ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Economia Candidatos à direita defendem ajuste que sufoca a cultura

 

“O sucateamento da cultura, da educação e da pesquisa não vai ser revertido sem a revogação do teto de gatos”. A avaliação é de Ana Luíza Matos de Oliveira, economista e professora visitante da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO). Para ela, o incêndio no Museu Nacional tem tudo a ver com a política de austeridade fiscal. Ela destaca que, apesar dos resultados negativos, candidatos ao Planalto ainda insistem no caminho do ajuste fiscal.

Por Joana Rozowykwiat

“Estamos vendo o impacto direto, na qualidade de vida das pessoas, dessas políticas de austeridade fiscal, que retiram recursos de áreas estratégicas. E, infelizmente, vimos esse incêndio, que é também causado por isso. Essa política não está dando certo e tem candidato que está propondo a continuidade”, disse Ana Luíza. 

A referência é a postulantes situados à direita do espectro político, como Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, João Amoêdo, Marina Silva, Henrique Meirelles e Álvaro Dias, que defendem o ajuste fiscal. 

Tragédia anunciada

O incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, o mais antigo do país, chamou a atenção para a difícil situação das instituições culturais, de educação e pesquisa no país. Nos últimos anos, os cortes no orçamento têm sido drásticos, comprometendo manutenção e funcionamento. 

De acordo com levantamento da Comissão Mista de Orçamento da Câmara dos Deputados, nos últimos cinco anos, os repasses da União ao Museu Nacional - que é subordinado à UFRJ - caíram 34%. Se, em 2013, o museu executou pagamentos da ordem de R$ 979 mil, no ano passado esse valor recuou para R$ 643 mil. Em 2018, os repasses não chegam a R$ 100 mil. 

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, criticou a falta de recursos para a manutenção do patrimônio público. "Todos sabíamos que o prédio estava em condições vulneráveis. Eram necessárias intervenções sistêmicas”, disse.

“O Brasil precisa avaliar para onde estamos caminhando. Não existe nenhuma linha de financiamento dos ministérios da Educação e Cultura para prédios históricos tombados pelo patrimônio histórico. Sofremos queda brutal de orçamento, de R$ 140 milhões no custeio nos últimos quatro anos. (...) No orçamento de 2019 a sociedade brasileira vai aferir se vamos ter ações objetivas ou se vamos sofrer até a próxima tragédia", completou.

Cortes sufocam a Cultura

A falta de financiamento escancarada pela tragédia no museu carioca é uma realidade que atinge diversas áreas. Segundo o documento Austeridade e Retrocesso – Impactos da Política Fiscal no Brasil, em 2014, o Ministério da Cultura havia terminado o ano com R$1,02 bilhão liberado em seu orçamento discricionário. Em 2017, o valor foi reduzido para R$553,4 milhões, uma perda real de mais de 45% em apenas três anos. 

O documento indica que a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95 deve achatar ainda mais os recursos da cultura. A EC estabeleceu que os gastos primários do governo só poderão aumentar, no máximo, o equivalente à inflação do ano anterior, uma regra que deverá vigorar por 20 anos. Como alguns gastos obrigatórios do governo terão que continuar crescendo, como é o caso da Previdência, a tendência é a de que as outras áreas sejam ainda mais prejudicadas. 

Sem reparação

“Estamos num momento de completo desinvestimento na Cultura. Houve diversos cortes de gastos no Ministério da Cultura, a partir de 2015, e especialistas avaliam que, nos próximos anos, a pasta pode até mesmo se extinguir, se continuar essa velocidade de cortes em seu orçamento”, afirma Ana Luíza Matos de Oliveira.

De acordo com ela, a queda no orçamento resulta no sucateamento de museus, de universidades e da pesquisa científica. “Esse é o quinto incêndio que ocorre na UFRJ nos últimos anos, e isso é fruto de uma falta de investimento na universidade, na educação, na cultura e na pesquisa”, criticou.

Ela ressaltou que o orçamento do celebrado Programa Cultura Viva, que chegou a R$100 milhões, hoje caiu para R$12 milhões de reais, por exemplo.

