ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65
CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 15 de julho de 2018

Candidatos mais ricos saem na frente nas eleições de 2018

 

 

Sem um teto nominal (apenas proporcional) que limite as doações de pessoas físicas a partidos e candidatos, os mais ricos continuarão a ter chances maiores de elegerem seus candidatos nas eleições de outubro, mesmo com a proibição do financiamento empresarial das campanhas.

Com isso, as distorções na representação, em especial no Poder Legislativo, devem permanecer. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) estima que quase não haverá mudança na composição do Congresso, e o índice de reeleição pode chegar a até 90%. 

De acordo com a minirreforma eleitoral aprovada em 2017, que define as regras para o próximo pleito, as doações por pessoas física são limitadas a 10% do rendimento bruto declarado do doador no ano anterior ao da eleição.

Segundo a Receita Federal, dos mais de 28 milhões de declarantes em 2017, os 0,09% que estão no topo da pirâmide – aqueles que ganham mais de 320 salários mínimos –, poderão doar em torno de R$ 760 mil ao seu candidato ou partido político. Enquanto isso, aqueles que ganham até dois salários mínimos, os 11,6% dos declarantes na base da pirâmide, poderão doar cada um R$ 854,00, em média.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "o candidato poderá usar recursos próprios em sua campanha até o limite de gastos estabelecido para o cargo ao qual concorre”, podendo doar além dos limites de renda impostos ao eleitor. Essa regra favorece candidatos com alto poder econômico, como o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o ex-prefeito de São Paulo João Doria, garantindo a sobrerrepresentação dos mais ricos. 

"Já era previsível que uma reforma no sistema eleitoral feita pelo próprio Congresso não mudaria em quase nada a estrutura hoje imposta", avalia o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto. Segundo ele, é necessária a realização de uma reforma política feita com participação popular, por meio de uma Constituinte exclusiva.

De acordo com o Diap, terão mais chances de serem eleitos aqueles que já gozam de mandato parlamentar. "Além de terem acesso ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, definido na reforma eleitoral, eles também têm acesso à renda parlamentar, uma estrutura de gabinete consolidada e uma série de recursos que facilitam a divulgação do seu trabalho”, afirma Neuriberg Dias, analista político da entidade.

Além dos detentores de mandato, terão mais chances de serem eleitos aqueles que dispõem de recursos próprios ou são vinculados a um determinado setor social e econômico. Por último, estão as pessoas desconhecidas, com poucos recursos e sem espaços no partido, aponta o analista.

Segundo o técnico do Dieese e doutor em Ciência Política pela USP Alexandre Sampaio Ferrazo, uma amostra de apenas mil pessoas das mais de 25 mil que declararam ganhar acima de 320 salários mínimos totalizaria um montante de doações aos seus candidatos que alcançaria, por exemplo, o total estimado de R$ 211 milhões que o PT deve receber pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha. 

"Temos ainda que levar em consideração que é muito difícil que uma pessoa que ganhe até dois salários mínimos tenha condições de doar qualquer quantia à campanha eleitoral de um candidato, levando em consideração a elevação de preços de produtos básicos como o gás de cozinha nos últimos dois anos. Sem falar na instabilidade empregatícia, agravada pela reforma trabalhista", complementa Ferrazo.

 Fonte: RBA

Manuela à UJS: Ocupar a política, para transformar a política

Foto @kboughoff / UJS

Do alto de uma cadeira, bem no meio dos milhares de militantes que acompanham o 19º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), a pré-candidata à Presidência da República, Manuela d’Ávila, destacou a importância da entidade na sua trajetória. Vestindo a camiseta que é marca de sua pré-campanha - em que se lê “lute como uma garota” -, ela exaltou a rebeldia da juventude como motor de transformação e defendeu que os jovens ocupem espaços de poder para mudar a política.

A pré-candidata participou, na noite deste sábado (14), de um ato político durante o Congresso da UJS, que acontece no Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Na hora de seu discurso, Manuela desceu do palco e caminhou até o centro do ginásio onde ocorreu a atividade. 

