ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O golpe e a lei da selva no trabalho



O presente de final de ano do governo Temer para os trabalhadores – "Belíssimo", como definiu o presidente – foi um conjunto de propostas que, como de hábito, ganhou o rótulo de "modernização" ou "atualização" das leis trabalhistas, uma forma suave de apresentar seu pacote. Talvez sob inspiração da época, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, declarou que as mudanças, se implementadas, têm potencial para estimular a criação de mais de 5 milhões de empregos. O mesmo número do período 2010/2011, por exemplo, de forte crescimento econômico e expansão do emprego formal, em um cenário oposto ao atual.

As medidas permitem que convenções coletivas se sobreponham à lei em algumas situações, incluindo temas como parcelamento de férias, divisão da jornada de trabalho, deslocamento in itinere (de casa para o trabalho), intervalo intrajornada e banco de horas. Aumenta para 120 dias o período de trabalho temporário e mantém o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado no governo Dilma, que passa a se chamar Programa de Seguro-Emprego (PSE). Outra proposta é de eleição de um representante dos empregados em empresas com mais de 200 funcionários.

A CUT aponta o pacote como "ineficaz" contra a crise e afirma que, ao contrário do noticiado pelo governo, não participou de qualquer negociação sobre o tema. A central "é contra toda e qualquer retirada de direitos", ressalta o presidente da entidade, Vagner Freitas. A CTB também não foi ouvida nem apoia as propostas. Para a entidade, trata-se de impor a "lei da selva" no mercado de trabalho. "Ninguém, no movimento sindical, é contra a livre negociação, muito menos novas conquistas dela decorrentes, que nossa legislação trabalhista prevê e até estimula", diz a central, acrescentando que a lei proíbe negociar a redução de direitos, "coibindo acordos que ficam abaixo, e à margem, das garantias previstas na CLT".

A Força Sindical, cujo presidente (Paulo Pereira da Silva, o Paulinho) é aliado do governo, avaliou que a maioria das propostas é positiva. Já a UGT criticou, inicialmente, a apresentação por meio de uma medida provisória – posteriormente, o Executivo decidiu encaminhar o pacote via projeto de lei, deixando apenas o PSE na MP 761. Decisão "prudente e sensata", segundo o presidente da central, Ricardo Patah. O Projeto de Lei nº 6.787 chegou ao Congresso em 23 de dezembro.

O pacote trabalhista se junta a outras medidas que têm efeito sobre o mercado de trabalho, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de "reforma" da Previdência, que desconsidera desigualdades da sociedade brasileira e aumenta o período para que um trabalhador consiga se aposentar pelo teto, entre outras maldades. Também deve-se considerar outra PEC, a 55, que limita gastos primários da União, com impacto evidente sobre áreas cruciais, como saúde e educação. E, como sempre, sem mexer no pagamento de juros, que sangra continuamente nossa economia.

O governo sinaliza com a "livre negociação" em um momento de recessão econômica, queda da atividade e diminuição da confiança, ao contrário do que os arautos do impeachment previam meses atrás. Segundo esses modernizadores do atraso, bastava remover a presidenta Dilma Rousseff para o país voltar aos trilhos. Não é o que se vê. A previsão predominante é de economia estagnada em 2017. É nessa conjuntura, com desemprego ainda em alta, rendimento menor, endividamento das famílias e crédito restrito, que os sindicatos deverão se sentar à mesa de negociação. E ainda paira sobre a cabeça dos trabalhadores projetos como o de ampliação da terceirização.

O pacote natalino também incluiu a apresentação de medidas microeconômicas. "O conjunto de medidas anunciadas pelo governo, no entanto, não é um programa de estímulo à economia e não será capaz de impulsionar a atividade produtiva. Esperava-se do governo um conjunto de iniciativas que mobilizasse investimentos e retomasse o consumo interno, com o Estado assumindo papel de indutor da empreitada de tirar a economia da recessão", diz o Dieese.

É dessa forma que o governo propõe o milagre do crescimento.

Apesar de tudo, e porque a esperança nunca pode faltar, que 2017 traga também boas notícias aos brasileiros, que não deixam de acreditar em um país de oportunidades, mais justo e menos desigual – o que inclui governantes direta e legitimamente eleitos. 


