ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65
CAMPANHA MOVIMENTO 65

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

No país do bolsonarismo, empresa faz promoção de armas pelo 7 de Setembro - por Priscila Lobregatte

Foto: reprodução/redes sociais

Reflexo de um Brasil marcado pelo incentivo ao uso de armas emanado pelo próprio presidente, Taurus faz promoção de fuzis e carabinas para “comemorar” a Independência.

No Brasil de Bolsonaro, o uso de armas de fogo foi banalizado de tal maneira que uma empresa do ramo se sente à vontade para usar o 7 de Setembro como mote para a promoção de fuzil e para o lançamento de uma linha especial em comemoração aos 200 anos da Independência. O saldão bizarro foi oferecido pela Taurus. 

Em suas redes sociais, a empresa publicou anúncio da “Semana Brasil” — espécie de Black Friday criada por Jair Bolsonaro em seu primeiro ano de mandato — de 2 a 12 de setembro, durante a qual estão sendo oferecidas “condições especiais” para a compra de carabinas e fuzis — com capacidade para 30 tiros, de uso militar e policial e que, de acordo com a Tauros, seria também utilizada em “campeonatos, treinos e lazer”.

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Além disso, o site da empresa anuncia, para às 9h do dia 7 de Setembro — mesmo horário que estão sendo programados atos em Brasília e no Rio de Janeiro — o início da venda de “uma coleção de armas exclusivas para comemorar os 200 anos de Independência do Brasil”. No cano dessas armas, está gravado “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”, trecho do Hino à Independência.

A “promoção” é mais uma peça lamentável que compõe o cenário de crescimento exacerbado no número de armas em circulação no Brasil, estimulada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus seguidores, o que vem criando um ambiente de ódio propício ao uso da violência, inclusive no campo político. 

Desde que tomou posse, Jair Bolsonaro editou 19 decretos, 17 portarias, duas resoluções, três instruções normativas e dois projetos de lei que flexibilizam as regras para ter acesso a armas e munições. Até julho deste ano, havia mais de um milhão de armas de fogo nas mãos dos CACs (caçadores, atiradores e colecionadores), crescimento de 187% em relação a 2018, segundo dados do Exército obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) pelo Instituto Sou da Paz e Instituto Igarapé.

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Nesta segunda-feira (5), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminares que suspendem decretos do presidente Jair Bolsonaro (PL), limitando assim a posse de arma de fogo e a quantidade de munições que podem ser adquiridas.

Seguindo essa mesma linha de tentar evitar atos de violência durante as eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, no dia 30, por unanimidade, proibir o porte de armas em um raio de 100 metros dos locais de votação. A única exceção é para integrantes de forças de segurança que estiverem trabalhando, desde que autorizados pelas autoridades eleitorais competentes.

Fonte: https://vermelho.org.br

Governo pode ter violado lei ao entregar dados dos brasileiros aos bancos - por Iram Alfaia

Lei Geral de Dados coloca o Brasil na linha de frente da economia mundial - Reprodução da internet.

O Ministério da Economia permitiu que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) tenha acesso aos dados biográficos e biométricos dos brasileiros.

A Coalizão Direitos na Rede (CDR), uma articulação da sociedade em defesa do acesso à internet, liberdade de expressão e privacidade com proteção de dados pessoais, considerou que o governo Bolsonaro pode ter violado a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) ao entregar aos bancos informações sobre os cidadãos brasileiros.

Por meio de acordo, o Ministério da Economia permitiu que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) tenham acesso aos dados biográficos e biométricos dos brasileiros. As informações, que estão no banco de dados da Identidade Civil Nacional e da plataforma gov.br, foram entregues a título de “degustação experimental”.

“As entidades da Coalizão de Direitos na Rede entendem que a medida do governo federal que autoriza compartilhamento de dados sensíveis com instituições bancárias tem potencial para violar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais”, diz nota do grupo.