Ela começou sua fala contando que recebeu uma crítica, pelo fato de sua camiseta não dizer “lute como uma mulher.” Segundo a deputada estadual, contudo, o seu maior esforço é para “seguir lutando como a garota que nós fomos um dia”. “Nesse 2018 compeltam-se 20 anos do dia em que eu estava em sala de aula e uma outra menina, a Lúcia, se aproximou com um xerox de uma ficha de filiação à UJS e eu fiz uma opção, como uma garota, de lutar por coisas que são as mais importantes”, disse. 

E apontou que a entidade foi a escola onde aprendeu sobre o socialismo e o Brasil. “A UJS me ensinou que lutamos como garotas socialistas quando não nos conformamos com a ideia de que existe um homem ou uma mulher melhor que outro homem ou outra mulher. Ou com a ideia de que existe um jovem que pode viver e outro que não. Foi a UJS que me ensinou que lutamos porque não nos conformamos com o fato de que há crianças como a minha filha e há outras que não têm acesso a nada. Foi a UJS que me ensinou que lutamos como uma garota quando nos apaixonamos por esse país”, afirmou.

Para ela, a frase de sua camiseta vai além da ideia de que ela luta desde o lugar de fala de uma mulher. “Estamos dizendo que trazemos algo que, muitas vezes, é visto como defeito, mas é a maior qualidade da juventude, que é a rebeldia, a inconformidade, a convicção de que a realidade pode e deve ser transformada. Isso é lutar como uma garota”.

A pré-candidata ressaltou que cada militante tem um papel a cumprir, mas que a luta coletiva é ainda mais importante. “Nós, juntos, quando ocupamos a politica, podemos transformar a política. Se a gente junta as garotas e garotos que somos, com a inconformidade com os problemas e a certeza de que podemos mudar os rumos do país, podemos construir um socialismo brasileiro, com a cara desse povo, podemos transformar. Ser militante da UJS é dizer que acreditamos na juventude, na união e no socialismo”. 

Manuela rebateu ainda a ideia de que jovens não gostam de política. “A gente não gosta de qual política? A política feita pela própria elite, em que todo mundo que ocupa a política é homem, branco e tem entre 50 e 60 anos? A gente não gosta dessa política mesmo. Mas a gente não gosta dessa e abandona toda a política? Ou a gente não gosta dessa e ocupa para transformar? A gente decidiu ocupar para transformar”, colocou.

Na sua avaliação, não há contradição entre a luta institucional e a luta dos movimentos sociais. “Para a gente, mandato é instrumento da luta de transformação, que a gente da UJS aprende na rua. A gente é UJS em qualquer espaço. Não interessa se é na UNE, na Presidência ou no movimento negro, LGBT. A UJS nos diz que é urgente amar o Brasil, é urgente construir o socialismoa para que a gente tenha dias de justiça social”, declarou.

Manuela citou um trecho da música “Bola de meia, bola de gude”, de Milton Nascimento, para falar do papel que cumpre a juventude. “Vocês nos dão a mão nos mais difíceis momentos. A gente foi lá, lutou contra neoliberalismo, denunciou privatização, veio Lula, Dilma, Reuni, Prouni, cotas, ‘Minha casa, minha vida’, soberania nacional, brasilidade, autoestima. Aí depois golpe, misoginia, ódio, ódio de classe, crescimento do fascismo. Aí a gente olha pra vocês e vocês nos dão as mãos e nos lembram das coisas belas”, disse. 

No fim, ela fez um agradecimento à UJS, afirmando que foi seu tempo como militante na entidade que lhe permitiu hoje ser pré-candidata à Presidência. “Vocês permitiram que eu me encontrasse com o povo brasileiro, com a luta pelo mais belo, pelo mais justo e o melhor do mundo, com os heróis do nosso povo, permitiram que eu tivesse força para lutar contra o liberalismo, para ver muito sonhos serem realizados, e que eu tivesse a certeza de que é possível construir um país mais justo”, concluiu.

Durante o ato, que foi acompanhado por delegados de todo o país e também por convidados de outros países, como Síria, Chile, Portugal e Argentina, o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, falou ainda sobre a crise do capitaismo e o momento de regressão, concentração de renda e elevação da pobreza pelo qual passa o mundo. E destacou que há alternativa ao regime do capital. 