 Fonte: Rede Brasil Atual

domingo, 11 de dezembro de 2016

Nos 50 anos da morte do pai, João Vicente Goulart diz que país caminha para uma ditadura

Filho do ex-presidente lança livro onde narra as memórias dos anos de exílio de Jango e sua família, após o golpe de 1964
Por Adriana Delorenzo
João Goulart ficou 12 anos no exílio, com a esperança de que um dia retornaria ao Brasil. Mas a volta não aconteceu e, em 6 de dezembro de 1976, o ex-presidente morre em Mercedes, na Argentina. As memórias desses anos de exílio são narradas pelo seu filho, João Vicente Goulart, que lança nesta semana a obra Jango e eu: memórias de um exílio sem volta (editora Civilização Brasileira).
Segundo João Vicente, Jango achava que o golpe seria “apenas mais uma quartelada”, mas não foi o que ocorreu. A família viu a ditadura se aprofundar e teve que viajar a outros países. “A gente se torna, como digo no livro ‘aves peregrinas’”. Em entrevista à Fórum, João Vicente fala sobre a obra, a convivência com a família e amigos, fazendo um resgate dos diálogos com o ex-presidente.
Sobre 2016, João Vicente Goulart acredita que “o país está caminhando para uma ditadura, sem dúvida alguma, de supressão dos direitos fundamentais, supressão dos direitos dos trabalhadores”.
Confira os principais trechos da entrevista a seguir.
O livro
Tínhamos várias cartas, mas pessoais. Não é um livro de academia. Temos muitos documentos, inclusive que estavam nas mãos do SNI e de outros órgãos de informação, mas nós não publicamos essa parte técnica, não é um livro para pesquisa. O livro tem um recorte, não traz os acontecimentos da morte de Jango, a exumação. E termina no exílio mesmo, porque ele não teve a volta que ele tanto sonhava, de retornar ao País. Começa no dia do golpe e termina no dia da morte dele. Tudo que veio a ocorrer depois, como a Operação Condor e a exumação, está fora. O recorte é do dia 2 de abril de 1964, quando nós chegamos no Uruguai, ao dia 6 de dezembro de 1976, quando ele faleceu.
É basicamente um diálogo entre um pai e um filho no exílio. Fui para o exílio com 7 anos e cresço ao lado de meu pai, que, casualmente, era um ex-presidente da república. O livro é a relação entre Jango e eu, da forma como ele se expressava, falava com uma criança, as dificuldades em si do exílio, de como chegamos a certo momento a ter que passar por vários países, a esperança da volta. No começo ele mesmo pensava que o golpe de estado seria apenas mais uma quartelada, como tantas que houve no Brasil. Esperava que em 1965 houvesse eleições. E que qualquer presidente que fosse eleito teria que dar a anistia, garantindo o retorno de todos aqueles que haviam sido cassados, procurados e perseguidos com o golpe.
O livro fala também da eterna luta dele pelo seu país. Acho que isso é o mais importante de tudo. Tem alguns documentos inéditos, entrevistas, que mostram a visão dele, o seu pensamento sobre economia, sobre desenvolvimento, sobre as reformas de base, que ele não pode fazer no Brasil. Todas elas colocadas de um ponto de vista do dia a dia de uma família que sofre no exílio. E a gente se torna, como digo no livro “aves peregrinas”. Aquilo que ele imaginava que seria uma quartelada, à medida que o tempo passa, vai se tornando mais difícil. Não era simplesmente uma quartelada brasileira, era todo um plano arquitetado pelo Departamento de Estado americano para a América Latina. Cai o Brasil, depois cai a Argentina, Peru, Bolívia, Chile, Equador. Chegou a um ponto, em 1976, o ano de seu falecimento, que quase todos os países latino-americanos tinham instalado ditaduras militares com o apoio do Departamento de Estado Americano. Relato todo esse sofrimento de passar de país em país, Uruguai, Paraguai, Argentina, terminamos na Europa, na Inglaterra. Tudo isso era um sofrimento constante com a esperança da volta.
Memórias marcantes
São várias passagens. Na verdade Jango, quando cai em 1964, cai pelos seus acertos, como dizia Darci Ribeiro, cai porque queria fazer do Brasil uma sociedade mais justa, através das reformas de base – a reforma agrária, a tributária, educacional. Entre as memórias, tem a relação dele com Paulo Freire, tivemos várias vezes com Paulo no exílio. A relação com a economia, já que estivemos várias vezes com Celso Furtado, que foi seu ministro. Ele brincava muito: ‘nós é que éramos os incapazes, daí os militares brasileiros entregam toda a economia, prometem como Delfim Neto prometia na época, crescer o bolo para depois dividir’. Não dividiram com ninguém, ao contrário, alegaram que pegaram um país com uma inflação de cerca de 60% ao ano e entregaram com 200% depois de 21 anos e uma dívida multiplicada por cem.
