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domingo, 29 de outubro de 2017

Frota, Reinaldo Azevedo & cia: a liberdade de expressão não é absoluta

Eleonora Menicucci: ex-ministra vence na Justiça acusação contra Frota
Eleonora Menicucci: ex-ministra vence na Justiça acusação contra Frota
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil


Uma série de decisões proferidas pelo Poder Judiciário esta semana, em diferentes varas, instâncias e estados do País, reafirmam o conceito – consolidado em tratados internacionais e na Constituição brasileira – de que a liberdade de expressão não pode ser usada para violar outros direitos fundamentais. Como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos e um conjunto de pactos internacionais ratificados pelo Brasil, os direitos fundamentais são interdependentes e indivisíveis, não podendo ser estabelecida uma hierarquia entre eles. Ou seja, o limite de um direito é o outro – e, nos casos avaliados pela Justiça esta semana, o limite colocado à liberdade de expressão veio de direitos como a dignidade humana, a liberdade de crença, a livre orientação sexual e à não incitação à violência.

Na terça-feira 24, o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a condenação da ex-ministra Eleonora Menicucci, que chefiou a Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo Dilma Rousseff, a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a Alexandre Frota. Em 2014, Alexandre Frota fez piada no programa “Agora é Tarde”, do apresentador Rafinha Bastos, na TV Bandeirantes, ao relatar um caso de estupro que teria praticado contra uma mãe de santo. Na ocasião, o Intervozes e outras organizações protocolaram representação contra o ator junto ao Ministério Público Federal (MPF), denunciando, além do preconceito religioso, a incitação ao estupro que Frota havia praticado em rede nacional, sob risos de Rafinha Bastos e da plateia.

O MPF infelizmente arquivou o caso, que havia gerado indignação entre entidades que lutam contra a violência contra a mulher e, anos depois, levou Eleonora Menicucci a acusar Alexandre Frota de apologia ao estupro. Agora, a Justiça de São Paulo, apesar de não ter se pronunciado sobre o caso que originou a ação – as declarações de Frota a Bastos –, entendeu que a crítica de Eleonora ao ator respondia a uma manifestação violadora da dignidade humana por parte do artista.

“O que ele falou foi inadmissível numa sociedade em que as mulheres não podem mais ser oprimidas”, afirmou Eleonora depois do resultado final. Para ela, a decisão da Justiça foi, também, uma condenação da cultura do estupro no Brasil.

No dia seguinte, a 9ª Vara Cível de Brasília teve entendimento semelhante ao condenar o mesmo Alexandre Frota, agora sim, por manifestações ofensivas conta o deputado federal Jean Wyllys. Pela decisão, Frota terá que pagar uma indenização de 10 mil reais ao parlamentar do PSOL, por um conjunto de publicações em suas redes sociais, avaliadas por Jean Wyllys, além de injúria e difamação, como práticas de incitação à violência e discurso de ódio. A juíza de Brasília condenou Frota por entender que ali não havia uma intenção do réu de “expressar sua visão de mundo”, mas “o dolo de ridicularizar, achincalhar e zombar” o deputado. Ou seja, há limites em jogo.

Ódio aos transgêneros

Também no dia 24 de outubro, a 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo condenou o jornalista Reinaldo Azevedo, a rádio Jovem Pan e a revista Veja a indenizarem em 100 mil reais a cartunista Laerte Coutinho. A sentença, que confirma a decisão tomada em primeira instância, afirma que Laerte teve sua dignidade atingida ao ser chamada pelo jornalista, nos diferentes veículos, de termos como “fraude moral”, “baranga na vida” e “fraude de gênero”.

Na ocasião do comentário, a chargista havia publicado, na Folha de S. Paulo, uma charge sobre os protestos em apoio ao impeachment da Presidenta Dilma. Depois de condenado em primeira instância, Reinaldo Azevedo repetiu os ataques a Laerte em suas colunas. O desembargador Carlos Alberto Garbi, relator do recurso, entendeu que a crítica foi feita em função de Laerte ser transgênero e, por isso, manteve a condenação do jornalista.

