ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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CAMPANHA MOVIMENTO 65

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PMDB tenta descontrair no Facebook e acaba virando piada



A tentativa de fazer um post divertido em comemoração aos 50 anos do PMDB não deu muito certo. A página oficial do partido no Facebook entrou na onda do meme ‘Diferentona’ (saiba mais aqui), mas não entendeu a proposta e acabou ironizando a si mesma.
A brincadeira começou no Twitter e rendeu várias publicações enumerando características de pessoas que se consideram “exclusivas”, mas a deturpação do PMDB em relação à ideia original desagradou os internautas. “Gente, não é assim que brinca”, alertou um. “Galera social media do partido não entendeu o meme e eu ri da vergonha alheia”, disse outra.
Veja abaixo a postagem:

Outros internautas resolveram listar características que, na opinião deles, fariam do PMDB um partido “exclusivo”.


Fonte: Revista Fórum

Cena de estupro em minissérie da Globo gera revolta na internet

Internautas classificaram a cena de violência sexual em “Ligações Perigosas” como “apologia ao estupro” e fizeram análises sobre a “seletividade moral” da emissora. “A Globo passou anos debatendo se faria uma cena de beijo gay ou lésbico. Consultou várias vezes o público. Para mostrar uma cena longa e perturbadora de estupro, não houve nenhum tipo de preocupação ou consulta”, disse colunista da Boitempo.

Por Redação 

Vem gerando repercussão nas redes sociais, desde a noite desta quinta-feira (7), a cena de violência sexual que foi ao ar pela minissérie “Ligações Perigosas”, da TV Globo. Depois de estrear na última segunda-feira (4) com bons índices de audiência, a trama foi alvo de críticas nas redes sociais por conta da cena protagonizada pelo personagem Augusto (Selton Mello), que estupra Cecília (Alice Wegmann).
Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo
“Isso não é sedução. É estupro e estupro é crime!”, escreveu uma internauta pelo Twitter assim que viu a cena, ao que centenas de outras pessoas começaram a se manifestar contra a cena e a emissora.
“#LigacoesPerigosas ensina tudo contra o qual lutamos: #assédiar, #molestar e cultura do #estupro. A sociedade diz NÃO a isso, @RedeGlobo”, tuitou outro telespectador.

Além de comentários que expressavam “nojo” ou pediam alguma atitude de autoridades como o Ministério Público, internautas fizeram também análises com outras temáticas consideradas como “tabu” para a emissora. A colunista da Boitempo Editorial Daniela Lima, por exemplo, questionou a “moral” imposta pela Globo com questões como a LGBT.

“A Globo passou anos debatendo se faria uma cena de beijo gay ou lésbico. Consultou várias vezes o público. No entanto, para mostrar uma cena longa e perturbadora de estupro, como aconteceu ontem em Ligações Perigosas, não houve nenhum tipo de preocupação ou consulta. Ainda estou tentando entender essa “moral” que interdita o amor e romantiza a violência”, postou em seu perfil do Facebook.

Fonte: Revista Fórum

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

ECONOMIA: Luis Nassif: A torcida por um 2016 melhor

Foto: Agência Brasil:  Ministro da Fazenda Nelson Barbosa.

2016 começa sob o signo da esperança – como todo ano, aliás. Há alguns fatos novos no ar, depois dos problemas enormes que o país enfrentou em 2015.


O primeiro é a vontade geral de que os problemas políticos sejam superados e a economia volte a se recuperar. Em cima dessa expectativa, há uma reavaliação ampla da atuação de vários personagens públicos.

A estabilização da economia tornou-se matéria de interesse nacional. Não adianta se apelar para esse jogo malicioso de dividir a estabilização entre governistas e oposicionistas. Em determinado momento, ganhou corpo a ideia de que a saída de Dilma Rousseff atendia mais ao interesse nacional.

Agora, a situação é outra. A bandeira do impeachment murchou e qualquer tentativa de prorrogar essa novela passa a ir contra o interesse nacional e a vestir a carapuça do golpismo.

Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Aécio Neves entram definitivamente para o duvidoso panteão dos personagens políticos nefastos, ao lado de Eduardo Cunha, daqueles que colocam interesses pessoais ou políticos, idiossincrasias e oportunismos acima do interesse nacional.

Perderam a capacidade de derrubar governos, mas mantêm o poder de continuar atazanando o país.

