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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Oposição altera MP do Trilhão e texto volta à Câmara

Com protestos da oposição, MP é aprovada com alterações e volta à Câmara
Foto Agência Senado
Apesar da aprovação, o governo sofreu um baque, pois o texto foi alterado pelos parlamentares, obrigando que o projeto retorne à Câmara dos Deputados para reavaliação. A alteração ameaça a matéria, cuja validade - por se tratar de medida provisória - expira na próxima sexta-feira (15).

A sessão foi uma verdadeira batalha. Os senadores da oposição não deram trégua ao governo e quatro questões de ordem foram apresentadas contra a matéria. Os senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), foram os que se pronunciaram contra a medida, denunciado a entrega o patrimônio e das riquezas nacionais, como o pré-sal, às multinacionais estrangerias em detrimento do chamado conteúdo nacional.

"O valor, o montante da renúncia fiscal e do perdão de dívidas contemplados nessa medida provisória – e ela não só prevê renúncia fiscal daqui para frente, ela perdoa dívidas – significa duas reformas da Previdência", denunciou a senadora Vanessa. "E não há exagero nisso, não há inverdade nessa observação. O que existe é manipulação de dados por parte do governo federal para tentar esconder a verdade", rechaçou.

A senadora Vanessa lembrou ainda que o governo não conquistou o amplo apoio dos parlamentares à proposta e destacou que na fase de discussão da MP, apenas o senador Fernando Bezerra Coelho (ex-PSB e agora no PMDB-PE) se pronunciou em defesa da matéria, quando o regimento permite cinco discursos contra e cinco a favor o conteúdo da proposição em debate.

"Essa é uma sinalização de que o Plenário do Senado Federal ou não domina inteiramente a medida provisória, ou é contrário a ela", afirmou Vanessa.

A senadora destacou que a MP do Trilhão apenas concede benefícios tributários aos carteis de petróleo. "Enquanto a economia que querem fazer com a reforma da Previdência atinge o montante de R$ 436 bilhões em 20 anos, o impacto fiscal desta medida provisória é de R$ 1 trilhão em 25 anos. Assim, tiram do mais pobre, daquele que ganha um salário mínimo e que trabalha a vida inteira sonhando com uma aposentadoria de um salário mínimo, para dar para quem? Para as grandes petroleiras internacionais", condenou Vanessa.

A medida de Temer literalmente entrega a exploração de petróleo às empresas estrangeiras, que terão mais atuação nos campos de petróleo brasileiros do que a própria Petrobras, maior petroleira do mundo entre as empresas de capital aberta.

LDO

Nas questões de ordem apresentadas durante a sessão, os senadores da oposição apontaram que o texto previa a suspensão do pagamento dos tributos até 2040, o que viola a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que diz que as medidas provisórias que resultem em renúncia em razão de incentivo fiscal deverão conter cláusula de vigência de, no máximo, cinco anos.

“A LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] diz o seguinte: você só pode conceder renúncia por, no máximo, cinco anos. Isso está expresso na LDO. O texto da medida provisória veio correto, com cinco anos, só que foi ampliado pelo relator até 2040. Não sustenta! A LDO é clara! Por isso, requeiro o arquivamento da Medida Provisória 795″, observou Lindbergh, referindo-se ao deputado Júlio Lopes (PP-RJ), que inseriu no texto original da MP a prorrogação de benefício fiscal até 2040.

Até o líder de governo, Romero Jucá (PMDB-RR), reconheceu a irregularidade e apresentou uma emenda para limitar a cinco anos os incentivos. Eunício aproveitou para reclamar do fato de o Senado ter que analisar e votar medidas provisórias encaminhadas pelo governo às pressas devido a um curto prazo até o vencimento.

"A Câmara que se responsabilize pelo que incluiu no texto. E, se quiser incluir indevidamente, ferindo a LDO, não é problema do Senado nem dos senadores. A responsabilidade ficará com quem incluiu e com quem aprovou [...] Deixo público aqui que discordo desse procedimento de chegar MP aqui de última hora. No ano que vem, não terei tolerância", retrucou Eunício, lavando as mãos.