Ao encerrar sua fala, Sorrentino celebrou o que, para ele, é o maior sentido de ser vanguarda nos dias de hoje, que é à capacidade de renovar as gerações de lutadores e dirigentes do povo brasileiro. 
Luíza Bezerra, secretária da Juventude da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou a difícil situação do jovem no mercado de trabalho brasileiro. “A juventude ao lado da classe trabalhadora vai conseguir superar esse momento, e isso só se faz através da política”, apontou. 

Já o presdiente da CTB, Adilson Araújo, citou a necessidade de a esquerda lutar por uma convergência programática e promover mobilizações. “É fundamental enxergar que ocupar o poder pressupõe ocupar as ruas, quebrar o estigma da criminalização da política, disputar o voto de um povo que está descrente. Precisamos apresentar uma persepctiva. A Manuela é a voz da alternativa, do socialismo”, defendeu. 

O diretor do IFSP, Luís Cláusio de Matos também mencionou a importância de lutar contra a campanha de descrédito da política. “A gente sabe que está em curso um golpe no país. E o golpe não e só tirar a presidenta e vender nossas estatais. Querem que a gente acredite que todo político é corrupto, que a política não presta e que devemos ignorar isso. Fico feliz de ver a juventude unida, porque o que querem é que a gente fique descrente e abandone nossos ideias. E aí eles vão poder fazer o que quiserem. Por isso, não desistam nunca”, pediu.

O presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, Pedro Górki, falou sobre a resistência da juventude. Segundo ele, os jovens não aceitam mais a miséria, a fome, a exclusão, a educação sucateada e o desemprego. “Se forem fechar e sucater as escolas, nós vamos ocupar. No momento em que vendem nosso patrimônio, nossa resposta é ocupar todos os espaços de poder. Essa juventude não aceita um país que não seja para todos”, afirmou. 

Marianna Dias, presidenta da UNE, destacou a destruição que o atual governo promove no país e também mencionou a unidade das esquerdas. “Quando dizemos que queremos ocupar o poder, é para que essa destruição não continue. Eles precisam saber que daqui vai sair resistência, daqui vão sair jovens preparados. Quando a gente vê Manuela, a gente se inspira. Uma mulher que se dedica à luta política e que não tem vergonha de dizer que não será impeditivo para a esquerda se unir. E a esquerda precisa se unir porque depende dela um projeto de país mais justo”. 

A presidenta da UJS, Carina Vitral, falou que o golpe coloca a conta da crise nas costas dos trabalhjadores, das mulheres e dos jovens. “A situação não está fácil, a gente se envergonha vendo o Congresso comprometido com interesses econômico,s ao invés de com os interesses do povo. A solução é ocupar. Vamos tomar os espaços de poder, pegar a caneta na mão, e tomar os rumos do nosso país. Vamos ocupar a opolítica, porque a política é a única esperança. A nossa geração, que luta e ocupa, precisa chegar lá para fazer diferente”, concluiu.

Veja a íntegra do ato politico
Fonte: VERMELHO

sábado, 14 de julho de 2018

Manuela defende reforma tributária que desonere consumo e produção

Manuela ao lado do presidente da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso
Manuela ao lado do presidente da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso
A pré-candidata do PCdoB à Presidência, Manuela D’Ávila, participou de sabatina na Abimaq (Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos), em São Paulo, nesta sexta-feira (13). Ela recebeu da entidade um documento com as propostas do setor com um conjunto de medidas que consideram importantes para o desenvolvimento da indústria no país.

Por Dayane Santos

Ao receber o documento, Manuela enfatizou que há muito pontos em comum com as propostas de desenvolvimento que ela tem apresentado como pré-candidata ao Planalto. “Temos divergências factuais, mas os posicionamentos da entidade foram muito próximos aos nossos como no caso das alterações drásticas que foram feitas de anti-desenvolvimento no último período. Precisamos no próximo ciclo do Brasil olhar para as convergências”, frisou Manuela.

Ela salientou que é preciso compreender que o desenvolvimento não virá sem a valorização do trabalho. “E a valorização do trabalho se da a partir da relação estabelecida entre o setor produtivo e os trabalhadores e trabalhadoras. Isso é o que nos faz valorizar a indústria”, destacou.