***

O grande desafio será, agora, na esfera político-econômica. E está nas mãos do Ministro da Fazenda Nelson Barbosa.

Nelson tem mais realismo do que as excentricidades desenvolvimentistas de Guido Mantega ou a mentalidade de contador de Joaquim Levy. Sabe que o principal desafio econômico será interromper a queda da atividade econômica. Por outro lado, tem claro os limites fiscais.

Para reativar a economia, precisará de boa dose de imaginação para articular instrumentos legais que não impliquem em mais custos fiscais. Por outro lado, tem a necessidade de impor segurança ao mercado, sim. E segurança não consiste em adotar medidas heroicas pró-cíclicas. Medidas heroicas são para enganar o freguês e permitir a economistas de jornal jogar para a plateia. Segurança consiste em apresentar um plano factível, lógico, que acene com o equilíbrio fiscal no médio prazo. E equilíbrio fiscal significa recuperar as receitas fiscais através da melhoria da atividade econômica.

***

O grande desafio de Nelson será equilibrar-se ante as demandas dos movimentos sociais e sindicatos e as do mercado. Em geral, Ministro que entra tem a fase de carência, de pelo menos seis meses para mostrar a que veio.

Por conta da crise a agenda ficou mais estreita. Mas seria importante que as forças mais à esquerda entendessem as limitações da política econômica e dessem um sinal verde para o Ministro.

A recuperação da economia não pode depender dos esforços únicos de um Ministro, mas de uma ação de governo, agitando todos os Ministérios em torno de metas claras e factíveis de crescimento.

É papel que cabe à Presidente da República. 

Fonte: vermelhor.org.br

ECONOMIA: Hotéis e aeroportos lotados: cadê a crise?

Os dados relacionados às viagens de fim de ano contradizem o cenário que a oposição e setores da mídia pintam sobre a economia brasileira. De acordo com matérias publicadas em grandes veículos, hotéis e aeroportos ficaram lotados no fim do ano. É o caso do Rio de Janeiro, que teve recorde de turistas, e do aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, cujo número de passageiros aumentou 5% em relação ao período de festas do ano passado.


 
 

Somente os cerca de 860 mil turistas que foram ao Rio para a virada do ano lançaram na economia da cidade aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Segundo a agência O Globo, a taxa de ocupação dos hotéis chegou a uma média de 90% na orla de Copacabana, Ipanema e Leblon. Nos estabelecimentos cinco estrelas, o índice chegou a 98%. 

"Foi o melhor réveillon dos últimos tempos, a cidade teve uma das mais altas taxas de ocupação e um número maior de oferta de quartos. Temos 40 mil e vamos ganhar 2 mil até as Olimpíadas. Na Barra, região onde houve investimento em novas unidades, tivemos índice de 100% de ocupação nos cinco hotéis com queima de fogos", disse o secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, que espera repetir o sucesso na próxima virada.

A expectativa é de que os Jogos Olímpicos de 2016 aqueçam ainda mais o turismo. “Dezoito mil jornalistas do mundo inteiro estarão no Rio, transmitindo imagens da cidade”, afirmou o secretário.

Mas, nesse fim de ano, os maiores responsáveis por lotar hotéis e pousadas foram os viajantes do país, prova de que, “apesar da crise” (expressão que a grande mídia gosta muito de usar), ainda há espaço no orçamento das famílias brasileiras para investir em lazer. “Os turistas brasileiros lideram a ocupação dos hotéis do Rio neste ano, com 70% das reservas”, informou à Agência Efe o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) no Rio de Janeiro, Alfredo Lopes.

Em Salvador, também não teve crise no turismo. De acordo com a Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA), 94,5% das vagas em hotéis e pousadas da capital baiana foram reservadas durante os dias que antecederam o réveillon. Estabelecimentos localizados no Centro Antigo e na orla marítima alcançaram os 100% de ocupação nos dias de festa. 

Tribuna da Bahia noticia que a festa que marcou a passagem de ano no bairro do Comércio, em Salvador, teve recorde de participantes. E que, a fim de aproveitar melhor o feriado prolongado, muitos turistas optaram por esticar sua permanência na cidade. 

Imagens de Morro de São Paulo (abaixo), região turística do município de Cairu, no baixo sul da Bahia, também ajudam a contradizer os discursos mais pessimistas sobre a economia. O terminal de embarque e desembarque do local ficou completamente lotado de baianos e turistas nesta segunda. Vídeos e fotos mostravam uma enorme fila, que se alongava do terminal até a ladeira que dá acesso aos guichês da pagamento da Taxa de Preservação Ambiental (TAP). 