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De acordo com a organização, os dados que constam na Identidade Civil Nacional envolvem larga parcela da população brasileira, inclusive dados biométricos, considerados sensíveis nos termos da LGPD.

Após recurso da CDR, o Ministério Público Federal (MPF) reconsiderou o arquivamento da investigação e instaurou inquérito civil sobre o acordo. Os dados biográficos e biométricos são data de nascimento, nome da mãe, impressão digital, foto de rosto, entre outros.

A entidade diz ainda que os termos dos documentos, por exemplo, não permitiam identificar quais eram exatamente as operações de tratamento de dados envolvidas.

“Tampouco eram claros sobre a delimitação de base legal para essa operação de tratamento de dados, uma das exigências estabelecidas pela LGPD, tampouco era possível delimitar qual o interesse público por trás do intercâmbio de dados pessoais sensíveis detidos geridos por órgãos públicos com instituições bancárias”, diz a CDR.

Em nota, o Ministério da Economia informou que “com relação ao inquérito que trata dos acordos de cooperação celebrados entre a Secretaria de Governo Digital e a Febraban e ABBC, informamos que a ANPD e o TCU já apreciaram os referidos atos e se manifestaram, em suas respectivas competências, pela legalidade dos mesmos e arquivamento dos processos”.

Fonte: https://vermelho.org.br

Lula vai ao Rio de Janeiro para desidratar dois enclaves bolsonaristas - por André Cintra

Eleitorado fluminense e eleitorado evangélico estão na mira da campanha. Lula fará agenda na Baixada Fluminense e em São Gonçalo.

Depois de concentrarem agendas em São Paulo e Minas Gerais, os principais candidatos à Presidência da República nas eleições 2022 se voltam para o Rio de Janeiro. Conforme as últimas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (SP) e o atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), estão em empate técnico no estado, que é o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil.

É Bolsonaro quem abre o tour dos presidenciáveis pelo território fluminense. Nesta quarta-feira (7), ele participará de uma motociata da Praia do Flamengo até a Avenida Atlântica, em Copacabana. Nesse ponto, ocorrerá mais um controverso comício com viés giolpista. Embora o pretexto “oficial” do evento seja celebrar o bicentenário da Independência do Brasil, o público se divide. Há desde apoiadores que querem prestigiar a candidatura à reeleição até seguidores que vão defender abertamente o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e um golpe de Estado – o que é inconstitucional.

Integrantes da campanha já levaram a Bolsonaro pesquisas internas segundo as quais a aceitação ao presidente piora diante de discursos e atos antidemocráticos. Mas a estagnação do candidato na disputa e a influência de aliados mais extremistas podem levar Bolsonaro a realizar mais um Sete de Setembro golpista, tal como em 2021. Uma outra agenda sua no estado está prevista para sábado.

Lula, por sua vez, faz comício na quinta-feira (8), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Na sexta-feira (9), ele se reúne com pastores evangélicos, em São Gonçalo. Recuperar eleitores do estado é a prioridade da campanha. Nas quatro vitórias presidenciais do PT – duas com Lula (2002 e 2006), mais duas com Dilma Rousseff (2010 e 2014) –, o Rio sempre deu mais votos à esquerda.

Esse cenário se alterou – e muito – em 2018, quando Bolsonaro teve 68% dos votos válidos no Rio, contra 32% do petista Fernando Haddad. Esperava-se que o PT perdesse esse predomínio, já que o ex-capitão fez carreira militar e política no estado, elegendo-se deputado federal por sete mandatos consecutivos. Mas a diferença de votos surpreendeu.

Agora, quatro anos depois, o cenário é de equilíbrio. Ainda que Bolsonaro possa ser novamente o mais votado em seu domicílio eleitoral, o Rio deixou de ser um reduto inexpugnável. Há uma semana, levantamento do Ipec apontava Lula numericamente à frente entre os eleitores fluminenses: 39% a 36%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, eles estão empatados tecnicamente.

