ELEIÇÕES 2022: MOVIMENTO 65

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

BRASIL: Diógenes Júnior: A radicalização da democracia na medida certa

 

Zeitgeist é um vocábulo alemão cuja tradução literal significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. Zeitgeist pode ser definido também como um conjunto de circunstâncias, o clima intelectual e cultural de um determinado lugar numa determinada época, as características peculiares de um determinado período de tempo.

Por Diógenes Júnior, especial para o Portal Vermelho e Jornalistas Livres


Como eu houvera dito anteriormente aqui, o governador do Estado de São Paulo e seu secretário de Educação — Herman Jacobus Cornelis Voorwald — têm promovido um ataque implacável contra a Educação, e o propósito desse ataque é o desmonte para posterior privatização do Ensino Público Estadual.

Uma matéria de Karen Marchetti para o ABC Maior, publicada no Viomundodá conta de que Geraldo Alckimin tem a intenção de reduzir em 2 bilhões o orçamento para a Educação do Estado de São Paulo em 2016.

Baseando-me nessa premissa faz mesmo todo sentido o governador praticar políticas absurdas e autoritárias, ficando bem claro que seu objetivo é desvalorizar a carreira dos professores, desestimular o ingresso de novos quadros na rede pública do Estado, aumentar o número de alunos dentro de uma mesma sala de aula, fechar unidades escolares e com isso precarizar ao máximo possível todo o Ensino Público.

Só que ele não contava com a força, a determinação e o poder de mobilização de uma juventude a qual ele sempre tentou criminalizar.


Criar, criar, poder popular!

Sem saber, Geraldo Alckmin acabou criando as condições ideiais para que oZeitgeist — o espírito do tempo — entrasse em ação, possuindo os corações e mentes dos jovens em uma luta contra o autoritarismo e pela manutenção de seus direitos poucas vezes vista na história de São Paulo.
Os jovens estudantes, dando um magnífico exemplo de organização e coragem, radicalizaram a democracia como há muito tempo não se via.

Já são mais de 83 escolas ocupadas em todo o Estado de São Paulo.

Contando com o apoio de ex-alunos, muitos deles pais de estudantes nessa mesma luta, o movimento só cresceu.

Parte da população, sensibilizada pela coragem dos alunos e a importância dessa luta, e com a percepção de que os alunos realmente estão fazendo a coisa certa, passou a contribuir com alimentos, além de materiais de higiene e limpeza.

Outros apoios importantes devem ser registrados: o MTST — Movimento dos Trabalhadores sem Teto doará 1000 litros de leite, 500 litros de suco de uva e 1000 caixas de achocolatado para os estudantes em luta.

A Ubes — União Brasileira dos Estudantes Secundaristas também declarou seu apoio ao movimento, assim como uma parcela considerável de professores da rede pública estadual também declarou seu apoio e participou de algumas ocupações.

E não há a menor demonstração por parte dos estudantes de que eles cederão ou abrirão mão de seus direitos, muito pelo contrário.

A luta dos estudantes contra os vários Golias

Boa parte da mídia tradicional faz clara oposição ao movimento de ocupação das escolas pelos estudantes, usando a sempre covarde tática de noticiar as ocupações como se fossem “invasões”.
No último dia 19, numa provável “tabelinha” com o governador a Folha de São Paulo, jornal que é useiro e vezeiro em publicar notícias falsas disparou a falsa notícia de que a reestruturação das escolas imposta por Alckimin estaria suspensa.

Ficou evidente que a notícia tinha como propósito desmobilizar os alunos, fazendo com que comemorassem antecipadamente uma vitória que de fatoainda não existia.

As duas correções da notícia feitas posteriormente por aquela Folharatificam o propósito nefasto do jornal.

Contra os estudantes há também a truculenta polícia militar sob o comando direto do governador.
Tristemente célebre por seus antecedentes de desrespeito aos direitos civis, a Polícia Militar do Estado de São Paulo é aquela polícia que até por ser militar sempre está preparadíssima para a guerra, mas totalmente despreparada para participar ou mesmo entender o que é uma democracia.