De acordo com a Prefeitura de Cairu, Morro de São Paulo recebeu durante o réveillon cerca de 15 mil turistas e a ocupação hoteleira foi de 100%. 

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A taxa de ocupação hoteleira de São Luís, no Maranhão, também registrou média de 90% durante a semana do réveillon. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Maranhão (ABIH-MA). Para o presidente da entidade, João Antônio Barros Filho, os números superam a expectativa inicial, que era abaixo de 50%. 

“Estamos muito felizes com esse índice de ocupação porque, em decorrência desse clima de instabilidade financeira que o país vive, não esperávamos algo tão bom. Logo no início de novembro, o mercado já dava sinais de que teríamos esta grata surpresa, quando atingimos os 77% de ocupação.”

Em outras cidades turísticas também não foi diferente, caso de Serra Negra e Guarujá, em São Paulo. Os paulistanos, aliás, preveem um 2016 de mais viagens. Cerca de 85 % dos turistas de São Paulo afirmaram ter interesse de viajar pelo país nos próximos seis meses. Deles, 56,6% deverão visitar outras regiões, enquanto 43,4% irão a destinos dentro do próprio estado.

O incremento no número de passageiros no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, também prova que o cenário não está tão catastrófico na economia. A concessionária Inframérica previa que entre 10 de dezembro e 10 de janeiro, 1 milhão e 870 mil pessoas passariam pelo terminal. Os destinos mais procurados foram as cidades das regiões Nordeste e Sudeste.

Política cambial

A forte queda do valor do real frente ao dólar em 2015, de quase 46%, é um fatores que ajuda a explicar o incremento no turismo. A desvalorização da moeda beneficia o setor à medida que barateia as visitas dos estrangeiros ao Brasil e também porque torna mais atrativas as viagens de brasileiros dentro do país, uma vez que destinos internacionais ficam mais caros. 

Segundo informações procedentes da Argentina, a demanda por pacotes turísticos adquiridos pelos vizinhos que querem passar o verão austral de 2016 no Brasil, por exemplo, aumentou em 50% contra o de 2015. O setor do turismo nacional agradece. 

O pessimismo da mídia

Os dados do fim de ano mostram que a realidade muitas vezes é melhor do que aquilo que os veículos de comunicação – e a oposição – mostram. Muitos foram os veículos que, por exemplo, destacaram o fato de as vendas nas lojas em shoppings terem caído no fim do ano. Não contextualizavam, no entanto, a enorme mudança nos costumes que a internet tem provocado. 

Segundo a Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Alshop), a queda do comércio em shoppings foi de 1% em relação a 2014. Mas as lojas online registraram no Natal de 2015 vendas de R$ 7,4 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano passado, informou a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico. 



Do Portal Vermelho, com agências

BRASIL: Paulo Kliass: Salário mínimo e luta de classes

Ao longo dos últimos anos, alguns substantivos e adjetivos acabaram ficando meio esquecidos, deixados de lado até mesmo pela maioria dos analistas políticos progressistas. Determinadas expressões de análise da dinâmica social, então, nem pensar mais em utilizá-las. 

Por Paulo Kliass*


Pecado para uns, sintoma de abordagem jurássica pra outros, o fato é que chamar as coisas e os fenômenos pelos nomes adequados passou a ser um incômodo. Mencionar categorias como capitalismo, exploração da força de trabalho ou mais-valia ficou, digamos assim, “démodé”.

Desde que Francis Fukuyama decidiu solenemente que estava decretado o Fim da História, em razão da suposta inevitabilidade histórica da supremacia do liberalismo após a queda do Muro de Berlim e o fim da experiência dos países socialistas, a questão das contradições do capitalismo deixaram de ser levadas a sério. E dentre elas, a oposição fundamental entre os interesses dos trabalhadores e os dos capitalistas. Sim, trata-se daquela contribuição essencial de Marx e Engels para o estudo e a crítica da realidade social e econômica ao longo da História: a famosa luta de classes.

O Decreto apenas regulamenta o previsto na Lei.