Lula, portanto, tentará desidratar um pouco mais o enclave bolsonarista. Na realidade, dois enclaves: o eleitorado fluminense e o eleitorado evangélico. Em São Gonçalo, o ex-presidente quer lançar mais acenos aos fiéis, além de gravar vídeos para o horário eleitoral e para as redes sociais. Conforme o Valor Econômico, “a intenção é reunir líderes evangélicos das mais variadas vertentes, e a tendência é que não haja pastores ‘estrelas’ – e, sim, representantes de igrejas menores”.

O presidente do PT-RJ, João Maurício de Freitas, reforça que a importância de reconectar o ex-presidente aos eleitores locais. “São Gonçalo é o segundo maior colégio do Rio e recebeu recursos importantes de Lula, que reconhece a importância política da cidade ao marcar essa agenda. E a Baixada Fluminense, onde será o comício da véspera, recebeu diversos investimentos do PAC”, declarou Freitas ao Valor. “Lula vai fazer um balanço do passado e dar perspectivas do futuro.”

Fonte: https://vermelho.org.br

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Governadora Fátima Reúne Apoiadores Em Caravana Por Baraúna, Areia Branca E Grossos


Fátima Bezerra, candidata à reeleição ao Governo do Rio Grande do Norte, realizou neste sábado (3) uma caravana pelas cidades de Baraúna, Grossos e Areia Branca, no Oeste potiguar. A atividade reuniu eleitores e demais candidatos e candidatas da coligação “O Melhor Vai Começar”. O clima foi de esperança pelo retorno de Lula à Presidência e por um segundo governo de Fátima no RN.

Moradores das três cidades se juntaram com muito entusiasmo à caravana, cantando, dançando e fazendo fotos e vídeos com a governadora. Fátima Bezerra está em caravana pela região desde sexta-feira (2), quando percorreu Patu, Messias Targino, Janduís, Campo Grande, Upanema e encerrou o dia com uma grande carreata em Mossoró.

“Nós sempre estivemos perto do povo, ouvindo as comunidades e construindo as nossas ações a partir das necessidades dos potiguares. Não seria diferente em período de campanha. É o carinho e a confiança das pessoas nas ruas que nos dão força para seguir na luta por um Rio Grande do Norte melhor para todos e todas”, declarou a governadora Fátima Bezerra.

A caravana “O Melhor Vai Começar” continua na estrada até a quarta-feira (7). Neste domingo (4), passou por Portalegre, Francisco Dantas, São Francisco do Oeste, Taboleiro Grande, Itaú, Severiano Melo, e tem carreata em Apodi, finalizando o dia em Felipe Guerra. Tem mais campanha no Oeste segunda, terça e quarta-feiras, encerrando com carreata em Pau dos Ferros.

Fonte: https://fatimabezerra13.com.br

CONHEÇA A GOVERNADORA DO RN: FÁTIMA BEZERRA

Fátima Bezerra, candidata à reeleição para o governo do Rio Grande do Norte, foi a única governadora eleita no Brasil em 2018. Ela foi senadora, três vezes deputada federal e duas vezes deputada estadual. Nascida em Nova Palmeira, no Seridó paraibano, filha de dona Luzia, parteira, e de seu Severino, pequeno comerciante, Fátima migrou aos 15 anos para a capital potiguar para continuar seus estudos.

Sempre estudou em escola pública. Ela é professora e pedagoga formada na UFRN. Iniciou sua militância política junto aos movimentos sociais. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1981, Fátima Bezerra integra o Diretório Estadual e a Executiva Nacional da sigla.

Tomou posse à frente do governo do Rio Grande do Norte em 1 de janeiro de 2019. Ela encontrou um Estado endividado e com políticas sociais destruídas. Fátima organizou as contas públicas, pagou os salários atrasados, enfrentou uma pandemia sem precedentes, equipando os hospitais regionais, abrindo leitos, contratando profissionais de saúde e distribuindo vacinas a toda a população.

