ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sábado, 24 de junho de 2017

ECONOMIA: Temer quer enfraquecer a Caixa e abrir espaço aos bancos privados

 
Foto: CTB


Instituições com atuação fundamental na economia, os bancos públicos são alvo de uma política que visa desvalorizá-los, desde os primeiros dias do governo Michel Temer. Na Caixa, o desmonte se traduz na redução do número de funcionários, diminuição da rede e saída da instituição de alguns nichos de mercado. 

“O projeto do governo é enfraquecer a Caixa e ir reduzindo seu papel no sistema financeiro nacional, de forma a abrir espaço para os bancos privados. E, uma vez enfraquecida, partir para um processo de privatização”, diz Emanoel Souza, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase). 

De acordo com ele, por meio de planos de demissão e aposentadoria voluntárias, mais de 10 mil empregados já deixaram a Caixa no último ano, sem que as vagas deixadas por eles fossem preenchidas. 

A redução no quadro funcional, além de inviabilizar o bom funcionamento de algumas agências, tem criado uma sobrecarga de trabalho para aqueles que ficam. “E obviamente há uma redução no padrão de atendimento à clientela, o que acaba afetando a imagem da Caixa perante a população”, afirma Souza. Segundo ele, há ainda um plano de fechamento de 342 agências pelo Brasil.

Além disso, algumas áreas da instituição já começaram a ser entregues à iniciativa privada. Hoje, o setor de seguros – Caixa Seguros – já tem como sócia majoritária a francesa CNP Assurance. E a atual gestão já anunciou a intenção de vender a Lotex, braço de loteria instantânea da Caixa – as conhecidas raspadinhas.

A Caixa também suspendeu novas contratações de crédito imobiliário com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), a linha Pró-Cotista, que era a linha mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida. 

“Do tamanho que a Caixa é hoje, não há como privatizá-la, chegar agora e colocar a Caixa à venda no mercado, porque ninguém tem dinheiro para comprar. O que eles vão fazer é abrir espaços, tirar a Caixa de alguns nichos de mercado - do filé -, para que esses espaços sejam ocupados pelos bancos privados”, aponta o presidente da Feebbase.

Ele compara a gestão atual com aquela da época dos governos do PT. “Se você enfraquece o banco, ele começa a não disputar mercado. Vai começar a dar prejuízo e aí é o velho discurso neoliberal: o que é estatal dá prejuízo. Mas a Caixa, durante os governos Lula e Dilma, ampliou sua rede, aumentou número de funcionários, aplicou as políticas sociais e deu lucro”, defende.

Souza destaca a decisão da ex-presidenta Dilma Rousseff, que no primeiro mandato decidiu utilizar os bancos públicos para diminuir o spread das instituições financeiras. “O Banco do Brasil disse que não podia reduzir por que tem acionistas privados minoritários. Mas a Caixa foi lá e fez e o Banco do Brasil teve que ir atrás, para não perder concorrência. Logo os bancos privados também tiveram que reduzir o spread, ou perderiam clientes. E o crédito ficou mais barato, com efeitos positivos sobre a economia”, recorda. 

Ele sublinha que a importância da Caixa e dos demais bancos públicos. “Eles são fundamentais para que o Estado brasileiro possa ter algum nível de influência no mercado financeiro nacional. O enfraquecimento dessas instituições e consequente privatização libera para o vale-tudo dos bancos privados no mercado”, critica. 

Emanoel Souza lembra ainda que houve movimentações do governo no sentido de abrir o capital da Caixa, resgatando um projeto antigo, algo que foi barrado com uma forte articulação. 

“Nossa reação tem sido intensa. Criamos a Frente em Defesa das Estatais; tivemos este mês o lançamento da Frente Parlamentar em defesa dos Bancos Públicos e há mais de um ano temos a campanha ‘Se é público, é para todos’, com o intuito de ressaltar que Caixa é um banco público, 100% estatal, que precisa se manter com força e competitividade no mercado e ser uma ferramenta para viabilização das políticas sociais do Estado”, diz. 

O sindicalista explica que o papel da Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos é colocar em discussão a importância de manter os bancos públicos com capacidade de influência no sistema financeiro nacional. “Sem os bancos públicos não é possível um projeto de nação”, defende.

“O principal é que o conjunto dos bancos públicos permite fazer o crédito dirigido – seja para a habitação, para a agricultura familiar ou para políticas industriais – ou seja, é a ferramenta que o Estado tem para intervir na economia. Se a ideia é fornecer crédito para a indústria de placas solares com juros menores, o Bradesco vai querer fazer? Não. Mas quando a Caixa começa a fazer, o Bradesco vai ter que fazer também, é a concorrência. Então é um instrumento importante”, exemplifica. 


Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

"Temer é uma catástrofe diplomática", diz professor da UFRJ



A recente viagem do presidente Michel Temer à Rússia e à Noruega evidenciou os problemas do Brasil no cenário internacional. O mal-estar diplomático teve início com um considerável erro, antes mesmo do embarque do peemedebista, quando o Palácio do Planalto anunciou, na agenda presidencial, a viagem para a "República Socialista Federativa Soviética da Rússia".