Pois a divulgação do novo valor do salário mínimo pela Presidenta Dilma acrescenta um novo ingrediente ao debate. O decreto que fixa em R$ 880 a menor remuneração recebida em nosso País apenas traduz em norma governamental o que está definido na lei n° 13.152, de 29 de julho de 2015, que prevê as regras para reajuste do salário mínimo para o quadriênio 2016-2019. O aumento de 11% é ligeiramente superior à inflação medida pelo INPC em 2015 somado ao pífio crescimento real do PIB em 2014. Então, qual é o grande problema?

O fato é que esse tema reacende os ânimos no Brasil das desigualdades. As gritarias e os esperneios vão desde os que não se conformam com uma política pública definindo regras mínimas de remuneração da força de trabalho até os argumentos mais sofisticados, que invocam as fragilidade das contas públicas para condenar qualquer tipo de vinculação dos gastos governamentais com o salário mínimo. Sejamos claros: quem se coloca contra o reajuste do salário mínimo e a vinculação de despesas sociais a tal valor, na verdade quer a redução do poder de compra da maioria absoluta dos cidadãos brasileiros. Simples assim!

Essa lengalenga é antiga. Desde a época em que o reajuste combinava com a comemoração do dia internacional de luta dos trabalhadores em primeiro de maio até o período mais recente, em que o aumento passou a valer desde o primeiro dia do ano civil. Quando Lula resolveu definir uma regra legal e institucional para esse procedimento, os catastrofistas já se colocaram em ação. Reajuste real do salário mínimo, é óbvio, iria provocar desemprego e aumento do tão falado custo Brasil. As empresas iriam quebrar e as contas da previdência social iriam explodir.

O salário mínimo subiu e o Brasil não quebrou.

Pois o que se viu foi um profundo desmentido da própria realidade sobre as teorias neoliberais e os modelitos do financismo, que sempre se colocaram de um lado muito bem definido na luta de classes. Os salários cresceram acima da inflação, a redução da desigualdade avançou e a crise que vivemos atualmente não tem absolutamente nada a ver com a (ainda baixa) remuneração do trabalhador. Quando a voz solitária do deputado federal, e depois senador, Paulo Paim (PT-RS) propunha fixar o salário mínimo em 100 dólares, todos achavam uma utopia ou uma tremenda irresponsabilidade. Pois ele chegou a valer quase US$ 400 (na época mais brava da valorização artificial da taxa de câmbio) e o Brasil tampouco quebrou por isso. Enquanto escrevo este artigo, o novo menor salário do nosso trabalhador passa a equivaler a US$ 220.

O argumento mais típico do pensamento “casa-grande-e-senzala” não aceita que o grau de desigualdade socioeconômica, que tão bem caracteriza nossas relações brasileiras, seja assim resolvido por conta de ganhos reais de salários. Afinal, os serviços domésticos e pessoais, dos quais nossas elites e parcela da classe média sempre estiveram habituadas a usufruir, ficaram mais caros. Os aeroportos e centros comerciais passaram a ser frequentados por gente que não está à altura desse tipo de frequência. As camadas mais próximas da base da pirâmide se apresentaram nos lugares com seus próprios veículos de passeio. As roupas e os acessórios de grife, pirateadas ou não, passaram a ser de uso generalizado na sociedade. Ora, como é que pode tanta audácia?

A retórica ganha um ponto de maior sofisticação quando se trata de discutir os ganhos reais do salário mínimo com base em seus efeitos macroeconômicos. Nesse caso, um dos focos do debate se orienta para a impossibilidade da economia brasileira suportar esse tipo de reajuste, em razão dos impactos sobre o tão falado “custo Brasil”. Uma forma de organização da produção, do comércio e dos serviços como a nossa, não teria condições de incorporar esse tipo de aumento, uma vez que os ganhos de produtividade não foram alcançados em igual período. A última década e meia se encarregou de demonstrar o oposto.

A mentira do rombo nas contas públicas.

O outro aspecto macro relaciona-se às finanças públicas. Nesse caso, a luta de classes ganha a escaramuça do desequilíbrio fiscal e invoca a premência do ajuste das contas governamentais. Afinal, a responsabilidade do déficit do Tesouro Nacional deve mesmo ser atribuída à fortuna mensal recebida por mais de 33 milhões de beneficiários da previdência social. Sim, pois 69% deles recebem até 1 salário mínimo por mês, enquanto sobe para 84% a parcela dos que ganham 2 salários mensais. Eles devem estar quebrando o Estado brasileiro!