Em pelo menos três escolas a truculenta milícia, a despeito da falácia de seu comandante em chefe — que houvera dito que “não usaria a PM” — fez uso da violência com a qual costuma lidar cotidianamente com cidadãos indefesos, desarmados e lutando por seus direitos.

O que se viu nas escolas Sylvia Ribeiro, na cidade de Marília, Professora Francisca Lisboa Peralta em Osasco e Professora Maria Petronila Limeira dos Milagres em Santo Amaro, São Paulo foi ataques com spray de pimenta, agressões físicas, intimidação e prisões arbitárias sem fundamento algum.

A molecada de São Paulo batendo um bolão. A escola é deles e o orgulho é nosso!

Nada disso intimidou os estudantes, fortalecidos com o espírito do tempo, inabaláveis.

São meninos e meninas que não escolheram o atalho do mais fácil, antes escolheram lutar pela manutenção e até mesmo pela ampliação de seus direitos como cidadãos.

São meninos e meninas que têm a convicção de que só há saída na política, e que tudo é política.
São meninos e meninas que ousaram lutar e ousaram vencer.

Que diferença fará essa geração de jovens em nossa sociedade!

Mais que defender a manutenção de um direito — o direito constitucional inalienável que lhes está sendo negado, a Educação — esses meninos e meninas estão nesse exato momento escrevendo uma linda página na história do país, pavimentando a promessa de uma revolução que continuará em curso, a construção de um novo mundo e de uma nova sociedade, onde a radicalização da democracia e a participação popular nas decisões governamentais serão cada vez mais intensas.

Foi pensando na chegada de meu primeiro filho, (que virá ao mundo em junho do ano que vem) com profunda admiração e muito orgulho dessa molecada que escrevi esse artigo, uma pequena homenagem aos jovens guerreiros resistentes em São Paulo — Zeitgeists - desejando que, como eles, meu filho(a) também escreva uma linda história de luta e de vida.

*Diógenes Júnior é estudante de Ciências Sociais, pesquisador independente, militante do PC do B, ativista dos Direitos Humanos e Jornalista Livre.

BRASIL: Morre aos 90 anos líder guerrilheira Zilda Xavier Pereira

Morreu neste domingo (22), em Brasília, Zilda Xavier Pereira, militante contra a ditadura civil-militar que integrou o comando da Ação Libertadora Nacional, maior organização guerrilheira do país. “De Zilda ficará em nossa memória o exemplo de mulher generosa e de coragem, obstinada a construir um Brasil de liberdade, soberano, mais justo e igualitário”, disse a presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos, pernambucana como Zilda. 



Zilda, que completava 90 anos neste domingo, foi companheira do revolucionário Carlos Marighella, assassinado por policiais comandados por Sérgio Fleury, aos 56 anos, em 1969, na capital paulista. Seus filhos Iuri e Alex Xavier Pereira, também guerrilheiros, foram assassinados por agentes da ditadura. 

Luciana Santos lembrou ainda que Zilda Xavier foi uma das principais dirigentes da Ação Libertadora Nacional. “Mulher à frente de seu tempo, foi dirigente da Liga Feminista da Guanabara.”, destacou ainda a dirigente comunista.

Filha de pai ferroviário e mãe dona de casa de origem camponesa, Zilda Paula Xavier Pereira nasceu no Recife em 22 de novembro de 1925. Na manhã deste domingo, 22 de novembro de 2015, Zilda faleceu.

O sepultamento está marcado para as 15 horas desta segunda-feira (23) no Campo da Esperança, em Brasília.h.

História de vida

Em maio de 1945, recém-chegada ao Rio, Zilda incorporou-se ao Partido Comunista. No finzinho de janeiro de 1970, prenderam Zilda no Rio. "Torturaram-na à exaustão, e nenhuma informação lhe arrancaram - a leitura do seu depoimento no Exército emociona até almas brutas", diz Mário Magalhães, biógrado de Carlos Marighela em seu blog.