Na segurança, contratou e valorizou os policiais, investiu em estrutura, inteligência e tecnologia, baixando a criminalidade. A governadora faz um diálogo transparente e permanente com o setor produtivo e os trabalhadores. Estancou a saída de empresas e atraiu novos investimentos. Recuperou a capacidade de investimento do Estado e já autorizou obras em 10 dos 12 Institutos Estaduais de Educação, o nosso IF potiguar. Nos próximos quatro anos, junto com Lula, vai poder fazer muito mais.

Fonte: https://fatimabezerra13.com.br

ELEIÇÕES 2022: Precisamos mudar a configuração do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas para resgatar direitos da classe trabalhadora e do povo, afirma Rene Vicente

Rene Vicente - CTB

Conforme destaca a resolução política aprovada na última reunião da Direção Nacional da CTB o pleito de outubro “é a grande batalha que deve centralizar a atenção e a energia da militância e das direções da nossa Central Classista”.

O documento ressalta que além de derrotar Bolsonaro e eleger um governo comprometido com a agenda da classe trabalhadora aprovada na Conclat, é fundamental aumentar a representação dos trabalhadores e trabalhadoras no Parlamento.

“A CTB lutará para eleger parlamentares ligados à Central, fator essencial para reverter as contrarreformas trabalhista e previdenciária”, ressalta a resolução.

No espírito da resolução, aprovada durante reunião realizada em 15 de julho, o Portal da CTB vai publicar uma série de entrevistas com candidatos e candidatas oriundas do sindicalismo classista ou que comungam de suas concepções e estão sendo apoiados pelas bases.

A série é inaugurada com a entrevista concedida pelo presidente licenciado da CTB SP e vice-presidente licenciado da CTB Nacional, Rene Vicente, candidato a deputado estadual pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Seu número na urna é 65789. Leia abaixo:

Portal CTB – Conte-nos um pouco sobre a sua candidatura: as principais propostas e projetos, bem como sua trajetória política.

Rene Vicente: Sou trabalhador da Sabesp há 24 anos, na função de eletricista. Desde que entrei na empresa entendi que deveria fortalecer o sindicato. Sempre soube, desde muito jovem, que nada vem sem luta e organização, então assim que assinei minha contratação também assinei minha filiação ao Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente). De lá pra cá, fui delegado sindical, diretor de base e três vezes presidente do Sintaema.

Por defender um sindicalismo classista, lutamos para filiar o Sintaema à CTB e hoje estou presidente licenciado da CTB-SP e vice-presidente licenciado da CTB Nacional.

Ao longo da minha vida, sempre estive engajado no movimento sindical e participei de lutas importantes, como o combate à fome e às desigualdades, contra as privatizações, pela redução dos juros, por uma política de valorização do salário mínimo, contra as reformas Trabalhista e da Previdência. Denuncio e batalho contra o fascismo que se instalou em nosso país e em São Paulo. Além disso, sempre me posicionei ao lado daqueles e daquelas que lutam contra as discriminações e a violência estrutural de gênero e raça.

Portal CTB – Para você, qual a importância dos trabalhadores e das trabalhadoras ocuparem as Casas Legislativas?

Rene Vicente: O Brasil atravessa uma etapa de sua história recente de grandes dificuldades e muitos desafios. É fundamental que, num ciclo pós-Bolsonaro e pós-Garcia, uma gestão progressista, popular e audaciosa assuma o governo e construa as bases para reverter as diretrizes neoliberais impostas à população.

Sempre lutamos por governos e políticas que tenham como prioridade a valorização dos serviços e dos servidores públicos, opondo-se às privatizações. Uma gestão que valorize de forma efetiva a classe trabalhadora que é quem gera riqueza nesse país. Não dá mais para termos governos como o de Rodrigo Garcia e Jair Bolsonaro que cortam investimentos da educação pública, que desmontam o SUS, que criminalizam os movimentos sociais, que negam casa e comida na mesa de milhões e que condenam nós todos a uma vida de desalento.

