ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Nós somos da luta, nós somos da rua: milhares de jovens contra o golpe

Um evento convocado a partir das redes sociais resultou numa vigorosa manifestação de milhares de jovens contra o golpe na Avenida Paulista, em São Paulo, no início da noite desta quinta-feira (21), feriado de Tiradentes. 



Os milhares de jovens que tomaram conta da Avenida Paulista foram convocados pelo evento Juventude nas ruas #NãoVaiTerGolpe  via Facebook, onde 37 mil pessoas disseram ter interesse e 17 mil confirmaram presença. A concentração teve iniício no Museu de Artes de São Paulo (MASP) e tomou conta de uma das faixas daquela que é uma das avenidas mais movimentas da capital paulista. Segundo a página da União Nacional do Estudantes (UNE) no Facebook, " se do lado de lá eles tem os ditadores, bolsonaros, Cunhas, nós temos a esperança, lutadores e lutadoras, trabalhadores, a juventude, estudantes". 

Veja abaixo vídeos da manifesatção produzidos pelo Mídia Ninja:

 

Fonte: Portal Vermelho

O golpe está dado

Acho que vou dar um banho de água fria em muita gente, mas prefiro ser sincero, embora saiba que não sou o dono da verdade e possa estar redondamente enganado.


Olha, eu acho maravilhoso ver esse pessoal todo protestando contra o golpe nas ruas, no facebook, nos blogs e até no resto do mundo. Mas a verdade é só uma: o golpe está dado. O impximent será aprovado no Senado e depois tornado legal no STF. THE END.

A única maneira de reverter isso tudo seria politicamente, mas nem o governo Dilma, nem o PT, nem seus aliados tem lastro suficiente para tanto. Quando tentaram derrubar Lula pela primeira vez, com o factóide do "mensalão", quem segurou a onda e impediu o golpe foram os aliados dele no centro e na direita, principalmente o Sarney. Sim, o execrável Sarney, que gostava do Lula, mas, acima de tudo, faria qualquer coisa para frustar os planos do timoneiro do golpe na época, o Zé Serra, que o clã Sarney jamais vai perdoar pela jogada que seus stormtroopers na PF fizeram para implodir a candidatura da Roseana.

A outra maneira seria, claro, uma revolução popular real, de tomada de poder, como aconteceu em Cuba. Mas as chances disso acontecer aqui são menores do que zero.

Movimentos sociais, pressão popular, greve geral, abaixo-assinados virtuais? Esqueçam. Isso não significa nada, nem nunca significou para quem está tomando o poder de assalto. Ou alguém aqui acha que Temer, Cunha, Aécio e esses bandidos todos estão ligando pra isso? Jango e Lugo estão até hoje aguardando os movimentos sociais os levarem de volta ao poder, né?

Se a coisa apertar e o caldo ferver, eles simplesmente mandam a polícia e o exército descer o cacete, igual os tucanos fazem aqui em Sumpaulo todo santo dia quando alguém sai na rua pra protestar contra os (des)governos deles há mais de 20 anos.


E se tudo isso levar o Brasil ao caos absoluto, esses mafiosos simplesmente fazem as malas e vão morar em Miami ou Paris ou qualquer outro lugar do mundo onde tenham mansões e coberturas.

E aí o mais provável é que um Hitler da vez, tipo Bolsonaro, se torne presidente do Brasil, prometendo soluções mágicas que é o que os idiotas úteis adoram ver nessas horas.

Como eu disse, posso estar errado. E gostaria, de verdade. Pena que a História prove que eu não estou...

P.S.: Eu sei, vão dizer que quando deram o golpe no Chávez, o levante popular conseguiu reverter. 

Na verdade, o que fez o Chávez voltar ao poder foi o fato dele ter controle total sobre uma grande parte das forças armadas, que a partir da reação da população, teve força para obrigar os golpistas o devolverem Chávez e picarem a mula. 

Alguém aqui acha que Dilma ou o PT tem esse poder sobre o exército aqui? O Lula talvez teria, esticando muito o otimismo. Mas hoje, com a Lava Jato demonizando ele 24 horas por dia? Nope...

Fonte: Blog TUDO EM CIMA

quinta-feira, 21 de abril de 2016

PCdoB do MA homenageia deputados que votaram contra o golpe

Movimentos sociais, sindicais, entidades e representantes partidários se reuniram na noite desta quarta-feira (20), na Assembleia Legislativa do Maranhão, para fortalecer a luta pelo Estado Democrático de Direito no Brasil. Em Ato em Defesa da Democracia e da Constituição, o PCdoB homenageou deputados federais que votaram contra a autorização do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no último domingo (17).