Essa é a realidade que vamos contando no livro, essas derrotas, vamos dizer assim, diárias, mensais e anuais, que a gente passou no exílio sob um ponto de vista de um pai para um filho. A gente reconstrói esses diálogos, dele com seus amigos, com Celso Furtado, com Raul Ryff, Darci Ribeiro, Miguel Arraes. Contamos também as tristes saudades. Tivemos que conviver com uma esperança durante 12 anos que não se realiza. Mas ele tinha a absoluta certeza de que o seu posicionamento no exílio era o correto, e que ele voltaria ao Brasil depois que o último exilado voltasse. Na medida em que as ditaduras foram se formando na América Latina tivemos que sair do Uruguai, em 1973, depois Paraguai. Fomos à Argentina a convite do Perón, porque havia a partir dali uma nova esperança para as democracias latino-americanas. São inúmeros os amigos latino-americanos que sofreram esse tipo de pressão, sem poderem voltar a seus países de origem. Essa democracia demora, só vem a acontecer anos depois. No Brasil, a anistia só veio em 1979. Mesmo depois da anistia nós viemos a ter eleições diretas para presidente da república só dez anos depois, em 1989.
Envenenamento e exumação
Evidente que eu acredito que meu pai foi envenenado. Nós temos depoimentos de agentes, documentos de monitoração, temos um monte de circunstâncias. Fizemos a exumação, existe uma substância que não deveria estar ali, mas em condições mínimas, que não permitem tecnicamente dizer que foi ela que poderia ter feito esse envenenamento. Temos o pedido ao Ministério Público brasileiro, que é tão zeloso em outras coisas, até hoje não pediu oitivas aos agentes americanos.
Tudo isso sobre a morte dele não está na conjuntura do recorte do livro. Quem sabe entra num segundo livro. Temos mais de 7 mil documentos que mostram monitoramento, mas estamos esperando o posicionamento do zeloso Ministério Público do Brasil para que tenha coragem – já que tem tanta coragem para algumas coisas – de pedir a auditiva. Outros países, como o Chile, fizeram.
Resistência ao golpe 
Ele tinha uma personalidade profundamente pacifista para com seu povo. Em 1964 nós tínhamos uma esquerda esfacelada, uma direita raivosa, e, pior do que isso, nós tínhamos o apoio da inteligência americana, e esperavam uma resistência muito grande. Meu pai saiu de Brasília, foi até Porto Alegre, conversou com o general Ladário Telles e sentiu que não existia condições de resistir. Uma ordem dele de resistir ao golpe de estado seria uma carnificina e uma guerra civil no Brasil, porque ele tinha informação, que veio à tona cerca de dez anos depois, da quarta frota americana. Havia aviões, navios-tanque, armas atômicas, que dariam suporte aos militares golpistas.
Ele tinha esse conhecimento, não resistiu e acho que essa foi, sem dúvida alguma, uma grande vitória do presidente João Goulart. Porque ele evita um derramamento de sangue em nosso país e evita também a divisão territorial do Brasil, como era de praxe dos Estados Unidos fazerem, como, por exemplo, no Vietnã, na Coreia, na Alemanha, pós-Segunda Guerra.
Isso eu conto no livro, no seu dia a dia, ele tinha certeza que um dia a história iria fazer as homenagens necessárias e o reconhecimento de que ele era merecedor, pena que até hoje nós não conseguimos fazer as reformas de base que ele queria. E Jango foi o único presidente constitucional republicano de nosso país que morre exilado.
Golpe em 1964 e golpe em 2016
O livro é interessante até pelo que aconteceu neste ano. Para nos dar conta de que as ditaduras estão se transformando. As ditaduras militares hoje mudaram de aspecto. Hoje nós trocamos o “cap” pelas togas. E este país está caminhando para uma ditadura, sem dúvida alguma, de supressão dos direitos fundamentais, supressão dos direitos dos trabalhadores, dos pontos educacionais freireanos, privatização de meios fundamentais, como a Petrobras.
A PEC 55, por exemplo, é uma reforma ao contrário daquelas que Jango pregou, que eram em benefício dos trabalhadores, daqueles que são verdadeiramente os donos do país e não as empresas multinacionais, que hoje controlam toda a nossa economia.
Fonte: Revista Fórum