Para reverter a agenda regressiva que tomou conta do país, precisamos de um time que lute em conjunto por um projeto que garanta de forma imediata a retomada do crescimento com geração de emprego e renda dignos e isso só será possível primeiro com Lula e Fernando Haddad eleitos e segundo com a eleição de deputados e deputadas comprometidos com essa agenda, com a agenda da classe trabalhadora. Só assim colocaremos São Paulo e o Brasil no rumo da mudança para todos e todas e não para uma minoria rica, que é o que vem sendo feito.

Portal CTB – Vivemos um momento político conturbado, de profunda crise econômica e social. Quais serão os desafios dos deputados e deputadas representantes da classe trabalhadora neste próximo período?

Rene Vicente: Penso que um grande desafio será reverter as reformas Trabalhista e da Previdência, mas também sei que não será impossível. Essas duas (de)reformas são verdadeiros crimes contra nosso povo e nosso país. Elas não só contribuíram para a crise que vivemos hoje como são ingredientes de destaque na onda que empurrou os trabalhadores e trabalhadoras para uma vida de péssimos salários, precarização, adoecimento e até suicídio. Vale lembrar que a reforma estagnou o nível de renda do trabalhador, que segue em cerca de R$ 2.700 mensais após cinco anos de sua sanção pelo então presidente Michel Temer. E mais, neste mesmo período a inflação acumulou alta de 30%.

Já temos exemplos pelo mundo da reversão da reforma trabalhista. Veja o que acontece na Espanha hoje. Segundo informações do Ministério do Trabalho e Economia Social da Espanha, publicados no Portal Brasil de Fato, o número de trabalhadores desempregados hoje naquele país é o menor registrado nos últimos 14 anos (2,9 milhões em julho).

Creio que se mudarmos a configuração do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas com candidatos e candidatas comprometidos com essa agenda, podemos construir as condições para virar o jogo e fazer a nossa própria contrarreforma.

Fonte: CTB NACIONAL

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Coleção Memória das Lutas Populares no RN - Hélio Xavier de Vasconcelos, PRESENTE, SEMPRE!

Hélio Xavier de Vasconcelos

Cursou Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na turma de 1961. Presidiu a Seccional Potiguar de primeiro de fevereiro de 1993 a primeiro de fevereiro de 1995. Durante sua gestão recebeu a medalha “Djalma Marinho” e fez questão de dividi-la com a própria OAB/RN.

Apresentação - Hélio Xavier de Vasconcelos - Volume XII

Hélio Xavier de Vasconcelos
Prefácio de Moacyr de Góes

Diz Godard em seu último filme¹:

Não existe resistência sem memória.

Este livro de, e em homenagem a, Hélio Vasconcelos é uma consolidação de memórias, consequentemente, matéria-prima para a continuidade da luta da resistência política, atributo de nossa geração, dele e minha. À lição de Godard eu acrescento: que esta memória seja de qualidade para poder servir à resistência. E isso vai ser encontrado neste livro, sendo a primeira dessas qualidades a coerência de uma vida.

1 - POLÍTICA E COERÊNCIA – Dos papéis aqui editados, vou tomar duas datas: 21 de março de 1959 e 01 de fevereiro de 1993. A primeira é a de seu discurso quando da instalação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a segunda sua falta quando assumiu a presidência da OAB/RN.

a) – Em 1959 diz Hélio Vasconcelos:

Sejamos heroicamente fiéis ao nosso destino. O Péguy católico e o Péguy socialista – ambos possuíam sobre o destino, a mesma doutrina, “um homem é responsável por certo destino. Possui esse destino, mas também é possuído por ele. Não é possível dissolidarizar-se dele.” Tomemos para nós, geração necessariamente poética e inquieta. A lição do escritor francês; liguemos o nosso destino ao destino do nosso povo. Sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino.

