ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Haddad defende reforma fiscal e tributária para sair da crise


 

Ricardo Stuckert

O presidenciável Fernando Haddad participou de sabatina da Folha de S. Paulo, UOL e SBT, nesta segunda-feira (17). Ele reafirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é seu "interlocutor permanente" e que será ouvido em um eventual governo.


"Jamais dispensaria a experiência do presidente Lula. Ele será meu interlocutor permanente, é uma pessoa que admiro profundamente e vítima de uma injustiça será reparada o quanto antes", afirmou Haddad.

Questionado se daria indulto ao ex-presidente Lula, o candidato afirmou que Lula não troca sua "dignidade" por "liberdade". O candidato declarou esperar que Lula seja absolvido e que o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas deverá julgar o mérito de seu processo no primeiro semestre do ano que vem.

Na busca de criar tensão entre os candidatos do mesmo campo político, os jornalistas questionara sobre as críticas feitas por Ciro Gomes (PDT) a Haddad. O petista afirmou que o pedetista poderá se aliar em um eventual segundo turno e até participar de um futuro governo. 

Haddad revelou ter sido convidado para ser vice de Ciro e acrescentou que o pedetista também poderia ter sido vice do PT na eleição. "Continuarei lutando para estarmos juntos. Será possível no segundo turno e mais ainda no governo", disse o candidato do PT.

O candidato reforçou que é preciso estar ao lado das forças democráticas. “Nós precisamos ter ao nosso lado as forças democráticas que querem consolidar um ambiente do estado democrático de direito”, disse. “Vamos fortalecer as instituições, uma agenda de Estado e promover reformas para o povo voltar a sonhar”.

Propostas

Haddad afirmou que as reformas bancárias, fiscal e tributárias serão prioridade no seu governo. “São necessárias essas três reformas para tirar o país da crise econômica”.

O candidato disse que a reforma bancária reduzirá juros para o comprador final e a reforma tributária aumentará a renda disponível das famílias de classe média e baixa para voltarem a consumir e reativar a economia. “A reforma tributária parte de dois princípios básicos: a isenção do imposto de renda para quem recebe até 5 salários mínimos e a volta da cobrança do imposto de renda de quem recebe dividendos”, disse o candidato.

A isenção irá fazer com as famílias injetem dinheiro na economia, aumentando consumidores: “a economia precisa de consumidores, senão os empresários não contratarão trabalhadores”.

Ainda segundo o Haddad a reforma fiscal “abrirá espaço orçamentário, para a retomada de algumas obras fundamentais para o aumento da produtividade da economia brasileira”. A reforma dos regimes próprios de previdência também foi apontada por Haddad, uma vez que algumas unidades da federação estão com problemas para arcar com suas folhas de pagamento.

Sobre a política de preços da Petrobrás, Haddad garantiu que retomará as políticas adotas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta eleita Dilma Rousseff. “Nossa política de preços durante muitos anos funcionou muito bem. Não queremos voltar as costas para a cotação internacional, mas é lembrar que a estatal Petrobras é uma empresa brasileira, dos brasileiros, e que ela tem um poder de monopólio muito grande no Brasil, então ela tem que olhar pros seus preços internos de produção. Nós vamos retomar a política de suavizar as grandes oscilações do mercado internacional”, declarou.


Do Portal Vermelho, com informações de agências

Educação definha com política de austeridade de Temer, diz educadora

 

Arquivo EBC

O principal instrumento da política educacional, o Plano Nacional de Educação (o PNE, Lei nº 13.005/2014) está pouco presente no debate eleitoral. Mais do que isso: sua aplicação foi seriamente comprometida pelas políticas de austeridades implementadas durante o governo de Michel Temer (MDB).


Essa é a percepção da educadora popular, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora executiva da ONG Ação Educativa, Denise Carreira. 

