ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Contraponto 18.624 - "Marina mostra os dois lados de sua face: a traição à democracia e o golpe"

Marina Silva
Por Davis Sena Filho

Marina Silva pensa que engana as pessoas ou que todo mundo nasceu ontem. Contudo, ela, ao que parece, deixou de ser “sonhática”, apesar de sonhar com um golpe contra uma presidente legalmente e democraticamente eleita. Manipuladora e camaleônica, Marina disfarça suas intenção golpista e conspira... com Aécio Neves, a quem ela apoiou no segundo turno contra Dilma Rousseff, do PT, que o derrotou nas eleições de outubro de 2014.

Marina Silva agora se autodefine como “sustentabilista progressista”, o que, definitivamente, não se sabe o que significa estas duas palavras juntas e o que ela quis dizer com isto, como sempre. Marina é a rainha do blábláblá sem conteúdo, fato este que não surpreende ninguém, nem mesmo a direita, cuja preocupação ideológica e política se resume a encher seus bolsos e explorar ao máximo os trabalhadores, razões principais de sua riqueza e de seu poder financeiro e armado em todas as épocas da humanidade.

A verdade é que Marina é um redemoinho cognitivo, porque fala muito e não diz nada com coisa nenhuma. Realmente, não se compreende, por exemplo, quando a política, que foi filiada ao PT, ao PV e ao PSB abre a boca para dizer que é “sonhática”, quando, na verdade, Marina foi cooptada pela direita, alia-se aos conservadores, bem como os apoia, não somente no discurso, mas de forma prática, como ocorreu quando firmou parceria com Aécio Neves, no segundo turno, quando Marina, definitivamente abandonou a esquerda e adentrou o campo da direita e neste espectro continua e, certamente, não sairá mais.

A diva do Itaú, da Natura e dos coxinhas de direita, que se consideram “diferentes” e “descolados”, como se tivessem “grife” e, com efeito, “chiques”, por apoiarem e votarem em Marina, aquela que na Rio + 20 e na COP-21 foi superada, porque o Governo Dilma cumpriu as metas estabelecidas pela comunidade internacional, no que concerne à preservação da biodiversidade, ao combate à poluição, à preservação das florestas, matas e rios, bem como sacramentou acordos com produtores rurais, os donos do agronegócio, no sentido de eles preservarem os ecossistemas de suas fazendas, as nascentes de rios e lagos, além das matas ciliares.

O Brasil é reconhecido e Marina jamais pensou que suas propostas seriam superadas, até porque quando ministra do Meio Ambiente do presidente Lula sua administração foi um fracasso retumbante, pois dedicado a atender às ONGs com as quais Marina se relaciona e tem influência, bem como sua atuação se dedicou à retórica ao invés de ser prática, fato que não ocorreu com seu sucessor, o deputado Carlos Minc, que em um pouco mais de um ano à frente do MMA obteve resultados mais expressivos do que Marina em seis anos. São números, índices, fatos e realidades.

Marina se associa ao golpe e, junto a Aécio, considera mais viável que o golpismo aconteça pelo TSE e não mais pelo Congresso, que, certamente, na Casa de Leis sua morte está sacramentada. E Marina sabe disso, como todo mundo. Para o bem da verdade, quem vai ser destituído do poder e depois processado vai ser o atual presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, acusado de sonegação, dentre outros crimes. Deve-se deixar claro que Cunhateve e tem ainda o apoio da grande mídia de negócios privados e de lideranças políticas do PSDB, DEM, SDD e PPS, além de outros partidos que se comportam como vagões do trem do golpe.

Marina sabe que o golpe vai ser derrotado, mas seu inconformismo e rancores políticos e pessoais contra Dilma Rousseff a transformam em uma política de estatura anã, o que a leva a se juntar ao coro dos golpistas derrotados no ano eleitoral de 2014. A verde que não é verde se transforma em uma loba de matilha prestes a perder seu território, que é o território do murmurinho, da fofoca, da política mal engendrada em maledicência e falta de juízo quanto aos interesses do Brasil, do seu povo, sem se importar ainda com a estabilidade institucional e democrática.