A advogada de Laerte, Márcia Rocha, lembrou que 150 pessoas já foram assassinadas este ano no país em função do preconceito de gênero. “No Brasil, pessoas trans são privadas de seus direitos cotidianamente. (…) Nossa dignidade é ameaçada todo o tempo. E por que? Em razão de valores que permeiam o senso comum, que entendem que somos seres de outra categoria, de segunda ou terceira categoria”, declarou Márcia, primeira advogada transexual a fazer uma sustentação oral no TJ.

Luta permanente

Os três casos trazem um alento a movimentos e organizações da sociedade civil que, cotidianamente, enfrentam discursos de preconceito e violência cada vez mais crescentes no país. E que, na maioria das vezes, não encontram no Poder Judiciário a responsabilização necessária dos agentes violadores.

Como mencionado acima, no caso da piada de Frota acerta da violência sexual que teria praticado, o próprio Ministério Público Federal compreendeu que a fala do ator estaria protegida por seu direito à liberdade de expressão. Episódios de incitação clara à violência, veiculados indiscriminadamente nos chamados programas policialescos, exibidos em canais de TV em todo o país, também não sofrem nenhum tipo de responsabilização pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações – que tem o dever de fiscalizar o conteúdo das emissoras. Páginas promotoras da violência de gênero se multiplicam nas redes sociais sem decisões céleres da Justiça que coibam tais conteúdos.

O desafio, portanto, é permanente. Veja:

Ao final do julgamento desta semana, Alexandre Frota gravou um vídeo, disponível na internet, com novas declarações homofóbicas. Disse que foi “julgado por um juiz ativista do movimento gay”, por um juiz que “não julgou com a cabeça, julgou com a bunda e deu a causa para a Eleonora”.

Ou seja, como declarou a ministra, “a luta não para aqui; ela continua, porque ela nos remete a um compromisso muito maior, que é não deixar que nenhuma mulher seja estuprada e nenhuma mulher morra pelo fato de ser mulher. Então esta é uma celebração de luta, que é árdua e é intensa”.

Em tempos de crescimento também do cerceamento à liberdade de expressão daqueles que lutam por seus direitos, encontrar o equilíbrio entre o exercício dessa liberdade e o respeito aos demais direitos humanos é tarefa das mais urgentes à nossa sociedade. Pensemos nisso. 



*jornalista, especialista em direitos humanos, integra a Rede Mulher e Mídia, a coordenação do Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Colaborou Marina Pita, jornalista e integrante do Conselho Diretor do Intervozes. 

Na Carta Capital

sábado, 28 de outubro de 2017

TEMER SÓ FALTA VENDER A .....2018 NELLES!

Jornal da CTB digital
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Adilson Araújo: Temer segue loteando o Brasil

 
 Foto: CNTE


Assim o valioso Carcará, área na Bacia de Santos, agora é da americana Exxon Mobil. É a mais pura consumação do golpe contra a soberania. A agenda ultraliberal de Michel Temer segue subalterna aos interesses do Império e das grandes multinacionais. 

Nesta sexta-feira (27) o governo derrubou liminar que barrou o leilão do pré-sal e deu início à venda de uma das maiores e mais estratégicas riquezas brasileiras. Ao todo, 16 petrolíferas, das quais 14 são multinacionais, disputaram as reservas com 12 bilhões de barris de petróleo de altíssima qualidade. 

Cada barril com 159 litros de óleo do pré-sal saiu para as multinacionais por menos de R$ 1,50, o que representa R$ 0,01 o litro. As petroleiras americanas Shell e Exxon Mobil, e duas estatais europeias, a Petrogal, de Portugal, e a Statoil, da Noruega, já são donas de um pedaço importante do pré-sal brasileiro. A Agência Nacional do Petróleo, Gás e biocombustíveis (ANP) esperava arrecadar R$ 7,75 bilhões, mas obteve R$ 6,15 bi. 