“No futuro, ela diria que guardou seus segredos para honrar a memória de Marighella: “Eu via o Marighella na minha frente. Pensava: 'Carlos Marighella não é homem para ser traído, eu jamais trairei Carlos Marighella'', conta Magalhães.'

Com ajuda de companheiros e amigos, Zilda escapou do hospital em que a haviam internado, depois da simulação de surto de insanidade. Ela viajou para o exílio, de onde voltaria somente em 1979.

Quando Zilda estava fora do Brasil, a ditadura matou Marighella e seus dois filhos, Alex, de 22 anos e Iuri, de 23. 


De Brasília
Márcia Xavier, com agências 


domingo, 22 de novembro de 2015

Astrojildo, fundador do Partido Comunista do Brasil

No dia 28 de setembro 1908, Machado de Assis vivia seus últimos momentos: ele abandonaria a vida em 29 de setembro. Naquela noite derradeira recebeu, agonizante em seu leito, a visita de um rapaz que mal tinha 18 anos de idade (completados em 8 de novembro, menos de dois meses depois). 


Aquela “criança” - registrou Euclides da Cunha na crônica publicada alguns dias depois (“A última visita”, 30 de setembro e 1º de outubro de 1908, no carioca Jornal do Commércio) - “chegou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu”.

A avaliação de Euclides da Cunha errou e acertou. Errou ao dizer: “Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida”. Mas acertou na sequência: “Naquele momento, o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo – no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis – aquele menino foi o maior homem de sua Terra”.

A identidade daquele jovem ficou incógnita durante muito tempo e só foi revelada quase trinta anos depois quando Lúcia Miguel Pereira publicou sua monumental biografia de Machado de Assis: era Astrojildo Pereira Duarte Silva.

Foram gigantes que se reuniram naquele quarto em 1908 – o próprio “Bruxo do Cosme Velho”, que deixava a vida, Euclides da Cunha e outros membros da Academia Brasileira de Letras. E aquele jovem que despontava para a vida intelectual e política do Brasil e se tornaria um importante líder operário, introdutor e propagandista do marxismo em nosso país, e fundador e primeiro dirigente do Partido Comunista do Brasil.

Astrojildo tornou-se militante anarquista em 1911, desencantado com a Campanha Civilista de 1910 que defendeu a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República. Logo tornou-se importante líder operário no Rio de Janeiro; esteve entre os organizadores do II Congresso Operário Brasileiro, em 1913,e foi um dos dirigentes da grande greve de 1917.

Naqueles anos o debate entre as lideranças operárias era intenso, sobretudo depois de 1917, quando ocorreram dois eventos de enorme significado: a Revolução Russa e, no Brasil, a grande greve operária. A dogmática rejeição anarquista da política foi o grande obstáculo que aquela greve enfrentou. E fez crescer, entre a liderança operária, o debate do exemplo soviético e, principalmente, sobre o que fazer para levar adiante a luta operária. 

Astrojildo já era conhecido. Em janeiro de 1918 publicou o folheto A Revolução Russa e a Imprensa, que defendia os bolcheviques contra as calúnias espalhadas contra a revolução, prinicipalmente pela imprensa da direita. Ainda nesse ano redigiu, praticamente sozinho, o jornal Crônica Subversiva. 

Tornara-se um eficiente e incansável propagandista do marxismo. Promovia reuniões de trabalhadores para debater a crise do anarquismo e sua incapacidade para formular um programa político para a luta proletária. “Faltava porém um centro coordenador, um comando geral à altura das circunstâncias, em suma, uma direção política, que só um partido independente de classe poderia imprimir a todo o movimento”, escreveu mais tarde. 