Na sequência, gerou estranheza na imprensa mundial a recepção a Temer pelo vice-presidente da Rússia, e não por Vladimir Putin. Para o professor de Relações Internacionais e Geopolítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Leonardo Valente, o desembarque de Temer, sem as pompas de um chefe de Estado, não chega a ser uma gafe, mas "cada gesto nas relações diplomáticas quer dizer alguma coisa", afirma, acrescentando que o governo brasileiro errou ao tirar o país de um foco importante no Brics (bloco político e econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas que os líderes e chefes de Estado preferem acreditar que a importância geopolítica do Brasil é de longo prazo, enquanto Temer é um caso "conjuntural" que poderá ser superado nas eleições de 2018.

"A situação é reversível não por conta do Temer, que é irreversível. Michel Temer é conjuntural, uma infeliz conjuntura, mas o Brasil tem um papel muito relevante e é estrategicamente interessante que ele retome o que estava em andamento antes de Temer", avalia Valente, lembrando que nem mesmo o presidente norte-americano Donald Trump provocou reação tão forte em Cuba quanto o Brasil, que, sob o comando de José Serra no Ministério de Relações Exteriores, deu as costas a países da América Latina e assistiu à retirada do embaixador cubano em Brasília por determinação do presidente Raúl Castro.

Na entrevista abaixo, o professor da UFRJ analisa, ainda, o papel da imprensa internacional e das redes sociais no ânimo nacional e no cenário internacional, além do episódio no qual o Palácio do Planalto identificou inadvertidamente um "chefe do posto da CIA em Brasília", o serviço secreto dos EUA, e anunciou encontro entre o espião e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen.

"É inadmissível o governo brasileiro receber um agente da inteligência dos EUA, a menos que houvesse um objetivo comum entre as partes. Ninguém tem que proteger agente que está agindo de forma ilegal, nenhum general deveria receber esse agente. Mas parece que aqui nada mais choca", critica Leonardo Valente.

Jornal do Brasil - Qual é a imagem do Brasil no exterior hoje e o quão ela mudou nesse último ano e meio? Daria pra exemplificar em etapas?

Leonardo Valente - É possível olhar para alguns aspectos, sim. O Brasil é um país de envergadura, vocacionado para ter relevância, por conta de sua dimensão, economia, posicionamento e que lá fora é mais visto com esse papel do que aqui dentro mesmo. Pelo menos desde os anos 2000, o Brasil vinha num crescente de protagonismo por uma série de motivos e despertava desconfiança das grandes potências sobre seu papel. O que aconteceu desde a chegada do Temer na Presidência da República é muito grave: a política internacional de um país, para ser respeitada, precisa manter suas linhas e seus objetivos. Mas o que aconteceu no Brasil, que é um transatlântico, é que ele deu uma guinada drástica. Para entendermos a gravidade disso, podemos olhar, por exemplo, para os Estados Unidos: por mais que existam grandes diferenças entre Republicanos e Democratas nos Estados Unidos, Donald Trump manteve, de certo modo, as linhas de Barack Obama na política internacional.

O que fez o Brasil?

O governo brasileiro pegou o Itamaraty e deu uma guinada violenta, e isso foi percebido pela América do Sul, pelos Brics, pelos Estados Unidos. Depois de todas essas mudanças, nada mais foi feito em sentido algum e o que se vê hoje é uma anomia. O Brasil tem hoje diplomacia, faz contatos protocolares, mas o que chamamos de diretrizes de Estado, isso está suspenso, não existe. E é claro que as outras nações percebem isso e associam ainda ao fato de que o presidente não tem a legitimidade do voto, não tem sequer popularidade, está envolvido até o pescoço em escândalos de corrupção e seu mandato caminha no fio da navalha até não se sabe quando. Neste momento, os chefes de Estado estão desconfiados, mas eles sabem que o Brasil vinha com uma política externa muito estável, concorde-se ou não com ela, e que no ano que vem, quando temos eleições presidenciais, o cenário pode ser completamente diferente. Então, por enquanto, pensam: "Não vamos nos movimentar de forma brusca para esperar o que vai acontecer mais adiante".

Nem Trump provocou a reação que o Brasil provocou na América Latina [com a política externa de Serra]

A manutenção desse mínimo, do que você chamou de "contatos protocolares", não impediu, porém, que o embaixador de Cuba fosse chamado de volta ao seu país.

Leonardo Valente - Sim. Do ponto de vista regional, a política externa tem sido catastrófica, sobretudo no início do governo Temer [com José Serra à frente do Ministério de Relações Internacionais]. Aquela postura radical gerou em nossos vizinhos, uma indisposição imediata. Veja Donald Trump, que anunciou mudanças em relação a Cuba, e não provocou a reação que o Brasil provocou. Isso, porque ele é um radical. Trump fez apenas um jogo retórico de posicionamento, ele não reverteu nada do que aconteceu [no governo Obama] e as representações diplomáticas [entre os EUA e Cuba] continuaram embaixadas. Já o Brasil, com Serra e sua retórica estridente, querendo ser mais papista do que o próprio Papa, lembrou mais a Venezuela dos anos 1960, que decidiu se isolar da América do Sul inteira, porque se dizia democrática e não se relacionava com ditaduras, apesar de ironicamente se relacionar com a Arábia Saudita. Vai entender... A política externa deve priorizar objetivos de Estado e, diante disso, há que se ter parcimônia, cálculo, progressão e diálogo nas iniciativas. O Brasil fez o extremo oposto de tudo isso.

Como você avaliou a viagem de Temer à Rússia? Falou-se muito do fato de ele ter sido recebido pelo vice daquele país, e não por Vladimir Putin.