Tramitação

Com a alteração e o retorno da MP à Câmara, líderes da base aliada tiveram que mexer no cronograma de votações do plenário nesta semana, que já estava apertado por conta da tentativa de votar a reforma da Previdência. Os governistas vão tentar analisar o texto nesta quarta-feira (13), a dois dias do fim do prazo de validade. 

Os senadores da oposição acreditam que há possibilidade de derrubar o projeto, uma vez que o prazo expira na sexta-feira (15). “A luta continua, essa não é uma questão nem partidária, é uma questão nacional”, afirmou o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

“Eu espero que a Câmara consiga de fato barrar essa medida lá, ou então que não dê tempo, para que assim a gente consiga frear esse ímpeto de entregar as riquezas nacionais”, comentou Gleisi.

Do Portal Vermelho, com informações de agências

CTB comemora 10 anos protestando contra reforma da Previdência

Protesto da CTB em Congonhas nesta terça-feira (12). Crédito da foto: Joanne Mota
Protesto da CTB em Congonhas nesta terça-feira (12). Crédito da foto: Joanne Mota


O presidente da CTB, Adilson Araújo, reiterou a decisão das centrais sindicais brasileiras de que se a reforma entrar em pauta as entidades realizarão uma paralisação no país. “Este governo que está aí não tem interesse em retomar o crescimento ou potencializar ações que visem a geração de emprego e renda”, declarou em vídeo divulgada nas redes sociais da CTB.

Na opinião do dirigente, o Brasil está sendo entregue ao interesse do rentismo. “Não é à toa que querem acabar com a Previdência Pública. O interesse do desmonte da Previdência Social, que vai sofrer revés com a reforma trabalhista, é no fundo o interesse dos banqueiros em privatizar a previdência pública”, denunciou Adilson. Ao contrário do que diz a propaganda de Temer que fala em acabar com os privilégios, a reforma vai prejudicar as pessoas mais pobres que precisam da Previdência, alertou o sindicalista. 

“Se acabar com a Previdência, a Seguridade Social, com a saúde quem vai sofrer é o povo mais pobre. A classe trabalhadora precisa reagir. É preciso enfurecer a classe trabalhadora para ela poder agir de forma radical em uma radicalidade que contribua para melhorar as condições de vida e as condições de trabalho. O movimento sindical tem credibilidade e autoridade moral e política para construir um Brasil soberano, livre e democrático”, enfatizou o presidente da CTB.

10 anos em defesa do trabalhador brasileiro

Em dez anos de atuação a CTB representa mais de 8 milhões de trabalhadores atingindo um índice de representatividade de 10,8% entre os trabalhadores do país. São mais de mil sindicatos filiados e presença em todo o país. 




Do Portal Vermelho com informações da CTB

Adilson Araújo: CTB, 10 anos de uma central classista e de luta

 
 


Quando avaliamos essa década de luta o extrato que tiramos é extremamente positivo. A CTB tem impresso em seu DNA a compreensão de que o movimento sindical é dinâmico e por isso precisa de soluções dinâmicas, que tenham como fonte o conjunto amplo das forças: trabalhadores e das trabalhadoras urbanos, rurais, marítimos, do setor metal/mecânico, entre outras tantas categorias. E a unidade é uma marca de sua atuação tanto na base como nas lutas mais amplas.

E isso deixa claro a disposição da nossa Central de fortalecer cada vez mais a unidade e os laços de solidariedade entre a classe trabalhadora, e evidentemente isso traz uma nova perspectiva, porque atravessamos uma etapa, na qual nos consolidamos como uma das centrais sindicais que mais cresce no país.

Hoje, a CTB contabiliza mais de 1200 sindicatos filiados (sendo que desses mais de 700 já estão reconhecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego) e representando cerca de 10 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Alcançamos o sonho da sede própria e da criação da nossa Escola Nacional. E no âmbito dos estados, graças a iniciativas como o Projeto Coral, ampliamos e reforçamos a presença da Central em todas as regiões do Brasil, aqui também destaco a criação do Passi (Posto Avançado de Ação Sindical, Social e Institucional), em Brasília, o que não só nos estruturou como também reforçou nossa atuação nas lutas dentro do Congresso Nacional.