O impeachment nos termos apresentados pela oposição de direita é golpe, sim! E a oposição conservadora, sendo que setores dela chegam a ser fascistas, sabe que está a lutar por um golpe contra uma presidente democraticamente e legalmente constituída. A direita golpista é tão irresponsável que sabe, compreende e não se importa, porque, na verdade, nunca se importou com o Brasil, mas, sim, com seus interesses pecuniários, monetários, financeiros e econômicos, ou seja, com seu próprio bolso. Esta realidade acontece desde 1500, quando Pedro Álvares Cabral aportou na Bahia.

Marina pulou o muro e apoia o golpe. Ela corre para os braços da direita, deslumbra-se, e, equivocadamente, pensa que a casa grande, que sempre abriu suas portas à escravidão, está a recebê-la. Enganos dos enganos, a burguesia, aquele que “fede e quer ficar rica”, conforme a música de Cazuza, apenas se aproveita de situações, como ter em sua bancada pessoas ideologicamente e politicamente fracas, a exemplo de Marina Silva, Marta Suplicy e Roberto Freire, este um ex-comunista que se transformou em uma pantomima de si mesmo.

Marina apaga fogo com gasolina ao afirmar ao conservador jornal de índole golpista, Folha de S. Paulo, que “há evidências fortes de que o dinheiro de toda essa corrupção generalizada, institucionalizada, continuada, alimentou a campanha do PT”. Se isso fica comprovado, eu repito, comprovado, a chapa deve ser cassada. No meu entendimento, o processo no TSE deve ser agilizado”.

Não é uma graça a Marina? Só o PT? E o ex-partido dela, o PSB, outra agremiação que se bandeou para a direita? Até hoje o PSB não explicou a quem pertence o avião que caiu em São Paulo e matou o candidato do partido, Eduardo Campos (Alô, Polícia Federal e MP!). Além disso, como um avião de milhões de dólares não tem dono? Marina voava nele, bem como sabemos que o PSB ainda não explicou de forma incontestável de onde vinha o dinheiro para sua campanha milionária.

Além disso, todo mundo sabe, inclusive os coxinhas analfabetos políticos vestidos, ridiculamente, com camisas de Seleção Brasileira, que leem a Folha, a Veja e são espectadores passivos do Jornal Nacional e da Globo News, que o PSDB, o DEM, o PPS o SDD, dentre outras siglas partidárias, receberam dinheiro das mesmas empresas (não somente as construtoras) que financiaram o PT, sendo que, conforme o TSE, o PSDB dos tucanos derrotados e por isto transformados em golpistas receberam mais dinheiro para financiar suas campanhas do que os petistas.

Então vamos às duas perguntas que teimam em não se calar: Por que Marina Silva, em seu eterno e confuso blábláblá, não questiona o PSB e “seu” avião de luxo, sem dono, no qual ela voava lépida e fagueira? Por que a proba Marina não questiona as campanhas milionárias do PSDB, de seu aliado Aécio Neves e do DEM, o pior partido do mundo, filhote da ditadura militar e da UDN?

Não. De jeito nenhum. Seu alvo é o PT, partido onde Marina teve todas as oportunidades para ocupar cargos de expressão estadual e nacional. Todavia, neste momento, Marina Silva se torna hipocritamente e cinicamente seletiva, ao tempo que também parece sofrer de uma forte amnésia quando se trata de observar os erros e talvez os crimes eleitorais da oposição de direita da qual ela faz parte com muito orgulho, além de ser tutelada pelas ONGs internacionais e fazer parcerias com a Natura e o Itaú, financiadores de sua rica campanha eleitoral.

Marina trabalha contra o Brasil e seu poderoso agronegócio, um dos cinco mais importantes e fortes do mundo. O Brasil não é a sétima economia à toa, e não se reduz apenas à produção rural diversificada e gigantesca. O Brasil é o País poderoso que é porque se fez assim em quase todos os segmentos da economia. É por isto que a direita está desesperada e temos políticos cooptados como a Marina Silva, que no Acre, sua terra, perdeu as eleições para Dilma Rousseff e Aécio Neves. “Quem a conhece não a compra” — como diz apropriadamente o ditado popular.