Cada gesto, cada sinal nas relações diplomáticas quer dizer alguma coisa. Do ponto de vista protocolar, Temer ter sido recebido pelo vice não foi errado, não foi uma gafe, até porque ele próprio é um vice no comando do país. Agora, se fossem outras as conjunturas o governo russo teria optado por colocar mais calor humano e político nesse encontro, o próprio Putin o receberia com honras de chefe de Estado. O que aconteceu ali foi: "Respeitamos você e ponto, você está aqui porque é membro dos Brics". Aliás, a própria participação do Brasil nos Brics foi mudada ao longo desse governo, porque Temer viu uma chance de se salvar ali, e foi aceito porque os Brics não sabe o que vem por aí no ano que vem. É claro que o governo Temer tirou o Brasil de um foco importante, mas o país está na geladeira, em stand-by, porque poderá ser útil num futuro próximo.

A situação do Brasil é reversível, então?

Reversível não por conta do Temer, que é irreversível. Michel Temer é conjuntural, uma infeliz conjuntura, mas o Brasil tem um papel muito relevante e é estrategicamente interessante que ele retome o que estava em andamento antes de Temer. A mudança da política externa do atual governo foi tão brusca, que ela soa com grau de provisória. Não me parece que um futuro governo legitimamente eleito, tanto à esquerda quanto à direita, vá tomar medidas dessa envergadura com tamanha voracidade. Se for progressista, a tendência é retomar o que estava sendo feito anteriormente. Se for de direita, ainda assim a tendência é que seja uma política menos brusca que a de Temer, mais pragmático, acendendo uma vela para deus e outra para o diabo.

O que mais pesa contra o Brasil no cenário internacional? Deterioração econômica, crise política e institucional ou a Operação Lava Jato expondo os nomes do governo? 

As notícias sobre o Brasil chegam lá fora basicamente de duas formas: pelas agências internacionais e pelos grandes veículos de imprensa que têm seus correspondentes aqui. O trabalho desses profissionais é realizado a partir da nossa imprensa. A gente não tem muita noção disso, mas o que respalda aqui é o que eles vão ecoar lá fora, o que eles vão assimilar, interpretar e traduzir para eles próprios em seus respectivos países. A nossa autoestima, que sempre foi baixa, anda destroçada. Toda a nossa mídia faz um trabalho de autodestruição e autoavacalhação, e a amplificação dos nossos problemas é algo terrível. A corrupção no Brasil sempre foi notícia no mundo afora, isso não é novidade. O que, de fato, está chocando no exterior é o impasse político, a incapacidade de o Brasil resolver suas questões políticas, um presidente que não está fazendo nada, os Três Poderes em guerra. Essa imagem do impasse é mais relevante que a crise econômica.

Em que medida as redes sociais reverberam esse negativismo lá fora e entre os próprios brasileiros?

Há pesquisadores que afirmam que o fator é limitado, enquanto outros garantem que ele não é mais restrito, dado o fato de termos praticamente um celular com acesso à internet por habitante. Além disso, temos os robôs nas redes sociais, que só nas eleições de 2014 eram 300 mil contra os então candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. As redes sociais têm dois fatores que eu julgo cruciais: um deles é a multiplicação de notícias falsas e o outro é a amplificação do ânimo das pessoas, num movimento retroalimentar de pessimismo. Seria imprecisão minha tentar cravar os efeitos disso, mas me parece que, sim, o impacto é enorme.

Temer enfrentou protestos na Noruega na última sexta-feira (23) e ainda cometeu algumas gafes diante da primeira-ministra, ao afirmar que teria um encontro com o parlamento brasileiro e com o rei da Suécia, quando, na verdade, a reunião era com representantes políticos noruegueses. Como esses fatores repercutem?

O comportamento de Temer é outro componente, é da diplomacia presidencial, e a nossa é catastrófica. Ele mostrou não estar preparado, e essas gafes que ele comete são terríveis. É preciso lembrar que não víamos o ex-presidente Lula ter esses deslizes. Quando você tem interesse na questão, você dificilmente incorre nesse tipo de erro. Mas Temer não tinha a cabeça nessa viagem. O resultado de fatores como as declarações atrapalhadas e os protestos encontram uma explicação na convergência da política com os estudos de mídia: contágio. Por isso, você não vai ver nenhum líder ou chefe de Estado abraçando Temer. Porque esse contágio é ruim politicamente para quem demonstrar afinidade com o presidente brasileiro.

Para além dos deslizes na Rússia, existe algum fator ideológico que distancie Temer de Putin e provoque consequências na relação daquele país com o Brasil?

A imprensa confunde muito isso, não sei se por desconhecimento ou de propósito, a ideologia com os objetivos de Estado. Lula e Putin são tão diferentes quanto água e óleo, não tinham nenhuma afinidade ideológica, mas tinham afinidade estratégica, que era a de criar um ambiente internacional de multipolaridade no qual os Estados Unidos seria apenas mais uma potência, e não a potência. As potências dos Brics estavam alinhadas, mas isso não pode ser considerado alinhamento ideológico. Lula, Putin e Xi Jinping são completamente diferentes e não convergem ideologicamente.

Como você avalia o fato de o governo ter divulgado, às vésperas da viagem de Temer à Rússia, o nome de um agente da CIA (serviço secreto dos EUA) alocado em Brasília e um encontro de agenda deste com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen?