b) – Em 1993 diz Hélio Vasconcelos:

Escolhi dois colegas advogados para neles sintetizar a nossa gratidão. Refiro-me às pessoas de Carlos Antônio Varela Barca, nosso ex-presidente, valoroso, combativo, inteligente, probo, grande defensor das públicas liberdades; o outro, Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado dos humildes, patriota convicto, estudioso dos problemas brasileiros, digno e forte, bárbara e covardemente trucidado nos porões da ditadura. Um cristão, o outro socialista, ambos com os mesmos sentimentos, os mesmos sonhos, as mesmas esperanças. A eles e tantos outros que se foram a nossa homenagem (...).

Entre as duas datas, 34 anos se passaram: um tempo com dias claros de alegria, outros dias com o peso de chumbo do sofrimento; tempos de trabalho, de criação e recriação e, principalmente, de coerência e esperança. Ao curso de sua vida, Hélio procurou valorizar os humanismos cristão e marxista, como demonstram os dois discursos, aproximando-os, politicamente.

Desde o movimento estudantil, é visível o crescimento político de Hélio. Muito terá contribuído para isso sua aproximação de Luiz Maranhão. Repetia-se, aqui, um comum fenômeno brasileiro: inúmeros intelectuais cresceram na escola do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nas oito últimas décadas do século 20. Ali era o locus de encontro com o pensamento teórico marxista-leninista e, com o Partido na clandestinidade, a práxis se fazia através de alianças políticas no campo burguês, oscilando a opção como pêndulo nos apoios aos partidos tradicionais. Desta prática vão nascer, em Hélio, traços profundos de amizade às lideranças de Dinarte Mariz e Djalma Marinho. Isso, todavia, não o impede de reiterar sua vocação de esquerda e apoiar a administração do Prefeito Djalma Maranhão (1960-64).

Acredito que será a partir do Centro de Cultura Popular de Natal (CCP da UNE), de 1962 a 64, que Hélio vai se tornar mais visível no campo político potiguar, com luz própria. Ali ele vai liderar uma aliança marxista e cristãos de esquerda e passar a influenciar um movimento ascendente de jovens, dentro e fora da Universidade. Este CCP, falando pelo PCB e pela AP (Ação Popular), vai ser um importante aliado da Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, dirigida pelo Prefeito Djalma Maranhão. Datam desse tempo a realização de vários eventos comuns, desenvolvidos em Natal, principalmente nas áreas dos sindicatos de trabalhadores e dos Comitês Nacionalistas que, criados em 1960, funcionaram alguns até o Golpe de Estado de 1964. No campo cultural, lembro que estivemos lentos na encenação teatral de um novo julgamento de Tiradentes e na realização de um congresso de cultura popular que contou com a colaboração de vários intelectuais oriundos de diversos Estados brasileiros e que se encerrou na praça pública, numa passeata de Primeiro de Maio, celebrando nossa visão utópica de uma aliança operário-estudantil-camponesa. Tempos de sonhos. Também, tempos de lutas pelas Reformas de Base do Governo Jango, quando vários manifestos políticos da esquerda nacionalista foram redigidos a quatro mãos - as dele e as minhas – nas salas da Prefeitura de Natal que, no dia do Golpe, se autodenominou, com muito orgulho nosso, o QG da Legalidade e da Resistência.

Depois, vieram as prisões de 1964; o auto-exílio no Rio de Janeiro; o desemprego; a ansiedade do político perseguido. Mais tarde, a vida que segue: o reingresso no mundo do trabalho, primeiro, vendendo colchões no subúrbio carioca do Vila da Penha, depois já na FUNABEM (1966), exercendo o ofício de advogado; o casamento com Hilda, o nascimento das filhas Inah, Zilda e Gabriela; a volta para Natal; a anistia; a retomada da vida pública: Procurador do Poder Legislativo; Secretário de Estado de Educação e Cultura (1983-87); Presidência da OAB/RN (1993-95). Ele que, em 1959, como estudante, fizera a convocação sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino, nos anos 80 volta à UFRN e funda a disciplina Direito da Criança e do Adolescente e nela leciona até a aposentadoria.

