ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

domingo, 19 de novembro de 2017

Manuela: Ninguém se lança candidato à Presidência para ser vice

 
Foto: Richard Silva


“Nós lançamos candidatura para eu ser candidata à Presidência da República”, enfatizou.

Manuela apresentou propostas e defendeu a articulação de uma frente ampla para tirar o país da crise.


Confira a reportagem do Portal Vermelho.

Pré-candidatura de Manuela é promissora para país, diz Flávio Dino

 
Foto: Richard Silva

“Em 2018, temos um quadro desafiador, porém promissor. E a pré-candidatura da Manuela integra esse conjunto de dados promissores na medida em que é um quadro político qualificado, experiente, vem de vitórias eleitorais expressivas no campo parlamentar e de um estado importante para a luta política nacional”, afirmou. 

O governador maranhense endossou a proposta da articulação de uma frente ampla nas eleições de 2018. 

“É importante mantermos a unidade programática do nosso campo político e, com isso, apresentar à população uma alternativa que mereça credibilidade e que receba apoio popular, que é decisivo para que a gente possa vencer a eleição presidencial e também eleger as nossas bancadas e avançar”, disse.

Segundo ele, o país vem de uma trajetória política difícil e complexa, em razão do impeachment e todas as suas consequências. “A população está vivendo e sentindo essa quadra de retrocessos de direitos, de perda da dimensão do projeto nacional de desenvolvimento, perda de soberania e autonomia energética, de impulso às políticas públicas que nós vivemos após 2003”, declarou.

Apesar disso, Flávio Dino acredita que há sinais “positivos no horizonte”. “A conjuntura que se abriu após o equivocado e inconstitucional impeachment permitiu com mais clareza que a população identificasse onde reside os seus reais interesses e, por isso, acredito numa vitória do nosso campo em 2018, na medida em que há um óbvio fracasso da alternativa que se criou após aprovação do impeachment”, avaliou.


Do Portal Vermelho

No Maranhão, equilíbrio fiscal se transformou em investimentos sociais

 
Fotos: Richard Silva


Flávio Dino alertou que todos os avanços promovidos pela gestão no estado estão ameaçados em 2018. “Essa é uma batalha maior que a de 2014”, disse. Segundo ele, apesar da aprovação popular da sua gestão, apontada pelas pesquisas, o projeto de governo é alvo de ataques da direita oligarca que comandou o estado por cinco décadas.

“A gente sabe a dimensão dos interesses que estão em jogo e que se movimentam contra a nossa experiência de governo. Não vamos vencer essa batalha sozinhos, mas porque temos um Partido e aliados caminhando conosco”, declarou ele, reforçando a importância das alianças estabelecidas em seu governo. Em 2014, a chapa Dino contou com nove partidos, entre os quais PP, SD, Pros, PSDB e PPS.

Em uma clara referência ao clã dos Sarneys, Flávio Dino afirmou que seu governo enfrenta o grupo do “político mais vitorioso, no sentido eleitoral e de política tradicional burguesa, da história do país”.

“Alguém que ingressou no Congresso Nacional nos anos 50, no século 20, e saiu no século 21, além de apoiar todos os governos de Juscelino até Michel Temer. Só deixou de apoiar o presidente da República quando ele próprio foi presidente. Esse é o nosso adversário”, afirmou.

Mídia

Desde que assumiu o governo, ele enfrenta o ataque midiático contra o seu governo desencadeado pela família Sarney, que é proprietária de diversos veículos de comunicação. No entanto, ele afirma que intensificou no último período, com factoides que buscam ter impacto nacional. 

“Todos estão vendo o crescimento do combate ao nosso governo do modo mais absurdo e vil quanto possível, sobretudo, dessa mídia tradicional. Toda hora eles fabricam um negócio absurdo”, declarou. 

Ele alertou ainda sobre o “possível uso dos aparelhos federais contra o governo” por conta da proximidade da batalha eleitoral.