Isso é uma comprovação documental do que todo mundo já sabia: somos os alvos preferenciais do sistema de inteligência norte-americano. Os Estados Unidos dão mais importância ao Brasil do que o Brasil dá a si mesmo. Eles sabem da importância do Brasil na América, no hemisfério, no mundo e nos objetivos norte-americanos. E claro que eles trabalham com informação. Para além disso, é inadmissível o governo brasileiro receber um agente da inteligência dos EUA, a menos que houvesse um objetivo comum entre as partes. Ninguém tem que proteger agente que está agindo de forma ilegal, nenhum general deveria receber esse agente. Mas parece que aqui nada mais choca. 


 Fonte: Jornal do Brasil

Datafolha: 81% defende o impeachment de Temer e 83% quer Diretas Já

 


A nova pesquisa do Datafolha confirma o que outras sondagens já haviam indicado: a grande maioria da população brasileira rejeita o ilegítimo Michel Temer como presidente da república, quer sua saída e que em seu lugar assuma alguém eleito pelo voto popular. O levantamento feito entre quarta-feira(21) e sexta-feira(23) revela que Temer é avaliado como ruim e péssimo por 69% dos entrevistados, enquanto 23% o consideram regular e apenas 7% o avaliam como ótimo ou bom. Há dois meses a avaliação positiva de Temer era de 61%.


A pesquisa concluiu também que 65% da população prefere a saída de Temer para que seja superada a crise política e que ocorra uma recuperação da economia. Por outro lado, apenas 30% defendem sua permanência na presidência. Entre os que defendem sua saída, 76% defendem que ela ocorra através da renúncia, enquanto 81% querem que Temer sofra um processo de impeachment. A pesquisa indica que 20% são contra a renúncia e 15% contra o impeachment. 

Voto popular

O maior índice, entretanto, é entre os que desejam que Temer seja substituído por um presidente eleito pelo voto direto. Independente da forma que ele deixe o cargo, 83% da população defende a convocação de eleições diretas. O percentual também confirma a tendência de pesquisas feitas por outras institutos e do próprio Datafolha, que em abril indicou que 85% (uma variação dentro da margem de erro) já defendia a soberania do voto popular para substituir o presidente golpista. Por outro lado, apenas 12% prefere uma eleição indireta.


 Do Portal Vermelho, com informações de agências

sexta-feira, 23 de junho de 2017

CCJ fará duas audiências sobre a reforma trabalhista nesta terça

 
Edilson Rodrigues/Agência Senado

A primeira audiência está marcada para as 10h. Participam da mesa a ministra Delaide Alves Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho (TST); os juízes do Trabalho Marlos Augusto Melek e Rodrigo Dias; o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury; o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade; e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.


A segunda audiência começa às 15 horas. Os senadores devem ouvir o presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Gonçalves de Araújo; o presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Ângelo Fabiano Farias da Costa; o professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) Antônio Galvão Peres; o presidente do PSB, Carlos Siqueira; o presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Guilherme Guimarães Feliciano; e o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), relator da reforma trabalhista na Câmara.

O requerimento para as duas audiências públicas é do senador Paulo Paim (PT-RS). Os debates ocorrem na sala 3, da Ala Alexandre Costa. 



Fonte: Agência Senado

A arte da troca e resistência política: quatro dias de pluralidade, construção e histórias – Por Lorena Alves*

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Andando e conhecendo as histórias da juventude do Araguaia. As madrugadas no alojamento da União da Juventude Socialista no 55° Congresso da UNE foram regadas de “biscoito ou bolacha”, legalize, dance, acorde cedo, e resista. Minas Gerais foi sede de corajosos.
Quantos estados brasileiros vocês conhecem? Geralmente costuma-se ir aos locais para se aproximar da cultura regional, porém nos congressos estudantis as histórias se reúnem em um único lugar, e quando você se dá conta o contato já virou vivência. Sotaque, hora de acordar, palavras de ordem, gritos, músicas, bebidas escolhidas, nomes para as comidas… A diversidade, de fato, ecoou nos 4 dias  e 4 cantos no 55° Congresso da UNE em Belo Horizonte – Minas Gerais, em especial no alojamento da União da Juventude Socialista (UJS), localizado no Centro de Convenções Risoleta Neves, a aproximadamente 30 minutos da UFMG e Mineirinho – locais onde o evento foi sediado.
Os militantes da juventude do Araguaia mostraram força durante os quatro dias do congresso e em toda organização do alojamento. O evento que ocorreu do dia 14/06 a 18/06, reuniu cerca de 15 mil estudantes. A maioria dos jovens da UJS chegaram na quinta-feira (15/06), devido os horários variarem conforme o estado dos estudantes. Rapidamente eles ocuparam o espaço Risoleta Neves.
A UNE representa amplitude política, e as diferentes regionalidades que estão inseridas nas muitas histórias de 80 anos da entidade. Os dias no alojamento possibilitaram a troca de experiência e luta política de quem está começando na militância do movimento estudantil, e com muita coragem foi para Belo Horizonte representar os estudantes de sua universidade. Muitas pessoas nunca tinham acampado e nem conhecido gente de tantos cantos brasileiros. Nesse acoplado de conversas estão alguns dos personagens do alojamento da União da Juventude Socialista – oriundos do Tocantins, Piauí, Bahia, Ceará, Amapá, Brasília e São Paulo.
Na noite do sábado (17/06) em entrevista à UJS, a estudante Talita nos relatou a importância da construção do movimento estudantil após o congresso. Ela representa a diversidade regional que simboliza a entidade, e nos contou:
“Meu nome é Talita, sou de Palmas, Tocantins, e curso Letras Libras no campus de Porto Nacional. O Congresso da UNE tem sido uma experiência maravilhosa, porque ela começa desde a universidade, quando formam as chapas, por exemplo. Eu e minha amiga somos delegadas, fomos eleitas para estar representando nossa faculdade, ou seja, elegendo as propostas, a partir desse ano, que estão sendo defendidas pela União dos Estudantes, e garantir que a nova gestão da UNE tenha a cara da coragem. Esse congresso é um crescimento não só intelectual, mas também de militância estudantil, porque é a primeira vez que estou aqui no CONUNE, e quero sair daqui com força para mudar o meu campus”.
Estudante do Tocantins no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