Marina, que tem alma tucana, até agora não abriu o bico para falar da Samarco (a Vale privatizada), que transformou um rio inteiro, o Rio Doce, em um mar de lama. O maior desastre ambiental da história do Brasil. A “Sonhática” viu agora, de forma real, o pesadelo das privatizações e como empresários gananciosos e sem quaisquer compromissos com os interesses da sociedade se comportam e se conduzem para se locupletarem em nome de seus bolsos e cofres cheios de dinheiro.

Ah, se a Samarco (Vale) fosse empresa pública! Coitada da Dilma, do Governo do PT e até do Lula, que não está no poder. A imprensa corporativa e alienígena transformaria sua vida em um inferno ainda mais abrasador do que já é, além de vociferar para privatizar o que restou do patrimônio público brasileiro, porque o negócio é manter o Brasil como eterno País subalterno e subserviente aos ditames dos países ricos.

É desse jeitinho tosco e tacanho que funciona a cabeça colonizada, complexada e provinciana das “elites” tupiniquins. Ou seja, sempre na rabeira do que elas consideram serem suas cortes, e, consequentemente, a se beneficiarem com as migalhas “doadas” pela plutocracia internacional ao preço do subdesenvolvimento do Brasil e da pobreza do povo brasileiro.
Enquanto isso a Rede Sustentabilidade de Marina, o partido que não conseguiu se regulamentar junto ao TSE na época das eleições por incompetência, começa a agir em prol do golpe contra uma mandatária que não cometeu crimes de responsabilidade e que até agora não conseguiu governar em paz, porque a oposição há mais de um ano se recusa a descer do palanque. Trata-se do terceiro turno, que não existe. Surreal!


Marina disse à Folha que Dilma e Temer são a mesma face da moeda, o que não é a verdade. A ex-Sonhática e agora “Sustentabilista Progressista” mostra os dois lados de sua própria face: a traição à democracia, o golpe e sua cooptação total pela direita. A verdade é a seguinte: Marina Silva é golpista. Foi o que lhe restou para agradar a casa grande e quiçá, um dia, ser sua candidata a presidente. É isso aí.

Fonte: ContrapontoPIG

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CULTURA: Cinema Russo: Leonardo DiCaprio poderá interpretar Lênin em novo filme

Os idealizadores do filme afirmam que Leonardo DiCaprio se parece com o “jovem Lênin” e seria capaz de desempenhar bem o papel - Foto: Divulgação

O estúdio russo Lenfilm, reconhecido por sua importância durante a “idade de ouro” do cinema soviético, planeja fazer um filme para contar a história de Vladimir Lênin e o ator cogitado para o papel é o norte-americano Leonardo DiCaprio. 


Anteriormente, o ator mostrou interesse em interpretar três importantes figuras históricas da Rússia: Lênin, o atual presidente Vladimir Putin e o místico russo Grigori Rasputin, figura influente na política do fim do período czarista. 

DiCaprio também afirmou em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag, no último sábado (16), que há uma defasagem na filmografia mundial quando o assunto é a história da Rússia. “Devem fazer mais filmes sobre a Rússia”, incitou o ator. 

O porta-voz da Lenfilm, Valeri Karpov, afirma que o estúdio tem estrutura suficiente para realizar este projeto e acredita que o ator norte-americano seja a pessoa mais indicada para o papel atualmente. “Leo [DiCaprio] se parece com o jovem Lênin e é muitas vezes comparado a ele. Temos decorações e acessórios suficientes para recriar a era pré-revolucionária”.

Nina Kukuruzova, diretora do Palácio Yusupov de São Petersburgo – onde Rasputin foi assassinado –, também declarou estar disposta a ajudar o ator a se preparar para o papel, organizando um tour privado para ele no interior do edifício.

O cineasta Vladimir Bortko se ofereceu para dirigir o filme. “DiCaprio é um bom ator. Ele pode desempenhar qualquer papel. Eu gostaria de fazer um filme com ele, se Leo me convidar como diretor. Qual dos projetos mencionados será mais bem-sucedido? Isso depende do roteiro”, disse Bortko. 


Do Portal Vermelho, com informações da Sputnik

MOVIMENTOS: Luciana Santos no Fórum Social: Pela democracia e desenvolvimento

A deputada federal e presidenta do PCdoB, Luciana Santos, é conferencista no Fórum Social Temático que começa nesta terça (19) em Porto Alegre. Ela participa da mesa “Democracia e Desenvolvimento em tempos de golpismo e crise” que acontece nesta quarta (20), as 17h. Confira na íntegra artigo da presidenta do PCdoB sobre o tema publicado na edição impressa do Vermelho especial para o Fórum.