“Muitos interesses contrariados quando fazemos uma política voltada para os mais pobres, efetivamente para os trabalhadores, e tantos outros interesses se sentem deslocados do centro do poder do estado”, frisou o governador. Ele disse que o Maranhão tem um PIB de R$ 75 bilhões, portanto, “não é um estado que esteja imune aos interesses econômicos em dimensão nacional e até internacional”.

O sucesso que incomoda

Apesar disso, Flávio Dino demonstra que está preparado e disposto ao embate. “Apesar da escuridão, das trevas e retrocessos, é possível nessa quadra de dificuldades realizar um governo criativo, imaginativo e audacioso”, sintetizou Dino.

“Queremos consolidar essa experiência de governo em nosso estado e queremos que ela se espalhe para outros lugares”, enfatizou ele, afirmando que governar o Maranhão é um dos maiores desafios da sua vida.

O governador apontou as dificuldades enfrentadas pelo seu governo diante da profunda crise econômica, que atinge diversos estados que tiveram suas contas públicas drasticamente reduzidas. Nas contas do Maranhão, disse ele, o corte foi de R$ 1,3 bilhão das verbas federais no último período.

Mesmo com dificuldades, o governo do Maranhão tem a segunda melhor situação fiscal do Brasil. A explicação para tal proeza, Flávio Dino disse que não se trata de mágica ou truques.

“Tivemos a coragem de não cumprir a cartilha econômica dominante. Ao contrário, fizemos a administração dos gastos, mas ampliamos fortemente os gastos públicos num momento de escassez”, explicou o governador.

Ela conta que uma das primeiras medidas de seu governo foi conceder um aumento de R$ 500 milhões para os servidores públicos do estado. “Fizemos isso para estabelecer medidas contracíclicas. Se havia uma tendência recessiva, nós tínhamos que manter a economia funcionando. E o modo mais prático e rápido era estimular o consumo. Por isso, investimos fortemente na recuperação dos direitos dos servidores públicos, notadamente setores como professores e policiais. Não posso afirmar se hoje nós pagamos, de fato, o maior salário do Brasil, mas se não for o maior é o segundo ou terceiro maior. O certo é que hoje, um professor com jornada de 40 horas, começa ganhando R$ 5.400,00 e vai até R$ 8 mil”, argumentou.

Ainda sobre as medidas econômicas de seu governo, Flávio Dino destacou a progressividade tributária. “Nós praticamos aquilo que acreditamos no terreno da política tributária: progressividade, ou seja, quem pode mais, paga mais. É o princípio da capacidade contributiva que eu faço questão de lembrar que é o artigo 145 da Constituição. Alguns vão lembrar que está no Manifesto Comunista, mas está na Constituição”, ironizou.

O governo maranhense graduou a alíquota dos impostos de acordo com a capacidade contributiva do patrimônio. Ele citou como exemplo o caso de um proprietário de uma moto que consegue quitar os tributos atrasados com apenas R$ 50,00 por ano. Já o proprietário de um veículo com valor de R$ 120 mil, o imposto foi elevado.

Educação

Diferentemente dos governos liberais, que impõem forte controle fiscal em detrimento do investimento social, todo esse esforço de equilíbrio fiscal foi para transformar em política social.

“Tudo isso é meio para a execução da nossa finalidade”, reafirmou o governador. “Fizemos um esforço gigantesco de ampliação das políticas sociais, lembrando uma coisa muito importante: o investimento de hoje é o custeio de amanhã”.

Ele destaca que para cada um dos sete grandes hospitais que foram construídos nesse período, se paga quase duas vezes o valor da sua construção em um ano. Um hospital de 100 leitos, disse ele, custa em média R$ 30 milhões. O custeio mensal desse hospital custa em torno de R$ 5 milhões/mês. Em um ano, o custo será de pelo menos R$ 60 milhões. “Significa dizer que construir é a parte mais fácil. Abrir e manter é a parte mais difícil”, afirmou.

Sobre a educação, Dino afirmou é essa é a prioridade do seu governo, destacando que não faz política apenas para o estado, mas também para os municípios. “Construímos e reconstruímos escolas para substituir escolas precárias e doamos ao município, além de oferecer formação para os professores dessas escolas para garantir que a educação melhore”, relatou ele, informando que em três anos 40 escolas foram entregues.