Assim como Talita, que está longe do eixo regional do sudeste, está o estudante Adriano Barros: “Meu nome é Adriano Barros, tenho 26 anos, sou do Piauí do município de Floriano. e esse é meu primeiro Congresso da UNE. O que vou levar de experiência daqui é o envolvimento político muito forte, e isso é motivador, além da união e companheirismo entre os militantes. Todos nós estamos determinados e empenhados em defender os nossos ideais e posicionamentos, isso é inspirador.” Ele considera importante a expansão de todo processo de construção no congresso e deseja que os pensamentos dos militantes sejam levados para outros lugares, além dos espaços debatidos.
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Estudante do Piauí no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros
O nordeste também estava em peso, e não deixou de mostrar sua cara: “Meu nome é Dandara, tenho 22 anos, esse é meu primeiro congresso. Estudo na UFBA (Universidade Federal da Bahia) e sou apaixonada por estudar a disciplina de Artes. Estou amando essa experiência… É muito diferente, conhecer tantas pessoas e coisas assim. Esperei muitas coisas, e muitas outras surpreenderam, inclusive esse frio.” As noites em Minas Gerais tiveram baixas temperaturas.
Dandara, estudante da UFBA, no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

Leninson Brito de Jesus, estudante baiano, também estava animado com o Congresso: “Boa noite, meu nome é Leninson Brito de Jesus, sou da UJS Salvador Bahia. Estou na minha segunda graduação, e pretendo depois fazer Direito. É o segundo congresso que eu participo e a expectativa é que melhore sempre, tanto a educação quanto os eventos estudantis”.
Leninson, militante da UJS Bahia, no alojamento da UJS | Foto: Bárbara Marreiros

A cearense Dava, estudante de Administração de Empresas na FANOR (Faculdade Nordeste), universidade de Fortaleza, compõe a União da Juventude Socialista do Ceará. “Nós (UJS Ceará) estamos aqui no 55° Congresso da UNE, maior fórum estudantil da América Latina, porque é muito importante para juventude, e para os trabalhadores. Hoje em dia o perfil da juventude é de trabalhador e estudante que quer um futuro melhor para o Brasil. Estamos na luta, e pautando um movimento que realmente caiba no dia a dia dos estudantes, na sua base. Queremos eleger a tese que realmente represente esses estudantes, que lute contra esses retrocessos que atingem a classe trabalhadora e os estudantes. Vamos votar na Marianna Dias (eleita no mesmo dia da fala da cearense) porque acreditamos que ela é a figura política que terá esse comprometimento com as universidades brasileiras.”
Dava, estudante do Ceará no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari.

Daniel de Souza Ferreira, 23 anos, Brasília, também nos relatou sua experiência: “Eu estudo na UNB, faço o curso de tradução em inglês e conheci a UJS por meio de um amigo do movimento em um curso de formação em 2015. Vim para o congresso como observador, estava em um dos 5 ônibus que saíram de lá. Foram 14 horas de viagem por um motivo muito importante, a luta é legítima. Não tem como não se indignar com a situação de repressão em Brasília, uma PM agressiva tacando bomba já não é novidade”, em referência a última  a manifestação em frente ao Congresso  Nacional. O congresso da UNE é importante também para mobilização de uma educação que valorize os professores, ressaltou Daniel em sua fala: “não há como avançar com os professores sendo desvalorizados em Brasília e no Brasil todo”.
Abmar Bárbara Banozo, acompanhava seu amigo conterrâneo. Ele, que tem 22 anos e é delegado da UNIP, participou de seu primeiro congresso. Banozo se filiou a UJS na Bienal da UNE (2017) em Fortaleza, porque se viu representado como LGBT, assim como nos debates nos quais participou durante esse congresso. Ele é o único aluno do período diurno de sua universidade que está representando as pautas estudantis.
Estudantes de Brasília no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari
Wellington Thiago, estudante secundarista do Paraná, no alojamento da UJS | Foto: Tiago Paschoalatto Fagliari.