 
 

A solenidade foi marcada pela luta em defesa da Constituição e da Democracia e contra o golpe orquestrado para destituir a presidenta Dilma Rousseff. Os parlamentares que votaram contra o impeachment foram homenageados com uma placa entregue pelo governador Flávio Dino e pelo presidente do PCdoB do Maranhão, Márcio Jerry. 

Em seu discurso, Flávio Dino explicou que o objetivo do Ato foi condecorar a coragem, determinação e atitude de Dilma Rousseff, dos parlamentares e dos movimentos sociais que combatem a tentativa de golpe que está em curso no país. Ele ressaltou que não é fácil para uma mulher enfrentar o ataque, a difamação e a ofensa que a presidenta vem enfrentando. “Não tenham dúvida nenhuma de que havia e há nesse teatro e nessa farsa toda, uma série de atitudes que se explicam pelo secular e entranhado machismo”, disse Dino.

O governador enfatizou também a postura ética em defesa da Constituição e da Democracia que os parlamentares homenageados tiveram. “Esses aqui mostraram que tem lado, lealdade e coragem, e por isso nossa homenagem. Optaram em ficar na minoria do parlamento para ficar na maioria do coração do povo e na sociedade que reconhece a atitude deles”, realçou, se dirigindo aos deputados maranhenses Rubens Júnior (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Waldir Maranhão (PP), Zé Carlos (PT) e Júnior Marreca (PEN), além do parlamentar, maranhense, pelo Rio de Janeiro, Wadih Damous (PT). 

Flávio Dino fez uma análise da trajetória política do Brasil e defendeu o maior ciclo democrático da história brasileira. De acordo com ele, a concretização da democracia está ameaçada por uma manobra que não encontra amparo judicial. “Inventaram um negócio chamado pedalada fiscal. Olha que eu estudo direito há mais de 30 anos. Eu nunca vi um arranjo tão mal feito, tão feio quanto esse que inventaram”, bradou. 

Márcio Jerry destacou que o Maranhão deu mais uma contribuição ao Brasil com o Ato em Defesa da Democracia e da Constituição, ao homenagear os deputados que votaram contra o golpe. “Um momento importante de reconhecer a firmeza, o compromisso com o país que tem aqueles que aqui hoje estamos a homenagear”, salientou o presidente do PCdoB/MA.

Deputados enaltecem luta pela democracia

O deputado Wadih Damous apontou o protagonismo de São Luis, a Ilha Rebelde, no combate contra o golpe e em defesa da democracia. Ele disse que no último domingo a Câmara Federal viveu seu dia de vergonha, que entrará para a história assim como o 1º de abril de 1964, quando o deputado Auro de Andrade declarou vaga a presidência da República quando o presidente João Goulart ainda se encontrava em território nacional. 


“Nós temos que barrar o golpe no Senado, é isso que nós temos que fazer agora. É muito importante que, a partir daqui do Maranhão, nós digamos ao povo brasileiro que a presidenta Dilma não praticou crime de responsabilidade como nós já deixamos claro em diversas
 oportunidades”, relevou Damous.

O atual vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, frisou que o mundo está acompanhando o cenário político brasileiro. “Muito tem se dito que o povo é soberano. Em respeito a essa soberania, é que não vai ter golpe”, sublinhou. Para Júnior Marreca, a democracia no Brasilainda é muito prematura, e é preciso lutar pelos avanços sociais obtidos nos últimos anos.

Weverton Rocha explicou que as conquistas sociais estão ameaçadas caso o golpe se concretize. “Eles que não deixaram discutir a CPMF, vão ser os mesmos que vão estar discutindo ela. Vão ser os mesmos que vão estar discutindo a reforma da presidência, tirando os direitos de tantos. Serão os mesmos que vão estar discutindo a CLT para poder flexibilizar e tirar o direito do nosso trabalhador. Tudo que eles colocam hoje que não vão fazer, sabemos que querem fazer”, apontou.


De acordo com Rubens Júnior, o movimento golpista nasceu da vingança do presidente da
 Câmara, Eduardo Cunha, porque o PT não apoiou o arquivamento do processo dele no Conselho de Ética. “Agradeço a homenagem, mas, mais do que isso, votei achando que a gente era uma minoria. Chego aqui e vejo que essa coragem não é individual, não é apenas minha de muitos deputados federais maranhenses, de um governador ou de um partido, eu vejo que esta é a coragem legítima do povo maranhense e do povo brasileiro”, acentuou o deputado.