Os curiosos apelidos da lista da Odebrecht

Da Redação
O depoimento do ex-vice-presidente institucional da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, para as autoridades da Operação Lava Jato poderá até derrubar o governo Temer. A tragicomédia deixa, no entanto, um legado de apelidos hilários e pra lá de curiosos a que os políticos eram referidos nas listas de caixa dois da empresa. Confira aqui alguns deles:
Geraldo Alckmin (PSDB_SP), o “Santo”.
Romero Jucá (PMDB-RR),”Caju”.
José Carlos Aleluia (DEM-BA), o “Missa”.
José Agripino (DEM-RN), o “Pino” ou “Gripado”.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamado de “Botafogo”.
Marco Maia (PT-RS), o “Gremista”.
Renan Calheiros (PMDB-AL), o “Justiça”.
Eliseu Padilha (PMDB), o “Primo”.
Moreira Franco (PMDB), o “Angorá”.
Ciro Nogueira (PP-PI) , o “Cerrado”.
Gim Argello (ex-senador pelo PTB), o “Campari”.
Delcídio do Amaral (ex-senador PT), “Ferrari”.
Geddel Vieira Lima (PMDB), “Babel”.
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), “Caranguejo”.
Duarte Nogueira (PSDB-SP), “Corredor”.
Antônio Brito (PSD), “Misericórdia”.
Arthur Maia (PPS), “Tuca”.
Heráclito Fortes (PSB-PI), “Boca Mole”.
Inaldo Leitão (ex-deputado pelo PL), “Todo Feio”.
Bônus: Geraldo Alckmin, (citado em outra delação, teria recebido R$ 2 Milhões para a sua eleição de 2010 e mais um tanto ainda não revelado para a reeleição de 2014), o “Santo”.
Fonte: Revista Fórum

Pato plagiado da FIESP levou R$ 6 milhões antes de ir às ruas “contra a corrupção”; “depois de muito choro”, diz Odebrecht



Da Redação

A empreiteira Odebrecht fazia muitos negócios nos e com os governos e os parlamentares.

Na versão apresentada pelo operador do propinoduto da empresa à Lava Jato, era uma troca explícita entre dinheiro e legislação.


Um dos “negócios”, segundo Claudio Melo, envolveu uma doação de R$ 10 milhões dividida assim: R$ 6 milhões para Paulo Skaf, o presidente da Fiesp, associação empresarial que teve papel decisivo no impeachmentde Dilma Rousseff.

Skaf é o homem do pato de borracha — plagiado, aliás, de um artista holandês — que misturou a campanha pelo impeachment à campanha contra impostos enquanto embolsava a grana da Odebrecht.

O dinheiro financiou a campanha mal sucedida dele ao governo de São Paulo, em 2014.

Em resumo: ele recebeu propina, perdeu a eleição regional e foi às ruas lutar contra a “corrupção” dos outros.

Eliseu Padilha recebeu outros R$ 4 milhões em dinheiro vivo, que tratou de “rachar” com o homem do impeachment na Câmara, Eduardo Cunha, e o amigaço e conselheiro de Temer, José Yunes.

As informações foram divulgadas pela revista Veja, pelo site BuzzFeed e pelo vazamento de trechos da delação nas redes sociais.

“Depois de muito choro, não tive como não ajudar”, escreveu Marcelo Odebrecht, o presidente da empresa, em e-mail enviado a subordinados. Ele acertou a propina aos peemedebistas pessoalmente, em visita ao Palácio Jaburu.

O delator define o ex-ministro Geddel Vieira Lima como “ávido” por dinheiro e afirma que Eliseu Padilha e Moreira Franco faziam uma tabelinha para pedir dinheiro em troca de favores administrativos e legislativos.

Os dois formam o “coração” do governo usurpador de Michel Temer.