Existiam inúmeros grupos comunistas no Brasil e entre eles se destacava o grupo do Rio de Janeiro que, em janeiro de 1922, começou a publicar o periódico Movimento Comunista, dirigido por Astrojildo. Em julho de 1923 a Internacional Comunista recomendou a transformação desse periódico em um jornal de massas voltado aos trabalhadores – começava a nascer A Classe Operária, o jornal comunista publicado desde 1º de maio de 1925 

Astrojildo era um propagandista metódico e organjizado. O historiador Edgard Carone examinou os cadernos onde ele anotava, na década de 1920, empréstimos de livros e revistas de divulgação marxista. Neles constam os nomes de simpatizantes, espalhados por vários estados (Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo), para os quais Astrojildo enviava livros e revistas teóricos do marxismo. Entre eles as Teses do II Congresso da Internacional Comunista e o Manifesto do Partido Comunista, entre outras obras.

Era um líder reconhecido. Em 1921, um estrangeiro visitou a redação do jornal proletário A Vanguarda, em São Paulo, em busca de um líder para formar do Partido Comunista entre nós. Ele se dizia representante de uma fábrica de tecidos britânica ficando por isso referido na história como o “cometa de Manchester”. Procurava Edgard Leuenroth, o principal líder da greve de 1917, a quem se apresentou como membro do Secretariado Comunista da América do Sul, sediado em Buenos Aires. “Por que o senhor não funda do Partido Comunista do Brasil?”, perguntou a Leueroth, que respondeu: “Porque não sou bolchevista”. E recomendou que falasse com Astrojildo Pereira que, três dias depois, chegava a São Paulo para tratar da fundação do Partido Comunista do Brasil.

Em 1922, os comunistas brasileiros eram poucos: apenas 73, espalhados por várias cidades - Juiz de Fora (MG), Niterói (RJ), Recife (PE), Rio de Janeiro (DF), Porto Alegre (RS), Santos e São Paulo (SP). 

Astrojildo articulou aqueles grupos comunistas, sendo o principal organizador do Congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil em 25 de março de 1922, que reuniu um punhado de militantes: Astrojildo Pereira (jornalista), Cristiano Cordeiro (advogado), Joaquim Barbosa (alfaiate), Manuel Cendón (alfaiate), João da Costa Pimenta (gráfico), Luís Pérez (vassoureiro), Hemogêneo Fernandes da Silva (eletricista), Abílio de Nequete (barbeiro) e José Elias da Silva (pedreiro). 

A primeira direção do Partido Comunista do Brasil, eleita então, tinha à frente, por indicação de Astrojildo (outra indicação da modéstia característica do fundador do PcdoB), o gaúcho Abílio de Nequete, juntamente com Astrojildo, Antônio Canellas, Luiz Peres e Cruz Júnior. Em 5 de julho de 1922 ocorreu o levante tenentista que desencadeou forte repressão. Nequete foi preso e, ao sair da cadeia, renunciou ao cargo dirigente e afastou-se do partido. Coube a Astrojildo Pereira ocupar a secretaria geral, função que manteria ao longo daquela década, sendo reconhecidamente o principal dirigente comunista naquela primeira fase da existênia do Partido do qual foi o principal fundador.

Foram anos turbulentos e intensos. Em 8 de julho de 1924 a Internacional Comunista reconheceu o PCB e Astrojildo Pereira foi eleito para sua Comissão de Controle Central. Em 17 de julho de 1926 o Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou, elegeu Astrojildo como membro de sua Comissão Executiva.

No Brasil, em 3 de janeiro de 1927 começou circulou a primeira edição do diário A Nação, de propriedade de Leônidas de Rezende, agora sob direção do PCB. A experiência foi até agosto de 1927, terminando após a aprovação da “lei celerada”. Os principais redatores eram Astrojildo Pereira, Octavio Brandão e Paulo de Lacerda. 

Ainda em dezembro daquele ano a direção do PCB aprovou, por sugestão de Astrojildo, a aproximação com a Coluna Prestes, e ele foi enviado à Bolívia, ao encontro de Luís Carlos Prestes, lá exilado. Astrojildo deixou com ele muitas publicações marxistas.