A pré-candidata do PCdoB voltou a criticar o “rentismo” e disse que seu projeto prioriza investimentos e apoio para “quem produz”. “Que país no mundo se desenvolve e distribui riquezas sem ter uma indústria forte? Que país no mundo se desenvolve e valoriza a sua indústria com taxas de juros gigantesca e um câmbio que valoriza as indústrias de outros países e não as nossas? Existe como pensar em enfrentar as altíssimas taxas de juros sem pensar no papel dos bancos públicos com taxas competitivas? Na nossa interpretação, não”, apontou.

O presidente da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso, disse que concorda com Manuela e afirmou que “o desmonte que está sendo feito no BNDES vai prejudicar a indústria e vai demorar muito tempo para recuperar o BNDES que o Brasil tanto precisa e que tanto ajudou no desenvolvimento do país”.

Ele também endossou o argumento de que a indústria precisa ser forte para garantir o desenvolvimento. “Não existe um país que tenha uma indústria desenvolvida sem uma indústria de bens e capital forte porque é ela que erradia tecnologia, não somente na indústria como na agricultura, serviços e comércio”, lembrou. 

Ele destacou que o Brasil chegou a ser o 6º maior produtor do mundo de bens de capital, mas atualmente está entre o 12º e 14º lugar. Apontando o devastador processo de desindustrialização, o Velloso disse que a indústria brasileira, que já foi 20% do PIB, hoje representa 11%. No entanto, a indústria carrega uma carga tributária de 28%. “Na indústria de bens de capital, 47% do que é produzido é de impostos, ou seja, somos um país desigual na hora de cobrar impostos e também na hora de distribuir”, declarou.

O representante da Abimaq disse que a entidade defende uma reforma tributária que seja mais justa, transparente e que desonere o investimento e as importações. Ele citou os dados para questionar Manuela sobre as suas propostas para a questão tributária.

Para Manuela, uma reforma tributária deve desonerar o consumo e a produção. “Existirá como executar o projeto de reforma da Segurança que eu tenho, por exemplo, sem o governo arrecadar mais? Como o governo arrecada mais sem pensar em aumento de tributação, e mesmo que pense, como no nosso caso, numa reforma tributária que desonere consumo e a produção e tribute renda, como fazem os países que conseguem se desenvolver?”, indagou.

“A tributação brasileira é desigual. Tributamos consumo e produção e não tributamos renda. E o foco deve ser o inverso. Hoje, o país não tributa as grandes fortunas e heranças. Não tributamos lucros e dividendos, mas tributamos quem está gerando emprego e quem ganha menos e os mais pobres que são tributados pelo consumo”, destacou.

Manuela reforçou que o desenvolvimento da indústria deve ser acompanhando de investimento nas universidades públicas. “Alguns dizem que a universidade pública custa caro. Mas o lugar que produz a ciência básica brasileira que ao fim terminará na indústria de máquinas é nessas universidades”, argumentou.

A pré-candidata disse ainda que a indústria tem papel fundamental na geração e distribuição de renda. “Como a gente pode ter um projeto de país que não perceba que a indústria é fundamental para a geração de empregos, pois é a que melhor remunera. E como sou comunista, eu quero distribuir riqueza. Mas eu quero gerá-la porque se a gente não gera não tem o que distribuir”, frisou.

Manuela voltou a dizer que defende a revogação da reforma trabalhista e reafirmou que uma reforma da Previdência deve ser feita somente após uma auditoria, apontando os devedores da seguridade social.

“Eu defendo que a gente debata Previdência e jornada junto. Acredito que o país está maduro para reduzir a jornada de trabalho para 40 horas. É como dizer que um trabalhador que recebe um salário mínimo vai trabalhar mais dois anos ao fim da sua vida, trabalhando menos ao fim do seu dia durante trinta anos? Para mim não é. São pactos gerenciais que o Brasil precisa fazer”, disse.

Manuela defendeu debater as questões macroeconômicas “sob a lógica dos interesses nacionais”. 

Do Portal Vermelho

Temer enfraquece Embraer e empregos no Brasil para beneficiar Boeing

 
“O efeito desencadeador de desmobilizar empregos no Brasil para mobilizar empregos em outro país terá severo impacto”, declarou Clemente Ganz, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Segundo ele, esse pode ser um dos resultados da confirmação feita pelo governo brasileiro da fusão entre a empresa brasileira de aviação Embraer e a americana Boeing. “Um crime”, definiu Clemente.