O sonho da pátria educadora se distancia cada vez mais, a política de conteúdo local e a indústria nacional agoniza. O revés pode dificultar mais ainda a reindustrialização do país, haja vista que as medidas liberalizantes poderão atrair mão de obra externa e frustar as expectativas de geração de empregos. Mais ainda, corremos risco de que toda a riqueza advinda do pré-sal alimente as burras de dinheiro das grandes multinacionais, já que a tendência é que todo o o resultado alcançado seja remetido para o exterior. 

Desregulamentado o trabalho, a agenda da desnacionalização do país ganha força, como resultado, o desmonte da indústria e do estado Nacional e a total subserviência aos interesses do capital.

*Adilson Araújo é presidente nacional da CTB 



Do Portal Vermelho

Temer entrega pré-sal, e valor ganho só cobre 4% do rombo fiscal

 


O grande argumento do governo é que temos um problema fiscal e os leilões seriam uma forma de obter recursos externos, que iriam para as finanças públicas. E isso é absolutamente ridículo. Você está trocando a entrega de um patrimônio nacional, estratégico, por um valor que é nada, é marginal em relação a um déficit que não vai ser resolvido. O que são esses R$ 6,15 bilhões frente aos R$159 bilhões?”, questionou.

De acordo com ele, trata-se de um “tiro no pé”, com prejuízos pra toda a população. “Só se justifica essa medida da perspectiva de quem realmente não está preocupado com um projeto de país nem em manter as reservas estratégicas nas mãos do Estado, e tem interesse em fazer a entrega desse setor estratégico para o capital internacional˜, disse Kliass.

Antes da realização das segunda e terceira rodadas de leilões do pré-sal, o governo anunciou que tinha a expectativa de arrecadar R$ 7,75 bilhões, o que já era considerado pouco por diversos especialistas. 

Os certames chegaram a ser suspensos por uma decisão liminar de um juiz federal do Amazonas, que quis afastar "qualquer possibilidade de ocorrência de danos ao patrimônio público". Tratava-se de uma ação protocolada por petroleiros, preocupados com a perda de receita tributária e com o fato de o governo abdicar de desenvolver a indústria nacional e a economia do país. 

Os trabalhadores questionavam, inclusive, os valores que o governo esperava receber, muito inferiores aos do leilão do campo de Libra, ocorrido em 2013. Mas a liminar foi derrubada pouco depois, e nem mesmo esse pouco que a gestão Michel Temer esperava amealhar foi obtido.

Petrobras sem protagonismo 

Paulo Kliass destacou que o resultado do certame não condiz com o discurso do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que avaliou como “bem sucedida”a participação da estatal. Para o economista, o saldo do leilão comprova, na prática, o que economistas, petroleiros, engenheiros e pesquisadores denunciam faz tempo: a perda do protagonismo da Petrobras. 

Apesar do parente dizer que isso não significa um recuo, na prática, ainda que a Petrobras tenha participado, minoritariamente inclusive, de três dos leilões, sua presença ficou muito abaixo do que poderia ser. A estatal está participando de 20% apenas do total de R$ 6,15 bilhões. Ou seja, a empresa que era para ser a majoritária, senão a única em função da característica estratégica dessas áreas, fica relegada a um posto secundário”, criticou.

Ele enumerou uma série de outros agravantes que vêm juntos a essa redução de papel da Petrobras e do Estado brasileiro, como a flexibilização das regras de conteúdo nacional, a possibilidade contratação de engenheiros estrangeiros e a importação de projetos montados todos no exterior. 

Volta ao passado? 

Antes mesmo de encerrados os leilões, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, antecipou mais um passo para a entrega do petróleo nacional, revelando que quer colocar em pauta projeto que prevê fim da partilha no pré-sal. Tal regime foi implementado pelo governo Lula, após a descoberta de reservas gigantes no pré-sal. Ele garante à União uma parte da produção de petróleo e permite ao Estado um maior controle sobre as áreas licitadas. 