Assim, o total de despesas realizadas pelo INSS ao longo de 12 meses equivale a R$ 434 bilhões, valor bastante inferior ao total de pagamento de juros da dívida pública federal - R$ 511 bi. O déficit previdenciário refere-se apenas ao subsistema dos trabalhadores rurais, uma vez que o subsistema dos trabalhadores urbanos ainda é superavitário. E ainda assim vale registrar o argumento de que as necessidades de financiamento dos agricultores não estão associadas a nenhum “desequilíbrio estrutural” do regime previdenciário. Na verdade, trata-se de uma decisão histórica da Assembléia Constituinte de 1988, que resolveu incorporar de forma cidadã esse vasto setor de nossa sociedade, ao qual era proibido o acesso ao sistema de previdência social até então.

E aqui a luta de classes escamoteia dos meios de comunicação informações relevantes. Por exemplo, 99% dos benefícios rurais são iguais a um salário mínimo. Além disso, a regressividade de nosso sistema tributário faz com que as faixas de menor renda sejam mais afetadas pelos impostos do que as do topo da pirâmide. Assim, mais de 50% da renda mensal das famílias que recebem até 2 salários mínimos voltam aos cofres públicos, sob a forma de tributação direta e indireta.

Já os que se demonstram profundamente indignados com a política de valorização real do salário mínimo contribuem com menos de 30% de sua renda para os tesouros federal, estadual e municipal. Assim, o desequilíbrio estrutural fiscal mais gritante encontra-se na conta de pagamento de juros da dívida pública. Ela apresenta um déficit anual de R$ 511 bi e recolhe pouco de R$ 150 bi sob a forma de tributos sobre essa massa de recursos públicos distribuídos às camadas mais ricas da sociedade. Já os beneficiários da previdência social apresentam um déficit de R$ 80 bi, dos quais R$ 40 bi retornarão ao caixa governamental sob a forma de impostos.

O Globo sugere triplicar o salário mínimo.

Mas o capitalismo funciona assim mesmo desde os seus primórdios: uma dinâmica permanente de luta de classes. Por intermédio de suas entidades, como o DIEESE, os trabalhadores buscam demonstrar que ainda há muito espaço para avançar na melhoria das conquistas salarias (e outras) dos trabalhadores. Já as classes dominantes se expressam por meio de órgãos de imprensa, como o conglomerado dominado pela “famiglia” Marinho, cujo editorial em 31 de dezembro passado tratou do tema. O texto alertava para os riscos de rombo nas contas públicas e qualificava a política de valorização do salário mínimo de “visão econômica tosca”. Ao lançar mão da ironia grossa, suspeita de sua eficácia como instrumento para retomar o crescimento econômico.

E o distraído escriba d’O Globo encerra sua peça com uma pergunta que deveria, na verdade, ser encarada como meta pelos governos ao longo dos próximos anos: “se é assim, por que não triplicar logo o salário mínimo?”. Eis, afinal, uma bela idéia apresentada pelo jornalão.

À luta, companheiros!

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

Fonte: Carta Maior

vermelhor.org.br

sábado, 2 de janeiro de 2016

CULTURA: Por um 2016 com mais amor, liberdade e tolerância

Em 2016, o combate à intolerância religiosa será novamente uma das prioridades do Ministério da Cultura

O respeito e a preservação da diversidade cultural, o que inclui o repúdio e o combate à intolerância religiosa, são umas das prioridades do ministro Juca Ferreira em sua gestão à frente do Ministério da Cultura (MinC). 

Por Camila Campanerut*, no MinC



Desde novembro, mês em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, campanhas contra a intolerância foram realizadas pelo governo federal por todo país.No dia 20 de novembro, durante cerimônia realizada no Quilombo dos Palmares, em Alagoas, o ministro Juca Ferreira e a presidenta da Fundação Cultural Palmares (FCP), Cida Abreu, lançaram a marca da campanha "Filhos do Brasil", que busca lutar em prol do combate à intolerância religiosa. A campanha será oficialmente lançada em 21 de janeiro de 2016.
 
A Fundação Cultural Palmares atua na promoção, preservação, proteção e difusão dos valores sociais, econômicos, culturais das comunidades tradicionais de terreiro e quilombolas. A FCP conta com o Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC), que atua na elaboração de estudos, pesquisas, produção e sistematização de dados e informações relativos à cultura afro-brasileira, além da disseminação de informações qualificadas da temática negra. 
 