A educadora aponta que o PNE, enquanto política de Estado, prevê o controle social e a participação popular como meios de combater as descontinuidades das políticas de educação e um forte investimento financeiro para ampliar o acesso e diminuir desigualdades. Com a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congela por vinte anos os gastos públicos, o preocupante quadro de precariedade da educação brasileira pode se agravar.

O Plano também é responsável por tentar transformar problemas antigos e persistentes na educação brasileira, como o analfabetismo, a qualidade da educação, a valorização dos professores, entre outras questões.

A pesquisa "Um Olhar sobre a Educação", divulgada na última terça-feira (11) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que o Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%), com idades entre 25 e 64 anos, não atingiram esse nível de formação.

Apenas 69% daqueles que têm entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%.

No Brasil, somente 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. 

Outro estudo, lançado em agosto deste ano, feito pelo Ibope Inteligência e desenvolvido pela ONG Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro, mostrou que três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no País – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais. 

Para o trabalho, foram entrevistadas 2.002 pessoas entre 15 e 64 anos, de zonas urbanas e rurais, distribuídas proporcionalmente em todas as regiões do Brasil. Há dez anos, a taxa de brasileiros nessa situação está estagnada, como mostram os dados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), de 2018.

O estudo separa níveis mais amenos de proficiência e escrita (29%), e analfabetos absolutos (8%). Os outros 21% estão no nível considerado rudimentar com muita dificuldade de entender e processar informação.

Desde 2001, o total de brasileiros que têm entre 15 a 64 anos e chegaram ao ensino médio, aumentou de 24% para 40%, e que acessam o ensino superior, de 8% para 17%. Apesar da população ter mais anos de estudo, entre os que terminaram o ensino médio, 13% são analfabetos funcionais e, dos que têm ensino superior, 4%.

Confira a análise de Denise Carreira sobre a situação atual da educação brasileira.

Brasil de Fato: Plano Nacional da Educação é considerado uma conquista da sociedade brasileira, no entanto, o golpe emplacou outra lógica. Pode falar sobre isso?

Denise Carreira: Após o golpe institucional de 2016, o país tem vivido muitos retrocessos e a área de educação atravessa o mesmo quadro de retrocessos. Um dos principais problemas que a área de educação tem enfrentado é o esvaziamento político do Plano Nacional de Educação. Com o golpe, essa lei - que é o principal instrumento da política educacional - começou a ser atacada e esvaziada e com a aprovação da Emenda Constitucional 95 em dezembro de 2016 [Teto dos gastos], aí que a situação ficou pior ainda.

Hoje o Brasil dedica 5% do PIB para educação, neste contexto de fragilização do PNE, qual a relevância do financiamento?

O Plano Nacional previa o aumento do financiamento da educação para 10% do PIB, ele também estabelece o "custo aluno/qualidade", a ideia de que o Brasil possa investir por aluno um valor que possibilite que se cumpra o que está previsto na lei: e um ensino de qualidade está previsto na lei. Então, tudo isso foi cortado e o Plano virou uma carta de intenção com várias metas, mas sem condições de financiamento.

Além da falta de compromisso do governo golpista, há movimentos que se levantaram contra o Plano, correto?

O Plano Nacional de Educação também vem sendo atacado por movimentos ultraconservadores como o Movimento Escola Sem Partido, grupos religiosos fundamentalistas. Esses grupos vêm atacando bastante o Plano Nacional, e os planos estaduais e municipais, principalmente no que se refere a liberdade das escolas para abordar temas que são fundamentais para uma educação transformadora. Tudo que se refere às discussões sobre as desigualdades brasileiras, sobre porque temos essa desigualdade profunda, sobre as questões do racismo, machismo e LGBTfobia, esse movimento busca inviabilizar. 

Mesmo com o aumento do acesso, o quadro de analfabetismo funcional segue assustando. Como mudar isso?

A mudança para valer desse quadro exige investimento numa política educacional que chegue nas pessoas e que consiga apoiá-las para enfrentar esses desafios apontados na pesquisa. 