O militante Wellington Thiago, secundarista da UJS Paraná, compareceu ao 55º Congresso da UNE e destacou a importância da presença em grande escala dos estudantes, mesmo ele tendo apenas 17 anos. O garoto que mora em Campo Largo, “eu digo aqui pro pessoal que vim de Curitiba, porque ninguém conhece Campo Largo”, estuda Artes Cênicas, faz teatro no Casarão dos Estudantes, a casa da União Paranaense dos Estudantes (UPE), “recuperamos o Casarão por meio da ocupação, e participei das intervenções artísticas”, ele que tem um grande compromisso com a entidade e os estudantes secundaristas. Thiago garantiu que tem paixão pelo mundo artístico elogiando as iniciativas da UNE, como na 10ª Bienal deste ano no Dragão do Mar em Fortaleza, evento em que se filiou a UJS, se aproximando ainda mais da militância.
Hoje, Thiago toca na bateria, e foi para Fortaleza em janeiro para o encontro de Grêmios, representando o Colégio Estadual João Ferreira Kuster, no Paraná. Ele aceitou o convite de vir ao congresso em Belo Horizonte por ter noção da importância do momento histórico que estamos vivendo na política brasileira. De acordo com o estudante – Diretor da UPES no Paraná: “Meu irmão é PROUNI, FIES, Minha Casa Minha Vida, não tem como não apoiar esses programas que há anos vem mudando a realidade de muito brasileiros”.
A viagem do paranaense também foi longa: “Foram 16 horas de viagem, a cada parada era um fervo no posto, um grito de guerra, viemos animados e fortes”. Ele também destacou a presença da recém eleita Marianna Dias no seu estado, “a Marianna ficou meses no Paraná depois que em 2016 decaiu o movimento universitário na região. Ela foi ajudar a montar delegados, e fez um trabalho de base incrível”.
“Estou muito feliz por estar em Belo Horizonte, meu avô era circense aqui, e além do ato político que esse lugar está representando, também me resgatou sentimentalidade, numa grande contemplação por saber que viemos preparados para o congresso. É minha primeira vez em BH, e não será a última. Voltarei como universitário, irei cursar Jornalismo na UEL”, conclui o estudante secundarista.
Estudantes de Rio Claro, interior de São Paulo, no alojamento da UJS | Foto: Lorena Alves

A maior bancada do Brasil da União da Juventude Socialista contou com aproximadamente 3 mil estudantes das mais diversas regiões de São Paulo, entre elas Rio Claro – interior do Estado. Luesley Luiz Alves, no centro da foto, estudante da UNESP – Instituto de Geociências e Ciências Exatas relatou que sua turma levou 12 horas para chegar no 55º Congresso da UNE. Eles estavam com uma grande expectativa para plenária fina e, nas palavras do estudante: “Hoje é um dia em que iremos fazer a defesa da política que será eleita. Queremos eleger uma representante que de fato, nos próximos 2 anos, represente os mais de 6 milhões de universitários de todo Brasil. Estamos nos desdobrando para participar do máximo de debates, temas e pautas. É isso, é UJS! Vamos à luta!”.
O estudante Henrique Pereira também estava com grandes expectativas: “Meu nome é Henrique Pereira, estudo Comércio Exterior em Rio Claro. Minha expectativa para plenária de hoje é de muito espaço para o estudante colocar as pautas mais importantes dentro da universidade, para mostrar a realidade dos estudantes e correr atrás dos direitos que o atual governo tem tirado da gente”.
Henrique Pereira, estudante do interior de São Paulo, no alojamento da UJS | Foto: Lorena Alves

E viva o Movimento Vem Quem Tem Coragem, construído nacionalmente para que todas essas pessoas pudessem e possam ter voz em suas universidades, porque só quem tem a cara do Brasil conseguirá alcançar as mudanças que o país precisa. Nos quatro dias de evento, as forças de lutas acordavam cedo no frio de Minas de Gerais; os militantes da bateria Ritmo da Luta de cada região se reuniam para representar a juventude na UFMG na maior tenda entre as entidades e no Mineirinho, simbolizando a ansiedade, o esforço na construção do congresso e a vitória. Cada plenária regional no alojamento fortalecia as palavras de ordem, e unia os delegados e suplentes de cada universidade. Muitos participaram do congresso pela primeira vez e toda aquela ambientação, programação e tarefas foram novas experiências.
As noites no Centro de Convenções Risoleta Neves contaram também com muita festa, e aproximação entre os militantes da entidade. A UJS Paraná participou em peso da Virada Cultural organizada pela UJS de Belo Horizonte. Na descrição do evento, os organizadores destacaram que a realização do mesmo foi: “uma iniciativa pela descriminalização da arte urbana, do povo preto e de periferia e que garante a participação dos diversos ritmos que rolam entre a juventude, para além de ser um espaço politizado para a desconstrução das opressões e pelo livre acesso ao amor. Já foram duas grandes edições em BH e estamos transferindo o espaço, garantindo a maior festa que o alojamento da UJS já teve para deixar a turma bem feliz e legalize. Só fique atento porque nesse espaço só entra quem tem coragem de acordar cedo no outro dia, pois o congresso é de fundamental importância”.
Por universidades que representem a juventude brasileira, em especial as que lutam com a União da Juventude Socialista e por integração latino-americana. Minas Gerais foi sede de corajosos que cantam a esperança de um Brasil e mundo novo.
*Lorena Alves, 18 anos, estudante de jornalismo da Cásper Líbero, osasquense, feminista e comunista. Militante da UJS, colaboradora da Mídia Ninja e CUCA da UNE. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Haroldo Lima: A UNE e os jovens dão exemplo a ser seguido

 Marianna Dias é a nova presidenta da UNE



Marianna Dias é a nova presidenta da UNE - Foto: Henrique Silveira/Grito




Carina Vitral, a presidenta que encerrou com luzes seu mandato vitorioso de presidenta da UNE, é de Santos, a cidade onde fica o famoso “porto vermelho de Santos”, assim descrito nos “Subterrâneos da Liberdade” por Jorge Amado, pelas lutas memoráveis lá travadas pelos portuários. 

Essas duas jovens guerreiras seguem o caminho aberto em 1982 pela também baiana Clara Araújo, primeira mulher a presidir a UNE em toda sua história, caminho depois palmilhado por outras jovens, todas aguerridas, Gisela Mendonça (1986-1987), Patrícia de Angelis (1991-1992), Lúcia Stumpf (2007-2009) e Virgínia Barros, a Vic (2013 -2015). 