“O programa está sendo sucateado. Todas as autarquias ligadas ao MinC - o Iphan, a Ancine, etc - estão sofrendo cortes duros desde 2015 e isso tem impacto na política de cultura, na preservação, na conservação dos nossos museus, do nosso patrimônio. E são coisas que a gente não vai poder reconstruir. O incêndio destruiu a Luzia [esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas] e fósseis de dinossauros que resistiram 11 mil anos. Isso não tem como reconstruir”, lamentou.

Revogar o teto de gastos

Segundo a economista, o processo de desmonte da cultura só pode ser revertido com a revogação da EC-95. E as eleições que se avizinham terão papel decisivo nesse sentido, já que a iniciativa dependerá muito de quem chegar ao Planalto. 

“Há um corte claro, se a gente pegar os programas de governos dos candidatos, entre quem são aqueles que defendem a manutenção da EC-95 e quem fala que é preciso revê-la justamente porque é preciso ampliar os gastos sociais, que são uma demanda da sociedade brasileira”, disse. 

Ana Luíza mencionou que Guilherme Boulos, Ciro Gomes, Lula e Fernando Haddad são críticos ao teto de gastos e propõem uma mudança de curso na política fiscal. “Isso não está presente no programa dos outros candidatos. É fundamental revogar a EC-95 para conseguir ampliar recursos nessas áreas”, reiterou.

Austeridade não dá certo

Além dos efeitos sociais negativos – que atingem desde a cultura, até a saúde e a educação –, as políticas de austeridade não têm dado bons resultados para a economia. Anunciado pelo atual governo como remédio para a crise, o ajuste fiscal não tem sido capaz de resgatar o crescimento, gerar emprego e renda. 

“O resultado do PIB do segundo trimestre mostrou isso. Há praticamente uma estagnação da economia brasileira no primeiro semestre. E isso é fruto também dessa política, que não é capaz de incentivar o consumo, o investimento, a criação de empregos. Enfim, não consegue colocar a economia para crescer”, encerrou. 

Dados anunciados pelo IBGE na última sexta (31) mostram que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre foi de apenas 0,2%. E, embora estatisticamente o desemprego tenha recuado um pouco, aumentou o número de desalentados, ou seja, de pessoas que desistiram de procurar emprego diante da dificuldade de achar uma vaga. Além do mais, a maior parte dos postos que foram criados são de trabalho informal, indicando aumento da precariedade.

 Do Portal Vermelho

sábado, 1 de setembro de 2018

Os verdadeiros delitos de Lula

Por Rafael Hidalgo Fernández, no site da Fundação Maurício Grabois:

Luiz Inácio Lula da Silva é um transgressor, porém não das leis de seu país, nem dos valores éticos mais admirados pelas pessoas de bem no mundo.
Por sua conduta pública e pessoal, parte importante de seu povo deseja conduzi-lo pela terceira vez à presidência do Brasil, uma das nações com maiores potencialidades de desenvolvimento material e humano.
A transgressão de Lula foi a um dos mais sagrados dogmas do capital transnacional que hoje defende as ideias do neoliberalismo: o Estado não pode promover programas assistenciais de grande alento para os pobres.
Durante seus dois mandatos como presidente, Lula cometeu o “crime” de redistribuir enorme riqueza do Estado brasileiro, com o nobre propósito de mitigar a fome e a pobreza de milhões de seus compatriotas.
Cumpriu em alto grau essa promessa assumida por ele, quando tomou posse do cargo em janeiro de 2003: “Se eu terminar meu mandato e todo brasileiro tiver café da manhã, almoço e jantar, terei cumprido o objetivo da minha vida”.
Naquela época, 54 milhões de pessoas precisavam alcançar o direito humano à comida segura. Quando terminou seu segundo mandato presidencial, cerca de 30% de famílias haviam sido tiradas da linha abaixo da pobreza. Lula quase eliminou a pobreza extrema no país e retirou o Brasil do Mapa da Fome, elaborado pela ONU.
Em um contexto econômico internacional favorável que soube aproveitar, impulsionou a geração de mais de 20 milhões de empregos formais, quatro vezes o número gerado no período 1990-2002. Criou programas sociais com ampla cobertura nacional, como o Bolsa Família entre outros, que passaram a favorecer mais de 79 milhões de pessoas, mais de um terço da população brasileira.
Somente esses fatos, em um dos países mais desiguais do mundo, merecem o maior respeito. Explica também o ódio da direita que prioriza os ganhos de capital em detrimento da justiça social
Lula também praticou dois outros “crimes”, igualmente “graves” para as classes dominantes locais e para aqueles que dominam a política em Washington, Londres, Berlim e outras capitais do chamado primeiro mundo.
O primeiro foi o de promover uma política externa dinâmica e altiva de paz e cooperação, que impulsionou a liderança brasileira como um ator global construtivo no sistema das relações internacionais entre 2003 e 2010. Tudo isso com uma autonomia vista com preocupação pelos patrocinadores da Doutrina Monroe no continente.
Seu segundo “delito” foi preocupar-se e ocupar-se em promover que o Brasil, com meios econômicos tecnológicos próprios, desenvolvesse a estratégia de defesa nacional projetada para enfrentar, se necessário, a ambição externa pelos recursos naturais excepcionais que o país possui.
Por tudo isso, as classes dominantes tradicionais, que nunca perderam as fontes de poder, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) estava na presidência do país optaram por passar para a contraofensiva. Isso ficou claro desde os primeiros meses em que a sucessora de Lula, Dilma Rousseff, assumiu a presidência em 2011.
O plano subversivo ficou mais beligerante e público após as eleições presidenciais de 2014. Remover a Presidência PT tornou-se o primeiro passo para alcançar um objetivo maior: enfraquecer o Estado brasileiro e submetê-lo à condição de peça funcional dos interesses do grande capital e, acima de tudo, do seu centro hegemônico, os Estados Unidos. A direita golpista logo percebeu que isso só poderia ser realizado por meio da eliminação política de Lula.
A direita tinha conhecimento de que que o PT é, em um grau muito alto, a importante força política que é, em virtude da liderança coesa de Lula. Sabe também que a esquerda e os setores nacionalistas do país o veem como o único líder com experiência, méritos e condições para facilitar acordos conjuntos. E, reconhece, silenciosamente, que os mais pobres, apesar de todas as calúnias contra Lula, continuam a percebê-lo como seu único líder nacional.
Todas essas razões elencadas explicam por que é irrelevante para as classes dominantes brasileiras se existem ou não evidências convincentes para apoiar as inúmeras acusações fabricadas contra o ex-presidente do PT. É suficiente que os flamejantes juízes tenham a convicção de que as suspeitas são críveis. Absurdos processuais não importam.
O estado de direito exaltado pelos ideólogos da direita foi e continua sendo violado todos os dias. Tal conduta confirma que os representantes do grande capital, quando veem seus lucros e seu poder em risco, não têm quaisquer tipos de escrúpulos para agir em busca das vantagens a que aspiram.
Essa impunidade poderia ser maior se não existisse ou fosse fraca a mobilização de massa contra o golpe, cuja expressão mais crua hoje é a situação política e judicial que Lula está vivenciando.
Os dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e outras forças de esquerda estão plenamente conscientes destes fatos, bem como os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), peça central da articulação das mobilizações em favor do ex-presidente.
Lula é a face mais visível e precípua das injustiças hoje cometidas no Brasil, em nome da “justiça”. Lula merece ser livre e aqueles que o apoiam devem ser respeitados em seu direito soberano de tê-lo, novamente, na Presidência.
É evidente que a direita o teme. Como acusado, Lula é, na verdade, o grande acusador de uma democracia representativa colocada a serviço, de fato, dos interesses da elite neoliberal que comanda o país. Isso explica por que cresce o número de juristas de prestígio, não ligados ao PT ou à esquerda, contra a ação seletiva de Sergio Moro e daqueles que o apoiam no poder judiciário.
Nessas condições, para cada dia que Lula passa na cadeia, com a firmeza que está mostrando, seu enorme prestígio como político e como ser humano excepcional vai se multiplicando exponencialmente e permanecerá como legado de dignidade para os brasileiros e para todas as pessoas que aspiram e lutam por um mundo melhor.
Sim! Os fatos confirmarão que faz sentido lutar contra toda injustiça.
* Publicado originalmente no jornal cubano Granma. Tradução de Maria Helena D´Eugênio.