Ataques frequentes
 
Apesar desses esforços, os casos de violência contra praticantes de religiões afro-brasileiras têm se tornado cada vez mais frequentes. Além de ataques pessoais, atentados a terreiros e destruição do patrimônio dos seguidores de religiões de matriz africana como candomblé e umbanda marcaram o ano de 2015.   
 
De acordo com dados do Disque 100, de 2011 até o 1º semestre de 2015, foram recebidas 581 denúncias de discriminação religiosa. Desde dezembro de 2015, o serviço passou a contar com dois módulos novos: um para receber denúncias de violações contra a juventude negra, mulher ou população negra em geral; e outro para denúncias de violações contra comunidades quilombolas, de terreiros e ciganas. 
 
O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, de julho de 2012 a dezembro de 2014, recebeu 948 queixas de intolerância religiosa pelo Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), das quais 71% envolviam intolerância contra religiões afro-brasileiras. 
 
No Distrito Federal e Entorno, que inclui municípios vizinhos dos estados de estado de Goiás e Minas Gerais, foram pelo menos 20 casos de ataque contra terreiros apenas nos últimos 12 meses, de acordo com a Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília. 
 
"Nós tivemos terreiros incendiados, apedrejados, invadidos e o que a gente vem trabalhando com as polícias militar e civil é para saber o que é intolerância religiosa e o que é invasão, roubo, furto. E está muito preocupante. Os nossos pais e mães de santo são, na maioria, pessoas de idade. Alguns casos são registrados em delegacias, outros não. O xingamento é normal, infelizmente. Mas esses ataques, como o último na casa de Mãe Baiana e o ocorrido na casa do Babazinho, começam a amedrontar a gente", afirmou o presidente da federação, Rafael Moreira.  
 
Violência, desrespeito e solidariedade 
 
Ocorrido em 27 de novembro, o caso de Mãe Baiana foi um ataque de madrugada que resultou no incêndio do terreiro Ylê Axé Oyá Bagan.

Mãe Baiana conta que, na semana seguinte ao atentado em seu terreiro, outro barracão em frente, que era do babalorixá Raul de Xangô, falecido em 2013. "Entraram e quebraram tudo. Aqui foi no fogo, mas lá foi jogando no chão, de maldade, de perversidade", lamentou.  
 
Já com o babalorixá Babazinho, foram três ataques ao terreiro de candomblé que ele comandava. "Não tinha condições e não tenho nem o direito de colocar a vida das pessoas em risco. Ao total, somos 69 pessoas na casa de santo, entre crianças, adultos e jovens. Comecei a achar que ficou perigoso para a gente dar continuidade lá. Aí, resolvi passar a máquina e acabar para não haver mais ataques", conta Babazinho sobre a decisão de fechar a casa de santo em Santo Antônio do Descoberto, a cerca de 50 km de Brasília.  
 
Ambos os casos foram registrados na polícia, mas ainda não houve solução, nem recuperação dos danos materiais.  
 
Nos últimos dias de dezembro, uma escultura de Oxalá do artista baiano Tatti Moreno, localizada na Praça dos Orixás, em Brasília, foi parcialmente quebrada e tentaram roubar o cajado dela. O ato de vandalismo, no entanto, não interrompeu os preparativos para a festa da virada de ano, que será realizada no local, situado à beira do Lago Paranoá, um dos cartões postais da capital federal. 
 
Apoio e esperança
 
"Há 42 anos, ocorre este encontro das religiões de matriz africana aqui neste mesmo local. Antigamente, se chamava Prainha. Depois, se tornou Praça de Iemanjá e, em 2000, foi mudada para Praça dos Orixás, quando foram colocados os monumentos dos 16 orixás de matriz africana. Aqui, temos as oferendas para Iemanjá e Xangô e o pessoal de terreiros atende à beira do lago", explica Rafael Moreira.  
 
Parte dos valores arrecadados na festa na Prainha de Brasília será utilizada para reforço e reconstruções dos terreiros atingidos. 
 
Babazinho, contudo, conseguiu com um evento, realizado em setembro passado, na quadra na Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), recursos para comprar outra chácara em outra cidade no entorno de Brasília. "Estamos começando a reconstruir. Vamos ver se até abril, maio, a gente reinaugura a casa de santo, porque a vida continua", afirmou. 
 
Mãe Baiana também tem expectativas de um 2016 melhor do que 2015. "Eu espero que o ano que vem seja diferente. Que as pessoas estejam mais brandas, que tenham mais amor! Que elas estejam mais seguras. Que tenham pensamentos de luz, pensamentos de amor, de prosperidade, de paz. A gente está precisando disso. O mundo está precisando é disso", destaca.
 