Por fim, Flávio Dino reafirmou que o golpe de 2016, que afastou a presidenta Dilma Rousseff, e a agenda de reformas de Michel Temer representaram um retrocesso para o país. “Me posicionei ontem e continuo a me posicionar hoje contra o impeachment, contra a reforma trabalhista e previdenciária, demonstrando que é possível governar de um modo diferente”, completou.


Do Portal Vermelho

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Centro Potiguar de Cultura reúne lideranças culturais para debater a Consciência Negra.

Mesa oficial do 8º Encontro Estadual da Consciência Negra: da esquerda para a direita: Afrânio Patrício: Coordenador da Casa de Cultura de Nova Cruz, professora Gabriela Maurício da cidade de Várzea, Ademir Eduardo - Secretário Municipal de Cultura de Campo Redondo, Eduardo Vasconcelos - Presidente do CPC/RN, professor Márcio Dadox - Diretor Geral do IFRN - Nova Cruz e o estudante Olíver - representante do Grêmio Estudantil "Nilo Peçanha" - IFRN - Nova Cruz.
Dezenas de representantes dos municípios de Nova Cruz, Campo Redondo, Várzea e Espírito Santo, das regiões Trairi e Agreste debateram a Consciência Negra e os diversos tipos de preconceitos, no 8º ENCONTRO ESTADUAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, promovido pelo Centro Potiguar de Cultura –CPC/RN, com sede em Nova Cruz,  que aconteceu no auditório do IFRN – Campus de Nova Cruz. Na oportunidade as lideranças culturais assistiram a uma apresentação do grupo “ARTE BOLARE” formado por alunos da Escola Estadual Rosa Pignataro de Nova Cruz, coordenados pelos professores Francinaldo Soares e Lene Rosa, em sua abertura. Em seguida um lindo vídeo com uma poesia de Cordel abordou o tema RESPEITO E NÃO PRECONCEITO

O Presidente do Centro Potiguar de Cultura, Eduardo Vasconcelos formou a Mesa de Honra, acompanhado do Diretor do IFRN – Campus de Nova Cruz, Professor Márcio Dadox, pelo membro do Grêmio Estudantil “Nilo Peçanha”, o estudante Óliver, pelo Secretário de Cultura do município de Campo Redondo, Ademir Eduardo e pela Professora Gabriela Maurício, ex- secretária de Cultura de Várzea. Todos levaram suas palavras enaltecendo o evento e a importância de sempre vislumbrar o debate sobre a Consciência Negra em nosso estado.




Logo em seguida, todos os participantes iniciaram os debates sobre Consciencia Negra, que contou com a presença do Pe. Aerton da Paróquia de Nova Cruz e que culminou no período da tarde com vários encaminhamentos, dentre os quais, destacam-se: a escolha dos municípios de Campo Redondo e de Parelhas  para sediarem dois grandes encontros no primeiro semestre de 2018; o envio da moção de agradecimento aos chefes dos executivos dos municípios de Espírito Santo e de Campo Redondo pelo apoio que permitiu as presenças dos agentes culturais ao evento e envio de nota de repúdio às Prefeituras que se comprometeram com o evento e não deram condições aos seus participantes de estarem presentes. Outro encaminhamento será o envio de vários documentos de apoio à Lei n. 296/2015, que visa tornar a data de 20 de novembro – dia da consciência negra, como feriado nacional, para os E-mails dos deputados federais da bancada potiguar, uma vez que a votação da matéria será no plenário da casa na próxima semana.

Participação do Padre Aerton
Roda de conversa bastante proveitosa - CONSCIÊNCIA NEGRA E O DIA 20 DE NOVEMBRO



Momento de oração com o Padre Aerton - Paróquia de Nova Cruz

Roda de conversa bastante proveitosa - CONSCIÊNCIA NEGRA E O DIA 20 DE NOVEMBRO

Roda de conversa bastante proveitosa - CONSCIÊNCIA NEGRA E O DIA 20 DE NOVEMBRO
Ao final os participantes prestigiaram a apresentação do grupo RAIZES DO AGRESTE, formado por senhores e senhoras da cidade de Espírito Santo.