Movimentos Sociais

O Ato também foi marcado por forte presença de movimentos sociais que entoaram o grito de “Não Vai ter Golpe”. Os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Maranhão, Adriana Oliveira, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/MA), Joel Nascimento, da União da Juventude Socialista (UJS), Tais Campos, e do Movimento dos Sem Terra (MST), Inês Pinheiro, participaram da solenidade. 

“Gostaria neste momento de saudar e parabenizar o governador do Maranhão pela coragem que tem tido de se colocar contra esse golpe. Golpe este que está sendo orquestrado desde as ultimas eleições. E orquestrado, sobretudo, porque a direita costuma ganhar as eleições no tapetão e dessa vez não ganhou”, exclamou Inês Pinheiro. 

Fonte: Portal Vermelho

“Tenho orgulho em ser atacado pela Veja. É uma piada”, diz jornalista norte-americano

Glenn Greenwald, premiado jornalista que cobriu os vazamentos de Snowden e que está acompanhando a crise política no Brasil, ironizou a revista da editora Abril, que o acusou de ter “embarcado no discurso governista”; na CNN, Greenwald diz que é “pertubador” ver o brasileiro “brincando” com a democracia. Assista
Por Redação - Revista FÓRUM.
Pelo Twitter, o aclamado jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do site The Intercept, ironizou a revista Veja depois que a publicação da editora Abril o acusou de ter “embarcado no discurso governista”.
“Tenho orgulho de ser atacado pela Veja assim. É uma piada, a Fox News do Brasil – porém, menos confiável”, escreveu o jornalista pelo na manhã desta quarta-feira (20).
Morando no Rio de Janeiro para cobrir a situação política no Brasil, Greenwald ganhou os mais importantes prêmios de reportagem do mundo por ser um dos principais responsáveis pela apuração e pelas matérias surgidas a partir das revelações feitas pelo ex-agente da NSA, Edward Snowden.
Em entrevistas e matérias que tem feito, Greenwald demonstrou concordar que o que se passa no Brasil é um golpe e afirmou esta semana, na CNN, que é “pertubador” ver o brasileiro “brincando com a democracia” em um intervalo tão curto de tempo com o golpe de 1964.
Assista.

Dilma: Lutarei em todas as trincheiras para derrotar esse golpe

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, nesta quarta-feira (20), que irá lutar em todos os níveis contra o que chamou de “eleição indireta travestida de impeachment”. A declaração foi feita durante entrevista concedida a blogueiros no Palácio do Planalto. Segundo a presidenta, o governo, apesar de respeitar a legislação e a representatividade do Congresso, considera ilegítima e distorcida a forma como se deu o rito do pedido de interrupção do seu mandato.

Roberto Stuckert Filho/PR
 Dilma em entrevista a blogueiros nesta quarta-feira (20)
 Dilma em entrevista a blogueiros nesta quarta-feira (20)
“O que está em questão não é o meu mandato, está em questão o processo democrático. Ou seja, está em questão aquilo que a gente dava como garantido. Eu nunca achei que outra vez eu ia estar lutando por democracia. Então, como isso está em jogo eu vou lutar em todas as trincheiras que eu puder para derrotar esse golpe, onde for necessário eu vou. […] Uma coisa é respeitar, outra coisa é saber que o rito foi inteiramente permeado de cerceamento à defesa e desvio de poder por parte de quem o conduzia”.
Ainda sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Dilma disse que ele foi o “conspirador-mor” da desestabilização do seu governo e representa “o pecado original” do processo de impeachment.
“O conspirador faz o processo de impeachment, não olhando as bases reais dele, mas olhando o fato de que os seus, a sua negociação chantagista não tinha sido aceita. […] Mas o fulcro da ilegitimidade é que quem quer me substituir e conspirou para isso, não tem voto popular. E só tem um jeito de você legitimar-se na democracia, voto popular”.
Confiante em relação à continuidade do seu governo, Dilma disse que chegou o momento de se provar quem são os verdadeiros democratas do Brasil.
“Quem vai respeitar a Constituição Federal nesse País? Estou sofrendo o pior dos agravos que é ser condenada injustamente. […] Eles não me afastarão, eu continuarei sendo a presidenta da República. Não acho que seja algo decisivo. Tenho que manter o que sou, sou presidente da República Federativa do Brasil, eleita por 54 milhões de votos”
Questionada sobre que País espera deixar para seu neto, Dilma disse desejar o fim do ódio, da intolerância e  do preconceito contra índios, mulheres e orientações sexuais.
“Quero um país em que o meu neto olhe para povo brasileiro e lembre sempre que ele, o brasileiro, é o guardião de tudo que nós temos de melhor. Então, que ele saiba ter um padrão de julgamento, em que ele defenda aqueles que mais precisam e que ele viva num país melhor do que eu vivi. Acho que ele vai vier, porque eu vivi uma parte da minha vida na ditadura, estou vivendo na democracia. E acredito que nós vamos assegurar que essa democracia inclua, desenvolva, que eticamente seja intolerante e não incite o ódio nem o bullying”.
  Leia também:
Fonte: Blog do Planalto 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Paulo Kliass: O que temer no governo de Michel?