Luciana Santos
Luciana Santos

O Fórum Social Mundial, ao longo dos últimos 15 anos, tem sido uma das referências na articulação das lutas dos movimentos sociais contra a globalização capitalista. Sob lema de “um outro mundo é possível”, milhares de pessoas reuniram-se em grandes eventos e saíram as ruas, afirmando que o capitalismo não é a solução para os problemas da humanidade, defendendo a paz, o combate às desigualdades e a soberania.
Da luta contra a guerra no Iraque à solidariedade com a causa palestina, da resistência contra a Alca à defesa da integração latino-americana, os encontros em Porto Alegre e em outras cidades contribuíram para as transformações políticas ocorridas na América Latina e no Brasil nos últimos anos.

A realização do Fórum Temático no atual cenário ganha um papel especial. Em um contexto internacional marcado por uma grave crise do capitalismo, hegemonizado pela oligarquia financeira, e em um cenário regional onde as forças conservadoras realizam uma contraofensiva, o FSM será uma ótima oportunidade para atualizarmos nossas estratégias de luta e convergência.

Dentro deste cenário o Brasil enfrenta grave crise. A jovem democracia brasileira, conquistada à custa de inúmeras vidas e anos de luta, está sendo ameaçada por um conluio reacionário. Não se trata, restritamente, da defesa de um governo e nem de partidos, neste momento enfrentamos uma batalha em defesa da nação brasileira, do estado democrático de direito.

Parcelas da elite brasileira querem dar um golpe para impor seu programa derrotado nas urnas. Querem fazer uma ponte para o passado neoliberal, implementando um liberalismo selvagem, que visa flexibilização dos direitos trabalhistas contidos na CLT, a desvinculação de recursos do Orçamento da União para a educação e saúde, acabar com a política de reajuste do salário-mínimo com ganhos reais, por fim ao regime de partilha da Petrobras. Querem a volta de uma política externa subserviente ao imperialismo e de costas para nossos vizinhos.

No entanto, cresce a consciência democrática no seio da sociedade. São inúmeras as iniciativas contra o golpe que se encontram em curso. Manifestos de diversos setores, somados às jornadas de lutas organizadas pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo e que levaram às ruas dezenas de milhares de pessoas, são demonstrações de força dos movimentos sociais e das forças políticas em defesa da democracia e pela retomada do crescimento.

Para o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), é necessário derrotar o impeachment e abrir um novo espaço para recompor forças, construindo condições de colocar o Brasil no rumo de um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. Ao mesmo tempo a presidenta Dilma deve fortalecer o diálogo com a sociedade organizada e retomar a iniciativa política.

Mais uma vez, o povo brasileiro se agiganta em momentos como este. É hora de traçarmos estratégias, forjarmos alianças, irmos as ruas para seguir transformando o Brasil.

Firme na luta! Um bom Fórum a todos.

Luciana Santos,

Presidenta Nacional do PCdoB 



Do Portal Vermelho 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE ORGANIZAÇÃO DO PCDOB DE NOVA CRUZ ESTEVE HOJE (18) COM ANTENOR ROBERTO, PRESIDENTE DO PCDOB ESTADUAL EM NATAL

Após visita a minha mãe querida, Margarida Vasconcelos, que se encontra em recuperação no PAPI, estive com o Camarada e Presidente do PCdoB Estadual, Antenor Roberto.  Aproveitando para colocar a conversa em dia. Antenor é um militante pelas causas sociais, uma referência socialista no nosso estado Potiguar.

Antenor ficou de nos visitarmos brevemente. 

Eduardo informou que o PCdoB de Nova Cruz pretende lançará vários candidatos a vereadores no pleito desse ano. Hoje o PCdoB tem diretório e vem crescendo a casa dia com novas filiações.

BRASIL: 15 anos do Fórum Social Mundial: outro mundo é possível e necessário

Fórum Social Mundial 2016
Fórum Social Mundial 2016

O Fórum Social Mundial surge em 2001 como uma importante articulação de resistência e luta dos povos contra a avalanche neoliberal que tomou conta do mundo nos anos 90. Faz o contraponto ao Fórum Econômico de Davos, reunião anual da plutocracia capitalista, laboratório das políticas neoliberais impostas aos povos e nações.