“Maia fala agora em fazer na lei o que o governo já está fazendo na prática, que é voltar ao regime de concessão. Há uma mistura do leilão do pré-sal com o protagonismo que Rodrigo Maia quer pegar, do ponto de vista do vácuo gerado por Temer. Ele se apresenta como sendo o protagonista de questões estratégicas, de um tipo de projeto de país”, ressaltou Paulo Kliass. 

Não precisava dar de mão beijada

Pouco depois de encerrados os certames, o governo os analisou como sendo de um "sucesso estrondoso". O presidente Michel Temer anunciou que as empresas vencedoras investirão R$100 bilhões no país. 

Para o economista ouvido pelo Vermelho, contudo, o interesse das petroleiras estrangeiras investirem no pré-sal sempre existiu, não é conquista do atual governo e não era preciso ofertar tantas benesses para que elas chegassem ao país. Quer dizer, era possível atrair o capital internacional mantendo o protagonismo da Petrobras, opinou Kliass.

“Desde que o Brasil anunciou a descoberta do pré-sal, fruto de pesquisas realizadas ao longo de décadas pela Petrobras, o mundo todo abriu o olho. O Brasil vai ter daqui para a frente uma das maiores reservas estratégicas de petróleo do mundo. E isso desperta interesse. Você não precisa oferecer todo tipo de bondade para que essas empresas venham ao Brasil, elas virão de qualquer maneira. A lógica das grandes petroleiras é ganhar dinheiro com a atividade que eles desenvovlem, que é extração, produção e transformação do petróleo. Se há isso, em perspectiva, no Brasil, elas virão”, defendeu.

Hipotecando o futuro

De acordo com ele, o que qualquer governo brasileiro deveria fazer é ter uma postura de defesa da soberania nacional e dos interesses do país. Segundo o economista, quem tornou atrativo o país para o capital internacional não foi o atual governo, mas as gestões anteriores, que estimularam o protagonismo da Petrobras, aumentaram investimentos e permitiram que fossem desenvolvidas tecnologias das águas profundas, que levaram à descoberta do pré-sal. 

“Isso lembra o protagonismo que tiveram os intelectuais e cientistas brasileiros, liderados por Monteiro Lobato, na década de 50, apostando que isso era uma área importante e que o Brasil teria um futuro ali. A gente hoje está fazendo o contrário, hipotecando o futuro que chegou, que é nosso e seguro, e oferecendo ele de bandeja para as multinacionais”, lamentou.

Para ele, da forma com que se realizaram os leilões, as empresas que aqui chegarem vão ser concorrentes da Petrobras e vão retirar recursos que poderiam ser internalizados, beneficiando a maioria da população brasileira. “Mas estamos oferecendo essa riqueza com bondades e benesses que a maioria da população brasileira não recebe do Estado, pelo menos não no governo Temer”, encerrou.



 Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Ato em defesa do Passe Livre para os estudantes

Reunião com Temer deixa base otimista com placar de votação

 
Arte: Álvaro Portugal/PCdoB na Câmara

“Nós deveremos ter entre 260 e 270 votos. Esse grupo que esteve com o presidente fez uma reanálise com todos os partidos. Se a gente tiver uma votação expressiva, é lógico que vai refletir nas votações futuras, a reforma tributária, a reforma da Previdência e outras”, disse o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP). Em agosto, foram 263 votos favoráveis ao arquivamento da denúncia.

O parecer do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), contrário à admissibilidade da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), foi aprovado na Comissão de Constituição e de Justiça (CCJ) por 39 votos a 26. O governo precisa de 172 votos, ou seja, um terço mais um dos 513 deputados, para impedir que a Câmara autorize o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o presidente da República e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Na saída do encontro, ocorrido na noite desta segunda-feira (23) no Palácio da Alvorada, Mansur também comentou a postura de parlamentares de partidos da base do governo que, na avaliação dele, não têm sido fiéis.

“Acho que essa, possivelmente, seja a última chance de partidos que se dizem aliados e parlamentares que se dizem aliados estarem na base do governo. Quem estiver conosco, estará. Quem não estiver conosco, vai estar fora do governo. Tem muito parlamentar que está na base do governo e vota contra. Temos que privilegiar quem está votando conosco”, afirmou.