Documento do PMDB sugere a retomada do processo de privatização e orienta a desconstrução das conquistas em torno das políticas sociais.
Paulo Kliass*


O Brasil conseguiu a proeza de oferecer ao mundo as lamentáveis imagens de encerramento do primeiro round da tentativa do golpeachment, com o apoio essencial do réu Eduardo Cunha no comando do processo no interior da Câmara dos Deputados. A aceitação da denúncia ocorreu sem a apresentação de nenhuma prova contra a Presidenta da República que justificasse seu impedimento, uma vez que a Constituição prevê a existência de crime de responsabilidade no mandato em curso.

Na verdade, trata-se de uma ampla articulação golpista destinada a conduzir ao Palácio do Planalto aquele partido político que não conseguiria se eleger em eleições diretas, o PMDB. Mais do que isso, esse precedente criminoso de ruptura da ordem democrática abre o espaço político para o retorno do programa de governo que havia sido derrotado em outubro de 2014, sob a candidatura de Aécio Neves. 

Ao que tudo indica, a partir de meados de maio o vice-presidente Michel Temer será obrigado a sair de seu exercício diário de contemplação em frente do espelho e se preparar para a difícil tarefa de governar o País por longos 180 dias. Tendo participado ativamente da conspiração para usurpar o poder da legítima mandatária, ele foi eleito na mesma chapa e assinou mais de um decreto autorizativo de natureza orçamentária, similar aos que estão na base da arguição de crime de responsabilidade contra Dilma. Porém, no entender de sua tropa de choque, em seu caso não cabe o impedimento.


Mas como se explica que tal processo tenha conseguido avançar tão rapidamente em sua tramitação nas instâncias de nossa democracia republicana? A verdade é que as classes dominantes nunca engoliram que o país fosse presidido por dirigentes políticos vinculados a causas populares. No passado, estão os desfechos de Getúlio e Jango. Por mais que os governos de Lula e Dilma fizessem de tudo para agradar nossas elites em termos de política econômica, políticas setoriais e de ocupação de cargos na administração pública, sempre permaneceu por parte da burguesia uma desconfiança e o desejo de ver instalado no poder um grupo de gente de maior confiança.

A construção de um consenso em torno da estratégia do golpe midiático-jurídico permitia sonhar com esse objetivo. Os excessos da Operação Lava Jato, os abusos cometidos pelo Juiz Moro, o massacre dos meios de comunicação, tudo parecia compor uma partitura orquestrada à perfeição. As etapas e os objetivos seriam depor Dilma, condenar Lula e finalmente realizar o sonho de reconquistar o conjunto da Esplanada de porteira fechada.

Bastaria apenas assistir a colocação de tal enredo em movimento para que se justificasse um enorme receio em relação ao governo que viesse a substituir o atual. No entanto, infelizmente, há muito mais o que recear em uma equipe montada pelo presidente do PMDB e seus articuladores do golpe. As declarações de voto dos deputados na noite de 17 de abril, os venenos destilados por figuras como Bolsonaro e os fundamentalistas radicais, as perspectivas de encerramento das investigações da Lava Jato, a possível anistia aos processos perpetrados contra o Presidente da Câmara dos Deputados, a composição política com o PSDB, enfim são inúmeros os riscos de retrocesso político embutidos no putsch.

Mas afinal o que temer de um governo comandado por Michel? Muita coisa! As possibilidades de implementação de maldades são grandes. Vejamos.

Antes de mais nada, é preciso relembrar das propostas contidas no documento chamado “Uma ponte para o futuro”, que foi divulgado ainda no ano passado pela Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB. À frente da organização do material, mais um ex integrante dos governos Lula e Dilma, Welington Moreira Franco. Ele ocupou a vice presidência da CEF (2007-10), a Secretaria de Assuntos Estratégicos (2011-13) e a Secretaria de Aviação Civil (2013-15).