Astrojildo foi o principal redator das resoluções dos 2º e 3º congressos do PCB, em 1925 e 1928/1929, que descreveram aquela época como "um período de transição entre a economia agrária e a economia industrial", onde a penetração imperialista crescia, e o domínio passava da Inglaterra para os EUA. 

Era a tese da terceira revolução (as anteriores ocorreram em 1922 e 1924), formulada por Astrojildo e Octávio Brandão. Segundo ela, a revolução brasileira seria democrático pequeno-burguesa, unindo a classe operária e a pequena burguesia antioligárquica (os “tenentes”). Embora muito criticada logo depois pela Internacional Comunista, esta tese indicou a acuidade da análise política da direção comunista brasileira, única, entre os analistas da época, a perceber que a encruzilhada que o país vivia só seria resolvida por uma ruptura institucional que ocorreu, afinal, em 1930.

Astrojildo defendia uma política de alianças mais ampla para os comunistas brasileiros, e a aproximação com políticos democratas do calibre de Maurício de Laerda, Leônidas Rezende, e o próprio Luiz Carlos Prestes, o principal líder tenentista, que se encontrava exilado. 

Essa política enfrentou, desde maio de 1930, dura crítica da IC, que forçou o encerramento da experiência do Bloco Operário e Campones (BOC), formado pelo partido para participar das eleições naqueles anos. Para o Bureau Sul Americano da IC, aquela política contrariava a diretriz de “classe contra classe” então defendida. Mas é preciso frisar que o PCB, por influência de Astrojildo, foi mundialmente pioneiro na política de frente ampla que foi preconizada na etapa imediantamente posterior, na luta contra o nazifascismo.

Outro aspecto da atividade intelectual de Astrojildo foi o combate ao pensamento oligárquico. Num artigo publicado em A Classe Operária (1/5/1929), submeteu as falácias expostas por Oliveira Viana em Populações meridionais do Brasil a uma crítica rigorosa e demolidora. Astrojildo demonstrou um domínio crescente do pensamento marxista ao concluir que a tese falsa da ausência da luta de classes no Brasil decorria outra, a compreensão do Estado como externo e superior às classes, cujo controle cabe aos "fazendeiros de café, descendentes da velha aristocracia rural".

Naqueles anos a repressão policial combinou-se com a frágil formação marxista e comunista do grupo dirigente, e as próprias incompreensões da Internacional Comunista sobre a luta de classes no Brasil. 

Em fevereiro de 1929 Astojildo viajou para Moscou, onde permaneceu até janeiro de 1930. Quando, voltou trouxe a orientação da Internacional Comunista, de proletarização do partido, aqui logo compreendida como o reforço da presença diretamente operária. Assim, no início de 1930 o Comitê Central decidiu diminuir o número de intelectuais na direção partidária. Em novembro daquele ano, por influência direta do Bureau Sul Americano da Internacional Comunista, Astrojildo foi afastado da secretaria geral, tendo início um longo período de instabilidade na cúpula comunista brasileira. A “normalidade” só foi recuperada depois de 1943, quando a Conferência da Mantiquerira reorganizou a direção nacional do Partido - mas esta já é outra história... 

Astrojildo, com sua esposa, Inês, filha de outro dirigente operário, Everardo Dias, mudou-se para sua cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito, onde viveu mais de uma década trabalhando em uma empresa de sua família, que vendia frutas.

Astrojildo retornou ao PCB em 1945 e assumiu importantes tarefas na área cultural. Participou do I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, e foi um dos redatores da declaração de princípios então aprovada, com críticas ao Estado Novo. Teve intensa colaboração na imprensa partidária, dirigindo as as revistas Literatura, Problemas da Paz e do Socialismo e Estudos Sociais, e escrevendo no jornal Imprensa Popular e na revista Novos Rumos. 