Para o líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), há consenso entre os líderes da base do governo sobre a inconsistência da denúncia contra o presidente. “Os líderes têm a convicção plena de que a denúncia é inepta, não tem sustentação jurídica e por isso a perspectiva é extremamente positiva. Inclusive com uma perspectiva de termos uma votação ainda melhor do que na primeira denúncia. Isso foi o que nos passaram todos os líderes de cada uma das suas bancadas”, afirmou.

Mansur também falou sobre a liberação de emendas para parlamentares, frisando que o governo tem a obrigação de liberar os recursos tanto para base quanto para a oposição. “Muitas vezes você tem um parlamentar que recebeu uma promessa de liberar determinada emenda pra saúde, infraestrutura. E muitas vezes esse recurso não saiu. Eu defendo [a liberação], até porque obrigatoriamente nós temos que liberar emendas tanto para a oposição quanto para a situação, que se libere essas emendas rapidamente. Ajuda, claro que ajuda [na votação]”.

Rito

Para que seja aberta a sessão desta quarta-feira, é necessário que no mínimo 342 deputados tenham registrados presença no painel eletrônico. Os aliados de Temer não demonstraram preocupação com o quórum mínimo e pretendem trabalhar para colocar o maior número de deputados no plenário.

A votação será por chamada nominal, por ordem alfabética, por estado, alternadamente do Norte para o Sul e vice-versa. Concluída a votação e tendo votado ao menos 342 deputados, será proclamado o resultado. Para que a Câmara autorize o STF a iniciar as investigações contra o presidente e os ministros são necessários, no mínimo, 342 votos contrários ao parecer de Andrada.


Fonte: Agência Brasil

Jandira Feghali: Não podemos perder para um balcão de negócios


Assim como na votação da primeira denúncia contra Michel Temer, em agosto, líderes do PCdoB, PT, PDT, PSB querem evitar que o governo alcance o quórum mínimo, de 342 deputados, para dar início à sessão de quarta-feira (25) que votará a segunda denúncia contra o peemedebista e dois de seus ministros – Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral – pelos crimes de obstrução de justiça e organização criminosa.

Segundo a vice-líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o governo está premiando deputado só para dar presença, garantindo assim, quórum em seu benefício. 

“Eles querem acelerar a votação para acabar com essa exposição amanhã. Se o governo quer votar rápido, nossa tática é o oposto. Cada dia que ganhamos é menos um voto que ele tem, porque a exposição cresce. A acusação é muito grave e as provas são robustas. Além disso, tem mais delações a caminho. Então, o tempo nos favorece. Nós não podemos perder para um balcão de negócios”, destacou a parlamentar.

Segundo o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE), a responsabilidade do quórum é do governo e à Oposição cabe um trabalho de diálogo com cada parlamentar, mostrando que o acatamento da denúncia é o melhor caminho. “Cada dia estamos ampliando nossas forças, pois as insatisfações são crescentes e o governo está apavorado. Não há vitória certa do governo”, completou Guimarães.

Na estratégia de sangrar o governo, a presidente nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), relembrou a impopular agenda do peemedebista e suas ações para se salvar das denúncias. Segundo ela, as reformas trabalhista e previdenciária, a recém revogada portaria do trabalho escravo, as privatizações de hidrelétricas em Minas e a tentativa de entregar a Eletrobras são alguns dos exemplos do que Temer representa e o povo já não aguenta mais. 

“Ele é reprovado por mais de 90% da população e se sustenta apenas em negociatas. O povo brasileiro já não quer mais saber dessa agenda entreguista, de desmonte do Estado brasileiro”, afirmou.

A Oposição também anunciou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), liberou parte das galerias do Plenário para que manifestantes favoráveis e contrários à saída de Temer acompanhem a votação da denúncia. Segundo o líder do PSB, Júlio Delgado (MG), a galeria será dividida em três espaços: um para imprensa, um para militantes contra Temer e outra para militância favorável ao presidente.


 Do PCdoB na Câmara