Ai está o nosso primeiro e principal destaque neste Prefácio: a coerência de um homem.

2 - O ADMINISTRADOR – O segundo aspecto que quero ressaltar é a sua qualidade de administrador, também coerente aos seus paradigmas políticos. Vou utilizar as datas de 1987 e 1995, e isto é os discursos de transmissão de cargos exercidos por Hélio, o primeiro de Secretário de Estado de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte e o segundo de seu mandato de presidente da OAB/RN.

Na SEEC ele foi formulador de uma política educacional que denominou de Escola Aberta e Democrática. Chamo atenção para a data na qual iniciou o seu trabalho: novembro de 1983. Esta é a época em que já estava exaurida a Ditadura, mas o Estado de Direito ainda não havia surgido. Esta transição é um período de imensas dificuldades, mas Hélio não tem medo. Vai trabalhar com o espólio recebido que é uma educação pública em pedaços. Quando, depois de 3 anos, 3 meses e quinze dias entrega o cargo ao seu sucessor, pode dizer em seu discurso que a proposta da Escola Aberta e Democrática é o locus no qual Direção, Professores, Especialistas, Estudantes, Funcionários e a própria comunidade convivessem e participassem integralmente para que a instituição funcionasse bem. Escola que fosse o local aberto às discussões sobre os problemas educacionais e aqueles outros comuns à própria comunidade.

Dirá que esta escola sonhada não será uma concessão de Estado, de Governo, e sim uma conquista de responsabilidade de todos. E de forma lúcida declara: sabíamos também que a Escola Aberta e Democrática não seria alcançada isoladamente, mas, e tão somente, quando a própria sociedade brasileira conquistasse a democratização global do país.

Além dessa construção democrática, outros resultados são importantes: o aumento de 19,49% de acesso à rede escolar: a realização do primeiro Concurso Público para o Magistério Potiguar: a implantação do Estatuto do Magistério, a modernização dos serviços da Secretaria, etc. Quanto à prestação de contas, Hélio é minucioso em informar cada tostão recebido e cada tostão aplicado. A transparência é uma de duas qualidades administrativas.

E mais uma vez, coerente e fiel aos seus postulados políticos, dirá de forma clara as limitações brasileiras no campo das escolas: Sabemos quão difícil e penoso é fazer-se educação em um país em que o sistema econômico seja capitalista.

O segundo discurso, o de 1995 quando transmite o cargo de Presidente da OAB/RN, é tambémuma detalhada prestação de contas. Suas palavras ficarão para a história das lutas para dotar Natal de um Fórum Judiciário. Hélio quer somente um lugar digno, acessível, onde trabalhem Advogados, Juízes, representantes do Ministério Público, serventuários da Justiça e funcionem as Varas Cíveis e respectivos cartórios. Esta seria uma ferramenta para alavancar a solução de um dos mais graves problemas – nas suas palavras: a morosidade da Justiça no Brasil (...) (é) uma das mais perversas formas de injustiça que, atingindo a todos, violenta e massacra, sobretudo, os mais fracos. Mais uma vez é a visão política da questão e, mais uma vez, a coerência do gesto. No biênio da gestão Hélio Vasconcelos, a Defensoria Pública, as Procuradorias do Estado e do Município de Natal contaram com o seu apoio e a própria OAB/RN prestou assistência judiciária gratuita a 3.344 pessoas carentes. Finalmente, seguindo a tradição da OAB brasileira, a entidade potiguar foi além da legítima defesa corporativa e exerceu o mandato que lhe é inerente de defesa do estado de direito, da democracia e da luta pelos direitos humanos.

