br

domingo, 16 de outubro de 2022

ELEIÇÕES 2022: FHC, Tebet, Amoêdo, Serra, Marina: Apoio a Lula cresce entre ex-presidenciáveis - por Da redação

Entre os 25 nomes que apoiam Lula estão os dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff; Bolsonaro recebe o apoio de 6 ex-candidatos, entre eles Fernando Collor.

No sábado (15), o fundador e ex-presidente do partido Novo, João Amôedo, declarou voto em Lula (PT) no 2º turno das eleições. Com isso, a lista de ex-candidatos à presidência – entre eles os eleitos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) – que apoiam Lula chegou a 25 nomes. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) reúne seis apoios, contando o do ex-presidente Fernando Collor (PTB). A lista foi compilada pelo portal UOL com ex-candidatos desde 1989, ano que marca o início das eleições diretas após a ditadura militar.

Confira quem já foi candidato e declarou abertamente que votará em Lula:

  1. Ciro Gomes (PDT) – concorreu em 1998, 2002, 2018 e 2022;
  2. Cristovam Buarque (Cidadania) – concorreu em 2006;
  3. Dilma Rousseff (PT) – concorreu e venceu em 2010 e 2014;
  4. Eduardo Jorge (PV) – concorreu 2014;
  5. Fernando Gabeira (PV) – concorreu em 1989 (não falou concretamente sobre voto em Lula, mas destaca a necessidade de tirar Bolsonaro da presidência);
  6. Fernando Haddad (PT) – concorreu em 2018;
  7. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – concorreu e venceu em 1994 e 1998;
  8. Geraldo Alckmin (PSB) – concorreu em 2006 e 2018;
  9. Guilherme Boulos (PSOl) – concorreu em 2018;
  10. Heloísa Helena (atual Rede) – concorreu pelo PSOL em 2006;
  11. Henrique Meirelles (atual União) concorreu pelo MDB em 2018;
  12. Ivan Pinheiro (PCB) – concorreu em 2010;
  13. João Amoêdo (Novo) – concorreu em 2018;
  14. João Goulart Filho (atual PCdoB) – concorreu pelo PPL em 2018;
  15. José Serra (PSDB) – concorreu em 2002 e 2010;
  16. Leornado Péricles (UP) – concorreu em 2022;
  17. Luciana Genro (PSOL) – concorreu em 2014;
  18. Marina Silva (atual Rede) – concorreu pelo PSB em 2014;
  19. Mauro Iasi (PCB) – concorreu em 2014;
  20. Roberto Freire (Cidadania) – concorreu pelo PCB em 1989;
  21. Rui Costa Pimenta (PCO) – concorreu em 2002, 2010 e 2014;
  22. Simone Tebet (MDB) – concorreu em 2022;
  23. Sofia Manzano (PCB) – concorreu em 2022;
  24. Vera Lúcia (PSTU) – concorreu em 2018 e 2022;
  25. Zé Maria (PSTU) – concorreu em 1998 e 2014.

No dia 19/9, Lula participou de encontro com os candidatos à Presidência da República em outras eleições, ocasião em que oito estiveram presentes, contando com o vice da Coligação Brasil da Esperança, Geraldo Alckmin.

Confira os apoiadores declarados de Bolsonaro:

  1. Espiridião Amin (PP) – concorreu pelo PPR em 1994;
  2. Fernando Collor (PTB) – concorreu pelo PTN e venceu em 1989;
  3. Guilherme Afif (PSD) – concorreu pelo PL em 1989;
  4. Pastor Everaldo (PSC) – concorreu em 2018;
  5. Padre Kelmon (PTB) – concorreu em 2022;
  6. Ronaldo Caiado (União Brasil) – concorreu pelo PFL em 1989.
Fonte: Portal VERMELHO

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista - por André Cintra

Para Vinicius do Valle, diretor do Observatório Evangélico, o “discurso moralista” de Bolsonaro – “esse discurso do medo”, que tomou conta da campanha eleitoral – “já conquistou quem tinha de conquistar”

Com templos em campanha desde março, é improvável que o presidente Jair Bolsonaro (PL) consiga ampliar suas intenções de votos no eleitorado evangélico. “Parece que ele bateu no teto”, afirma o cientista político Vinicius do Valle, diretor do Observatório Evangélico.