Denuncie
 
A Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, pune com pena de reclusão de dois a cinco anos quem cometer crime de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pode-se fazer denúncias em delegacias comuns ou nas especializadas em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. 
 
Por telefone, é possível ligar para o Disque 100, que é gratuito e pode ser feito de forma anônima. As ligações podem ser realizadas de qualquer lugar do Brasil, a partir de telefone fixo ou celular, 24h por dia, sete dias por semana. 


*Camila Campanerut é assessora de Comunicação do Ministério da Cultura

MOVIMENTOS: 2015: a primavera das mulheres que floresceu

Por meio da internet, mulheres se articularam para promover atos contra o silenciamento, a misoginia e o machismo

O ano de 2015 foi, definitivamente, um ano de lutas para as mulheres, sobretudo no Brasil. Já em 9 de março de 2015 a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei do Feminicídio, que torna crime hediondo o assassinato de mulheres apenas por serem mulheres.

Por Norma Odara*, no Brasil de Fato


Além disso as principais capitais do Brasil protagonizaram atos em defesa do direito das mulheres e contra o retrocesso. Brasília recebeu em agosto a Quinta Marcha das Margaridas, que reuniu agricultoras, sindicalistas, indígenas e quilombolas; a Primeira Marcha das Mulheres Negras – Contra o Racismo, a violência e pelo bem viver, que reuniu 10 mil mulheres em Brasília buscando dar voz às mulheres negras, que lutam contra o machismo, o racismo, possuem os menores salários e ocupam os piores cargos; as Mulheres Contra Cunha, que protestaram no Rio de Janeiro e São Paulo contra o PL 5.069/2013,de autoria do presidente da câmara Eduardo Cunha (PMDB -RJ), que dificulta o atendimento às mulheres que sofreram violência sexual, principalmente no que tange à profilaxia adequada.


“O Mulheres contra Cunha e o PL 5069, que no Rio de Janeiro se desdobrou em passeatas no dia 28 de outubro e 12 de novembro (além da tradicional marcha de combate a violência contra mulher do dia 25 de novembro) foi uma demonstração do desejo das mulheres do Brasil de virarem a mesa dizendo não ao machismo e ao capitalismo. Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara e autor dos projetos que prejudicam a vida da mulher trabalhadora, negra e indígena (PL 5069, PEC 215, redução da maioridade penal, terceirização do trabalho) é um símbolo do conservadorismo assassino do patriarcado brasileiro e nosso inimigo. Ele precisa cair. Como diz a canção 'se a mulherada se unir o Cunha vai cair'”, afirma Mariana Patrício, uma das organizadoras do movimento Mulheres Contra Cunha.

Revistas nacionais tiveram como capa os movimentos das mulheres e intitularam as ações de “primavera das mulheres”, abrindo espaço para as reivindicações, contra a opressão machista e cruel. 

Para a jornalista Juliana Gonçalves, coordenadora da área de comunicação do Centro de estudos das relações de trabalho e desigualdade (Cert), militante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira) e uma das organizadoras da Marcha das Mulheres Negras no Estado de São Paulo o ano de 2015 foi muito produtivo para as mulheres, sobretudo para as mulheres negras, que conseguiram ter mais voz e mostrar suas especificidades na luta: “a movimentação toda da questão em torno das mulheres foi extremamente importante, acho que a gente conseguiu expor e dar visibilidade para as mulheres de modo geral e das mulheres negras, de modo a não desrespeitar as nossas especificidades, tanto é que conseguimos chamar a atenção de grupos que ignoram as pautas dos movimentos sociais, como a semana em que as principais revistas nacionais deram capa às manifestações das mulheres”, diz.

Ela relembra que as mulheres negras sempre estiveram organizadas e que agora começam a ter visibilidade: “as mulheres negras sempre estiveram trabalhando de maneira orgânica nos movimentos sociais de diversos grupos. O que acontece diversas vezes é que a gente tá lá segurando o piano e que a gente não sai na foto, não é reconhecida, valorizada, acho que estamos conseguindo abalar as estruturas e que nossa voz está sendo aos poucos ouvida”, afirma a jornalista.

Feminismo 

A internet contribuiu positivamente para a articulação de atos e estratégias contra o silenciamento, misoginia e machismo.