LALO LEAL Debate deve servir para educação política, não como programa de auditório

REDE TV / DIVULGAÇÃO / FOTOS PÚBLICAS
Debate Eleições

por Lalo Leal, para Revista do Brasi


Com esse tipo de debate altamente controlado, candidatos folclóricos ganham mais destaque do que aqueles com algo de sério a dizer. O debate, nesses casos, produz um desserviço à democracia.
Debate entre presidenciáveis na Rede TV. Em vez de informar e ajudar a formar opinião, apenas entretenimento, sem aprofundar análise de planos de governo
Começou a safra de debates políticos na televisão. Serão 12 ao todo, seis entre os presidenciáveis e outros seis entre os candidatos aos governos estaduais. Para o jogo democrático saudável, é pouco ou muito? Depende de como se olha a questão.
Para o bem da democracia quanto mais debates melhor. Pena que eles só ocorram às vésperas das eleições. Deveriam estar na telas todos os dias, sem muitas regras e amarras, dando voz às diferentes visões de mundo. Assim se cultiva a formação política da sociedade dando aos seus integrantes a possibilidade de decidir por conta própria.
Como esse tipo de debate altamente controlado só ocorre a cada quatro anos, o resultado é tímido. Na maioria dos casos, candidatos folclóricos ganham mais destaque do que aqueles com algo de sério a dizer. O debate, nesses casos, produz um desserviço à democracia. 
O resultado são piadas disseminadas através das redes sociais ou, o que é pior, vídeos criando situações falsas de perguntas e repostas para prejudicar um ou outro candidato. Ao que se soma a criminalização da política, prática habitual da mídia. A consequência é o descrédito com as eleições revelado pelos altos índices de abstenções e de votos brancos e nulos. Para não falar nos votos em Cacareco ou Tiririca.
Neste ano, a situação piorou. Sem a presença de Lula, líder em todas as pesquisas de opinião, exclui-se do público a possibilidade de entrar em contato com a defesa de experiências concretas, vividas por ele em oito anos de mandato. E também das criticas que forçosamente viriam dos seus adversários. Ai o jogo se tornaria um pouco mais emocionante.
Em eleições mais remotas, sem tantas regras, viam-se debates acalorados, com o público podendo avaliar também as condições emocionais dos candidatos quando colocados em situações difíceis. Ficou famoso o bate-boca entre Franco Montoro e Reynaldo de Barros, candidatos ao governo de São Paulo em 1982.
E a indignação de Leonel Brizola aos ataques de Paulo Maluf, interrompendo-o repetidamente com a expressão “filhote da ditadura”, na disputa presidencial de 1989. Naquela época, os microfones ficavam abertos para todos os candidatos o tempo todo, os ânimos se exaltavam e o debate esquentava.
Ao mediador ou mediadora só restava pedir calma.
Claro que as discussões acaloradas tiravam o foco do conteúdo das falas. Algum tipo de contenção era necessária. Mas o engessamento atual também não ajuda. Cada candidato fala o que quer no tempo reduzido que tem. A maioria faz perguntas aos adversários apenas para na réplica ou na tréplica dizer o lhe interessa.
Os debates hoje servem mais para fornecer pautas aos jornais dos dias seguintes, estimular provocações nas redes sociais e fornecer material para ser usado nos horários de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Candidatos exibirão trechos que considerem bons nos debates e mostrarão gafes ou incoerências dos seus adversários.
Uma reforma política de verdade incluiria a questão dos debates, com uma reformulação geral do modelo atual. A começar pelos contratos de concessão dos canais de TV, dos quais deveria constar a realização frequente de programas de debates políticos, fora do período eleitoral.
Aos partidos caberia enviar seus representantes para apresentar criticas e propostas. Seria um serviço pedagógico de fortalecimento da cidadania. 
Os debates deveriam ser pensados como fatores de educação política e não como programas televisivos em busca de audiência. Para isso uma primeira providência seria a mudança de horário.
Um debate que começa no fim da noite e entra pela madrugada exclui parcela considerável da população necessitada de acordar cedo no dia seguinte. Política é coisa séria, merece o chamado horário nobre.
Desde 2014 insisto que os debates não podem continuar sendo filtrados pelos interesses da mídia comercial. Deveriam ser produzidos e realizados por emissoras públicas, a partir do momento em que elas voltassem a existir no Brasil.
E realizados em espaços públicos, num campus universitário por exemplo, como ocorre nos Estados Unidos. Ou em um grande ginásio de esportes, com a presença de público, como foi o caso do debate sobre a saída ou não do Reino Unido da União Européia promovido pela BBC em Wembley, há dois anos.
São medidas necessárias para que os debates deixem de ser meros programas televisivos, assemelhados aos de variedades, e se tornem  serviços públicos eficientes. Infelizmente ainda estamos longe disso.