Na opini.ão de Valle, um dos maiores especialistas no tema, o “discurso moralista” de Bolsonaro – “esse discurso do medo”, que tomou conta da campanha eleitoral – “já conquistou quem tinha de conquistar”. Em entrevista ao Valor Econômico, o cientista político projeta que o presidente terá, no máximo, 65% dos votos evangélicos.

“Essa é a minha hipótese – a de que ele (Bolsonaro) já bateu no teto e que quem era suscetível a esse discurso já foi ganho por ele e, portanto, haveria pouca margem de manobra. Eu acho que mais do que 60%, 65% da votação entre evangélicos ele não alcança”, diz.

Ao estudar a relação do presidente com esse segmento mais religioso do eleitorado, Valle concluiu que a discussão moral e religiosa foi a forma como Bolsonaro ganhou parte dos eleitores de baixa renda, tradicionalmente mais próximos à esquerda.  “É um governo mal avaliado em termos econômicos, sociais – e que consegue um diálogo com as famílias de baixa renda a partir do discurso moral para quebrar a hegemonia do discurso econômico.”

A seu ver, o ex-presidente Lula, embora lidere com folga as pesquisas junto ao eleitor que ganha até um ou dois salários mínimos, depende mais das pautas tradicionais da campanha. “Quando a agenda é social e econômica, favorece ao candidato de oposição, ao Lula. Quando a agenda é moral, por estarmos em um país conservador e pela relação de Bolsonaro com líderes religiosos, aí a vantagem é do atual presidente.”

Segundo Valle, o eleitor pobre não é necessariamente conservador. “Mas, nas regiões interioranas e nas periferias, há um tipo de cultura diferente dessa cultura cosmopolita das grandes cidades, mais aberta para um conjunto de ideais no campo progressista. Há uma penetração do discurso religioso nas periferias por vários meios”, afirma.

Nas regiões mais vulneráveis, a igreja se torna uma “uma rede de proteção” onde “circulam bens materiais e simbólicos, vagas de emprego, indicações, ajuda emocional. Tudo isso acaba fazendo com que as igrejas tenham um papel muito importante nesses lugares” e sejam “a principal rede de sociabilidade presente entre as classes populares”.

É como se as igrejas fossem praticamente a única referência mais concreta para esses segmentos da população. “Entre as classes médias, há várias redes – as redes das universidades, dos locais de trabalho. Mas nas periferias a gente tem a rede religiosa como a principal rede de apoio das pessoas”, afirma Valle.

Em contrapartida, a recente ofensiva de Bolsonaro junto aos católicos, com visitas a Aparecida e ao Círio de Nazaré, não deve surtir efeito eleitoral. “A adesão dos católicos a ele (Bolsonaro) tende a ser um pouco menor”, analisa, lembrando, que, no Brasil, prevalecem os chamados “católicos não praticantes”.

“Para eles, não é a visão religiosa que pauta, por exemplo, sua visão política. Os evangélicos são mais pautados pela identidade religiosa, que está mais suscetível à influência do pastor, ainda que não possa ser retratado um grupo homogêneo”, compara. “Os evangélicos são mobilizados enquanto identidade religiosa. O evangélico vai mais ao culto – ele é religiosamente mais engajado.”

Apesar dessas diferenças, o presidente tem pouca margem para ampliar seu eleitorado entre evangélicos e católicos mais conservadores. “A campanha eleitoral dentro das igrejas tem uma intensidade forte desde março. Os pastores estão fazendo campanha eleitoral desde março”, diz. “Isso alimenta uma questão: quem não foi convencido até agora pode ser convencido nesta reta final? Há margem para isso?”