Por André Tokarski*



A próxima edição do Fórum acontece em boa hora. O temário geral proposto, “balanço, desafios e perspectivas da luta por um outro mundo possível”, no momento em que se celebram 15 anos de FSM, pode construir leituras convergentes e ações unitárias nesse momento de enfrentamento da grave crise capitalista e da ofensiva reacionária no Brasil e na América Latina. O exercício didático de recompor o quadro geopolítico e econômico e as lutas dos movimentos sociais em 2001, ano da primeira edição do FSM, e confrontá-lo com a atual conjuntura no Brasil e no mundo, 15 anos depois, para além de fazer um balanço do FSM em si, revela que um outro mundo, anticapitalista e de paz, não é só possível, mas também necessário.

A realização da primeira edição do Fórum em Porto Alegre não foi aleatória. Os anos 90 e o início dos anos 2000 foram tempos de intensa luta no Brasil e em toda América Latina, contra a implementação das políticas neoliberais. Os movimentos sociais brasileiros vinham embalados pela realização da “Marcha dos 100 mil” em Brasilia e das inúmeras lutas contra as privatizações, o desmonte do Estado, o desemprego e as péssimas condições de vida que atingiam a grande maioria do povo. As lutas travadas em solo brasileiro chamavam atenção em todo o mundo. Naquele janeiro de 2001, Davos reunia o conclave do capitalismo imperialista e neoliberal, Porto Alegre virava a capital dos povos em luta de todo o mundo.

Em meio a tamanha diversidade de opiniões e ideias que circularam ao longo desta rica experiência, duas bandeiras importantes são elemento de unidade no Fórum e permanecem atuais: a luta por construir uma alternativa ao capitalismo e a defesa da paz e da autodeterminação dos povos.

Ao longo de 15 anos o Fórum passou pelo Brasil, Índia, Venezuela, Quênia, Senegal, Tunísia e chegará ao Canadá em agosto deste ano. O processo de construção e mobilização do FSM se relacionou diretamente com os principais acontecimentos políticos vividos na América Latina neste período. 

A eleição de Lula em 2002 ajudou a embalar uma serie de vitórias eleitorais de forças progressistas e de esquerda em todo o continente latino-americano. Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia e Equador, ao lado de Cuba e de outros países da América Central e Caribe constituíram um polo alternativo ao neoliberalismo, promovendo vultuosas transformações sociais, econômicas e políticas ao lado de um inédito processo de integração solidário e soberano.

O FSM ajudou a projetar o papel de Lula e do Brasil como líder global dos países pobres e em desenvolvimento. No Fórum de 2003, Porto Alegre viu mais 100 mil pessoas marcharem contra a ALCA , o FMI e guerra no Iraque. Um chamado do FSM ajudou a construir grandes mobilizações contra a invasão militar norte-americana no Iraque. A luta contra a ALCA também ganhou força, até ser definitivamente sepultada em novembro de 2005, na Cúpula da Américas, em Mar del Plata, Argentina, com a presença dos então presidentes Lula, Hugo Chavez e Nestor Kirchner. Ao invés da histórica submissão às grandes potências, hora rendidos à Europa, hora aos interesses norte-americanos, a derrota da ALCA foi o nascedouro de alianças soberanas entre os países latino-americanos e da perda de poder dos EUA em nossos territórios. Ali estava contido o embrião da UNASUL, da CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos) e de uma nova etapa do Mercosul.

Olhando apenas para a América Latina o balanço das lutas travadas no FSM é extremamente positivo. Uma ideia geral pode sintetizar o conjunto da obra e colocar no primeiro plano marcas e signos desse período: houve melhora significativa em todos os indicadores sociais e econômicos onde triunfaram vitórias eleitorais de forças populares, democráticas ou revolucionárias.