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) vem sofrendo inúmeros ataques, mesmo sendo de responsabilidade dos estados e municípios, a política nacional tende a aprofundar o desmonte. Como vê esse quadro?

É importante lembrar que a educação de jovens e adultos no Brasil é voltada predominantemente para os setores mais excluídos da sociedade, para aqueles que enfrentam os maiores desafios para sua sobrevivência. Muitas vezes nos governos autoritários, a educação de jovens e adultos é a primeira a ser cortada. 

As políticas que trouxeram avanços dos últimos dez anos foram sucateadas em sua maioria, quem é a população mais atingida?

Nos tínhamos dado passos importantes nas últimas décadas e agora estamos num quadro acelerado de destruição de várias políticas e programas. Essa população está sendo mais excluída ainda, considerando os níveis de desemprego, a taxa de desemprego, considerando o subemprego que cresceu no Brasil, considerando o crescimentos da fome, mortalidade e doenças crônicas. Então é uma população que sofre demais porque essa crise econômica está comprometendo ainda mais os setores mais empobrecidos e sobretudo as famílias negras.

Pode falar da Emenda Constitucional 95?

O Brasil é o único país que tornou constitucional uma medida de austeridade, que é essa política econômica que está sendo implementada que defende que o país só sai da crise quando corta recursos das áreas sociais, quando corta direitos e eleva as taxas de desemprego. Essas políticas de austeridade vêm sendo questionadas em várias áreas do mundo como políticas que só levam a desigualdade da população e a uma piora na condição de vida. Todas as áreas sociais devem estar juntas para cobrar a revogação desse emenda da destruição que é a Emenda 95 e também para exigir a mudança da política econômica que destrói as possibilidade do Plano Nacional de Educação ser implementado.


Por Juliana Gonçalves, no Brasil de Fato

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Brasil - Lula indica o caminho por um Brasil feliz de novo: Haddad e Manuela

 
Foto: Ricardo Stuckert


                                                
“Lula Livre, Lula inocente, Haddad presidente.” Com essa palavra de ordem, o ato que oficializou a substituição de Lula por Fernando Haddad como candidato a presidente, com Manuela D’Ávila como vice, foi iniciado em Curitiba, dando o tom da campanha de resistência que seguirá o seu curso com a coligação “O Povo Feliz de Novo”.

Por Dayane Santos


Reunindo centenas de pessoas em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula está encarcerado injustamente desde o dia 7 de abril, a coligação PT-PCdoB-Pros oficializou a substituição, o que não foi surpresa, mas revelou o caminho nebuloso que trilha as instituições brasileiras ao negar o direito político de Lula de concorrer à Presidência da República, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que ignorou a lei e uma liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU determinando que o Estado brasileiro assegurasse a candidatura do ex-presidente.

A presidenta nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), destacou que a candidatura de Lula era essencial para tirar o país da crise. “Infelizmente a injustiça persistiu no caso do ex-presidente. Não deram a Lula o direito de disputar uma eleição sub judice, o que deram a todos os outros candidatos. Lula não teve o mesmo direito e, aliás, não teve os seus direitos respeitados ao longo desse processo”, denunciou Gleisi.

E completa: “Lula, na sua grandeza, olhando para o Brasil e para o povo, fez um comunicado que o PT deveria apresentar um candidato a presidente (...) Nós aceitamos o desafio do presidente Lula de não deixar o povo sem uma alternativa. Estamos apresentando Fernando Haddad como representante de Lula e reafirmando a nossa aliança histórica com o Partido Comunista do Brasil, que caminha ao nosso lado em muita lutas, apresentando Manuela D’Ávila como vice”, declarou a presidenta do PT.

Por meio de uma carta lida pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, o ex-presidente Lula reafirmou o seu compromisso com o país.

“A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios”, afirmou Lula.

E completa: “Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo”.

“Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.”