Foto: Momento contagiante

Obs. O Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos na abertura do evento repudiou a atitude de alguns prefeitos, que de última não enviaram suas delegações, delegações essas que já estavam todas ciente de suas participações, mas por falta de compromisso e sem nenhum respeito pela entidade e muito menos pelos seus munícipes. Demostra o descaso com a CULTURA local, regional e nacional. Eduardo Vasconcelos.

(Fotos Teobanio)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Jandira Feghali: Decidirão pelas mulheres?

 
Foto: Reprodução

Um forte coro, outrora engasgado, ecoou pelo Centro do Rio durante toda a tarde de terça-feira (13). Com bravos punhos erguidos ao ar em posição de luta e seios pintados como donas do próprio corpo, milhares de mulheres se uniram contra as alterações na PEC 181/15 que proíbe o aborto legal no Brasil. Atos como esse ocorreram em várias outras cidades do país. Uma corrente gigantesca de sororidade conectou-as em sua marcha contra o conservadorismo político. Era um grito engasgado, sufocado, oprimido.

Falar de aborto desperta as paixões mais viscerais na sociedade, mas pouco se explica sobre o tema. Abafado por questões moralistas e religiosas, a temática deixa de ganhar o envelope que lhe é cabido: o de saúde pública. É óbvio que ninguém faz apologia do aborto ou o defende como método contraceptivo. Mas num país em que uma mulher morre a cada dois dias no país fruto de procedimento marginal, é preciso enfrentar este debate com altivez e coragem.

As alterações no texto da PEC 181 na Comissão Especial da Câmara, através da bancada fundamentalista, pioram o quadro e compõem uma absurda manobra. A proposta de emenda à Constituição tratava apenas licença-maternidade em casos de bebê prematuro, mas 18 parlamentares homens, trajados de  “donos da verdade e da moral” resolveram incluir um texto que propõe “a vida desde a concepção”. Ou seja, criminalizaram a legislação em vigor que permite o aborto em casos de estupro e no risco de vida materna (artigo 128 do Código Penal). Não importa a vida da mulher ou se a gravidez decorre da violência de um estuprador - o que é mais assustador. Esses 18 homens, na tentativa de impor suas visões, acabaram indo contra o direito em vigor desde 1940. Ou seja, indo em direção ao século XIX.

Como formidavelmente disse a atriz Marieta Severo em 2015, “nada contra as religiões. Aceito todas. Só não quero uma legislando a minha vida”. É exatamente esse pensamento que deve permear as discussões legislativas no Parlamento. Não se pode alterar a Constituição da nação para quebrar o Estado laico e impor uma visão religiosa e uma única verdade.

A morte de milhares de mulheres por procedimentos caseiros ou inseguros só amplia a hipocrisia de nossa sociedade. Seja pela agulha de tricô ou pelo remédio de fundo de quintal, a gravidez indesejada continuará assassinando. Neste caso, mulheres mais pobres. Será que o Estado realmente permitirá mais esse retrocesso? Arremessará mais mulheres, vítimas de violência sexual, à condição marginal do aborto inseguro? 

É preciso paralisar a tramitação desta proposta de emenda constitucional em nome da vida das milhões de mulheres brasileiras.


 *Jandira Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da Oposição.

'Vivemos golpe dado pelas mesmas entidades que se valeram de 1964'

 

Foto: JESUS CARLOS/IMAGEMGLOBAL  


“Estamos envolvidos na perspectiva do medo, na cultura de não reparação de danos, de não enfrentamento de problemas do passado”, disse o juiz do Trabalho e professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Luiz Souto Maior durante o debate “Os Patrões da Ditadura: Perspectivas para a reparação”. No encontro, pesquisadores e membros do Judiciário discutiram quais os caminhos para responsabilizar empresas que colaboraram com a ditadura (1964-1985).