Mas os desafios e perspectivas apontam para uma alteração na correlação de forças do continente, com uma tendência de fortalecimento da direita reacionária. Tal mudança está imbricada com a evolução e agravamento da crise internacional do capitalismo, de curso ainda indefinido. As grandes potências, representantes da oligarquia financeira, são os causadores da crise e tentam transferir os prejuízos desta para os trabalhadores e para as nações em desenvolvimento, atacando os direitos trabalhistas e impondo pacotes de austeridade fiscal cujos unicos beneficiários são os bancos e o mercado financeiro. Esse processo se desenvolve por uma intensa e complexa batalha que se expressa no campo político, econômico e militar.

Ao traçar um paralelo entre a crise de 1929 e a atual crise nota-se, em sua gênese, a desregulamentação do mercado financeiro, a redução dos salários, o desemprego em massa, o ataque à democracia e o surgimento de expressões políticas de ódio e da intolerância. Em 1929, o resultado foi a ascensão do nazi-fascismo e a Segunda Guerra Mundial. Hoje, observamos manifestações exasperadas de ódio, racismo e xenofobia, além de uma escalada de agressões militares e de violações dos direitos humanos por parte das grandes potências.

A agenda neoliberal não foi capaz de recuperar a atividade econômica no mundo a patamares anteriores ao período da crise. Se fracassou no campo econômico parece triunfar na esfera política. Os estados nacionais operam sobre estreita margem de manobra tendo seu poder cada vez mais reduzido diante da onipotência dos mercados financeiros. É preciso recuperar a primazia da política e romper com o dogmatismo neoliberal, de que não há outra saída, senão praticar planos de austeridade e retirar direitos sociais.

Mais uma vez o Fórum Social Mundial é chamado a construir a unidades dos povos na luta anti-capitalista, em defesa do progresso social e da paz. Os movimentos sociais brasileiros tem cumprido um papel decisivo. Realizamos ao longo do ano de 2015 mobilizações unitárias e crescentes em defesa da democracia – contra a tentativa golpista de sacar Dilma da presidência da república -, em defesa dos direitos sociais e por uma nova política econômica, capaz de retomar o desenvolvimento e a geração de empregos.

Cabe aos participantes do FSM e, em especial, à Assembleia de Movimentos Sociais, que será realizada no dia 23/1, no encerramento do Fórum, a construção de lutas unitárias para enfrentar a crise do capitalismo, as crescentes agressões militares das forças imperialistas e a ofensiva da direita da América Latina. Merece atenção e solidaridade de todas as forças democráticas e progressistas os ataques sofridos pelos governos de Dilma, no Brasil, e Nicolas Maduro, na Venezuela, por parte da direita golpista e reacionária destes países. 


*André Pereira R. Tokarski foi presidente nacional da UJS (2010/2014), atualmente é secretário de Juventude e de Movimentos Sociais do PCdoB.

BRASIL: Cardozo rebate Cunha: É melhor ele se explicar em vez de se vitimizar

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, rebateu às declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que diz que as investigações que encontraram as cinco contas na Suíça, entre outras revelações, não passam de um complô entre o governo e a Procuradoria-Geral da União (PGR) contra ele.


Valter Campanato/ Agência Brasil
Ministro José Eduardo Cardozo rechaçou as ilações de Cunha
Ministro José Eduardo Cardozo rechaçou as ilações de Cunha

Para o ministro, Cunha se faz de vítima e recomendou que, antes de fazer ilações contra o governo, ele tem que esclarecer as denúncias de que é alvo. Segundo Cardozo, Cunha "inventa teses".

"Seria melhor o presidente da Câmara explicar à opinião pública as acusações que lhe são dirigidas ao invés de se vitimizar inventando teses de conluios que nunca existiram", afirmou o ministro em entrevista à Folha de S. Paulo deste domingo (17).

Cardozo também repeliu as insinuações feitas por Cunha em entrevista também concedida à Folha em que afirma que a responsabilidade dos vazamentos seletivos é do governo, citando especificamente o caso do vazamento de mensagens do ex-presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro.

De acordo com o ministro, o inquérito aberto para apurar vazamentos de mensagens de Pinheiro de "fato tinha como vítimas várias pessoas, como o ministro Wagner e o próprio Eduardo Cunha".

"Não entendo a razão pela qual ele ficou tão incomodado com a abertura deste inquérito. É estranho. Mas, se houver outro vazamento ilegal contra ele não investigado, como já disse, ele pode representar para mim pedindo apuração. Ele sabe como fazer. Já fez antes. E sempre foi atendido como manda a lei", rebateu. 