A coligação apresentou recursos junto ao Supremo Tribunal Federal para que o prazo dado pelo TSE para definir o substituto de Lula, estabelecido para esta terça (11) até as 19 horas, fosse prorrogado, mas sem sucesso. Outro dois recursos aguardam a análise da Corte.

Caso o partido não apresentasse o substituto na chapa, a coligação ficaria de fora da corrida presidencial, e o tempo de propaganda na TV seria redistribuído entre os demais partidos.

Na chapa original, Haddad era o vice de Lula e, caso o tribunal respeitasse o direito de Lula como candidato, Haddad abriria mão da vice, para a entrada de Manuela D’Ávila, do PCdoB. Diante do impasse, Haddad assume a cabeça da chapa e Manuela segue na vice.

Confira a íntegra da carta de Lula:


Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o Pros, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva

Brasil - Haddad: Não vamos desistir desse país

 

No primeiro ato público após a oficialização de seu nome como candidato à Presidência, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse sentir a mesma dor dos que gostariam de ver Lula subir a rampa do Planalto em janeiro. Escalado para substituir o ex-presidente na chapa após a impugnação da candidatura, Haddad defendeu que, apesar da injustiça contra o petista, não é hora de voltar para casa de cabeça baixa, mas de sair às ruas e ganhar a eleição.


“Não vamos desistir desse país. Estamos juntos. Temos uma tarefa monumental pela frente, mas não temos nada maior que nossa vontade de devolver o Brasil para os brasileiros. Contamos com cada um de vocês. Vamos às ruas até 7 de outubro e, no dia 21 de outubro, vamos celebrar a democracia no Brasil”, disse, durante ato na Vigília Lula Livre, em Curitiba. 

Ao lado de sua companheira de chapa, Manuela d’Ávila, Haddad falou após a leitura de uma carta de Lula aos brasileiros, na qual o ex-presidente pede que todos que votariam nele, apoiem agora as candidaturas de Haddad e Manuela. O ex-prefeito convocou então a população: “Vamos ganhar essa eleição pelo Lula, pelo PT, pelo PCdoB, pelos movimentos sociais e pelo Brasil, porque o Brasil merece essa vitória”, completou. 

No início de seu discurso, ele pediu desculpas pela emoção do momento e falou sobre a injustiça sofrida pelo ex-presidente, impedido de concorrer. “Lula representou um divisor de águas na história do Brasil. Porque Lula é saído das entranhas de nosso povo. Saiu de dentro do povo e chegou à Presidência, superando todos os obstáculos, para mudar a nossa história”, disse.

Relembrando sua atuação pela redemocratização nos anos 1980, ele destacou que, depois de vencida a luta contra a ditadura, imaginava que seus filhos e netos teriam outras frentes de batalha, porque a democracia já estaria consolidada. Mas os últimos anos, ele destacou, foram de retrocessos.

“Hoje estamos vivendo essa situação. Eu imaginava que depois de Lula, o Brasil estaria fora do mapa da fome, que nunca mais um brasileiro viveria esse flagelo. Mas bastaram dois anos para que o Brasil voltasse ao mapa da fome e viessem as notícias sobre o aumento da mortalidade infantil e da mortalidade materna”, lamentou.

O candidato questionou as razões das injustiças contra Lula. "Eu fico me perguntando porque tanta injustiça contra um homem que não fez nada além de estender a mão sobretudo para aqueles que precisavam do apoio do Estado", colocou. 

“Qual foi o pecado de lula? Foi ter aberto as portas da universidade para os filhos do trabalhador? Será que foi por ter matado a fome do semiárido? Foi garantir juro baixo no crédito consignado? O que é isso na cabeça dessa elite? Foi ter que sentar ao lado de um negro no banco do avião ou nas universidades? Foi porque uma pessoa sem diploma superior, por gana e compromisso social, conseguiu fazer o que eles não conseguiram?”, indagou.