Participei desse 55º Congresso de Belo Horizonte, palestrando sobre petróleo, em um dos painéis montados pela UNE para pensar e discutir o Brasil. Abracei calorosamente a Carina Vitral e a Marianna Dias. Senti o clima efervescente do Congresso, envolvi-me nele. Depois, fiquei a refletir sobre o momento por que passa nosso país e a atitude daqueles jovens.

Vivemos uma grande crise. A pedra de toque dos nossos problemas está na existência de um governo ilegítimo, que chegou ao poder nos braços de um golpe e que ao se aboletar nos postos de comando do país levou para lá uma quadrilha. A cena é tão mais chocante quanto se sabe que o caminho para o assalto foi aberto com gritos hipócritas contra a corrupção. E os quadrilheiros, profissionais da corrupção, botaram para fora uma presidenta honesta, eleita pelo povo, contra a qual não se provou nada de ilícito, apoiando-se numa farsa deslavada, a tal “pedalada fiscal”. 

Mas esse golpe, urdido no Parlamento, no Ministério Público e no Judiciário foi propalado há anos pela grande mídia monopolizada, que fez campanha sistemática para desacreditar, em primeiro lugar os políticos de esquerda, e depois, a própria atividade política, colocando todos os homens públicos sob suspeita de corrupção, como se fossem “farinha do mesmo saco”. Com isso, protegia e embelezava seus comparsas, os corruptos, igualando-os a homens de bem, e difamava os homens de bem, nivelando-os aos corruptos. 

Essa cantilena mentirosa perseguia o objetivo de desmoralizar a Nação brasileira, de botar a autoestima de nosso povo “pra baixo”, fazendo-lhe acreditar que “esse país não tem jeito”. 

Um método faccioso de enfrentar a corrupção – o método da Lava Jato - foi posto em prática e incensado pela grande mídia: uma pirotecnia gigantesca alardeava que se estava combatendo a corrupção; alguns gatunos eram presos; pessoas eram escolhidas para serem liquidadas politicamente; “delações premiadas” eram providenciadas para comprometerem essas pessoas; “provas” eram substituídas por “convicções”; e o país ia descendo a ladeira e levado a um impasse. 
Paralelamente, com extrema eficácia, arrebentava-se, não com a corrupção e suas causas, mas com um conjunto de grandes empresas brasileiras, suspendendo contratos, paralisando obras, desempregando dezenas de milhares de postos de trabalho, tudo, supostamente para “combater a corrupção”. 

O país foi ficando desgovernado, ou melhor, governado por uma quadrilha de assaltantes e por alguns Procuradores e Juízes que nunca receberam um voto para nada. Céleres, as portas vão se abrindo rápidas para os homens do capital estrangeiro, tidos como “honestos”. A desesperança vai sendo alimentada diuturnamente.

É nesse quadro cinzento que o 55º Congresso da UNE rasga o véu para um outro discurso completamente diferente, enérgico, corajoso, vibrante, o de que o Brasil tem jeito sim, e de que, na base da mobilização de seu povo, com a juventude ao seu lado, dando-lhe força, poremos fim ao governo golpista e, através de eleições diretas, reconquistaremos a legitimidade do Poder soberano e abriremos o caminho para um futuro grandioso de Nação. 

A diversidade de posições políticas e de opiniões sobre os caminhos brasileiros para o futuro estiveram presentes no Congresso da UNE e, com muita convicção, foram respeitadas. Mas, é incrível como, no meio daquela moçada entusiasmada aos milhares, não se ouvia ninguém defendendo o governo que está aí. Ao contrário. Havia divergências e pontos de vista diferenciados em muitas coisas, mas unidade em torno do Fora Temer e Diretas Já.

As falas da Marianna Dias foram empolgantes. Foi bonito escutar a verve de suas mensagens contagiando a multidão de seus colegas orgulhosos de tê-la. 

Defendeu a união na luta. Expressou a força das ideias que unem. Disse que o caminho para a vitória é o da unidade. Afirmou que naquele Congresso, "a esquerda atingiu um nível de unidade nunca antes visto na história do país". Partidos, grupos, correntes, facções todos estavam lá democraticamente participando e prestigiando a UNE. Este é o exemplo dos nossos jovens estudantes para o avanço da luta libertária. 

A jovem ex-presidente da União dos Estudantes da Bahia, aluna de Pedagogia da Universidade Estadual da Bahia, a Uneb,, galvanizou seus pares ao chama-los para que seguissem esse exemplo da UNE, que é o da própria história de 80 anos da entidade, no qual sempre deu “prova de amor ao Brasil”. 

O chamamento de Marianna Dias, calou fundo no coração dos estudantes. Deve sensibilizar os brasileiros amantes da sua Pátria e da democracia, prontos a acolher o seu chamado e dar “uma prova de amor ao Brasil”, lutando por ideais grandiosos, que, como o Congresso da UNE definiu, passa pelo Fora Temer e Diretas Já.