3 - O HOMEM – Felizes aqueles que convivem com Hélio Vasconcelos. Por mais que se estude, academicamente, o seu pensamento, através de seus escritos, a formação de um perfil dele fica a dever à atmosfera que ele cria pela palavra oral, pelo gesto, pela conversa jogada fora, pela cumplicidade conspiratória, pelo alto astral, pelas anedotas, sempre contadas (e vale a pena ouvi-las várias vezes) pelo humor fino, pela risada solta (tão solta que as vezes é acompanhada de uma batida de sola do pé no chão). Daí a importância dos depoimentos acolhidos neste livro — eles desvelam o olhar do outro, dos amigos, sobre o nosso herói. Digo mais, por experiência própria: uma cervejada com Hélio e Omar Pimenta, quando a noite ainda é uma criança, é uma festa — da qual Paris perde!

De seu humor, Hélio não abre mão nos momentos mais solenes e também nos mais tensos (aqui poderia contar dezenas de causos se houvessem espaço e tempo suficientes). Lembro o setembro de 1992, quando o Professor Otto de Brito Guerra recebeu da OAB o título de Benemérito e Hélio foi o orador. Lá para as tantas, o discípulo se permiteinvadir a intimidade do mestre para contar uma história de seu próprio filho, Luiz Guerra. E conta que Luiz chegando em casa pela alta madrugada, vindo de uma farra homérica, liga o som em toda altura e desperta Dr. Otto que vem à sala admoestá-lo. E diz; meu filho, se você continuar assim vai terminar sendo um ébrio contumaz. Ao que Luiz retrucou: com Tomaz não, com Hélio. E conclui o orador: com esta afirmação caía por terra o restinho de credibilidade do pobre Hélio perante o Mestre. Dá para imaginar o riso discreto do Dr. Otto e a risada geral do auditório.

Uma vez já contei em um livro meu (Sem Paisagem – Memórias da Prisão)² uma boutade de Hélio. Conto, novamente. No final de junho ou início de julho de 1964 houve um grande movimento de transferência de presos políticos pelos quarteis da Cidade. Assim, um dia, chega Hélio ao Quartel de Polícia onde me encontrava, vindo ele do R.O. Abraços, risos, alegria de reencontro. E o importante: ele trazia debaixo do braço um vade-mecum. Era uma época em que a imprensa metralhava diariamente que os presos políticos estavam enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Aí, eu tomei o livro de suas mãos e pedi:

- Hélio, é possível eu ser enquadrado em algum artigo da Lei de Segurança Nacional? Veja.

Aí ele, sem abrir o vade-mecum, estalou uma risada, respondendo:

- Em todos, mestre, em todos os artigos!

Foi quando eu me dei conta da realidade: o preso político estava na cadeia por crime de opinião, o que não é uma questão jurídica. Chocado de início, terminamos rindo juntos.

Quando se fala em Hélio Vasconcelos, o difícil é parar. Mesmo assim, eu tenho que colocar um ponto final. Direi, então, como meus netos Bruno e Mateus que, ao falar de alguém que admiram e gostam, eles dizem: ele é um cara legal, sinistro e irado. Acho que isso é o reconhecimento ao carisma de alguém. Isso vai para Hélio que, quando jovem (antes de Hilda, por favor me entendam), também foi um grande mulherengo. E as mulheres diziam que ele tinha borogodó. Sobre isso não posso passar recibo.

Rio de Janeiro, 05 de novembro de 2011.

Moacyr de Góes

Notas de rodapé:

1 - Jornal O Globo. Rio. 28-X-2001. In entrevista de Luiz Fernando de Carvalho, diretor do filme “Lavoura Arcaica”.

2 - GOÉS. Moacyr de. Sem paisagem – Memórias da Prisão. Edição Europa. Rio, 1989.

Fonte: http://www.dhnet.org.br