De acordo com Haddad, a elite passou “quatro anos chacoalhando a roseira da democracia para ver se ela caía” e tratando o povo de forma desrespeitosa. “Mas temos um líder, chamado Lula, que nos inspira a todos. Eles podem até nos derrubar um dia, mas no outro a gente levanta e segue na luta”, disse, sob aplausos.

“Não vamos aceitar o país do século 20, do século 19. Nós sabemos o país podemos ser. Vamos aceitar que nos impunham no relho? Não vamos aceitar mais. Eles podem vir com a violência que quiserem, mas vamos nos reerguer”, completou, afirmando que recebeu de Lula a missão de olhar nos olhos do povo e fazer rememorar os tempos dos governos petistas. “Porque construímos juntos um país diferente.” 



Do Portal Vermelho

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Neta de Prestes é candidata a deputada federal pelo PCdoB


 
Foto Arquivo pessoal 

 Ana Prestes, neta do Cavaleiro da Esperança, disputa pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados. Socióloga e doutora em Ciência Política, iniciou sua trajetória no movimento estudantil. “Período de muita efervescência política, com uma onda de neoliberalismo e desmonte do nosso país”, lembra.

Por Roberta Quintino, especial para o Portal Vermelho


De acordo com Ana, que estará nas urnas pelo Distrito Federal, a sua candidatura nasce a partir de uma plataforma democrática e popular, que tem como premissa a luta pela retomada dos direitos que foram perdidos após “o rompimento do governo da presidente Dilma, que teve 54 milhões de votos, de forma fraudulenta, arrancados da população”.


Ana e suas filhas


Feminista e mãe de Helena e Gabriela, Ana é escritora e autora do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. Ela luta pela ampliação da bancada de mulheres no Congresso Nacional, que hoje representa cerca de 10% do conjunto de parlamentares. 

Nas propostas da candidata, estão o cumprimento do Plano Nacional de Educação, a anulação da Emenda 95 que congelou os investimentos da saúde e educação por 20 anos, retomada das políticas de geração de emprego e renda como forma de combater as desigualdades sociais. Lutar pelo desenvolvimento integrado do DF e do Brasil com inclusão de verdade, educação, saúde, cultura, e participação democrática.


Ana e sua mãe, em Moscou


Filiada ao PCdoB há 20 anos, Ana nasceu em Moscou em 1977, período em que seus avós, Luiz Carlos Prestes e Maria Prestes, militantes históricos do país, estavam exilados na ainda União Soviética. No Brasil, foram perseguidos na época da ditadura militar instalada em 1964.

Como foi o início da sua militância? 

A política nunca foi algo estranho pra mim, sou de uma família que vivia e falava muito sobre política, principalmente, na casa do meu avô. Perseguida politicamente na época da ditadura militar, minha família foi para Rússia, então União Soviética, e só mais tarde com a redemocratização é que começamos a voltar para o Brasil, e foi no movimento estudantil que comecei a militância, era um período de muita efervescência política, com uma onda de neoliberalismo e desmonte do nosso país que crescia na década de 1990. Foi nesse contexto de defesa da universidade pública, do ensino médio e da melhora da qualidade do ensino técnico que conheci a União da Juventude Socialista. Depois atuei ainda na base da União Nacional dos Estudantes e da Associação Nacional de Pós-graduandos. Logo me filiei também no PCdoB, onde estou há 20 anos. 

Ana ao lado do avó Luis Carlos Prestes


Mesmo com uma trajetória sólida na militância, essa é a sua primeira disputa para um cargo político. Como é se colocar à disposição para participar de um processo eleitoral?

Ao longo desses 20 anos de militância, atuar em campanhas eleitorais sempre foi um processo muito natural. Participei de uma série de campanhas, nas ruas, com panfletagens nas portas de fábricas, das escolas, em eventos culturais. Mas há uma diferença quando você coloca o seu nome disponível para o Partido e representa um conjunto de ideias elaboradas em coletivo, de forma crítica, para o bem comum de uma sociedade, principalmente em um país onde a política se dá de maneira personalista, e o que propomos é romper com essa lógica. 