Moreira Franco, por exemplo, teria ‘matado’ a ideia de um terceiro grande aeroporto em São Paulo, para não prejudicar os negócios da Odebrecht no Galeão, Rio de Janeiro, de onde a empresa é concessionária.

No Senado, Romero Jucá centralizava os recebimentos — teriam sido R$ 22 milhões no total.

Foi assim que a Odebrecht comprou, por exemplo, as MPs 613 e 627, através das quais obteve vantagens tributárias — sempre segundo o delator.

Melo é apenas o primeiro dos executivos da Odebrechet a delatar — serão mais de 70.

Fonte: http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/

sábado, 10 de dezembro de 2016

Daniel Almeida: Reforma cruel


Em pouco mais de seis meses de gestão, Temer anunciou as medidas mais estapafúrdias, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55) em tramitação no Senado, que congelará por 20 anos investimentos em áreas essenciais, como educação, saúde e segurança. Tal matéria foi batizada de PEC da Morte, da Maldade. Não imaginávamos que recebêssemos no Congresso proposta com conteúdo pior.

Mas por que a reforma da Previdência nos moldes de Temer é a mais perversa? Primeiro, porque compromete o futuro de, praticamente, todos os brasileiros: homens, mulheres, trabalhadores urbanos e rurais, professores e até pessoas com deficiência.

A idade mínima de aposentadoria passa a ser 65 anos indistintamente, podendo ser elevada conforme projeções do IBGE sobre expectativa de vida. Para se aposentar com 100% do salário médio, serão necessários 49 anos de contribuição. Tendo em vista a realidade brasileira, a maioria das pessoas terá de trabalhar até morrer.

A extrema insensibilidade social do governo está presente em todos os pontos do projeto. Só poderá se aposentar por invalidez, por exemplo, quem tiver incapacidade permanente para o trabalho em geral e não na atividade habitual, como é o mais comum. O país não dispõe hoje de serviços adequados de readaptação profissional em todo o território nacional, o que excluirá muitos. Na prática, estarão sem trabalho e sem benefício futuro.

Já as pensões por morte terão valor reduzido à metade da já diminuta aposentadoria, acrescido de 10% sobre cada filho até o limite de 100%. No momento em que mais precisarem do Estado, essas famílias ganharão um benefício ainda menor.

Os mais pobres, hoje amparados pela Lei Orgânica da Assistência Social, também estarão desassistidos. Se não tiverem como se aposentar aos 65 anos, só poderão pleitear algum benefício social com 70 anos. Ficarão cinco anos sem renda, em condições de miséria. Esses são apenas alguns exemplos do quão nociva é esta reforma. Desestimula o espírito humano e solidário no país.

Defendemos o equilíbrio fiscal, mas é hora de Temer taxar os mais ricos, os bancos e enfrentar a sonegação. Não pode exigir que toda a sociedade, especialmente, a mais vulnerável, arque com o custo do ajuste.

Serão meses de embates no Congresso. Temos de reforçar a luta agora e impedir este grande retrocesso social que nos levará novamente ao século 18.


*Deputado federal pela Bahia e líder do PCdoB na Câmara

Delação da Odebrecht liga Temer à doação ilegal de campanha em 2014



Dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões, ou seja, mais da metade, eram destinado a Paulo Skaf, então candidato do PMDB ao governo de São Paulo, e outros R$ 4 milhões seriam destinados a Padilha para as campanhas do partido.

O delator é o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que disse ter repassado parte dessa quantia em dinheiro vivo a escritório de Yunes, em São Paulo. José Yunes é conselheiro amigo de Temer há 40 anos, já se considerando "psicoterapeuta político" do peemedebista, e foi nomeado para a assessoria especial da Presidência.

Os relatos dão conta de que, em maio de 2014, Marcelo Odebrecht participou de um jantar com Michel Temer e Eliseu Padilha, hoje chefe da Casa Civil, no Palácio do Jaburu, a residência oficial do então vice-presidente. Deste encontro acertando o "apoio financeiro", o empreiteiro decidiu repassar R$ 10 milhões às campanhas do PMDB.

Reportagem da Revista Veja já havia narrado esse jantar. Á época, a assessoria de Temer havia confirmado o encontro, mas posicionando que a conversa foi "sobre auxílio financeiro da construtora Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor e conforme foi depois declarado ao Tribunal Superior Eleitoral".