A agenda de malvadezas contidas naquilo que denunciei como uma verdadeira ponte para o passado se orienta pelo mais fiel pensamento conservador. O documento sugere a retomada do processo de privatização, orienta a desconstrução das conquistas em torno das políticas sociais, propõe a ruptura com as políticas de integração regional na América do Sul, identifica o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) como o programa que maior comprometeria o sucesso de um ajuste fiscal rigoroso, aponta para a desvinculação das despesas constitucionais obrigatórias com saúde e educação, entre outras pérolas.

Os líderes golpistas não economizavam palavras para criticar a timidez do governo Dilma na condução da Reforma da Previdência Social e o documento do PMDB explicita a necessidade de promover a retirada de direitos previdenciários, bem como a eliminação das vinculações com o piso do salário mínimo no RGPS. Na verdade, nada muito diferente do que vinha sendo apregoado pelo ex Ministro Joaquim Levy e por Nelson Barbosa. A diferença é que talvez não haja políticos no novo núcleo duro do gabinete do golpe com sensibilidade para ouvir um pouco mais os reclamos do movimento sindical e demais setores da sociedade organizada.

O presidente do Banco Central sob os 2 mandatos de Lula também participa ativamente das articulações do novo governo. Cotado para ocupar algum cargo importante no comando da economia sob Temer, Henrique Meirelles já começa a operar com doses um pouco mais carregadas de pragmatismo. O ex-presidente internacional do Bank of Boston rompe com a crítica principista dos liberalóides da oposição tucana e já avisa que a situação exige uma postura realista.

Às favas com a demagogia do pato da FIESP! Apesar de toda a crítica oportunista dos representantes mór da sonegação empresarial, Meirelles alerta que será necessário elevar impostos. Ó santa heresia! Afinal o discurso da direita contra Dilma se baseava, entre outros aspectos, na crítica à chamada sanha arrecadatória. Com isso logrou barrar diversas tentativas, como a CPMF e outras iniciativas de tributação. Mas a fina flor do financismo acabará aceitando aquilo que condenaram durante anos como sendo a base fundamental do “bolivarianismo”. Quem sentar na cadeira de ministro, logo sentirá a responsabilidade de promover a tal da “austeridade fiscal” em tempos de recessão aberta, falências crescentes e desemprego crítico. Se insistir na tecla do superávit primário, a exemplo do que fizeram os governos do PT, o novo governo deverá promover ainda mais cortes nas áreas sociais e aumentar a arrecadação. Tarefa inglória.

Talvez consiga alguma folga na área da política monetária, pois o austericídio promovido por Levy e Barbosa reduziu tanto a atividade econômica que a própria inflação começou a ceder um pouco. Assim, não está descartada até mesmo uma redução na SELIC, encaminhada - vejam só! - por um governo da oposição conservadora. Triste ironia da história. Se engatar isso com alguma outra vantagem para o capital, o novo-velho governo poderá conseguir até mesmo uma reversão de expectativas de curto prazo. E com isso talvez obtenha uma mudança de tendência na rota recessiva.

Finalmente, é importante lembrar que estamos em ano eleitoral. Assim a proximidade com o pleito municipal em outubro próximo certamente atuará como colchão contra medidas extremas, na área da política econômica e das reformas sociais. É inegável que existem dificuldades para o PMDB e os demais partidos fisiológicos em patrocinar de forma ativa uma pauta de redução de direitos e de promoção de maiores cortes orçamentários. Este será um dos inúmeros dilemas com os quais se defrontarão os usurpadores. Como conciliar a tal da agenda da mudança - tão prometida e esperada pelas elites - com a necessidade de apontar para algum tipo de esperança para a maioria da população?

Enfim, apesar disso, o cenário pós consolidação do golpe no Senado é bastante preocupante. Por mais que a situação político-eleitoral recomende cautela, a sanha revanchista dos putschistas é de tamanha magnitude que não devemos nos surpreender com medidas anti-populares até mesmo antes de outubro. Basta lembrar que ali estão Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, José Serra, José Agripino, Tasso Jereissati, Marta Suplicy, Zezé Perrela e tantos outros. Tendo em vista a necessidade de se legitimar politicamente perante as elites do financismo, o vice-presidente conspirador muito provavelmente comandará uma agenda conservadora. Fala-se em reforma administrativa, para dar continuidade à inexplicável iniciativa de Dilma nessa toada. Enfim, a velha e conhecida sinalização do “menos Estado”, tão ao gosto das editorias dos jornalões e da TV privada.