O país atravessa um período de fragilidade política e de sérios retrocessos nos direitos sociais e trabalhistas da população brasileira. Por que disputar uma vaga para a Câmara Federal nesse ambiente de imprevisibilidade?

Desde os protestos de junho de 2013 estamos vivemos um ambiente social e político de instabilidade. E foi nesse cenário que forças reacionárias da direita e, até mesmo fascistas, encontraram no meio da efervescência do momento uma forma de ressurgir. Ainda estávamos vivendo a reconstrução da nossa democracia, com inclusão social, ampliação do acesso aos direitos, fortalecimento do SUS e ampliação das Universidades. E vimos, em 2016, a consolidação de um golpe, com o rompimento do governo da presidenta Dilma, que teve 54 milhões de votos, de forma fraudulenta, arrancados da população. Nesse último período, vimos ainda o desmonte total das políticas públicas, com a aprovação da reforma trabalhista, da terceirização, o não cumprimento do Plano Nacional de Educação e outros retrocessos. Então, a nossa candidatura vem no sentido de fazer a defesa dos direitos, de recobrar os direitos que foram perdidos e colocar um freio nesse desmonte. 

As eleições deste ano abrem uma oportunidade para a renovação da política brasileira?

Sim, nós vimos muito claramente com o processo do golpe quão arcaico está o nosso Congresso Nacional. É um Congresso em que há uma sub-representação de mulheres, de jovens, negros, homossexuais, indígenas e todas as camadas mais vulneráveis da nossa sociedade. Nós podemos dizer que a nossa democracia não está plenamente representada no parlamento e é nesse espaço que todas as vozes que fazem parte da sociedade devem estar vocalizadas. As mulheres são mais de 50% da população e nós temos cerca de 10% de representação no Congresso brasileiro, é assim com outros segmentos da nossa sociedade. Diante desse cenário, é urgente a participação, a disputa e renovação no campo político. Precisamos de pessoas mais jovens, renovar também nesse sentido e atuar de forma coletiva. Sintetizando os pensamentos dos diversos setores e pautar propostas concretas para os movimentos de moradia, dos pequenos agricultores, de mulheres, estudantes, indígenas. 




Qual o diferencial da sua campanha?

Apresento minha candidatura à Câmara dos Deputados, a partir de uma plataforma democrática e popular e começa com o diferencial de que é uma campanha de uma pessoa que nunca ocupou um cargo político eletivo, mas que traz uma experiência nas lutas sociais. Considerando a representação feminina no parlamento, é a candidatura de uma mulher que vem de uma família de tradição política na esquerda brasileira há quase 100 anos, que ajudou a organizar politicamente o país. Além disso, vemos como algo novo a forte atuação na solidariedade internacional, uma das vias da minha militância. 

Quais são as propostas da sua candidatura?

Muitas das nossas propostas são de resistência para barrar os retrocessos que estão colocados para os trabalhadores, à juventude, mulheres e retomar a nossa democracia. Além de implementar o Sistema Nacional de Educação e exigir o cumprimento do Plano Nacional de Educação, anular a Emenda 95, que congelou os investimentos da saúde e educação por 20 anos, retomar as políticas de geração de emprego e renda como forma de combater as desigualdades sociais. Revogar a reforma trabalhista. Aprovar o Plano Nacional de Cultura e reformular a Lei Rouanet. Lutar pelo desenvolvimento integrado do DF e do Brasil com inclusão de verdade, em educação, saúde, cultura e participação democrática.


Ana Prestes e sua avó Maria Ribeiro Prestes


Você traz muito forte a questão do feminismo, da luta e direitos da mulher. Como as suas filhas veem sua participação na política e agora com a candidatura a deputada federal?

Eu tenho duas filhas, a Helena e a Gabriela, e desde que elas estavam na barriga me acompanham na militância. Com sete meses de gravidez da Gabriela, participei de um congresso na África do Sul, fiz a marcha do Fórum Social Mundial. Acompanham-me sempre e é dessa forma que elas entendem que mulher, que criança tem que ter voz, tem que participar. Nós escrevemos o livro infanto-juvenil Mirela e o Dia Internacional da Mulher, que traz uma temática feminista. E eu percebo que nesse sentido elas veem na militância política algo mais leve, e a minha candidatura para as meninas é algo entusiasmante. Elas são minhas parceiras de jornada.

Brasil Debate de projetos e ideias, sim! Violência e ódio, não!

 

Firmeza e Serenidade. São duas palavras indispensáveis para se lidar com as consequências do ataque ao candidato presidencial Jair Bolsonaro.


Com firmeza repudiar a violência e o ódio. 

Com firmeza defender as eleições marcadas para 7 de outubro. Que se realizem sob a égide da paz e dos preceitos da democracia. 


É preciso cobrar com firmeza das autoridades que esclareçam as razões do crime cometido e que se puna, na forma da lei, o responsável.

É necessário serenidade para lidar com esse condenável acontecimento de modo a garantir um processo eleitoral sob o primado do debate de ideias, afastando, consequentemente, açodamentos de qualquer natureza. 

Nesse debate de ideias, impõe-se a busca da convivência racional entre os grupos sociais com visões políticas e opções ideológicas diferentes, e o repúdio à violência, que passa ao largo da inteligência, da capacidade de diálogo e de raciocínio. Não se pode admitir comportamentos de intolerância política e de incitação à desagregação social.

Impõe-se o resgate da convivência pacífica e democrática entre pessoas que legitimamente possuem posições políticas divergentes. 

Esse ambiente de intolerância e até de culto à violência, é preciso que se diga, emergiu na esteira do golpe que mutilou a democracia em nosso país. O golpe abriu as catacumbas do reacionarismo das quais escorreu o caldo de cultura que puxou a faca na cidade de Juiz de Fora. A faca feriu, covardemente, o candidato Jair Bolsonaro e, também, a já golpeada democracia brasileira.

As diferenças de concepções políticas e ideológicas não devem varrer do debate a reflexão, os fundamentos do comportamento ético capaz de fazer florescer a democracia e a busca de soluções para os graves problemas do país. Essa é uma premissa básica para o desfecho dessas eleições num ambiente de serenidade capaz de conduzir o país pelo caminho da reconciliação com a democracia e com a sua vocação para o desenvolvimento com progresso social. 


 Do Portal Vermelho

Brasil Sem Lula, Haddad vai a 14%; Bolsonaro tem 20% mas rejeição chega a 62%

 
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A exatamente um mês das eleiçõe,s nova pequisa XP/Ipespe, realizada enre 3 e 5 de setembro, mostra o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) com 14% das intenções de votos quando identificado como o candidato apoiado por Lula. Jair Bolsonaro (PSL) assume a dianteira com 20%, Ciro Gomes (PDT) vem em seguida com 10%, e Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) empatam com 8%. A rejeição a Bolsonaro, medida pelo levantamento, chega a 62%, um recorde. 

Realizada antes do ataque ao candidato do PSL e cinco dias após o início da propaganda eleitoral, a pesquisa ouviu 2.000 entrevistados e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Quando o levantamento pergunta sobre um cenário em que o ex-presidente Lula (PT) figura na disputa, ele mantém a liderança, com com 33% das intenções de voto, contra 22% de Bolsonaro, 8% de Ciro, 7% de Alckmin e 6% de Marina.

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. Bolsonaro e Marina figuram em primeiro lugar na rejeição, com 62%. Lula possui 61%, Alckmin e Ciro 59% e Haddad 57%.

Quatro a cada cinco eleitores, 79% do total, disseram ter sido impactados pela propaganda na televisão, no qual Alckmin possui 40% do tempo.

Fonte: PORTAL VERMELHO