Mas a reportagem do Buzzfeed aponta que "a versão do delator da Odebrecht, no entanto, é outra". "Os recursos que Melo Filho cita em sua delação não foram depositados em contas partidárias conforme manda a Justiça Eleitoral. Aos investigadores, ele revelou que um dos endereços de entrega do dinheiro teria sido a rua Capitão Francisco, nº 90, em São Paulo. Justamente a sede do escritório José Yunes e Associados", publicou o jornalista.

Não é a primeira vez

O caso trás à tona outro episódio tentando envolver o atual presidente da República. Trata-se da tentativa de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e um dos caciques do PMDB, de apontar que se a tese de Moro e da Lava Jato fosse correta sobre liderar uma das frentes de corrupção na Petrobras, Temer não só saberia de tudo, como também seria ele o responsável.

Isso porque no fim de novembro, Cunha arrolou Temer como uma de suas testemunhas de defesa e encaminhou ao presidente uma lista de 41 perguntas. Nelas, o peemedebista que comandava a Câmara mostra sinais de que quem estava à frente do esquema corrupto era Temer.

Em uma das perguntas, por exemplo, o ex-deputado perguntava se Temer recebeu o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada em sua própria residência, em São Paulo, e se teve conhecimento de reunião com fornecedores da estatal em seu próprio escritório, "com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010".

Outra das perguntas era sobre a relação de Temer com José Yunes. "Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?", perguntou. "O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB, de forma oficial ou não declarada", questionou em seguida.

Mas a estratégia de Cunha foi impedida pelo juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Apenas 20 perguntas foram liberadas pelo magistrado do Paraná. Moro interpretou que Cunha tentava investigar Michel Temer. Entre elas, não foi liberada esta agora alvo da delação da Odebrecht.

"Nenhuma denúncia pesa contra o presidente da República e que, se isso ocorresse, elas deveriam ser investigadas no STF (Supremo Tribunal Federal), e não em Curitiba, já que Temer tem foro privilegiado", decidiu, à época, o juiz federal. 


Fonte: Jornal GGN

Encontro de Organização difunde campanha de estruturação do PCdoB


O encontro teve como objetivo reunir os secretários estaduais de organização, além dos membros das comissões estaduais, das capitais e municípios estratégicos para difundir a campanha nacional de estruturação partidária, avaliar a campanha eleitoral de 2016, aprofundar a discussão do Plano Bienal 2016/2017 e, fortalecer a organização do Partido para o próximo período. Participaram do evento cerca de 50 dirigentes, representando 16 estados.

Planejar a ação política e a estruturação partidária

O secretário nacional do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu ressaltou no encontro a importância de planejar a ação política e a estruturação partidária de forma inseparável, de acordo com recente resolução do Comitê Central. E que o encontro serviu para difundir a campanha de estruturação partidária entre os membros dirigentes da organização do partido. 

A partir disso, contou Alemão, os membros dos comitês estaduais e municipais realizarão encontros locais até fevereiro do próximo ano, tendo como pauta a avaliação da campanha eleitoral de 2016, avançar no plano de estruturação do Partido e discutir ações e metas em razão do 14º Congresso do PCdoB que se realizará no segundo semestre de 2017.

Ambiente digital

Seguindo o boom da comunicação na internet, o PCdoB irá criar um aplicativo para os filiados, inaugurar um novo site institucional e ampliar a comunicação partidárias aos seus filiados. Para Ricardo Alemão, “a ideia é fazer um recadastramento de todos os filiados em ambiente digital”.

Para ele, o ambiente digital irá amparar não só a comunicação, mas o planejamento, as finanças, a formação política e até a organização dos militantes que poderão, ao se filiar, ou recadastrar no PCdoB já serem inseridos em uma organização de base e saber de todos os detalhes do funcionamento partidário, esclareceu Alemão.

Realizações

Em 2017, o PCdoB se prepara para comemorar seus 95 anos de existência, e ao mesmo tempo celebra os 100 anos da Revolução Russa. Além disso, mobiliza seus quadros para a realização do 14o Congresso Nacional da legenda.

Segundo Ricardo Alemão, o objetivo da campanha de estruturação é chegar em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil e do centenário do PCdoB, com organismos de base em funcionamento. 


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Do Portal Vermelho, Eliz Brandão