Leôncio Basbaum, que militou com ele naqueles anos iniciais, deixou uma descrição de Astrojildo reveladora do homem, do militantes e do dirigente que ele foi: “tinha o rosto muito alvo, corado e com óculos de aro de metal, sempre risonho, tinha mais força comunicativa e ares de intelectual, sempre com livros e uma pastinha debaixo do braço e uma capa de chuva sobre os ombros. Tinha um grande senso de humor, gostava de dar risadar e tomar cerveja”. 

Lutador pelo socialismo, Astrojildo Pereira – que, este ano completaria 125 anos de idade, e que marca também os 50 anos de sua saída da vida, em 21 de novembro de 1965) foi um herói do povo brasileiro. Ele deixou uma marca de bronze na história da luta de classes em nosso país – o movimento comunista, que fundou. e que floresce hoje em organizações entre as quais se destaca o Partido Comunista do Brasil, que se orgulha em manter de pé a bandeira por ele levantada em 25 de março de 1922.

Referências

Basbaum, Leôncio. Uma vida em seis tempos (memórias). São Paulo, Alfa-Omega, 1978 
Carone, Edgar. Uma polêmica nos primórdios do PCB: o incidente Canellas e Astrojildo (1923). In Memória e História, nº. 1, Revista do Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro. São Paulo, Livraria Editora Ciência Humanas, 1981
Brandão, Octavio. Combates e batalhas (memórias). Vol. I, São Paulo, Alfa-Omega, 1978


Carone, Edgard. O marxismo no Brasil (das origens a 1964). São Paulo, Editora Dois Pontos, 1986

Coutinho, Carlos N. Os intelectuais e a organização da cultura no Brasil. In Temas de Ciências Humanas, nº 10, São Paulo, 1981.

Konder, Leandro. Os intelectuais brasileiros e a cultura. Belo Horizonte, Oficina de Livros, 1991.

Konder, Leandro, Astrojildo Pereira: o homem, o militante, o crítico. In Memória e História, nº 1, Revista do Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro, São Paulo, Livraria Editora Ciência Humanas, 1981

Lima, Heitor Ferreira. Astrojildo Pereira e uma mudança na orientação do PCB. In Memória e História, nº 1, Revista do Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro. São Paulo, Livraria Editora Ciência Humanas, 1981

Lima, Heitor Ferreira. Caminhos percorridos – memória de militância. São Paulo, Brasiliense, 1982

Pereira, Astrojildo. “A formação do PCB”. In Ensaios históricos e políticos. São Paulo, Alfa-Omega, 1979, 

Zaidan Filho, Michel. PCB (1922-1929) – na busca das origens de um marxismo nacional. São Paulo, Global, 1985.






Fonte: Portal Vermelho

BRASIL - Governo cria Comissão dos Direitos da População em Situação de Rua


Foto: R 7
O governo federal instituiu a Comissão dos Direitos da População em Situação de Rua, no âmbito do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. A decisão está presente em resolução publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (20). O objetivo da Comissão é receber, apurar e monitorar as denúncias de violações de direitos deste segmento social, propor recomendações para o aperfeiçoamento das políticas públicas relacionadas ao setor.

A resolução esclarece, ainda, que é considerada população em situação de rua “o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as arcas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento, para pernoite temporário ou como moradia provisória”.

A Comissão contará, além de integrantes do Conselho de Direitos Humanos, com representantes do Movimento Nacional da População de Rua, Pastoral Nacional dos Povos de Rua, Departamento de Apoio a Gestão Participativa-Ministério da Saúde; Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Justiça e Cidades.


Fonte: Portal Brasil

sábado, 21 de novembro de 2015

O Brasil é negro e mestiço


Foto: Divulgação - Portal Vermelho
A imagem hegemônica de um Brasil branco derrete e, cada vez mais, os brasileiros assumem sua própria autoimagem de mestiços ou negros, como mostram os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014 divulgados na sexta-feira passada (13): 53% dos brasileiros se declararam pardos ou negros, e 45,5% se disseram brancos. 