Brizola e Maluf batem boca durante debate de 1989 

GUERRA JURÍDICA TSE rejeita registro da candidatura de Lula

Rosa Weber
“Se dependesse de mim faria o julgamento na terça ou na quinta”, disse presidenta do TSE, Rosa Weber
Votação do Tribunal Superior Eleitoral contra candidatura de ex-presidente da República rejeita decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU e ignora artigo da Lei Eleitoral
por Redação RBA
São Paulo – Por maioria de 6 a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inelegível. Votaram pela inelegibilidade do petista os ministros Luís Roberto Barroso (relator), Jorge Mussi, Tarcisio Vieira de Carvalho, Og Fernandes, Admar Gonzaga e Rosa Weber, presidenta do TSE. Pela decisão, a coligação O Povo Feliz de Novo (PT/PCdoB/Pros) precisa indicar um novo candidato a presidente.

Ministro relator, Barroso rejeitou o argumento da defesa de que a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU a favor de Lula deve ser aplicada. O comitê é um “órgão administrativo”, disse. “Suas recomendações, quando definitivas, não têm efeito vinculante.” Votou para que a decisão do TSE seja aplicada de imediato e Lula não possa praticar atos de campanha, como participar do horário eleitoral. Deu prazo de 10 dias para a coligação de Lula apresentar um substituto.

No voto, Barroso defendeu que a Justiça Eleitoral não está obrigada a se submeter a orientações do comitê das Nações Unidas. “Não há vinculação, mas há dever de se levar a sério os argumentos do órgão administrativo, e não jurisdicional, do comitê”, enfatizou. Para ele, não foram esgotados os recursos internos e o “governo” brasileiro não foi ouvido pelo órgão da ONU, condições para o reconhecimento da determinação.
“Ao governo brasileiro não foi apresentada oportunidade de ser ouvido”, reforçou o relator. “A medida cautelar (da ONU) conflita frontalmente com a Lei da Ficha Limpa.” Ele disse que o país não está "sob uma ditadura e Estado de exceção, as instituições estão funcionando e o Judiciário é independente”.
O ex-chanceler Celso Amorim foi um dos primeiros a dizer que o tratado com a ONU não é assinado por um “governo”. “Foi assinado pelo Estado brasileiro, não pelo governo", disse, no dia em que a decisão do comitê foi anunciado.
Edson Fachin, o segundo a votar, empatou o placar em 1 a 1. Para ele, a decisão da ONU é soberana. "Entendo que o candidato, inelegível por força da Lei da Ficha Limpa, diante da consequência que entendo e que extraio da medida provisória do Comitê de Direitos Humanos, obtém o direito de paralisar a eficácia da decisão que nega o registro de sua candidatura".
Antes do voto de Edson Fachin, a presidenta do tribunal, Rosa Weber, colocou em votação a proposta de adiar a decisão. “Se dependesse de mim faria o julgamento na terça ou na quinta”, disse. Apesar de sua preocupação “com a segurança jurídica, os ritos e as formas”, afirmou que se submeteria à decisão do colegiado, que rejeitou o adiamento. Rosa foi voto vencido.
Fachin divergiu de Barroso quanto à manifestação do comitê da ONU. Para ele, não há interpretação possível da Constituição e das leis senão a de que o Brasil tem o dever de cumprir a determinação “provisória” do órgão, e portanto Lula tem direito a ser candidato.
O ministro Jorge Mussi votou contra a candidatura de Lula e desempatou. A seguir, Og Fernandes apoiou "integralmente" o voto do relator Barroso para fazer 3 a 1. Admar Gonzaga definiu a maioria ao dar o quarto voto.
O artigo 16A da Lei Eleitoral, que estabelece o direito político de um cidadão processado enquanto seu direito defesa puder ser exercido, também foi ignorado.
Fonte: redebrasilatual.com.br