Para Souto Maior, é necessário radicalidade no enfrentamento do tema. “Não podemos ser conciliadores (…) Somos medrosos, temos medo de falar. Temos medo de falar até sobre nossa realidade atual. Vivenciamos um golpe de fato e as pessoas têm medo de falar sobre isso. A verdade é essa: nua e crua. Vivemos um golpe dado pelas mesmas entidades que se valeram do golpe de 1964 e agora querem se valer de novo porque não foram punidas. Elas têm novamente a possibilidade de mandar no povo brasileiro”, disse.

O jurista afirmou, no evento realizado na segunda-feira (13), que as empresas que colaboraram com a ditadura compõem a mesma força que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT) no ano passado, e que comandam as diretrizes do governo de Michel Temer (PMDB). “Estão fazendo novamente a mesma coisa de uma forma explícita. Veja a reforma trabalhista que não é outra coisa senão colocar os trabalhadores de joelhos. Colocar os sindicatos de joelhos, colocar a sociedade de joelhos perante o poder que eles detêm sem nenhum limite.”

“Estão destruindo o próprio Estado, as instituições. O que resta é o poder absoluto dos grandes conglomerados econômicos. Esses mesmos que se valeram do golpe de 1964 e estão aí hoje mandando e desmandando”, disse. O problema, como afirma Souto Maior, é “sermos engolidos novamente pelo medo e pelo poder econômico, que não teme nada. Eles não têm medo de assediar juízes. Ninguém está livre deles”, completou.

Souto Maior ressaltou a importância dos trabalhos de resgate à memória da ditadura, como o de responsabilizar as empresas envolvidas. Entretanto, o jurista classificou a atividade como “sofrida”. “É isolada. A sociedade não compreende, é capaz de nos reprimir. ‘O que essas pessoas querem fazer? Vão atacar empresas? E os empregos?’ Eles fazem ameaças como agora, na reforma trabalhista: ‘Pergunta para o desempregado se não é melhor qualquer emprego do que um de fato’. Eles dizem, na verdade, que não interessa o que queremos, só interessa o que o poder econômico pode.”

“É uma coisa muito séria. Quem comete o crime ainda nos transforma em criminosos, em rebeldes, em pessoas que não se ajustam. Coisa alguma! Eu não tenho medo desse poder. Não podemos ter medo. Precisamos nos unir efetivamente para superarmos esses medos. Estaremos juntos para romper essas barreiras”, finalizou.

Entre as empresas apontadas como coniventes com os crimes da ditadura está a Volkswagen. “Escolhemos a Volkswagen no ABC porque sobram documentos. Teve repressão constante desde 1969, com muitos documentos que comprovam. Constituímos um grupo para discutir com trabalhadores da empresa que, por sua vez, quer fazer um evento junto do sindicato para lançar um livro sobre o assunto”, disse o coordenador do IIEP, Sebastião Neto, sobre negociações com a empresa, que mostra disposição em colaborar.

“Um dos casos mais graves na Volks é de um trabalhador de um cargo importante. Um grande quadro. Ele foi preso. Foram 11 prisões na Volks, todas efetuadas dentro da fábrica. A polícia entrava e pegava o cara trabalhando e a Volks não informava nem as famílias. Esse rapaz ficou quatro meses sendo torturado, porque a empresa não admitia um trabalhador sendo membro do Partido Comunista”, completou Neto.

Sobre a reparação, a procuradora regional da República Inês Soares levantou a necessidade de uma avaliação detalhada dos objetivos. “Fazendo uma provocação, que tipo de reparação queremos? Para os trabalhadores ou para o grupo? (…) Mesmo que a causa seja justa e necessária, temos que pensar em questões desafiadoras. A empresa não é a mesma, não podemos dizer que a Volkswagen, que permitia tortura em sua empresa, é a mesma de hoje”, disse.

O promotor do Ministério Público de São Paulo Eduardo Valério, que atua no caso, respondeu ao questionamento de Inês. “Nossa ideia é de buscar reparação a partir de um dano. E seguramente não será de ordem individual. Nós, do MP, agimos por legitimidade do coletivo, do interesse difuso. Trabalhamos com memória e dano. O dano é o desconforto ou a insuportabilidade de perceber que uma das maiores empresas nacionais cooperou com um governo repressor”, disse.