A CTB avançou e isso aconteceu nas diferentes frentes. Na Formação a CTB deu mais um passo fundamental com a criação da Escola Nacional. Inaugurada no dia 12 de Julho deste 2017, com a presença de mais de 150 lideranças sindicais, a Escola ministrou curso para quatro turmas, nas quais a Escola abordou temas como a História do Movimento Sindical, Reforma Trabalhista, Direito do Trabalho, Organização da Classe Trabalhadora, Mercado de Trabalho no mundo Capitalista, Sustentabilidade do Movimento Sindical, entre outros.

Ainda no campo da formação e com o objetivo de localizar a luta da classe trabalhadora, a CTB também realizou diversos seminários jurídicos, os quais reuniu diversos juristas e magistrados para debater temas como Direito do Trabalho, Seguridade Social, Trabalho Decente, entre outros temas. Como desdobramento desses seminários, a CTB criou este ano o Grupo de Trabalho Jurídico (GT) com o objetivo de reforçar a luta jurídica em defesa dos direitos sociais e trabalhistas.

A frente internacional também é um braço estratégico da CTB ao longo desde 10 anos. Desde a sua fundação, nossa Central mirou como horizonte reforçar sua posição institucional na luta internacionalista. Para isso, desenvolveu um projeto que tem por centro um sindicalismo de classe anti-imperialista, de unidade de ação em nível internacional. Como resultado desse projeto, ampliamos, por exemplo, nosso protagonismo nas articulações institucionais na Federação Sindical Mundial (FSM), que no seu 17º congresso, realizado na África do Sul, em 2016, elegeu Divanilton Pereira, secretário e Relações Internacionais, para o secretariado executivo da entidade.

Outro setor fundamental para a CTB Central é o da Comunicação, que ganhou ampla atenção por sua natureza estratégica. Ao longo destes 10 anos, em especial nos últimos 4 anos, reforçamos os investimentos na área estrutural, com a ampliação e formação do quadro de profissionais e a modernização dos equipamentos, o que garantiu a criação do Jornal Olho Crítico, impresso quinzenalmente, com tiragem de 200 mil; modernização do nosso Portal na internet e ampliação de nossa presença nas redes sociais; a criação das revistas Rebele-se e Mulher de Classe, sem falar no fortalecimento da nossa revista Visão Classista. Isso sem falar nas publicações especiais, como cartilhas e notas técnicas.

O balanço acima sinaliza a dimensão da luta incansável que cada dirigente empenhou, nos últimos 10 anos, para consolidar política e institucionalmente, no debate e nos espaços de decisão, a presença da CTB em todo o país.

A resistência em defesa de tudo que conquistamos até aqui deve ser o fio condutor de nossas lutas. Não podemos vacilar, a unidade e fortalecimento do movimento sindical é fundamental para resistir ao retrocesso contra o maior golpe que o capital quer impor à classe trabalhadora brasileira.

Fortalecer o movimento sindical é, portanto, um pressuposto para a boa condução da luta dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil. 

É com essa inspiração que a CTB comemora seus 10 anos e reafirma seu compromisso de seguir firme na luta e na resistência na defesa de bandeiras históricas como os direitos sociais, a democracia, a soberania e a valorização do trabalho, fundamentais para a edificação de uma sociedade menos desigual e mais inclusiva.

*Adilson Araújo é presidente Nacional da CTB 



Do Portal CTB

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Transportes: Se votar reforma da Previdência, SP para dia 19

Roberto Parizotti/ CUT
Se votar, São Paulo vai parar: Plenária dos transportes em São Paulo aprova paralisação dia 19 
Se votar, São Paulo vai parar: Plenária dos transportes em São Paulo aprova paralisação dia 19 


"Se colocar para votar esse massacre à classe trabalhadora, São Paulo vai parar. Precisamos ter unidade na luta", afirmou o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano da capital paulista (filiado à UGT), Valdevan Noventa, anfitrião do encontro.

Participaram dirigentes de sindicatos de rodoviários do ABC, Guarulhos e Osasco, na região metropolitana, além de Santos, na Baixada, e Sorocaba, no interior do estado, entre outros. Também estavam presentes representantes do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que fará assembleia na próxima quinta (14), com indicativo de acompanhar a decisão tomada na plenária. Na mesma quinta, pela manhã, as centrais voltarão a se reunir, na sede da CUT.