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Brasil Ciro: Bolsonaro interpreta "o que há de mais selvagem na população"

 

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou em entrevista a uma rádio de Belo Horizonte, que o também presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) tem "o que há de mais selvagem na população brasileira" e interpreta um personagem baseado nisso.

Reprodução Facebook


"Se alguém está procurando autoridade, chega pra cá. Se está procurando decência, chega pra cá", afirmou Ciro ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar um eventual segundo turno com Bolsonaro. 

Ele disse conhecer bem Bolsonaro, por ter convivido com ele na Câmara dos Deputados, e que ele se apresenta como novidade, mas é um "carreirista" na política. "Faz questão de fazer apologia à ignorância e não se sente responsável por arbitrar problemas dos brasileiros. (…) Respeito o povo brasileiro, mas tenho obrigação de lutar para evitar essa tragédia", disse.

Durante caminhada de campanha nesta quinta-feira (30), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ciro criticou a forma pela qual Michel Temer anunciou o reajuste para juízes federais e servidores públicos da União. Ele disse que a medida, em meio à crise fiscal, é uma “vergonha” e “bofetada no rosto do povo brasileiro”.

"Isso é uma vergonha. Francamente, falta compostura na elite brasileira. Não é que o salário seja grande. Eu acho que juiz tem que receber salários decentes, os maiores possíveis e, acho, francamente, uma 'impostura' ficar falando mal de salário. Eu estou falando agora é da ocasião", afirmou.

Além do reajuste para os servidores, Temer fechou um acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), concedendo reajuste de 16,38% para o Judiciário federal. Em troca, Temer combinou com a Suprema Corte o fim do auxílio-moradia para a magistratura, no valor de R$ 4,7 mil.

“[São] 13,7 milhões de brasileiros desempregados, 32 milhões de brasileiros vivendo de bico, na informalidade, correndo da repressão. 60 mil mulheres foram estupradas no Brasil nos últimos 12 meses sem nenhuma punição, o Brasil teve 63.880 homicídios sem nenhuma capacidade de investigação. Que pelo menos se dê justiça à essa tragédia e os senhores de Brasília fazerem esse tipo de notícia para a sociedade... isso é uma bofetada no rosto do povo brasileiro“, declarou.

Venezuela

Ciro também comentou sobre a situação na fronteira do Brasil com a Venezuela e defendeu que o país faça tudo o que estiver ao seu alcance para acolher os imigrantes.

“Nesse momento, nós temos que fazer tudo que esteja ao nosso alcance", disse ele, defendendo o amparo aos imigrantes.

Ciro visitou também um laboratório de genômica do Instituto de Biologia da Unicamp. Ele criticou os cortes feitos pelo governo Temer na ciência e no desenvolvimento de pesquisas no país.

Na avaliação dele, o orçamento nacional destinado para a área de ciência e tecnologia é insuficiente para empreender e estimular o setor. 