“Uma empresa que entregou suas forças de trabalho para torturas em uma promiscuidade que desrespeita a ordem econômica da livre iniciativa, permitindo que operários fossem reprimidos por delito de opinião, porque eram filiados a tal partido. Essa questão é de cada brasileiro, porque falamos de liberdade individual, uma conquista que vem, no mínimo, do iluminismo.”

Valério ainda afirmou que a reparação não deve ser financeira. “Melhor que não seja. Podemos buscar formas mais efetivas de não repetição. O mais importante, neste momento em que vivemos mais um golpe, agora criativo, sem tanques nas ruas, é reforçar a necessidade de mecanismos de justiça voltados para a não repetição. Mudanças estruturais, na área do esclarecimento, de que certas coisas não podem acontecer dentro de uma sociedade democrática. Falta-nos um memorial convincente do golpe de 1964, como existe no Chile, na África do Sul e no Uruguai.”

Para o promotor, o ideal será buscar uma solução extrajudicial com a empresa. “Precisamos identificar para onde vamos. Vamos tentar ao máximo os meios extrajudiciais. Não podemos esperar do Judiciário brasileiro facilidades em uma demanda envolvendo um pleito desta natureza, sobretudo em uma ordem golpista que vivemos hoje”, finalizou.


 Fonte: RBA

Manuela D’Ávila: Brasil é maior que o medo e o ódio

 
Foto: Caroline Ferraz/Sul21


“2018 é o momento de discutir o futuro do Brasil, e não o passado. A gente tem uma caracterização política muito firme. Em 2016 houve uma ruptura, um golpe parlamentar e, a partir disso, se abre um novo ciclo. Temos uma interpretação muito parecida com a do PT sobre o passado. Mas as saídas para a crise nós temos as nossas e eles têm as deles. Sim, a gente acredita que vai se encontrar no futuro. Mas achamos que esse futuro é o segundo turno das eleições”, afirmou. 

Segundo ela, politicamente, a sua pré-candidatura defende uma frente ampla, que é a ideia de reunir setores maiores da sociedade. Mas o tema central de sua campanha é a política econômica e a retomada do crescimento. “Nosso projeto é de desenvolvimento com crescimento da economia a partir da indústria nacional, que significa emprego de qualidade com direitos sociais.” 

Ao falar de suas propostas para a indústria, ela defendeu um referendo revogatório para anular medidas levadas adiante pelo atual governo, como a alteração da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) do BNDES, por exemplo. “Sem a TJLP a gente jamais vai ter emprego de qualidade no Brasil. Porque todos os países têm banco de desenvolvimento com taxa de juro de longo prazo para favorecer a indústria própria e de inovação, que geram empregos.”

De acordo com Manuela, a economia brasileira tem que estar a serviço do povo brasileiro. “Como a gente tem taxas de juro tão altas se elas não servem para a indústria nacional, para gerar competitividade? Como a gente tem um câmbio que não serve para a indústria brasileira?”, criticou.

Defensora dos direitos das mulheres, ela destacou que a maternidade a ajudou perceber melhor os problemas do país nessa área. “Eu consegui muito mais conectar o tema da mulher com o tema do Brasil. Porque a maternidade torna muito visível o que é um Estado não adequado às mulheres. O que representa um Estado pequeno e a ausência de creches, de escola em turno integral, para uma mãe trabalhadora?”, colocou.

A pré-candidata destacou que o Brasil é um país muito violento com as mulheres. “Pautas como salário inferior [ao dos homens] e assédio sempre fizeram parte da minha rotina de parlamentar. Mas talvez eu tenha compreendido o peso da maternidade na situação que a mulher vive no Brasil”, completou. 

Em 2016, uma foto da deputada estadual amamentando a filha Laura, na Assembleia, ganhou as redes sociais. De acordo com Manuela, a repercussão da imagem fez com que ela tivesse a dimensão de como o ato de amamentar é um tabu em uma sociedade que objetifica o corpo das mulheres. “Cumprir a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é algo visto como um absurdo, um erro”, lamentou.