Do Portal Vermelho, com informações de agências

BRASIL: Assassinado pela ditadura, morte de Manoel Fiel Filho completa 40 anos

Agência Brasil
 
 

O assassinato de Manoel Fiel Filho naquele 17 de janeiro de 1976, na carceragem do DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, não teve a mesma repercussão da morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida menos de três meses antes no mesmo local e em circunstância semelhante.



Assim como Vladimir, Fiel foi morto sob tortura dos agentes da ditadura. A imprensa só soube do acontecido três dias depois, após a divulgação de uma nota lacônica pelo 2º Exército informando que o metalúrgico havia cometido suicídio.

Apesar da pouca repercussão, o vazamento do assassinato do metalúrgico irritou o presidente Ernesto Geisel, que mandou demitir o comandante do 2º Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, o que não interrompeu com as violações aos direitos humanos nos porões da ditadura.

Em entrevista à Agência Brasil a mulher e as filhas de Manoel Fiel Filho relataram os momentos de apreensão que antecederam o assassinato de Fiel Filho. “Meu marido morreu e salvou a turma que estava presa lá [no DOI-Codi]”, disse Thereza Fiel àAgência Brasil, ressaltando que o assassinato do marido provocou mudanças no tratamento dado aos presos políticos da época.

Ela contou que, como fazia todas as manhãs, Manoel Fiel Filho acordou cedo, banhou-se, tomou café e foi para a Metal Arte, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, onde trabalhava como prensista. Era uma sexta-feira, 16 de janeiro de 1976, e, por volta do meio-dia, dois homens, sem qualquer ordem judicial, o retiram do trabalho, foram com ele até a sua residência, na Vila Guarani, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontram e, sob os olhares apreensivos da mulher, Thereza Fiel, levam o metalúrgico para o Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). “Ele me deu um beijo na testa e foi embora. Eu falava: ‘Não leva ele, não", disse Thereza, ao lembrar que o marido chegou a dizer que voltaria logo. "E ele nunca mais voltou".

Após o sequestro de Fiel, Thereza reuniu toda a família, incluindo as duas filhas, e peregrinou por várias delegacias de polícia em busca de informações do companheiro. “Um conhecido da Polícia Civil disse que ele estava na Operação Bandeirantes [grupo criado em 1969 pelo Exército, com apoio de empresários para coordenar todas as operações dos órgãos de repressão] e que só se entrava lá com ordem do presidente da República”.

Thereza soube da morte do marido no dia seguinte, sábado, 17 de janeiro de 1976. Por volta das 22 horas, um carro parou em frente à casa. "Desceu um fulano com um saco de lixo preto na mão". Ele disse: '‘Essa aqui é a roupa dele, e ele está morto'."

Um bom marido

Um marido trabalhador e amoroso. É assim que Thereza, hoje com 83 anos, relembra Manoel. “Trabalhava na firma e ainda me ajudava em casa. Era bom demais. Atencioso, me ajudava bastante. Adorava as filhas. Marido igual àquele não se acha mais”, disse, emocionada.

Manoel saiu de Quebrangulo, em Alagoas, em 1950 em busca de uma vida melhor em São Paulo. Trabalhou como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar metalúrgico, exercendo a atividade de prensista na mesma empresa por 19 anos. Embora a família não soubesse, ele era responsável pela difusão do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro, e pela organização do partido entre os operários das fábricas do bairro da Mooca, conforme relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

A morte do metalúrgico ocorreu menos de três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, no mesmo local e em circunstâncias parecidas, sob a versão oficial de suicídio. 

As mortes em sequência de Herzog e de Manoel Fiel Filho, foram para Clarice Herzog, viúva do jornalista, uma demonstração de como a impunidade acobertava as ações criminosas dos agentes da ditadura.

“A impunidade era tão grande. Eles se sentiam tão poderosos que podiam mostrar aquela foto do Vlado enforcado com pé no chão e o Fiel Filho enforcado, sentado numa privada. É uma vergonha, porque nem se preocupavam em fazer uma farsa bem-feita, porque a impunidade para eles era total”, disse 


Fonte: Agência Brasil