Do Portal Vermelho

Brasil Com Temer, miséria cresceu 33% e antige 23 milhões de brasileiros

 

Desde o golpe, a política de desmonte do Estado empurrou 23,3 milhões de pessoas para viver abaixo da linha da pobreza. Os dados são da FGV Social, órgão de pesquisa ligado à FGV (Fundação Getúlio Vargas) e mostram que 11,2% da população brasileira voltou a viver com menos de R$ 203 por mês.

Rafaela Felicciano/Metrópoles


Esse número representa mais do que a população do Chile , representando uma elevação do número de miseráveis de 33% nos últimos 4 anos. Foram 6,3 milhões de novos pobres, segundo pesquisa.

A campanha do golpe em 2015, insuflada pela mídia conservadora, era de que afastar Dilma Rousseff colocaria o Brasil de volta nos trilhos. Passados três anos, o país retrocedeu em diversas áreas e o governo ilegítimo trouxe de volta ao país uma política que privilegia o mercado financeiro em detrimento da geração de emprego e de renda.

Nos governos Lula e Dilma e mobilidade social era ascendente. Entre 2002 e 2015, o rendimento cresceu para todos as classes sociais: a renda dos 20% mais ricos aumentou 23% nesse período, enquanto a dos 20% mais pobres superou os 80% de incremento. 

Agora, no governo do golpe a população viu a sua renda cair. Entre 2016 e 2017, um milhão e quinhentas mil pessoas voltaram à camada mais pobre da população. Em 2017, a classe E aumentou 9%, ou seja, 1,5 milhão de pessoas deixaram classes sociais superiores e retornaram à base da pirâmide. Também entre os mais ricos houve retrocessos. Oitocentos mil pessoas saíram das classes A e B. A retração foi de 2,7% e 0,7% nessas classes, respectivamente.

Os dados são parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE. 


Do Portal Vermelho, com informações 

Brasil DataPoder360: Haddad "apoiado por Lula" tem 34% da intenções

Ricardo Stuckert

Em levantamento divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Instituto DataPoder360, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança da intenções de voto com 30%, sendo que o segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), tem 11 pontos percentuais a menos, registrando 21%..

Em seguida estão Ciro, Alckmin e Marina que pontuam 7%, 7% e 6%, respectivamente – e estão empatados na margem de erro do levantamento. Alvaro está com 3%.

O candidato do governo Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), e Cabo Daciolo (Patriota) estão empatados: cada 2% das intenções de voto. Na pesquisa, os demais candidatos registram 1%,.

No cenário sem Lula e com Fernando Haddad, atual vice e porta-voz, como candidato, o cenário continua favorável ao ex-presidente. Segundo a pesquisa, 34% dos eleitores votariam em Haddad para presidente da República quando ele é apresentado como “apoiado por Lula”.

Isso representa que mais de 1/3 do eleitorado está disposto a votar no nome apontado por Lula se o ex-presidente ter o seu direito de se candidatar barrado pelo Judiciário. 


Ainda de acordo com o instituto, foi perguntando ao eleitor se elem “votaria com certeza”, “poderia votar” ou “não votaria de jeito nenhum”. No caso de Haddad, a soma do “voto com certeza” e “poderia votar” é que resulta em 34%.

"A taxa de “voto com certeza” em Haddad é de 8% e esse é o voto mais consolidado do petista. Nessa categoria de voto ele está empatado na margem de erro com todos os demais principais candidatos a presidente neste momento, véspera do início da propaganda eleitoral na TV e no rádio. O PT e o PSDB terão os maiores tempos disponíveis para fazer esses comerciais por 35 dias", enfatiza o Poder 360.

Feita por telefone, o DataPoder 360 realizou 5.500 entrevistas de 24 a 27 de agosto. Foram atingidas 329 cidades em todas as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Dado o número de entrevistas e a metodologia aplicada, a estratificação por regiões do país tem grande precisão. O registro do estudo no TSE é BR-04538/2018. 

Do Portal Vermelho