As hashtags "meu amigo secreto", “não poetize o machismo”, “agora é que são elas”, “chega de fiu fiu” e “meu primeiro assedio” são alguns dos exemplos de campanhas nas redes sociais que levaram milhares de mulheres a contarem sobre o machismo que sofreram e sofrem.

A idealizadora da hashtag “Agora é que são elas”, Manoela Miklos, 32, doutora em Relações Internacionais propôs a ocupação por mulheres dos espaços em colunas, jornais, revistas e blogs de escritores homens, durante uma semana.

Ela conta como surgiu a hashtag em um momento político delicado, de retrocesso: “Uma onda conservadora trouxe a agenda pro centro das atenções com movimento infinitamente perverso: a aprovação pela CCJ do PL 5069/2013. Aí fomos pra rua. Isso tudo em meio a uma reação belíssima ao episódio terrível do Masterchef: a criação por parte das meninas geniais do Think Olga do #meuprimeiroassedio e os tantos relatos que foram compartilhados, os silêncios quebrados”, relata.

Manoela enfatiza que a experiência nos atos foi essencial para ecoar a necessidade da voz das mulheres ser ouvida, contra o silenciamento e pelo protagonismo feminino: “Dos atos das Mulheres contra Cunha,, o que ficou pra mim foi o som: milhares de mulheres. A coisa mais forte. Mais potente que eu já ouvi. Da onda de relatos do #meuprimeiroassedio, também. Vozes femininas caladas se pronunciado, contando segredos. Na semana que seguiu, eu e um grupo de amigas e amigos nos incomodamos com como as narrativas, em todos os meios, sobre esses momentos de vozes femininas se elevando eram masculinas. Homens contando o que viram, ouviram, leram. E falando sobre a necessidade de ouvir. Mas falando. E eu fiz uma provocação no Facebook, na minha página pessoal. E se os colunistas todos, os blogs todos, os homens com espaço de fala garantido se calassem nesse momento? Se de fato ouvissem ao invés de falar sobre ouvir? E se seus espaços fossem ocupados por mulheres? Cade essas vozes que eu ouvi na rua, que estavam nas redes?”.

A advogada feminista Rosângela Cristina Martins, do GT de Gênero da Uneafro Brasil, participou da campanha “Agora é que são elas” e escreveu na coluna de Douglas Belchior, na Carta Capital, mencionando como o poder punitivo do Estado interfere na vida das mulheres.

Rosângela fala da importância das redes sociais para a popularização do feminismo, mas lembra que é necessário muito mais para desconstrução de um problema enraizado: As redes sociais fazem parte de um conjunto de instrumentos que podem e devem ser usados para denunciar, mobilizar, reivindicar, etc., mas que, isoladamente, não têm força para desconstruir um comportamento machista enraizado e tido como "naturalizado" em nossa sociedade. É preciso muito mais”. 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) utilizou a frase de Simone de Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se mulher” em uma das questões na prova deste ano, endossando a necessidade e importância da discussão de gênero e a resistência feminina.

Rosângela relembra que foi muito gratificante ver a felicidade de alunas de cursinhos populares comemorando o Enem, que pela primeira vez trouxe elementos que compõe a pauta da Uneafro.

Para Semayat Oliveira, jornalista do coletivo “Nós, mulheres da periferia” o ano de 2015 foi muito frutuoso, contando com exposição do projeto “Quem Somos [ Por nós ]” no Centro Cultural da Juventude, na Zona Norte de São Paulo, além do contato com mais de 100 mulheres de regiões periféricas de São Paulo que são “invisíveis” para maior parte da sociedade.

Semayat relata sua experiência pessoal com as campanhas online, que julga importantes e fortes: “acredito que toda e qualquer inciativa que permita que as mulheres se sintam seguras para falar, expor, desvendar seus medos, dores e violências significa a construção de mais um degrau para a uma sociedade onde as relações sejam sustentáveis e saudáveis. Não é saudável sentir medo de falar, de caminhar após as 22h da noite, de usar o transporte público, carregar culpas e culpas nas costas que nem são nossas.  E a partir da fala, da expressão, seja ela em um texto, em uma fotografia, em uma tela de pintura ou num desabafo de três linhas no Facebook, começamos a construir novas formas de valorizar nossas histórias e como as traçaremos daqui em diante”, fala. 


*Norma Odara é jornalista
Fonte> vermelho.org.br