Este número cresce desde 2007 quando a PNAD registrou o reencontro dos brasileiros com sua própria autoimagem: naquele ano 50% se declararam pardos ou negros, superando pela primeira vez, num censo oficial realizado no período republicano, o número dos que se consideraram brancos, que foi ligeiramente inferior: 49,2%. 

O show de horrores das estatísticas permanece e mostra a extrema desigualdade imposta aos negros e mestiços no Brasil: eles ocupam as piores posições em termos de renda, emprego, moradia, saúde, anos de estudo, violência etc...

Mesmo assim, o reconhecimento de sua cor pelos brasileiros tem um significado positivo. Os brasileiros vão se reencontrando com suas raízes, sua origem, sua história, e reafirmam sua enorme contribuição à civilização: a afirmação de que todos os homens são iguais. 

O sonho racista da elite que tentou forjar uma autoimagem “branca”, “europeia”, vai sendo depositado na lata de lixo dos delírios de classe. E quem o rejeita é justamente aquela que o poeta chamou “esta gente bronzeada” que mostra o seu valor. 

É significativo que o reencontro dos brasileiros com sua própria autoimagem ocorra nestes anos de afirmação da democracia no Brasil, período também em que a luta de classes se acentua. A melhora, embora pequena, da renda dos mais pobres (que são sobretudo pardos e negros), maior acesso à educação e às universidades, maior conhecimento da história do povo brasileiro, da escravidão e da África – tudo isso reforça a e valoriza a autoimagem dos brasileiros, que não é loura de olhos azuis como sonham os racistas. 

O Brasil é negro e mestiço, seu povo resultou da intensa mistura de gentes que ocorreu por aqui e que, mesmo tendo sido extremamente violenta, formou nossa gente que aponta para o futuro da humanidade e da civilização: o reconhecimento radical da igualdade entre todos os seres humanos.

Fonte: Portal Vermelho

Leci Brandão: desrespeito com religiões afro está ligado com o racismo

  

Nesta sexta-feira, dia 20 de novembro, comemora-se o Dia da Consciência…. Data tida como um momento para reflexão sobre os inúmeros problemas sociais que a população negra, mesmo sendo a maioria no Brasil, ainda sofre 127 anos após o fim da escravidão.


Mas refletir isto somente durante o penúltimo mês do ano é muito pouco, avalia a deputada estadual pelo PCdoB Leci Brandão.

A sambista, reconhecidamente um dos principais nomes da cultura nacional, explica que dentre as inúmeras questões que atingem a população afro-brasileira, o preconceito contra as religiões de matriz africana tem sido um dos pontos que mais machucam ….

Ouça a entrevista de Leci Brandão na íntegra:


Leci


Tayguara Ribeiro, do Portal Vermelho

BRASIL: Percentual de jovens negros no ensino médio dobra em 13 anos


Mais da metade dos brasileiros de 15 a 17 anos que se autodeclaram pretos ou pardos estavam no ensino médio (51%) em 2014, segundo levantamento feito pelo Instituto Unibanco com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada na semana passada.

Em 2001, esse percentual era de 25%. No mesmo período, a proporção de jovens brancos no ensino médio cresceu 14 pontos percentuais – chegando a 65%.

Em 2001, mais da metade (53%) dos alunos negros de 15 a 17 anos ainda estava estudando na primeira etapa da educação básica, ou seja, estavam atrasados em relação ao que era esperado para a sua faixa etária. Na última Pnad, o percentual caiu 21 pontos e hoje a proporção de jovens negros ainda atrasados no fundamental é de um terço (32%) - entre os brancos, esse percentual é de 22%.

No total da população de 15 a 17 anos sem estudar, 19% já completaram o ensino médio. Na população branca, esse percentual é de 28%, superior ao verificado entre os negros (15%).

Ainda de acordo com o levantamento, 57% dos negros que estão fora da escola não completaram o ensino fundamental. Entre os brancos, o percentual de jovens de 15 a 17 anos fora da escola é de 43%. 


Fonte: Agência Brasil
C/ Portal Vermelho