"Eles querem desmontar o sistema", disse o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, reafirmando que o governo, ainda sem o número de votos necessário, pode pôr o tema em votação a qualquer momento, cabendo aos trabalhadores se mobilizar para evitar a "tragédia" representada pela proposta. "Nós vamos para a guerra no momento em que eles puserem para votar. Enquanto isso, temos de pressionar", acrescentou, considerando o setor de transportes estratégico – e que, por isso, precisa da solidariedade de todo o movimento sindical. Sindicatos desse segmento costumam ser punidos pela Justiça em momentos de greve.

O presidente da CTB, Adilson Araújo, lembrou que o governo "está fazendo de tudo" para votar no dia 19. "Eles têm de complementar o golpe do capital contra o trabalho. É exatamente o desmonte da Previdência que vai promover um profundo desequilíbrio social no país. Essa questão mobiliza a sociedade."

"Tem de parar antes de votar. É tudo ou nada", afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Osasco e Região, Antônio Alves Filho. "Pode ser o dia que for, Guarulhos e Arujá vão parar", reforçou o secretário-geral do sindicato da região, Wagner Menezes, o Marrom.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT e do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, Paulo João Eustasia, o Paulinho, disse que o governo e sua base estão decididos a votar e, assim, as centrais precisar estar com o discurso afinado. Ele foi um dos que defenderam a marcação de uma data de paralisação para já notificar as empresas e mandar "todo mundo em exercício de guerra".

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (Força Sindical), Valdir de Souza Pestana, lembrou que a entidade, com 78 filiados, vai se reunir amanhã, mas adiantou que na Baixada Santista haverá paralisação.

Também participaram da plenária dirigentes da UGT, Nova Central, CGTB e CSP-Conlutas. 



Rede Brasil Atual

Trabalhadores denunciam em atos ameaça à aposentadoria rural

Divulgação
Segundo a Contag, Protesto em Belo Horizonte reuniu cerca de 7 mil manifestantesSegundo a Contag, Protesto em Belo Horizonte reuniu cerca de 7 mil manifestantes


Para que um trabalhador rural se aposente nos dias de hoje com um salário mínimo ele precisa comprovar 15 anos de atividade rural e ter 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres). A história de trabalho desses homens e mulheres do campo começa na infância, aos sete anos de idade, em média, expostos ao sol, à chuva, à seca. Trabalho duro que é alimentado pela futura aposentadoria, que faz parte de um regime especial, que o permite permanecer no campo. 

A reforma da Previdência Social de Michel Temer ignora as condições de vida destes trabalhadores, afirmam sindicalistas. A Proposta de Emenda Constitucional 287/2016, de autoria do atual governo, passa a exigir a comprovação de 15 anos de contribuição do trabalhador rural, institui a contribuição individual mensal para a Previdência e aumenta a idade para a aposentadoria que passa a ser de 65 anos para homens e 62 para mulheres, idade mínima proposta por Temer para trabalhadores urbanos. 

Portal Vermelho conversou nesta tarde com a dirigente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Edijane Rodrigues, que estava no protesto no aeroporto de Brasília com cerca de 150 pessoas, entre trabalhadores do Distrito Federal e entorno e dirigentes da entidade. Desde às 15h, os manifestantes aguardavam a chegada de pelo menos 20 deputados. A ideia é pressionar pela rejeição da reforma da Previdência Social.

“Para nós a PEC 287 (Proposta de Emenda Constitucional) é muito clara. Exige a contribuição individual mensal e obrigatória para os trabalhadores rurais poderem se aposentar. Exige a comprovação de 15 anos de contribuição. Iguala a idade dos rurais com os urbanos e não leva em conta a expectativa de vida do trabalhador nas diversas regiões. A Emenda Aglutinativa foi feita para desmobilizar os trabalhadores. Estamos mostrando hoje (11) que não fomos desmobilizados e que a reforma continua impactando o trabalhador rural”, afirmou Edijane.