Unidade e entusiasmo marcaram o 55o Congresso da UNE I Foto:Vitor Vogel/Cuca da UNE 

Haroldo Lima é membro da Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Marianna Dias: “A UNE é uma grande prova de amor ao Brasil”

 A nova presidenta ao falar no 55º Conune
 A nova presidenta ao falar no 55º Conune -Foto: Vitor Vogel

A estudante Marianna Dias, apesar de muito jovem, já tem uma larga experiência no movimento estudantil. Integrou o diretório acadêmico de Pedagogia da Uneb, presidiu a União dos Estudantes da Bahia (UEB) e era diretora de Relações Internacionais da UNE. Marianna integra a União da Juventude Socialista (UJS), organização juvenil que encabeçou o movimento Vem Quem Tem Coragem que uniu diversas correntes do movimento estudantil para participar do 55º Conune.

Ao assumir a presidência da histórica entidade dos universitários brasileiros, Marianna considera que a UNE tem três grandes desafios no campo político. O primeiro é fazer com que as pessoas acreditem na política. Para ela, “quando as pessoas deixam de acreditar que a política pode transformar a vida delas, a gente tem mais dificuldade de estabelecer mudanças no Brasil”. A líder estudantil considera que a política não pode ser vista como sinônimo de sujeira, de corrupção, de coisa ruim. Para ela é essencial disputar a consciência dos jovens, dos estudantes, no próximo período.

Outro desafio, segundo a nova presidenta da UNE, é fazer muita mobilização e colocar muito estudante na rua. O objetivo é “barrar os retrocessos, o avanço desse projeto que não foi aprovado pelas urnas no Brasil”, afirmou. O terceiro desafio é contribuir para que a democracia seja restabelecida no Brasil através do voto. Segundo Marianna, “a UNE tem feito uma campanha muito grande pelas Diretas Já, mas a próxima gestão terá ainda mais responsabilidade de falar sobre isso”.

Marianna Dias fala sobre os desafios da UNE


Prova de amor

Marianna Dias considera que a UNE tem um grande papel junto à juventude brasileira. Para ela a entidade “faz os estudantes acreditarem na política, faz os estudantes acreditarem que a educação é transformadora e luta para que os estudantes tenham acesso ao ensino superior no Brasil”. Até mesmo em termos de perspectiva de vida, a UNE dá esperança para que os estudantes. “A UNE é uma grande prova de amor ao Brasil”, afirmou.

Sobre a importância do 55º Conune, Marianna afirma que o evento contribuiu para comemorar em alto estilo os 80 anos da UNE porque os estudantes voltam para suas universidades animados e com coragem para transformar o Brasil. Ela considera que “fazer parte da luta política é tudo que o Brasil precisa e esta geração de jovens que confia na UNE, que constrói a UNE sairá do congresso para construir uma grande greve geral e reconstruir a democracia no Brasil”.

Marianna no Congresso da UNE


Unidade em defesa do Brasil

Ao ser apresentada aos participantes do congresso como candidata a presidenta, Marianna discursou para os milhares de estudantes reunidos no ginásio Mineirinho. Ela destacou a trajetória da UNE ao completar 80 anos de fundação em seu maior congresso. Lembrou que a entidade surgiu em 1937 para convocar os estudantes brasileiros para defender o Brasil de forma unitária. Destacou que a UNE nasceu clamando pela liberdade ao fazer parte da campanha contra o nazi-fascismo. Também ressaltou o protagonismo da entidade na campanha pelo Petróleo é Nosso para defender a soberania do Brasil. A mesma UNE lutou contra a ditadura militar, que levou diversos militantes, diversos estudantes brasileiros por conta da repressão, por conta da violência e do autoritarismo. “Lutamos e conquistamos a redemocratização do Brasil bravamente para que a liberdade, para que a soberania, para que os direitos do povo pudessem ser resguardados. Também não nos furtamos, na década de 1990, de lutar contra o neoliberalismo e a tentativa de retirar os direitos dos trabalhadores, contra as privatizações”, afirmou a dirigente estudantil.

Ainda se dirigindo aos estudantes de todo o Brasil, Marianna destacou “que o momento que o Brasil vive exige que as forças democráticas e populares se unifiquem”. Para ela, a história da UNE demonstra que era necessário conformar uma grande unidade de forças para dirigir as lutas da entidade. Destacou que o Brasil conseguiu construir um país melhor, em situação de quase pleno emprego, de democratização da universidade, como demonstrava a cara do congresso estudantil. Nordestina, citou a transposição do Rio São Francisco, que levou água para o Nordeste. “Eu sei e o meu povo do Nordeste sabe que a fome e a miséria, que a seca e a fome não podem ser a cara do Brasil”, afirmou. 

Para Marianna, só com muita unidade será possível transformar o Brasil. “Tenho a convicção de que com a força de sete milhões de universitários do Brasil nós seremos vitoriosos. Porque Honestino Guimarães disse que nós voltaríamos e seríamos milhões. E nós estamos aqui e nós somos milhões! E nós vamos derrotar o presidente golpista da República e construir uma grande jornada de luta, uma grande greve geral”, afirmou sob forte emoção. Para ela, a vitória só será possível com a união de todo o conjunto do campo democrático e popular. 

Ao encerrar seu discurso, a nova presidenta afirmou: “nós somos os estudantes e este congresso da UNE representa a esperança que o povo brasileiro pode ter numa juventude que não abandona o Brasil, que não abandona a luta política, que acredita que através da unidade nós construiremos  futuro melhor. Viva a Frente Brasil Popular! A unidade é a bandeira da esperança e nós somos a esperança do Brasil. A UNE somos nós, nossa força, nossa voz”.

 

 Marianna Dias e Carina Vitral, que presidiu a UNE entre 2015 e 2017 I Foto: Carol Burgos