Ela comentou ainda a iniciativa de seu gabinete de desenvolver o “machistômetro” – um termômetro que indica atitudes machistas e orienta mulheres –, que terminou virando alvo de ataques na web. “A gente fez o machistômetro como apoio para os debates sobre violência contra mulher. Ele era bastante simples, mas acabou gerando muito impacto. Essa onda de ódio na internet acontece sistematicamente, não só com o tema das mulheres. Existem candidaturas que têm tentado organizar e potencializar o ódio e o medo”, declarou.

Segundo ela, “há pessoas que não percebem como o ódio é um instrumento político e pode sair das redes sociais para as ruas”. Manuela tem publicado vídeo na internet, num esforço de mostrar que é possível construir diálogos e soluções.

Assim como fez na coletiva de lançamento de sua pré-candidatura, a comunista respondeu àqueles que a consideram muito jovem. “Quando me candidato, falam: ‘Ela é muito nova’. (...) Este é meu quarto mandato e minha sétima eleição, e continuo eternamente jovem. Por isso, a eleição é meu elixir, nunca envelheço perante os olhos dos críticos. Fui eleita pela primeira vez quando tinha 23 anos. Agora tenho 36. É praticamente a idade do presidente da França [Emanuel Macron, 39 anos], basicamente a mesma idade do primeiro-ministro do Canadá [Justin Trudeau, 45 anos], da prefeita de Roma [Virginia Raggi, 39 anos]”, comparou.

Ao ser indagada sobre a pré-candidatura de Jair Bolsonaro, Manuela avaliou que ele não tem propostas para o país. “Quando falei que o bom senso da população é o principal adversário do Bolsonaro, é porque o medo e o ódio não são propostas para sair da crise que o Brasil vive. Fui colega dele por oito anos e sei que foi um parlamentar invisível. Ele não tem propostas sequer para as áreas nas quais estimula o ódio. Qual é a proposta dele para a segurança pública?”, provocou.

Para ela, uma candidatura de extrema direita como a dele serve para impulsionar uma alternativa de centro. “O Alckmin, por exemplo, não é um candidato de centro, mas, diante do Bolsonaro, ele pode parecer. Por isso precisamos debater ideias. Para que aqueles que defendem o fim do Estado não se passem por alternativas centristas, que não são”, disse.

Manuela reforçou que nunca tive o PT como adversário, nas eleições em que disputou. E assim será em 2018. “Nossas candidaturas sempre tentaram colocar os problemas das pessoas e da cidade no centro. Isso faz com que você enxergue os outros partidos de uma forma diferente. Tenho bastante tranquilidade com isso. Nós e o PT temos uma relação fraterna, mas somos partidos diferentes. É natural que tenhamos candidaturas diferentes e que nos encontremos, na frente, em eleições de dois turnos.” 

Ela voltou a defender a participação do participação do ex-presidente Lula na eleição. “Eleição é momento de superação da crise, não de agravamento dela. Em uma eleição em que o Lula estivesse impedido de concorrer, a crise estaria agravada”, apontou.

Segundo a comunista, se Lula cometeu crimes, é preciso que haja provas. “O Lula e qualquer brasileiro têm que ser julgados pela lei, é isso que garante a democracia e a existência das nossas instituições. Enquanto não apresentarem uma prova de que ele cometeu crime, ele não cometeu crime. É assim com ele e deve ser assim como todos.”

Na sua opinião, a Lava Jato surgiu com o bonito interesse de combater a corrupção no Brasil, mas virou uma operação “absolutamente política”. “Basta ver o que acontece hoje em Brasília, os desfechos e o entorno do presidente Temer”, indicou.

À Veja, Manuela falou ainda sobre temas como a legalização das drogas. Para ela, é preciso discutir o tema na perspectiva proposta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), unindo a sociedade para debater estatísticas. “Os números mostram que a violência aumentou a partir de uma política de guerra às drogas. O Brasil pode fazer esse debate, vinculando inclusive a tributação das drogas a campanhas educativas de prevenção do consumo de todas as drogas. O Brasil subestima o consumo de drogas lícitas”, avaliou.


 Do Portal Vermelho, com Veja