Se Bolsonaro “bateu do teto” entre os evangélicos, fica mais clara a obsessão de sua campanha em avançar no eleitor católico. Mas Valle não descarta o risco de o presidente ser vítima do que ele chama de “efeito bumerangue” – ou seja, o eleitor mais religioso se cansar da exploração eleitoral da fé.

“Esse segmento religioso poderá passar a ter um sentimento de que a religião está sendo usada. Há um cansaço nas igrejas e isso vem sendo notado em diversas pesquisas”, diz o cientista político. “Hoje se percebe que tem uma parcela do eleitoral religioso que fala ‘eu estou indo pra igreja, mas não estou encontrando conforto espiritual, porque estão falando muito de política’”.

Assim, não se pode sequer descartar a possibilidade de Bolsonaro perder um pouco dos votos evangélicos que ele tanto buscou para chegar à Presidência da República. Pesquisa Ipec divulgada na segunda-feira (10) o aponta com 63% de votos entre os eleitores evangélicos, contra 31% de Lula.

Fonte: Portal VERMELHO

sábado, 15 de outubro de 2022

Movimentos culturais da América Latina aprovam moção de apoio a Lula - por Bárbara Luz - Portal VERMELHO

5º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária no Peru | Foto: reprodução.

O documento, lançado durante Congresso no Peru, destaca a importância do governo Lula para o setor da cultura e seu intercâmbio com os países vizinhos; confira.

Representantes da cultura de 21 países da América Latina reunidos durante o 5º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, que acontece de 8 a 16 de outubro, no Peru, aprovaram em plenária geral, uma moção de apoio ao ex-presidente Lula (PT) e em defesa da democracia. O documento cita a necessidade da eleição da chapa da Coligação Brasil da Esperança, diante das ameaças à democracia e em defesa da valorização do setor cultural.

Alexandre Santini, secretário de Cultura de Niterói (RJ) e representante do Brasil, afirmou que “é fundamental, um reconhecimento à importância que as políticas culturais do governo Lula, no caso do Cultura Viva e dos Pontos de Cultura”.

O gestor cultural também explicou que a moção foi proposta pela delegação brasileira. “Estamos aqui no Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, no Peru, com uma delegação de 17 pessoas do Brasil e 21 países representados. A delegação brasileira se reuniu e propôs a moção de apoio, que foi aprovada por aclamação na Assembleia Geral do Congresso. Foi um momento muito bonito, muito emocionante, porque a gente recebeu o apoio e a solidariedade de todos os presentes”, disse.

A carta de apoio a Lula também foi celebrada por Maria Eugênia Garcia, representante da delegação cubana e uma das lideranças do Movimento Cultura Viva Comunitária. “Estamos muito satisfeitos com o apoio a Lula, que é uma das figuras mais importantes do mundo”, disse. “Sendo presidente do Brasil, fortalecerá a América Latina e a cultura desse país irmão.”, fortaleceu.

Leia abaixo a íntegra da carta:

O movimento continental de Cultura Viva Comunitária, em encontro realizado do dia 8 a 16 de outubro de 2022, no 5º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária no Peru, se dirige ao povo brasileiro, que vive um dos momentos mais graves de sua história, sob o comando de um governo de extrema direita, que ameaça os direitos humanos (civis, políticos, culturais e ambientais), a natureza e até mesmo a vida.

Neste momento está em jogo toda a construção democrática do país, desde o fim da ditadura militar, até as garantias fundamentais da Constituição de 88.

1. Considerando que essas ameaças à democracia no Brasil têm consequências imediatas para todos os países do continente;

2. Considerando que a construção dos Pontos de Cultura no Brasil nos governos de Lula foram referências e inspiração para a construção de políticas de base comunitária e em diversos países da América Latina;

3. Considerando que é necessário expressar o apoio e solidariedade latino-americana do movimento de Cultura Viva Comunitária ao povo do Brasil neste momento chave de decisão de rumo e perspectiva histórica.

As e os congressistas aqui presentes, de delegações de 21 países, afirmam seu apoio à eleição de Luiz Inácio LULA da Silva à Presidência do Brasil, como parte de um caminho de reencontro do povo brasileiro consigo mesmo, com sua tradição democrática e um horizonte de construção de um país mais solidário, socialmente justo, com respeito à cultura, à natureza e à dignidade de nossos povos.

Vamos Brasil! Sem medo de ser feliz! Lula presidente!

Em San Juan de Lurigancho, 10 de outubro de 2022

Assembleia Geral do V Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária

Dias dos professores: compreender a realidade e lutar em defesa da educação - por Altair Freitas

Por que uma categoria tão essencial segue como uma das mais desvalorizadas do país? Precisamos de um governo que valorize os educadores e as potencialidades da educação.

Dia das professoras e professores nós comemoramos, claro. Mas para além das comemorações reafirmamos a disposição de lutar e de compreender o que de fato ocorre na educação brasileira. Por que seguimos com tantas defasagens históricas? Por que uma categoria tão essencial como a dos profissionais da educação segue como uma das mais desvalorizadas do país? Aqui, como em praticamente tudo, se não compreendermos a adequada relação entre infraestrutura e superestrutura, dificilmente teremos uma adequada visão sobre os problemas, limitações, mas também as potencialidades da educação brasileira.

O magistério é provavelmente é a única carreira efetivamente estruturante em qualquer sociedade desde o fim da Idade Média europeia, quando, a partir das lutas dos povos e o desenvolvimento da ciência e do capitalismo, inicialmente na Europa. De lá para cá, ao longo dos séculos, avançou pelo mundo a concepção de que é necessário educar o povo no sentido das letras e das nas suas múltiplas variáveis. Em paralelo, surgiu uma questão nodal para a análise da estruturação dos sistemas de ensino: ensinar o que e para que? Aliás, essa é uma questão que permeia o processo educacional desde a Antiguidade Clássica, desde os gregos.

Leia também: Estudantes e entidades reagem a cortes na educação e convocam protestos.

Entendam: educação não é algo neutro, nunca foi e está estruturada em qualquer lugar do mundo para formar mentalidades e mão de obra conforme os interesses das respectivas classes dominantes. Só que esse processo é, por essência, contraditório, pois lida com conhecimento e ele propicia o questionamento da ordem dominante. Logo, educação e sistemas escolares são palcos intensos das lutas de classe. Escolas não são ilhas separadas da sociedade. Todas as contradições sociais explodem todos os dias dentro dos muros escolares afetando profundamente a relação ensino aprendizagem. Da pobreza e miséria à violência doméstica, do machismo ao racismo. Da opressão assalariada à busca por dela se livrar, seja como for.

Educação é uma necessidade intrínseca de uma sociedade com múltiplos ramos econômicos, que requerem duas coisas conjugadas: mão de obra especializada e mão de obra com baixa qualidade de formação técnica, especialmente no capitalismo, o que é o caso do Brasil. Apenas a título de ilustração: no agronegócio, da forma como está hoje, com a incorporação elevada de tecnologia de ponta, o trabalho especializado torna-se essencial, ao lado de um trabalho mais extensivo, temporário, com remuneração mínima. Setores inteiros do “comércio e serviços” se bastam com legiões de trabalhadores que não necessitam nada mais do que saber ler e escrever para operações as mais básicas. Trabalhadores (as) de aplicativos precisam de que tipo de formação mesmo para fazer entregas ou transportar pessoas? Ao mesmo tempo, serviços, comércios e aplicativos, demandam mão de obra especializada para desenvolver as tecnologias utilizadas, direta ou indiretamente falando.

Leia também: Lula abre campanha de 2º. turno, em SBC, criticando cortes na educação.

Ora, a classe dominante brasileira conhece bem o potencial da educação para formar mão de obra ao mesmo tempo em que produz questionamentos a ela como classe dominante. E, adivinhem! Décadas atrás essa classe dominante fez uma vergonhosa opção estratégica: o Brasil não precisa ser um centro produtor de tecnologias de ponta, podendo seguir como mero fornecedor de matérias primas e produtos agrícolas, contando com alguns nichos de excelência técnico-cientifico para poucos. Coisas como “desenvolvimento nacional soberano”, “formação de um mercado interno potente”, “um povo com elevado padrão de conhecimento científico”, dentre outras questões essenciais, passa longe da preocupação da maior parte da classe dominante brasileira, ela própria extremamente beneficiada pelo tipo de capitalismo estruturado no Brasil, no campo e nas cidades.

Educação no Brasil, para a massa proletária, está estruturada para formar mão de obra barata minimamente alfabetizada, adestrada para cumprir ordens e permanecer na base da pirâmide social. Mesmo nos tais centros de excelência de qualificação de mão de obra, formam-se ótimos técnicos, mas com baixa competência para interpretar a complexa realidade brasileira.  E todas as vezes nas quais essa lógica (país exportador de coisas baratas e consumidor de coisas caras, importadas) esteve sob ameaça, como na época do presidente João Goulart e na era Lula-Dilma, esses governos foram impiedosamente atacados, desmoralizados, derrubados. E a educação, o sistema de ensino, a possibilidade de o país avançar nesse campo também, foram levados de roldão. Porque as coisas não estão dissociadas.

Leia também: Congresso reage contra cortes na educação feitos pelo governo Bolsonaro.

E durante o atual governo, para além de tudo isso, veio ainda uma tentativa infernal de desmoralizar educadores (as) exatamente para tentar calar, sufocar, esse senso crítico que brota dentro das escolas e universidades. A histeria do movimento “escola sem partido”, a constituição da aberração pedagógica conhecida como “escola cívico-militar”, o desmonte de serviços de educação, os brutais cortes nas verbas federais para universidades públicas e repasses aos estados e municípios, tudo faz parte da intensificação da perversa lógica de compreender que da educação, dos profissionais da educação em especial e dos setores mais organizados dos estudantes poderia ver, como veio, uma forte onda de críticas e ações contra a fascistização da cultura e da educação. Nada é à toa.

Esse é o eixo estruturante para entender o que acontece com a educação no Brasil e em qualquer país do mundo: sem uma economia avançada, ancorada em ciência e tecnologia de pontas, sem um amplo processo de desenvolvimento econômico sustentável, voltado para o fortalecimento da pátria e do bem estar do povo, sem uma integração soberana ao mundo,  em um profundo processo de interação e potencialização entre economia e formação, não teremos um sistema educacional eficiente e não teremos profissionais da educação bem formados, bem pagos, valorizados. E sem valorização, com salários aviltantes, com uma carreira sem atrativos nas suas múltiplas vertentes, daqui vinte anos o país viverá um apagão com ausência de profissionais, um déficit estimado em 235 mil professores (as).

Portanto, quando nós, profissionais da educação nos posicionamos a favor de uma candidatura como a de Luis Inácio Lula da Silva para  a presidência da república, que pode trazer de volta o desenvolvimento nacional, a geração de emprego e renda em larga escala, a retomada de uma economia industrial, que possa colocar o Estado Nacional como indutor essencial do crescimento econômico – mesmo nos marcos limitados do capitalismo – fazendo o oposto do que tem sido feito por aqui nos últimos quatro anos trágicos do bolsonarismo no comando do Executivo e Legislativo, sabemos o que dizemos e pelo o que lutamos. Lutar pela educação é lutar pelo Brasil. Lutar pelo Brasil é lutar pela educação!

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho.
Fonte: https://vermelho.org.br

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

PERNAMBUCO: Lula reúne multidão em Recife (PE) enquanto Bolsonaro tem ato vazio - por Murilo da Silva

 

Foto: Ricardo Stuckert

Com a candidata ao governo Marília Arraes, a vice-governadora Luciana Santos e o deputado Renildo Calheiros, Lula participou de grande ato que contrasta com o pequeno comício de Bolsonaro.

Nesta sexta-feira (14), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um grande ato que reuniu milhares de pessoas no centro de Recife, em Pernambuco. A passeata mostrou a força de Lula em seu estado natal, onde venceu Jair Bolsonaro (PL) com 65,27% dos votos válidos contra 29,91%.

O ex-presidente foi acompanhado no ato pela vice-governadora de Pernambuco Luciana Santos (PCdoB), de deputados federais, entre eles Renildo Calheiros (PCdoB), da candidata ao governo do estado Marília Arraes (Solidariedade) e do prefeito de Recife, João Campos (PSB), entre outras lideranças, demonstrando a unidade em torno das candidaturas de Lula e Marília.

Lula e Janja com Marilia Arraes e João Campos. Foto: Ricardo Stuckert.

O grande ato promovido pela Coligação Brasil da Esperança contrasta com o comício esvaziado que Bolsonaro realizou na quinta-feira (13) também em Recife. Lula não perdeu a oportunidade, chamou o ato de Bolsonaro de “mixuruca” e falou em enviar uma foto da multidão que se reuniu para apoiá-lo: “A gente vai fazer uma foto e mandar para o Bolsonaro ver como é que se junta gente”.

Ato de Bolsonaro em Recife. Foto: Reprodução Mídias Sociais

O candidato do PT pediu para a sua militância do estado, assim como tem feito em diversos comícios pelo país, para que se atente contra as fake news nessa reta final de 2º turno. Também falou para que não caiam em provocação, como forma de evitar atos de violência que tem se espalhado pelo país por conta de política.

“Não entrem em provocação. A nossa vingança é a nossa resistência. A nossa vingança virá no voto no dia 30 de outubro”, disse Lula.

Combate à fome

Em sua fala, Lula mostrou sua indignação com a fome: “O problema não é falta de dinheiro ou falta de produto, o problema é a falta de vergonha de quem governa o país”.

De acordo com o ex-presidente, não existe explicação para o Brasil ser o terceiro maior produtor de alimentos e o maior produtor de carne do mundo e as pessoas estarem comprando restos de alimentos em açougues e revirando caminhões de lixo em busca de alimento.

Crédito para o povo

Contrário a ideia de privatizações que o ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, tanto fala, Lula falou que não pretende privatizar nenhum banco público, sendo que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES deverão ser utilizados para alavancar o crédito e financiamentos, caso eleito.

“Vamos criar uma política de crédito especial para o pequeno e médio empreendedor. Quem quiser ter um empreendimento, quem quiser vender alguma coisa, quem quiser fabricar alguma coisa, nós vamos ter uma linha de crédito para financiar a criatividade da mulher e do homem brasileiro e vamos estimular a economia criativa com crédito especial”, finalizou.

Fonte: Portal VERMELHO

POLÍTICA: Bolsonaro sofre desgaste sem precedentes entre evangélicos e católicos - por André Cintra

Segundo turno da eleição pôs em xeque a credibilidade de Bolsonaro junto a um dos segmentos em que o presidente e candidato à reeleição parecia trafegar com mais desenvoltura: o eleitor religioso.

“Hoje não é dia de pedir votos. É dia de pedir bênçãos.” A admoestação do padre Camilo Júnior, em plena missa de celebração à padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida, na quarta-feira (12), mostra os ruídos que o presidente Jair Bolsonaro tem provocado nos meios religiosos.

O tom crítico não se limitou ao padre. Entre quarta e quinta-feira (13), a Quaest Consultoria fez um levantamento de postagens nas redes sociais que associam Bolsonaro e religião. Conforme a pesquisa, 44% das menções foram negativas para o presidente, 37% foram neutras e somente 19% foram positivas. Levantamento similar feito pelo PT, restrito ao dia 12, apontou 76% de menções negativas e 10% de positivas. Os números foram divulgados pelo Blog do Valdo Cruz, no G1.

Diretor da Quaest, Felipe Nunes diz que Bolsonaro deixou o feriado de Nossa Senhora Aparecida com a imagem arranhada. Na visão de quem criticou nas redes a agenda do presidente em 12 de outubro, ele “apenas tira proveito político da religião, mas não respeita a fé e não age como um bom cristão”.

O fato é que o segundo turno da eleição pôs em xeque a credibilidade de Bolsonaro junto a um dos segmentos em que o presidente e candidato à reeleição parecia trafegar com mais desenvoltura: o eleitor religioso. Após polêmicas em série, Bolsonaro se vê às voltas com um desgaste sem precedentes entre evangélicos e católicos.

O estopim foi a divulgação de um vídeo de 2017 em que Bolsonaro discursa em uma loja maçônica – algo constrangedor (para dizer o mínimo) aos olhos de lideranças evangélicas. O pastor André Valadão foi um dos primeiros apoiadores do presidente a manifestar desconforto com a cena. De acordo com a pesquisa Ipec divulgada na segunda-feira (10), 63% dos eleitores evangélicos declaram voto em Bolsonaro, enquanto 31% preferem o ex-presidente Lula.

Como resumiu a jornalista Carol Castro, do site The Intercept Brasil, “a cena pegou em cheio uma parcela de cristãos que apoiam o presidente. Para os católicos, a maçonaria não é compatível com sua fé. E, para os evangélicos, remete ao satanismo”. Nas redes sociais, pipocaram posts em que evangélicos afirmavam que não votariam mais em Bolsonaro.

A crise se agravou no sábado (8), quando Bolsonaro foi ao Círio de Nazaré, no Pará, sem ser convidado e à revelia da organização. A Igreja Católica reagiu. Na terça (11), sem mencionar Bolsonaro diretamente, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) declarou, em nota, lamentar “a intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos”.

Já no Dia de Nossa Senhora da Aparecida, o presidente levou uma comitiva de políticos e uma horda de apoiadores ao tradicional evento religioso no interior paulista. Sua presença causou tumulto em plena missa e atrapalhou a leitura da homilia.

Do lado de fora da basílica, bolsonaristas consumiam bebida alcoolica, proferiam discursos de ódio e palavras-de-ordem eleitoreiras, ameaçavam fiéis com camisas vermelhas e provocavam até representantes da Igreja. Uma equipe da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, foi hostilizada.

À imprensa, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes – que chegou a ser vaiado por bolsonaristas –, denunciou a hipocrisia do presidente. “Não posso julgar as pessoas, mas precisamos ter uma identidade religiosa: ou somos evangélicos, ou somos católicos”, disparou. “Nós precisamos ser fiéis à nossa identidade católica. Mas, seja qual for a intenção, (Bolsonaro) será bem recebido porque é o nosso presidente – e é por isso que nós o acolhemos.”

Líder em intenção de votos entre os evangélicos, Bolsonaro concluiu corretamente que precisava buscar com mais assertividade o eleitor católico. Os números da pesquisa Ipec indicam que a diferença a favor de Lula é expressiva: 60% dos católicos declaram voto no ex-presidente, e 34%, em Bolsonaro.

“Bolsonaro é bem-sucedido quando produz aquela foto diante de uma multidão abraçando os valores cristãos. Mas é muito malsucedido se a gente avalia a circulação de imagens que o apresenta como um candidato desrespeitoso em relação à religião”, analisa o antropólogo Rodrigo Toniol, integrante do Comitê de Pesquisa de Sociologia da Religião. A seu ver, o presidente chega a passar a imagem de fariseu – “aquele que pretende ser religioso, mas que no fundo não é”.

Fonte: vermelho.org.br