O jornalista e assessor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, não tem dúvidas que a reforma de Temer vai impedir a aposentadoria do trabalhador rural. “Ninguém consegue comprovar os 15 anos de contribuição, nem hoje. O trabalhador hoje se aposenta ao comprovar os 15 anos de atividade no campo. Se tiver que comprovar contribuição não vai receber o salário mínimo”, lembrou. Atualmente, o pequeno produtor contribui para a seguridade social com o desconto de 2,1% sobre o que produz. 

A pressão de Temer para levar a reforma ao plenário da Câmara dos Deputados gerou protestos em aeroportos em outras cidades como em Vitória (ES), também nesta terça, e na última sexta-feira (8) trabalhadores rurais ocuparam o aeroporto em Boa Vista (RR). Sete mil pessoas marcharam saíram às ruas de Belo Horizonte (MG) nesta terça assim como milhares protestaram em Teresina (PI). Atos também aconteceram no Pará e em Pernambuco

“Temos uma diversidade de manifestações contra a reforma. Para esclarecer a população realizamos audiências, que também estão acontecendo hoje (11) em várias cidades, em câmaras municipais, assembleias reunindo parlamentares e representantes do comércio. Em 71% dos municípios brasileiros a aposentadoria é maior do que a verba do Fundo de Participação dos Municípios”, explicou Edijane. 

Na opinião da dirigente, a mobilização dos trabalhadores rurais tem servido para desestabilizar a base do governo. Representantes da Contag tem feito visitas constantes ao Congresso Nacional. “A mobilização tem feito eles recuarem, mudaram as versões da proposta porque está havendo mobilização popular”, afirmou. 

Segundo Toninho, é importante a Contag mostrar que a reforma penaliza os trabalhadores rurais que recebem um salário mínimo, ou seja, a reforma não é para cortar privilégios, como diz a propaganda oficial. Ele disse também que Temer blefa ao dizer que tem 290 votos a favor da reforma.  “Está empurrando para os últimos dias para dizer que não dá esse ano mas que no ano que vem dá. É uma forma de continuar a perseguição ao trabalhador do serviço público”, declarou Toninho. 

Brasília (DF)



Belo Horizonte (MG


Vitória (ES)



Teresina (PI)



Bragança (PA)



Do Portal Vermelho

domingo, 10 de dezembro de 2017

Direitos Humanos: Declaração chega aos 70 anos com enorme desafio

Em 2017, o conservadorismo crescente faz um discurso sobre Direitos Humanos como sinônimo de apologia à delinquência
Em 2017, o conservadorismo crescente faz um discurso sobre Direitos Humanos como sinônimo de apologia à delinquência

“Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira resolveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de conquistas para todos os povos e todas as nações”, disse Audrey.

“Hoje, a Declaração Universal chega aos seus 70 anos de existência em um tempo de desafio crescente. O ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”, disse Audrey.

“Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e privados de condições básicas de subsistência e de oportunidades. Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás — e os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.”

Centro de ações

Em dezembro de 1948, a agência foi a primeira das Nações Unidas a colocar a Declaração Universal no centro de todas as suas ações e a promovê-la pelo mundo por meio da educação e da mídia.

“Hoje, e por todo o ano que se segue, a Unesco convoca todos a renovarem seu compromisso com os direitos humanos e com a dignidade que une a humanidade como uma única família, e a defender a Declaração dos Direitos Humanos em cada sociedade e em todas as instâncias.”

Drogas e crimes

Para o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, a Declaração Universal dos Direitos Humanos fez muito para moldar nosso mundo desde 10 de dezembro de 1948 por meio de sua visão de direitos humanos indivisíveis e fundamentais para todos.

“O UNODC dá boas vindas a essa celebração global, e por meio da convenção sobre drogas, crimes, corrupção e padrões internacionais sobre terrorismo, esforça-se para defender esses direitos em todas as situações”, disse.

“O tráfico de pessoas, apenas como um exemplo, é uma violenta violação dos direitos humanos. Nas últimas semanas, testemunhamos dramáticas evidências dessas violações na forma de mercados de escravos na Líbia”, declarou.

“Este é um exemplo perturbador do que pode acontecer na ausência de tais direitos essenciais. O UNODC, sob a Convenção contra o Crime Organizado Transnacional e seu protocolo contra o tráfico humano, ajuda a proteger as vítimas ao defender seus direitos reconhecidos internacionalmente”. 