A mobilização e o combate dos setores que se sentirem prejudicados por tal agenda não pode ser menosprezada. Afinal, espera-se que setores do movimento sindical, parcela das direções de entidades como UNE e UBES e demais organizações associativas deverão reaprender a fazer seu trabalho de base e de luta, rompendo com os anos seguidos de acomodação adesista. Porém, deverão superar a fragilidade do movimento desorganizado e enfrentar a institucionalidade repressiva do aparelho de Estado “sob nova direção”. E contar também com a ameaça representada pelo verdadeiro presente oferecido por Dilma às classes dominantes, sob a forma da lei antiterrorista, que pode ser utilizada para punir e desmobilizar o movimento.

Há muito o que temer em um governo de Michel. Afinal, trata-se de uma avenida aberta pela retirada ilegal de um governo legitimamente eleito. Daí para a promoção integral das perversidades de um programa retrógrado de inspiração neoliberal é apenas um pulo. O único caminho é a incorporação autocrítica dos equívocos cometidos ao longo desses 13 anos e a construção unitária da resistência.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.


 Fonte: Carta Maior
C/ Portal Vermelho

Dilma vai à ONU denunciar golpe dos sem voto e preocupa Temer

A presidenta Dilma Rousseff decidiu participar da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima, na Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá nesta sexta-feira (22) em Nova York. A viagem já causa preocupação entre os conspiradores golpistas comandados pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), pois ela denunciará o golpe em curso contra seu mandato legítimo.


Roberto Suckert Filho/PR
Dilma deve ir a Nova York nesta quinta (21) para participar da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na ONU
Dilma deve ir a Nova York nesta quinta (21) para participar da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na ONU

Enquanto a grande imprensa brasileira tenta dar um verniz legalista ao golpe cometido pela Câmara dos Deputados, que aprovou o pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma sem fundamento jurídico, a imprensa internacional tem apontado que o pedido de afastamento é exclusivamente político e resultado da polarização.

Em entrevista coletiva para correspondentes internacionais de 56 países, nesta terça-feira (19), Dilma reiterou que Temer não tem legitimidade para assumir o país e que o processo de impeachment é uma farsa.

“É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício do mandato, conspire contra a presidenta abertamente. Em nenhuma democracia do mundo, uma pessoa que fizesse isso seria respeitada”, afirmou Dilma.

E acrescentou: “É o golpe em que se usa de uma aparência de processo legal e democrático para perpetrar um crime que é a injustiça. Praticam comigo o jogo do ‘quanto pior, melhor’. Pior para o Brasil, melhor para a oposição. E praticam isso por meio de pautas-bomba. Também me sinto injustiçada por não me permitirem que governasse num clima de estabilidade política. Saio dessa questão dos atos com a consciência tranquila porque pratiquei atos que são praticados por todos os presidentes da República”.

Publicações como o Der Spiegel (Alemanha), The Economist (Inglaterra), El País(Espanha), Público (Portugal), The Guardian (Inglaterra), Página 12 (Argentina) e até mesmo a rede de televisão Al-Jazeera, entre outras, denunciam a ameaça contra a democracia brasileira. 

Sob o título “A crise institucional no Brasil: Um golpe frio”, o jornal alemão Der Spiegel disse que a Rede Globo atua em defesa do golpe. “Parte da oposição e da Justiça agem, juntamente com a maior empresa de telecomunicações TV Globo, para estimular uma verdadeira caça às bruxas que tem como alvo o ex-presidente Lula”, disse o jornal.

Ambulante a Temer: Golpista!

A declaração da presidenta ganha força junto à população que não apoia o golpe. Nesta terça, um ambulante que estava em frente ao seu escritório em São Paulo, o chamou de “traidor” e “golpista.

Temer está em São Paulo onde se reúne com a cúpula da legenda. A reunião tenta buscar uma saída para dar uma fachada legal ao “gabinete dos sem voto”. Segundo fontes da grande imprensa, aliados de Temer preparam, com a ajuda do jornalista Thomas Traumann e do embaixador e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Amaral, um discurso para camuflar o golpe.

Temer cogita dar entrevistas a correspondentes estrangeiros, além de escalar FHC para defender o seu golpe. Dizem as más línguas, que ele também já gravou um áudio com tradução simultânea para vazar à imprensa internacional. 


Do Portal Vermelho, Dayane Santos