Por Railídia Carvalho

“A pergunta aqui é: essas empresas, ao desenvolverem suas atividades produtivas, o fazem a partir de onde? E, ao fazer, fazem com que mão-de-obra?”, questionou o diretor do Dieese. “Será um engenheiro brasileiro que vai produzir para a Embraer do futuro ou será um engenheiro da Boeing? Esses empregos todos vão ser gerados na matriz onde a empresa estiver. Quando comprar um equipamento não será um feito pela empresa brasileira, mas com uma empresa que tenha relações com a Boeing”, esclareceu Clemente.

A Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo e a única fabricante brasileira de aviões, aliás, concorrente da Boeing. Apesar da Embraer ter nascido estatal, ela foi privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, a União detêm uma ação de classe especial, chamada "golden share". Essa condição dá poder de veto em decisões estratégicas da Embraer. O governo Temer quer abrir mão dessa condição com justificativas (como geração de empregos e retomada da economia) que são contestadas por dirigentes sindicais.

“As consequências que vêm logo após a incorporação feita por uma empresa multinacional é precarização dos empregos, diminuição da massa salarial, perdas na economia nacional e regional e a completa falta de compromisso com o desenvolvimento do país e a produção de pesquisa e conhecimento”, enfatizou Marcelino da Rocha, presidente da Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas (Fitmetal) e integrante do Movimento Brasil Metalúrgico, que reúne representantes de todas as centrais sindicais do país.

"Façam o que eu digo não o que eu faço"

Na opinião do dirigente, a “doação” da Embraer aos americanos feita pelo governo de Michel Temer é parte da política do governo de Michel Temer para entregar às multinacionais empresas como Eletrobras, Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banco Central. “É tudo o que os governos de primeiro mundo pregam. Mas não praticam nos seus próprios países. França, Alemanha e Estados Unidos têm forte intervenção do Estado, mas propagandeiam para o resto do mundo que o livre mercado é uma necessidade”.

Marcelino lembrou que o Brasil Metalúrgico tem se posicionado em defesa de uma frente unificada em torno dos interesses nacionais, ameaçados desde o golpe de 2016 que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff. Ele recuperou o impacto negativo de empresas nacionais que foram repassadas às multinacionais como Companhia Siderúrgica Nacional (CSA) e Companhia Vale do Rio Doce. 

“Resultou em total esfacelamento da economia regional combinado com demissões, diminuição da distribuição de renda e consequentemente nenhuma preocupação com o meio ambiente como foi demonstrado recentemente no desastre na cidade de Mariana”, completou o metálurgico. 

Em 2015, houve o rompimento de uma barragem de rejeitos em Mariana resultando no maior desastre ambiental do país. A lama atingiu mais de 40 cidades, entre Minas Gerais e Espírito Santo, e matou 19 pessoas. A Vale é uma das empresas que responde pela tragédia.

Destruição da engenharia nacional

A notícia da fusão entre Embraer e Boeing tem causado inquietação nos trabalhadores da empresa brasileira em São José dos Campos. São 15 mil trabalhadores sem a garantia de que manterão seus empregos ou as condições de trabalho em que produzem. Diferente do discurso público do governo, a direção da empresa não deu nenhuma garantia aos representantes do sindicato dos trabalhadores da Embraer em S. José dos Campos, Botucatu e Araraquara. A reunião ocorreu nesta sexta-feira (13).

"Não deu detalhes do que pretende fazer, se vai ter PDV (programa de demissão voluntária) ou demissão em massa. Mas o que ele falou foi: 'não posso garantir isso", declarou à reportagem da Rede Brasil Atual o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Carlos, sobre o que teria dito o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.

Na opinião do presidente da Associação de Trabalhadores Lesionados do Vale do Paraíba(ATL-Vale), Luis Fabiano Costa, as demissões em massa podem se transformar em uma realidade. Em entrevista ao Portal Vermelho, ele denunciou que os trabalhadores da Embraer mesmo antes de se concretizar a fusão vêm sendo demitidos. “Vários trabalhadores lesionados, em função do trabalho repetitivo na fábrica, mesmo com a garantia do emprego, têm sido demitidos. E há boatos de que haverá programa de demissão voluntária”.

Greve?

O dirigente lembrou que a ameaça se dá em torno da quantidade e também da qualidade dos empregos. “Aqui está a nata da engenharia da Embraer. Aqui é um pólo aeronáutico, a engenharia sai toda daqui. Instituições importantes para o país estão instaladas aqui como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse pessoal que é formado no Inpe é absorvido pela Embraer. A empresa oferece serviço de qualidade e boa remuneração e de repente esse setor de engenharia pode ser transferido para outro país e vai deixar de ter compromisso com o Brasil”, argumentou Luis Fabiano.

De acordo com ele, é necessário intensificar a mobilização dos trabalhadores da empresa para evitar que a fusão se concretize. A greve dos trabalhadores não foi descartada. “Se não houver participação efetiva do trabalhador nesse debate a empresa corre o risco de ser vendida e as demissões se concretizarem”, defendeu. 

Clemente resumiu com ironia o cenário nacional: “Talvez o governo brasileiro devesse propor a mudança da sede do governo de Brasília para outras cidades como Londres, Frankfurt. Seria mais coerente o governo brasileiro governar desses lugares já que está transferindo tudo o que é nacional para outros países. Abrir mão da Embraer é abrir mão do setor mais dinâmico da indústria de ponta no mundo. O Brasil quer entregar mais um setor estratégico com presença forte no mundo. Destruímos a Petrobras, destruímos as empreiteiras, destruímos o setor agropecuário e estamos destruindo a engenharia nacional”.

Do Portal Vermelho

BATIDO O MARTELO! PT E PCDOB JUNTOS! FÁTIMA BEZERRA E ANTENOR ROBERTO! RUMO Á VITÓRIA! PRÉ CANDIDATURAS SERÃO HOMOLOGADAS PRÓXIMO DIA 04 DE AGOSTO!

FÁTIMA BEZERRA E ANTENOR ROBERTO
Fico feliz com a notícia de que o amigo camarada, presidente do PCdoB/RN, Antenor Roberto provavelmente é o pré candidato a vice na chapa de Fátima Bezerra para o governo do Rio Grande do Norte!

Dia 04 de agosto será realizada a convenção para homologar as candidaturas.
Informações que me chegam é que teremos as presenças da senadora Gleisi Hoffamann, presidente nacional do PT e da pré candidata a presidência da república, MANUELA D'VILA, estarão prestigiando  o evento.

Lembrando que a Manuel D'vila estará vindo a Natal dia 26 deste mês como pré candidata a presidência da república.

Informações prestadas pelo nosso amigo, MOACIR SOARES

sábado, 7 de julho de 2018

Com cortes em programas sociais, Brasil pode voltar ao Mapa da Fome

 

Foto: Cáritas

Para a nutricionista Patrícia Jaime, a saída do Brasil do Mapa da Fome estava ligada ao processo ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e à redução da mortalidade infantil. Mas agora especialistas apontam que cortes nos programas sociais, a adoção de políticas neoliberais, o desemprego e a precarização do trabalho podem fazer com que o Brasil volte ao Mapa.


De acordo com o pesquisador Francisco Menezes, integrante da ActionAid e do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o relatório deve indicar o agravamento do que as entidades já haviam constatado em 2017: de que haviam indícios que o país pode voltar ao Mapa da Fome da ONU.

O país saiu da lista da fome em 2014, quando foram divulgados os índices mais recentes da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), pesquisa realizada a cada cinco anos. Os dados mostravam que, em 2013, cerca de 3,2% da população, aproximadamente 3 milhões de domicílios, viviam em situação de insegurança alimentar grave – índice mais baixo que o Brasil o país atingiu. 

A queda representou 28,8% em relação a 2009, quando 5% da população brasileira viviam em situação de intensa privação de alimentos. 

Embora a previsão de divulgação da próxima pesquisa seja em dezembro deste ano, Menezes afirma que já há indícios de que a situação se agravou e que o país se distancia das metas assumidas internacionalmente. 

Desemprego 

O pesquisador pontua que cortes nos programas sociais, a adoção de políticas neoliberais e, sobretudo, o desemprego e a precarização do trabalho levaram a este cenário.

Nos últimos três anos, a tendência de queda da pobreza no país se reverteu. Em 2017, o número de pessoas que estavam em extrema pobreza chegou aos mesmos parâmetros de 2005.

“É uma velocidade muito rápida desse empobrecimento ao extremo. E, nestes mesmos três anos, voltamos a oito anos atrás no número de pessoas abaixo da linha da pobreza”, afirma.

As organizações se baseiam nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fazer o alerta.

“Quando aplicamos um critério de verificar as pessoas que estão em situação de pobreza e as pessoas que estão em situação de extrema pobreza, nós vemos que os índices de desemprego gerais do país, que já são muitos elevados, se multiplicam para a população mais pobre”, explica o pesquisador.

“Há uma grande correlação entre a extrema pobreza e a situação de fome. Ou seja, aqueles que estão em extrema pobreza estão, geralmente, vivendo a situação de fome. Então, quando se tem um quadro em que voltou 12 anos atrás, considerando os dados de 2017 sobre a extrema pobreza, tudo leva a crer que um contingente grande de pessoas voltou a essa situação de insegurança alimentar grave porque não tem condição de garantir a alimentação.”

Mapa

A nutricionista Patrícia Jaime, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), analisa que a saída do Brasil do Mapa da Fome também está relacionada ao processo de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e à redução da mortalidade infantil. 

Mas, após 13 anos de queda consecutiva, a taxa de mortes de crianças antes de completar um ano de vida cresceu 11% entre 2016 e 2017. Já o percentual de crianças menores de cinco anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1% no período. Segundo ela, este é um alerta vermelho.

“Quando a gente falava da agenda do Objetivo do Milênio, a gente estava ainda falando em mortalidade, fome e parecia que a gente iria qualificar essa agenda em uma perspectiva mais qualitativa, da qualidade do alimento, do alimento seguro, saudável, sustentável, com fomento à agricultura familiar de base agroecológica. Ou seja, uma agenda mais avançada. E a inflexão dos programas colocam em risco questões estruturais básicas de acesso e disponibilidade de alimentos e renda”, pondera Patrícia.


Do Portal Vermelho, com Brasil de Fato

Ao assinar MP que privatiza saneamento, Temer diz que não quer aplauso

 

Na agenda de desmonte do Estado, até mesmo o saneamento básico será privatizado no governo de Michel Temer, que assinou em cerimônia no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (6), medida provisória que altera o marco regulatório do saneamento.


No discurso, Temer disse que o governo não adota “soluções paliativas” e que nunca quis “aplausos fáceis”, que geram “desprezo depois de amanhã”. Para um governo que tem reprovação recorde, que chega a apontar 82% em algumas pesquisas, os aplausos não serão fáceis mesmo.

Segundo Temer, a medida pode ser considerada mais uma “reforma”. Até agora, as reformas do governo só promoveram retrocessos, como a reforma trabalhista.

“Nós não queremos, nunca quisemos soluções paliativas que, na verdade, geram aplausos fáceis. Você pratica um ato paliativo hoje, ganha o aplauso amanhã e o desprezo depois de amanhã. Nosso governo não age dessa maneira”, afirmou o ilegítimo, que tem apenas 4% de aprovação, segundo pesquisa Ibope divulgada em junho.

A medida provisória sobre o saneamento estava na pauta do governo desde novembro do ano passado. Segundo a Federação Nacional dos Urbanitários, a medida representa um retrocesso à universalização dos serviços de água e tratamento de esgotos, e promete mobilizar para impedir a aprovação no Congresso Nacional.

“Vamos alertar a população e convidá-la a fazer pressão junto aos parlamentares para impedir a aprovação no Congresso dessa medida que vai contra a universalização dos serviços de água e tratamento de esgotos para todos os brasileiros. O mercado só quer os municípios que dão lucro, que podem pagar por seus serviços caros e de qualidade duvidosa”, afirmou o presidente da federação, Pedro Blois.

Segundo a professor Abelardo Oliveira Filho, “a medida traz riscos muito grandes para o setor de saneamento básico, principalmente às populações de baixa renda dos pequenos municípios, às áreas rurais e à periferia das grandes cidades”.


Do Portal Vermelho, com informações de agências