Fonte: Portal da ONU

Júlio Miragaia: F5 na esquerda

Manuel D'Ávila em entrevista no Canal Livre da Band
Manuel D'Ávila em entrevista no Canal Livre da Band
Como em Macondo, parece também vivermos uma amnésia histórica sobre o papel da esquerda no processo político no Brasil. A onda conservadora que leva até a ultradireita ao campo da disputa pelo poder permitiu que bandeiras em outro momento instrumentalizadas pela esquerda passem a ser parte do repertório do conservadorismo.


Patriotismo, desenvolvimento, geração de empregos e alternativas programáticas para a saída da crise parecem ser estranhas para uma esquerda brasileira que carece repensar suas táticas e estratégias e, também, pensar na renovação de suas figuras públicas para que o futuro e o presente estejam conectados e a marginalidade política não bata a porta.

Enquanto a direita compra falsas polêmicas via web como homens nus em museus ou ataques gratuitos aos direitos humanos, a esquerda não pode ser hipnotizada por essa cortina de fumaça. Há outras e mais importantes disputas a se fazer. Desde os anos 1990, não presenciamos o governo federal de plantão atacar tanto os direitos fundamentais da população, como os trabalhistas e da previdência, como com o atual mandatário do Planalto.

Colado a esse processo, a corrupção segue desenfreada diante do hipócrita e seletivo silêncio dos que antes saíam a agitar que a saída do PT do governo seria a solução para todos os problemas da nação. Os noticiários mostram que o acordo nacional com o Supremo e com tudo segue a todo vapor enquanto a agenda entreguista corre sem que a maioria da população saiba o que de fato está acontecendo e sendo votado em Brasília.

Manuela D’Ávila (terno branco) em entrevista ao Canal Livre: ódio se combate com propostas. Fotos: reprodução

Um país com quase 13 milhões de desempregados, segundo levantamento em outubro do IBGE, com setores estratégicos como a indústria fragilizados e com uma juventude sem grandes expectativas diante da crise e falta de oportunidades, é um mosaico depressivo de que há algo de podre no modelo econômico dos anos Temer.

Para este momento histórico, é preciso correr atrás do tempo perdido e voltar a debater os conceitos e temas que são a raiz da crise ao invés de “excluir do Facebook os apoiadores do deputado Jair Bolsonaro”, expressão muito usada por militantes de esquerda hoje nas redes sociais que mais cria bolhas ideológicas do que permite o diálogo para a mudança do cenário em que o senso comum está momentaneamente ganho para a agenda conservadora.

Um programa para a segurança pública, para o desenvolvimento nacional, para geração de emprego e renda. Temas como esses não devem ser esquivados pelos representantes da esquerda na luta política atual e no processo eleitoral de 2018. O próprio patriotismo como elemento da constituição de uma identidade cultural do povo brasileiro não pode ser tratado como palavrão.

Nacionalismo foi um dos elementos presentes nos protestos e manifestações dos últimos anos
Assisti na madrugada de domingo para segunda a entrevista no programa Canal Livre da pré-candidata a presidência pelo PCdoB, Manuela D’Ávila. Em seu discurso percebi que o debate que provoco neste artigo é real na esquerda brasileira e ainda bem que um setor da esquerda começa a pensar seriamente sobre um programa para o país.

Enfrentar o ódio com propostas reais para os problemas do Brasil, como bem respondeu a pré-candidata é o que deve pautar o debate político. Assim poderemos ultrapassar a cortina de fumaça imposta por bolsonaros e MBLs da vida.

No mais, debater os problemas do Brasil e não somente da esquerda, acreditar na constituição de uma frente ampla com e em favor do povo são elementos importantes que apontam que a alternativa apresentada pelo PCdoB para 2018 está dissociada de clichês, sectarismos e madura para e os embates que virão.

Essa alternativa tem minha simpatia e apoio, e é o rumo para que os anos vindouros na política não sejam de solidão como na obra de García Márquez, nem de ódio e intolerância, tampouco de vazio. Chegamos ao momento histórico de dar “F5” (atualizar) nos rumos da esquerda brasileira sem que se perca sua essência. E isso é muito positivo. 


* Presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon)